História Céu e Inferno - Capítulo 14


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Céu, Inferno, Os Sete Demônios, Sobrenatural
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - A Borda da Navalha


P.O.V Judas

                Passaram-se apenas dois dias desde que soubemos sobre o Caçador Negro, e nesse tempo estivemos nos preparando para ele. Abaddon me disse que não dá para matar ele, pois ele é algo ainda pior do que Lúcifer. Ele é um dos Cavaleiros do Inferno. Ele também me disse que na época que ele era cavaleiro de Lúcifer conheceu o Cavaleiro e viu como ele age, mas também me alertou que nenhum do nosso armamento surtiria efeito nele, pois ele é algo mais antigo do que Lúcifer e ele. E para sobreviver ao Caçador terei que me tornar algo ainda pior do que ele, mas acho que sou o único que está totalmente disposto a enfrentar esse desafio, pois nem mesmo Maggor soltou uma de suas clássicas piadinhas sobre isso. Todos estão apavorados, e com razão. Até onde sei o Caçador é alguém muito temido no inferno por caçar demônios foragidos e por causar, mais de uma vez, o terror aqui em cima. E agora entramos na sua lista.

                Estou sentado do lado de fora da cabana montando uma Magnum ponto cinquenta, com munição o suficiente para matar toda a turma do inferno e mais um pouco. Esse tem sido meu passatempo aqui, pois com Maria presa e com nossas cabeças a prêmio não posso ficar desfilando por aí. Admito que fazer isso todo santo dia se tornou algo tedioso, mas o que mais eu posso fazer além disso? Mas estou confiante sobre hoje, pois sei que irei conseguir matar Lúcifer e quem estiver com ele e assim resgatar Maria de lá, e dar fim a tudo isso de uma vez por todas. Minhas mãos estão mudando de cor, deixando de serem brancas para se tornar azul bebê, sinal claro que já estou fazendo isso a um bom tempo, então escondo a arma no meu casaco e entro na cabana. Aqui dentro não está tão quente como eu gostaria, mas dá para o gasto, e não só para mim, já que Maggor e Charlotte estão bem em frente a lareira se aquecendo, menos Abaddon, esse está sentado numa cadeira de balanço com um pedaço de pano ralo como cobertor. O vejo acender um cigarro com apenas um toque da sua estranha língua, e me pergunto se Maria conseguia fazer isso. Claro que não, seu imbecil! Pois é, me esqueci de que Maria tinha parte humana e que nunca tinha ido para o inferno, pelo menos não antes de me conhecer.

                -É garoto, eu posso fazer isso! – Abaddon diz enquanto draga seu cigarro. – Isso foi do tempo que cumpri pena no inferno, quando eu me tornei um cavaleiro.

                -Muito tempo já? – Eu pergunto enquanto me sento perto dele. Abaddon me oferece um cigarro e aceito, sei que faz mal, mas nunca liguei muito para essas coisas.

                -Quando eu entrei para o inferno vocês ainda estavam descobrindo o fogo. – Ele diz e ri, uma coisa que não é muito normal, pelo menos não para ele, que é sempre ranzinza e frio com Deus e o mundo.

                -A Maria vai ficar igual a você quando ela sair de lá? – Eu pergunto com medo da resposta, e Abaddon apenas suspira.

                -Talvez...  – Ele diz e olha para os próprios pés com um olhar desapontado. – Isso se ela sair inteira de lá, o que não é muito provável!

                -Como assim inteira? – Eu fico confuso.

                -Maria está num lugar capaz de enlouquecer até a mente mais equilibrada, um lugar feito para torturas inimagináveis guri. – Ele diz e apaga o cigarro com o pé. – A jaula não é um lugar onde pessoas devem estar! Miguel a fez para prender o irmão caçula ali pela eternidade.

                -Aí veio àquela vadia da Lillith, fez um feitiço e libertou o amante dela! – Maggor diz com um tom de raiva na voz.

                -Lillith era uma bruxa ou coisa do tipo? – Eu pergunto.

                -Lillith quando era viva era a pior bruxa que existia, e quando morreu ela foi para o inferno e logo quando chegou ela assumiu o posto de demônio na corte do Lúcifer. – Abaddon diz.

                -Ela morreu de quê se era a pior bruxa que existiu? – Minha pergunta sai tão ingênua que faz Charlotte rir.

                -Alídia, a bruxa do norte. – Charlotte diz. – Ela era a mãe do Primeiro Filho de Lúcifer, Darien.

                -Darien matou a própria mãe quando tinha onze anos. – Abaddon diz. – Basicamente todos os filhos de Lúcifer são órfãos de mãe, mortas por eles ou não.

                Então vem em minha cabeça a conversa que eu e Maria ouvimos no camarim de Alamo Jones, de como Lúcifer matou a mãe de Maria e a fez se sentir culpada por tantos anos, acreditando arduamente que foi ela o motivo que fez sua mãe tirar a própria vida. Hoje ela irá ter vingança. Maggor diz que eles estão saindo do inferno, e então chega a tão aguardada hora de termos o nosso acerto de contas com o rei do inferno. Cada um escolhe sua arma para hoje, todas prontas e afiadas para parar qualquer demônio que apareça em nosso caminho. Vejo também que Charlotte roubou algumas roupas para usarmos em Montreal, roupas pesadas, E quando tudo já está pronto Abaddon segura em meu braço e apartamos para Montreal. Ainda não me acostumei a essa ideia de apartar, mas é bem mais rápido do que ir do modo convencional, ou seja, avião. Quando eu abro os olhos eu vejo Montreal de cima de um grande edifício que fica, pelo visto, bem no centro da cidade. Daqui eu tenho vista panorâmica de toda a cidade, um lugar belo e movimentado. Eu sinto de longe milhões de cheiros diferentes, mas o que é o cheiro mais forte é o de enxofre misturado com um milhão de coisas. Sinal de que Lúcifer não está sozinho. Mas no meio dessa confusão de cheiros eu consigo sentir o cheiro dela, o cheiro que senti por dois meses diretos. Enxofre, maconha e sangue. O sangue é algo novo em seu cheiro, mas Maria está aqui e está viva! Mas com certeza ela não está aqui para passeio, e sim está aqui para servir de isca para o Caçador, e nós somos suas presas de hoje. Abaddon prepara sua arma, uma submetralhadora roubada de alguém lugar que ele e Charlotte foram. Enquanto Abie brinca com seu novo brinquedo, Maggor pega um binóculo, roubado é claro, para monitorar o movimento lá em baixo, enquanto isso Charlotte observa o céu, carregado de pesadas nuvens de chuva.

                -Tem uma convenção aqui pelo visto. – Ela diz perdida em meio de seus pensamentos. – Quando o tempo muda é sinal de que há demônios na cidade!

                -Você acredita que deve ter quantos lá embaixo junto com Lúcifer? – Pergunto tomando das mãos de Maggor o binóculo, e ele me olha puto da vida.

                -Ao todo seis, com Maria como isca, sete! – Ela diz.

                -Temos que fazer isso antes que eles percebam... – Eu digo observando uma turma andando em volta de uma garota de cabelos pretos destruídos usando um casaco pesado demais para ela usar. Maria. – Achei.

                Nunca tivemos tempo de planejar algo assim, então eu e Abaddon vamos para um prédio que fica do outro lado da rua onde Lúcifer esta com Maria, enquanto Charlotte e Maggor ficam para trás, dando cobertura para nós dois. Apartamos bem num terraço de um dos prédios, e ali posso ver nitidamente quem são alguns dos demônios que estão fzendo a guarda dele. Darien e Legasse. Os outros eu não conheço, mas aposto que o demônio de olhos vermelhos, cabelos pretos arrepiados e cara de quem não leva desaforo para casa é um dos irmãos de Maria.

                -Cedric, o Quarto Filho. – Abaddon responde minha pergunta e fico me perguntando se ele não pode ler mentes também. – Sim, eu posso garoto. - Reviro os olhos de ódio e tento me concentrar neles. – Está vendo aquele ali? – Ele aponta para um homem branco como a neve.

                -O branquelo de olhos vermelhos que está olhando para Maria como um pedaço de carne? - Digo, mas fico enojado da cena, imagino que Maria deva está sentindo o mesmo sobre tudo isso.

                -Esse é o Caçador Negro! – Ele diz e fico surpreso. – E os que estão do lado de Lúcifer são Belial e Aarão.

                -Ele não disse nada sobre Belial. – Eu digo e meu sentido vai dar merda começa a apitar. – Ele disse que era para Legasse se encontrar com um tal de...

                -Jin. – Ele diz e quando nos viramos vemos um homem de origem árabe, com grandes olhos azuis, parado bem atrás de nós dois.

                Na mesma hora eu retiro do casaco a Magnum que eu havia montado na cabana e miro nele, mas o desgraçado é mais rápido e com um gesto faz com que eu caia do terraço direto para o chão. Fico desesperado com a queda e com o fato de que vou morrer sem ao menos fazer algo, mas ao invés de me espatifar no concreto eu caio com tudo em cima de um toldo. O estrondo da minha queda faz com que todos na rua olhem diretamente pra mim, incluindo toda a comitiva do Lúcifer. Maria me vê como se fosse a primeira vez que nos encontrássemos, eu posso ver em seus olhos a felicidade que ela sente em me ver tentando salvá-la, e posso ouvir bem quando ela diz meu nome, mas Cedric e Darien seguram forte alguma coisa que deve estar prendendo ela e a puxam para trás, e o Caçador Negro sai do seu lugar e me encara com olhos famintos. Famintos pela minha carne. Antes que eu possa ter qualquer reação ouço gritos vindos de cima, e então vejo Abaddon cair junto com Jin. Abaddon cai bem ao meu lado, enquanto Jin cai na calçada, causando uma lambança de sangue no chão. Até penso se ele morreu, mas quando ele se levanta creio que apenas sua casca está morta.

                -Está esperando o quê? Corre! – Abaddon diz e a gente pula do toldo, rolando direto para o chão.

                As pessoas começam a correr de nós e sinto Jin me prender com o seu poder, tento me soltar, mas é em vão. Eu viro o rosto para ele e vejo seus olhos negros me olharem com maldade e desejo, como se me quisesse morto, mas Abaddon interfere e joga Jin para o outro lado da rua, caindo dentro de uma loja de roupas onde as pessoas saem desesperadas de lá. Legasse e o Caçador então saem dos seus postos, andando rapidamente, e perigosamente, em nossa direção, fazendo com que pessoas inocentes sejam jogadas por eles. Abaddon fica na minha frente, empunhando uma adaga afiada nas mãos. O Caçador o encara e apenas ri, enquanto Legasse fica com seus olhos negros e se prepara para atacar, quando é surpreendida por um tiro de raspão no braço. Ela grita e repousa a mão com força sobre a ferida, e então ela olha e vê Maggor se preparando para atirar novamente em sua direção, e para detê-lo ela o joga contra a parede, fazendo um buraco na mesma.

                -Cedric, Darien, levem sua irmã e Belial para longe desse lugar! – Lúcifer diz e vejo eles levando Maria embora.

                -JUDAS! – Maria grita estendendo sua mão em minha direção, e então corro atrás.

                -EU JÁ ESTOU INDO! – Grito o mais alto que posso. – AGUENTE FIRME MARIA!

                -Onde você pensa que vai, garoto? – Um demônio rechonchudo de cabelos espetados para na minha frente e me dá um soco que me faz parar no chão, e sinto o gosto forte do sangue na boca. – Sabíamos que você iria tentar vir atrás da sua namorada, só não sabíamos que você traria a turma toda dos exilados para lutar. – Ele me chuta e paro no meio fio da calçada, e enquanto ele se aproxima preparo uma bala especial para ele, uma que eu mesmo fiz.

                Ele se aproxima e coloco a bala especial no tambor do revolver, aciono o gatilho e atiro bem no meio de sua testa. Quando o atinge ele ri, achando que eu não estava preparado, mas quando ele tenta se mexer ele vê que a bala é muito mais do que ele, ou qualquer um ali presente, esperava.

                -Que porra é essa? – Ele pergunta apavorado.

                -É só uma bala comum. – Digo enquanto me levanto e saco meu punhal de prata. – Com um desenho de uma armadilha para o diabo...

                Levanto o punhal no ar e desço diretamente para o coração de Aarão, e o vejo gritar, e seus olhos deixarem de serem negros. Um já foi, faltam os outros cincos. Enquanto estou de costas não posso ver, mas o Caçador vem por trás e me dá uma chave de braço, me erguendo no ar. Tento sair, mas é em vão, ele é mais forte e maior do que eu, não terei chance alguma. Só por um milagre conseguirei me livrar desse aqui!

                -Você não é tudo isso o que Lúcifer diz... – Ele ri enquanto aperta cada vez mais forte o meu pescoço. – A sua garota é realmente divina! Eu cuidarei bem dela quando você se for...

                Após ele dizer isso consigo me livrar dos seus braços e o jogo no chão. Eu sei como lutar, passei os meus dezoito anos arrumando brigas no orfanato, e venci quase todas. Ele tira uma espada de metal negro e rubi da manga do casaco, e eu me preparo para o seu ataque, deixando meu punhal bem a mostra para ele.

                -O punhal não vai te salvar agora! – Ele diz me mostrando seus dentes terrivelmente brancos.

                Ele dá o primeiro ataque, lançando sua espada contra mim, e eu desvio dela caindo para o lado. Levanto rápido e tento acerta-lo com o punhal, mas ele trás de volta a espada e a usa para se defender de mim. Ficamos nessa posição por um bom momento nessa posição, até que ele remove a espada e tenta me golpear novamente, mas por pouco a espada não me atravessa, por muito pouco mesmo. A cada golpe eu vejo que estou cada vez mais vulnerável, pois ele não para! Ele é um Caçador, e não vai parar até que tenha minha cabeça como troféu. Então penso num plano, falho, mas talvez isso possa me ajudar. Quando ele vem para mais um ataque eu desvio de sua lâmina e o jogo no chão com apenas um chute, ele se vira e coloco todo o meu peso sobre ele. Quando vejo que ele vai tentar pegar novamente sua espada eu a lanço para longe de suas mãos, e posiciono meu punhal em seu pescoço.

                -Você acha mesmo que vai conseguir vencer e ter uma vidinha feliz com a filha do demônio? – Ele pergunta e tento manter a calma. – Maria só estava te usando! Esse tempo todo, você só era uma marionete dela! – Seus olhos ficam negros e ele dá altas gargalhadas.

                -Espero mesmo que esse punhal seja inútil contra você! – Digo e deixo uma bela de uma cicatriz em seu rosto, cortando da sua sobrancelha direita até o lábio superior. – Isso foi pela Maria!

                Ouço alguém gritar, então me viro para trás e vejo Legasse correr em minha direção como um animal, encolho sobre o corpo do Caçador e vejo um clarão roxo acertar em cheio Legasse. Abro os olhos e vejo Charlotte com as mãos soltando fumaça roxa ao lado de Abaddon. E então sou surpreendido pelo Caçador. Ele me tira de cima dele e me joga em cima de Charlotte e Abaddon, Maggor corre até nós e vê o Caçador e entra em pânico. Ele nos encurrala na parede e vem na nossa direção como um psicopata, sedento pelo nosso sangue e por nossas almas. Esse é o meu fim! E quando penso que tudo está perdido ouço um ruído ao longe, e então tudo fica branco e não vejo mais nada.



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