História Chapeuzinho Vermelho - Capítulo 24


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Sei que desapareci, mas estou de volta.
Divirtam-se!

Capítulo 24 - Capítulo Vinte e Quatro - Elite


 

           Charlotte sentiu a consciência escorregar pra longe de seu alcance assim que amanheceu, sua mente escureceu e ela simplesmente desmaiou, sem conseguir se segurar a realidade.

 

 

          Harry viu Suzana arrumar uma mala de viagem, mesmo sob todos os protestos que Fernanda fazia, vó Juliana estava em sua casa, ainda furiosa por não saber notícias da neta.

-Fernanda, chega. —Suzana disse. —Eu vou atrás da Charlotte e não, vocês não podem me acompanhar.

-E por que não?

          Suzana estava mais pálida que o comum e aparentando um terrível cansaço. A verdade é que Harry já não aguentava mais fingir que estava interessado nos argumentos de Suzana e simplesmente se retirou da casa.

           Harry atravessou a Vila rapidamente e logo encontrou Marcelo, trocando as ferraduras do cavalo.

-Quando vocês vão partir, Marcelo? —Harry questionou, sem se preocupar em cumprimentar.

            Harry gostava do velho Marcelo, era um homem direto e que não se preocupava muito com formalidade.

-Ainda hoje.

-Sabe me dizer com quem a tia Suzana está indo?

-Não conheço o sujeito, mas sei que não é daqui de Ventanis. —O homem passou a costa da mão esquerda na testa, para limpar o suor que escorria. —É uma caravana de fora, eles passam de Mirelis e vão partir um pouco antes da gente. —Deu um tapinha no cavalo, ao se colocar de pé.

-Acha que ela estará segura com eles?

          Marcelo soltou um riso anasalado e encarou Harry, com aqueles grandes e desconcertantes olhos negros.

-Ninguém se atreveria a não obedecer sua tia, menino. —Riu novamente. —Desde que se mudou pra cá  todos sabem que ela não é uma mulher que aceita desaforo e todos tem grande respeito por ela.

-Mas ele não é daqui.

-Sua tia também não. —Harry mordeu a língua pela segunda vez. —Mas ela parece conhecer o homem.

-Entendo. —Harry forçou um sorriso calmo. —Obrigado pela informação.

-Não fica preocupado com ela não, dona Suzana sabe se cuidar melhor que qualquer um que eu conheço.

           Harry voltou pelo caminho que fez, a mente estava longe. Suzana não era de Ventanis, ele sempre imaginou que ela crescera ali, mas sua tia nunca falou muito do passado.

-Harry. —Ele ergueu os olhos e encontrou senhora Ornet acenando de sua varanda. —Venha até aqui, rapaz.

           Harry subiu a pequena escada até a varanda e sorriu um pouco para a senhora.

-Olá, Sra. Ornet.

            Os olhos verdes da velha o analisaram profundamente.

-O que você tem?

-Do que a senhora está falando? —Ele forçou o sorriso.

-Não tente me enganar. —Alertou ela, dando aquele sorriso sábio. —E não me diga ser somente preocupação com a Chapeuzinho.

         O nome fez o peito de Harry apertar. Era a segunda Lua Cheia que ela passava longe e desaparecida.

-Eu tenho medo que ela não esteja mais viva. —A mulher sorriu.

-Ela está. —Não havia como duvidar da convicção dela.

-Como a senhora pode ter tanta certeza?

           Senhora Ornet sorriu e começou a caminhar para a sala, o chamando para acompanha-la.

-É por isso que sua tia está de partida, rapaz. —Ela sorriu novamente. —Ela vai atrás da nossa querida Chapeuzinho Vermelho.

-Mas e se ela estiver errada?

-Não está. —Ela afirmou.

-Por que diz isso?

-Não faça perguntas a qual não quer realmente as respostas. —Avisou, sentando na poltrona da sala. —Charlotte está viva.

-Eu gostaria de ter a mesma certeza que a senhora. —Disse o rapaz, se afundando no sofá. —Sinto que a estou traindo só de imaginar que ela está morta, mas eu não consigo não duvidar.

-Essa é a natureza básica humana, Harry. —Ela falou com gentileza. —Sua irmãzinha sente sua falta, tenho certeza, mas ela não está desprotegida. —Sorriu. —Você a conhece melhor que qualquer pessoa. Acha que ela seria morta no meio da estrada por ladrões, como estão dizendo?

-Ela provavelmente faria com que os ladrões a largassem no meio da estrada. —Ele disse sorrindo. —Mas meu medo não são eles. —Suspirou e passou as mãos no rosto. —Os Lobos, eles são o perigo real.

-Sempre foram, mas ela ficará bem e...

           Alguém bateu na porta e logo uma cabeça masculina apareceu. Fazendo senhora Ornet sorrir.

-Stephan, meu querido. —Cumprimentou. —Entre.

             O homem era bem mais alto e forte que Harry, os olhos marrons e pele negra chamavam atenção. Assim como a longa cicatriz em sua bochecha esquerda, dois  longos arranhões.

-Tia Amélia. —Ele deu um sorriso de canto, se abaixando para dar um rápido abraço na mulher.

-Harry, esse é Stephan. —A senhora apresentou. —Neto do meu falecido irmão.

-Seja bem vindo à nossa Vila. —Harry cumprimentou, sendo o mais cordial possível.

-Obrigado. —A voz do homem era forte como um trovão. —Mas só passei pra me despedir mesmo, já estou de partida.

-Então vou deixá-los se despedir e irei falar com a tia Suzana. —Informou para senhora Ornet. —Volto mais tarde pra ver se a senhora precisa de algo.

-Obrigada, meu rapaz.

           Harry se dirigiu para a concentração da Caravana, se sentindo estranho, a última vez que estivera ali foi para se despedir de Charlotte, que não via desde aquele dia e mesmo que Suzana tivesse mentindo e omitindo coisas, ela ainda era o que restava de sua família.

           Harry a localizou facilmente e logo a abraçava, o que não fazia desde a aparição de Christopher e da conversa que ele a vira ter com o homem.

-Tome cuidado e volte o mais breve possível. —Pediu e ela sorriu, tocando gentilmente o rosto do rapaz.

-Cuide-se e cuide de sua irmã. —Ela pediu em troca.

-Farei isso. —Assegurou.

-Eu sei. —Ela sorriu novamente e lhe abraçou. —Fiquei próximo a senhora Ornet, ela sabe como se salvar dos Monstros. —Sussurrou para ele.

           Harry ficou sem reação, foram as mesmas palavras que Charlotte lhe dissera quando estava partindo, também sussurradas ao seu ouvido.

 

 

 

           Charlotte sentia a cabeça pesar de uma forma horrível, assim como um gosto amargo em sua boca e um calor absurdo.

-Ela está meio esverdeada. —Ouviu o tom levemente debochado. —Tem certeza que não é melhor atirarmos o corpo em uma vala?

-Vá a merda. —Disse baixo, mas alto o suficiente para fazer Alfred rir.

-Não me culpe pela péssima aparência.

           Charlotte abriu os olhos e encontrou os dele.

-Você também não é uma boa imagem para se ver logo ao acordar.

-Você está se sentindo bem? —Ela virou a cabeça, ao som da voz de Kyle, que parecia muito aborrecido por ser ignorado.

-Por que não estaria? —Pigarreou.

-Porque você dormiu por dois dias completos, sem que ninguém conseguisse te acordar. —Christopher falou, surgindo ao seu lado com um copo de água nas mãos.

-Do que você está falando?

          Christopher a encarou em dúvida, mas ergueu a mão e tocou a testa da menina, que pareceu que lhe arrancaria a mão.

-Você teve febre durante todo esse tempo, estava ardendo em febre. —Informou e ela pegou a água, mas os olhos estavam duros. —Na verdade ainda está um pouco.

-Você delirou, falou muita coisa sem sentido também. —Kyle disse.

-Você chamou pelo Harry e pela Fernanda. —Christopher falou.

           Char fez careta e olhou para Alfred, que se mantinha em silêncio.

-Eu cheguei alguns segundos antes de você acordar. —Se defendeu.

            Charlotte olhou em volta e percebeu não estar no seu quarto, aquele lugar nem mesmo era na casa de Kyle, o que a fez franzir o cenho.

-Onde estamos?

-Na minha casa. —Seu pai disse e ela sentiu a raiva lhe aquecer.

-Eu quero sair daqui. —Disse.

-Char... —Kyle tentou argumentar e lhe segurar na cama.

-Não encosta em mim e não fala comigo. —Mandou.

            O tom fora cortante e ele recuou automaticamente, como se ela o repelisse.

-Chapeuzinho, Chapeuzinho. —Alfred surgiu em sua frente e segurou seu ombro, a forçando a permanecer sentada. —Pra que tanto espetáculo?

-Eu não vou ficar aqui, Alfred. —A raiva queimava sua língua. —Eu já fui prisioneira na casa do Kyle por tempo mais que o suficiente, agora não vão me obrigar a ficar na casa do Christopher, não vão mesmo.

           As mãos de Kyle abriram e fecharam, mas ele não disse nenhuma palavra.

-Charlotte, você não pode voltar para a casa do Kyle. —Christopher avisou.

-E por que não? —Exigiu, se colocando de pé, mas a tontura não lhe ajudou e ela precisou ser amparada por Alfred, que a segurou antes que ela fosse ao chão.

-Sempre me dando trabalho. —Alfred sussurrou pra ela, que o olhou surpresa e quase sorriu, mas não deixou que mais ninguém, além dele, notasse.

-Kyle, me diga o por que de não podermos ir pra sua casa. —Alfred notou a força que ela empregou nas palavras e em como Kyle suou para não contar, mas as palavras pareciam queimar em sua boca.

-Porque a casa pegou fogo. —Soltou de uma vez.

           Char fez careta.

-Como?

-Um incêndio. —Kyle parecia tentar conter as palavras, mas elas eram mais fortes. —Começou no seu quarto. —Ele ofegou.

-E?

           Charlotte inclinou a cabeça para o lado direito, sabendo que por algum motivo Kyle não conseguia lhe esconder nada.

-E eu a tirei de lá, o fogo se espalhou pela casa e queimou todos os móveis. —Ele arfou. —Não vai dar pra morar lá agora.

-Como começou esse incêndio? —Ela quis saber, o vendo estremecer, parecendo lutar com amarras invisíveis.

-Você... —Ele grunhiu. 

-Charlotte. —Christopher chamou, mas ela encarou Kyle com mais firmeza.

-Você não consegue mentir pra mim, não é?

-Não. —Ele parecia sofrer ao dizer aquilo.

-Por que?

-Chapeuzinho, vai com calma. —Alfred pediu, mas ela notou o aviso implícito. "Vá com calma, mas pergunte tudo o que quer."

-Por que, Kyle?

-Porque eu sou obrigado.

-Por qual motivo?

-Charlotte. —Christopher chamou sua atenção, mas ela o ignorou.

-Por qual motivo? —A voz fora firme.

-Porque eu lhe prometi e não posso quebrar essa promessa.

-E por que?

-Porque você... —Ele estremeceu da cabeça aos pés. —Porque você... —Char nunca vira alguém lutar daquela forma contras as palavras e o próprio corpo.

-Você é um Lobo, Kyle?

           A pergunta pairou no ar, fazendo o silêncio ficar pesado de uma forma surpreendente, só a respiração pesada de Kyle era ouvida.

-Sou. —Ele suava em bicas.

           A verdade é que ela não se surpreendeu, imaginara isso na noite de Lua Cheia, devido a seu sumiço.

-Por que você não pode mentir pra mim, Kyle?

            Kyle fechou os olhos com força.

-Porque você é da Elite.


Notas Finais


E ai? Curtiram?
Deixem seus capítulos para que eu saiba que estão gostando.
Beijos e até o próximo capítulo.


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