História Chandrillah - Capítulo 20


Escrita por: ~ e ~biafhy

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Got7
Personagens Baekhyun, BamBam, Chanyeol, D.O, Jackson, JB, J-hope, Jimin, Jin, JR, Kai, Mark, Personagens Originais, Sehun, Youngjae, Yugyeom
Tags Asia, Assassin's Creed, Bts, Chanbaek, Exo, Got7, Guerreiros, Magia, Medieval, Mitologia Nórdica, Nações, Princesas, Príncipe Da Pérsia, Principes, Reinos, Skyrim
Exibições 16
Palavras 4.321
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Josei, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 20 - Cap. XX (EXO)


Fanfic / Fanfiction Chandrillah - Capítulo 20 - Cap. XX (EXO)

O Príncipe Fugitivo

 

Os festejos haviam terminado. O marasmo reinou sobre todo o vilarejo e o castelo. As pessoas caminhavam em uma marcha lenta para recolocar todas as suas coisas no lugar, deixar o vilarejo limpo, sem enfeites e lixo por todos os lados. Era um momento em que os corações estavam num misto de felicidade pelas memórias que fizeram, e desanimo por tudo enfim ter chegado ao fim. Sempre havia aqueles que sentiam-se muito mais alegres quando tudo terminava, suas vidas voltariam a rotina normal, não havia tanta comoção, apenas a paz dos dias rotineiros.

Do quarto da hospedagem onde estava, eu observava a tudo. Aquele era o primeiro dia que permanecia ali. Era um cômodo estreito, tendo como luxo apenas uma mesa e uma cadeira onde todas as manhãs uma garota que trabalhava ali depositava uma bacia e uma jarra com água. Obviamente havia uma cama para eu poder dormir, mas diferente do que o quarto propunha, ela possuía um colchão forrado e muito confortável. Eu tinha como pagar um quarto maior com mais comodidades, mas eu queria chamar menos atenção possível, até porque passava muito pouco tempo ali.

Todas as manhãs, após a garota sair, apenas lavava meu rosto antes de sair pela janela e saltar pelos telhados para me embrenhar pela cidade. Estar no quinto andar não era um problema, apenas uma solução. Porém, meu irmão insistia em ficar em Miesta Vilkay e tentar me encontrar. Sehun provavelmente já havia encontrado meus rastro, o batedor era o único que quase me alcançava, mas jamais conseguiria isso. Apesar de nós dois termos o mesmo treinamento, faltava muito para que meu amigo de infância conseguisse alcançar minha destreza. Baekhyun e Chanyeol tinham olhos apurados, mas isso nada adiantava quando não se tinha o gingado certo para se correr atrás de uma sombra.

Sorri, cruzando os braços, ainda olhando as pessoas lá em baixo na praça principal arrumando suas barracas com suas mercadorias. Hoje eu precisava descansar. Sabia que todos estavam em uma taberna com hospedagem igual a que eu me encontrava, só que obviamente muito mais luxuosa que a minha. Sehun estava perto, perto de mais de me encontrar, por isso deixaria ele confuso hoje. Pela cidade, havia espalhado alguns rastros falsos que o levaria para o outro lado do castelo. Ao imaginar a cena dele voltando exausto até meu irmão, não pude evitar sorrir.

Alguém bateu a porta fazendo eu voltar a realidade. Era a garota que trabalhava na hospedagem e taberna. Abri a porta para ela entrar e me ofereci para ajudá-la. Ela trazia uma bacia vazia em uma das mãos e a jarra em outra. As peguei e levei até a mesa e quando me voltei para ela, a garota voltou a entrar no quarto, trazendo uma bandeja com frutas, um pão, um pouco de manteiga e suco de frutas. Ela depositou a bandeja sobre a mesa então se voltou para mim sorrindo.

-Bom dia.

Parei e a olhei. Todos esses dias eu ainda não havia parado para notá-la. Até porque ela nunca havia dirigido a palavra a mim.

-Bom dia. -sorri.

Ela tinha olhos castanhos esverdeados e os cabelos loiros desciam ondulados até a metade de suas costas. Usava um vestido simples com um avental de tecido por cima. Ela era baixa e eu precisava baixar a cabeça para olhá-la. A garota voltou a sorrir, apontando para a janela.

-Hoje você vai sair como nos outros dias? Deve ser difícil andar pela cidade como uma aranha, subindo pelas paredes e andando pelos telhados. Por isso trouxe um pouco de café para você.

Ela tinha agora as mãos em frente ao corpo e me olhava inocentemente. Já eu... Bem, eu havia sido pego de surpresa.

-Você... Viu?

Ela confirmou com a cabeça, então ficou séria, se apressando em explicar.

-Oh, não se preocupe, ninguém mais viu ou sabe sobre isso. Eu vi porque... Eu... Bem...

Ela desviou o olhar, vi seu rosto ficar levemente corado. Droga... Eu tinha tomado todo o cuidado para não ser pego ou visto saindo dali, como ela tinha me descoberto? Pigarreei tentando sorrir como se não estivesse incomodado.

-Tudo bem, mas posso lhe pedir um favor? Posso pedir para que mantenha isso em segredo? Em breve estarei indo embora, não busco confusão, só não quero ser visto.

Ela arregalou os olhos mas não de espanto e sim... Curiosidade.

-Você é um assassino?

Foi minha vez de arregalar os olhos.

-Não! Pelos céus. É só que eu...

Ela voltou a sorrir, fazendo sinal com as mãos para que eu deixasse aquilo de lado.

-Não se preocupe. Todos temos nossos próprios segredos. -ela ficou um minuto em silêncio, como se refletisse sobre algo que eu não compreendia, então voltou a me olhar- Não falei nada para ninguém até agora e continuarei em silêncio. Minha boca é um túmulo.

-Obrigado.

-Meu nome é Adria.

Olhei para Adria, ela parecia uma garota simples, sem uma vida cheia de confusões e conflitos. Ela parecia ser alguém que aproveita a vida, um dia após o outro. Uma vida que eu gostaria de ter.

-Me chamo Kai.

Adria sorriu ainda mais, curvando-se brevemente.

-Espero que goste do café da manhã, Kai.

Ela girou nos calcanhares indo em direção a porta e saindo em seguida. Olhei para a bandeja sobre a mesa e percebi o quanto queria uma vida despreocupada.

 

Aquele dia parecia se arrastar, as horas não passavam, o burburinho do lado de fora começava a me deixar cada vez mais ansioso. Eu precisava sair dali e fazer alguma coisa. Levantei da cama e abri a janela. As pessoas na praça estavam concentradas em seus afazeres, poucas pessoas andavam por ali em busca daquilo que precisavam comprar. Ninguém me veria sair sorrateiramente pela janela. Um momento antes de saltar para fora, parei. Olhei para trás vendo a mesa, agora limpa. Será que em algum lugar Adria estava me olhando? Não. Naquele momento ela certamente estaria trabalhando na taberna. E por que eu me preocuparia com isso? Mas, se ela tinha me visto e percebido minha ausência, outra pessoa também poderia. Sem pensar muito saltei para fora, agarrei as beiradas da janela e impulsionei meu corpo para cima, alcançando uma saliência entre as madeira onde me segurei e me alavanquei até alcançar a extremidade da cobertura. Agora estava sobre o telhado da estalagem. Abaixado, arrumei o capuz sobre minha cabeça e o lenço em meu rosto, quando percebi alguém se aproximar.

Quem quer que fosse, era rápido e ágil, eu apenas tive tempo de usar os braços para diminuir o impacto do chute que levaria no peito. Mesmo assim, fui jogado para trás. Girei o corpo e corri para saltar para a outro telhado. O estranho me seguiu. Eu não poderia lutar com aquela pessoa ali, em cima do local onde eu estava hospedado. De qualquer forma eu havia sido descoberto. Enquanto corria e saltava pelos prédios e casas percebi que aquele estranho estava ali já algum tempo, apenas esperando. Ele foi rápido de mais em sua ação.

Quando saltei do prédio de quatro andares para uma casa de apenas um, ouvi um pequeno e baixo disparo e em seguida a lâmina zunir muito próxima a minha cabeça. Com minha visão periférica distingui o gancho de três pontas preso a uma corda negra que foi rapidamente puxada de volta para meu oponente.

Rolei sobre o telhado, ficando em pé rapidamente. Corri em direção a  muralha que cercava a cidade. Em meus passeios diários eu havia procurado brechas e locais onde pudesse me esconder ou despistar aqueles que me seguiam. Já conhecia exatamente onde menos pessoas se encontravam e circulavam, locais perfeitos onde poderia acertar as contas com quem quer que estivesse em meu encalço. Saltei para a árvore no pátio atrás de uma pequena casa. Aquele lugar estava sempre fechado, a pessoa que morava ali trabalhava o dia todo fora e seus vizinhos, um homem doente que nunca saia da cama e do outro lado uma família de camponeses que raramente estava em casa, não seriam nenhum problema. Mesmo assim, minha intenção era subir na muralha e correr por entre os corredores lá dentro até despistar meu oponente ou encontrar um guarda para encrencá-lo. Porém, o estranho parecia ler meus pensamentos e antes que eu pudesse me agarrar as pedras da muralha ele se jogou em minhas costas, agarrando-me pelo pescoço, apoiou um pé nas pedras a nossa frente e impulsionou nossos corpos para trás.

Tentei agarrar o colarinho de suas vestes enquanto caíamos, mas ele havia prendido um de meus braços e escapava de minhas mãos.

Antes de alcançarmos o chão, ele me soltou, chutando-me nas costas. Rolei e consegui parar com um dos joelhos no chão, enquanto as lâminas de minha hidden blade eram projetadas. Eu era acostumado a correr, a me pendurar em bordas hostis, a lutar nos extremos de prédios e muralhas, mas nunca havia sido interrompido em uma fuga. Levantei a cabeça para olhar meu oponente, aquele que havia conseguido me parar. Ele estava todo de preto, uma longa capa, encapuzado, metade do rosto coberto, em ambos pulsos braceletes com mecanismo propulsor que atirava a lâmina presa a corda. Poderia ser usada como chicote após atirada. Ele me encarou, ele tinha traços orientais. Seus olhos eram expressivos e pareciam cheios de uma raiva contida.

Sorri, mas antes que pudesse falar algo meu oponente agiu. Ele correu em minha direção enquanto as lâminas eram lançadas. Levantei dando alguns passos para trás, para não ser atingido. As lâminas zuniram no ar enquanto ele usava as cordas com chicote. Eu precisava me aproximar dele, mas não conseguia. As lâminas com ganchos cortavam o ar, tentando me acertar ao mesmo tempo que me mantinham afastado. Meu oponente era mais baixo que eu, seus olhos sagazes se estreitaram no momento em que deu alguns passos em minha direção e as lâminas forma novamente puxadas para si. Nesse momento parti para cima dele, socos e chutes, todos defendidos. Ele também me golpeava e, para minha surpresa, alguns de seus golpes me acertavam. Nada que me derrubasse, mas não era nenhum carinho. Certamente estaria cheio de hematomas no final do dia.

Ele se abaixou e passou uma rasteira. Deixei meu corpo cair no chão e rolar para o lado. Ele veio em minha direção. A essa altura uma nuvem de poeira nos cercava. Estávamos os dois imóveis, eu podia ouvir apenas nossa respiração pesada. Conforme a poeira ia baixando, sentia a lâmina cheia de ganchos na mão de meu oponente roçando meu pescoço na altura de meu pomo de Adão. Já a minha hidden blade despontava em seu peito, exatamente em cima de seu coração.

Não pude evitar sorrir.

-Só você mesmo para conseguir me encontrar, D.O.

Ele soltou a lâmina no mesmo momento em que dava um tapa em minha cabeça. Gemi passando a mão aonde havia sido agredido. Sentei no chão olhando para meu amigo de infância e conselheiro dos príncipes. D.O retirou o lenço do rosto e me encarou furiosamente.

-Seu principezinho mimado, vou pegar você e seu irmão e arrastá-los de volta para Kavizarian, nem que seja a última coisa que eu faça!

 

 

Uma semana atrás

Castelo de Kavizarian

 

O salão do rei era um local amplo, cabeças de animais empalhados, tapetes e bandeiras de reis passados decoravam as paredes frias e cinzentas do castelo. No centro havia uma grande fogueira, como todos os velhos e bons palácios nórdicos. Mas, para onde quer que você olhasse, sempre encontraria pequenos e delicados detalhes orientais, fossem dragões de pedra ou de madeira, luminárias ou estátuas, ou até mesmo o trono do poderoso e tirano rei. Não, aquele não era um trono de pedra  como diziam existir no castelo de Miesta Vilkay, ali, no castelo de Kavizarian o trono era de uma madeira nobre, detalhadamente esculpidas com dragões vermelhos e arabescos dourados, com almofadas fofas de seda. Porém, sentado nelas não havia um rei de Pallas. Muito pelo contrário. Ali estava sentado um bárbaro de longa barba negra. Em sua cabeça trazia uma coroa com longos cornos de touro. Seu corpo grande e musculoso intimidava todos seus inimigos e até mesmo aliados. Ao seu redor as concubinas das mais variadas etnias o serviam vinho, pães, guloseimas, abanavam uma grande pluma em sua direção ou até mesmo ofereciam seus corpos para serem acariciados pelas grandes mãos do rei. Havia ali uma bizarra e curiosa mistura de culturas.

Do Kyung-soo, mais comumente chamado de D.O por todos que o conheciam, o conselheiro e representante dos príncipes, observava aquilo tudo em silêncio, ignorando completamente aquela orgia diante de si, enquanto ouvia o conselheiro do rei lhe passar todas as informações e planos que estavam em andamento.

Aquele salão era exclusividade do rei e de seus generais, os príncipes muito pouco pisavam ali. Mesmo sendo o fruto do único amor que o rei tirano havia nutrido na vida, seus filhos eram de longe os homens que ele esperava que fossem. Eram franzinos de mais para seu gosto, principalmente o mais velho. Mas, ainda assim eram seus orgulhos, guerreiros corajosos e com muitas habilidades, apesar de um pouco desordeiros e não entenderem seus "ideais".

D.O era amigo de infância dos príncipes, assim como Chanyeol e Sehun. Ele e Chanyeol eram órfãos, pelo menos era o que diziam. Suas falecidas mães eram concubinas de Kavisar e D.O não se admiraria se algum dia milagrosamente alguém revelasse que ele, Chanyeol e Sehun eram filhos bastardos do rei. Mas isso não fazia menor diferença para ele, até fazia questão de não saber. Servir aquele homem, direta ou indiretamente, era algo que lhe dava asco. Se pudesse, D.O abandonaria aquele lugar e partiria para bem longe dali. Mas não podia fazer isso, ele precisava ficar ali por Baekhyun e Kai, além de Sehun e Chanyeol.

Ele suspirou quando ouviu as últimas palavras do conselheiro que enrolou o pergaminho que trazia nas mãos e se voltava para o rei. Kavisar sorria enquanto passava uma das mãos nas pernas de uma concubina e a outra segurava uma taça de vinho.

-Onde estão meus filhos? -sua rompante voz ecoou por todo o salão.

D.O sorriu brevemente.

-Os príncipes estão em uma caçada em Nebulosa.

-RÁ. -esbravejou o rei- Eles foram para aquela terrinha de ninguém?

-Há muitos animais raros pelas florestas de Nebulosa meu rei.

-Ah sim, é verdade. -ele deu um tapa na coxa da concubina que franziu o rosto em sinal de dor, mas logo voltou a sorrir, como se nada houvesse acontecido.

D.O percebeu que o local do tapa começava a avermelhar. O rei continuou.

-Dê um jeito de trazer aqueles moleques de volta para o castelo. Preciso deles aqui, principalmente Baek. Ele precisa começar a aprender profundamente como é ser um líder.

-Sim, meu rei. Com sua licença.

D.O curvou-se brevemente, mas antes de sair do salão o rei o chamou de novo, lhe contando um de seus últimos planos, o que fez o representante do principado congelar.

 

 

-O QUE AQUELES PRÍNCIPES ACHAM QUE EU SOU?? -D.O bateu com o punho fechado sobre a mesa, fazendo o tinteiro voar e se espatifar no chão. Chen, seu auxiliar e segundo conselheiro do principado, deu um pulo e estremeceu. Recuperando-se do susto foi até o tinteiro.

-Você é o representante deles, portanto, deve ficar aqui e representá-los e em sua ausência.

Chen estava se abaixando para limpar a tinta do chão quando levou um tabefe na nuca, fazendo-o perder o equilíbrio e cair de joelhos sobre a poça de tinta.

-Acha que eu não sei disso? Estou perguntando o que eles tem na cabeça para deixar o reino em uma situação dessas? O que Kai pensa estar fazendo fugindo assim, do nada, para sabe-se lá aonde? -D.O respirou fundo, ele sabia para onde Kai iria exatamente, mas ele não poderia falar. Precisava apenas expor um pouco sua indignação. Apenas isso. -Os planos do rei, ele não sabe o que está fazendo, alguém precisa pará-lo. -D.O falou mais para si do que para alguém.

-Ninguém pode parar Kavisar. Talvez príncipe Baek pudesse atrasá-lo, mas não pará-lo. E o príncipe partiu em busca do irmão. Então, estamos de mãos atadas.

D.O apoiou a mão sobre a mesa, tamborilando os dedos sobre a superfície de madeira. Ele precisava fazer algo antes que fosse tarde de mais, antes que toda aquela situação piorasse.

-Eu vou procurá-los.

Chen estava agora se levantando quando ouviu aquelas palavras, ele se virou para protestar mas D.O já havia saído.

 

No corredor, ainda corroendo todas aquelas informações e o plano que tinha em mente, D.O não viu a garota que se aproximou.

-Kyung, achei você.

D.O de um pulinho para o lado, arregalando os olhos e encarando a jovem ao seu lado.

-Pelos céus, Elenion, quer me matar?

A jovem de cabelos negros e pele pálida sorriu, mordendo os lábios em seguida. Levou as mãos para trás do corpo, seus olhos negros encontraram-se com os dele.

-Não quero lhe matar, queria lhe fazer uma surpresa.

Ela era pecaminosamente adorável e sedutora. A filha do ferreiro também trabalhava na cozinha do castelo vez ou outra em troca de alguns tostões. D.O a conhecia a algum tempo e sempre a admirava de longe. Mas, ha algum tempo, ela o havia notado, e munido de coragem ele se declarou a ela. Ambos não tinham nada a perder e não deviam nada a ninguém. Talvez ele devesse alguma obrigação ao rei e aos príncipes, mas isso não o impedia de amar quem ele quisesse. Essa era a melhor parte de sua posição.

-Bem... Eu... Estou feliz em ver você.

-É mesmo? -ela deu um passo em sua direção, levando a mão em seu pescoço e puxando-o para perto, seus lábios se tocaram sutilmente e o que era apenas um breve beijo começava a ganhar embalos mais envolventes. Recuperando sua razão, D.O a segurou pela cintura e a afastou um pouco.

-Sim, é verdade. Toda vez que te encontro tenho uma surpresa deliciosa. -ele sorriu, olhando os lábios da garota que agora estavam mais avermelhados- Porém... -suspirou, voltando a encará-la- Tenho trabalho a fazer e talvez fiquemos alguns dias sem nos ver.

O sorriso na face dela foi desaparecendo aos poucos.

-O rei lhe mandou para outra cidade em alguma missão?

D.O maneou a cabeça para o lado, deu um passo para trás encostando-se no batente da alta janela do corredor, trazendo Elenion com ele, sem descolar seus corpos.

-Pode-se dizer que sim. Eu preciso encontrar os príncipes e trazê-los de volta. Sinto muito.

Elenion fez bico e então se afastou. Voltou a encará-lo e sorriu.

-Tudo bem, faz parte de seu trabalho afinal. Não quero me casar com um homem que não cumpre suas obrigações.

D.O confirmou com a cabeça.

-Tenho que ir agora.

Ele se curvou brevemente e então voltou a caminhar na direção de seus aposentos, precisava arrumar suas coisas o mais rápido possível.

-Kyung. -disse Elenion fazendo-o parar. Ele se virou para olhá-la.- Você me ama?

Ele sorriu, sentindo seu peito aquecer.

-Eu te amo Elenion, muito.

Ela voltou a colocar as mãos para trás do corpo, mordendo os lábios e piscando, era tudo o que precisava saber para que nada no mundo pudesse impedi-la de ficar com ele.

 

 

O príncipe general

 

O tabuleiro de xadrez estava posto em minha frente, as peças espalhadas, cada em uma na casa conforme nosso jogo andava. Lá fora não havia mais o som de festejos, apenas as vozes ocasionais dos comerciantes e das pessoas que saiam nas ruas para fazerem compras ou uma caminhada. Sehun havia saído cedo, jurava que havia encontrado pistas que o levariam até o paradeiro de meu irmão mais novo. Estava decidido a encontrá-lo. Eu e Chanyeol permanecemos na hospedaria, acredito que assim como eu, ele já estava farto de andar a esmo pelo vilarejo. Apesar de ter visto brevemente um vulto que tenho certeza que era Kai, não tínhamos nenhum progresso a não ser as tais pistas que só Sehun encontrou.

Chanyeol moveu seu bispo de casas brancas na diagonal, ameaçando meu cavalo. Nossos jogos eram, no geral, muito equilibrados. Eu sabia exatamente o que ele iria fazer, independente do andamento do jogo, e o mesmo acontecia com ele. Era difícil dizer quem ganharia uma partida. Xadrez era apenas uma das coisas que partilhávamos que os demais não achavam graça ou simplesmente ignoravam.

Ele se inclinou para a frente, coçando o queixo.

-Acha que seu pai seria ousado o suficiente para ameaçar Chandrillah ou até mesmo atacá-la?

Eu apoiava minha cabeça na mão esquerda enquanto analisava as possíveis jogadas.

-Ele tem a empáfia de cuspir na cara do rei de Chandrillah caso seja isso que ele tenha vontade de fazer hoje. Mas certamente ele pensará duas vezes antes de o fazer. Sabe que o poder militar de Chandrillah é maior do que o de Pallas.

Ele suspirou confirmando com a cabeça.

-Mas ele parece não estar com medo de que Chandrillah se una a causa de Pallas. Acha que há alguém aqui que o informa sobre o que está acontecendo? Que o deixe ciente de que o rei não vai aceitar uma aliança.

Estalei os dedos antes de mover minha torre para o lado, invertendo a posição com o rei em uma casa.

-Com certeza ele deve ter algum informante aqui como o próprio rei de Chandrillah e de Pallas devem ter um informante em Nortundria. É algo bem comum. O porque de Rollo ainda não ter aceitado essa aliança também é bem óbvia, não acha? Lembre-se do que ouvimos dos aldeões, quem governa a nação são os conselheiros e eles querem evitar guerras e batalhas, mesmo que isso signifique a humilhação de sua honra. Pelo jeito Miesta Vilkay e toda Chandrillah estão precisando de um novo regente.

-E aí entram as princesas.

-Sim. Aí entram as princesas.

Chanyeol sorriu, levando a mão sobre suas peças para o próximo movimento quando o trinco da porta girou. Nós dois paramos e apenas olhamos para o lado, aguardando. Sehun entrou pela porta, arfando. Estava coberto de poeira, em seus cabelos haviam teias de aranha, sua roupa, antes preta, estava marrom. Ele fechou a porta atrás de si e caminhou até uma poltrona onde desmoronou, soltando a bolsa onde levava suas armas e armadilhas.

Eu e Chanyeol voltamos nossa atenção para o tabuleiro.

-Ele te enganou de novo. -disse para Sehun, sem levantar os olhos para ele.

O batedor se remexeu na poltrona.

-Eram pistas falsas, eu deveria ter percebido isso desde o começo.

Chanyeol bateu palmas e se inclinou para trás após mover sua rainha.

-Xeque!

Cerrei os olhos inclinando-me novamente para a frente, estudando minhas alternativas.

-O que vamos fazer? Não podemos ficar aqui por muito tempo. Os boatos de que você e Kai estão na cidade agora se espalharam. Todos estão falando sobre isso. Vi o mercenário que acompanha o príncipe feiticeiro rondando o vilarejo hoje.

Chanyeol se virou para Sehun.

-Mas ele não te conhece, não é mesmo? Não há porque se preocupar. Há alguns soldados de Pallas aqui também.

-De qualquer forma, todos estão em estado de alerta.

-Shiiuuuu. -disse, fazendo os dois ficarem quietos- Preciso me concentrar.

Ouvi Chanyeol rir baixinho e então alguém bateu na porta.

-Você pediu alguma coisa? -perguntou Chanyeol.

-Não. Vá ver o que é. -respondi.

-Sehun, vá ver o que é.

-Por que eu?

-Por que o príncipe pediu.

-Ele pediu para você ir. Eu acabei de chegar de uma missão.

-Estou jogando. Faça o favor e vá atender a porta.

Ouvi Sehun resmungar alguma coisa e então se levantar. Ergui os olhos em direção a porta. Assim que o batedor a abriu foi golpeando, curvando-se para frente. Eu e Chanyeol nos colocamos em pé rapidamente mas, quando vimos a pessoa que estava do lado de fora e que havia dado um soco no estômago de Sehun, paramos imediatamente.

D.O segurou Sehun pelo colarinho de seu casaco e fez ficar ereto novamente.

-Idiota.

Então entrou no quarto, dando um tapa em minha cabeça e um chute na canela de Chanyeol que voltou a cair na cadeira.

-Mas... Que diabos... -disse voltando a olhá-lo. Kai passou pela porta, fechando-a em seguida.

-Você -disse D.O apontando para mim- Você... -apontou para Chanyeol- E você... -apontou para Sehun- Estão mortos. Mas, irão me explicar que brincadeira idiota é essa antes que eu os mate.

Sehun olhou para Kai que o cumprimentou com um leve manejo de cabeça.

-Como foi que D.O o encontrou.

-Porque eu não sou um idiota que segue pistas falsas. -respondeu ele se voltando furiosamente para Sehun- Pelos céus. Onde vocês andam com a cabeça que não seguram seus príncipes no castelo? Vocês dois, não sabem como aquilo está um caos, precisam voltar e fazer alguma coisa, nem que seja atrasar o pai de vocês.

-Eu não vou voltar. -disse Kai, cruzando os braços e sentando na poltrona onde antes estava Sehun.

-Como é que é? -me aproximei dele rapidamente- O que pensa que está falando. Eu vim aqui para buscá-lo. Sabe a confusão que pode se tornar tudo isso caso descubram que estamos aqui.

-O boato sobre... -começou Sehun.

-Todo mundo já sabe sobre o boato. -interrompeu D.O- Seu pai é um louco, tirano, incontrolável, ele tem um plano, aliás, que já colocou em prática. Se vocês não fizeram algo logo... -D.O parou de falar, respirando fundo em seguida. Ele levou a mão a cabeça e esfregou as têmporas.

O que quer que meu pai estava planejando, deixava D.O assustado, ou melhor, apavorado. Por um momento me perguntava o que estava fazendo ali. Minha obrigação como príncipe general era manter a ordem sobre as tropas de Nortundria. Mas, mesmo que eu estivesse lá, nada poderia fazer sobre os planos de Kavisar. Voltei para o lugar onde estava antes, diante do tabuleiro de xadrez. As peças postas, o jogo já havia começado a muito tempo mas o jogador não estava ciente disso. Eu precisava pensar no próximo movimento, e logo. 



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