História Cartas Para Park - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao
Tags Angst, Baekhyun, Cartas, Casamento Arranjado, Chanbaek, Chanyeol, Guerra, Hunhan, Jongin, Kai, Kaisoo, Kyungsoo, Lemon, Luhan, Sehun, Yaoi, Yoosh11
Exibições 114
Palavras 7.387
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Musical (Songfic), Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Doeu um tanto colocar essa fsnfic como terminada, eu agradeço a todo apoio e olha esse é meu cap preferido <:
Boa leitura.
PS: não está betado, apenas em dezembro irei Betar a fanfic inteira, okay?
@boygroupain

Capítulo 8 - Epílogo: Arco-íris


Capítulo 8 — Epílogo: Arco-íris

 

 

— Eu não vou fazer quimioterapia! — ChanYeol deu um soco na mesa.

— Você vai sim! — BaekHyun falou firme. — Você sabe como é a dor de ver alguém morrendo de câncer por pirraça?

— Se eu morrer, eu vou saber — retrucou.
 

BaekHyun caiu no choro de cabeça baixa conseguindo se lembrar bem da cena que tivera com seu pai.
 

×××
 

— Você não vai voltar, né? — BaekHyun perguntou ficando ao lado de seu pai.

— Não vou, infelizmente não vou... — respondeu um pouco fraco — Siga seus sonhos, Baek. Sua mãe é uma interesseira, casou-se comigo pelo meu dinheiro, mas a herança é sua... — tossiu deixando um pouco de sangue sair pela boca, o garoto rapidamente buscou por algum pano para limpá-lo. — Você é meu verdadeiro filho, seu irmão é fruto de uma traição... — ele falava pausadamente — Independente das consequências, faça o que o coração mandar.

BaekHyun apenas concordou com a cabeça esboçando um sorriso.

— Agora me deixe aqui sozinho, certo? Preciso descansar.

Ele se levantou, virou de costas e se foi deixando o homem que um dia o amou.
 

×××
 

— Byun e Park, será que eu posso falar?! — o médico levantou a voz completamente farto daquela briguinha boba.
Imediatamente os dois se calaram.

— Senhor Byun, você está certo em falar e insistir a uma quimioterapia — BaekHyun, se achando o vencedor, lançou uma piscadela ao namorado. — Porém...

O “Haha” de ChanYeol ecoou alto.

— Cof, cof... — o médico fingiu uma tosse — Porém você também precisa entender os motivos do doente.

Um silencio foi formado naquela sala gélida.

— Byun, poderia me dar licença? Quero falar apenas com o doente — ele disse. BaekHyun se levantou e deixou a sala bufando.

— Senhor Park, se não fizer a quimioterapia você sabe dos riscos, não é?

— Eu sei.

— Por que não quer fazer?

— Eu vou ficar feio, tudo vai cair: meus cabelos, minha sobrancelha, cílios, até a cor da minha pele. Eu iria ficar como um zumbi.

— Por estética? Sério isso?

— Não é por estética, é por amor.

O médico hesitou em perguntar alguma coisa, pois não sabia bem — talvez por se apaixonar apenas uma vez em toda sua história de vida —.

— Sabe, eu já estou doente de amor — praticamente sussurrou olhando para seus pés, porém logo levantou a cabeça olhando diretamente para o homem. — Eu tenho uma overdose por ele cada dia que se passa, ele fica cada vez mais bonito e mais sincero meu amor fica. Queria saber demonstrar 1% do que eu realmente sinto, mas eu não consigo! — elevou a voz. — Eu não consigo! — deu um soco na mesa levantando da cadeira.

Nessa altura do campeonato o médico já tinha pensado que era um maluco que fugiu do hospício.

— Muitos dizem que não existe um amor verdadeiro e que é tudo história pra boi dormir... Eu pensava isso, entende? Eu também pensava que só existia amor entre um homem e uma mulher, mas é tudo uma grande mentira. Você pode encontrar seu amor de baixo de um poste de luz na rua seis, numa praia ou numa esquina. E sabe o que é mais engraçado? É que independente das circunstâncias você vai encontrá-lo de uma forma e de outra, então quando se vê já está navegando num mar de incertezas e ele... Ele foi o meu salva vidas.

Deu uma pausa para continuar a falar, a voz estava bem elevada era como se fossem gritos atrás de gritos.
Deu dois passos a frente, fitou a parede pensando em alguma coisa, por fim, falou:

— Eu o encontrei um dia depois de quebrar meu coração. Eu pensava que ela era a minha alma gêmea, a mulher da minha vida; até mesmo a pedi em casamento, mas tudo veio como um trovão. “Você foi só uma diversão para mim, Park ChanYeol” — tentou imitar a voz da EunBin. — Então eu bebi, bebi e fumei... Quando voltei a empresa, deixei que meu amigo fizesse tudo ali — voltou a olhar para o médico que o escutava atentamente —, olha, eu vou agradecer eternamente ao SeHun por ter me acordado às 5h da tarde e a ressaca ter feito minhas pernas ajudarem aquele garoto ruivo dos quadros, que iria ser a minha alma gêmea. Eu sempre entendi muito de arte, principalmente de música e eu não poderia deixar aqueles quadros que deram um puta trabalho se desmanchar com a chuva... O mais engraçado é que alguns dias atrás o JunMyeon me falou desse garoto que pintava quadros e precisava de aperfeiçoar na arte. De um jeito ou de outro eu ia conhecer ele. Ainda por cima ele morava numa casinha no meio da floresta, a mesma que eu fui pedir ela em casamento. — riu baixo. — E tem mais! Quando podia, ia ajudar o JongDae como florista em sua loja de variedades que era bem pertinho da minha casa. O nosso caminho ia se cruzar uma hora ou outra, era só uma questão de tempo e o tempo não quis esperar.
 

ChanYeol voltou a se sentar na cadeira de couro.

O médico ainda olhava um pouco assustado e demorou bastante até finalmente entender e perguntar:

— E o que tudo isso tem a ver com o fato de você fazer a quimioterapia?

— Eu sei que quem ama de verdade não se importa com aparência, mas, eu tenho uma imagem pública a zelar. Sem contar que eu vou morrer qualquer forma, tenho uma doença terminal com efeitos colaterais. Sei que vou morrer mais rápido, mas eu nem me importo tanto assim, eu acho que ele vai lidar bem com a minha ida.

— Senhor Park... Eu...

— Não fale nada, me dê alguns remédios para os efeitos colaterais e tudo vai ficar bem, confie em mim.
 

E assim foi feito. ChanYeol saiu de lá com algumas — muitas — receitas em mãos. A tosse passou e a voz rouca também, mas a doença não.

— Channie... — BaekHyun chamou-o manhoso, a voz trêmula, os olhos inchados e as bochechas avermelhadas indicavam que havia chorado mais depois de sair da sala.

— Ei, me desculpe, tá? — Park abraçou o menor com carinho. — Eu estou bem, eu juro.

— Não... Não é isso...

— Eu sou o culpado, eu quem neguei a quimioterapia e acabei brigando contigo, não foi?

— Então você vai fazer? — olhou para o maior com um leve sorriso formado nos lábios.

— Não, Baek, eu não vou.
 

E desabou mais uma vez.

Para Byun, era vergonhoso chorar em público, principalmente num hospital de classe alta, mas a dor era tão grande que nem se importou. ChanYeol chorou também, não era um homem tão forte assim.
 

×××
 

— Chocolate! — BaekHyun respondeu animado.

— Eu quero de... Pistache — ChanYeol pediu. Deu um leve selar na testa do garoto antes de sentar a mesa. — Vamos na loja do JongDae depois?

— Uhum. — Byun parecia estar em outro mundo.

— Tá tudo bem?

— Faz tempo que eu não visito o JongDae, eu mal sei se ele se lembra de mim.

— É claro que s-

Não completou a frase, pois viu JongIn.

— JongIn! — ChanYeol gritou correndo até lá, BaekHyun fechou a cara por ciúmes.

— C-Chan...? — ainda confuso perguntou vendo a silhueta alta em sua direção. — Aah, ChanYeol!

Os dois se abraçaram, como amigos é claro. BaekHyun era bem ciumento, mas ficou feliz em ver o sorriso sincero estampado no rosto do namorado.

— Como você está? — ChanYeol perguntou.

— Eu estou bem — riu. — Quem é aquele ali? — apontou para Byun que acenou.

— Meu namorado, lembra do BaekHyun? O garoto das cartas?

— Aah — sorriu envergonhado. — KyungSoo foi ao shopping e eu aproveitei para escapar, tava querendo tomar um sorvete desde que pisei nessa cidade, mas ele não deixava de jeito algum. Começou a estudar pra ser nutricionista e ficou chato assim.

— Ele só quer o seu bem. — sentiu umas mãos quentes envolverem sua cintura, era BaekHyun abraçando-o por trás.

— Oi Baek! — disse assim na intimidade.

— Oi JongIn! — fez um biquinho manhoso. — Chan... Os sorvetes já estão na mesa.

— Ah sim, vamos? Peça o seu, JongIn, eu te espero.

E realmente esperou, BaekHyun já se encontrava no segundo sorvete quando JongIn chegou.

— Demorou, hein? — Byun disse.

— KyungSoo me ligou. — respondeu.

— K-KyungSoo? — quase se engasgou.

— É, meu namorado — falou enquanto ChanYeol dava uma lambida no seu.

— Eu conheço KyungSoo — falou. — Quando eu o conheci, eu estava servindo o exército e ele era um aprendiz. Digamos que ele era uma paixãozinha, porém nada demais, só o achava bonito e trocava algumas palavras com ele.

— Sim, ele é bonito, muito bonito — JongIn olhava para a parede apaixonado.

Park não hesitou em dar um tapa no rosto de Kim para voltar a realidade.

— Ai! — gritou.

— Vê se para de achar essa parede bonita, nem cinza ela é!

— Da licença que a cor mais bonita é amarelo! — JongIn retrucou.

— Vermelho! — Baek disse revirando os olhos.

— Cheguei! — KyungSoo tirou os óculos de sol e se sentou ao lado de BaekHyun. — Baek?

— Kyung... — sorriu ao ver o mais novo.

JongIn e ChanYeol deixaram os dois conversando para pagar a conta.

— Como a guerra foi resolvida? — perguntou ChanYeol buscando sua carteira no bolso.

— A presidente entrou em acordo com os norte coreanos, então construíram um muro dividindo os países, como do México e Estados Unidos. — respondeu JongIn deixando o amigo pagar tudo.
 

×××
 

— Baek, o que você quer fazer? — perguntou ChanYeol caminhando pela rua tentando segurar a mão do menor que negava por vergonha.

— Como assim?

— Faculdade — finalmente conseguiu segurar. — É tão vergonhoso assim? É vergonhoso estar ao meu lado?

— Eles ficam olhando torto — respondeu cabisbaixo.

— E onde está errado? As garotas também andam segurando na mão do namorado quando se amam.

— Somos dois garotos, esse é o problema...

— E quem disse que não existe amor entre dois “iguais”?

— Eles disseram. — tentava se livrar na mão do maior, mesmo que gostasse de segurar enquanto davam carícias um ao outro era vergonhoso na rua.

— Você não precisa escutá-los — sorriu. ChanYeol estava triste com aquilo, mas entendia o loiro.

— Queria ser uma garota pra você segurar na minha mão enquanto caminhamos na rua sem correr risco de ser espancado... Queria beijá-lo de baixo de uma árvore à luz da lua. Queria ser assim... Por que não podemos ser assim? Eu sou seu.

— Eu também sou seu. Pertencemos um ao outro.
 

×××
 

Infelizmente, JongDae tinha viajado em família naquele dia, mas isso não impediu de pegar algumas flores e deixar o dinheiro grudado a um bilhete.

— Não é um girassol, mas eu também gosto de rosas — o loiro sorriu cheirando as rosas vermelhas.

— E o SeHun?

— Se o SeHun também gosta de rosas?

— Não... Se ele está bem. — riu.

— Aah, está sim. Ele e o LuHan adotaram uma criança! Nós podemos adotar uma? Eu também quero!

— Eu não sei se eles vão gostar de ter um pai morrendo.

Com toda certeza não vão! BaekHyun sabia disso mais do que ninguém, por isso ficou quieto pensando bem no que havia falado.

— Que foi? Falei algo de errado? — abriu a porta de casa.

— Não fale que está morrendo, isso dói — e realmente doía, era como uma facada a cada letra.

— Desculpe — deu um beijo na bochecha de Byun e entrou na casa.

— Você ainda vai poder tocar? — olhou para o piano.

— Todo dia — segurou na cintura do loiro levantando-o.

— Ei! O que está fazendo?

— Te levantando para voar.

— Mas eu não sou um pássaro! Me deixe no chão, Channie!

Foi aí que ChanYeol virou BaekHyun de frente para si e deu-lhe um beijo profundo, bem apaixonado. Claro que BaekHyun correspondeu e correspondeu tão apaixonado quanto.

— Você é uma borboleta — o menor falou colocando os pés no chão. — Bonita, rápida e plena. Boborletas tem vida curta, porém vivem intensamente.

— E sempre tem uma flor favorita, minha flor favorita é você.

— Vamos fazer aquilo?

— Está animadinho, hein?

Riu pela pergunta.

— Pode ser aqui mesmo? — indagou o maior.

— Ah, vamos logo! — puxou-o pelo braço deixando os dois corpos caírem no carpete da sala.

BaekHyun abriu mais as pernas para dar espaço ao quadril de ChanYeol.

Eles já se encontravam em beijos calorosos com carícias maliciosas, quando...
 

Ding dong...
 

— Merda! — ChanYeol sussurrou no ouvido de BaekHyun num resmungo.
 

Ding dong...
 

Eles se levantaram.

— Já vai! — gritou tirando a camiseta amassada, caminhou até a porta e abriu-a vendo LuHan.

LuHan tinha indícios de quem chorou antes de tocar a campainha.

— O que aconteceu? — ChanYeol perguntou tossindo logo após.

— SeHun... Ele tá no hospital — soluçou.

BaekHyun não pensou duas vezes e jogou a camiseta amasada para seu namorado que rapidamente a vestiu. — Não é muito longe, é aqui mesmo em Gangnam. Dá pra ir correndo.

E assim foi feito, ChanYeol foi o último a correr, pois pela primeira vez, trancou a porta antes de sair — porém largou a chave na fechadura —.

LuHan estava lá na frente, BaekHyun não estava muito atrás, já ChanYeol... Mal conseguia correr.
 

×××

 

 

“Um dia, quando menos esperar, os meus pulmões vão falhar e eu vou te deixar.” — Park ChanYeol.

 

 

×××

 

 

— Já estamos chegando! — LuHan gritou avistando o hospital um pouco ofegante.

Realmente, não era longe, mas para um homem com uma doença pulmonar era como uma bomba relógio, só uma questão de tempo para explodir.

— ChanYeol! — BaekHyun gritou ao ver o corpo alto caído do no chão, desacordado.

Com dificuldade, os dois levaram-o até o hospital.

 

×××

 

— Park ChanYeol, 27 anos, câncer pulmonar. — KyungSoo falou deixando os exames na mesa.
 

Um outro médico pegou os exames, começou a lê-los e lá estava o TNM.
 

“O sistema TNM utiliza três critérios para avaliar o estágio do câncer: o próprio tumor, os linfonodos regionais ao redor do tumor, e se o tumor se espalhou para outras partes do corpo.
 

TNM é abreviatura de tumor (T), linfonodo (N) e metástase (M):
 

T - Indica o tamanho do tumor primário e se disseminou para outras áreas.

N - Descreve se existe disseminação da doença para os linfonodos regionais ou se há evidência de metástases em trânsito.

M - Indica se existe presença de metástase em outras partes do corpo”.
 

— T3, provavelmente 8cm; N3; M0. Estágio IIIA — KyungSoo sentiu uma pontada no coração com aquelas palavras frias do outro médico. — É muito avançado para a descoberta agora... Se ele conseguir sobreviver, vai ser um milagre.
 

ChanYeol estava morrendo.
 

— Vamos precisar drenar água dos pulmões dele uma vez ao mês, mesmo sem fazer a quimioterapia ou então ele morre afogado. — Do não aguentou, saiu correndo da sala e desabou em lágrimas no corredor claro e gélido.
 

×××
 

No dia seguinte, Park tratou de acordar bem cedo — umas 5h da manhã — para passar no quarto de SeHun sem ser visto, por estar um pouco fraco demorou para chegar.

É, SeHun estava no hospital, mas não era ele quem estava internado.

— SeHun...? — ChanYeol perguntou sussurrando.

— Pode falar alto, cara. — respondeu, ChanYeol se sentou na poltrona do quarto. — É o MinSeok.

— O-O que aconteceu?! — gaguejou bastante surpreso.

— Eu não sei, ele apareceu desmaiado no seu apartamento, provavelmente tentativa de suicídio.

— Mas por quê?

— Eu não sei, ninguém sabe, só ele sabe.

Suspirou.

— E você, o que você tem, Chan?

— Câncer pulmonar...

Riu da própria desgraça.

— Mas você já começou com a quimioterapia, né? — SeHun estava realmente preocupado com o amigo.

— Nem vou fazer.

Já esperava essa resposta do homem cabeça dura.

— E quanto a empresa?

— Meu tio sabe o que faz.

— Esse “sabe o que faz” tem a ver com o JunMyeon...?

— Provavelmente, eu nem me importo mais com dinheiro.

 

×××

 

“Queria que nossa história fosse como as dos filmes americanos, tudo parece mais fácil, menor doloroso e acaba bem.” — Byun BaekHyun.

 

×××

 

Essa é uma história diferente das outras, por isso resolvi contá-la.
 

Alguns dizem que sou culpa, outros salvação.
 

Vocês fazem o seu caminho, o cupido pode errar na mira, ele sabe e tenta consertar, mas no fim você vai ter encontrado — nem que fosse por dois segundos —  sua cara-metade.
 

Quem diria que o cinza iria se apaixonar pelo vermelho e o vermelho pelo cinza?

 

×××

 

— Amanhã é o dia de ir drenar água dos pulmões — BaekHyun disse animado. Aquilo o acalmava.

— Eu não vou — ChanYeol estava acabado.

Já não ligava mais para sua aparência e ficava cada vez mais fraco.
 

Pálido, opaco, sem vida.
 

Cinza.
 

— Se a gente ir, eu deixo você segurar minha mão na rua — BaekHyun tentou convencê-lo.

Park sorriu minimamente, mas sorriu. Afagou os fios recém-pintados de preto — a cor natural — do menor.

— Então eu vou.

Apesar de fraco, conseguia falar e comer bem, só se sentia muito cansado 60% do tempo.

Com dificuldade, ChanYeol se levantou.

— Vou buscar um casaco, ainda está frio lá fora — Byun disse antes de dar um beijo na bochecha do namorado e ir ao quarto pegar um casaco. — Onde que ele guarda casacos? Aah!

Avistou um casaco largado no chão, apanhou-o deixando um bilhete cair no chão, abriu o mesmo e começou a ler:
 

내 귓가에 숨소리

단 한 번도 널 찾지 못한 나

You hurt me (So bad, so bad)

 

O som da chuva misturado com lágrimas, o som da sua respiração em meus ouvidos

Não te encontrei nunca mais

Você me magoou (tão má, tão má)
 

BaekHyun deixou duas lágrimas finas caírem na bochecha vindas de seu olho esquerdo pensando então que o bilhete era para si. Tratou rapidamente de secá-las, ele precisava ser o mais forte ali.

— Vai demorar muito? — ChanYeol perguntou impaciente.

— N-Não — sua voz vacilou ao sair trêmula, dobrou o bilhete e guardou novamente no bolso do casaco. Voltou a sala e ajudou seu namorado a colocar. — Vamos?

— Vamos — lançou um sorriso aberto.

Byun realmente deixou que ChanYeol segurasse sua mão na rua e até entrelaçasse seus dedos como dois adolescentes apaixonados, só para poder sentir se a mão do homem continuava quente.
 

Morna.
 

Aquilo acalmou muito o coração do mais novo.
 

×××
 

— Cilindro de oxigênio e uma cânula no nariz para conseguir respirar melhor. — KyungSoo falou pegando um espelho.

— KyungSoo, eu pensei que fosse cirurgião geral em zonas de guerra — ChanYeol comentou.

— E eu sou, só não gosto de ficar parado então comecei a estudar sobre câncer e fazer estágio aqui — respondeu e colocou o espelho na frente do mais velho. — Você continua bonito.

— Eu só vim pra drenar água dos pulmões e vocês me colocam isso? — não tinha jeito, era cabeça dura.
 

ChanYeol queria morrer.
 

— Queremos te ajudar mesmo sem fazer quimioterapia — respondeu cabisbaixo.

— Mas eu não quero ajuda! — as palavras saíram alto, praticamente um grito escandaloso como o de costume, mas seu corpo não poderia mais fazer isto. Colocou a mão no rosto massageando bem as têmporas — Desculpe...

Sim, KyungSoo ficou mal com aquilo, embora entendesse, ele ficou mal.

— Tá tudo bem? — suspirou.

— Não... Não está tudo bem! — se levantou rapidamente tirando aquela porcaria do nariz — Eu tinha uma vida inteira pela frente! Sou jovem, rico e bem sucedido! Por que eu? Por quê?!

Ele estava tão triste e tão inconformado que acabou-se no choro; fora BaekHyun quem pedira para colocar isto nele depois de perceber a dificuldade em respirar em certos momentos, era para seu próprio bem.

— Por que essa doença me escolheu? — soluçou com falta de ar, começou a tossir em busca daquela coisa que tanto odiou em primeiro instante. Do era espero, por isso, apanhou o aparelho e colocou de volta.
 

Era seu pior pesadelo, ChanYeol estava dependente.
 

×××
 

— Você deveria parar de ser tão sonhador assim — Yoora (sua irmã) falou enquanto terminava de fazer o curativo no joelho de ChanYeol. — Vive se machucando.

— Às vezes, eu penso que vocês são como gaiolas e eu sou um passarinho. — ele respondeu após se levantar. — Minha alma é independente e meu coração solto pra voar!

— Com palavras firmes assim, nem parece que tem apenas 9 anos — riu.
 

×××
 

Toc, toc...
 

— Quem é? — ChanYeol perguntou.

— Baek... — respondeu, KyungSoo abriu a porta revelando o garoto atrás da mesma. — Você está ainda mais bonito.

— Como podem achar um passarinho dependente bonito? — retrucou friamente.

BaekHyun suspirou.

— EunBin veio te ver... — falou. — É melhor deixá-los a sós, vem Soo.

E saíram. Não demorou muito para a mulher aparecer naquela sala gélida.

— O que você quer? — ChanYeol perguntou sem olhar para sua quase-noiva.

— Olhe para mim — respondeu Jung soltando uma risada debochada depois. — Quem diria, hein? Um homem que mandava e desmandava acabar assim? — bateu palmas.

Park olhou aquela cobra de cima a baixo: saltos altos pretos, saia colada vermelha e uma camiseta listrada enfiada por dentro da peça inferior. Seus cabelos — antes pretos — se tornaram loiros, parecia uma vilã de novelas mexicanas.

— Você ainda não me falou o que veio fazer aqui — se levantou. Mesmo com salto, ChanYeol ainda era maior que ela.

— Ver seu estado humilhante — respondeu olhando bem fundo naqueles olhos negros do maior.

Não pensou duas vezes para respondê-la:

— Sabe o que é humilhante? Humilhante é você vir aqui ver a desgraça dos outros! Eu admito que mandava e desmandava, bebia e fumava sem me importar com a saúde e até te traía porque você... Você nunca foi alguém para se respeitar, fingia de santa na minha frente, mas era só virar as costas para dar em cima de JunMyeon! Sorte que ele nunca foi um idiota como eu de cair na sua ladainha podre! O que mais me revolta é o fato de eu ter me apaixonado por você mesmo sabendo que não prestava nem a saia que veste... Agora vá lá enganar mais um estúpido porque esse aqui já ama uma pessoa mil vezes melhor que você!

Cuspia as palavras a gritos sem dó na cara da víbora.

— Eu vou! Mas eu vou de cabeça erguida!

Os passos dela indo embora de vez da vida de ChanYeol ecoavam como sinos de igreja.

— Mas antes, eu quero saber como descobriu sobre as traições.

— Quem tem dinheiro e cérebro pode tudo. Já você só tem dinheiro, falta um cérebro aí.

— Adeus, Park ChanYeol.

— Até nunca mais! — quando a porta foi fechada, ChanYeol caiu na gargalhada.

Como era bom o som de coisas ruins indo embora de sua vida, não é?

Park ria tão alto que nem notou a quando BaekHyun e KyungSoo entraram e começaram a rir também.
 

Paz.
 

×××
 

JongIn teve a brilhante ideia de reunir todos — SeHun, LuHan, KyungSoo, ChanYeol, BaekHyun, JunMyeon, YiFan, JongDae e até MinSeok que já estava melhor do ocorrido — para um jantar em seu apartamento.

Mas o problema era que ele não sabia cozinhar.
 

“Como faz macarronada com molho branco?” mandou uma mensagem de texto a KyungSoo que demorou uns dois minutos para responder:
 

“Com macarrão, ué!”
 

“Sério? Obrigado não sabia. Mas enfim, e o molho branco? Tem que pintar a água de branco?”
 

“Puta que pariu, JongIn, você um é burro! Tá até ganhando do ChanYeol!”
 

“Já que não vai me ajudar então não atrapalha e eu nem quero mais fazer macarronada, eu quero lasanha, mas eu nem sei como desfia o frango... Tem que tirar as penas?”
 

“POR QUE VOCÊ NÃO COMPRA UM PEITO DE FRANGO JÁ DESFIADO AO INVÉS DE MATAR UM?”
 

“Nossa, mas não precisa gritar!”
 

Sem resposta.

Largou o celular no bolso. Saiu do apartamento, foi para o mercado apé, comprou uns chips e refrigerante, porém quando voltou...

— Que cheiro é esse? — perguntou-se deixando as sacolas na mesa da cozinha e deu de cara com KyungSoo com uma faca bem afiada na mão e uns respingos no avental que mais pareciam sangue.

— Eu tenho uma raiva de gente burra... — o médico falou olhando fundo nos olhos do namorado.

— Ei! Sem violência... — JongIn deu dois passos para trás com medo daqueles olhos grandes em cima de si.

— Violência? Que? Eu tô fazendo o jantar, Kim JongIn. O que trouxe aí?

Chips e refrigerante — acendeu um cigarro bem distante da cozinha, o cheiro rapidamente chegou as narinas do mais velho. Do pegou o cigarro dos lábios fartos do mesmo e jogou-o no lixo. — Por que?!

— Não vê, ChanYeol...? Quer acabar que nem ele também? — virou-se de costas voltando ao fogão.
 

Enquanto isso, lá na loja de JongDae...
 

— Não toca nisso! — falou com receio de MinSeok quebrar alguma coisa.

— Calma, eu tô só vendo — riu. — Você tem flores!

Seus olhos brilharam, só Deus sabe o quanto ele gostaria de um cara romântico que o desse flores.

— Olha... Já tá dando a hora da gente ir pro apartamento do JongIn, por que não pega uma pra você e leva outra pro jantar?

— P-Pra mim?

E não teve jeito, se apaixonou de novo com aquele pequeno gesto do quase-florista.

— É... Olha essa laranja aqui, combina com você! — JongDae falou pegando a flor e dando a MinSeok.

Mas até que era bom, JongDae era solteiro e bem equilibrado para um cara como MinSeok.
 

×××
 

JunMyeon tentava ao máximo não parecer um cara sério, porém a tentação dos ternos não deixavam-o.

— Precisa de ajuda? — o sotaque chinês veio como um susto atrás dele.

— O-Oi? — perguntou assustado.

— Ajuda, senhor — riu. — Eu sou novo atendente aqui, só quero saber se precisa de ajuda.

— Teria alguma coisa que não me deixasse tão sério?

— Talvez se o senhor não procurasse na área dos ternos iria achar.

Podia soar rude, mas era verdade.

— Então... Onde sugere?

— Bermudas, casacos de couro... Camisetas mais soltas... — segurou no braço do empresário na maior intimidade. — Vem!

— Ei! Qual é o seu nome? — JunMyeon perguntou sendo puxado.

— Aqui na Coréia é Lay, mas na China é Yixing — respondeu soltando-o. — Eu adotei um novo nome, é mais fácil para que vocês pronunciem.

— Yixing me parece mais bonito.

— Se quiser me chamar de biscoito da sorte, pode me chamar!

— Você é engraçado — riu. — Ou eu que sou sério demais?

— Você.

— Você...
 

×××
 

— Gente, cadê o JunMyeon? — ChanYeol perguntou sentando-se à mesa.

— Bom, ele me disse que ia fazer compras porque não queria aparecer aqui com seu terno preto e gravata vermelha de sempre. — KyungSoo respondeu catando os celulares ligados.

— Amém — falaram em coro.

— Amor... — JongIn implorava o aparelho.

— Hora de comer! — Do colocou todos os celulares numa caixinha.

— Papai, por que o tio Soo pegou seu celular? — o pequeno SeongYeol perguntou.

— Não devemos usá-lo na hora de comer — SeHun respondeu.

— Vá lavar a mão, bebê — LuHan disse. — Não devemos também comer com as mãos sujas!

O garotinho saiu correndo para o banheiro lavar suas mãozinhas, LuHan teve que levantá-lo para alcançar a pia.

— Cheguei — JunMyeon adentrou o apartamento com óculos de sol, chinelos, camiseta florada e uma bermuda azul.

— Gente, tem um turista aqui — ChanYeol brincou com a forma que o homem se vestia.

Todo mundo começou a rir, ninguém sabia se ria pelo estilo de JunMyeon ou pela piada do ChanYeol.

— O Yixing falou que tava horrível mesmo, mas eu não escutei — tirou seus óculos de sol.

— Yixing é nome chinês — LuHan saiu do banheiro com seu filho. — Já já coloco pra você, OK?

Ele assentiu e sentou no colo de seu outro pai.

— E é de um chinês mesmo — concordou.

— Eu sempre soube que chinês tinha bom gosto — LuHan falou jogando a cabeça para o lado e fazendo um bico debochado.

— No caso, você não, né, olha o demônio que arrumou — ChanYeol estava de um ótimo humor hoje.

Até SeHun riu, sabia que não era lá essas coisas, mas LuHan rosnou como um cão bravo.

— Desculpa — ChanYeol tossiu, mas usava uma máscara então KyungSoo nem se preocupou com a comida contaminada.

— Vamos comer, né? — JongIn aceitou a derrota de não ter mais o seu celular em mãos.
 

Algumas pessoas ficaram na mesa, mas isso não era um problema, tinham uma mesa portátil de plástico para os outros.
 

— Me passa seu CPF, RG, horário de despertar... — MinSeok falava para JongDae.

— Você tá tentando me roubar? — JongDae perguntou.

— Só se for seu coração.

Então o mais novo riu alto quase se engasgando.

— Falei algo de errado? — MinSeok indagou.

 

×××

 

“O que é uma alma gêmea?”
 

“Bem, é como um melhor amigo, mas mais. Ela é a única pessoa no mundo que conhece você melhor do que ninguém. É alguém que faz de você uma pessoa melhor. Na verdade, eles não fazem de você uma pessoa melhor, você faz isso por si mesmo, porque eles inspiram você. Uma alma gêmea é alguém que você carrega com você para sempre. Ele é a única pessoa que o conheceu e aceitou e acreditou em você antes que alguém o fizesse ou quando ninguém mais o faria. E não importa o que aconteça, você sempre vai adorar. Nada pode mudar isso.”

 

×××

 

— Você estava fumando? — ChanYeol perguntou olhando para o lixeiro com o cigarro pouco tragado.

— JongIn... Mas eu fiz ele parar — KyungSoo respondeu enquanto lavava um prato.

— Chan... Vamos? Você deve estar cansado, amanhã temos mais exames — BaekHyun falou.

— Mas eu não quero — respondeu.

— Se você ir, não tem problema — JongIn falou. — Nós entendemos.
 

ChanYeol era daqueles que ficavam até o fim e se pudesse até dormia na casa da pessoa, mas este não era mais o seu mundo.
 

×××

 

— Eu não queria que você tivesse que me ver assim — comentou.

— Está tudo bem, eles vão te tirar dessa — BaekHyun respondeu e ajudou a tirar o casaco do namorado.

— Você já me salvou de tantas coisas, eu me sinto um vagabundo... — falou tirando a camiseta.

Não tinha mais o corpo forte de antes, estava cada vez mais magro e isso doía um tanto no peito de ambos.

— ChanYeol... Tinha um bilhete no bolso de seu casaco... Ele é pra mim? Você não me quer mais, é isso? — sentou-se na cama com a cabeça baixa segurando o choro.

— Era para EunBin — respondeu segurando na mão do menor. — Ela me machucou, você nunca chegou perto.
Um sorriso veio juntamente com lágrimas.
 

BaekHyun realmente ama ChanYeol.
 

ChanYeol realmente ama BaekHyun.

 

07 de maio
 

— Baek... Acorde — ChanYeol balançava o garoto na cama de casal, eram umas 8h da manhã e ChanYeol precisava fazer alguns exames, mas não era para isso que estava acordando-o.

— HM... — abriu os olhos lentamente. — Já tá na hora de ir ao hospital? Pensei que fosse só às 10h.

— E é — sorriu. — Mas eu tenho que te levar a outro lugar antes.

Park estava muito forte naquele dia.

— Você me parece tão saudável hoje — BaekHyun se lembrou da última vez que ChanYeol o acordara às 2h da manhã para ver vagalumes acasalando.

— Talvez seja porque te amo, o amor tem dessas às vezes — Byun se levantou com os cabelos todos bagunçadinhos como um ninho de passarinhos. — Você é muito bonito, todos os dias e a todo momento. Você é realmente lindo e eu não me canso de falar isso. Eu amo você!

O menor riu timidamente.

— Eu também amo você.

Caminhou até o banheiro para tomar um banho e escovar os dentes.

— Sua roupa está na cama e eu já fiz o café da manhã, daqui a pouco eu vou tocar para você!
 

“Talvez o câncer esteja curando-se sozinho” BaekHyun pensou escovando os dentes.
 

Demorou mais ou menos 20min até que o menor saísse do quarto, ChanYeol ainda afinava o piano.

— Você vai tomar café da manhã comigo? — perguntou.

— Sim, todos os dias até eu viver — respondeu indo até a mesa com sua mochila de oxigênio.
 

“Até eu viver” ele estava morrendo.
 

— Fiz torradas, suco e tem um pouco de omelete aqui — levantou uma tampa.

— Onde pretende me levar vestindo assim como uma pomba da paz? — Byun perguntou dando mordidas na torrada.

— Já irá ver — sorriu fitando bem aquele rosto que cada dia que se passava, ficava mais apaixonado.

Até com a boca suja e um bigode de suco de maçã era lindo para ChanYeol.

— O que tem de errado comigo?

— Nada, completamente nada. Você é perfeito.

— Pare de falar besteiras — riu tímido.
 

×××
 

09:11
 

— Já pode tirar a venda agora, ChanYeol? — BaekHyun perguntou e ChanYeol tirou. — O que te trouxe aqui?

— Byun BaekHyun, você quer — ajoelhou-se, abriu a caixinha mostrando os anéis e terminou a frase: —, se casar comigo?

— C-ChanYeol... — BaekHyun falou surpresa. — Se levante.

ChanYeol se levantou confuso. Ele sorriu tão aberto que a felicidade parecia vir dali, observou bem aquele anel de prata com brilhantes e falou:

— É claro que eu aceito! Eu aceito hoje, amanhã e sempre!

Park colocou o anel Byun e Byun colocou o anel em Park.

— Nos declaro casados! — BaekHyun corou ao escutar aquelas três palavras. — Podemos nos beijar?

— Podemos não, devemos!

Eles se beijaram ali, no tímido sol da manhã.

Um beijo apaixonado e verdadeiro.

— Eu te amo.

Disseram em coro.

ChanYeol sentou-se de baixo da árvore de cerejeira juntamente com o — agora — esposo que repousou a cabeça no ombro largo do homem mais velho.

— Queria passar o dia inteiro contigo aqui, mas não podemos —BaekHyun falou suspirando triste.

— Podemos ficar só mais um pouco? Eu estou feliz.
 

A mão dos dois estavam fervendo, era amor.
 

×××
 

— Os exames, senhor Park — o médico disse.

— Eu não quero escutar! — BaekHyun deu um grito, isso iria mexer muito com o emocional dele.

— Pode se retirar, senhor Byun — ChanYeol assentiu concordando, era melhor respeitar a decisão do marido. Esperaram o garoto sair para começar uma conversa civilizada. — T4, N3, M1b — anunciou sem cerimônias. — Estágio IV.

— E quanto tempo ainda tenho?

— Eu não sei bem ao certo, mas atingiu órgãos distantes então eu não te dou mais de um mês até que seu coração não aguente mais e falhe.

Suspirou.

— Sugiro que fique aqui no hospital durante esse tempo, pois seu corpo vai ficar cada vez mais fraco e pálido então podemos cuidar melhor de você.

— Eu só fico se BaekHyun ficar, se ele não quiser, eu também não quero e acabou.

— Converse com ele e amanhã volte falando sobre a decisão, OK? É para o seu bem, Park. Ficarei com os exames. Pode ir.

— Obrigado!

ChanYeol se levantou levando a bolsa de oxigênio consigo, BaekHyun estava sentado a sua espera.

— E Então? — perguntou o menor.

— É melhor conversarmos sobre isso em casa. — abraçou-o. — Tá com fome?

— Eu perdi a fome de preocupação.

— Aah, qual é? Vamos lá, vamos comer... É horário de almoço! — insistiu ChanYeol.

— Tudo bem — sorriu.
 

Os sorrisos de BaekHyun nunca eram falsos para ChanYeol, porque o amor deles nunca foi artificial.
 

Foram para um restaurante no centro de Gangnam, lá beberam vinho à vontade — por conta da casa — e tomaram muita sopa, o mais velho ali estava fraco até para mastigar algum pedaço de carne e não queria forçar.

— Mas você podia beber vinho? — BaekHyun perguntou acariciando a mão do esposo com o polegar sentindo o calor de suas mãos.

— Eu não sei, não tenho mais nada a perder, Baek — respondeu calmamente. — Quando chegar em casa, vamos precisar ter uma conversa.

— Eu fiz algo de errado? — perguntou imaginando ter dado uma medicação errada ou algo assim.

— Eu fiz, amor. Eu provoquei isso. — respondeu.

 

×××

 

“Cigarro acaba com seus pulmões e o amor enche seu coração.”

 

×××

 

— O que foi? — BaekHyun sentou-se no sofá esperando o pior, como sempre.

— Digamos que eu vou precisar ficar no hospital durante esse mês, depois eu posso voltar para casa — sorriu, mas seu olhar era triste, tão triste que o mais novo pôde sentir e sentiu um chute no coração.

— Você vai voltar mesmo? — perguntou com receio.

— Da última vez, eu voltei, por que não voltaria agora?

— Da ultima vez sua saúde não falhava, seus pulmões eram fortes e você não estava num hospital a beira da morte...
 

Silêncio.
 

— E se você morrer lá? Como vai voltar?

— Eu volto pra te buscar, eu prometo.

— Promete?

— Prometo.

 

20 de maio
 

“ChanYeol está cada vez mais fraco, mal levanta da cama e quando levanta é um sacrifício.

Isso dói, machuca, corrói.

Ele é tão jovem, rico e bem sucedido! Como uma doença terminal pôde pegá-lo assim?

Aish, eu tenho que ser o mais forte daqui... Mas eu acho que o mais forte é ele por estar suportando tudo com um sorriso sincero para mim.

Eu o amo tanto, ele não pode me deixar! Ele prometeu a mim que vai voltar para casa nem que seja a última coisa que faça.”

 

30 de maio
 

“Acabei de pintar um quadro dele enquanto dormia profundamente, mas não estava morto porque ainda saia aquele ar pelas narinas — eu mesmo chequei —. Eu quero guardar isso para sempre, ele estava tão bonito.

Ele é tão bonito, eu sou apaixonado por ele... Em tudo.
ChanYeol segurava minha mão com força e estava quente, como se fosse queimar, porém o resto do seu corpo ficava cada vez mais gélido. Eu tenho medo dele partir enquanto não estou aqui do seu lado. Certo que vai ser menos doloroso, mas eu já suportei tanta coisa. Talvez a alma dele precise descansar.”

 

11 de junho
 

— Eu quero voltar pra casa, só por hoje — deu um sorriso fraco.

— Mas você tá muito fraco... — KyungSoo respondeu.

— Eu não me importo em ir de cadeira de rodas, por favor — falou manhoso.

— OK, vou avisar a BaekHyun — KyungSoo se virou para sair do quarto.

— Não! — gritou segurando no braço do menor. — Diga que já recebi alta, quero que seja surpresa.

— Mas vai ser pior...

— Tudo bem, eu disse que ia voltar para casa, ele vai entender.

KyungSoo assentiu, era loucura e iria por em risco toda a pouca saúde de ChanYeol, mas era amor, amor verdadeiro.

Do saiu do quarto e avistou BaekHyun no corredor encostado na parede gélida e branca.

— BaekHyun, ChanYeol recebeu alta, vocês já podem ir para casa agora — KyungSoo falou.

A alegria do mais velho foi inevitável, ele sorria largo com todo seu coração.
 

BaekHyun já teve tantos dias alegres que nunca imaginou que aquele seria o dia mais feliz de todos. Mesmo com as consequências dos atos.
 

×××
 

— Onde você quer ir primeiro? — BaekHyun perguntou empurrando a cadeira de rodas para fora do hospital.

— Me leve a casa do SeHun e depois na de JunMyeon, JongIn, YiFan e na loja de JongDae — respondeu.

— Você quer visitar todos os seus amigos, é isso? — soltou uma risada leve depois.

— Sim, por fim vamos à empresa e depois na floresta.

— D-Da minha antiga casa?

— Sim! Eu gosto de lá, me traz paz.

— Me traz paz ficar ao seu lado.

E riram, não tinha graça alguma aquilo, porém estavam felizes.
 

×××
 

— Então é aqui — era fim de tarde  quando chegaram naquela casinha de madeira onde tudo começou. — E já tá escurecendo, então é melhor entrar.

BaekHyun pegou a chave guardada há tempos de baixo do tapete escrito “Bem vindo”, girou-a na maçaneta até ver a porta aberta.

Os móveis estavam cobertos por lençóis para não pegar poeira, rapidamente o mais novo tirou-os. ChanYeol tossiu um pouco, mas logo parou.

— Pode me levar até aquele quadro negro? — Park viu uma pergunta bem de longe, mas conseguiu ver.

— Claro — sorriu. Levou-o até lá e o celular vibrou no bolso. — Channie...

— Pode atender.

— Vou lá fora, OK?

— OK.

ChanYeol pegou um giz branco para responder aquela simples pergunta feita por BaekHyun em seus maus dias.
 

Você foi feliz?
 

Eu sou muito feliz.
 

Sorriu após responder aquela pergunta.
 

— Era LuHan e suas brigas com SeHun por causa da toalha molhada em cima da cama e o SeongYeol bagunçando tudo de novo.

Por um momento, ChanYeol queria que fossem assim: saudáveis e com um filho, mas ele preferiu a morte precosse.

— Nós não podemos ser assim, né? — BaekHyun perguntou.

— Não, não podemos — suspirou fraco e cansado. — Mas você pode, você ainda é jovem e não tem uma doença terminal que te faz ficar dependente das menores coisas.

Byun queria chorar.

— Não fale assim, você já está melhor, talvez possa curar este câncer e viver comigo pelo resto da vida. Ser como LuHan e SeHun ou como KyungSoo e JongIn. — um trovão foi escutado. — Vai chover...

— Baek, eu estou cansado, poderia me colocar para dormir? — assentiu.

Ele empurrou o esposo até o quarto, ChanYeol se levantou com dificuldade e apoiou-se no menor para continuar em pé até a cama. BaekHyun acendeu o abajur laranja.

— Você também vai se deitar? — perguntou ajeitando sua bolsa de oxigênio no criado mudo.

— Eu vou ficar contigo, não gosto de te deixar sozinho — respondeu enquanto cobria ao marido e depois a si.

— Caso esteja sem sono, dentro do bolso da mochila tem uma câmera, eu tirei várias fotos no hospital quando minha saúde cooperava.

Não perdeu tempo e pegou logo a câmera digital indo direto para a galeria.

— Acaricia meu cabelo, isso é bom — pediu e o menor cedeu aquele ato simples cheio de carinho.
 

ChanYeol caia no sono gradativamente pelas carícias em seus cabelos quase sem a cor vívida de antes.

— Por que só tem fotos de mim? — perguntou BaekHyun tirando um pouco do sono do maior.

— Porque você é lindo.

O menor acendeu outro abajur e tirou foto de sua mão acariciando o cabelo de ChanYeol.

— Ei... Por que fez isso? — soltou uma risada fraca e sonolenta.

— Porque você é lindo.

— Seria clichê dizer que te amo agora?

— Nem um pouquinho.

— Eu te amo, BaekHyun.

— Eu te amo, ChanYeol.

 

×××

 

“E no dia da sua morte, tudo vai dar errado, tudo o que você mais ama vai se afastar e você vai ficar sozinho”.
 

Porém, tudo deu certo.
 

×××

 

— Channie, é hora de acordar — BaekHyun disse colocando a bandeja com frutas e alguns remédios para os efeitos colaterais ao lado de ChanYeol. — ChanYeol, é sério...

Colocou sua cabeça repousada no peito frágil do homem.
 

Sem batimentos cardíacos.
 

— N-Não... — sussurrou enquanto levantava da cama. — ChanYeol? PARK CHANYEOL!
 

BaekHyun gritava o nome do marido.
 

— Não brinque comigo, ChanYeol! — gritou mais uma vez.
 

Foi aí que ele caiu no choro e na realidade: ChanYeol estava morto.
 

E como sua cor preferida, ele ficou cinza.

 

×××

 

— Baek... Vamos... — JunMyeon falava para o viúvo.

— Só mais cinco minutos... — respondeu deixando mais lágrimas silenciosas caírem pelo seu rosto ao ver o caixão já enterrado.

O problema era que BaekHyun já tinha dito “Só mais cinco minutos” mais de cinquenta vezes!

— Tudo bem... O cemitério já vai fechar — avisou novamente encaminhando-se para o portão do mesmo.

— Você disse que iria tocar para mim quando saísse do hospital, mas você não tocou. — enxugou suas lágrimas engolindo o choro. — Me desculpe por chorar, eu sei que você odeia isso, mas é que eu tô sentindo uma tristeza tão grande cheia de saudade e solidão que mal posso segurar mais... Seu corpo estava frio, mas quando segurava minha mão, era quente, fervia. Você nem viu meu quadro de tão cansado... Era você, em sua mais sincera paixão por mim. Não, paixão não! Era amor... Mais do que amor. Era a gente. É tão triste dizer isso, mas adeus.

BaekHyun deixou a rosa vermelha vívida no túmulo junto com as outras flores.

Em geral, o velório tinha muita imprensa e mal o próprio viúvo conseguia ver o rosto cinza de ChanYeol. Mas o enterro foi marcado por uma chuva filha da puta que não cessava, Byun saiu daquele cemitério todo ensopado.

JunMyeon nem ligou com o fato de seu carro ficar molhado de chuva e choro.

— Eu acho melhor você ir pra minha casa, você tá acabado, Baek.

— Me deixe na casa do ChanYeol, por favor.

— Mas Baek...

— Por favor.

Seguiram todo o trajeto em silêncio com o garoto cabisbaixo. JunMyeon também morava em Gangnam, mas não era tão perto da casa de ChanYeol.

— Eu te acompanho.

— Não tem necessidade...

— Eu insisto.

Assentiu.

JunMyeon levou BaekHyun até a porta da casa que logo a abriu — ChanYeol e sua mania de nunca trancar a porta —, tirou os sapatos indo diretamente para o quarto.

— Já pode ir agora, Jun — disse exausto segurando as lágrimas.

— Amanhã bem cedo estarei aqui, OK?

— OK, feche a porta quando sair.

Kim checou pela última vez antes de desligar a lâmpada e fechar a porta, quando finalmente chegou ao carro, desabou ali; perder um amigo era uma coisa horrível.
 

BaekHyun, por sua vez, deixou apenas mais algumas três lágrimas até cair no seu sonho real.
 

— Chan...? — BaekHyun perguntou meio sonolento após escutar um barulho alto.

— Baek! — ChanYeol vestia um paletó vermelho, uma camiseta social cinza e a calça também social preta. O sorriso dos dois era inevitável.

Park carregava a mesma rosa vívida depositada pelo marido em seu túmulo na mão esquerda.

Byun se levantou da cama, segurou na mão livre do mesmo e falou:

— Por favor, me roube.

Os passos eram lentos, embora decisivos e fitavam-se o tempo todo totalmente apaixonados.

 

×××

 

Desde então, nunca mais se soube de BaekHyun, ele realmente sumiu depois daquela noite.

JunMyeon foi lá pela manhã e só encontrou um bilhete escrito:
 

Eu disse que voltaria para buscá-lo.


 

×××

 

E sabe quem conta tudo isso?
 

Sou eu, a morte.

 

×××

 

“Depois da chuva, tem um arco-íris e neste arco-íris eu pude ver o cinza, ChanYeol estava lá” — BaekHyun.

 

 

Fim.


Notas Finais


Não ta betado, perdoe-me. Quero dedicar esse cap a @O92KINGPCY que me ez postar antes de dezembro - lê de tanto encher o saco -.
Amo vocês <: tchau ~


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