História Cartas para Arabella - Capítulo 6


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Categorias Originais
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Palavras 582
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Policial
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


2009

Capítulo 6 - Capítulo 6


 

Seguir em frente não é o mesmo que deixar ir.

                Empacotar. Essa uma das coisas mais difíceis de fazer após a morte alguém que se ama muito. Você precisa colocar toda a vida de uma pessoa em caixas e tomar um certo cuidado para não perder a cabeça no meio do processo. Cada pedaço da memória precisa ser deixado para trás e guardado em um lugar seguro. Não há mais opções, você precisa seguir em frente, não existe mais alternativa. A morte é uma das poucas coisas sem solução.

                Recebi a ligação que ela havia piorado há dois dias; prontamente arrumei minhas coisas e me preparei para permanecer o resto dos dias dela no hospital. Eu comecei a perder as esperanças no segundo em que entrei no quarto. Seus ossos apareciam sob a pele, os cabelos, antes brilhantes, haviam perdido totalmente a cor. Sentei-me ao lado da cama, segurei uma de suas mãos e, chorei. Chorei como uma criança que acabou de ver seu peixinho dourado ser jogado pela privada. Um choro silencioso, dolorido. Eu não queria deixa-la ir. A presença dela era a única coisa que ainda mantinha minha sanidade minimamente intacta.

                -Débora...meu amor...eu não.. –Simplesmente não conseguia terminar as minhas frases. Meu peito doía de uma maneira inexplicável; eu só queria poder trocar de lugar com ela. Eu queria poder fazer qualquer coisa para tirá-la daquela situação, qualquer coisa. Eu tinha em mente que era pouco provável que ela conseguisse sair daquela situação mas, eu ainda cultivava um fino fio de esperança na situação, eu tinha fé de que magicamente ela iria acordar e tudo voltaria a ser como era antes. Eu ainda tinha uma mísera esperança de que tudo ficaria bem.

                -Eu não sei se você pode me ouvir.  Não consigo imaginar se você sente dor quanto toco seu braço ou afago o seu cabelo. Eu queria ter dito adeus, queria ter te abraçado antes de você sair de casa...ouvir sua voz uma última vez. Ah meu amor, tantas coisas que eu ainda queria te falar, tantos lugares que eu ainda queria te levar. Como eu sinto falta de você vindo me abraçar cheirando tinta. Do seu rosto cansado depois de corrigir diversas páginas de dever de casa; do teu sorriso logo após acordar. Eu não consigo sentir mais nada, porque você tinha que ir embora? Por favor, acorde... Não sei se consigo seguir em frente sem você.

                Um turbilhão de imagens se passou diante dos meus olhos, do dia em que a conheci, do momento em que ela sorriu e eu comentei que ela estava suja de tinta, do exato segundo em que  eu me apaixonei perdidamente. Da noite onde a levei para jantar pela primeira vez, em um restaurante no centro da cidade que eu não conhecia, que no fim só servia frutos do mar e ela era alérgica; fomos para uma pizzaria barata e bebemos cerveja sentados na calçada, assistindo o movimento dos carros e dos pedestres; bebemos tanto que eu não consegui voltar dirigindo para casa. Lembro que passamos o resto da noite naquele mesmo lugar, a madrugada chegou e, em meio a beijos e risadas, eu sabia que era ela a pessoa com quem eu queria passar o resto dos meus dias. Lembro-me do dia que ela me acompanhou no funeral dos meus pai;  como foi a única que conseguiu me consolar após dias trancados em um quarto escuro, esperando toda aquela tristeza ir embora. Parte de mim iria embora se ela fosse também.



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