História Caso Chara - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Undertale
Personagens Asriel Dreemurr, Chara, Frisk, Sans
Tags Chariel, Deus Eh Top, Eustakiah, Mistério, Suspense, Undertale
Visualizações 23
Palavras 5.298
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá novamente!
Aqui estou eu, atrasada porém aqui rs

Primeiramente, gostaria de agradecer:
~ElleDy
~DragonAce
~KarenAS
~Elichika
Por comentarem/favoritarem a fic ♥, vocês são demais!


Em especial ~ElleDy que panfletou "Caso Chara" na sua fic "A Bela e os Monstros", fiquei bem surpresa kkkk, muito obrigada!

Ah, esse capítulo ficou gigante mas será a exceção: eu queria terminar logo essa memória antes voltar para ao presente e sem ter que fazer parte 3, 4...
Espero que não fique muito cansativo

Obrigada e até as notas finais!

Capítulo 3 - Capítulo 2 - Memórias de uma Criança Caída parte 2




Os dias se passaram e Asriel e Chara se tornavam cada vez mais amigos. Sempre se encontravam na mesma hora, no mesmo campo e passavam a tarde inteira juntos. Quando a noite surgia, seguiam para suas respectivas casas.


Quando Chara chegava, sempre trazia flores do campo e as colocava no mesmo vaso, aquele da janela; sua mãe sempre já dormia. De manhã, Chara saia quando sua mãe ainda não havia levantado. Era uma coincidência infeliz na cabeça dele, mas não se preocupava em acordá-la, com certeza trabalhou muito quando ele não estava em casa.


— Ei Chara! — Asriel chamou. Estavam sentados no campo comendo sanduíches feitos pela mãe do loiro.  Já anoitecia — Quer dormir lá em casa hoje?


— Dormir? Na sua casa? — Questionou o outro.


— É! Bem, não é nossa casa, mas estamos ficando nela durante as férias — Era uma explicação um tanto desnecessária — Mas você pode ir dormir lá! Aí a gente pode brincar até de noite. — completou.


— Hum… Não sei não… — olhava o sanduíche nas suas mãos, preparando-se para outra mordida. Antes que Chara pudesse se justificar, é interrompido por Asriel.


— Vamos, Chara! Vai ser legal! — implorou — Juro que mamãe não vai se importar!


— Hum… — Chara hesita. Pensou rapidamente, suspirou — Tá bem.


— EBA! — Levantou-se e gritou.


Nesse mesmo momento, por obras do destino, a mãe de Asriel aparece, chamando por seu filho ao longe.


— Asriel! Vamos, Asriel! — chamou.


— ESTOU INDO, MAMÃE! — Gritou animado — Vamos, Chara! — ofereceu ajuda para levantar.


Os amigos foram correndo até onde a mulher estava. Ela tinha cabelos tão claros quanto os de de Asriel, mas tinha olhos castanho queimado. Usava uma jardineira branca com degradê roxo chegando nos pés e sandálias marrons. Asriel abraçou a mãe logo ao encontrar com ela, que beijou sua cabeça. Chara apenas observava a cena, era até meio estranho para ele. Afastando o abraço, a mulher percebe o menino logo atrás. Sorri para ele.


— Então você deve ser o amiguinho do meu filho. — aproximou e ajoelhou-se para ficar da mesma altura. Sua voz era amorosa, gentil.


— MELHOR AMIGO. — Asriel corrigiu, correndo para perto dos dois — mamãe, esse é Chara. Chara, essa é a mamãe. — apresentou.


— Muito prazer, Chara! — sorri — Sou Toriel, mãe do Asriel — abraçou de lado o filho — onde estão seus pais?


— Mamãe! — Asriel interrompe, como sempre, antes de Chara poder pronunciar-se — Chara vai dormir com a gente! — notou o olhar da mãe, autoritária — Quer dizer, o Chara pode dormir com a gente hoje?


Toriel olhou para o filho e em seguinte para Chara. Logo suspirou preocupada.


— Seus pais estão sabendo disso? — perguntou para Chara.


— Bem… É que… — Não pode justificar, pois mais uma vez fora interrompido.


— Claro que estão! — Asriel falou rápido e alto por causa do nervosismo. Toriel desconfiou, mas preferiu acreditar, além do que já estava ficando muito tarde, seria perigoso deixá-lo ali.


— Está bem — Toriel desistiu, permitiu que o menino dormisse com eles. Os garotinhos se entreolharam, abrindo sorrisos logo em seguida — Mas vamos logo, está ficando frio aqui.


//



Caminhavam juntos para a casa, que não era tão longe. Asriel ia correndo na frente, com os braços abertos, imitava um avião. Chara estava desconfortável, ía atrás com Toriel


— Então, Chara, quantos anos você tem? — perguntou Toriel.


— Quantos anos... eu tenho? — Chara não sabia responder, por sorte, seu amigo intrometido correu para perto novamente.


— Eu tenho cinco anos! — gritou Asriel. Chara entendeu o recado.


— Eu também tenho cinco anos! — disse Chara.


— Hum, sei — Toriel percebera o que os meninos faziam, mas não se importou — Onde você mora?


— Eu moro… — olhou ao redor — Eu moro pra lá!


— É mesmo é? Que legal — falou Toriel, não empolgada, porém gentil.


— É, é bem legal! — antes de falar qualquer coisa sobre sua casa, repara na que estava a sua frente.


— Chegamos — exclamou Toriel.


A casa era grande, bem maior do que a cabana em que Chara vivia. Era super iluminada, a varanda era enorme, tinha algumas plantas decorando e redes penduradas. O menino ficou boquiaberto. Asriel correu para dentro.


— Você vem, Chara? — perguntou o loiro. Chara assentiu com a cabeça e foi atrás do amigo.


— Asriel! Nada de lanchar antes de jantar! E vá tomar um banho! — Toriel mandou, entrando na casa.


— Sim, mamãe… — O menino começou a subir as escadas. Chara ía logo atrás, meio perdido.


— Ah, e empreste uma roupa sua para Chara! — A mulher falou,


— Está bem! — gritou do segundo andar.


— Já já eu subo para lhe ajudar!


— Não precisa, mamãe! Eu já sei me virar!


— Tudo bem, então! — gritou e logo voltou aos seus afazeres — Essas crianças… — fala para si mesma.


Asriel podia ser muito novo e inocente às vezes, mas ele realmente sabia fazer as coisas sozinho. Tomou banho rapidamente, pois sabia que Chara ainda precisava tomar também. Saindo do banho, vestiu-se e separou uma roupa para o amigo: um suéter verde com uma listra amarela e bermudas marrom. Vestiu uma blusa branca e por cima colocou um suéter semelhante ao que separou para Chara. Asriel se senta na cama e fica entretido balançando as pernas. Sua mãe chama para jantar, mas prefere primeiro esperar Chara sair do banho; Demorou um pouco, pois Chara não sabia mexer nas coisas direito. Saindo, já estava vestido. Asriel abriu um sorriso ao ver o amigo entrando no quarto vestindo um suéter idêntico ao seu. Levanta-se, animado:


— Olha Chara, olha! — Aproximou-se do amigo — Agora somos gêmeos! — ele mostrava o suéter no seu corpo.


— É, parece que somos — Chara concorda timidamente.


//


Depois de jantar, os dois garotos seguiram para o quarto de Asriel. Tinha alguns brinquedos espalhados pelo chão Toriel os ajudou a arrumar tudo para Chara poder acomodar-se. Tudo pronto, Asriel e Chara deitam-se nos seus respectivos lugares, na cama e na bicama respectivamente.


— Boa noite, meninos — falou gentilmente Toriel. Estava na porta, iria desligar a luz assim que saísse.


— Boa noite — falaram os dois em uníssono.


A mulher desliga a luz, sai do quarto e fecha a porta. Lentamente, a visão de Chara acostumava com o escuro, apenas a luz da lua entrava pela janela com as cortinas mal fechadas. Ele então aconchega-se nas cobertas, eram tão quentinhas, como um abraço de uma mãe…


De repente, começa a se sentir melancólico. Sua consciência pesava, mas por quê? Bloqueia os pensamentos negativos. Tenta dormir.


— Ei, Chara… — ouve um sussurro, era Asriel. Vira em sua direção — Desculpa, mas não ficamos brincando até mais tarde como planejamos… — Chara sente-se surpreso.


— Está tudo bem! — Chara acalma o amigo — eu gostei de ter vindo dormir aqui! — completa, sorrindo. Asriel retribui. Os dois ficam em silêncio. Viram-se para cima, ambos encarando o teto.


— Chara… — falou Asriel.


— Sim?


— Vamos ser melhores amigos para sempre, né? — Olha para o amigo.


— Claro que vamos.


Asriel sorri, estava feliz por ouvir isso de Chara.


— BOA NOITE, CHARA! — falou bem alto, quebrando todo o clima emocionante, enquanto virava para a parede, ficando de costas para Chara, que ri da atitude do amigo.


— Boa noite, Asriel — fechou os olhos.


Quando acorda, está num ambiente diferente e familiar… Sua casa? Olha para suas mãos, pareciam reais. Estava com sua roupa de dormir, acabara de levantar no meio da noite. Ouve um barulho vindo do quarto da sua mãe.


— Mamãe? — Chama, cauteloso.


Chara começa a se aproximar da porta. Tentava não fazer barulhos ou movimentos bruscos, mas o som do chão de madeira rangendo lhe dava um calafrio a cada passo. Chega na entrada do quarto, está encostada. Ouve alguém dentro.


“EU NÃO AGUENTO MAIS, NÃO AGUENTO, NÃO AGUENTO NÃO AGUENTO NÃO AGUENTO…” repetidas vezes, em soluços.


O menino empurra a porta lentamente, abrindo uma brecha para espiar. Seus olhos arregalaram ao ver a cena.


O brilho da lâmina.


A mulher em desespero.


O momento do corte.


O som da dor.


O líquido vermelho.


A cena da mor…


— MAMÃE! — O menino grita.


Corre em direção a mulher, está em choque. Não ouvira as últimas palavras da moça… “Sinto muito”. Chara encara a mulher no chão. Os olhos da sua mãe tornam-se mórbidos em segundos. O menino não entende, mas nada sentia. Não estava triste, não estava aliviado — porém sentia um grande peso na consciência. A noite de repente pareceu ficar mais fria, escura e silenciosa.


— Está… está tudo bem, mamãe… — o menino fala, acolhendo o corpo — Você só... está cansada, não é? — ajoelha-se, curvando para abraçar a mãe — você trabalhou de mais hoje, não é? Vou trazer umas cobertas para você, mamãe — soluça — V a i  f i c a r  t u d o  b e m… Não é?


mamãe…


Mamãe?


MAMÃE, MAMÃE!


— CHARA!


O menino acorda, alguém sacudia seu corpo. Sua visão está embaçada, não via quem estava à sua frente.


— Você está bem? — a figura pergunta.


— Ma… Mamãe? — Chara sussurra. Sua visão volta ao normal, percebe que a figura na sua frente era na verdade Toriel. Ao perceber que se confundiu, se desculpa — ah, desculpa…


— Não, não… Não tem problema — Toriel sorri e faz um carinho na cabeça da criança — Estava tendo pesadelo, não é? Eu vim correndo quando o ouvi gritar. — Chara assente com a cabeça. Toriel olha para ele com solidariedade — Venha comigo lá para baixo, tenho uma surpresa para vocês. — ela se levanta e vai em direção a porta.


— Mas e Asriel? — questiona.


— Ele vai ver quando acordar — Sorri enquanto dava uma parada na porta antes de seguir para o andar de baixo.


Chara vai atrás da mulher. Sentia um cheiro forte e doce ao chegar na cozinha. Toriel o mandou esperar na mesa, e assim o fez. Não demorou muito para a mulher voltar com luvas enquanto carregava uma forma.


— Você gosta? — perguntou a mulher, colocando a forma sobre a mesa.


— O que é? — perguntou o menino.


— Torta de Caramelo-Canela — Ela cortou um pedaço e separou para Chara, que olhou para o prato meio confuso. — Não tenha medo, vai gostar — sentou-se na mesa.


O menino corta um pedacinho com um pequeno garfo. Ele olha bem para o alimento. Olha para Toriel, que havia apoiado a cabeça nos cotovelos, parecia cansada, mas ainda sim sorria. Chara decide comer e não se arrepende. A torta estava uma delícia, nunca experimentara algo igual. Começa a dar rápidas garfadas, uma atrás da outra. Era um alimento divino para ele. Toriel fita o menino comendo meio surpresa: comia muito rápido. Ela então solta uma pequena risadinha. Chara acaba de pedaço, mas fica claro que queria mais.


— Pode pegar — falou a Toriel. O menino logo se levanta e pega timidamente outro pedaço. Volta para o seu lugar, mas agora come normalmente. A mulher fica calada, apenas observando o menino comer; até que então, decide perguntar — Como é sua família, Chara?


Chara se engasga, mas se recupera logo. Fica um pouco nervoso, mas decide responder:


— É normal… Eu acho…


— Você sente saudade da sua mãe não é? — Toriel aproxima a cadeira — Gritou por ela enquanto dormia — O menino escuta calado, apenas olhando para seu prato — se quiser, posso te levar para casa e…


— Não, estou bem — o menino voltou a comer.


Ficaram em silêncio, era bem constrangedor. Toriel abriu a boca algumas vezes para falar, mas desistia em seguida. Ela observou o menino comendo por um tempo, e assim, finalmente encontrou uma forma de quebrar o silêncio:


— Você gostou? Da torta. — Perguntou.


— É o melhor doce que eu já comi! — Chara falou alegre, mudando a atmosfera do ambiente.


— Fico feliz em ouvir isso! — muda a postura, sorri — Asriel e Asgore também gostam muito dela.


— Asgore? — o menino perguntou de boca cheia.


— Ah sim, Asgore é o pai de Asriel — Explica — Já já ele deve chegar — Toriel olha para um relógio que estava na parede, marcava 22:00.


— Como ele é?


— Ah… — Toriel não esperava essa pergunta — Ele é alto, loiro… E é a cara de Asriel! — dá uma risadinha.


— E o que ele faz?


— Ele… Ele trabalha com negócios e coisas do tipo.


— Todo pai é alto, loiro e trabalha com negócios e coisas do tipo?


— O quê? Não é que… — Toriel percebera o que na verdade o garoto queria saber — Pais, junto com as mães, são aqueles que cuidam e amam uma criança, às vezes nem são os pais de nascença. — faz uma pausa, Chara escuta atentamente — Existem diversos tipos. Asgore é do tipo loiro que trabalha com negócios.


— Ata…


Antes de qualquer movimento, ouve-se alguém abrindo a porta. Era Asgore.


— Toriel? — falou, tirando o sobretudo.


Da mesa, Toriel escutou. Foi atender o marido.


— Ele chegou. — falou para Chara.


A mulher foi até o marido e o recebeu. Chara não conseguiu escutar direito sobre o que falavam, mas Toriel parecia dar uma bronca em Asgore. O homem olhou para Chara, Toriel para de falar e olha também.


— Quem é? — sussura para a mulher


— Ah, esse é Chara, o amiguinho de Asriel — responde em volume normal.


Asgore abre um sorriso e vai cumprimentar o garoto.


— Eai, garotão! Como está? Não deveria estar dormindo a essa hora e… — Antes de completar, nota a forma com a torta — TORTA DE CARAMELO-CANELA? — aproxima-se correndo e alegremente da mesa — AH, TORIEL, POR QUE NÃO ME FALOU ANTES? — o homem pega um pratinho e começa a se servir.


— Você saberia da torta se não fosse trabalhar até tarde nas nossas FÉRIAS. — Toriel falou dura, sarcástica e séria, cruzando os braços.


— Que barulheira é essa aí embaixo? — uma figura sonolenta falou do segundo andar. Era Asriel, coçando os olhos de cansaço. Ao perceber homem que havia chegado, sua face enche-se de felicidade — PAPAI! — Asriel desce as escadas rapidamente.


O menino corre para abraçar o pai, esse que o põe no colo e o abraça.


— Por que você chegou tarde hoje? — disse o menino no colo.


— Papai teve que resolver alguns probleminhas no trabalho, filho… — Ele dá um sorriso gentil e põe o garoto no chão.


Toriel volta a conversar com seu marido, dessa vez, aparentemente arrependida ou preocupada. Asriel apenas olha ora pra um, ora para o outro, sem entender nada. Chara observava aquela cena. Eles pareciam tão estranhamente… unidos. Toriel, mesmo com raiva fora receber preocupada o marido; Asriel cansado foi abraçar seu pai; e Asgore exausto do dia de trabalho, ainda beija sua esposa e abraça o filho com todo carinho do mundo. Que sensação estranha é essa que Chara sentia? Melancolia, tristeza… Inveja? O que era aquele sentimento que eles expressavam um pelo outro? Será que poderia sentir e compartilhar assim como os outros?


Chara sentia-se mal. Pegou seu prato e talher da mesa. Ía em direção a cozinha, mas alguém percebeu sua presença ali.


— Ei papai! Você conhece meu novo melhor amigo? — falou Asriel.


— Ah, sim, papai já chegou a falar com seu novo amigo — respondeu Asgore.


— Não, papai — Asriel correu em direção a Chara e o empurrou pelas costas para próximo dos outros — É o meu MELHOR amigo!


— é… olá… — falou timidamente o outro garoto.


— MAS O QUÊ? — falou em um tom brincalhão, abaixando-se para igualar as alturas — Então isso nos faz rivais oficiais! — falava com Chara — QUE VENÇA O MELHOR AMIGO NÚMERO 1! — Asgore pegou Asriel e o colocou em suas costas. Ele começa a correr e pular pela sala.


— OH NÃO! EU FUI SEQUESTRADO! — gritou Asriel, em meio de risadas incessáveis — CHARA, ME SALVE!


Chara não entendia nada. Asgore percebeu a confusão do menino e parou por um momento.


— Você não vai atrás do seu melhor amigo? Então isso significa desistência! — o homem parecia um supervilão — Então declaro eu, O GRANDE REI ASGORE, O MELHOR AMIGO DE ASRIEL DREEMURR — falou seguido de uma risada maligna.


— Vamos Chara… — Asriel fala meio tristonho — lembra do que você prometeu?


O menino olhou para Asriel, bem nos olhos. Para para refletir: promessa? Mas que promessa…


Foi como se, por um momento, tudo fosse ficando mais lento até parar. Era só ele e seus pensamentos.


“— Vamos ser melhores amigos para sempre, né?


— É claro que vamos!”


Chara realizou, e como num play de DVD, tudo voltou a sua velocidade normal.


— VOCÊ NÃO VAI LEVAR MEU MELHOR AMIGO! — gritou Chara. Em seguida, começou a correr atrás de Asgore.


Os meninos (e Asgore…) corriam pela sala toda, às vezes, até em círculos em volta de algum móvel. Toriel apenas olhava preocupada, tinha medo que alguém se machucasse ou que algo quebrasse.


— Meninos, tomem cuidado! — falou Toriel, seguido de um suspiro.


Chara para a perseguição, precisa de ar. Observa bem a sala: precisava de um plano, uma estratégia… Mas o quê?


Foi então que ele vê Toriel parada em pé. Teve uma ideia.


— Dona Toriel! — Disse Chara correndo até a mulher, logo parando novamente, ofegante — Me coloca… — respira — Me coloca na suas costas!


— O quê? — Toriel olha confusa.


— É a única maneira de salvarmos Asriel!


Toriel pensou bem: Não queria participar da bagunça, mas também não queria estragar os planos do garoto. Ela olha para o seu marido: era como se na sua face estivesse escrito “Vamos, Toriel!”. A moça suspira, rende-se:


— Está bem…


— Eba! — Toriel se agacha para Chara subir em suas costas — Estou indo, Asriel! — gritou o menino.


Virou uma confusão, mas uma das gostosas de participar. Corriam um atrás do outro, o resgate de Asriel nem era mais o objetivo principal agora. Todos riam de alegria, até mesmo Toriel. Estavam tão entretidos que nem sabem quanto tempo a brincadeira durou: 5, 15 minutos? Talvez uma hora ou mais. A bagunça da sala ficou imensa, almofadas, panos no chão… Mas valeu a pena.


Chara se sentia tão feliz. Mas não só feliz porque estava brincando até tarde, mas também porque se sentia incluso, sentia-se parte da família.


Pela primeira vez, Chara sentiu-se amado.


//


— Hora de dormir! — Toriel falou. A brincadeira já havia acabado há um tempo, todos estavam exaustos, principalmente Asgore que fora direto para o seu quarto deitar. Os meninos haviam sido colocados em suas respectivas caminhas. A mulher os arrumava.


— Boa noite, mamãe! — falou Asriel.


— Boa noite — depositou um beijo na testa do filho.


— Boa noite, Dona Toriel! — falou Chara de onde estava deitado. Toriel olha para o menino e sorri — Espera! — disse o garoto quando a mulher estava prestes a se levantar. O menino desvia o olhar por um momento, mas logo o volta para a mulher — obrigado! — Chara sorri timidamente e abraça de leve a mulher, que logo retribui.


— Você será sempre bem-vindo. — a mulher se levanta e vai em direção a porta, onde apaga a luz e sai do quarto.


O barulho do ar-condicionado domina a ausência de vozes. Nenhum dos meninos dormiu ainda, apenas olhavam para o teto. Mas então, o silêncio é quebrado.


— Chara? — chamou Asriel, sem mudar a posição.


— Oi?


— MELHOR. DIA. DE TODOS! — falou pausadamente — BOA NOITE! — virou-se para o lado que se opunha a Chara, que sentiu de leve um déjà vu.


//


O dia amanheceu. Toriel e Asgore preparavam o café juntos. Asriel tentava fazer Chara levantar da cama para tomar café, pois este se recusava: estava confortável demais para sair daquela posição.


— Vamos, Chaaaaraaaaa! — Asriel tenta puxar o amigo da cama — Você tá muito folgado para alguém que só dormiu aqui uma vez! — falou emburrado.


— só mais um tempinho, Asi… — O som da resposta de Chara saiu meio abafado, estava com a cabeça enfiada no travesseiro.


— Mas eu quero tomar caféeee… — Asriel resmunga.


— Você pode ir sem mim — Chara levanta a cabeça rapidamente para poder falar e então joga-se mais uma vez de cara no travesseiro.


— você que pediu por isso… — Asriel se joga de costas em cima de Chara, que solta um berro de dor. Chara começa a se debater, provavelmente queria uma trégua — Desculpe, o que você está querendo dizer? — Asriel caçoou.


— HMAI HME HMIMA HME HMIIIM — Chara tentava falar.


— Oh, sinto muito, mas acho que quando estou com fome meus ouvidos não funcionam bem — Asriel continuava a provocação.


— TÁ BOM, EU LEVANTO! — Chara empurra Asriel de cima de si. Asriel cai no chão em gargalhadas — Não vejo graça… — falou Chara.


— Ah, deixa isso para lá! — O loiro fala tentando evitar uma discussão — Eu tô com fome, vamos descer logo! — Asriel se levanta do chão e vai em direção a porta.


— Está bem — o moreno segue o amigo.


— Ah, espera! Vai na frente, tenho que procurar uma coisa! — Asriel dá meia volta e segue seu caminho antes de Chara responder alguma coisa.


Da escadaria, Chara já podia sentir o cheiro da comida do café — e que cheiro! Tinha bacon, ovos mexidos, suco de laranja, torradas… um paraíso de comidas. A mesa estava coberta com uma toalha amarela com flores, essa que se destacava em todo o ambiente; não deveria ser do local, talvez a família a trouxe de casa. O local era muito bem iluminado pela luz natural que vinha da janela e, por isso, as luzes internas estavam apagadas.


Asgore já estava sentado na mesa quando Chara chegava para juntar-se à refeição. Toriel vinha da cozinha carregando uma remessa de panquecas que acabara de fazer. Ela as coloca na mesa e se senta. Chara sentia a baba escorrer da sua boca enquanto contemplava as maravilhas sobre a mesa. A mulher fez um gesto com a cabeça para a criança, avisando que poderia se servir. Chara, ao perceber o gesto, não hesita em colocar no seu prato de pouco um tudo e de tudo um pouco. O casal também se serve, mas ficam impressionados com quantidade de comida com a qual o menino havia se servido: Era até mais do que Asgore!


— Coma devagar para não engasgar! — avisou Toriel, preocupada ao ver o menino deliciando-se indeciso com as comidas.


— Aham — Chara responde em meio a mastigadas e sem dar muita atenção para a mulher.


Era cômico como ninguém se sentia envergonhado naquela situação, como ocorreria em outras famílias. Parece que na noite anterior puderam conhecer-se um pouquinho mais durante aquela brincadeira. Chara não se preocupava em comer demais na frente deles e o casal não se sentia desconfortável ao ficar com o garoto sem a presença de Asriel.


Depois do café, todos se reuniriam na entrada da casa, iriam levar Chara de volta. Na verdade, o menino preferia ir sozinho, mas Toriel insistiu que fosse junto e o levasse: queria conhecer e desculpar-se com a mãe de Chara, até porque qualquer um se desesperaria ao ver que seu filho não voltou. Chara não achava uma boa ideia, mas não chegou a argumentar contra. Asgore, Toriel e Chara apenas esperavam Asriel para poderem sair, este que havia se atrasado pois procurara algo por muito tempo antes de descer para tomar café.


Sentados em banquinhos na varanda, ouvem passos rápidos de dentro da casa: era Asriel descendo as escadas, tinha acabado se escovar os dentes e ainda havia um pouco de espuma na boca. Ele também tentava esconder falhamente algo em seu casaco. Parecia uma pequena caixinha.


— Vamos logo, o que estão esperando? — falou Asriel após cuspir o resto da espuma em um vaso que havia lá. Todos o olharam como se já tivessem a resposta na ponta da língua, mas preferiram suspirar profundamente e seguir para o carro.


O veículo era uma perua cinza, sua característica mais notável era o grande espaço para as malas — talvez isso significasse a família de Asriel viajava frequentemente. Estava estacionado na grama, sob uma árvore robusta. Havia um caminho de terra atrás por onde o carro veio e irá. Chara adentra maravilhado, era tudo muito novo para ele que nunca havia entrado em um carro antes. Prestava atenção em cada detalhe, o espaço dos bancos de trás, uns brinquedos de Asriel no chão, aqueles controles esquisitos do rádio na parte da frente e principalmente aquele odor de carro novo. Chara estava empolgado, mas não tanto quanto Asriel. O loiro estava com um sorrisinho no rosto de quem aprontava, olhava bem para Chara, que notou o que o amigo fazia.


— O que foi? — perguntou checando se havia algo de errado com o seu corpo.


— Nada… — Asriel solta uma risadinha.


— Meninos, coloquem os cintos! — falou Toriel do banco da frente, enquanto colocava o próprio.


— Okay! — responderam em uníssono.


O carro andava e Asriel ainda olhava para Chara travesso. Seu sorriso ficava cada vez maior, e assim, proporcionalmente o incômodo que causava em Chara.


— O que é que foi, hein? — Chara não resiste e se vira furioso.


— Hum… Nada! — parecia que Asriel caçoava o amigo. Chara suspira.


— Você pode parar então de ficar me olhando assim? — o jeito que falou não disfarçava direito a sua raiva interna.


— Não posso! — Ele sorri ainda mais.


— Ora, por que não?


— Bem, era para ser uma surpresa, mas já que insiste… — Chara revira os olhos. Asriel pega aquela caixinha que guardava em seu casaco, ela era rosa é vinha de uma joalheria — Tam Daaam! — o menino entrega o objeto para Chara.


— O que é isso? — Chara sacode a caixinha perto do ouvido.


— Abra e descubraaa~


Chara abre a caixa, foi bem fácil até. Ela foi feita para parecer que fora muito bem embalada. Dentro, havia um colar, seu pingente era meio coração, ambos dourados. Asriel espera a reação de Chara, mas se empolga e coloca o colar no pescoço do amigo. Chara pega e fita o pingente em uma das mãos. Era realmente muito bonito, mas não entendia o presente.


— Por que está me dando isso? — perguntou para Asriel.


— Por que nós somos amigos, ué! — Asriel sorri para o amigo — Mamãe havia comprado faz um tempinho, mas só me lembrei agora. E olha! — ele pega outra corrente — Eu tenho uma igual! Elas se completam, vê? — Asriel une os dois pingentes.


— Asriel! Sente-se direito! — reclamou Toriel — Chara, por onde vamos agora? — o carro para, Toriel entorta o corpo para virar-se para o menino.


— Hum — Chara olha em volta — Acho que é para lá! — Aponta para o Oeste.


— Para lá? Mas não tem nenhuma estrada! — questionou Asgore que estava no volante.


— Chara, tem certeza disso? — perguntou Toriel.


— Eh… SIM! Certeza absoluta! — respondeu Chara.


— Então vamos até lá — Toriel solta seu cinto de segurança e desce do automóvel — Asgore, fique aqui e cuide do carro e de Asi. Eu vou até lá com Chara.


— Mas parece perigoso… — Asgore olha na direção apontada anteriorme.


— Eu sei me virar — Toriel sorri e se estica para abraçar o marido — Eu vou voltar bem, tá? — Asgore assente e Toriel segue caminho com o garoto



//


Chara não era lá um bom guia, ora iam “por aqui”, ora “por ali” e não acabavam em lugar nenhum. Os dois adentraram em um bosque escuro e úmido por onde pareciam andar em círculos. As pernas da jardineira de Toriel já estavam com seus fins sujos de terra e lama. Chara tentava encontrar-se no mapa de sua mente, mas não parecia funcionar como imaginava.


— Chara, tem certeza que sabe onde estamos? — Toriel já estava perdendo a esperança. Agasalhava-se com as próprias mãos, mesmo de manhã aquele bosque era muito frio.


— Eh… Eu acho que é… Por aqui! — Chara aponta para uma região aparentemente aleatória e corre em sua direção — Vem, Dona Toriel!


Volta e meia eles chegariam em algum lugar. Chara não desistiria tão facilmente, não, ele era determinado. E assim foi.


Lá estava a velha cabana de Chara. O menino e a mulher suspiraram aliviados, finalmente haviam chegado! Estava como sempre esteve: velha e mal acabada. Toriel estranha a precariedade do local, não gosta de julgar pelas aparências, mas aquela cabana não era o melhor lugar para se criar uma criança.


Chara vai na frente e bate na porta — esperando ansiosamente que alguém a abrisse — e Toriel segue atrás. A madeira do piso rangia alto e era um verdadeiro incômodo quando andava. A mulher olha para o garoto que de ansioso fora para decepcionado. Chara abre a porta inicialmente devagar para dar uma espiada: estava exatamente como deixou, as flores no vaso da janela, panelas no fogão e na pia e a luz apagada.


— Lar doce lar! — falou Chara, inspirando muito ar para dentro do peito e logo soltando-o.


Entrando hesitante, Toriel olha em volta. No fundo havia um cheiro forte de coisa podre que a fez entortar o cenho. Ela se sentia muito desconfortável lá.


— Então, Dona Toriel… Obrigada por me trazer! Até logooo — Chara agradece e tenta empurrar a mulher para a porta.


— Espera! Onde está sua mãe? Quero conhecê-la — falou Toriel.


— Minha… mãe? — Chara sai rapidamente de um choque — Ah, ela está dormindo! Talvez outra hora! Até maaaais — Chara tenta novamente empurrar a mulher.


— Chara!


— Sabe, não é muito legal acordar as pessoas!


— Chara.


— Ela deve ter trabalhado muito e... — Chara começou a empurrar dessa vez de costas.


— CHARA! — Toriel grita e o menino para e assusta-se. Ele suspira.


— Está bem, mas fique aqui, ok?


Chara vai em direção ao quarto e Toriel se senta em uma cadeira mal posicionada no meio da casa de onde conseguia ver o menino. O moreno chega à porta e ao tocar na maçaneta, hesita. Um sentimento ruim sobe ao seu peito. Aqueles corredores, aquele silêncio… Sabia que era real e não poderia fugir para o campo agora. Ele olha para Toriel que entorta a cabeça e, percebendo que ela iria levantar, tomou coragem e girou a maçaneta.


— ei mamãe… — Chara sussurra, seguido de frases inaudíveis para Toriel.


Aquele cheiro podre ficou mais evidente assim que a porta fora aberta. Toriel tapa o nariz com a mão e tenta escutar o que o menino falava.


— Sim, ela me deixou dormir na casa dela e me trouxe aqui — Chara sussurrava e Toriel se esforça para entender. Ela se levanta lentamente para que o garoto não perceba — Ela quer te conhecer… — Toriel se aproxima devagar, assim podendo ouvir melhor — É, eu também não achei uma boa ideia… — Cada passo cauteloso evitava ser entregue pelo barulho do ranger das madeiras. Quanto mais perto, mais forte o cheiro ficava — O quê? Você não pode recebê-la? Oh, não! Eu sabia que a senhora estava muito cansada! — Dessa proximidade, Toriel percebeu que na verdade o menino falava sozinho — Tudo bem, vou avisar para Dona Tori-- AAAAAH! — Chara se vira e depara com a mulher do seu lado com os braços cruzados.


— Chara — falou a mulher.


— Oi…?


— O que está fazendo?


— Conversando com…


— Não, você não estava — interrompeu o garoto.


Toriel move-se em direção à porta, quase é interrompida por Chara que tentou entrar em seu caminho. Ela abre a porta por completo. Agora estava claro de que o fedor vinha de lá. Estava escuro, Toriel forçava seus olhos para enxergar. E então, ela viu.


— Ai meu Deus… — colocou a mão na boca.


— O que foi? — Chara pergunta.


Era podre. Havia insetos sobre. O rastro do líquido vermelho, agora seco, ía do centro do quarto até a cama. Toriel segura-se para não vomitar.


Se estava lá? Estava. Como sempre esteve depois daquilo: Coberta, deitada, de olhos semiabertos e…




Sem vida.







Notas Finais


E por falar em "A Bela e os Monstros", recomendo vocês também acompanharem, além da ótima escrita, como o nome já diz, é um Crossover de A Bela e A Fera com Undertale (diz aí um Crossover mais genial?)

PS: ~ElleDy kerida, só não comentei ainda no último capítulo por que ainda não terminei de ler ♥

Ah, e para quem tá com saudade, se tudo der certo, Shynderela e Bob adormecida voltam semana que vem!

E era só isso.
Mais uma vez, obrigada por lerem, comentarem e favoritarem e até semana que vem!

(Críticas construtivas serão sempre bem-vindas!)


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