História Casa Bagunçada - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags 100temas, Abandonado, Casa Bagunçada, Quebrado, Residência Arruinada, Sirinx
Visualizações 8
Palavras 400
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lírica, Violência
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Pensei em postar esse texto depois de um episódio estranho com a minha mãe, após lhe mostrar duas poesias e ela dizer que são muito melancólicas e depressivas. Ela falou que não sou mais assim e que sou uma menina alegre e totalmente diferente. Me senti esquisita. Será que eu minto para as pessoas? Ou eu nem sei quem eu sou, verdadeiramente? Porque sinto que não sou animada e nem nada. Mas, só passando aqui para dizer que irei trazer textos menos depressivos, OK?
Esse será um dos últimos rsrsrs Boa leitura <33

Capítulo 1 - .Lar Destruído


Em meu interior, a sala precisa urgentemente de uma arrumada. As janelas estão todas quebradas, com as gotas da chuva adentrando sem temor e deslizando pelo soalho envelhecido. Os panos de chão já não são mais capazes de absorver tamanha quantidade de líquido e os rodos já demitiram-se há muito tempo. O que resta, é apenas permitir a aguaceira em minha sala de estar.

 Tentei desfazer as teias de aranha na minha cozinha. Mas não importa quantas vezes eu bata com a vassoura, os insetos voltam para criar seus fios pegajosos. As panelas  esqueceram-se de seus dons e apenas aceitaram a despedida do calor do fogão, que, por fim, resolveu escapar com os ponteiros do relógio da parede. Minha cozinha parou há muito tempo de funcionar.

 O vidro do banheiro está embaçado pelas fumaças das lembranças. O vento ressoando pela pequena abertura na parte de cima da parede, deixou escapar qualquer resquício de água límpida e capaz de lavar as feridas abertas.  Os produtos tomaram a decisão de entregarem-se à validade, deixando de serem alguma coisa e cair no esquecimento. Sem querer, o meu banheiro acabou se quebrando.

 O porão trancou sua porta, querendo apenas ser rejeitada pelos mãos estendidas. Queria guardar as caixas de memórias no fundo do seu negrume, para assim serem carregadas pelas traças e pela ferrugem dos séculos. A chave que era capaz de abrir-lhe, fora jogada ao mar de trapos no guarda-roupa, sendo protegida por móveis velhos e fracos. Não tinha mais como ver o porão e nem o que havia por lá.

 Não nego que os quartos estão empoeirados pelo pó das cascas dos machucados. Já não são mais capazes de amontoar tanta tranqueira e cheiro tão maléfico, como as sombras que lambem as paredes descascadas. As cortinas decidiram selar-se para o resto de suas eternidades, cansadas de serem beijadas pela luz do Sol e receber visitas inconvenientes da brisa da manhã. A cama já não quer mais descansar, o cobertor não quer mais esquentar e os travesseiros deixaram de sonhar.

 Prestes a desmoronar, com suas madeiras rompendo-se com mais um toque e os tijolos desfalecendo-se com um assopro. Telhados derretendo-se com as tempestades impetuosas ao seu redor, incapazes de aguentarem qualquer palavras arremessadas em suas direções. As cercas que lhe circundam, com o dever de proteger-lhe, perderam os seus objetivos há tempos.

 Sou uma mera casa bagunçada. Sou uma mera residência arruinada, afinal.



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