História Catarse - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Suícidio
Exibições 8
Palavras 521
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Four


   Antes de partir, me sinto na obrigação de dar adeus àquelas pessoas que de alguma maneira fizeram parte de minha vida. Da minha medíocre e patética vida.

   Levantei da cama, abri a gaveta da escrivaninha e peguei uma caneta e um caderno antigo. Sempre me imaginei com lágrimas nos olhos ao escrever tal despedida, mas me surpreendi ao perceber que eles estavam secos e apáticos. Assim como a minha alma e tudo o que habitava o meu ser. Com a caneta em punho e o coração acelerado, comecei a escrever:

  ''Primeiramente, gostaria de lhes dizer que isto não é uma carta de suicídio comum. Como nada foi comum em minha vida, fiz questão de fazer jus à este fato. Não vou lhes culpar por nada. Não se sintam culpados de minha morte pois foi uma escolha pessoal. Sendo dona de minha vida e de minha morada, resolvi fazer o que estava adiando há anos; resolvi dar um ponto final a tudo isto que me amargura. Como um remédio ruim entalado na garganta, é assim a minha vida. Eu poderia aceitá-la e viver em respeito à vocês, mas resolvi cuspi-lá. Não quero viver. Não quero estudar, arrumar um emprego, me formar, comprar um carro, uma casa, viajar, casar, ter filhos e envelhecer. Não quero nada disto e sinto muito se lhes decepcionei, mas não é minha culpa, afinal, quem criou expectativas sobre tudo isso não fui eu. Mas como disse no começo desta carta, não quero lhes culpar em absolutamente nada, quero apenas me despedir.

    Aos meus amigos, eu vos agradeço pelos momentos fantásticos que passamos juntos. Cada risada e choro que demos juntos, ficará guardado em meu peito.

    À minha irmã, quero agradecer por ter caminhado junto à mim por toda essa jornada até o dia de hoje. Você foi o meu suporte nas horas mais difíceis e minha luz quando mais precisei. Obrigada.
   Ao meu pai, agradeço pelo suor de seu trabalho em prol à minha vida. Fico grata pelo seu esforço diário em me manter estável.

   À minha mãe, peço desculpas por não ter sido o fruto de sua árvore e não ter lhe dado flores. Por mais que a maternidade tenha sido algo tão almejado para ti, a vida em si não era para mim. Me desculpe por não ter sido a pessoa que você esperava que eu fosse.

   Por fim, peço à todos que não se martirizem e não coloquem um peso sob os ombros que não lhes pertencem. Saibam que eu os amei até o último suspiro. Façam o que lhes deixam felizes, nem que isto seja desistir de tudo. Adeus.''
   

   Depois de acabar de escrever a carta, eu a dobro e a deixo embaixo do porta-retrato onde a imagem de meu pai mais nova se ilustra. Neste momento, engulo em seco pois sei o quanto a minha morte irá os afetas, mas à mim nada disto importa, afinal já estarei morta. Egoísmo de minha parte em dizer isto? Receio que não, afinal pela primeira vez em minha vida farei algo que me agrada e não aos outros. Pela primeira vez eu ajudarei à mim mesma.



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