História Chains - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 224
Palavras 4.767
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Orange, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi pessoas ( ou unicórnios )

Essa é minha primeira one, então sim, eu estou bastante nervosa em relação a postar. Espero de coração que vocês gostem :)

A inspiração veio das músicas: Chains - Nick Jonas, No Pressure - Justin Bieber

Se vocês quiserem podem ouvir as músicas durante a leitura, garanto que vai ser interessante :3

Boa leitura e desculpem os erros :3

Capítulo 1 - Capítulo único


Narradora on:

O relógio marcava exatas seis e vinte cinco da manhã, era domingo e sendo assim Bruna tinha planos incríveis para o dia que envolvia: cama, celular, netflix e muita comida industrializada.

Mas todos os seus planos foram por água abaixo quando a garota que dormia profundamente foi acordada pelo barulho alto de sua campanhia.

Em outra situação Bruna iria virar para o lado e fingir que não estava escutando nada. Mas aquela não era situação para isso. A pessoa que apertava sua campanhia só poderia está tendo um ataque do coração pelo jeito frenético que apertava o pequeno o botão. Sendo assim a pessoa não apertou uma vez, e sim, vinte vezes ou mais.

Bruna levantou cuspindo fogo e quase pisou na sua amada gatinha Felícia por conta da pressa.

A garota abriu a porta sem se importar com suas vestimentas, que era apenas uma calcinha branca e uma camiseta com estampa de arco íris, e quase  socou até a morte a pessoa que se encontrava no outro lado.

Déborah a olhava com aquela típica expressão cachorrinho sem dono.

Déborah se encontrava com seus olhos inchados e rosto extremamente vermelho, Bruna tinha certeza que ela estava chorando, sem contar que a garota fedia a cigarro de longe.

- como subiu? - foi a primeira pergunta que Bruna fez para a garota mais velha, a primeira de muitas aquela manhã.

- você sabe que o porteiro acha que nos pegamos. - e não era mentira. Déborah vivia tanto na casa de Bruna que todos do prédio poderiam apostar um dedo que tinha algo a mais ali.

Bruna pareceu analisar o rosto de Déborah nos mínimos detalhes, não que ela estava duvidando do que a mais velha tinha acabado de lhe dizer, apenas tentava descobrir sozinha oque faria a garota bater em sua porta tão cedo em um domingo naquele estado. Até que o óbvio veio em sua mente, mas é claro! Era o mesmo motivo de sempre.

- Camila. - aquilo não foi uma pergunta e as duas sabiam disso.

Após ter certeza que o assunto era mesmo Camila por conta da expressão amargurada que a outra fez, Bruna a deixou passar.

- eu não aguento mais. - Déborah disse após Bruna fechar a porta e lhe encarar.

A expressão da mais velha era triste. Parecia uma perfeita morta viva e Bruna teve uma única certeza diante daquela situação toda. Déborah estava morta por dentro e há um bom tempo.

- oque você não aguenta mais? - Bruna perguntou já sabendo a resposta, mas era sempre assim quando o assunto era Camila, Bruna sempre sabia a resposta mas queria que Déborah lhe dissesse. Não para ter certeza pois isso ela já tinha, mas sim porque Bruna queria ver se sua amiga era capaz de falar sobre um assunto que a própria Déborah sempre achou uma tremenda idiotice. Sentimentos.

- não aguento mais ficar sem ela, não aguento mais esse aperto no peito, não aguento mais essa falta que ela me faz. Eu me sinto incompleta! Eu preciso dela! - Déborah disse desesperada e Bruna assistiu tudo com a sua melhor expressão de calmaria.

Bruna queria esfregar na cara de Déborah o quanto ela era idiota por ter deixado Camila ir. Bruna queria se gabar e dizer "eu avisei" para Déborah, mas, ela sabia que aquele não era o momento.

- e por que só agora você está admitindo isso? - Bruna não resistiu e acabou perguntando, afinal, já fazia cinco meses que Déborah e Camila tinham terminado. Cinco meses que Bruna escutou os lamentos de ambas e mesmo sendo melhor amiga de Déborah deu total razão a Camila, até porque Déborah poderia ser sua amiga mas Bruna não iria mudar a sua conclusão sobre a garota. Déborah era uma idiota.

- ontem eu sai com outra garota. - Déborah falou baixo já temendo a reação da amiga.

- CARALHO! - Bruna não conseguiu controlar sua raiva e gritou mesmo sem perceber - JÁ É A TERCEIRA ESSA SEMANA DÉBORAH! MAS QUE MERDA! VOCÊ NÃO CONSEGUE CONTROLAR ESSA VAGINA? VOCÊ NÃO É MAIS UMA ADOLESCENTE EXPLODINDO DE HORMÔNIOS! NÃO PODE SAIR BRINCANDO COM OS SENTIMENTOS DE UMA OUTRA GAROTA ASSIM! VOCÊ NÃO PODE...

- EU NÃO CONSEGUI GOZAR! FAZ CINCO MESES QUE EU NÃO CONSIGO! EU ESTOU FRUSTRADA SEXUALMENTE!

Ela admitiu. Déborah guardava aquilo para sí mesma a meses, Déborah se sentia frágil demais para dizer isso a alguém, afinal, cinco meses sem sentir o prazer de um orgasmo para uma mulher que sempre teve uma vida sexual muito agitada soava no mínino estranho.

Enquanto isso Bruna ficou sem reação. Bruna sabia que a vida sentimental de Déborah estava dependendo de Camila, sabia que a vida psicológica também, mas não sabia que a vida sexual também estava dependendo tanto da outra garota.

Aquilo era um caso no mínino interessante para ser estudado, principalmente por Bruna que estava no último período da faculdade de psicologia. Mesmo ainda não exercendo a profissão de psicóloga Bruna tinha uma certeza, estava pra nascer alguém que fosse tão dependente de alguém como Déborah era de Camila.

- como assim não consegue atingir o orgasmo? - Bruna perguntou ainda analisando a situação.

- eu não consigo. Eu até consigo atingir o prazer mas aí a imagem de Camila chorando vem na minha cabeça e acaba. Tudo acaba.

Aquilo realmente não era mentira. O término das duas foi a cena mais perturbadora que Bruna já presenciou. Déborah em prantos com um buquê de rosas em mãos prometendo que iria mudar, prometendo que iria fazer aquilo dar certo e Camila também em prantos tentando afastar a garota que se encontrava abraçada de um modo um tanto quanto desesperador nela.

Foi de partir o coração.

- isso só prova que você a ama. - Bruna até tentou formular uma frase cuidadosamente para dizer a amiga mas ela tinha que dizer acima de tudo o óbvio. Déborah amava Camila. Camila talvez ainda amasse Déborah.

- mas eu nunca disse que não a amava. - Déborah disse baixo mas alto o suficiente para que Bruna escutasse.

- mas você também nunca disse que a amava. - Bruna rebateu e Déborah sentiu cada palavra como uma facada.

Déborah nunca disse um "eu te amo" para ninguém e principalmente para Camila. Ao contrário da garota que dizia todo santo dia para Déborah aquelas três lindas palavras.

Mas enganase quem pensa que Déborah não amava Camila. Ela amava aquela garota mais do que a sí mesma. Ela amava o jeito que Camila sorria, amava o jeito doce da garota, amava como Camila fazia sempre o possível e o impossível para ajudar os outros.

Se fosse fazer uma lista das coisas que Déborah amava em Camila iria ser coisa de horas e mais horas escrevendo. Mas ainda sim iria valer a pena.

- eu preciso dela. Eu vou atrás dela.

- não! Você sabe que não pode fazer isso. - Bruna disse convicta.

As duas sabiam que Déborah não podia fazer aquilo. As duas sempre souberam. No início era por Camila está muito estressada e de cabeça quente, depois foi por Déborah está com medo e ser fraca ao ponto de não conseguir ir atrás da amada, e por último mais não menos importante, Camila estava comprometida. Um carinha legal da faculdade que ela tinha começado a namorar dois meses depois do término com Déborah.

- não importa o que eu posso, eu preciso! - Déborah disse tentando passar por Bruna que tinha seu corpo em frente a porta.

- você está sendo uma tremenda egoísta! - Bruna disse com seu sangue já começando a ferver.

Mas Bruna estava errada, Déborah não estava sendo egoísta, Déborah era egoísta.

- FODA-SE! Eu preciso dela! - Déborah disse tentando empurrar a garota a sua frente.

Em um momento de irritação de ambas as partes Bruna sentiu sua mão arder e Déborah sentiu a mesma ardência em seu rosto.

Um tapa foi desferido na face de Déborah.

Um tapa forte e certeiro que fez a face da garota virar para o lado direito.

- VOCÊ É UMA COMPLETA BABACA! - Bruna começou a gritar pouco se importando se sua amiga, que era mais forte por conta que praticava box, iria devolver o tapa - VOCÊ SEMPRE FOI! VOCÊ FOI UMA BABACA COM TODAS AS GAROTAS QUE JÁ NAMOROU, FICOU, TRANSOU OU SEJA LÁ COMO VOCÊ CHAMA ESSES SEUS CASINHOS! VOCÊ FOI UMA BABACA COM ELA, E CÁ ENTRE NÓS, SE EU FOSSE CAMILA NUNCA MAIS IRIA QUERER OLHAR NESSA SUA CARA!

- VOCÊ ACHA QUE É FÁCIL? EU SEI QUE SOU UMA BABACA, SEI QUE SÓ FAÇO MAL AS PESSOAS. EU SEI DE TUDO ISSO NÃO PRECISA ESFREGAR ISSO NA MINHA CARA!

Vendo a garota ali em sua frente Bruna se perguntou o porquê de ainda olhar na cara de Déborah. Ela era uma idiota, era o tipo de pessoa que Bruna sempre detestou e evitou, bom, até conhecer Déborah e acabar mudando esse seu conceito.

Déborah ensinou a Bruna que não existia pessoas ruins e pessoas boas nesse mundo. Um demônio tem o seu lado anjo e um anjo tem o seu lado demônio. Bruna conseguia ver o lado anjo do demônio interior de Déborah e era exatamente isso que fazia a amizade delas crescer a cada dia.

Bruna despertou de seus pensamentos quando ouviu os soluços de Déborah. A garota estava chorando, não, A garota estava em prantos.

- para de chorar Déborah. - Bruna disse em um murmúrio de voz, mas não foi o suficiente. - Déborah para de chorar. - Bruna disse pela segunda vez vendo a garota em sua frente chorar de um jeito de Bruna nunca tinha visto antes. - DÉBORAH PARA! - Bruna gritou. Não aguentava mais aquela situação. Se sentia péssima por fazer Déborah, a garota superior a todos, chorar.

E Déborah parou. Parou e encarou Bruna ainda com os olhos marejados e vermelhos.

- eu vou atrás dela. - Déborah repetiu novamente. - não vai ser você nem ninguém que vai me impedir de tentar.

- tentar? - Bruna perguntou sorrindo ironicamente - tentar oque Déborah? Voltar para depois fazer tudo novamente? Como sempre?

Como sempre. Sempre foi assim e Bruna sabia bem disso, ela acompanhou o passo a passo do relacionamento de Déborah e Camila, ela viu a sua amiga machucar Camila tantas vezes que ela acabou de machucando aos poucos vendo a dor ali causada.

- não! Não vai ser como sempre. Mas quer saber? Eu pensei que iria ter seu apoio, mas já que você não vai me ajudar até mais. - Déborah disse por fim e saiu do apartamento de Bruna.

Bruna pensou em deixar Déborah ir. Bruna pensou em deixar a amiga quebrar a cara sozinha. Bruna pensou...

                         ~~~

- agora é só virar a esquerda. - Déborah disse enquanto Bruna dirigia sua moto.

Bruna até pensou em deixar Déborah ir, mas no segundo seguinte ela mudou de idéia, pegou as chaves da sua moto e correu atrás de Déborah.

Déborah até resistiu por um tempo em não ir com a outra garota de moto, ela odiava a moto de Bruna, era toda rosa com desenhos de arco íris, Déborah achava a moto tão gay que não tinha estômago para andar nela.

Mas ela teve. Ele teve que ter.

Acabou que foi bem mais rápido a chegada na casa de Camila.

Bruna estacionou no outro lado da rua e Déborah desceu:

- você não vem? - Déborah perguntou receosa, era óbvio que ela estava morrendo de medo.

- essa missão é sua, não minha. - Bruna disse sorrindo tentando aliviar a tensão de sua amiga.

Déborah entendeu o recado e se virou olhando em direção a casa.

A casa era linda, branca com um jardim lindíssimo na entrada, um gramado verdinho que o ex sogro de Déborah sempre fez questão de cuidar.

Déborah se permitiu sorrir ao lembrar das inúmeras vezes que ela pulou a janela do quarto de Camila, das inúmeras vezes que elas transaram mas Déborah não pôde ficar para o café da manhã pois seus sogros não sabiam que Camila não era mais virgem.

A primeira vez de Camila foi com Déborah, e céus, foi lindo. Déborah foi delicada e pela primeira vez na vida se permitiu não fazer sexo, e sim, amor.

Déborah se aproximou da casa e percebeu uma movimentação estranha. Uma festa acontecia no jardim da casa. Tinha mesas pelo jardim e cadeiras aonde algumas pessoas conversavam, parecia ser algo bem casual, no meio das pessoas a atenção de Déborah se focou em um só ser. Camila estava linda com um vestido florido, cabelos amarrados em um perfeito coque, sem maquiagem deixando sua beleza natural a mostra. Estava perfeita.

Déborah se perguntou se tinha se esquecido do aniversário de Camila, mas não, ela nunca iria esquecer aquela data. Deveria então ser aniversário de algum amigo de Camila.

Déborah se aproximou da pequena cerca e teve uma visão melhor da tal festa e chegou na conclusão que não conhecia ninguém.

Déborah pensou em voltar outra hora, pensou em ir e fingir que não tinha chegado tão perto, mas, lembrou que provavelmente não teria outra crise de coragem para ir atrás de Camila. Então ela entrou e a atenção de Camila nela se focou.

Camila estava mais do que surpresa por ver Déborah ali após tanto tempo. Cinco meses. Cinco meses com ela sentindo falta da garota o tempo todo. Cinco meses com ela tentando ser feliz novamente com seu novo namorado, mas quem Camila queria enganar? Antony não chegava aos pés de Déborah, dentro e fora das quatro paredes.

Camila sabia que essa hora chegaria, sabia que iria ter que olhar nos olhos de Déborah novamente algum dia, ela só não sabia que iria doer tanto. Ela não sabia que ainda estava tão frágil diante de Déborah. Ela se sentiu acorrentada a Déborah, acorrentada naquele amor que a machucou tanto, mas também a fez mais feliz do que nunca.

Mas como reagir diante daquela situação?

Camila já estava conseguindo controlar a sua dor, Camila já estava se convencendo que talvez Antony pudesse sim chegar aos pés de Déborah, Camila já estava aceitando o fato de que Déborah não iria voltar para ela, mas ali estava Déborah, e com ela, as malditas dúvidas que a tempos não rondava mais a cabeça de Camila.

Ali vendo Déborah parada com a maior cara de idiota na sua frente Camila teve vontade de voar no pescoço da garota. Camila queria espancar Déborah até a garota perder os sentidos, queria fazer doer do mesmo jeito que tinha doído quando ela a machucou.

Mesmo que Camila que tenha terminado tudo ela sentia sim uma imensa saudade de Déborah, quem ela queria enganar? Ela amava Déborah.

Mas Déborah a machucou.

Camila perdeu as contas de quantas vezes Déborah a fez chorar. Perdeu as contas de quantas vezes se pegou em prantos por conta de que a outra maldita garota estava fodendo com a própria vida e Camila não podia fazer nada.

Camila se sentia inútil ao ver Déborah bebendo, fumando, usando, injetando.

Mas oque ela poderia fazer? A garota não mudava.

E ela cansou. Não é isso que as pessoas fazem? Elas acabam cansando de tudo que não lhes agrada.

Camila olhou em volta para se certificar de que ninguém tinha percebido a chegada de Déborah e então saiu de perto de seus amigos com uma desculpa qualquer sobre pegar mais bebida.

A cada centímetro que era quebrado entre elas ambas soavam e tremiam muito.

Déborah ensaiava como iria pedir perdão a garota. Camila ensaiava como iria mandar Déborah embora.

Camila já estava até com o palavrão na ponta da lingua para xingar Déborah e a mandar embora. Foi aí que ela olhou em direção ao portão e seu pai se encontrava andando em direção as duas garotas.

Merda!

Ele iria a encher de perguntas se visse Déborah ali. Isso se não enchesse a cara de Déborah de socos, digamos que ele não ficou muito feliz por saber que a garota tirou a inocência da sua amada filhinha.

Camila então em um instinto de preservar a própria vida, e talvez também a de Déborah, segurou fortemente no braço de Déborah e saiu arrastando a garota para dentro de sua casa.

- vem comigo. - a voz de Camila soou mais como um rosnado e Déborah percebeu o quão irritada a garota estava.

As garotas entraram na casa despercebidas pelo resto do pessoal. Déborah percebeu que a casa estava cheia de bolas azuis pelas paredes. Realmente era uma festa.

Camila não falou nada no percurso até as escadas. Déborah permitiu sorrir novamente após lembrar de uma vez que quase morreu rolando escada abaixo após seu ex sogro a pegar agarrando Camila no quarto da mesma.

Na hora não foi nada engraçado, mas Déborah ainda sim adorou recordar aquele momento. Ah se ela pudesse voltar no tempo...

Déborah parou em frente à uma porta branca com detalhes em azul claro. Era o quarto de Camila e ela não esperava que um dia voltaria ali.

As garotas entraram no quarto com Camila praticamente empurrando Déborah para dentro, ela estava explodindo de raiva.

- oque faz aqui? - Camila perguntou tentando ao máximo não gritar.

Então Déborah engoliu em seco. Ela sabia que não iria ser recebida com rosas nem sorrisos, mas entre ela pensar e viver tinha uma diferença enorme.

- eu vim falar com você. - então Déborah falou o óbvio, mas Camila queria detalhes.

- bom isso é meio óbvio, quero saber exatamente oque quer aqui.

Então Déborah engoliu em seco novamente. Ela não tinha preparado nenhum texto ou fala bonitinha. Ela só precisava de Camila e foi até Camila.

- eu te amo. - Déborah falou olhando nos olhos de Camila, ela tinha falado, oh céus ela finalmente tinha falado.

Se Camila dissesse que aquilo não tinha a abalado nem um pouco ela estaria mentindo. Aquilo abalou toda sua estrutura e acendeu uma chama que Camila nem sabia mais que ainda existia dentro de sí.

Camila ficou sem reação. Ela esperou pacientemente o dia que Déborah iria lhe dizer o tão sonhado "eu te amo", o problema era que de uns tempos pra cá, dois meses para ser mais exata, ela tinha cansado de esperar.

Camila tentou a todo custo segurar as lágrimas, mas não deu muito certo, logo a garota já chorava. Chorava pelo tempo que perdeu ao lado de Déborah, chorava pelo futuro que ela planejou ao lado da garota mas que foi jogado ao lixo, chorava por ainda amar Déborah, céus, ela odiava amar Déborah.

- você ainda me ama? - Déborah perguntou ao ver Camila chorar por tanto tempo, ela não aguentou, a resposta poderia machucar mas ela tinha que perguntar, ela não iria aguentar morrer com essa dúvida.

- você sabe que eu estou comprometida...

- isso não responde a minha pergunta.

- por favor, vá embora...

- só responda, Camila, só responda.

- o Antony é um cara legal...

- pare de fugir! Responda!

Ela não respondeu, o silêncio reinou. Déborah vendo que a garota a sua frente não iria responder tentou então ler seus olhos. Eles nunca mentiram para Déborah. Mas nem eles ela conseguiu ler, talvez ela tenha perdido a prática após meses sem olha-lós

Então Déborah decidiu ler o corpo de Camila, aquele corpo que Déborah não tocava a meses.

E ela começou a se aproximar, se aproximar demais, e Camila sentiu na pele o poder daquela aproximação.

- Déborah... - a voz de Camila saiu como um fio de voz, ela queria que Déborah parasse, mas ao mesmo tempo queria que a garota continuasse, confuso eu sei.

Déborah não deu ouvidos e continuou a se aproximar, a cada passo que Déborah dava para frente, Camila dava dois para trás.

Camila queria agarrar Déborah. Queria que Déborah a fizesse sua ali, naquele instante. Mas o lado racional de Camila falava mais alto, mas ao mesmo tempo Camila parecia está ficando surda.

Até que Camila sente suas costas se chocando contra a parede.

Ela não tinha mais para onde ir, ela não tinha mais para onde fugir.

Já Déborah se sentia egoísta. Ela não tinha o mísero direito de ir até a casa de Camila e a colocar contra a parede daquela maneira, mas algo falava mais alto, algo mais forte do que o sentimento de culpa que ela sentia por ter destruído a relação das duas, pois sim, Déborah sabia que ela que tinha destruído a relação das duas, algo mais forte do que o sentimento de egoísmo que ela estava sentindo por estar tão perto de beijar uma boca que não era mais sua, mas pensando bem, Camila inteira já não era mais sua.

Mas ninguém queria pensar naquilo naquele momento.

Ninguém queria atrapalhar as duas amantes que estavam a centímetros dos lábios uma da outra.

Ninguém...

- amor, você está aí? - uma voz... masculina?

Era Antony. Céus Camila afastou Déborah com um empurrão um tanto quanto exagerado.

- estou sim amor. - Camila responde e Déborah solta faíscas. Ela não pode chamar ninguém de amor a não ser ela, será que Camila não entende isso?

- posso entrar?

- é... - Camila olha para Déborah que ainda não está conseguindo processar a informação - c-claro.

Então o homem entra. É um loiro de olhos castanhos, aparenta ter a mesma idade de Camila e usa um chapéu de cone, que de acordo com Déborah é ridículo, de aniversário.

- amor sua mãe está lhe chamando lá embaixo, vamos cortar o bolo. - o loiro fala tocando o rosto de Camila.

Déborah se pergunta como ele pode tocar no rosto da sua Camila, como ele pode chamar a sua Camila de amor.

- quem é essa? - Antony pergunta agora encarando Déborah, céus, Déborah queria mata-ló. Déborah imaginou mil maneiras de fazer isso naquele exato momento.

- e-ela é uma amiga d-do colegial. - Camila gagueja mais do que deveria mas Antony não percebe.

Pra falar a verdade Antony não tinha percebido nada.

Antony não tinha percebido que a sua namorada não o beijava com o mesmo carinho que ele, Antony não tinha percebido que ela sempre ficava estranha quando os pais falavam de uma tal de Déborah e ele nem sequer tinha percebido que sua namorada fingia orgasmos sempre que eles iam para a cama.

Na visão de Déborah aquilo já era o suficiente para classificar o rapaz como um idiota.

- oh prazer, meu nome é Antony. - o loiro disse sorridente.

- oh prazer, meu nome é Déborah, sou ex da sua namorada e estava quase a agarrando antes de você chegar. - Déborah até pensou, mas murmurrou um "prazer" e apertou educadamente a mão do rapaz.

- bom amor, acho melhor descer, na hora de cortar o bolo quero você ao meu lado. - Antony disse rapidamente e saiu do quarto.

- bolo? - agora foi a vez de Déborah perguntar curiosa.

- s-sim, é o aniversário dele...

Aquele definitivamente não era o dia de sorte de Déborah.

- vai embora, por favor. - Camila pediu já com sua voz falhando, ela estava prestes a chorar.

- eu não posso. você não entende? Eu não posso viver sem você. Mande esse idiota embora e vamos voltar da onde paramos, eu suplíco.

- não Déborah. Eu não posso. Não posso fazer isso com Antony e muito menos comigo mesma. Nossa relação nunca foi saudável, por que seria agora?

- porque agora eu vou me esforçar, nós vamos.

- não! Acabou! Só aceite por favor.

- você me ama? - Déborah voltou a perguntar agora com os olhos marejados. Ela precisava daquela resposta.

- não. Não mais.

E então Camila cometeu o maior erro, ou acerto, da sua vida. Camila mentiu.

Camila mentiu. Déborah vai embora, mas antes, ela escuta o discurso de aniversário de Antony.

- e a primeira fatia vai para uma das pessoas mais especiais da minha vida. Uma pessoa que entrou a pouco tempo na minha vida mas já fez uma bagunça enorme, mas uma bagunça boa, uma bagunça perfeita que eu não pretendo arrumar nunca - o loiro olha nos olhos de Camila e segura em seu queixo, o estômago de Déborah se revira. - Camila, eu já lhe disse que te amo hoje? Se não lá vai, Camila, eu te amo.

E então uma lágrima desce pelo rosto de Déborah quase que em câmera lenta.

- eu também. - Camila diz sorrindo forçadamente.

Déborah vai embora.

Camila sabe que aquele "eu também" nunca vai ser como o "eu te amo mais" que ele sempre disse a Déborah...

                 4 anos depois

A garrafa de vinho já estava no fim junto com os tacos que estavam em cima da mesa.

Bruna lia mais um dos seus livros de psicologia e Déborah desenhava algo em seu caderno de desenhos. Déborah sempre foi uma ótima artista, se fosse expôr viveria fácil das suas artes.

- oque você desenha tanto? - Bruna perguntou tirando a atenção do seu livro e encarando a garota que estava sentada ao seu lado no sofá.

- é uma borboleta. - Déborah responde focada no desenho.

Bruna começou então a prestar atenção no tal desenho. Sem dúvidas não era uma borboleta comum, era cinza com detalhes em um vermelho sangue, o desenho em sí trazia um ar meio sombrio.

- é incrível como você consegue deixar algo tão fofo como uma borboleta, em algo tão sombrio. - Bruna disse ainda encarando o desenho.

- esqueceu que eu sou uma gótica das trevas? - Déborah perguntou em um tom divertido.

- é mesmo senhorita gótica? Então já que você gosta dessas coisas que dão medo nas pessoas, pode ir para o pesadelo de lavar esse pratos. - Bruna disse se referindo a os pratos e copos que estavam em cima da pequena mesinha da sala.

- ah não, nessas horas eu sou só uma garotinha que ama coisas coloridas. - Déborah disse fazendo biquinho.

Bruna sorriu.

A amizade das duas acabou crescendo muito nesse meio tempo. Camila acabou noivando com Antony, bom, ela aparentava está feliz, então Déborah também iria ter que correr atrás da sua felicidade.

Déborah não viu Camila desde o maldito dia do aniversário de Antony, a garota se mudou para outra cidade por conta de seu emprego e ia visitar os pais nos finais de semana, bom, era isso que Déborah soube por meio de algumas amigas de Camila.

Já Déborah terminou sua faculdade de jornalismo e começou a trabalhar na coluna de esportes do jornal local, vendeu seu apartamento e foi morar com Bruna e começou a escrever algumas músicas, Déborah sempre cantou e tocou seu violão excelentemente bem.

As primeiras músicas foram sobre um casal que se separou mas ainda sim se amavam.

Depois veio as músicas que falavam que, talvez, apenas um dos dois ainda amasse.

Por fim veio as músicas que falavam que ambos deveriam recomeçar e esquecer.

Déborah aderiu a seguinte linha de raciocínio: se o vento trouxe, deixa o vento levar.

O tal vento não iria ser tão malvado ao ponto de levar Déborah do coração de Camila e não levar Camila do coração de Déborah, certo?

Déborah até tentou outras garotas mas o "pequeno" problema sobre os orgasmos acabou impedindo de que a garota procurasse outra. Talvez fosse um desses tais castigos da vida.

- e aquela garota da coluna de fofocas do jornal? - Bruna perguntou pegando todos os pratos que estavam em cima da mesinha da sala.

- nós trocamos telefones, mas não vai ser nada demais, acredite.

- sei, não me engana não dona Déborah. Você precisa mesmo é de uma boa transa para tirar esse atraso. - Bruna disse e Déborah gargalhou.

Em outros tempos Bruna nunca que diria isso a sua amiga, mas ela estava vendo o quanto Déborah estava pra baixo.

- você sabe bem que eu ainda me sinto acorrentada a Camila. - Déborah disse acompanhando com o olhar sua amiga até a cozinha.

- sabe, quando você se sente acorrentado a algo ou alguém o melhor a fazer é quebrar as correntes. Ou você é forte o suficiente para quebra-lás, ou você espera o tempo enferruja-lás e elas se romperem sozinhas.

Déborah escutou cada palavra da sua amiga com atenção. A idéia de estar longe de Camila para ela ainda era algo aterrorizante, mas nada melhor do que o tempo para enferrujar as malditas correntes.

- você concorda? - Bruna perguntou voltando da cozinha e se sentando novamente ao lado de Déborah.

- sim, concordo.


Notas Finais


É isso :3

Espero ter conseguido passar a mensagem que eu queria com essa one, até porque, acredito que muitas pessoas estão passando por uma situação parecida como essa da história.

Espero que tenham gostado, se gostaram, favoritem a one e venham para o lado unicórnio da força :3

Agradeço quem disponibilizou alguns minutos do seu dia para ler, sério, alguém já lhe disse o quanto você é incrível hoje? Se não lá vai, você é incrível demais! :3


Se quiserem podem dar uma olhada na história que eu posto aqui no site:

https://spiritfanfics.com/historia/a-garota-da-rua-37-5853622

Twitter: @entreunicornios


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