História Charlotte as chamas da raposa - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Palavras 4.372
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Slash, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


I'M BACK BITCHES!

Eles disseram que eu não voltaria, mas cá estou eu. De volta a ativa! Cap num tamanho mais ou menos, eu sei, mas eu prometo que o próximo vem rapido ;-; Ele já tá na metade e, tipo, eu ando tendo um tempinho a mais, tanto que tô com um projeto novo UHUUULLL (Não basta os que já tenho, minha cabeça arruma outros) Sorry a demora, DESCULPA MESMO! Agora eu vou tentar deixar uns 3 caps prontos pra eu poder postar de novo com data fixa, isso é um sonho que tô tentando atingir :T De qualquer jeito, vamos ao que interessa: O capítulo.

As coisas tão se complicando pro lado da Charlotte e CIA (tenho preguiça de escrever tantos nomes) Será que eles vão sair dessa? Eu num zei, tô igual escritora de sinopse lixo, só lendo pra saber shaushauhs

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Capítulo 3 - O negócio da família


Fanfic / Fanfiction Charlotte as chamas da raposa - Capítulo 3 - O negócio da família

“Há dois tipos de dor: a dor que te torna mais forte e a dor inútil, a que se reduz a sofrimento, não tenho paciência pra inutilidades.” — Frank Underwood

Após ouvir a voz ecoar por toda a prisão sinistra, a reação da garota foi permanecer onde estava, tentando manter sua respiração regular, ela lera em algum lugar que manter a respiração regular ajudava a aliviar a dor, nesse momento ela tinha vontade de socar a cara de quem inventou isso. Ela fechou os olhos, ia gritar, queria que aquilo acabasse de uma vez, rápido de preferência, mas ela não estava em condições de exigir uma forma digna de morte. Puxou todo o ar que seus pulmões suportaram, sentindo uma dor lancinante correr seu tórax e abriu os olhos pronta para depositar a última energia que seu corpo era dotado num só grito.

Ao abrir os olhos viu Fenrir a sua frente, ele fez um gesto para ela ficar quieta, ela resolveu que ninguém queria deixá-la morrer e nem adiantava ir contra isso, afinal mal tinha forças de se mover. Então o Deus assumiu sua forma de lobo e foi sorrateiro em busca de quem quer que fosse que tinha passado por aquelas portas.

Depois de um tempo apreciando a falta de escolha de que é dotada, ouviu passos ecoando leves e secos. Resolveu abrir novamente os olhos, focando melhor sua visão na escuridão a frente, viu dois olhos azuis parados, a fitando com um mesclado de pena e raiva, aqueles gélidos olhos azuis lhe trouxeram um conforto, a chama da esperança se reacendeu em seu peito e mesmo com toda a dor e a falta de forças, ela se levantou cambaleando.

Ela teria caído de cara no chão se o pai não a tivesse segurado num abraço, ela sentiu-se segura ali e aliviada. Podia pensar no amanhã novamente, lembrou-se de uma coisa que Loki lhe disse há muito tempo atrás “Você não sabe, nem vê, mas eu estou lá por você. Não é porque você não vê que algo não está lá”.

—Ei, você está bem? Se aquele bastardo tocou em você eu…

—Não eu… — Ela tinha dificuldades em manter-se em pé mesmo com apoio, doía demais em seus ossos e juntas.

—Ainda bem! Porque eu quem vou te matar quando te tirar daqui, sua imbecil! — Ralhou a fazendo rir — Acha graça?! Passei as últimas horas numa cela em Asgard aturando um bando de deuses que não mudou nada em quase um milênio! Graças a sua estupidez!

Ela gargalhou, imaginando a cena. Por aquele mínimo instante ela até tinha esquecido dos problemas e da dor, até mesmo da mágoa por estar sendo enganada todo esse tempo. Mas alegria de Charlotte é igual de pobre, dura pouco.

—Sobre isso… Foi mal… — Sua voz já estava baixa pela sua situação física, junto a vergonha chegou a um tom quase inaudível.

—Deuses, você está mal, pedindo desculpas? — Brincou — Como está seu corpo? — Perguntou sério, ele não tinha ideia dos efeitos que usar todo aquele poder divino iriam ocasionar nela.

—Eu estou bem… Só… Preciso sentar antes que eu desmaie — E voltou a se sentar encostada em sua ruína, o que soa engraçado, Loki a acompanhou sentando ao lado da filha.

—Estou vendo, belo lugar que você se meteu — Alfinetou, ela encolheu os ombros sabendo que tecnicamente estava errada — Eles vão montar um julgamento…

—Oi?!

—Você não vai poder assistir por ser perigosa demais, eles negaram esse direito após uma assembléia irritante, todos associados a você também vão ser. Pode me lembrar seu bom motivo para ter feito essa merda?!

—Eu não… Queria… Pensei — Ela não sabia o que falar.

—Você tem que parar de agir assim, Charlie, essa sua impulsividade, agir movida por ódio e vingança. Não vai te trazer nada de bom! Pelos Deuses, quantas vezes eu tenho que ameaçar te amarrar em uma cama para você parar de fazer coisas estúpidas?! — Apesar da irritação, ele estava mais aconselhando do que brigando.

Ela abaixou a cabeça, eram raras as vezes que não tinha uma resposta pronta na ponta da língua. Fenrir observava a situação de longe, sem nem mesmo ser notado.

—Eu vou fazer tudo para te tirar daqui, mas não há como negar que você matou trinta e cinco pessoas e torturou outra, fora o acordo maldito que para sua sorte eles não são cientes! — Ela o olhou espantada, não tinha como ele saber daquilo, quem contou? Sua boca desenhava um O perfeito pela surpresa — Sim, eu sei. Quando eu te tirar daqui vamos ter muito o que conversar! Não garanto justiça da parte dos Aesir, então se você tiver qualquer ideia mirabolante faça, saia daqui o quanto antes, porque quando esse julgamento acabar o feitiço vai ficar mais forte. Agora, eu tenho que ir… — E começou a se levantar, Charlie tinha orgulho demais para admitir, mas estava apavorada.

—Pai… — Agarrou o braço do homem, ele se virou vendo aqueles olhos que transmitiam tanto temor, ela não tinha forças para se defender, nem aos seus amigos.

Suspirou, aliviando a tensão.

—Charlie, você vai sair daqui. Seus amigos estão bem, todos eles — E se agachou para olhá-la nos olhos — Não vou deixar eles prendarem minha raposinha — Ela sorriu de canto, se segurando para não chorar, Loki depositou um beijo na testa da filha antes de sair dali.

Ela queria falar algo, qualquer coisa, mas nada lhe vinha em mente. Nada bom o suficiente, Loki se distanciava mais a cada passo e, a cada som que os mesmos produziam maior era a angústia no peito da loira.

—Pai! — Chamou o mais alto que pôde, ele se virou — Caso dê errado e eu não consiga sair daqui, caso o pior aconteça — Ela piscava simultâneas vezes para não chorar — Eu… Sinto muito, me desculpe…

Nem ela acreditava que tinha dito aquilo, ali estava a garota que sempre se vangloriou dizendo não se arrepender de nada, pedindo perdão e ainda por cima, numa situação de dar pena.

—Vou te fazer dizer isso de novo quando te tirar daqui. E se prepare para dizer aos seus amigos também, só tente mais uma vez, de novo e de novo — Ele falava alto o suficiente para ela ouvir, então caminhou vagarosamente até a saída, logo depois as portas gigantescas foram fechadas e a mais pura escuridão invadiu novamente o lugar.

Logo em seguida, Charlotte se voltou para o teto, ou o que deveria ser ele, se surpreendeu ao ver galhos enormes e coisas estranhas, faíscas iluminavam o teto vindas de um lugar onde havia apenas fogo. Lágrimas corriam novamente de seus olhos, enquanto ela vislumbrava algo tão primordialmente lindo.

—Você sabe… — Fenrir se aproximou — Você tem sorte.

—Me deixa — Respondeu desanimada.

—Não, vou te contar uma história sissy — Brincou e se encostou em uma ruína qualquer — Há muito tempo atrás, mais tempo do que seu calendário tenha noção, Thor, Loki e os outros deuses que não importam eram todos jovens, tudo era muito novo no mundo. Mas os Deuses eram conhecidos por terem forças extraordinárias. E bem, Loki nunca foi símbolo de força física, isso era motivo de os outros Deuses o menosprezaram, o subestimaram, afinal, o que um fraco poderia fazer a alguém tão mais forte? Se tem algo que Loki aprendeu foi a jogar com as cartas que tinha…

“A frase a pena é mais poderosa que a espada, dá todo o sentido as atitudes dele e do quão facilmente ele se livrava dos problemas. Ele usava o cérebro e, muito bem, porque não havia Deus no céu, na terra ou em qualquer fenda escura de Ginnungagap que ele não pudesse enganar, enganou ao próprio Odin que sabe de tudo, tem noção do quão difícil é enganar alguém praticamente onisciente? Aposto que o Diabo cristão sabe, mesmo que todos o vissem como um coitado na juventude, logo ele se mostrou a raposa que é, astuto, intuitivo, o tipo de cara que você não quer por inimigo.

Mas, era um sujeito desprezível, do tipo que arrumou centenas de milhares de inimigos em todos os lugares e, nem os Deuses sabiam ao certo porque o mantinham em Asgard. Loki não usava sua inteligência para coisas boas, não que ele estivesse errado por agir em interesse próprio, mas, avareza, inveja, ódio… Tudo isso e mais uma penca de sentimentos ruins o moviam, como quando ele fez Thor perder o próprio martelo para vesti-lo de noiva e fazê-lo passar o ridículo apenas para mostrar que Thor era um imbecil de primeira, mesmo sendo hilário… Foi algo apenas para alimentar o ego dele.

Isso deu certo por um bom tempo, o cara era um charlatão de primeira. Mas ai ele começou a ultrapassar o limite, porque até isso tem limite, Primeiro teve um lance com uma giganta e CHADAM Eu e minhas irmãs nos tornamos principal assunto do conselho Asgardiano, por muito tempo eles procuraram motivos para nos chutar de lá até que realmente encontrarão, depois ele matou um gigante qualquer ai e se casou com Sigyn, mas não se engane, nunca foi amor, ele queria um troféu para ostentar, minha madrasta era muito bela e, não queria se casar com o tal gigante então ela até que não achou tão ruim.

Depois disso a coisa desandou, a cada dia algo novo aparecia, mais motivos para se odiar Loki, até que chegou ao ponto de nem Thor aturar ele, Thor pode ser imbecil, irritante, burro como um trasgo, insuportável quando começa a cantar e muitas outras faltas de qualidades, mas ele cresceu junto ao Loki e eles são praticamente irmãos, sempre se consideraram assim, mesmo que Loki seja irmão juramentado de Odin, enfim, estava insuportável para todos. Aí veio a gota d’água, pela mais pura inveja ele matou Baldor, todos conhecem a história e como ela acabou, numa caverna com veneno de cobra na cara até o fim do mundo”

—E eu com isso? — Resmungou.

—Você às vezes se recusa a usar a inteligência que tem não é mesmo? Você, acéfala, está fazendo exatamente a mesma coisa, afastando todos, um por um, agindo movida por sentimentos vis, não dando a mínima para as consequências de seus atos. A verdade é que você adora falar do quão imbecil Loki foi enquanto faz as mesmas merdas!

—Como se eu agisse em interesse próprio! — Bradou irritada.

—Há egoísmo maior do que obrigar uma alma fadada ao fim a continuar aqui apenas porque você gostava da pessoa?! E seus meios para fazê-lo tornam tudo mais podre — Sua voz era ácido a cada palavra que atingia a pele da loira, ela ponderou aquilo tudo se desesperando com a ideia de ele estar certo.

—Eu não sou como ele… — Balbuciou entristecida.

—Não, mas está se tornando — Ralhou — Continue nesse ritmo e ainda vai parar em lugares piores do que aqui, eles já odiariam qualquer um que infligisse tanto as regras, mas você tem o agravante de ser filha de Loki. Qualquer passo fora da estrada é motivo para eles, uma falta de respeito aqui, um assassinato ali, um deslize acolá e quando você ver está presa na mais segura prisão do Universo,  eles não dão a mínima para justiça, querem atingir o pai de qualquer jeito e você é um ótimo meio para esse fim!

Ela soltou um riso debochado, contraindo o maxilar, olhou em volta logo erguendo o olhar para o irmão.

—E quem diabos você pensa que é? — Cuspiu as palavras com escárnio — Quem é você para me dar sermão? Hein, Fenrir?! Não, porquê eu deixo o pai fazê-lo muito raramente por mesmo que eu não soubesse ou quisesse, que eu odiasse, ele estava lá por mim. E você? Não tem direito de questionar meus atos quando você também se meteu aqui! — Bradou indignada — Você está destinado a devorar Odin por pura vingança, porque ele te prendeu aqui. Quem é você para dizer um “A” da minha pessoa? Quando é apenas o maldito lobo que me puxou para o lado negro! Que colocou um alvo nas minhas costas no dia em que nasci, a culpa não é exatamente sua, mas não me faça dizer onde é para você enfiar essa opinião!

Fenrir gargalhou alto, num volume tão elevado que fez algumas ruínas do local soltarem pedaços de suas estruturas comprometidas, espalhando ainda mais detritos no chão.

—Você realmente é uma raposa — Conteve mais o riso — E você, Charlie, quem é? O que sabe da minha vida para afirmar com tanta convicção que não tenho direito a algo? Porque sei tudo sobre você, sissy, você ataca quando se sente acuada, eu entendo, mas isso não te faz ficar certa! E eu já cumpri meu destino muito tempo atrás, você não sabe não é? O ragnarok já aconteceu, há muito tempo atrás, tudo foi nos conformes, exceto que com as décadas que se seguiram os Deuses mortos começaram a ressurgir um a um, inclusive eu!

—Como…

—E, para sua informação, eu vim parar aqui por simplesmente existir, eu nunca tive o lado ruim do Loki, sou um lobo acima disso, sei seguir hierarquia, tenho respeito e me importo com os meus. Mas os Deuses nunca aceitaram um filho de Loki com tanto poder, eles sempre arrumavam motivos para me importunar, eu conseguia levar, até que conheci uma pessoa, alguém incrível, a mãe dos meus filhos e, bem, eles acharam um meio de me atingir. Eles provavelmente vão usar o Arthur para te atingir também. Quando Hati e Skoll nasceram, eu não tive a chance de vê-los, Luna teve que fugir com eles para que os Asgardianos não tivessem ciência da existência deles, mas não dá para esconder algo por muito tempo dos olhos de Heimdall e quando eles descobriram… Eles mataram ela, Hati e Skoll fugiram, um passou a perseguir Máni e o outro Sol, e a mim? Eles jogaram nessa prisão deprimente sem ter tido o direito a um julgamento que fosse, sem poder dizer adeus a mulher que um dia eu amei.

Ela engoliu seco, sua boca estava aberta pela surpresa, sobrancelhas erguidas e olhos arregalados. Charlotte não sabia o que falar, abaixou a cabeça e olhou para o lado, se deparando com um acônito bem desenvolvido, florado e belo. Seu cérebro confuso aproveitou a chance e bolou um dos seus planos mirabolantes.

—Acônito é um imã de magia, né? — Indagou começando a processar a ideia.

—Mudar de assunto, sério? Tem maneiras melhores de admitir que você é imbecil! — Rosnou, ele claramente não estava a vontade por ter citado o próprio passado, não o fizera de propósito, acabou deixando sair na adrenalina do momento.

—Não é isso, se acônito é um imã e eu colocar ele numa lâmina, ele vai fazer o corte dela absorver magia! — Se levantou com certa dificuldade — Hidromel, o quão forte essa bebida é?!

—Hã… Pode ter a força de uma bomba atômica, mortais comuns não podem nem vê-lo, isso os cegaria e mesmo você que tem sangue divino não deve consumir grandes quantidades…Não acabaria bem — Especulou consigo mesmo.

—O pai não disse que o feitiço que nos prende aqui está fraco? Isso pode ser bom, vamos enfraquecer ele o suficiente para sairmos, aqui fica em Asgard certo? — Ela tentava se lembrar ao máximo dos mitos, mesmo assim, nesse um ano de pesquisas sobre mitologia nórdica ela descobriu que os nórdicos tinham uma das mais confusas e diversas mitologias — Se podermos sair… Conhece o terreno?

—Charlie, isso está fácil demais para dar certo…

—Fácil demais? Temos que arrumar um jeito de retirar o sumo do acônito, passar na espada e ainda, torcer para que aquela valquiria traga mais hidromel. Estamos apostando nossas fichas e perder não é opção, Fenrir, depois você pode ficar depressivo pelo seu passado ferrado — E começou a olhar em volta — Tem madeira por aqui? Preciso de madeira, fogo e… Dar um jeito naquela valquiria, pelo que sei elas não são amigáveis com fugitivos…

—NÃO VAI TOCAR NUM FIO DE CABELO DELA! — Gritou, assustando a loira.

—Tá bom… Calma, quem é ela? — Cruzou os braços, ainda sem entender a reação do Deus Lobo.

—Não sei, mas, matar uma valquíria é uma afronta direta a Odin, pior que mexer com os corvos dele, então deixe-a em paz se não o quer na sua cola pela eternidade — Mudou de assunto o mais rápido que pôde, aquela valquiria de pele morena, tão bela de maneira exótica para os nórdicos.

Na europa não havia muitos negros naquela época, ou seja, os Deuses nórdicos não conheciam muitas pessoas negras. Mas há tanto tempo atrás, quando ele colocou pela primeira vez os olhos em alguém de pele escura, ele não a achou inferior como os europeus viriam a fazer no futuro, ele não achou aquilo uma abominação ou criatura não-humana; Não, ele pensou estar pondo os olhos na mais rara pedra preciosa no mundo, sim, porque há tantos diamantes pelo mundo, mas diamantes negros? São raros, únicos e de beleza excêntrica compreendida por poucos.

—Ei, Fenrir, terra chamando! — Falou olhando a cara de perdido do irmão — Plano de fuga, cara, depois você chora pelo leite derramado!

—Pode me lembrar por que ainda não te matei?

—Porque você me adora! — Brincou — Agora, onde tem árvores por aqui?

***

Loki estava com cara de quem preferia morrer a estar ali, encostado nas grades da cela, ele sabia onde Charlotte estava agora, pelo menos, também tinha o péssimo sentimento que não havia como escapar ileso daquela situação. Ele era expert quando o assunto era se meter em problemas com os Aesir, também sabia o preço de alguns desses problemas, não queria isso para Charlie e apostava tudo em que ela pudesse fugir, a prisão tinha ficado silenciosa de repente, como se a ficha de todos finalmente tivesse caído.

Ter direito a um julgamento justo em Asgard não era um privilégio, ser morto com cicuta doeria menos que qualquer punição que os Aesir tenham costume de dar a seus culpados. Tinham que sair dali, principalmente os mais próximos a Charlotte, eles seriam os alvos óbvios, porque tinham que atingir a loira e, através dela, atingir o Deus da Trapaça.

Mas como fugiriam de uma prisão mágica e depois passariam por um exército de einherjar furiosos? Ele sabia que as prisões eram perto de Valhalla justamente por isso, facilitar sua caminhada para morte, Leonard era uma boa opção, seus dragões seriam suficiente para matar alguns guerreiros imortais — Eles morrem, depois voltam a vida como se nada tivesse acontecido algumas horas depois — Mesmo assim, Heimdall os notaria antes que pudessem chegar perto de qualquer saída.

Asgard não era apenas uma cidade fortificada, ela era um labirinto cheio de problemas para seus prisioneiros, o único caminho de saída onde eles teriam chance seria pelos galhos de yggdrasil, mas o risco de cair no Ginnungagap ou dar de cara com Ratatosk tornavam essa uma alternativa para situações extremas, que não houvesse mais opções menos inviáveis. Ratatosk, o primeiro ser autodestrutivo do Universo, é um esquilo infernal, que vive em yggdrasil, sua ocupação é levar mentiras para Nidhogg (Dragão que devora as raízes de yggdrasil) e para a águia que habita o topo da árvore, ela bate suas asas para derrubar os galhos da mesma, talvez ele não saiba que está acelerando a destruição da própria casa, ou simplesmente odeia toda a existência.  

Não era bom dar de cara com essa criatura, sua aura pessimista costuma levar os outros a loucura. E cair no Ginnungagap era uma opção menos deprimente, já que virar nada te torna nada, o que te impede de sentir algo, afinal, para isso você precisaria ser algo.

—É bom que você tenha uma daquelas ideias que salva nossos traseiros — Comentou Frey da cela a frente, que parecia tão desanimado quanto todos ali.

—Certo, raio-de-sol, o quanto seu narcisismo teme virar nada ou cair nas garras do esquilo? — Respondeu sem paciência, nada que fosse os tirar dali o vinha em mente, ele já tinha escapado das prisões de Asgard antes, mas agora tinha que levar consigo um bando de incompetentes.

—Vocês não podem pedir ajuda para outros Deuses? Sei lá, quando fui parar em schwarzwald com a Charlie, Abnoba disse ser sua amiga e, bem, ela é gaulesa — Arthur falou tirando o rosto de entre as mãos.

—Metido com os Gauleses de novo?! — Thor pareceu irritado — Quem são os próximos? Egipcios?!

—Ah, meu pai, pelo gelo de Ymir. Os tempos mudaram, Thor, eles não tem metade do poder que temos atualmente! Viraram meras lembranças na cabeça de arqueólogos — Comentou massageando as têmporas.

—Podiam pedir ajuda para alguém de fora mesmo, tipo, os gregos! — Claire falou animada com a ideia.

—Não nos misturamos com essa laia — Thor cruzou os braços numa posição de auto-afirmação.

—Com essa laia, você quer dizer os caras que são superiores a nós, eles que não se juntam conosco, a ajuda seria bem-vinda — Loki comentou — Tudo porque um imbecil resolveu brigar com Ares/Marte quando os bárbaros estavam invadindo Roma!

—Como assim? Alguém me explica isso? — Mark perguntou perdido, para ele havia o Deus, com D maiúsculo e os nórdicos, agora pareciam ter mais uns milhares.

—Os gregos e romanos estão bem presentes atualmente, são o quinto colocado no ranking divino atualmente. Em primeiro vem os cristãos, depois muçulmanos, judeus, budistas e hindus empatados no quarto lugar e, os gregos e romanos, eles não tem muitos cultuadores. Mas sua memória é presente, os números romanos, astrologia, teorema de não sei quem em matemática, Sócrates, Democracia, tudo deles. E ainda, como se não bastasse, metade dos neo-pagãos resolve seguir o panteão grego, nós estamos crescendo nesse ramo, mesmo assim, os gregos têm certo rancor e, para ajudar, somos inferiores a eles o que faz de nós um bando de imbecis atrás deles.

—Então tem tipo, milhares de Deuses de milhares de culturas diferentes?! — Claire comentou erguendo as sobrancelhas — O mundo deve estar infestado de semi-deuses e coisas do tipo...

—Está, poucos são os panteões que tinham tratados como nós. Mas, graças ao Thor e sua estupidez, vocês estão aqui. Agora, é bom acharmos um jeito de sair daqui, não há um futuro onde os Asgardianos não cobrem sangue com sangue — E passou a mão pela barba rala, pensando em maneiras de chegar a qualquer mundo sem ser pego por Ratatosk.

—Podemos apelar para Forseti...  — Syn sugeriu, rabiscando runas na parede de sua cela.

—Ele detesta o Fenrir, a Charlotte é chave para ele se soltar, acha mesmo que Forseti vai querer fazer justiça? Agora, você é a guardiã das portas dos mundos mágicos, poderia abrir um portal  — Loki sugeriu ainda entediado, ele costumava chamar Syn de Suíça, já que a mesma sempre se mantinha neutra.

—Primeiro que não tenho os ingredientes certos, por exemplo, para ir para Midgard eu precisaria de alguma joia nativa do local em questão, hidromel, água de Niflheim ... Você conhece as complicações para se abrir um portal em qualquer lugar. E, segundo, seria necessário o uso da violência então eu desaprovo completamente — E voltou a rabiscar na parede, ela desenhava um enorme porta com runas entalhadas nos arredores, Loki achou que ela não estava tão neutra assim, talvez temesse que um dos corvos de Odin estivesse por perto.

—Se alguém tem alguma ideia brilhante, agora é a hora de falar!  — Declarou apoiando a cabeça com as mãos, frustrado, nenhuma das suas ideias tiraria-os vivos dali, não podia arriscar as vidas daqueles garotos, sua única esperança era a de que Charlotte conseguisse fugir da prisão mais segura e bem guardada do Universo.

 

***

 

—Como pode não ter árvores?! — Gritou histérica — Tem que ter árvores! Porra!

—Eu nunca vi por aqui, talvez haja algum tronco morto por ai…

Ela bagunçou os próprios cabelos, o que era bem comum de ver ela fazendo, para as outras pessoas era um ato de desespero, de quem não sabe o que fazer. Mas, ela fazia aquilo para organizar as ideias, sua cabeça estava sempre no 220 e mantê-la numa tom suportável não era fácil, era insuportável por vezes aturar tantos pensamentos, então ela fazia aquilo para tentar aguentar sua própria bagunça mental.

—Uma vez… Você tinha dito que o que foi uma prisão para mim se tornou para você…

—Charlie, esse lugar mexe com seus medos, no momento está brincando com os meus  e eu sou bem acostumado a isso. Não dê passagem para que ele brinque com os seus — Alertou olhando em volta.

Ela se perguntou o que tinha de tão medonho num lugar devastado, com ruínas para todo lado.

—Eu conheço meus limites, só preciso de madeira e sei de um lugar que assombra meus pesadelos que tem muita madeira morta! — Fechou os olhos, lembrando de sua deplorável experiência em Svartalfheim.

—Não, não faça isso! — Avisou, mas já era tarde demais.

A prisão de Fenrir foi feita com o poder de brincar com a mente de seus prisioneiros, afinal, uma prisão que lhe tira a sanidade diminui muito suas chances de fuga. Além disso, era cercada por um feitiço impenetrável do qual prendia qualquer coisa dotada de magia, além de conter muralhas altas que serviam de apoio para a imponente gleipnir, a corrente feita com os mais fortes paradoxos para prender a maior de todas as bestas nórdicas.

A corrente havia sido rompida no último ragnarok, mas com o retorno dos Deuses, a restauraram de qualquer jeito e novamente prenderam o Deus Lobo, Fenrir continuava preso a aquela lugar, mas não era a corrente que o segurava, o feitiço e o acônito, que reforçava o mesmo, eram o que mantinham ele preso a aquele lugar deplorável.

Charlotte havia se tornado a chave pela qual ele esperou tanto tempo, mas agora, Fenrir percebeu que ela estava caindo num penhasco e não havia onde se segurar, ela tinha se jogado daquele penhasco no momento que decidiu se juntar a aquele mundo mágico e confuso, só havia um direção para ir, para baixo, cair, se deixando levar pela gravidade, sabendo que não há escapatória daquilo, mas nunca desistindo, se agarrando as poucas faíscas de esperança que ainda lampejam por aquela fenda escura.

Na esperança de que no final da queda, não houvesse dor, não houvesse medo, que tudo se concertasse de alguma maneira. Talvez caindo num profundo rio, que amenizaria a queda, que daria-lhe um banho de lavar a alma, que finalmente lhe tiraria todo aquele peso do mundo das costas, que a libertaria.



 


Notas Finais


AVISO/WARNING/TAKAKARANOMURO(aviso em japonês seus burros KKK):

O próximo capítulo será inteiro um flashback, "Mas Mahju larga teus entorpecentes, eu quero saber o que rola a seguir" Migo, eu ia fazer um spin-off, porém, eu consultei uns amigos e chegamos a conclusão de, por esse flashback ser engrenagem chave para trama fazer sentido, não teria como separar ele, então o próximo será tipo um spin-off, não conto com o passado de quem HAHA!

Olha a idiotice, eu ainda não revisei aquelas quinze capítulos lá, tá quase, eu sei que sou demente. Enfim, novamente, mil perdões pela demora em retornar, eu senti falta dessa história e vocês meus cupcakes de unicórnio demoníacos Sz (Isso é o mais fofo que eu consigo, sorry) Gente eu tô louca para continuar essa história, as ideias não param, o que me falta é tempo mesmo, mas, eu prometo voltar a postar no min dois caps por mês, oq é pouco, mas é algo.

E o mistério tá retomando essa trama? SIM! HAHAHAHAHA vocês inocentes, sabem de nada, achando que tinha acabado no vol,1? ILUDIDOS isso só acaba "Quando o sol nascer a oeste e se pôr no leste.
Quando os mares secarem e as montanhas forem sopradas pelo vento como folhas" (Isso é uma citação a Game of Thrones, curtiu? Se junta a nós, a fandom de sofredores! RR não poupa um, pior que eu, 'ASASINO')

Obrigado pela atenção e nos vemos no próximo cap, ou nos coments *0*


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