História Castelobruxo - n.s. - Capítulo 18


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Categorias Animais Fantásticos e Onde Habitam, Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Credence Barebone, Gellert Grindelwald, Jacob Kowalski, Newt Scamander, Percival Graves, Porpetina "Tina" Goldstein, Queenie Goldstein
Visualizações 87
Palavras 1.788
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - A Iara


Newt andava em círculos ainda desconfortável ao lado de Aurora, a observando. A bruxa nem ao menos reparava naquilo, concentrada demais em seus mapas, concentrada demais em achar uma maneira de chegar no outro lado da floresta e consequentemente no ponto de encontro sem que passassem pelo rio.

Sem que passassem por funcionários do CMB, que prontamente identificariam o magizoologista e o prenderiam em qualquer que fosse a cadeia dos bruxos brasileiros.

A professora por dentro ansiava que Augusto estivesse lá, mesmo sabendo que era muito pouco provável que aquilo acontecesse visto que não o utilizavam há anos. Suspirou, sentia saudade de seu amigo que era basicamente o seu suporte para tudo desde o quinto ano da garota na casa dos aventureiros.

O ruivo bufou, estava irritado e com calor, havia acostumado-se com os feitiços de refrigeração que deixavam o Castelobruxo em uma temperatura agradável.

Olhou para a mulata que tinha uma ruga entre os olhos, encarando suas anotações em português que Newt nunca seria capaz de entender.

O homem deu de ombros, por muito tempo ficara em selvas como aquela, poderia sair por alguns segundos e tentar achar algo comestível, visto que ambos não se alimentavam há quase 24 horas.

Realmente, aquela parecia uma boa ideia.

Começou a andar floresta adentro, sempre atento a aonde ia por saber que as selvas eram traiçoeiras e por ter sido explicado por Aurora sobre os feitiços de confusão que caiporas e curupiras usavam contra invasores da floresta, mas ainda podia ver a figura da brasileira debruçada sobre os mapas.

Olhou então para os céus, pôde ver apenas folhas e galhos secos e em decomposição.

Não conseguiu avistar uma só fruta, o que o deixou levemente frustrado. Arregaçou as mangas da blusa que usava e desnatou o nó de sua gravata borboleta, andava vagarosamente em frente atrás de algo que capturasse sua atenção, sempre virava-se vez ou outra pra ter certeza que a cacheada continuava em seu campo de visão.

Então parou ao ouvir uma música.

Não uma música qualquer, uma música tão linda que o fez sorrir sem nem pensar.

Era como se cada nota musical dançasse em sua mente e em seu coração, o deixando alucinado.

Quem precisava de comida com aquela música? Newt tinha de achar a fonte.

– Senhor Scamander? – Aurora virou-se ao ouvir passos duros adentrando a floresta. – Newt? Volte já aqui! – ele não respondeu.

A professora bufou e pôs-se a correr na direção que ele tomou, pouco se importando em deixar seus mapas e anotações.

Então ouviu um grito insuportável.

Um grito que ela conhecia bem.

Apressou o passo, os olhos arregalados.

– NEWT! – avistou o homem que andava em passos lentos em direção ao leito do rio.

Ela pôde ver de longe uma mulher nua com a metade inferior do corpo na água, o grito saía de sua boca, seus negros cabelos lisos cobriam seus seios e a magizoologista pôde ver malícia em seus olhos levemente puxados, com características indígenas.

– NEWT! – segurou no braço do inglês que nem ao menos se importou com tais protestos, continuava a puxando em direção ao rio, continuava a olhar admirado para a bela moça lá dentro, atraído demais por cada forma de seu corpo.

– Ah, droga! – praguejou o empurrando com descaso para trás, o homem bateu a cabeça em uma árvore e desabou, mas aquilo não o impediu de se pôr de pé e voltar a andar em direção à água.

Não vendo mais alternativa, Aurora suspirou enquanto se punha entre ele e a água.

Então avançou em seus lábios enquanto seus olhos mudavam de cor.

Pôde ver um lago totalmente diferente do rio que estavam próximos, estava congelado, flocos de neve caíam no rosto de Aurora que respirava e inspirava rapidamente, uma névoa se formando em frente a sua boca; seu olhar estava baixo, sua mão apertava com força uma outra.

Ao se virar, pôde ver uma garota de cabelos negros e lisos, pele branca e olhos castanho-mel. Era de fato uma bela moça que devia estar na faixa dos quinze anos, usava um manto preto com o brasão de uma serpente verde estampada em seu peito.

Aurora sabia seu nome. Leta Lestrange. Sabia que havia passado o dia ao lado dela no salão comunal de Hufflepuff, sabia que o local estava vazio e era muito aconchegante. Sentiu um frio na barriga enquanto a bela garota fechava os olhos.

  – Eu acho que amo você, Newt... – sussurrou, quase como se sentisse vergonha disso.

Então começou a aproximar-se dela.

Rapidamente a cena mudou, estava novamente na floresta equatorial e beijava Newt, não Leta.

O frio na barriga, porém, continuava lá

Era estranho beijá-lo, tal fato nunca havia passado na cabeça dela a pesar de tamanha a beleza do ruivo.

Era bom ao mesmo tempo, as sensações que a invadiram, o fato de que seu coração acelerava mais e mais a cada segundo e que o corpo do senhor Scamander estava colado no dela e seus braços a seguravam firmemente...

Chacoalhou a cabeça lavando tais pensamentos. Só o fizera para salvar a vida do inglês, era óbvio.

Virou-se de costas e começou a puxá-lo de volta floresta adentro, pôde ver de canto a expressão irritadiça da iara, que parara de gritar e pulara na água, revelando sua cauda de peixe.

Estranhamente falando, o magizoologista não parou junto ao grito; ele continuou com o beijo por mais alguns bons segundos antes de finalmente afastar-se.

Piscou várias vezes, desorientado.

– Vamos, temos que ficar longe da água. – Aurora o disse sem nem hesitar, não parecia realmente se importar com o que havia acabado de acontecer.

Não parecia.

Mas em sua cabeça, milhões de pensamentos explodiam sem cessar. Por que demoraram tanto com o beijo? Por que ela sentia-se extasiada?

O que o senhor Scamander tinha visto?

...

O resto do caminho em direção ao ponto de encontro foi certamente constrangedor e estranho. Não por falta de esforços de Aurora, claro, ela tentava ao máximo agir como se nada tivesse acontecido.

O problema era Newt.

Ele a olhava com um ar diferente, agia diferente. Não fazia mais milhares de perguntas como antes, sua voz parecia ter sido roubada dele pelo beijo que a mulher o deu.

Ela preocupava-se com tal fato, sentia falta das longas conversas, sentia-se intimidada pelo olhar pesaroso do homem.

Vez ou outra citava-se pra ele, o observava ficar vermelho antes de desviar o olhar tentando inutilmente esconder o fato de que seus olhos miravam a mulher veementemente.

O sol já se abaixava no céu, a unidade da floresta que normalmente faziam suas roupas pesarem com o peso do suor mudava a sensação térmica de abafada para resfriada, em pouco tempo o crepúsculo atingiria seu ápice e a noite cálida tomaria conta da floresta normalmente fria a noite.

Mas eles já estavam quase no destino.

O ponto de encontro acertado entre Aurora e Augusto era um bom lugar; perto de Castelobruxo, afastado de qualquer outra cidade por perto, às margens de um afluente do rio Amazonas tão pacifico que servia como berçário para fadas.

Suspirou fechando os olhos quando se encostou numa árvore, mão exposta apoiada sobre o tronco.

Viu sua imagem de quinze anos escondida atrás da mesma, olhando de relance para frente e vendo o português que então acabara de completar dezesseis na outra margem. Ele estava amarrado e com uma mordaça na boca, a característica blusa preta de mangas curtas da Instituição de Aprendizado em Magia, Castelobruxo estava esfarrapada e suja, denunciando o longo tempo que o garoto estava lá.

Aurora respirava fundo do lado de trás da grossa árvore, três animais que seriam facilmente confundidos com jacarés embora bípedes e com cabelos e vestes parecidos humanos conversavam entre si sobre o que jantariam naquele dia, quase riu com a expressão assustada do menino.

Eram cucas, criaturas que lutavam pelo título de seres no Congresso Mágico do Brasil, dotavam fala e costumes humanos e até certa inteligência. Provavelmente conseguiriam o título, não fosse por sua estranha mania de sequestrar jovens humanos e, principalmente, trouxas que não tinham como revidar.

Não por maldade, não por apreciar carne humana, estas criaturas apenas enxergavam humanos como estes enxergavam cachorros; adoráveis bichos de estimação.

E aquilo que o português era para os três bichos de olhos amarelos e certamente assustadores.

Claro, Aurora não poderia correr de volta para o templo e pedir socorro pelo fato de que não supostamente deveria estar só na floresta em primeiro lugar, muito menos próxima a rios, locais estes lotados de boitatás e outros animais que poderiam ferir estudantes inexperientes como ela.

Mas aquela floresta sempre a intrigava, seus poderes pareciam ficar em equilíbrio lá. Pareciam um fardo menor... Não podia simplesmente evitar de entrar lá vez ou outra, ainda mais levando em consideração o fato de que procurava evitar contato com alunos mais velhos que constantemente usavam-na como alvo de suas piadas maldosas.

E mesmo que não, a crioula não era uma grande apreciadora de regras.

Respirou fundo e fechou os olhos, virou-se para trás e apertou a varinha em punhos.

Saltou de trás da árvore, o objeto de madeira apontado para os animais, a testa franzida em uma expressão potencialmente intimidadora.

– Soltem-no! Agora!

Sua mão apertou mais o súber da planta, a visão modificou-se.

Estava atrás da árvore novamente, mas daquela vez no outro lado da margem não haviam cucas.

Ah, quem dera fossem.

Lá estava o obscuros.

Sentiu uma mão em suas costas e quase saltou, largou a árvore e quando se virou eram os olhos indiscritíveis do senhor Scamander que a encaravam.

Piscou algumas vezes, estava mergulhara naquela memória e ficara um pouco desorientada, sem noção de passado, futuro e presente.

– O Obscurial... – quase sussurrou, o que fez o homem franzir o cenho.

– O-O que...? – a mulher engoliu em seco, sentia suas pernas bambas tamanho era o esforço para ter visões do futuro.

– Eu preciso escrever para o Augusto. Passamos a noite aqui, ele provavelmente nos encontrará de manhã e... – pigarreou. – Bem, eu vou... Vou escrever e você devia. – parou por um tempo, negou com a cabeça como se tentasse clarear seus pensamentos.

O magizoologista a encarava incerto, queria dizer algo para ajudá-la, parecia totalmente desnorteada e havia o deixado certamente curioso em relação ao que diria sobre o Obscurial.

Tão curioso que pela primeira vez desde o ocorrido, não desviou o olhar pensando sobre as cenas particulares que havia visto quando seus lábios se encontraram. Claro, ainda não havia entendido direito nem o porquê de aquilo ter acontecido em primeiro lugar, a curiosidade para fazer mais perguntas quase o matava.

– Devia descer em sua maleta e pegar algo pra comermos e sua coruja e eu vou fazer uma fogueira. – concluiu antes de entrar na mata, sem o dar a chance de falar qualquer coisa.



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