História Charter of our love - Capítulo 6


Escrita por: ~, ~ingreysheart e ~ortcallie

Postado
Categorias Grey's Anatomy
Personagens Addison Montgomery-Shepherd, Alexander "Alex" Karev, Amelia Shepherd, Arizona Robbins, Calliope "Callie" Torres, Derek Shepherd, Mark Sloan, Meredith Grey
Tags Arizona Robbins, Callie Torres, Calzona, Grey's Anatomy, Romance
Visualizações 402
Palavras 6.562
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey! És uma linda noite para mais um capítulo, mas antes vamos esclarecer umas coisas importante.

1° - Os próximos seis capítulo será uma pincelada dos fatos importantes da vida de ambas nesse meio tempo... pq se passará treze anos e vcs já sabem o que vem! (Ansiosa em NY!)

2°- Quando chegarmos no treze anos depois... a fic deixará de ser como lembranças e escreveremos na primeira pessoa.

3° - Diminuiremos ou tentaremos diminuir a quantidade de textos já no próximo capítulo.

4°- Não se desesperem! No fim tudo dá certo, confiem em nós.

5°- Boa leitura, meu povo! Qualquer dúvida é só falar.

Capítulo 6 - Eu nunca te disse


"Me encontro tão ferida mas te vejo ai também em carne viva. Será que não tem jeito? Esse amor ainda nem nasceu direito para morrer assim"


* Começem escutando: Fix you - coldplay 


Eu podia sentir a claridade do dia me atingindo de forma interrupta mesmo permanecendo de olhos fechados, minhas pálpebras se abriram lentamente e logo tornei a fecha-las, meu corpo dolorido em lugares estratégicos, na verdade eram marcas de uma noite vivida plenamente e maravilhosamente. Amaldiçoei-me mentalmente por não ter fechado as cortinas antes de me render aos encantos de Arizona Robbins, rolei na cama a procura do corpo macio e quente da minha amada, porém tudo que encontrei era o vazio do lugar e seu cheiro que estava impregnado no lençol. Levantei num sobressalto a procura de Robbins, porém o quarto estava exatamente igual a cama, vazio. Suas roupas que foram espalhadas peça por peça na noite anterior não estavam no lugar que deveriam estar. Caí de costas na cama bufando e senti uma lágrima solitária descer, minha respiração ficou irregular e meus olhos procuraram uma explicação plausível para eu acordar sozinha depois da noite maravilhosa que tivemos.

Fora mágico, nunca me senti de forma completa como foi ao me entregar para ela, tudo bem, eu não tinha muitas experiências, na verdade nenhuma experiência, mas tinha a certeza que havia sido único para nós. Foi amor, não apenas sexo casual, foi amor. Era e é amor!

Fechei e abri meus negros lentamente, como se ao fazer isso a cena pudesse mudar drasticamente e eu pudesse encontra-la perdida em pensamentos em algum canto daquele quarto. Sentei na cama sentindo meus ossos estalarem e a dor que se fazia presente em mim não era mais a dor física, e sim a mental. Cada parte do meu corpo doía em forma de resposta ao que meu cérebro radiava para meu coração. Avistei um papel chamativo ao lado do porta retrato na mesinha de cabeceira e minha cabeça deu um giro de cento e oitenta graus. Senti meus pés tocarem o chão gelado e um frio percorrer minha espinha enquanto caminhei para o papel chamativo. Sua caligrafia perfeita direcionava aquele pedaço de carta para mim, e eu não estava preparada para ler o for que estivesse escrito. Tornei a sentar-me na cama e procurei acalmar meus pensamentos e respiração, eu podia pressentir que não viria algo bom dali, e num impulso abri minha sentença.


Querida Calliope, 

Escrevo essa carta com lágrimas nos olhos e um aperto no coração por não ser corajosa o suficiente para não saber dizer adeus da forma digna que você merece, entretanto tenho em mim que a forma como fizemos amor durante a noite toda foi o suficiente para demonstrar como são verdadeiros os meus sentimentos por ti.

Sei que ao ler essa carta irá me odiar e talvez nós nos perderemos uma da outra com o tempo depois dessa minha decisão de ir embora, mas espero que saiba no fundo do seu coração que mesmo de longe eu estarei procurando e esperando por você. Pensei em falar diversas coisas, mas nenhuma seria tão boa quanto iniciar com a frase de que você foi a melhor pessoa que entrou em minha vida. Calliope veio com a mesma beleza de um arco-íris depois de chuva quase infinita, com seu jeito alegre trouxe-me o sol e me fez sentir o calor emanado do amor e desejo. Eu não soube lidar com o meu próprio êxtase quando te ouvi dizer que me amava, de certa forma sonhei muito com isso e quando retribui mostrando ser recíproco não esperava que admitisse pra mim mesma tão cedo. "Eu te amo" foi tudo que eu consegui dizer, enquanto observava tudo aquilo acontecer com a alma mais leve do que nunca. Vi que não foi o suficiente dizer apenas que te amava, porque dentro das três palavras existiam todas as coisas não ditas tornado-se ocultas entre nós. Sei que fui covarde, tinha medo e por isso tentava me afastar do que estava acontecendo entre nós, o conforto da nossa amizade era mais seguro.

Os motivos que me levam para longe parecem falhos e dolorosos demais no momento, corta cada parte do meu ser enquanto me martirizo olhando seu rosto calmo e sereno perdido em sonhos, mas queria que você ao menos pudesse entender que eles são fortes o suficiente para me afastar e me tirar de ti. Todos merecemos ser felizes, você merece ser feliz. Não posso ficar sabendo que atrapalharei sua felicidade com minhas incertezas, pois não estou pronta para algumas coisas e ainda não é o nosso momento.

Calliope, você é como um raio numa madrugada de tempestade, aqueles que atravessam o céu e o atingem de forma intensa. Você atingiu minha vida me deixando enfraquecida na mesma velocidade em que ele toca o algo fixo na Terra. Uma velocidade frenética e poderosa que nem ao menos me deu tempo de piscar, de me defender. Quero lhe contar sobre meus sentimentos, talvez essa carta nem seja suficiente para contar cada detalhe do amor indescritível que sinto por você, talvez essas palavras soltas e embaralhadas sejam apenas um desabafo sincero e real do que descobri ao seu lado em todos esses anos, e principalmente nos últimos dias.

Torres, fui sua todos esses anos e continuarei sendo até que eu pare de respirar. Clichê? Sim, porém é o clichê mais verdadeiro do mundo. Toda noite procuro esvaziar meu coração de você, mas sempre que acordo ele parece pulsar mais ainda por ti, pois não marcou apenas minha pele essa noite em que se entregou para mim, você fez uma cicatriz permanente em meu coração. Calliope, você está eternizada nas minhas melhores lembranças. Você teve gosto das coisas mais bonitas que eu já experimentei e das mais belas que pude observar, nunca poderei esquecer o que vivemos, mas eu preciso partir. O que ocorreu nesses últimos dias foi inesquecível como todas as primeiras vezes precisam ser, pois foi a primeira vez que você se apaixonou por alguém e era a minha também. Eu queria tanto estar perto para te ver se formar, trilhar seu caminho, comemorar suas conquistas e cuidar para não deixar que o mundo faça-te cair ainda mais, para não deixar nada mais te destruir e não mais te machucar.

Calliope, eu precisei ir como um dia, onde devemos ter a certeza que não voltará e digo que você precisa seguir em frente, sem me esperar, pois não voltarei. Depois de Nova York pretendo ir para Londres, como sempre planejei. Espero que um dia possa me perdoar por partir e possa compreender meus motivos. Te amo, os dias serão longos sem você, sem sua risada, mas permanecerei com os vestígios que deixou em mim.


                                   Com amor, Arizona.



--- Covarde! –Digo raivosa enquanto jogo nosso porta retrato de forma violenta na parede. --- Eu não acredito!

Ler a Arizona sobre não estar pronta, que ainda não era o momento, nem hora, me fez pensar muito sobre mim também, mas sabia que eu não estava pronta para nada nesse mundo e mesmo assim dei minha cara a tapa por respeito àquilo que eu estava sentindo, por afeto ao momento partilhado, porque sentir qualquer coisa é melhor que se abster de não sentir nada. Ela estava se abstendo de não sentir nada por honra à sua solidão? Era o que vinha a minha mente, naquele momento era impossível achar explicação. A sensação de pertencer a algo ou alguém era assustadora e eu estava sentindo-a na pele.

Porém na verdade eu tinha consciência de que era típico dela agir dessa maneira, escorreguei pela cama e me sentei no chão frio e gélido, lagrimas caíam incessantemente pelo meu rosto, meu coração batia de forma descompensada e aflita, tudo em mim martelava de forma esmagadora. Cada canto em que meus olhos se perdiam naquele quarto eu a via ali rindo e falando meu nome, em meus pensamentos questões surgiam na mesma proporção que angústias, e imagens de quem por horas foi feliz se perderam no espaço. Lembranças do seu sorriso, do seu olhar... invadem minha mente de forma rápida, os fatores responsáveis por esse sentimento grandioso que tinha em mim passam como estrelas cadentes em meios as recordações de tudo que vivemos. Ela me fez conhecer o sentido da palavra amor para o arrancar de mim de forma impiedosa e cruel. Os minutos passavam de forma cumprida, as lágrimas dolorosas e as palavras não faziam sentido, uma musica tocava longe dali e parecia ser um perigo eminente para mim. Corri do barulho, me perdi no silencio, chorei baixinho e quietinha com medo de quebrar mais ainda o que já estava quebrado. 

Em meio aos devaneios intensos sobre o tamanho caos que se transformara dentro de mim, cruzei aquela maldita porta do quarto indo em direção a sala. Os pensamentos iam e viam sem rumo e desconexos, como se tentassem fugir de minha cabeça, por entre as frestas que se formavam devido ao desgasto emocional que eu sofrera durante todos os dias desde que fomos a Indonésia. Ela havia me deixado sozinha e eu não queria nenhuma alma viva sequer ao meu lado, estava disposta a passar por toda a dor que sentia sem ninguém me consolando. 

Desci a escada correndo, queria perguntar a Nana se tinha visto a Arizona ir embora, sei que não adiantaria de nada, mas gostaria de saber por um motivo desconhecido. Quando cheguei na sala encontrei Sloan sentado no chão brincando com Frida, assustei-me por sua presença, era onze e meia da manhã, esse horário ele deveria está na praia surfando como sempre fazia.

--- Achei que não fosse acordar. - Levantou-se rapidamente vindo na minha direção. --- Como você está, Cal?

--- Ela foi embora, Mark. - Respondi entre lágrimas o abraçando. --- Arizona não esperou sequer eu acordar para ir.

--- Eu sei. - Disse afagando meus fios. --- Mais cedo a Zona me ligou, disse que estava terminando de arrumar as malas e que pegaria o vôo das onze para Nova York.

--- Não entendo, não consigo compreender o motivo! Todos nós tínhamos planejado cursar a faculdade aqui, somente a Addison iria para França e mesmo assim nos avisou com muita antecedência. - Enxuguei as minhas lágrimas. --- Mas a Arizona de uma hora para outra resolveu ir, não se despediu de ninguém e só me deixou uma carta depois de tudo o que passamos.

--- Bem, Robbins me disse que volta para a abertura do baú. - Sentamos no sofá. --- Que depois da faculdade iria morar em Londres como sempre planejou.

--- A Arizona falou que os pais que a pediram para ir morar em Nova York, mas ela tinha motivos suficientes para ficar e escolheu nos deixar. - Murmurei e ele me puxou para o seu peitoral. --- Não sei, mas não me vejo longe, ela não tinha o direito de fazer isso comigo e com vocês.

--- Nós temos a vida inteira pela frente, como eu já havia te dito, cabeça erguida! - Tentou manter-me calma. --- Você amou, você lutou, você perdeu. O mínimo que pode fazer é reerguer-se e buscar sua felicidade.

--- A Arizona levou junto com ela. - Sussurrei, escondendo-me nos seus braços. --- Sloan, tivemos uma noite tão incrível. Como pôde depois de tudo ir embora me deixando? 

--- Não faça sua vida girar em torno dela, seria injusto com você e tenho certeza que a Robbins vai voltar, acho treze anos tempo demais para ela não pôr os pés em Los Angeles.

--- Não sei o que estou sentindo, tudo está uma bagunça dentro de mim e não tenho forças para fazer nada quanto ao que está acontecendo. - Comecei a chorar de forma incontrolável, senti necessidade de pôr tudo para fora antes que fosse corroída. --- Eu tentei consertar tudo entre nós, porque estávamos matando nossa relação devagar e nos ferindo, mas agora vejo que não houve o mesmo desejo da parte dela e o melhor que encontrou foi me deixar.

--- Você sabe que estou aqui, né? Sabe que ficarei ao seu lado sempre, que cuidarei de ti e não te deixarei cair. - Ele virou meu rosto para que eu o olhasse. --- Estou aqui para ser a mão que irá te levantar, a que você pode pegar para correr junto. Se quiser um porto seguro estou aqui, você sempre irá me encontrar ao seu lado mesmo que um dia não queira, Callie.

--- Obrigada. - Foi tudo que consegui dizer.

--- Levante-se, vá tomar um banho que a galera vem almoçar aqui hoje. - Sorriu. 

--- Você anda promovendo almoço na minha casa sem minha autorização? Ah, Mark Sloan! - Fingi indignação secando as lágrimas. --- Eu não queria ver ninguém.

--- Sei que não quer, mas é melhor do que ficar deitada em uma cama chorando o dia inteiro. São nossos amigos, eles estão chateados também com a Arizona e estar os ficaram juntos será ótimo.

--- Preciso falar com a Nana sobre o almoço, ela vai ficar doida pelo aviso em cima da hora. - Ousei a sorrir. 

--- Ela já sabe, cheguei aqui cedinho para saber como você estava. Acredita que até a ajudei a cortar os ingredientes para o risoto? - Disse animado. --- A prova é os cortes nos meus dedos.

--- Você na cozinha? - Fiz uma careta. --- Quanto tempo eu dormir, céus! Daria tudo para ver essa cena.

--- Nana me ensinou a fazer a torta de morango, achei difícil, mas um dia tentarei fazer para nós. - Piscou um dos olhos. 

--- Não sei se me arriscarei a comer um pedaço da torta que você fizer, posso morrer intoxicada por não ter conseguido escolher morangos frescos. - Brinquei e ele jogou-me no sofá me fazendo cócegas. --- Por favor, Sloan... pare!

--- Quem é o seu melhor amigo? - Perguntou sentando sobre minhas pernas.

--- Você! - Respondi gargalhando a ponto de começar a sentir falta de ar. 

--- Quem é o cara mais lindo e irresistível desse mundo?

--- Se conhecer me apresente. - Brinquei, chorando de rir e tive que dizer ser ele.

--- Quem é o amor da sua vida?

O questionamento do meu amigo fez com que minha crise de risos fosse embora como água que escorre pelo ralo, pude ver em seu rosto o arrependimento pelo que indagou em meio a nossa brincadeira. Notoriamente, não consegui camuflar minha resposta, a tristeza que novamente instaurou-se na minha feição entregava-me mesmo se eu não quisesse. Meu sorriso se desfez com o marejar dos olhos, antes que meu choro voltasse a se fazer presente recebi um beijo na bochecha que aqueceu-me de certa forma.

--- Vou tomar banho, daqui a pouco todos chegam e ainda estou de roupão. - Levantei-me fortalecendo o nó do que vestia. --- Já volto. 

Subi a escada com Frida correndo atrás de mim, logo que cheguei no corredor ela começou a pular em minhas pernas como se quisesse brincar. A minha cachorrinha sempre percebia quando eu não estava bem, logo não desgrudava do meu lado, seguia-me onde eu fosse. O seu latido ecoava pelo corredor e agachei para pegá-la no colo.

--- Fri, pare de me lamber! - Meu rosto estava ficando todo babado e tentava desviar das suas linguadas. 

Entrei no quarto, fui direto ao meu closet e escolhi um vestido simples, ficaria em casa e entre amigos, não era necessário luxo. Segui para o banheiro, havia um espelho acima da pia e olhar-me era no mínimo lamentável durante a manhã que se arrastava. Estava horrorosa, feia e sem vida. Parecia mais uma morta-viva, do que com a garota cheia de energia que eu costumava ser. O que eu era ainda estava ali, na imagem que se refletia, em algum lugar, – disso tinha a mais lúcida certeza, mesmo não tendo certeza alguma – mas sabia que precisava de certo alguém, queria encontrar-me e reviver. No fundo sabia que isso jamais aconteceria, Robbins era cabeça dura e dificilmente dava o braço a torcer. 

Então estava fadada a sempre passar todas as dolorosas lembranças, recolhendo meus próprios cacos que foram caindo ao longo dos dias e que caiu novamente quebrando-se ainda mais em uma despedida injusta. Não queria tornar-me amargurada e talvez a partir daquele momento eu passaria a viver esperando pacientemente pelo dia em que a Arizona decidisse dar meia volta, e ajudar-me a seguir em frente. Isso me destruiria ainda mais? Sem dúvidas. Mas não estava preparada para aceitar a ida dela sem esperar alguns meses na esperança da sua volta, necessitava desse tempo e se nada saísse como o aguardado vestiria a camisa do amor próprio vivendo do meu jeito, tentaria a todo custo evitar a autodestruição. O amor por mais bonito que possa ser o sentimento também tem uma faceta não tão boa e que pode nos jogar em um abismo sem fim.

Entrei debaixo d'água deixando-a cair sobre mim e entrando em um estado de choro incontrolável, era como se eu estivesse liberando todo a minha dor e a água a levava deixando-me livre por minutos ou horas, mas não para sempre. Fiquei ali por um tempo longo para um banho até que escutei baterem na porta, provavelmente algum de meus amigos já havia chegado e certamente era um deles acabando com o meu momento.

--- Quem é? - Indaguei fechando o chuveiro e pegando a toalha.

--- É a Amélia, Callie. - Pude escutar a voz que ultrapassou barreiras para chegar audível a mim.

--- Já estou saindo. - Limitei-me secando meu corpo.

Logo que me vesti, retornei ao quarto e a encontrei sentada na cama com um dos meus livros de cabeceira, lia a pequena sinopse e tinha sobre as pernas uma peça de roupa, era uma blusa da Arizona, na verdade uma das preferidas dela e fiquei sem entender o que ela fazia com a Amélia. A minha amiga olhou-me como se estivesse tentando enxergar o que se passava dentro de mim, não era necessário enxergar-me a fundo para perceber e a Shepherd era esperta o suficiente para saber.

--- Penso que a Robbins não tinha que ir embora dessa forma, sem falar comigo e com o resto do pessoal, mas vejo que talvez seja o de menos perto do que ela fez com você, pois eu sei que fez, Callie. 

--- Como assim, Ams? - Fiquei confusa com o que ela poderia saber.

--- Não é novidade para ninguém que vocês se apaixonaram, na verdade tudo ficou bem claro depois que as duas sumiram na cachoeira e quando voltaram foi em um clima péssimo. - Não esperou por minha resposta e prosseguiu. --- Mas eu sempre soube do sentimento da Arizona por você, ela havia me falado uma vez em que bebemos além da conta e sempre torci para que um dia você a enxergasse da mesma forma, só não esperava que a Robbins fosse tão covarde e por isso fugisse.

--- Ela fugiu de mim? Não foi por que os pais a recomendou ir para Nova York? - Sentei-me na cama um tanto surpresa e pior do que já estava.

--- Eu não sabia sobre essa viagem, para mim ela ficaria em Los Angeles e cursaria engenharia aqui. - Confessou. --- Mas juntando os pontos, mesmo sendo os pais dela me faz crer que ir embora foi bem mais fácil diante de enfrentar o que sentia por você.

--- Não sei mais o que pensar, estou me sentindo muito mal. - Respondi deixando algumas lágrimas caírem. --- Já pensei em ligar para ela, mas sei que não me atenderá e provavelmente ainda deve está dentro do avião.

--- Sim, irei fazer isso amanhã. - Informou-me. --- Não esperava isso da Arizona, é como se não valoriza-se nossa amizade e quisesse nos esquecer.

--- Eu só queria entender tal atitude.

--- Trouxe essa blusa acho que tem que ficar com você, é da Zona. - Sorriu tristemente. --- Teve uma vez que ela dormiu lá em casa e acabou esquecendo.

--- Não quero, Ams. - Recusei contrariada. --- Leve-a e quando a Arizona voltar entregue a ela.

--- Você fará isso, Callie! - Tomou como sentença. --- A blusa ficará aqui, coloquei até perfume para ficar com o cheiro da Robbins.

--- Duas perguntas: De onde você tirou o perfume da Arizona? E a outra, por que está me dando essa blusa?

--- A Zona deixou o perfume que costuma usar lá em casa, você sabe como ela é esquecida, eu o trouxe, está na minha bolsa depois te entregarei. - Desdobrou a peça de roupa. --- Eu no seu lugar iria querer algo que lembrasse da pessoa que eu amo, então a blusa servirá para isso, por mais que depois você queira queimá-la.

--- É do Guns 'n' roses, provavelmente ela ficará louca procurando por essa roupa, coitada.. - Peguei a blusa e cheirei, no mesmo instante sorri em um misto de tristeza e saudade. --- Continuou desde sempre usando perfume masculino, Robbins é tão única.

--- "Sou um bom homem em meio a tempestade". - Amélia a imitou fazendo-me rir. --- Sabe a música preferida dela?

--- Patience do Guns 'n' roses... cheguei ao ponto de enjoar da música pela Arizona viver cantando e escutando o tempo inteiro. 

--- Nada supera ela durante uma semana falando do show deles em que ela foi. - Rimos ao relembrar. --- A Robbins é minha melhor amiga, Callie... também irei sentir muita falta dela.

--- Eu sei, Ams. - Nos abraçamos, naquele momento somente a Amélia tinha uma noção do que eu estava sentindo, pois ela gostava da Arizona tanto quanto eu, mesmo que de maneira diferente.

--- Vocês chegaram a ter algo além da amizade ou preferiram evitar? 

--- Transamos por duas vezes, ela passou a noite aqui antes de viajar e foi embora com eu dormindo deixando apenas uma carta de despedida.

Antes que Amélia pudesse dizer algo a porta do quarto abriu-se, Cristina entrou revirando os olhos, veio na nossa direção e nos puxou pela mão. 

--- Meninas, pelo amor de Deus, vamos almoçar estou morrendo de fome! - Disse nos levando para o corredor. --- Você já recebeu melhor os seus amigos, Callie.

--- Se hoje eu estivesse bem a recepção seria como uma festa. - Sorri. --- Contente-se com o que posso oferecer.

--- Não vou dizer o que acho da Arizona no momento porque não são coisas boas, mas para mim você não deve ficar chorando pelos cantos por alguém que escolheu ir, ela não merece.

Ainda assim que Yang estivesse certa, eu não estava disposta a ver pessoas tentando jogar-me no mar da autoestima, queria esquecer o que aconteceu por hora, naquele momento estava decepcionada e com raiva demais para ficar pensando em recuperar-me. Ao meu ver, eu estava mais do que feliz em passar uma tarde com meus amigos, até mesmo estenderia a uma noite adicional. Mas se fosse para eu ficar bem teria que ser quase todo dia? A galera era ótima e unida, ficar próxima deles era o que mais poderia prezar, me incomodava que a Arizona não parecia compartilhar do mesmo desejo  Pelos últimos meses eu havia imaginado que nós passaríamos o máximo de tempo juntos que pudéssemos, compensando o tempo que nos faltaria quando a faculdade iniciasse. 

Em relação a Robbins planejava o mesmo, mas eu estava chegando à conclusão de que estava errada. O que significava a sua ida para Nova York antes do tempo necessário... o que? Que eu não era tão importante para ela como ela era para mim? Eu não sabia, mas dado o meu humor, provavelmente deveria ter evitado aquele almoço, ficando no quarto e sendo deixada sozinha, apesar de no primeiro momento ele ter me provocado um esquecimento ao que estava sentido.

Cheguei na sala de refeições e todos que foram para a Indonésia marcaram presença e já estavam comendo, cumprimentaram-me tentando manter uma animação, falei com cada um e sentei-me ao lado de Mark e Addison. Preferi ficar observando eles almoçarem, não sentia fome alguma e caso colocasse um prato de comida depois de duas garfadas sentiria-me saciada.

--- Não vai comer nada, Callie? - Meredith indagou-me bebendo um pouco de suco.

--- Estou sem fome. 

--- Saco vazio não para em pé. - Yang disse pegando meu prato para por um pouco de comida. --- Já te falei, a Arizona não merece o seu sofrimento, aliás o que rolou entre vocês na viagem para a Ásia?

Me recusei a tomar parte na conversa e praticamente desviei o olhar de todos que olhavam na minha direção. Tinha ficado boa em intimidação com o passar dos anos e eu estava em uma forma rara naquele dia.

--- Cris, acho melhor evitarmos o assunto. - Amélia tomou a frente olhando-me com compreensão. --- Tem coisas melhores para falarmos.

--- Só fiz uma pergunta que todos querem fazer, assim o assunto morreria de vez. - Deu de ombros e entregou meu prato com bem pouca comida.

--- Sei que estão achando que a Arizona foi embora por minha causa, mas pelo que ela me falou foi por um pedido dos pais. - Tomei um tom de afirmação. --- Nos envolvemos na Indonésia, mas pareceu não ser nada demais. Ontem ela veio aqui, ficamos juntas e pela manhã quando acordei a Robbins já havia ido.

--- É difícil não fazer ligação ao que deve ter rolado entre vocês, a ideia dela ir morar em Nova York surgiu depois de terem ficado. - Alex ousou dizer sem importar-se. --- Faça uma análise e tente ver se de alguma forma não a magoou... quando hétero tenta uma aventura lésbica sempre acaba ferindo a outra parte.

--- Por um acaso a Arizona garantiu para você que ficaria em Los Angeles antes de nos relacionarmos? Ela falou que iria embora por minha causa? - Questionei nervosa e com vontade de chorar. --- Eu a amo, Alex... não a encarei como uma aventura, talvez ela deva ter feito isso comigo, mas o inverso jamais!

--- Só estou vendo a acusarem e você sendo posta de vítima, quando nessa mesa ninguém sabe ao certo o que aconteceu.

--- Não entendo a colocação de eu como vítima, não existe isso na minha história com a Robbins.

--- Talvez seja por estar se fazendo de coitada. - Levantou-se jogando o guardanapo na mesa. --- A Arizona é minha amiga, Callie! Desde o dia da cachoeira vi o jeito dela mudar, sabia que seria furada ela se relacionar com você e agora nem mais aqui a temos.

--- Alex, por favor. - Derek tentava apaziguar os ânimos e sentia-me perdida ou até mesmo culpada.

--- Não seja estúpido! Ninguém foge do nada sem procurar pelos amigos por causa de um amor. - Meu sangue ferveu. --- Se ela fez isso é porque não se importa com ninguém nessa mesa e você está incluído. Não me culpe pela falta de consideração da Arizona e nem pela amizade de vocês ter sido fraca ao ponto de esquecer que você existe.

Meu Deus, o que eu havia falado? Já estava feito, foi a forma imediata que pratiquei minha autodefesa. Não pensei que estava dizendo palavras pesadas para alguém que também estava sentindo a partida da Robbins.

--- Já vou indo, não tenho mais nada para fazer aqui. - O vi ir em direção a saída e Meredith foi atrás dele.

Os que ficaram a mesa sabiam que eu estava chateada, passamos a terminar o almoço em silêncio e de certa forma o clima ficou pior do que já estava. Quando a Grey retornou nos informou que o Karev havia ido para a casa da namorada e que no fundo sua reação foi por sentir raiva por não aceitar que a Arizona mudou-se sem se despedir dele e precisava culpa alguém por isso. Para mim não soou como novidade até porque me saí como a felizarda de ataques impensados. Toda vez que me perguntavam se alguma coisa estava me incomodando, mantinha-me no meu melhor modo passivo-agressivo de negar que alguma coisa estava errada, contudo sentia-me a ponto de sair quebrando tudo a minha frente pela forma que a Robbins foi embora, isso não era só por ter me deixado, mas também por não ter explicado o motivo aos outros deixando-me o peso final e acusações que poderiam ter sentido. Ela não pensou que poderia destruir minha amizade com nossos amigos, Arizona pensou somente nela!

Mark tentou melhorar as coisas, admito. Ele segurava minha mão aqui e ali e me dava um rápido sorriso quando achava que eu o veria, e me encheu de refrigerante, batatas fritas e ainda me empurrou torta de morango. Depois de um tempo, contudo, Sloan se cansou da minha atitude de recusar tudo e desistiu. Fomos para a sala de música e peguei o violão para o Mark tocar, cada um escolheu uma música e começamos cantar. Passei a pincelar meus dedos nas teclas afinadas do piano e Amélia acompanhava com uma flauta doce. Sentia-me levitar com o som que tomava conta do ambiente, era tudo tão sincronizado, as vozes de alguns por mais que não fossem ideais para o canto tornava-se perfeitas quando a música tomava conta dos corpos. Sempre foi assim que eu e meus amigos promovíamos o encontro de almas, sempre foi em meio a música!

--- Callie escolhe uma canção. - Addison pediu. --- Não se esqueça, música é estado de espírito! - Usou uma das minhas falas ensaiadas dando-me uma piscadela.

--- Vou cantar Colbie Caillat. - Sorri, no fundo já sabia o que cantar, introduzi a melodia de I never told you e comecei a cantar.


*Escutem: I never told you - Colbie Caillat. (Repitam até a última citação da canção)


I miss those blue eyes


(Sinto falta daqueles olhos azuis)


            How you kiss me at night


(De como você me beija à noite)


I miss the way we sleep


(Sinto falta de como nós dormimos)


Quando escolhi a música vi que meus amigos se entreolharam, Yang olhou para mim balançando a cabeça negativamente com reprovação. Todos sabiam que a letra retratava o que estava sentindo e estava sendo dedicada a Arizona, foi a forma que encontrei de expelir o que havia dentro de mim. Tudo bem se minha vontade era de jogar-me no chão e gritar até alguém (ou a Robbins) ouvir, mas naquele momento eu só poderia cantar, chorar e escrever.. então era o que faria. 


Like there's no sunrise


(É como se não houvesse nascer do sol)


Like the taste of your smile


(Como o gosto do seu sorriso)


I miss the way we breathe


(Sinto falta do jeito que respiramos)


But I never told you


(Mas eu nunca te disse)


What I should have said


(O que eu deveria ter dito)


No, I never told you


(Não, eu nunca te disse)


I just held it in


(Eu me segurei)


Estava sentido algo que matou um pouco quem eu era, pela primeira vez sentia-me abandonada, parecia que fui deixada para trás como um nada e nem o peso das palavras deixadas em um papel pela Arizona me preenchia. Não havia coerência entre o que escreveu e o que fez, pois não se destrói a pessoa que se diz amar e ela me destruiu. Encontrava-me emocionalmente no chão e mesmo se tentasse me reerguer, naquele momento não seria possível, não daria para seguir em frente sem parar por um período e viver aquele vazio, sentir o oco dentro de mim. A chateação e frustração estavam grandes​ demais para sorrir o tempo inteiro e agir como se nada tivesse acontecido. Aquele dia trazia consigo muita dor embrulhada dentro da minha decepção, que parecia presente e mais forte a cada minuto. Sinceramente não havia nada de errado em sentir, especialmente não quando tudo pesava e os problemas pareciam querer fazer morada nas minhas costas. 


And now,


(E agora)


            I miss everything about you


(Eu sinto saudade de tudo em você)


I can't believe that I still want you


(Não acredito que eu ainda te quero)


And after all the things we've been through


(Depois de tudo que nós passamos)


            I miss everything about you


(Sinto falta de tudo em você)


           Without you


(Sem você)


Era a segunda vez que sentia a vida pesar, arder e doer, a primeira foi quando perdi meus pais, então por experiência sabia que era necessário mergulhar com vontade e deixar a correnteza​ vir com força. Tudo bem se no meio da música chorei, se meu desejo foi me deitar na cama e esquecer do meu próprio nome porque as lágrimas estavam confundindo a minha mente. Eu sangrava como a violência de mares em dias de ressaca, e não almejava agir como se estivesse voando com a leveza dos pássaros até porque minhas asas estavam cortadas.


I see your blue eyes


(Eu vejo seus olhos azuis)


           Everytime I close mine


(Toda vez que eu fecho os meus)


           You make it hard to see


(Você torna isso difícil de ver)


           Where I belong to


(Onde eu pertenço)


           When I'm not around you


(Quando não estou à sua volta)


            It's like I'm alone with me


(É como se eu estivesse sozinha comigo)



•••


No final da tarde meus amigos foram embora, apenas o Mark ficou comigo, provavelmente porque enxergou o quão frágil eu estava a ponto de desenvolver febre emocional. Nana ficou preocupada com meu estado, mesmo contra minha vontade acabou por ligar para minha avó no início da tarde e provavelmente a qualquer momento ela chegaria entupindo-me de remédios que não fariam efeito algum. Subi para o meu quarto e fiquei deitada na cama vendo as horas passarem, Sloan estava ao meu lado e de dez em dez minutos queria checar minha temperatura. Tenho certeza de que parte dele achou que era o meu fim.

Quando Dona Luiza chegou, foi direto ver como eu estava, encontrou-me enrolada em um cobertor com a febre controlada, enquanto chorava e não conseguia dizer o porquê, mas no fundo ela sabia e mesmo cansada passou a beijar o meu rosto que refletia as minhas dores internas, com as lágrimas escorrendo amargas pela minha face completamente trêmula e tomada por um choro descontrolado.

--- Vou ligar para a Arizona! - Mark exclamou dando um impulso para levantar-se da cama e pegar o celular. --- Se está assim por causa dela, colocarei vocês para se falarem e essa sua febre vai abaixar por bem ou por mal.

--- Não quero falar com ela! Por favor, não faz isso. - Pedi agarrada a blusa do Guns. --- Vou ficar bem.

--- Ela vai melhorar, é temporário, meu querido. - Minha avó disse relembrando como foi em relação ao falecimento dos meus pais. --- Amanhã essa menina já vai estar boa. - Sorriu para mim acariciando meu rosto.

--- Sloan, já anoiteceu, você está cansado e já pode ir para casa. - Falei secando minhas lágrimas. --- Amanhã nos falamos.

--- Callie, não tenho pressa em ir.. posso ficar com você mais uma pouco. - Olhou-me com preocupação. 

--- Não precisa. 

--- Tudo bem, eu vou! Mas qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me liga que venho correndo. - Beijou minha testa. --- Tem certeza que você vai ficar bem?

--- Tenho! - Frisei sorrindo.

--- Ok, tchau Dona Luiza. - Despediu-se de minha avó com um abraço. --- Cal, quero te ver boa logo garota.

Foi ali, naquele exato momento, que eu soube que poderia sempre contar com o Mark, que deveria valorizar mais a nossa amizade e que na verdade eu nunca deveria ter contado com a Arizona. Foi ali que eu soube que conseguiria viver só por mim e nada poderia fazer mais sentido do que isso, que teria que no dia seguinte levantar daquela cama e seguir em frente. A diferença da perda da Robbins para a dos meus pais foi que a perdi em vida e por escolha dela, nada doeria mais que a convicção que cheguei.

--- Será que agora você pode me contar o que aconteceu?

Expliquei toda a história para a minha avó, por incrível que pareça em nenhum momento ela criticou a atitude da Arizona de ir embora, para a dona Luiza tudo nessa vida tem um motivo e no tempo certo ele vem a tona. Sinceramente já não me importava em querer saber os da Robbins, apenas queria que o dia acabasse e um outro se iniciasse sendo um pouco melhor. 

Por ter passado o dia trabalhando, minha avó logo despediu-se de mim e de certa forma sei graças a Deus, precisava ficar sozinha por algumas horas sem ter pessoas recitando discursos motivacionais. Levantei- me da cama e fui para a sacada com meu fiel confidente em baixo dos braços, sobre um céu pouco estrelado e uma lua tímida comecei a escrever o que talvez não tivesse dito a ninguém naquele dia.


Novembro, 2002


Me peguei vivendo uma história que só tinha começo e fim, o meio deveria ser fantasiado pois a falta de coragem da outra parte impediu de ser vivido. Arizona não nos permitiu ser outra coisa e nessa circunstância eu nada poderei fazer, já que quando um não quer o ideal é o outro evitar gastar energia. Quando choro é para transbordar o que existe dentro de mim, pois percebo que as despedidas com o "se cuida" nunca fizeram tanto sentido. Ela me viu sangrar e me desmanchar aos seus pés, ouviu o meu clamor por uma fuga da realidade e sabia que deixaria-me destruída. Robbins preferiu ir deixando comigo a certeza que quando o laço começa a se desfazer é melhor deixá-lo​ cair de vez. 

"Não era para ser" não é um consolo e sim uma certeza, mas se não foi esse o momento para ficarmos juntas, para mim passa a ser nunca mais. Se não existirmos concretamente no hoje, como existiremos no amanhã, no depois? Não tem como! Nossos caminhos distanciaram-se e não faço questão alguma de uni-los novamente. Não forçarei algo que não tem futuro, mas a verdade vem independente da Arizona quere-la ou não. Eu sei o que vivi, eu sei o que senti e sinto, eu sei o que sou!

As pessoas não se tornam especiais pela maneira de ser ou agir, mas sim pela profundidade que atingem nossos sentimentos. Ela me atingiu de forma intima e imutável! Me sinto perdida, estou perdida, não sei o que fazer, para onde ir, se conseguirei seguir em frente, nem se irei atrás ou se ficarei, simplesmente não sei. Está tudo tão confuso, minha bagunça interna está atrapalhando o meu pensar, atrapalhando o meu querer estar viva. Perdi-me e nem sei por onde começar a me procurar.  

Por fim começarei a planejar a minha recuperação sem a sua presença e criarei os remédios mais doces que eu puder para acalentar a minha alma e remendá-la. Serei sincera com o que sinto, porque enganar a si mesmo é criar a pior mentira possível. Não acredito em amor certo no tempo errado. Vivências acontecem quando precisam e querem acontecer, quando duas pessoas batem no peito e assumem o risco, o corte e o sentimento... não se importando com traumas.

Continuarei a me permitir sentir e até mesmo morrer, assim depois renascerei mais forte do que nunca. Pena que a Robbins partiu antes de ver a minha reconstrução que me transformará exatamente no que quero ser. Dou a Arizona seis meses para voltar, se vier depois disso receberá um tarde demais, há toneladas de amor para serem despejadas em mim e isso me impede de rastejar por ela ao longo dos meus anos. Aliás, é válido amar? O amor que não seja de familiares existe? Começo a acreditar que não e eu tenho muita coragem para estar sozinha, prefiro passar meus dias na própria solidão a compartilhar minha vida com alguém que não se ajeita para me ter nos seus dias.


"Você já me dizia: "Conheço bem as suas expressões!". Você já me sorria ao final de todas as minhas canções, então porquê?

Se pudesse ter me ouvido um pouco mais, se você tivesse tido calma para esperar, se você quisesse poderia reverter... 

Não vou voltar atrás, arranque do seu peito o meu amor cheio de defeitos"


Notas Finais


No capítulo quando tiver mês, ano e o texto for com letra diferente é a Callie escrevendo no diário. Certo?
Espero que a Arizona volte antes de seis meses, huahuahua. Bye!


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