História Châtiment - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias South Park
Personagens Eric Cartman, Kenny McCormick, Kyle Broflovski, Stan Marsh
Exibições 33
Palavras 2.310
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei <3 *joga brilhinho*
Aconteceram certas coisas, muitas coisas, que me impediram de continuar com essa fanfic. Nenhuma delas tão relevante, mas quero que saibam que estou bem e que isso não acaba até que termine (ah jura)
Enfim, boa leitura pra vocês amores ~

Capítulo 4 - Your Demons


28 de outubro de 2018 - South Park, 06:33 da manhã:

E mais uma vez passa-se o som desconcertante do passar das horas, minutos e segundos do relógio. A sala nunca esteve tão quieta, o silêncio parecia engolir o ambiente de uma forma que mesmo os passos de pequenas patas envolta não faziam se quer diferença, elas, juntamente com o som do relógio eram apenas ignorados pelos ouvidos alheios. Ao movimento do vento que se acompanha de dentro para fora da grande janela no centro da sala era possível ver com nitidez dos primeiros sinais de claridade que alguém se deitava no sofá, de forma desajeitada procurando uma forma de acalmar-se. Os fios de cabelos ruivos se espalhavam de forma folgada pelo braço de tecido almofadado e que por mais confortável que parecesse, doía-lhe a coluna e tirava-lhe ainda mais o sono.
Seus olhos verdes esmeralda pregados nas manchas acinzentadas do teto não conseguiram se fechar por nenhum momento, o rapaz se perguntava naquela altura do dia se se quer tivera piscado por algum momento.

Talvez a sensação de ficar apenas parado por horas e horas não seja exatamente familiar a ninguém, mas pode-se imaginar o quanto seus músculos se contraem, as articulações se travam e o tempo para. Talvez, para Kyle, fosse quase impossível dizer que o tempo não se passou, sua mente estava perdida demais em acontecimentos, navegando em seu próprio mar de confusão quando começou. Duas horas atrás? Quatro, ou talvez até mais, fora quando seus sentidos se tornaram disléxicos e seus olhos enxergavam apenas borrões e paletas de cores indefinidas que compunham seu redor: do teto branco que mais parecia beje, as paredes claras em tons não saturados, borrões escuros e claros ao seu redor que compunham a mobília parcialmente indefinida. Qualquer um que o visse naquele estado deplorável, com os olhos embaçados e vermelhos por falta de sono e pulmões cansados que quase não trabalhavam poderia da-lo como morto, ou quase. Pois hora outra aqueles rosados lábios frios balbuciavam coisas sem sentido que se passavam em sua mente semelhante a sonhar de olhos abertos.

Kyle poderia dizer que antes de sua viagem ao infinito de memórias que o mesmo guardava, havia passeado pelo quintal daquela antiga construção. Durante a noite Mole não o vigiava, porém o próprio ruivo não poderia dizer que o mesmo dormia, já que a luz de seu quarto esteve ligada por horas a fio e o mesmo pode ver isso quando saíra cautelosamente de seu quarto, em direção as escadas, passeando em silêncio e rezando para que não fizesse barulho algum enquanto sua mente só desejava sair para tomar um ar. Como Christophe é, poderia pensar que o mesmo quisesse apenas fugir, ou pior ainda, o acompanharia.
O que ele queria apenas era ficar sozinho. Que foi bom sentir em suas mãos o frio gélido da madrugada em suas mãos desprotegidas, era como um toque do clima para lembrar-se de que ainda estava vivo, respirando. A imagem do exterior da casa de seu anfitrião não era exatamente a mais bela vista durante a manhã, porém a noite a escuridão trazia a tona o que as esmeraldas de Kyle não poderiam observar de dia: Tons e mais tons de azul cobriam a parte inferior das árvores enquanto na superior a lua banhava com sua luz a copa das mesmas, iluminando tudo como um lençol branco extremamente fino. Kyle sentiu-se tocando este lençol a medida que se aproximava da beira das escadas que se localizavam na entrada. Seus pés nus foram os primeiros a entrar em contato com essa natural claridade e apenas por mais um olhar outras cores invadiram o cenário, acendendo e apagando ao redor os pequenos pontos amarelos conhecidos como vagalumes, aqueles pequenos insetos tão comuns no interior da cidade de South Park.

O mesmo acordou das memórias recentes, ouvindo passos pesados a descer as escadas com uma velocidade que ele mal pode calcular. E de ouvir o ruivo passou a ver, o que antes era apenas um borrado de cores imóveis que perduravam, um borro maior no canto esquerdo da visão periférica que possuía que antes não estava ali, bloqueando a luz de fora que quase não existia por conta das nuvens que faziam o amanhecer parecer não existir.

- Qu'est-ce que tu fais ici? (o que faz aqui) - O moreno sussurrou, porém quase gritando, tendo certeza de que não assustaria sua visita e ao mesmo tempo querendo esganar o pescoço alheio.

Mole, por mais que não parecesse e mesmo que custaria a admitir, acordara preocupado com Kyle. Não o encontrar no quarto fora quase como apertar um botão para fazê-lo entrar em desespero e, encontra-lo deitado sobre o sofá, um grande alívio.

- Rien de vraiment, je ne peux pas coucher... (Nada exatamente, eu apenas não consigo dormir). - O ruivo respondeu, surpreendendo o maior em sua frente, que logo deu um breve sorriso, quase se esquecendo que havia o ensinado a arranhar um pouco em francês, seu sotaque ainda era algo que ele precisaria melhorar, porém Mole não poderia deixar de admitir que chegava a ser adorável.

Vê-lo daquela forma não lhe agradava exatamente, porém não sentia como se fosse grande surpresa, ele esperava que Kyle passasse a noite em claro depois de lembrar-se de tudo por uma vez só. Principalmente com a chegada de Cartman que deixara os sentimentos do rapaz a flor de sua pele.
No momento as orbes escurecidas e diferentemente tingidas de Christophe pairavam sobre aquele corpo esguio e pouco confortável em cima de seu sofá. Seu amigo, se é que teria permissão de chamá-lo assim, estava mais pálido que o comum. Tão alva era sua pele que o castanho não poderia deixar de imaginar como seria fácil deixar a marca de seus dentes sobre o magro pescoço do mesmo, o fato de imaginar que poderia sentir a maciez daquela pele entre os seus caninos o fez tentar mudar o olhar para outro ponto, para os cabelos bagunçados sobre o braço, quem sabe?
Por mais que lutasse contra era irresistível em todos os sentidos a vontade de observar tal criatura, a mesma que não tardou a perceber olhos fitando-a.

- O que quer? - Kyle perguntara, seco. Imaginando quais os motivos de tais olhares provenientes de Mole. Agora que sua visão desembaçara ele pode ver exatamente a expressão que aquele rosto marcado por cicatrizes e tanto quanto bronzeado fazia. Era faminta. - Gostaria que eu preparasse o café da manhã, Christophe?

Ele se moveu, desconfortavelmente sentindo que a dor nos ossos da coluna eram piores que imaginava. O garoto passara a mão sobre os ossos visíveis de suas costelas, a camiseta branca que o mesmo usufruía-se para dormir agora estava um pouco acima de sua cintura, pelo mesmo ter passado as magras e macias mãos sobre ela, fazendo com que o moreno rapidamente desviasse a cabeça para não capturar tal imagem agora, ele simplesmente assentiu para a pergunta com uma certa pitada de nervosismo, retirando a caixa de cigarros de seu bolso e virando-se para a janela.

Kyle não entendera o motivo do DeLorn ter escolhido o silêncio, porém isso de fato não lhe incomodara nenhum pouco já que estava ocupado demais se alongando para que pudesse se levantar.
É, não pregara os olhos se quer uma vez, porém isso não queria dizer que a ansiedade e a insegurança não o deixavam dispostos, mesmo que de maneira pouco saudável, para começar o dia.

Reparando em suas roupas ele não pode deixar de notar que o frio o rodeava, pela largura de sua camiseta e shorts curtos que o mesmo usara para dormir em seu quarto, já que pelo aquecedor no quarto de Mole, o andar inteiro ficasse quente e aconchegante o suficiente para tais vestes.
Novamente ignorando o fato, Kyle decidira sair em busca de uma frigideira e dos ingredientes necessários para compor seu café da manhã. Pensando seriamente em surpreender seu anfitrião fazendo panquecas, mas mais pelo fato de que ele mesmo gostaria de algumas e não para agradá-lo, ele procurou os ingredientes nos armários e geladeira.

Assim que abrira a geladeira, teve uma certa surpresa ao descobrir que estava cheia de coisas das mais variadas. Algumas estragadas ou tanto quanto passadas da data de validade, porém a grande maioria estava boa e inclusive parecia ter sido comprada a pouco tempo.
O ruivo imaginou se por acaso o moreno não tivesse feito compras para os dois, já que o rapaz encontrara todo o necessário para fazer o café da manhã e até mais.

- Talvez ele não seja tão ruim... - Kyle logo chacoalhou a cabeça tirando os pensamentos da mesma. O que estava fazendo? Assimilando isso a preocupação? Claro que não, Mole era um cretino em todos seus sentidos e nunca, jamais o perdoaria.

Assim que passara a mão sobre seu rosto para ter certeza de que se acalmaria, o ruivo buscou com os olhos um isqueiro para acender a chamas do mediano fogão encostado na parede do cômodo em que o mesmo se encontrava, percebendo um ponto vermelho em cima da mesa que logo puxara para acende-lo, notando que por mais que fizesse força para com aquela ferramenta, o mesmo se recusava a soltar uma faísca se quer, fazendo Kyle bufar, revirando os olhos ao mesmo tempo para tal.

- Christophe, você não teria outro isqueiro, teria? - o menor perguntou, alto o bastante para ser escutado da sala.

- Primeira gaveta, a sua direita. - O moreno informou, já dando passos a diante para ver o que Kyle fazia em sua cozinha.

Foi quando tudo pareceu em câmera lenta, a gaveta de madeira fora aberta revelando um objeto metálico que mais servia para acender charutos e cigarros do que o próprio fogão. O tipo de isqueiro que se assemelhava com uma caixa, pequena e metálica com detalhes em relevo fez com que os olhos do rapaz estatizassem, repentinamente o fazendo quase cair para trás.

"As sirenes tocavam incessante e desconcertantemente ao fundo, tornando aquele cenário esfumaçado e assustador ainda mais horrível, o que podia fazer, Kyle?

- Kyle! O que você fez!? KYLE!"

- Kyle! Kyle! - Mole o chamava, quase berrando para o garoto estirado no chão, pálido como jamais o vira, ele havia sentido sua pressão abaixar e, naquele momento o frio do chão era a única coisa que realmente sentia. Se concentrando em manter seus olhos abertos e sua ansiedade e agonia controladas. Porém era tarde, pois suas pálpebras se fecharam e a visão que tinha de Christopher escurecera assim como tudo a sua volta.

Mole já havia visto aquilo antes, porém sem tempo algum para pensar em suas lembranças passadas de Kyle, ele correu, pois sabia que assim que o ruivo acordasse entraria em seu "estágio três" da síndrome do pânico. Os braços fortes de Mole aguentariam fácil o peso do rapaz, sem muito esforço ele o levantou de uma só vez, subindo as escadas com o leve peso do corpo em suas mãos. Chegava a se sentir carregando um cristal, com pressa, com medo de que se quebrasse ele teve cuidado o suficiente de colocá-lo em sua cama.
Christophe poderia sim ter ligado para um hospital, mas isso influenciaria na semana livre que Kyle tem sob experiência do hospício, portanto teria que lidar com essas questões sozinho e afinal das contas, ele sabia como lidar.

O ruivo repousava na cama já faziam alguns minutos, porém o único acordado naquele cômodo não poderia tirar os olhos do mesmo, o processo de síndrome que Kyle possui é extremamente raro entre cada paciente que já esteve tratando de uma doença como essa: O primeiro estágio é a ansiedade, choque, desmaio. O segundo é o período que o mesmo se mantém dormindo, quanto maior o tempo mais (digamos que) arisco o garoto fica ao acordar, o estranho desta parte é que seu corpo não se acalma um segundo se quer tremendo ou até mesmo soando. E por último ele acorda, essa é uma das piores partes, quando não se permite entender o que está ao seu redor até se acalmar completamente, ninguém pode se quer tocá-lo sem o mesmo começar a berrar.

Christophe se lembrara que isso acontecia com frequência depois da morte de Kenny, ele costumava acordar durante a madrugada já no terceiro estágio e o castanho só soube disso pelas inúmeras vezes que Kyle fora para o hospital em sua adolescência.

- Sabe que podíamos não ter que passar por isso, não sabe? - O moreno dizia para si mesmo, ou quem sabe para o subconsciente do desacordado rapaz em sua cama.

Sentindo o frio e o temor de algo que mal estava acordado para ver Kyle suava frio deixando o rapaz de pé um tanto quanto encucado. Seus olhos castanhos profundos passavam pela superfície mais lisa da pele do outro e logo que percebera isso estava se aproximando de Kyle, vendo seu sofrimento de cima, ele passou a mão sobre aquelas bochechas que já foram tão coradas e macias, estava pálido.
Um momento de tempo incalculável se passara, enquanto Christophe se perdia em sua pele. Não era preciso dizer que ali um deles apercebia-se de um apreço muito grande pelo outro e pela forma que o maior passava a mão sobre os belos cachos ruivos, qualquer um conseguiria dizer que o infeliz ocupador desse título era Mole. O mesmo que mal podia esperar para vê-lo acordar, poderia parecer de um ponto não muito compreensivo da parte do rapaz querer entender a mecânica de seus surtos, como funcionaria e quais seriam as possíveis reações que ele produziria. O garoto podia até mesmo imaginar os sons, enquanto sua expressão mudava levemente para um sorriso terno imaginando em sua perturbada mente quais seriam os demônios habitados em tal criatura.
Kyle, que sempre fora um menino tão racional e que o tirava do sério. Quais seriam seus demônios?



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