História Cavaleiros do Zodíaco - A Saga de Gaya - Capítulo 5


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Categorias Saint Seiya
Personagens Shun de Andrômeda
Tags Drama, Romance, Saint Seya
Exibições 50
Palavras 1.846
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Seya


Fanfic / Fanfiction Cavaleiros do Zodíaco - A Saga de Gaya - Capítulo 5 - Seya

Há quase uma década Seya sofria as consequências da batalha contra Hades. Na verdade, todos os cavaleiros, e até mesmo Atena saíram extremamente feridos. Muitos haviam perdido a vida naquela batalha. Felizmente, Saori e os cavaleiros de bronze sobreviveram, e para Pégaso, essa era a maior vitória. Eles eram sua família, tudo o que ele tinha na vida. A esperança de encontrar sua irmã se desvanecera depois de tanto tempo e tantos esforços em vão. Seika desaparecera sem deixar rastros e nem mesmo a Fundação Kido conseguira encontrar nem ao menos uma pista de seu paradeiro.

Após diversas cirurgias e centenas de sessões de fisioterapia, Seya ficou livre da cadeira de rodas. Contudo, seu corpo havia perdido a agilidade, a força, ele caminhava devagar e com dificuldade, cansava-se rápido, perdia o fôlego. A espada que o traspassara não era apenas uma lâmina afiada, estava impregnada do cosmo maligno de Hades e parecia ter destruído bem mais do que a parte física do corpo de Seya. A alma do rapaz ficou amarga, o coração ficou endurecido, Pégaso não sorria mais, não contava piadas. Seu jeito brincalhão e otimista havia desaparecido. No lugar, surgiu um Seya mal humorado, pessimista, ranzinza e rude.

Assim como os outros, Seya recebeu uma significativa soma em dinheiro como recompensa de suas lutas ao lado de Saori. Mas desde o início ele precisou de muitos cuidados médicos e seria impossível que morasse sozinho. Shiryu e Shun se ofereceram para cuidar dele, ambos ofereceram espaço em suas casas e suas famílias concordaram prontamente. Mas Saori determinou que ele iria morar na mansão Kido e ficaria sobre seus cuidados até que melhorasse completamente. Era a melhor opção, já que ela era uma mulher muito rica e assim Seya poderia ter os melhores médicos e tratamentos, além das enfermeiras que cuidavam dele 24 horas.

Nos primeiros anos de tratamento, entre inúmeras idas e vindas ao hospital, Seya não reclamava, aguentava as dores calado, fazia tudo o que os médicos e o que Saori mandavam. Queria melhorar rápido para voltar a ser o cavaleiros que sempre fora e para não precisar depender mais de ninguém. Entretanto, os resultados eram lentos, os movimentos das pernas não voltavam na velocidade que o rapaz desejava e então Seya começou a desconfiar que nunca mais regressaria ao normal. Começou a faltar às sessões de fisioterapia e se recusou a fazer mais uma cirurgia na coluna. Estava farto de sentir tanta dor e tomar tantos remédios. Começou a beber para ficar anestesiado. Quando estava sob o efeito do álcool sentia-se mais relaxado e as dores desapareciam.

— Seya, por favor, não desista do tratamento — Saori dizia.

O rapaz permanecia em silêncio a maior parte do dia, com o semblante sério, o cenho franzido, sem dar atenção aos conselhos dos amigos. Mesmo morando longe um do outro, Shiryu, Shun. Hyoka e Ikky sempre iam visitar Seya e se reunião para uma tarde de conversas e jogos de tabuleiro.

Saori chorava por ver o homem que tanto amava se deteriorando daquela forma. Ela e Shyna se tornaram amigas e uniam forças para tentar motivar Seya e para cuidar dele. Mas nenhuma das duas conseguia tirar o rapaz daquele estado de autopiedade.

Já era tarde da noite quando Saori bateu na porta do quarto e entrou.

— Está acordado? Posso entrar?

A moça ouviu o cavaleiro de Pégaso dar um suspiro profundo. A luz da lua refletia sobre o corpo inerte do rapaz, sentado em uma poltrona. Ele encara um objeto em cima da mesa e tinha marcas de lágrimas em seu rosto. Saori sentou numa cadeira diante dele e indagou com a voz suave:

— O que o capacete da sua armadura faz aqui? Como o pegou na sala das armas?

— Pedi ao Tatsumi para trazer para mim. Precisava olhar para ele para lembrar tudo aquilo o que eu perdi.

— Seya, querido, não faça isso com você mesmo. Sabe muito bem que foi o que você e os outros fizeram que salvaram a Terra. Você me protegeu. As cicatrizes são testemunhas das nossas vitórias. Se arrepende de ter lutado ao meu lado?

Seya encarou Atena e seus olhos ficaram ainda mais tristes.

— É claro que não me arrependo. Essa é minha missão, proteger você. É para isso que eu existo.

— Então por que age como se lamentasse o que ocorreu com você?

— Como irei te proteger agora, Saori, do jeito que eu estou? Não percebe? Eu não presto mais pra nada. Uma criança me venceria numa luta. Minhas pernas não funcionam direito e meus socos perderam toda a força.

— Mas seu cosmo ainda queima, eu posso sentir.

— Mas estou preso nesse corpo danificado. Como posso continuar sendo um cavaleiro se nem ao mesmo consigo ficar de pé por mais de cinco minutos?

Saori ficou comovida. Segurou a mão do rapaz com carinho.

— Querido... Todas as batalhas foram vencidas. Não precisa mais se preocupar em lutar. O importante agora é você seguir o tratamento e melhorar.

— Isso é perda de tempo Saori. Sabemos muito bem que não vou melhorar mais que isso. Essa é minha condição permanente. O médico mesmo disse que estão fazendo tudo o que podem. Se isso é tudo o que podem fazer, quer dizer que não há mais nada a ser feito.

— Você não era assim, pessimista. Está agindo como um derrotado. — Saori se levantou e começou a caminhar de um lado para o outro. — Quando todos pensavam que vencer seria impossível, era você quem nos ajudava a acreditar e seguir em frente. Sua esperança nos guiou.

Seya deu um sorriso sarcástico e disse:

— Bons tempos... Aquele Seya não existe mais.

Atena não podia acreditar no que estava ouvindo. Não permitiria que o homem que tanto amava se entregasse ao destino daquela forma.

— A Shyna tem razão. Você precisa se consultar com um psicólogo. Talvez um profissional assim poderá te ajudar a dominar suas emoções.

— Você e a Shyna estão perdendo tempo cuidando de mim. Esqueçam-me em um canto e vão viver suas vidas.

A moça se emocionou. Caiu de joelhos e apoiou as mãos nas pernas do amado.

— O que está dizendo? Quer que eu deixe você? Quer que eu vá embora? É isso?

Pégaso olhou para aquele rosto lindo e decepcionado e sentiu um aperto no peito. Não queria magoá-la, só queria que ela fosse feliz.

— Eu não sirvo mais como seu cavaleiro. E muito menos como homem. Você merece coisa melhor. Ser feliz e construir uma família. Antes de ser Atena, você é uma garota cheia de sonhos e planos para o futuro. Se insistir em me incluir, vai bancar a enfermeira para o resto da vida.

— Eu não me importo! Você não entende? Eu te amo, Seya. Eu te amo!!!

Ele tocou o rosto dela, enxugando suas lágrimas. Acariciou seus cabelos roxos. Como ela era bonita!

— Eu também te amo, Saori. Por isso quero que seja feliz.

— Eu jamais poderei ser feliz longe de você. Por favor, não se afaste. Confie em mim, Seys, deixe-me cuidar de você.

Ele apertou os olhos, sentindo um nó na garganta.

— Saori... Você precisa de alguém que possa lutar por você. Não um fracassado como eu. Talvez seja melhor escolher outro homem para assumir o meu lugar como Cavaleiro de Pégaso. Você tem autoridade para isso.

— Que se dane isso! — Ela se levantou e, explodindo em raiva, pegou o capacete em cima da mesa e jogo no chão. — Eu não preciso de um novo cavaleiro. Eu preciso de você!

Há mais de dez anos Saori amava aquele homem. Tantas vezes pensou que o perderia, que o fato dele estar vivo, e os dois morando debaixo do mesmo teto, bastava para que ela agradecesse aos céus todos os dias. Sonhava com o dia em que Seya lhe daria o primeiro beijo. Ser sua esposa era tudo o que ela mais queria.

— Mas que droga, Saori! Tire isso da cabeça! Olhe para mim! Nada mais me resta. — Seya se levantou e caminhou alguns passos com dificuldade. Ainda estava sob o efeito do uísque de mais cedo.

Atena sentou-se na poltrona, cobriu o rosto com as mãos e começou a chorar.

Seya arrependeu-se de sua grosseria. Saori não merecia ser tratada daquela maneira. E ele não tinha o direito de descontar sua raiva em ninguém. Aproximou-se da moça mas, de repente, um forte vento adentrou o quarto, balançando as cortinas e fazendo bater as janelas. O vaso que estava sobre o criado mudo caiu no chão e se espatifou. Saori levou um susto. Seya endireitou ou corpo e aguçou os sentidos.

— Uma tempestade se aproxima — disse a garota, enxugando o rosto.

— Não é uma tempestade... Sinto um cosmo estranho. Alguém está na mansão.

— Um inimigo? — Saori se alarmou.

O capacete de Pégaso reluziu, atraindo a atenção de Seya e Saori, e começou a levitar, como se tivesse vida própria. Uma névoa surgiu no meio do quarto. Saori ficou de pé, assustada e Seya deu um passo, deixando a moça atrás de si, para protegê-la. Viram então surgir uma mulher, que segurava o capacete com as duas mãos.

— Olá, vocês dois. Desculpe interromper a cena romântica.

— Quem é você? — Atena indagou.

Era uma mulher exuberante, de cabelos vermelhos longos, olhos verdes, esguia e com o corpo bem torneado, unhas compridas e prateadas. Usava um vestido longo, num tecido degradê azul, com um decote eu V.

— Me diga, Atena, se o seu amor por Pégaso é tão grande como diz, por que ainda não o curou? Como consegue vê-lo dessa maneira e não dar um basta no sofrimento dele?

Saori arregalou os olhos.

— O que está dizendo? — Seya perguntou. — A Saori faz tudo para eu ficar bom de novo. Quem é você e o que quer aqui?

— A Saori faz tudo o que o dinheiro pode pagar. Não estou falando disso. Estou falando em usar o poder divino que ela tem para curá-lo.

Seya sentiu um arrepio e olhou para Saori, sem entender direito o que aquela intrusa estava dizendo.

— Cale a boca! Devolva meu capacete!

— Claro... Devia voltar a usá-lo. Sua ideia de ser substituído é absurda! Não existe outro homem mais adequado para usar a armadura de Pégaso. Chega de sentir pena de si mesmo! O mundo precisa de você. Saia deste quarto e volte a treinar. Estarei esperando por vocês na sala de visitas. Há algo importante que preciso contar. Nem pense em aparecer por lá com esses pijamas. Você é um exemplo para seus amigos. Preciso que esteja bonito.

A mulher deixou o capacete em cima da cama, abriu a porta do quarto e saiu.

— Quem é ela? — Seya indagou.

— Não sei... — Saori respondeu, com o coração disparado.

— Vou me trocar. Espere aqui, não desça sem mim. Pode ser perigoso. O cosmo dessa mulher é diferente de tudo o que já senti. Ainda não consegui identificar se ela está a favor do bem ou do mal. — Seya disse, entrando no banheiro para tirar os pijamas e colocar algo mais descente.

Quando o rapaz fechou a porta, Saori apertou as mãos diante do coração e olhou para o céu. Estava apreensiva. Quem era aquela mulher, afinal?



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