História Céus e Mares - Capítulo 11


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Exibições 37
Palavras 3.263
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Desculpa a demora, galerinha. *heart* *heart*

Capítulo 11 - Sonhos e Lembranças


Fanfic / Fanfiction Céus e Mares - Capítulo 11 - Sonhos e Lembranças


Arco I - Para o Mundo dos Céus
Parte VI - Não há montanha alta demais. Escute essas palavras e tenha fé.

 

Leo caminhou desolado para o bosque e tentou não pensar sobre sua infância, em todas as confusões, na morte de sua mãe, as vezes que Tía Callida havia ficado para "cuidar" dele. Houve um desenho... Um desenho que Leo havia feito de um barco em chamas, com velas coloridas e fileiras de remos, uma popa curvada e um mastro impressionante. A Tía tirara o desenho dele. 

"Não é hora ainda, pequeno herói. Algum dia, você terá uma missão. Encontrará teu destino, e tua dura jornada finalmente fará sentido. Mas primeiro você deve encarar muitas dores. Eu lamento por isso, mas heróis não podem ser moldados de um jeito diferente."

Ela fora uma alegre babá psicótica. Leo entendia agora. Hera estivera espionando-o. De alguma maneira, ela soubera que viria a precisar dele. Era seu destino ir nessa missão. Ele via o que aquele barco voador nos seus sonhos significava. Ele poderia conhecer seu pai, ou até conseguiria vingar a morte de sua mãe. Mas primeiro as coisas principais: ele precisava de uma carona voadora.

Ele hesitou na entrada do bosque, olhando para a escuridão absoluta. Leo não tinha nada consigo, nenhuma espada, nenhuma lanterna, nenhuma ajuda, e aquela floresta não parecia o tipo de lugar a ser entrado a lelo. Mas essa era uma daquelas situações difíceis que ele teria que encarar duramente, ao estilo Leo.

Ele respirou profundamente e mergulhou no bosque.

Ele caminhou até ter certeza de que ninguém nos chalés poderia vê-lo. Então convocou o fogo. Chamas dançaram pela ponta dos seus dedos, trazendo luz o suficiente para ver. Não fazia aquilo desde os cinco anos, desde a morte da mãe, pois tivera muito medo de tentar qualquer coisa. Até aquela pequena chama o fazia sentir-se culpado.

Então ele ouviu o som: um bufo bem alto, como fumaça forçada para fora de um barril metálico. Seu pescoço formigou. Ele virou-se lentamente. Dois olhos vermelhos brilhantes estavam olhando para ele. A criatura brilhava na luz da lua, e Leo não podia acreditar que algo daquele tamanho havia se deslocado para perto tão rápido. Tarde demais, ele percebeu que a visão do dragão estava fixada no fogo em sua mão, e Leo extinguiu as chamas.

Ele ainda podia ver o dragão muito bem. Tinha aproximadamente dezoito metros de comprimento do focinho até a cauda, seu corpo era formado por placas de bronze interligadas. Suas garras eram do tamanho de facas de açougueiro e sua boca se abria mostrando centenas de presas de metal, parecidas com adagas afiadas. Fumaça saía de suas narinas. Era a coisa mais bonita que Leo já vira, exceto por um problema que arruinava completamente seu plano.

"Você não tem asas," Leo disse.

O rosnado do dragão morreu. Ele inclinou a cabeça como se dissesse, Por que você não está fugindo, morrendo de medo?

"Ei, sem ofensas," disse Leo. "Você é incrível! Santo Deus, quem fez você? Você é movido a força hidráulica ou energia nuclear? Mas se fosse eu, eu teria colocado asas em você. Que tipo de dragão não tem asas? Suponho que talvez você seja muito pesado para voar. Eu devia ter pensado nisso..."

O dragão bufou, mais confuso agora. Ele deu um passo para frente, e Leo gritou: "Não!" O dragão rosnou novamente. Ele abriu a boca e soprou fogo. Uma coluna de chamas brancas e quentes foi na direção de Leo, mais do que ele já tentou suportar antes. Ardeu um pouco, mas ele não se mexeu. Quando as chamas morreram, ele estava perfeitamente bem. Até suas roupas estavam em perfeito estado, o que Leo não entendeu, mas ficou grato pelo fato. Não queria ter que enfrentar o dragão pelado.

O dragão olhou para Leo. 

"Você não pode me queimar," Leo disse, tentando soar firme e calmo. "Mas eu posso te consertar, se você me deixar..."

O dragão cuspiu fogo em todas as direções, acendendo o céu e colocando árvores em chamas. Óleo e molho queimavam sobre eles. Não feriu Leo, mas deixou um sabor desagradável em sua boca.

"Dá pra parar?" ele gritou. "Ouça, cara, assim você só mostra para eles onde está. Então eles virão com ácido e cortadores de metal. É isso que você quer?"

A mandíbula do dragão emitiu um rangido, como se tentasse conversar.

"Então tá," Leo disse. "Você terá que confiar em mim."

E Leo pôs mãos à obra.

Demorou quase uma hora para encontrar o painel de controle; estava bem atrás da cabeça do dragão, o que fazia sentido. "Fique parado!" Leo resmungou.

O dragão fez outro rangido que devia ser um choro.

Leo examinou os fios dentro da cabeça do dragão. Era um sistema engenhoso e, definitivamente, fazia sentido para ele. Era o controle motor de retrotransmissão. Ele processava a entrada de dados sensorial dos olhos. Esse disco...

"Ha!" ele disse. "Bem, não me admira. Você tem um disco de controle corroído. Ele provavelmente regula teus maiores circuitos de raciocínio, certo? Cérebro enferrujado, cara. Não me admira que você esteja um pouco... confuso. Só vai levar um minuto." Leo retirou o disco, e o dragão ficou absolutamente quieto. O brilho nos seus olhos morreu. Leo escorregou das costas do dragão e começou a polir o disco. Mas ficou aflito. Alguns dos circuitos estavam além do reparo. Ele podia melhorá-los, mas não deixá-los perfeitos. Para aquilo, ele precisaria de um disco completamente novo, e não tinha ideia de como construir um.

Ele tentou trabalhar rapidamente. Quando fez o melhor que pôde, ele subiu novamente na cabeça do dragão e começou a limpar os fios e as caixas, ficando imundo no processo.

"Mãos limpas, equipamento sujo," ele murmurou, algo que sua mãe costumava dizer. Ele enfiou o disco, conectou o último fio, e faíscas voaram. O dragão estremeceu. Seus olhos começaram a brilhar. "Melhor?" Leo perguntou.

O dragão fez um barulho como uma broca em alta velocidade. Ele abriu sua boca e todos os seus dentes giraram.

"Suponho que seja um sim."

O dragão rugiu triunfante e lançou fogo aos céus.

"Sério," Leo disse, "será que dá pra não se exibir? Você precisa de um nome. Vou lhe chamar de Festus." O dragão chiou e sorriu. "Mas nós ainda temos um problema, porque você não tem asas."

Festus inclinou a cabeça e bufou fumaça. Então abaixou as costas num gesto inconfundível. Ele queria que Leo subisse.

"Para onde vamos?" Leo perguntou. Mas ele estava animado demais para uma resposta. Ele subiu nas costas do dragão, e Festus saiu correndo pelo bosque.

Eles cruzaram um córrego e foram para um beco sem saída, uma falésia de calcário de trinta metros de altura. Festus parou na base e suspendeu uma pata como um cachorro apontando.

"O que é isso?" Leo deslizou para o chão. Ele andou até a falésia, mas não havia nada a não ser rocha sólida. O dragão continuou apontando. "Não vai sair do caminho só porque você quer," Leo lhe disse.

O fio solto no pescoço do dragão faiscou, mas ele ficou parado. Leo colocou a mão na falésia. Subitamente seus dedos arderam. Linhas de fogo propagaram-se da ponta deles formando uma porta vermelha brilhante cinco vezes mais alta que Leo. Ele recuou e a porta se abriu sem fazer som algum.

"Perfeitamente balanceada," ele murmurou. "Essa é uma engenharia de primeira classe."

O dragão descongelou e marchou para frente, como se estivesse voltando para casa.

Leo o seguiu. "Festus," ele murmurou. "O que é esse lugar?"

A caverna tinha mesas de trabalho por todos os lados e cofres de armazenamento, fileiras de portas do tamanho de garagens ao longo de cada parede, e escadarias que levavam para uma rede de passarelas altas acima. Equipamentos estavam em todo o lugar. Quadros de aviso estavam cobertos com diagramas esfarrapados e desbotados. E armas, armaduras, escudos; suprimentos de guerra em todos os lugares, vários inacabados.

"Os outros sabem...?" A pergunta ficou pela metade. Claramente, esse lugar esteve abandonado por décadas. Leo olhou para um mapa na parede: um mapa de batalha do acampamento, mas o papel estava tão rasgado e amarelo como casca de cebola. Num canto, havia uma data: 1864. "Sem chance," ele murmurou.

Então ele localizou um diagrama num quadro de avisos próximo, e seu coração quase saltou da garganta. Ele correu para a mesa de trabalho e viu um desenho que mal podia ser reconhecido: um barco grego, de vários ângulos diferentes. Palavras fracamente rabiscadas na parte de baixo diziam: PROFECIA? IMPRECISO. VOA?

Era o mesmo barco que ele viu nos seus sonhos, o seu barco voador. Alguém tentara construí-lo aqui, ou pelo menos esboçara a ideia. Então ela foi deixada, esquecida... uma profecia ainda a vir. 

A mente de Leo girou com várias outras perguntas que ele guardou para outro dia. 

Festus bufou como se estivesse tentando conseguir a atenção de Leo, fazendo-lhe lembrar de que eles não tinham a noite toda. Festus apontou para algo à sua frente: um cinto de ferramentas de couro que foi deixado ao lado do seu bloco de construção. Então o dragão ligou os feixes brilhantes dos olhos e virou-os em direção ao teto. Leo olhou para onde as luzes estavam apontando, e engoliu em seco quando reconheceu as formas penduradas sobre eles na escuridão.

"Festus," ele disse numa voz baixa. "Temos muito trabalho a fazer."

ϟ

Estava sempre trovejando no chalé 1; o teto abobadado estava decorado com um mosaico azul e branco como um céu nublado. No centro do quarto, havia uma estátua colorida de seis metros de altura de Zeus com um relâmpago erguido, pronto para atingir alguém.

Lena estudou a estátua, procurando algo que tivesse em comum com o Senhor do Céu. Cabelo escuro? Não. Expressão zangada? Bem, talvez. Barba? Não, obrigada. 

Lena se levantou e esfregou o pescoço. Seu corpo inteiro estava dolorido por causa da noite mal dormida e dos trovões ininterruptos. Aquele pequeno truque na noite passada não fora tão fácil quanto ela fizera parecer. Quase havia lhe feito desmaiar.

Ela trocou de roupa sentindo-se extremamente culpada, como se fosse errado para ela vestir aquela camiseta laranja (a roxa lhe servia muito melhor), mas Lena precisava desesperadamente vestir algo limpo. Ela checou seu reflexo no escudo de Zeus. Definitivamente não estava tão bem quanto Piper estivera na noite anterior. Não que ela precisasse... Já era linda mesmo sem nada daquilo. 

Lena sentia-se mal por ela. Todos tinham começado a bajulá-la, lhe dizendo como ela era incrível e como era óbvio que ela deveria ir a missão, mas aquela atenção não tinha nada a ver com ela. E quando Lena invocou o raio, todos também olharam pra ela como se fosse de repente especial, mas não tinha nada a ver com quem ela era. 

Depois da fogueira, quando as pessoas começaram a voltar aos seus chalés, Lena foi até Piper e formalmente lhe pediu para ir com ela na missão. Ela ainda estava em estado de choque, mas assentiu, esfregando os braços, que deviam estar com frio naquele vestido sem mangas.

"Afrodite pegou meu casaco," ela murmurou. "Fui roubada pela minha própria mãe."

"Vamos te arranjar um casaco novo," Lena prometeu.

Piper abriu um sorriso. Lena queria abraçá-la, mas conteve-se. Estava feliz que Piper ia na missão com ela, mas não queria lhe dar a impressão errada. Tentara agir corajosamente na fogueira, mas era só isso: um fingimento. Precisaria de ajuda, e achou certo ter Piper ao seu lado.

Lena suspirou. Então localizou algo: um braseiro fora movido de seu lugar, criando um novo nicho, com um saco de dormir, uma mochila e até algumas fotos coladas na parede. Lena se aproximou. Quem quer que tivesse dormido ali, se fora há um longo tempo atrás. 

Uma foto mostrava Anthony, muito mais novo, talvez com nove anos de idade, mas Lena podia reconhecê-lo: o mesmo cabelo cor de areia e os olhos cinzentos, o mesmo olhar distraído como se estivesse pensando em milhões de coisas de uma vez. Ele estava junto de outro menino com cabelos claros com um sorriso maroto e olhos azuis. Uma segunda foto mostrava Anthony e o outro menino sentados na fogueira, rindo histericamente.

Finalmente Lena levantou uma foto que tinha caído. Era uma sequência de fotos: Anthony e o outro menino, mas com outra garota entre eles. Ela tinha cabelos pretos e grandes olhos azuis, e usava uma jaqueta preta de couro. Parecia meio gótica, mas sorria como se estivesse com as pessoas mais importantes de sua vida.

"Essa é a Thalia," alguém disse. 

Lena se virou. 

Anthony estava olhando por cima do seu ombro. Sua expressão era triste, como se a foto lhe trouxesse de volta memórias difíceis. "Ela é a outra filha de Zeus que viveu aqui. Desculpe, eu devia ter batido."

"Está tudo bem," Lena disse. "Não é como se eu pensasse nesse lugar como minha casa."

Anthony estava vestido para uma jornada, com sua faca no cinto e uma mochila nos ombros.

"Não diga que mudou de ideia sobre vir conosco?"

Ele balançou a cabeça. "Você já tem uma boa equipe. Estou indo atrás de Andy."

Lena ficou um pouco desapontada. Ela apreciaria ter alguém na viagem que soubesse o que estava fazendo.

"Ei, vocês vão ficar bem," ele prometeu. "Algo me diz que essa não é a tua primeira missão."

Lena teve uma vaga suspeita de que ele estava certo, mas aquilo não a fazia sentir-se melhor. Todos pareciam achar que ela era tão corajosa e confiante, mas eles não viam como ela estava perdida. Ela olhou para as fotos de Anthony sorrindo e imaginou a quanto tempo ele não sorria. Ele devia gostar mesmo de Andy Jackson para procurá-la tanto, e aquilo deu uma pontada de inveja em Lena. Alguém estaria procurando por ela nesse exato momento? 

"Você sabe quem eu sou," ela supôs. "Não sabe?"

Anthony apertou o punho de sua faca. "Honestamente, Lena... não. Minha melhor suposição, você é uma nômade. Acontece às vezes. Por um motivo ou outro, o acampamento nunca te encontrou, mas você sobreviveu mudando constantemente de lugar. Treinou sozinha para lutar. Encarou os monstros sozinha. Você passou pelos desafios."

"A primeira coisa que Quíron me disse foi," ela lembrou, "foi que devia estar morta."

"Pode ser por isso," Anthony disse. "A maioria dos semideuses nunca conseguiriam por si próprios. E uma filha de Zeus... quer dizer, não há nada mais perigoso que isso. As chances de você chegar a adolescência sem encontrar o Acampamento Meio-Sangue ou morrer são mínimas. Mas como eu disse, acontece. Thalia fugiu quando era jovem. Ela sobreviveu sozinha por um tempo. Até cuidou de mim e de Luke. Então talvez você seja como ela."

Lena mostrou o braço. "E essas marcas?"

Anthony olhou para as tatuagens. Claramente, elas o incomodavam. "Bem, a águia é o símbolo do Zeus, então faz sentido. As doze linhas... talvez contem os anos, como se você marcasse o tempo que ficou sozinha? SPQR... é o lema do Império Romano: Senatus Populusque Romanus, o Senado e o Povo de Roma. Agora, por que você iria queimar isso no teu próprio braco, eu não sei."

"Eu, hã... tive um sonho estranho na noite passada," ela admitiu. 

Anthony não se surpreendeu. "Acontece com todos nós. O que você viu?"

"Eu estava numa floresta," ela lembrou. "Havia lobos na minha volta. Eu não sei porquê, mas tudo me pareceu familiar. Um dos lobos, como se lendo a minha mente, disse, Você começou tua jornada aqui como um filhote. Agora precisa encontrar o caminho de volta. Uma nova missão. Um novo começo. Então Hera apareceu e... A loba disse... Ela disse: A inimiga escolheu esse lugar para acordar seu filho mais poderoso, o rei gigante. É o nosso lugar sagrado, onde semideuses são reclamados... um lugar de vida ou morte. A casa queimada. A casa do lobo. É uma abominação. Você deve pará-la. Use teus sentidos, filhote. Você conhece esse lugar. Você pode encontrá-lo novamente. Limpe nossa casa. Acabe com tudo isso antes que seja tarde demais. Você é nossa graça salvadora, como sempre. Não falhe, filha de Júpiter."

Anthony começou a ir de um lado pro outro. "Você não lembra onde fica essa casa?"

Lena sacudiu a cabeça. "Mas tenho certeza de que estive lá antes."

"E a loba..."

"Chamou a inimiga de ela. Eu pensei que talvez fosse Hera, mas..."

"Eu não confio em Hera, mas não acho que ela seja a inimiga." A expressão dele escureceu. "Quem quer que seja... O que quer que seja... Você tem que detê-la."

"Você sabe o que é, não sabe? Ou pelo menos, você acha que sabe. Eu vi teu rosto ontem na fogueira. Você olhou para Quíron como se estivesse ficando claro para você, mas você não queria nos assustar."

Anthony hesitou. "Lena, as profecias... quanto mais sabemos, mais tentamos mudá-las, e isso pode ser desastroso. Quíron acredita que é melhor que vocês encontrem o próprio caminho, descobrir as coisas no tempo certo. Se ele me contasse tudo o que sabia antes da minha primeira missão com Andy... eu tenho que admitir, não tenho certeza se poderia seguir adiante. Para a tua missão, isso é ainda mais importante."

"Ruim então?"

"Não se você conseguir. Pelo menos... eu espero que não."

"Mas eu nem sei por onde começar. Onde eu devia ir?"

"Siga os monstros," ele sugeriu.

Lena pensou sobre isso. "Tá bem. Como eu encontro os espíritos da tempestade?"

"Pessoalmente, eu perguntaria a um deus dos ventos. Éolo é o mestre de todos os ventos, mas ele é um pouco... imprevisível. Ninguém o encontra a menos que ele queira ser encontrado. Eu tentaria um dos quatro deuses dos ventos sazonais que trabalham para Éolo. O mais próximo, o que mais lida com heróis, é Bóreas, o Vento do Norte. Ele não é difícil de encontrar. Se instalou na América do Norte como todos os outros deuses. Então naturalmente estabeleceu-se no ponto ao norte mais antigo, o mais ao norte possível."

"Maine?"

"Mais ao norte."

Lena tentou visualizar um mapa. "Canadá?"

Anthony sorriu. "Espero que você fale francês."

Lena sentiu uma fagulha de animação. Quebec; pelo menos agora tinha um objetivo. "Obrigada, Anthony." Ela olhou para as fotos ainda em sua mão. "Então, hã... você disse que era perigoso ser uma filha de Zeus. O que foi que aconteceu com Thalia?"

"Ah, ela está bem," ele garantiu. "Se tornou uma Caçadora de Ártemis, uma das ajudantes da deusa. Elas percorrem o país matando monstros. Não a vemos no acampamento frequentemente."

Lena olhou para a grande estátua de Zeus. Entendeu porque Thalia dormia na alcova. Era o único lugar no chalé fora da linha de visão da estátua. Lena sentia uma estranha sensação de conexão a essa outra filha de Zeus. Achou que a foto era importante. Estava esquecendo-se de algo. "Qual o sobrenome dela?"

"Ela não usava muito o sobrenome. Não conviveu muito com a mãe. Fugiu quando era muito nova." Lena esperou. "Grace," ele falou. "Thalia Grace." 

Os dedos de Lena tremeram. A foto caiu no chão.

"Você está bem?" Anthony perguntou.

A memória meio gradativamente; talvez um pequeno pedaço que Hera esquecera-se de roubar. 

Você é nossa graça salvadora, a loba dissera. Graça. Grace.

"Meu sobrenome é Grace," Lena disse. "Essa é minha irmã."

Anthony ficou pálido. Lena pode vê-lo lutando com uma explosão de preocupação e descrença. Ele não acreditou nela.

Então as portas do chalé se abriram. Meia dúzia de campistas entraram liderados pelo cara careca de Íris, Butch. "Depressa!" ele disse, e Lena não soube dizer se sua expressão era de animação ou medo. "O dragão voltou."



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