História Céu e Terra - Capítulo 16


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Fantasia, Magia, Medieval, Romance
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Harem, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shounen, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Tranquilidade


Um pouco de luz solar entrou pela janela, atravessando a camada de neve acumulada no peitoril. Em meu transe sonolento, eu percebi que meu corpo estava muito quente, apesar do Inverno lá fora. Eu tentei me mexer para fugir daquele calor excessivo, e resmungos me despertaram completamente. Kurt e Anouk estavam me abraçando, o felino em sua linda forma humana. O rosto adormecido do loiro, a centímetros do meu, me deixou inesperadamente constrangida.

“Essa timidez é por causa de sua confissão?”

Eu desviei os olhos, hesitando por um momento, e o encarei novamente. Quando éramos crianças, abraçar e dar as mãos era algo tão puro e natural quanto respirar. Agora, dormindo juntos assim, meu coração batia forte. Parte de mim estava radiante por ter ouvido os verdadeiros sentimentos de Kurt por mim; a outra parte estava deprimida. Eu sabia quem eu queria ao meu lado, como um marido, e não era o loiro. Eu também sabia que ainda lhe devia uma resposta, e sabia claramente qual seria. Provavelmente, ele também. Eu estava triste porque nossa relação não seria a mesma depois da rejeição. Eu já tinha visto aquilo acontecer, mesmo entre nobres, e não queria que Kurt e eu tivéssemos o mesmo fim.

-Esmy, por que você está chorando de novo?

Eu arfei e cobri meu rosto. As lágrimas já estavam fluindo antes que eu pudesse perceber.

-O que foi? - Kurt murmurou, com uma voz sonolenta e gentil.

Sua mão esfregou minhas costas novamente. Minha garganta deu um nó.

-Kurt, eu posso ser um pouco egoísta?

-Do que você está falando? É claro que pode.

-Então... - eu levantei a cabeça e o encarei nos olhos, verde no azul. - Eu quero que você fique comigo para sempre, Kurt, mesmo que apenas como um amigo de infância.

O loiro me encarou de volta, suas sobrancelhas levantadas e olhos arregalados em surpresa.

-Eu entendo que isso pode ser difícil para você, Kurt, e eu também não quero te magoar, só que eu não suporto a ideia de ficar longe de você.

-Sua idiota.

Minha voz morreu com essas palavras e eu levantei meus olhos. O loiro estava sorrindo, com um brilho de felicidade que eu nunca tinha visto antes em seu rosto. Eu fiquei sem palavras, admirando aquele sorriso. Seus olhos pareceram ainda mais azuis enquanto cintilavam com lágrimas.

-Todo esse tempo, você estava preocupada com isso? - ele riu timidamente. - Como eu poderia te abandonar assim, Esmy? Você é a pessoa mais preciosa em minha vida. Eu te disse, não foi? Eu te amo.

Minhas bochechas queimaram de vergonha. Kurt deu outro risinho e me abraçou mais forte. Eu pude ouvir seu coração acelerado, batendo forte contra minha orelha.

-Eu ficaria ao seu lado mesmo se você me proibisse, então você não precisa me dar uma resposta. Entendeu?

-Sim... Eu entendi. - eu fiz uma pausa. - Kurt?

-Sim, minha Princesa? - ele brincou e eu fiz um biquinho, que logo virou um sorriso.

-Obrigada.

Kurt franziu as sobrancelhas em confusão.

-Pelo o quê?

-Por ter ficado comigo todos esses anos, por ter me apoiado nos momentos difíceis, por ser meu amigo e... - eu hesitei por um momento em embaraço e terminei: - E por me amar.

Kurt me observou, de bochechas rosadas, por um longo minuto. Então, seus lábios formaram uma meia-lua.

-Não há de quê, Esmy.

-Você sabe que eu também te amo, não sabe?

-Eu sei que é um amor de família, mas... - ele beijou minha testa. - É muito mais do que eu poderia imaginar, então estou agradecido.

Nós sorrimos um para o outro, no silêncio do quarto. Nesse momento, quebrando o clima doce, o outro rapaz que estava deitado comigo se levantou preguiçosamente. Suas bochechas estavam avermelhadas.

-Vocês já terminaram? Isso foi tão constrangedor.

-Anouk!

Eu não pretendi exclamar com uma voz tão aguda de susto, então fingi que sim. O moreno me olhou de relance, como um gato rebelde. Minhas mãos foram às orelhas no topo de sua cabeça, e ele começou a ronronar no mesmo instante, um sorriso decorando seus lábios.

-Mestra me ama também, não é?

-É claro que amo. Você é meu gatinho.

-Hehehe.

A risadinha me aqueceu por dentro. Anouk sabia ser muito adorável de vez em quando.

-Eu acho que nós deveríamos contar a Kyle e Dragon sobre seu irmão, Esmy. - disse Kurt.

Eu o observei, refleti e assenti.

-Sim, eu não quero esconder isso deles. Kurt, você pode chamá-los aqui?

-É claro.

O loiro sorriu, vestiu seu casaco e botas e saiu do quarto. Eu pousei meu olhar em Anouk, quem ainda estava em sua forma humana. Ele estava com seus olhos dourados fechados, um sorriso manhoso nos lábios, ronronando do fundo da garganta.

“Ele realmente gosta de carinho nas orelhas.”

Meus dedos desceram para seu queixo, fazendo-o levantar a cabeça e arrepiar os pelos de seu rabo. Seu corpo tremeu como se ele estivesse fraquejando, mas ainda sorria. Eu sorri também, começando a afagá-lo ainda mais. Suas reações eram tão adoráveis.

-Nyaaah~...

Finalmente, Anouk suspirou e deitou sua cabeça em meu colo, voltando a dormir. Eu acariciei seus cabelos, de modo tranquilizador. Nesse momento, Kurt abriu a porta e o trio entrou. Kyle estava desperto e atento, apesar do ruivo bocejando ao seu lado. O loiro mais velho observou a cena em que eu estava e deu um pequeno sorriso. Todos se sentaram; o ruivo ao meu lado e os loiros nas cadeiras. Assim que eu me endireitei para falar, os rapazes ficaram tensos. Eu não consegui conter uma risada.

-Relaxem. É uma boa notícia.

-Sério? - Dragon perguntou hesitantemente.

-Isso é uma raridade nessa viagem. Até agora, só encontramos problemas. - Kyle comentou, ainda sério.

-Sim, você está certo. - eu concordei. - Eu vou direto ao assunto. No dia que fomos atacados por aquele grupo com um arqueiro, eu ouvi uma voz em minha mente.

-Uma voz? - Dragon arqueou suas sobrancelhas. Eu simplesmente assenti.

-Essa voz me fez sentir nostálgica, o que significa que eu conheço essa pessoa. Entretanto, eu não conseguia me lembrar quem era. - eu fiz uma pausa, esperando que a informação fosse absorvida. - Até a noite passada. Eu tive um sonho, e nele, eu vi a identidade dessa pessoa. É meu irmão gêmeo, Jade. Ele ainda está vivo.

Eu não consegui impedir um sorriso brilhante de decorar meu rosto, apesar dos olhares chocados e incrédulos da dupla.

-Espera aí. - Dragon estendeu sua mão. - Você disse que sua família inteira foi morta.

-Eu era nova demais para suportar o trauma daquele massacre, então tentei esquecer. Agora que penso com clareza, Jade e Anouk não estavam em casa quando os soldados chegaram.

-Por isso, eles sobreviveram. - Kyle assentiu.

-Ele é seu gêmeo, certo? - Dragon me encarou com curiosidade. - Isso significa que ele é parecido com você, certo?

Eu sorri e assenti.

-Nós somos praticamente idênticos. - eu fechei meus olhos ao sentir as lembranças voltando. - Nós costumávamos brincar juntos na floresta ao redor de casa. Jade sempre foi adorado pelos animais. Cada dia era tão divertido.

Eu olhei para meu gatinho adormecido em meu colo e sorri. Felicidade e alívio estavam transbordando dentro de mim. Eu não perdi toda a minha família. Meu irmão ainda está vivo. Nós podemos nos reencontrar. Uma risadinha contida me distraiu. Eu levantei meus olhos e vi o trio de rapazes cobrindo suas bocas com as mãos.

-Qual é o problema? - eu perguntei, confusa.

Kyle se recuperou primeiro e me olhou de modo culpado.

-Perdão, Princesa.

-Eu nunca vou me esquecer disso. - Kurt comentou, com um sorriso brilhante nos lábios.

-Isso foi demais pra mim! - Dragon exclamou, se jogando na cama e escondendo o rosto.

Eu passei meus olhos por todos eles, ainda sem entender o motivo de suas ações. Os rapazes não pareciam dispostos a me explicar, então eu decidi mudar de assunto.

-De qualquer maneira, nós precisamos recuperar nossas armas para continuarmos a viagem.

Kyle assentiu e se levantou.

-Eu vou à forja para saber como estão indo.

Nesse exato momento, um belmoriano jovem bateu na porta e exclamou:

-Senhorita Filha, as espadas estão prontas!

-Ótimo timing. - Dragon comentou ao levantar. - Vamos.

-Anouk, acorde. Temos que ir.

O felino se esticou preguiçosamente e voltou a ser um gato. Nós vestimos nossos casacos, calçamos as botas e saímos da estalagem. Ainda era muito cedo e a vila dormia tranquilamente. Eu caminhei com cuidado pela estrada congelada. Havia pilhas de neve por toda parte. A brisa estava suave, mas deixou gelada a ponta de meu nariz. Dragon entrou na forja e atraiu a atenção dos três grandes ferreiros.

-Bom dia, Filha, guardiões! - um deles exclamou enquanto os outros acenavam.

-“Guardiões”...? - Kurt murmurou, trocando um olhar com seu irmão mais velho.

-Ignore. - Kyle murmurou de volta.

-Nós viemos buscar nossas armas. - eu disse, ainda na entrada.

-É claro! Aqui estão.

Os ferreiros colocaram os metais na bancada. As lâminas estavam lindas, porém, não reluziam. Principalmente as de Dragon. Suas adagas eram escuras, quase negras, e pareciam sugar a luz em vez de refleti-la. Os rapazes embainharam suas armas brancas e prenderam a seus cintos.

-Com isso, nós partimos. - Dragon declarou e saiu da forja.

-Nós agradecemos por seus serviços. - Kyle disse e, junto com Kurt, me escoltou para a estrada.

-Muito obrigado, Filha! Nós apreciamos seu presente!

Os belmorianos acenaram para nós até perdermos a vila de vista. Com Anouk enrolado em meus braços, nós caminhamos e caminhamos, parando apenas para comer e dormir. O caminho foi longo, como eu já esperava. Para evitar problemas, nós apenas entramos em vilas para comprar suprimentos. Algumas vezes, Dragon voltava com um coelho morto ou outro pequeno animal. Kurt e Kyle trabalharam juntos para derrubar um veado adulto. Não foi fácil “limpá-lo”, mas Dragon me ajudou. O rumor sobre minha existência se espalhou como fogo em palha. Mesmo as vilas mais adiante já fofocavam sobre mim e meus guardiões. Assim, os rapazes não mais me deixaram entrar nelas e pediram que eu me escondesse entre as árvores enquanto eles faziam as compras. Finalmente, quase três semanas depois, nós alcançamos a gigante capital do reino de Belmor.



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