História Chama Obscurecida - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Palavras 5.692
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


É difícil escrever em meio ao caos.

Capítulo 23 - Vem fazer sexo comigo!?


Fanfic / Fanfiction Chama Obscurecida - Capítulo 23 - Vem fazer sexo comigo!?

 Eros entra pela porta do quarto com duas xícaras de leite quente e senta-se do meu lado e me entrega uma.

-Fiquei pensando bastante sobre essa notícia. Mas, você poderia me explicar melhor sobre a Deep Web?

-Você nunca ouviu falar?

-Não.

-Algumas das pessoas que ficam o dia inteiro no computador acessando a internet o tempo todo visitando milhares de sites por dia, acham que entendem bastante sobre o assunto. Acham que todas as respostas do mundo podem ser obtidas depois de uma rápida pesquisa no Google. E, se não encontrar o que está procurando, acredita que é praticamente certo que a resposta não exista. Mas a internet é muito mais do que os buscadores, como o Google, o Bing e o Yahoo! conseguem mostrar. Ou conseguiam... Faz tempo que não tenho acesso a internet. Mas na verdade, os resultados que são indexados por esses sites de pesquisa compreendem uma ínfima parte do que a internet realmente representa. A Deep Web é uma porção da grande rede que poucos já exploraram.

E ele continua dizendo: A grande rede, na verdade, vai muito além do que vemos em nossos computadores. Para entender melhor esse assunto complexo, uma analogia simples pode ajudar. Imagine um gigantesco iceberg: como muitos devem saber uma grande porção dessa estrutura de gelo fica submersa, enquanto uma pequena parte, cerca de 10%, aparece na superfície. A ponta do iceberg, ou, a internet como a conhecemos, também chamada de Surface Web e que compreende sites como o Baixaki, representa apenas a ponta do iceberg – ou seja, uma porção muito pequena do que a grande rede realmente é. Já o resto da massa de gelo, aquela que está submersa, corresponde à Deep Web, parte da internet que exige métodos específicos para ser acessada e que é capaz de proporcionar certo grau de anonimato para os usuários.

Quanto ao seu tamanho, estudos estimam que a Deep Web seja 500 vezes maior que a Surface Web. Especula-se também que a parte da internet que exploramos todos os dias compreende apenas 4% do todo – o restante pertence à porção submersa do iceberg. O uso da Deep Web é bastante variado, e é aí que reside a polêmica. Por causa da privacidade, muitas pessoas e instituições usam essa rede para compartilhar e hospedar arquivos sigilosos e que não podem estar disponíveis na “internet convencional”. O exército, as forças policiais, jornalistas e até mesmo cidadãos comuns com algum conhecimentos de internet são exemplos de pessoas que recorrem à Deep Web para fins específicos.

-No entanto, o anonimato também permite a proliferação de uma série de atrocidades e coisas bizarras. O comércio de drogas ilegais, órgãos, armas e até mesmo pessoas, além da pornografia infantil e a encomenda de assassinos de aluguel, são apenas alguns dos exemplos. Militares, polícia, jornalistas e denunciantes: aqueles que usam a Deep Web para fins diversos. Drogas, pornografia infantil, comércio ilegal de armas e encomenda de assassinatos também estão na Deep Web. Como se trata de um lugar gigantesco, a Deep Web geralmente é imaginada como um local com divisões imaginárias. Quanto mais fundo um usuários estiver, mais difícil é para chegar até ali, e mais extremo é o conteúdo encontrado.

Ele toma um gole do leite.

- A “Mariana’s Web” é o título dado para o lugar mais profundo da Deep Web. Essa região provavelmente reúne os maiores segredos da internet, mas é impossível dizer exatamente o que encontraríamos por ali. Por causa da dificuldade em acessá-la e do perigo de se deparar com algo desagradável, muitos preferem nem se arriscar. Ao contrário do que muitos podem imaginar, acessar a Deep Web não é ilegal. Motivados pela privacidade que o local pode proporcionar, várias pessoas recorrem à “internet invisível” para tratar de assuntos sigilosos e compartilhar arquivos que jamais poderiam ver a luz do dia. No entanto, a condição de anonimato dessa gigantesca parte da internet também acaba levando ao surgimento de uma série de atividades ilegais com as quais a maioria não ficaria contente de se deparar.

Termino de tomar meu leite quente.

-Eros, você é um poço de informação.

-Talvez, mas as vezes não é bom ter tanta informação na mente. Causa tristeza e frustração.

-Geralmente as pessoas inteligentes são as que tendem a ser mais tristes.

-Ah, Hadassa. Meu amor pelo conhecimento é imenso, eu me sacrifico por ele.

-Admiro isso em você.

Ele fica em silêncio e olha de lado fitando o vazio. Com tantos assuntos conversados o tempo passa rápido, parece até um salto, estava ali agora está aqui. As horas se passam na mesma agonia do dia anterior, a imagem de Eros desaparece do quarto, ele já não está mais aqui, foi para outro canto da casa, e o tudo o que penso, tudo o que me cabe na mente é... Como dói estar vivo. A tarde cai e junto com ela vem a chuva para deixa esta casa mais fria. As gotas batem contra o vidro da janela, vejo o céu despencar lá fora enquanto aqui dentro sinto pontadas pelas pernas, como formigas me mordendo. Lanço a unha sobre a pele e cosso. A coceira aparece do outro lado, cosso com as duas mãos, logo ela surge em outro canto. Minhas unhas trabalham tanto que paro um momento e sinto a pele queimar. A região fica vermelha, mas a coceira não para e continuo a coçar.

Sinto um ardor misturado com dor. Me sento na cama e olho para o lugar que arde. Está arranhado sobre uma área inchada. A coceira mistura-se aos outros sintomas e a agonia infame me faz lamentar silenciosamente. Com o passar do tempo a escuridão do anoitecer começa a tomar a casa. Lá fora a chuva continua a cair. Raios clareiam os céus. Viro-me para o lado da porta ficando de costas para a janela. Ouço os trovões estourando e do lado de fora uma claridade entra pela janela tocando a escuridão do quarto. No clarear se forma na parede a sombra da janela e uma árvore de galhos secos. Lembro-me do fato de estarmos no alto da colina, e as árvores estarem embaixo.

Novamente o clarão invade tudo e na parede se forma outra vez a forma da janela, mas no lugar da sombra da árvore se forma a sombra de uma pessoa se contorcendo de dor. Um gemido medonho e distorcido soa no ar do ambiente. Mesmo estando acostumada com as coisas deste lugar, meu corpo treme de susto pelo alto gemido. Quando o rápido clarão se apaga a sombra desaparece e com ela o gemido some.

Fico sentada na cama, no escuro do quarto. Quando olho na direção da porta aberta vejo uma criatura semelhante a uma pessoa pálida de cabelos longos com um sorriso na cara. Não é possível ver com exatidão os aspectos do seu rosto por causa do escuro. Mas a coisa olha diabolicamente para mim. Levanto-me da cama e ando descalça até o corredor. A criatura desaparece no escuro, e a terrível coceira não.

-Eros...!

Ando pela casa com a mão na cabeça. O nariz começa a escorrer o mesmo líquido, limpo com as costas das mãos. Outro trovão estoura e o clarão vem novamente, dessa vez pela janela da sala. Vejo tudo ficar rapidamente iluminado, como flashs de câmera fotográfica. O som de alguma coisa batendo na sala chega até os meus ouvidos. Chegando diante da porta da cozinha olho para dentro.

-Eros?

Está tudo escuro. Os flashs da natureza entram pela janela da cozinha clareando toda a escuridão melancólica. O mesmo barulho de algo batendo ecoa pela casa, deixo a cozinha e vou para a sala. Me vem na mente imagens de uma sombra com garras saindo da escuridão e pegando na perna de alguém que estivesse andando pela sala. Novamente o barulho de algo batendo, dessa vez mais forte, olho na direção da janela da sala. Está aberta. Os pingos de chuva entram e molham o chão do lado de dentro. O vento empurra a janela, e de repente ela volta e bate fortemente. Ando até ela e antes que possa bater novamente seguro e fecho.

Vejo que algumas gotas molharam o piano. Ando até a cozinha para pegar um pano e enxugar. Porém, chegando no meio da sala um relâmpago clareia tudo em volta e vejo por trás da poltrona do Eros mechas de cabelos pretos e cacheados. Ando até a poltrona e encontro Eros dormindo profundamente.

-Eros!!

Ele nem se move.

-Eros!! - Chamo novamente.

Com o relâmpago se forma no chão e na parede da sala a sombra da janela, mas dessa vez gemidos soam distorcidos "door iiiouum oooorrruuummm..." e junto a sombra da janela aparece a de uma pessoa se contorcendo de dor. Eros acorda em um salto e olha para mim.

-Já anoiteceu? - Ele pergunta sonolento.

-Sim. Venha para a cama comigo.

Estendo a mão. Ele segura, levanta da poltrona parecendo um velho obscuro, e de mãos dadas seguimos para o quarto caminhado pela escuridão. Os relâmpagos continuam a clarear, mas na parede só fica apenas a sombra da janela. No quarto Eros tira os sapatos, o smoking, o cinto e vestido no que sobra anda até o guarda-roupa para pegar algo. Mas quando ele abre uma das portas de cima, algum objeto cai no rosto dele e ele cambaleia para trás. Corro até ele preocupada, chegando perto vejo seu nariz sangrando. Abro a porta que fica as minhas roupas e pego uma camisa de magas que nunca uso e coloco sobre o nariz dele para estancar o sangue.

Procuro no escuro o que poderia ter acertado o nariz dele e no chão encontro um grampeador do grande. Embaixo está amaçado formando uma lâmina de lata fácil de se cortar. Pego com cuidado.

-Por que guarda isso?

-Não guardei.

Ando até a janela do quarto, abro e jogo fora.

-Vem. É melhor deitarmos.

Ele se deita com o pano sobre o rosto e assim dormimos.

Eros

É manhã. Mais uma manhã fria. Os céus estão cinzas e os ventos continuam a percorrer o gramado sobre a colina. Estou na frente da casa vestido em meu sobretudo preto, um curativo está sobre meu nariz. Meus sapatos sociais brilham de tão limpos. Ao meu lado está um lobo de pelos negro e olhos vermelhos. Fera monstruosa e astuta, seu hálito fede a morte. Juntos contemplamos nossa casa. A figura em preto e branco.

Mr. Darkness anda até sua casa na companhia do lobo. Vestimentas escuras para combinar com a alma que já não resta nada. Eu... O rei negro. Subo os degraus do alpendre da casa como se estivesse subindo as escadas do meu palácio negro ao lado do meu cão que parece ter vindo do inferno. Suas patas tocam a madeira sem provocar nenhum ruído. O rei negro entra na casa para o café da manhã enquanto o lobo fica na porta.

Hadassa

É manhã... Mais uma manhã. Caixa da existência. Hoje os céus cantam hinos calmos e suaves. O céu não chora mais. Mas os vidros da janela estão molhados das lágrimas. É uma manhã fria sem chuva. Toda a dor passou, o alívio é rei. Olho pela janela cinza. Vejo crianças no lado de fora. Todas usam máscaras, algumas são amassadas e deformadas, outras parecem máscaras de ar com uma mangueira grossa e preta na frente. São várias e estão todas reunidas no canto da janela olhando para mim com suas máscaras.

Esta manhã meu corpo parece mais leve. Olho para as crianças medonhas com ternura. Coloco a mão aberta sobre o vidro frio e elas acompanham o movimento da minha mão com os olhos. Depois voltam a olhar para mim, todas ao mesmo tempo, na mesma sincronia. Tiro a mão e no vidro acaba ficando a marca por causa do calor. Ergo os olhos e vejo meu reflexo fraco. Meu rosto está pálido, e meus olhos... Estão completamente negros. Olho para as crianças distorcidas no lado de fora, meus olhos pretos as observam com ternura. Eu os mantenho abertos. Consumidos pela escuridão... Desta forma sussurro:

-Inocência perdida...!

De repente ouço Eros me chamar da cozinha.

-Hadassa?

Saio da janela e sigo para fora do quarto. As crianças me vêem partir do canto da janela. Chego atrasada para o café da manhã. Eros está sentando na cadeira que fica de costas para a janela.

-O chá já está pronto. Como está se sentindo hoje? - ele pergunta.

-Bem.

Respondo sentando na mesa. Comemos em silêncio, ele não fala senhuma notícia ou algo do tipo. Dessa forma terminamos de comer. Eros caminha direto para a sala enquanto levo as xícaras que ficaram em cima da mesa para a pia, lavo e ao terminar também vou para a sala. Eros está na sua poltrona, sentado de pernas cruzadas. Aproximo-me da janela, abro e ergo os olhos para a vista que já conheço, a bela vista que se tem da janela, a vista que me toca a alma e me enche de inspiração. Mas quando olho para a frente a cena que está diante dos meus olhos é outra. Tudo está cinza lá fora, um tom depressivo. Há algumas árvores e em um dos galhos há três cordas amarradas que suspendem corpos mortos. São pessoas que se suicidaram. Duas são mulheres e a outra pessoa é um homem, todos três com roupas velhas, gastadas e humildes. As duas mulheres usam saias e chinelas nos pés. Seus pescoços estão torcidas pelo peso do corpo.

O silêncio toma conta, ouço apenas o som do vento balançando lentamente os três corpos com o pescoço envolvido pela corda. A madeira grossa faz estalos quando os corpos balançam. A saia velha balança com o vento, enquanto o corpo morto nem se mexe. Assistindo a cena da janela observo o céu atrás. É um céu cinza; sem cor, sem vida. As nuvens são um cinza mais claro, e a folhagem das árvores parecem sombras fúnebres. Os detalhes da vista são perfeitos e começo a me questionar se é uma ilusão ou se é real. De repente uma mão branca e fria toca meu ombro. Eros aparece perguntando:

-O que você observa tanto?

Vendo também a cena na janela emudesse. Ele fecha a janela e me tira da frente levando-me para outro lugar.

-Não quero que veja isso.

Ele diz.

-Por que?

Ele para, e segurando meu ombro toca a minha face com a outra mão.

-Você é uma moça bonita, deve contemplar o que é bonito.

Ele ainda pensa dessa forma!? O que devo fazer para ele entender que agora sou mais uma da casa? E acabo deixando escapar:

-Mas isso é bonito!

Ele franze o cenho se sentindo confuso. Eu o vejo respirar fundo e me conduzir pacientemente para o lado de fora. Abrimos a porta e quando saímos, o cenário que vimos pela janela não existe. Ele não está na frente da casa. No lado de fora está tudo normal, o alpendre, a vista, a grama. Paramos um pouco na varanda. Sinto a brisa fria e pura do lado de fora após estar dois dias sem sair da cama. Respiro fundo para sentir melhor.

-Hadassa...! - Ele me chama.

-Sim?

-Lembra daquele gemido que ouvimos ontem?

-Lembro. E aproposito, pensei que só eu estava ouvindo.

-Eu também ouvi.

-O que tem isso?

-Eu já o tinha ouvido antes. Estamos na janela...

-Você e mais quem?

Enterrompo para saber com quem estava.

-Eu e elas... - Entendendo o que ele quer dizer presto atenção, e ele continua: - Estávamos no sótão. Como sempre, lá em cima estava cheio de teia de aranha, os móveis estavam todos bagunçados, assim como hoje. Se você subir lá verá a bagunça que estou falando. E lá estávamos juntos. Era noite e estava chovendo. Há uma janelinha no canto da parede por onde entrava a luz dos relâmpagos. Estamos sentados no chão, ao meu lado estava uma das criaturas, essa tinha uma forma mais parecida com um humano. Estava tudo escuro e os clarões dos relâmpagos entravam pelos vidros da janela clareando nossos semblantes cheios de suspense.

-Por que estavam assim?

-Estavamos no clima da história que eu contava. Uma mulher morta, com o corpo frio e cortado por lâmina de estilete deitou no meu ombro e expressando sua morte ficou imóvel. Enquanto a outra criatura que estava comigo continuava a expressar suspense. Em meio ao escuro apareceu no chão apareceu uma vela que acendeu-se sozinha. Na luz da chama conversávamos. As vezes elas falavam comigo, mas sempre quem falava mais era eu.

-O que elas diziam?

-Coisas sombrias... Houve um momento que meus sentimentos de tristeza e angústia foram apertando aqui dentro e senti uma vontade insana de chorar. E eu chorei. Chorei abraçado com o meu parente distorcido. A única coisa a qual estava apegado.

-Houve retorno do seu abraço?

-Não. Apenar eu abracei havidamente, ela apenas deixou que eu a abraçasse, e continuou a falar de forma obscura. Foi nesse momento que outro clarão piscou forte dentro do sótão. Eu abracei ela forte como se estivesse abraçando minha própria mãe. Abracei como uma criança. E minha mãe obscura mexeu sua boca para falar comigo e dos clarões e da boca dela soou um gemido medonho. O mesmo de ontem. Parecia alguém tentando dizer algo enquanto chorava e gemeia de dor. Nesse mesmo momento olhei para ela nervoso com o rosto molhado de lágrimas. Despois disso ela não falou mais nada. A tristeza e a angústia passou. Mais uma criatura apareceu. Essa parecia mais um monstro com o corpo distorcido. E contei histórias dos livros que já tinha lido, conversei com elas na luz da vela, sentados no chão do sótão.

-Você gosta delas, não é?

-Sim. Elas são como uma família para mim.

Antes de dizer algo mais, lanço o olhar para a floresta à frente antes que possa expressar algo sobre isso. Minhas mãos estão tão geladas que sinto como se estivessem dormentes ao encostar na madeira do alpendre. De repente ouço o balido de um bode. Descemos o alpendre pisando na grama fofa sob nossos pés e andando para a frente da casa encontramos quase no pé da janela um bode preto amarrado, preso a uma estaca. Ela vira seu rosto na nossa direção, no rosto do animal há quatro olhos, dois normais e mais outros dois à cima dos normais. Seus olhos são vermelhos como sangue. Todos os olhos piscam ao mesmo tempo, isso me desperta uma pequena agonia... Pequena, até eu ver e ouvir a coisa abrir a boca e balir novamente soltando um som de bode velho. "BÉÉÉÉÉÉÉÉÉ", ele está olhando para nós. "BÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ".

-O que significa isso? - Pergunto.

-Não faço a menor ideia. Não há quem entenda mais Elas que eu. Porém são completamente imprevisíveis.

O bode de quatro olhos desce a cabeça até o chão para mastigar um pouco da grama. Como antes, Eros me conduz de volta para dentro.

-Venha, é só uma criatura.

Deixo ser levada até a porta. Levanto o vestido para não tropeçar e cair nos degraus. Chegando diante da porta ele abre e entra, mas olhando para ele vejo que algo chama sua atenção. Entro logo atrás e a cena que está à diante... O ato que está sendo feito no meio da sala me lança contra o chão. Eros está de pé ao lado da porta com suas roupas pretas, postura reta e cachos negões. Seu rosto pálido assiste a cena. O som dos meus passos passando pela porta e ficando lento cria o suspense. O que isso significa? Por que? Como pode...?

Uma mulher está deitada no chão gelado. Corpo perfeito, seios atraentes até mesmo para mim, ela tem cabelos pretos e um rosto lindo como o de uma boneca. Em cima dela está um homem, também sem roupas e seu membro rígido penetra ela machucando-a. Ela suspira e geme de dor, pela forma que a cena corre acredito que seja apenas um casal fazendo sexo, só não entendo por que tinha que ser na sala. O homem penetrar fortemente, sem dó, e segura no pescoço dela. Ela tenta gritar, mas as mãos em volta do pescoço dificulta a entrada do ar. Ela coloca a mão sobre as mãos dele e com carinho tenta tirar e demostrar que está apertando. Vendo ela agoniada, ele aperta mais.

Estou aqui, de pé, diante da cena. O mais assustador não é isso. O que mais meche comigo é a terceira pessoa na cena. Um homem com um celular em mãos filmando o estupro. Este está vestido em calça jeans, sapatos e camisa de mangas. Tem a aparência de uma boa pessoa. Mas a forma que ele presta total atenção em como a gravação está saindo na tela do celular faz os pelos dos meus braços se arrepiarem. Com a câmera do aparelho ele pega cada detalhe, e filma principalmente o rosto da garota e sua agonia.

O rosto dela começa a ficar vermelho sentindo o pênis ereto dele machucando. Ela segura na mão dele mais forte tentando tirar para poder respirar e ele tira... As mãos dele saem do pescoço dela, que como resultado enche bem os pulmões de ar. A inspiração é tão forte e cheia de vida que sinto como se meus pulmões respirassem com os dela. Inesperadamente o homem puxa uma sacola de plástico que está próxima e coloca rapidamente um laço grande e dourado. Vendo seu parceiro envolver o laço rapidamente em volta do pescoço dela a garota se assusta percebendo o perigo, e entra em desespero. O homem envolve mais o laço dourado e puxa apertando forte em volta do pescoço dela. Com as mãos livres ela coloca a mão sobre o pescoço tentando tirar, mas o negócio está preso pelas mãos do homem. Vejo-a lutar pela vida e tentar puxar o fôlego o máximo que pode.

Sentindo ondas de prazer com o sofrimento e a agonia da sua parceira, o homem penetra fortemente como um animal no sio. O outro que filma tudo tem sua atenção dobrada ao ver a cena ficar mais intensa. Ela tenta gritar por socorro, tudo o que sai é um grito fino e fraco. E como ela poderia gritar se sua garganta está fechada? Ela tira as mãos do rosto e tenta tirar ele de cima dela. Está doendo... Fico sem reação, por dentro estou gritando: está doendo, você não vê?? Mas é nisso que está o prazer dele.

As mãos dela não a ajudam em nada, o homem não para de penetrar e apertar o laço em volta do pescoço da vítima. O ar nos pulmões acaba, com a entrada de ar tampada sua boca e seu nariz puxam, puxam, mas nada entra, nada sai. Ela começa a ficar fraca e virar os olhos, o corpo parece ficar dormente pois seus braços começam a cair lentamente. Seu rosto já está ficando roxo e ele não para. Ela fita o vazio vendo a vida ir embora. Com a boca aberta de tanto lutar por um pouco de ar. Ela fica nessa posição, até que fica imóvel. Ele não para por nada, seu sexo está uma delícia. Ela não se mexe. Não sei se está morta ou se ainda está morrendo. Sua expressão de horror paralizada parece estar olhando para o teto.

~•••~

Em algum lugar no lado de fora da casa, o clima frio abraça a floresta. Em um local onde o chão é coberto de lama e água há várias raízes de grandes árvores, que vão de um canto à outro, algumas até se entrelaçam. Sobre um galho enorme estão vários pássaros pretos reunidos. Em um susto todos saltam e ruflando as penas no ar e em um forte impulso voam para as alturas em um pavor tremendo.

Algo os assustou. Mas não há nada.

~•••~

O corpo dela balança quando as partes dele batem na dela. São órgãos que não funcionam mais... Pararam. Agora é apenas um orifício do corpo humano feminino. Um corpo que agora não tem uma personalidade, não tem energia, não tem vida. Ele não quer saber se tem vida ou não; seu cúmplice não deixa escapar nada. Na tela do celular está a imagem dela, roxa, de boca e olhos abertos. Este é o método do assassino. Só assim ele sente prazer. Vejo sua alma gozar de um prazer selvagem sobre o cadáver da garota.

Ela era uma morena perfeita. Uma menina com sonhos. Agora é apenas um corpo balançando com fortes penetrações. Ele está no ápice e explode em prazer dentro dela. Os espermatozoides iram disputar e brigar para fecundar vir a ser mais uma pessoa, mas quando chegarem no ovário iram encontrar um óvulo morto. Ele solta a fita prateada e desenrola do pescoço dela. Na pele fica o hematoma do enforcamento. O que segura o celular encerra o vídeo e se coloca de pé olhando o amigo deitado sobre ela. Eros entra na minha frente e sussurra com seu jeito bisonho "esse homem era o grande amor dela, ele mandava mensagens apaixonadas para ela e a tratava com carinho". Abro a boca puxando o fôlego, fazendo isso as imagens de segundos antes dela morrer volta a minha mente. Meus olhos se enchem de lágrimas. Se olhar o vídeo que foi feito é possível ver o segundo da sua morte.

-Mas por que ele fez isso?

-Não sei.

O homem com o celular coloca o vídeo em tela cheia para assistir. O estuprar tira seu membro dela e se levanta para também assistir. Por dentro questões sobre a casa martelam, me pergunto, que dança obscura é essa que estou envolvida? Se já estou envolvida que meus olhos vejam o que está sendo mostrado. Ando alguns passos incertos até os dois homens de pé. Um está vestido e o outro pelado. Eros fica parado onde está enquanto me aproximo e olho para o celular. Os dois repentem a parte da agonia dela e gargalham juntos. No momento em que ela morre o que está vestido solta risos irônicos.

Isso é um absurdo! Meus olhos correm pelo ambiente em volta e acabo vendo algo na entrada do corredor. Olho fixamente para tentar entender que aberração é aquela. Por um momento acabo esquecendo dos dois homens e do corpo no chão.

-Eros... Veja aquilo!

Aponto com o dedo na direção da entrada do corredor. No canto da parede há uma figura macabra sobre um banco alto com forma cilíndrica. A coisa sobre o móvel tem os seios de uma mulher, não tem braços, no meio dos peitos é cortado e costurado. A cabeça é um pesadelo. Não tem olhos, as orelhas são pontiagudas e a boca vai de orelha à orelha. Os dentes da frente são finos e grandes como os dentes de um cavalo, serrilhados e expostos. No lugar do nariz há um buraco grande que sobe como o focinho de um animal aberto em cima. Três rasgões de cada lado que vai da boca passando pelas bochechas até chegar onde deveria haver olhos. No topo da cabeça há chifres cobertos por pele e a pele dessa estátua feminina é feia, tem uma cor que lembra doença, morte e outras coisas ruins.

-Aquilo não estava ali quando saímos.

Os homens se retiram e perturbada digo ao Eros que vou cozinhar algo para comermos. Quero pensar, parar, refletir sobre tudo, ou talvez não tenha. Ele diz que vai para a frente da casa e sai para fora, mas antes de ir pergunta se está tudo bem. Digo que sim e parto para a cozinha para ficar sozinha com meus pensamentos. Sento-me na mesa e deito a cabeça sobre minhas mãos. Depois evanto e saio da cadeira, fico de pé ao lado da pia, diante dos pratos sujos. Molho as mãos na água, tento tomar a iniciativa e começar a lavar, mas as cenas de tudo passam rápido na minha cabeça. As penetrações... A morte... Pássaros voando... De repente ouço a porta da sala abrir e fechar. Esse som me arranca dos meus pensamentos. O que será dessa vezProcuro o pano de prato e enxugo minhas mãos.

Entro no corredor pronta para perguntar para o Eros o que iremos comer com o arroz e o feijão. Quando chego na porta da cozinha vejo apenas um tecido de cor sépia entrando por trás da parede. Até onde me recordo Eros estava vestido de preto, não de sépia. É isso tudo aqui que me deixa confusa. É essa casa que está me afetando. Ando na direção da sala, coloco os dedos na testa tentando manter a calma. Ergo o queixo balançando a cabeça tentando tanger toda a loucura. Tomo postura reta de Mrs. Darkness e sigo para a sala com uma bela aparência de uma pessoa forte. Quando saio para fora do corredor o tormento me pega novamente.

( Son Lux - Stolen )...

A poltrona do Eros está de frente para a entrada do corredor. Nela está sentado um homem-coelho vestido em roupas sociais, com duas crianças chorando sobre suas pernas, uma garotinha com aparecia de nove anos e um garotinho mais novo que ela. Não sei se elas choram com medo ou por algum outro motivo. O coelho vira seus olhos sombrios na minha direção. As crianças olham para mim e tentam descer das pernas dele, mas ele agarra forte com suas mãos peludas e impede que elas se afastem. A cena é tão distorcida e a máscara é tão real que fico esperando a boca do coelho se mexer e falar algo. Na verdade, por baixo das vestimentas sociais há um homem vestido na fantasia de um coelho de pelos rajados.

A estátua da mulher demoníaca sobre o móvel de madeira continua ao lado da parede do corredor. Fico parada do lado da estátua, diante do coelho. Ele olha lentamente para cada uma das crianças. O silêncio se estende entre nós. Penso em onde Eros pode estar, ele disse que iria para a frente da casa, mas pode ter ido andar pela floresta. E o coelho na minha frente volta o olhar assombrado para a menina. Sua mão peluda sobe até os peitos da menina, ele o segura e aperta como se ela já fosse uma moça de seios fartos.

A menina chora com medo...

Não é uma moça, é uma criança, ainda não tem seios. E sem saber o que está acontecendo vejo o coelho se levanta. No choro a menina solta um grito agudo o suficiente para penetrar no meu ouvido e causar dor. Crianças são tão indefesas, e essa apenas quer demonstrar seu pavor gritando forte para chamar a atenção. O coelho se levanta colocando eles no chão. O que mais me assombra é não saber a identidade de quem está por baixo do coelho. A mão peluda da fantasia segura na mão das crianças e os três andam na minha direção. "São apenas criaturas, Hadassa! Não ligue para elas!" falo para mim mesma. Vendo os três se aproximarem saio da frente calma e fria para eles passarem. Vejo a menininha e o menininho andarem pelo corredor com suas pernas pequeninas.

Eu os admiro de longe. Ela olha para trás me vendo com seu rosto molhado de lágrimas, e coloca os dedos na boca. São pequenos pedaços de inocência caminhando com pouca compreensão do mundo ao qual vieram. Chegando diante da porta do quarto o coelho sombrio abre a porta e as leva com carinho para dentro. Rugas se formam na minha testa e começo a estranhar. Começo a me aproximar, os três entram e a porta é fechada, entretanto as crianças não param de chorar. Olho para trás para ver a sala vazia, está em ordem. A paz e o silêncio paira. Chegando perto do quarto colo meus ouvidos na porta e ouço o coelho dizer:

-Não se preocupe, vou colocar devagarinho.

E a menina diz chorando:

-Não... Dói.

Nesse momento as rugas do meu rosto se desmancham. Agora não há expressão que caiba no meu rosto. Minhas pupilas se dilatam. Me levanto rapidamente e bato fortemente na porta. Ouço ele dizer calmamente lá dentro:

-Shhh... Só dói no começo. Relaxe.

A menina começa a gritar de dor. Minhas batidas na porta se tornam murros.

-ABRA A PORTA!!!

Os nervos ficam à flor da pele. Minha pele de pálida ganha tom vermelho. Estou batendo incessantemente na porta. Se ele não abrir irei derrubar. A menina solta gritos agudos de dor e ouço em meio aos gritos a voz do coelho dizendo:

-Fique quieta!

E de repente os gritos da menina são abafados, como se ele colocasse a mão na boca dela. Minha mão já está queimando de bater na madeira rígida, chuto a porta. O choro do garotinho mais novo aproxima-se da porta. Desesperada grito:

-ABRA A PORTA!

E a voz pequenina dele diz:

-A pota...?

Caio de joelhos no chão com as mãos encostadas na porta, para ficar na mesma altura que ele.

-Isso! Isso! A porta!

O choro dele fica suspenso, fico esperando algum resultado, no fundo a menina tenta gritar com a boca tapada, de repente a maçaneta da porta gira para um lado e para o outro. Não abre. Do outro lado a voz do garotinho fala triste:

-Tá tancada...!

As lágrimas transbordam dos meus olhos e eu bato na madeira com toda força.

-PORRA!!!

Alguns segundo se passam ouvindo a abominação sem poder fazer nada. O garotinho soluça parando de chorar no canto da porta. No fundo a menina para de tentar gritar. O silêncio entra em cena, com exceção da cama que faz barulho como se alguém estivesse saindo de cima dela. Ouço passos vindo na direção da porta. O garotinho chora com desespero e ouço ele fala com voz chorosa:

-Saia...!

O pequeno chora e grita, passos pesados no chão voltam para a cama. Alguns segundos se passam em choro e grito, ouço o menino gritar:

-Tira! Tira...!

E mais gritos. A boca dele é tapada. Meus braços perdem a força. Sussurro triste:

-Não...!

Fico de joelhos no chão. Triste. Sem forças para me levantar. Penso em sair correndo à procura do Eros, mas meu corpo parece pesar junto com o tormento presente. Minha mente chama Mr. Darkness. Venha acalmar nossa família, Eros... 



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