História Cheerleader - Capítulo 8


Escrita por: ß

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Namjin, Sobi, Sope, Sugahope, Taemon, Taenamjin, Taeseok, Yoonseok
Exibições 492
Palavras 4.103
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


JÁ FAZ 84 ANOS!!!
gente, me desculpa mesmo pela demora. cês n têm noção do quanto eu empaquei nisso aqui soaijspka espero que gostem;;
cockblocker: empata-foda;
vênus: no mapa astral, vênus é o que cuida num geral basicão da parte de relacionamentos e tal;
best enemies forever: melhores inimigos para sempre sz

Capítulo 8 - Problemas astrológicos. - K. N.


 

Vida de virginiano é uma merda.

Acho que é interessante eu começar falando das  expectativas. Quando encontro alguém que assim como eu cultua os bons valores astrológicos, a primeira pergunta que nasce na conversa é: qual é o seu signo?

É nesse momento que eu sou obrigado a dizer: você agora entrou num assunto delicado.

Coragem, tem que ter coragem.

Meu signo não é lá muito influente em mim e isso se deve ao restante do meu mapa astral. Como explicar que não, eu não tenho nenhuma mania de limpeza ou organização? É até pecado um virginiano – não confundir com virgem – ser tão desastrado.

Entretanto, eu não reclamo. Só assim eu pude ter um relacionamento bom com Seokjin, meu namorado sagitariano. Nossa combinação, à primeira vista, era péssima, acho que só se eu fosse capricorniano seria pior, mas nós dois tínhamos uma boa sintonia mesmo assim. Minha própria família dizia que nós havíamos sido feitos um para o outro e sinceramente, nunca duvidei.

Justamente por conhecer bem Kim Seokjin, eu era capaz de ver seus sentimentos como se fossem meus – e nem era porque eu tinha decorado seu mapa astral. Por isso não era tão surpreendente assim que eu desconfiasse de algo entre ele e Kim Taehyung, o primo capricorniano do meu ex-namorado.

Lembra-se que eu comentei sobre o quão bosta a combinação sagita e caprica é? Pois bem. Sagitário é o inferno astral de capricórnio e aqueles dois faziam da vida de todo mundo um Inferno também. Se você não sabe o que é inferno astral, tudo bem; passe dez minutos perto daqueles dois e descobrirá.

A primeira coisa que eu pensei quando os vi trocando farpas tão intensas foi: justo. Afinal de contas, a ordem natural das coisas é caprica e sagita se odiando. Bom, é claro que eu tive que desconsiderar o mapa astral de ambos inteiro, já que tal informação sobre Taehyung não estava ao meu alcance; as coisas começaram a ficar tensas quando o ruivo ficou de cuzice pro meu lado.

Hm, com licença? Virgem e capricórnio deveriam ser ótimos amigos!

Ainda assim, não dei tanta importância às nossas inimizades.

O problema é que eu precisava conviver com Taehyung, assim como meu namorado, e meu melhor amigo, e todo o time de Basquete, porque Hobi e Jimin ficavam brincando de socar pessoas por aí e esta foi a punição dos bonitos. E, claro, estávamos incluídos nessa, porque toda derrota é pouca.

Então, as coisas começaram a ficar um pouquinho mais complicadas de se aguentar, principalmente quando Yoongi resolveu que jogar uma bola na cara do meu ex-namorado seria nice, o que resultou num Kim Taehyung com fogo nos olhos – e no cu, porque logo toda a sua ira de primo recaiu sobre nós.

Bom, para resumir: estávamos eu, Seokjin e Taehyung fora da quadra, ao ar livre, fora de qualquer prédio escolar, apenas porque ele parecia realmente prestes a cometer um assassinato e assassinatos não ocorrem na minha quadra, querido.

— Você precisa se acalmar! — Seokjin disse, chacoalhando o ruivo pelos ombros, e sinto que aquela não foi a melhor ação a ser tomada. — Homem, seu primo não morreu! Foi só uma bolinha do rosto.

uma bolinha no rosto?! — berrou de volta, enfurecido com toda a sua cólera. — Eu vou jogar as minhas bolinhas na sua cara, que tal?!

Meu namorado se afastou com a mão no peito. — Uau, que rude. Paga um salgado primeiro.

Eu só ri. Que tipo de louco entraria no meio daquele fogo cruzado?

— Vai se foder, Seokjin.

— Mais respeito, pirralho!

Taehyung riu irônico imitando a voz do mais velho. — Mais respeito, pirralho!

Enquanto os dois discutiam porque o ruivo deu de imitar todas as falas do loiro com uma voz irritante e esganiçada que ficava engraçadíssima porque sua voz era naturalmente grave, dei-me conta de um fato que não pude deixar passar em branco:

— Nós somos tipo os Três Mosqueteiros... Os Três Mosqueteiros Kim.

Taehyung arqueou uma sobrancelha. — Quê?

— Ai, Namjoon...

E só por fazer uma observaçãozinha boba, os dois se viraram contra mim, dizendo o quanto aquele não era o momento para se fazer comentários como aquele – poxa, gente, não foi na maldade – e em certo momento Taehyung apenas parou de gritar e começou a rir, o que foi um tanto quanto desconcertante.

Seokjin me encarou como se me perguntasse o que estava acontecendo e eu por acaso tinha cara de quem sabia? Apenas dei de ombros aceitando que meu destino não me permitia descobrir o que diabos passava na cabeça de um cara tão 4D como o que estava à nossa frente. Quando enfim ele parou de rir, nos encarou e disse, muito sério:

— Vocês são ridículos.

Seokjin preferiu ignorá-lo. — Você entende que não fomos nós que jogamos aquela bola na cara do Hoseok, certo? E por isso, não tem por que estar bravo conosco.

— Nem com o Yoongi, se for possível — tive que me meter porque não ia ser legal um barraco entre Taehyung e Min Suga. — Foi sem querer, você sabe. Ele jamais faria aquilo de propósito, ainda mais com Hoseok.

O ruivo pareceu analisar a ideia por um instante e enfim deu de ombros, parecendo muito mais calmo. Esse moleque é bipolar, por acaso?

— Qual é o seu ascendente?

A pergunta foi só para ter certeza de algumas coisas porque, veja bem, caprica e virgem, melhores amigos, piquenique à tarde nos domingos... Nada de inimizades e barracos! Eu precisava tirar a prova.

— Não faço a mínima ideia do que você está falando.

Oh, Deus, vai ser uma longa jornada.

— Namjoon — Seokjin chamou. — Fica quieto.

— Amor, são informações importantes! Vocês se odiarem eu entendo, sagita, caprica, inferno astral... Agora, por que virgem?! Essa dúvida vai me matar!

— Pelo amor de Deus, homem!

— Jesus — Taehyung parecia impressionado. — Eu ‘tô te implorando... Cala a boca.

Seokjin suspirou profundamente com um sorriso como se a ideia lhe apetecesse bastante. Traidor! Eu deveria saber, essa mania de liberdade de sagitário um dia o faria virar a casaca para mim.

Mas, então, uma ideia me veio à mente. Algo como uma pequena vingancinha.

— A gente pode fazer um acordo — eu ofereci com um sorriso fanfarrão. Os dois pareceram curiosos, talvez porque eu soltei aquilo de forma meio aleatória. — Eu fico um mês sem falar nada sobre signos se vocês se aproximarem e pararem de se odiar.

E então você pode falar: mas, namdjun, você não disse que a ordem natural das coisas é os dois se odiando?

E eu responderei: a ordem natural das coisas foi quebrada quando aquele capricorniano resolveu me odiar também.

Porque veja bem, eu, como capitão do time de Basquete, preciso zelar pela integridade física e psicológica dos meus jogadores e também do clima dos treinos. Se as duas princesas ficassem de cuzice, então o bom clima já não seria mais possível. Além disso, quem é que manda Kim Namjoon calar a boca? Há, até parece. Claro, para colocar a cerejinha no topo do bolo, este seria mais um motivo pelo qual eu encheria o saco de Kim Seokjin, já que este era um dos meus hobbies favoritos, se não o favorito.

Taehyung parecia prestes a discordar (ao contrário do meu loiro, que pareceu achar a ideia bem interessante), mas eu fui mais rápido.

— Vamos, não será tão ruim. Aposto que Hoseok ficaria feliz — ofereci-lhe. — E eu ainda não encho seu saco para fazer seu mapa astral.

O mais velho de nós assoviou como se isso fosse de fato uma grande vantagem e talvez aquilo tenha persuadido um pouco o ruivo, este que pensou um pouco consigo mesmo.

— Ok, meu pau não vai cair por isso — disse por fim. Eu não entendi o que seu pau tinha a ver com tudo aquilo, mas também não disse nada.

Jin ficou obviamente chocado por uns momentos, embora não tivesse desaprovado a ideia, porque achou que o outro não aceitaria e sendo sincero, eu também não. Para mim, já era óbvio que não fora apenas porque ele não me queria em seu pé 24 horas por dia atrás de seu mapa astral; havia um motivo a mais ali, embora eu também soubesse que o ruivo não o diria de qualquer forma.

— Ótimo! — balancei os braços para o alto e Seokjin riu. — Aproveitem e voltem para a quadra, então. Juntinhos. Eu vou ao banheiro.

Lancei uma piscadinha seguida de um sorrisinho e ambos reviraram os olhos, encarando-se por uns segundos como se estivessem se estranhando, por fim começando a andar de volta para a quadra.

Assim que ambos sumiram do meu campo de vista, comecei a andar em direção à enfermaria.

Ok, eu havia dito que não falaria sobre signos e nem encheria o saco de Taehyung sobre seu mapa astral, mas isso não queria dizer que eu não iria consegui-lo. Aquele era meu lance final, a última vez que eu me ligaria a algo astrológico durante aquele mês; apenas para saciar essa curiosidade que me devorava inteiro.

Eu sabia que Hoseok provavelmente estava na enfermaria e fui esperando que meu palpite estivesse certo. Hobi estava de fato lá, mas não sozinho; Yoongi hyung estava consigo e pela posição que estavam, foi óbvio que minha interrupção não foi a coisa mais oportuna para ambos.

Eu mesmo, Kim Namjoon Mello, o maior cockblocker que você conhece e respeita.

E, olha, ainda havia boatos de que Min Suga não estava a fim de J-Hope.

— Eu estou interrompendo alguma coisa? — perguntei, maroto, sabendo que estava, sim. Ah, vá lá; quando é que se tem a oportunidade de encher o saco de Yoongi sem levar um chute nos testículos?

— Imagine.

— Oh, que ótimo! — meu sorriso não poderia ser maior. — Hobi, posso falar contigo?

E foi assim que tirei meu ex-namorado da companhia do meu melhor amigo – seu atual crush – para lhe pedir o mapa astral de seu primo. Tive que pagar um suco para recompensá-lo, mas valeria a pena se ele conseguisse aquela informação por mim.

E, ah! Pra quem acha todas essas coisas astrológicas inúteis, meus sinceros lamentos. Quem foi que resolveu criar um jogo para conhecer melhor Hoseok? Isso mesmo, Min Suga. E eu quero meus créditos nisso porque fui eu quem confidenciou ao Yoongi que o vênus do Hoseok é em aquário e, portanto, ele gosta de ser amorosamente surpreendido, relações inusitadas e tudo o mais. Ahá! Ele seguiu minha dica e ao invés de só fazer o clichê papo de “me fale sobre você”, fez o tal joguinho e agora Hoseok parecia ainda mais interessado. Sou muito cockblocker sim, mas mais cupido do que eu só dois de mim.

Depois, vou lembrar meu hyung de me agradecer.

E caso esteja na dúvida, sim, eu queria vê-los juntinhos e felizes porque que casal seria mais fofo? Min Yoongi, o cara frio e rude do time de Basquete junto com Jung Hoseok, o adorável escandaloso do clube de Dança. Além disso, dois piscianos juntos? Se soubessem equilibrar as coisas, seriam o casal perfeito!

Tudo bem, há controvérsias. Hoseok nasceu no último dia de aquário, o que, dependendo do ano, o torna pisciano, mas isso é dependendo. Pela data, qualquer um o consideraria aquariano, mas eu não; primeiro porque não confio em quem é de aquário, segundo porque aquário e peixes é uma combinação horrível, horrível, horrível do nível sagitário x capricórnio e eu acho que já temos provas o suficiente para salientar o quão horrível isso é. Deus me dibre de aquariano.

Vamo’ com peixes que é sucesso.

Oh, droga, o lance de não falar de signos. Ok, eu consigo, sou um viciado em recuperação.

Depois daquele dia, os dois pareceram mais próximos – o tal jogo que meu hyung inventou pareceu realmente contribuir para isso – e de forma paralela, Taehyung e Seokjin também se aproximavam. Eles se cumprimentavam quando passavam pelos corredores, nos inícios e finais de treino e houve uma vez em que Seokjin e eu estávamos passeando pela rua, vimos Taehyung com a mesma garota da lanchonete com a qual ele arrumou confusão – o nome dela era Taeyeon, não? – e os dois até acenaram um para o outro.

O início foi difícil, confesso. Parecia que ambos queriam se atracar a qualquer momento e a não ser que o sexo fosse ser selvagem, não era no bom sentido. As coisas começaram a melhorar depois de uns dias e foi numa fatídica quinta-feira que Taehyung surpreendeu a mim, a Seokjin, a Deus, a Jesus Cristo, ao Espírito Santo e também a Satanás quando disse:

— Oi, hyung.

As aulas estavam prestes a começar a ninguém esperava aquilo àquela hora da manhã.

Seokjin me encarou perplexo e depois deixou seu olhar cair sobre o ruivo. — C-Como é?

— Eu só disse “oi, hyung”. Você é retardado?

— Você me chamou de “hyung”... — murmurou, parecendo emocionado, e todo seu papo de “Namjoon, isso não vai dar certo!” que ele havia insistido antes comigo pareceu se dissipar. — Eu não acredito nisso.

Taehyung ficou surpreso por um momento, a boca aberta num "O" como se ele mesmo não tivesse se dado conta disso. Com a mão em frente à boca, murmurou um xingamento e saiu andando para dentro do prédio escolar.

— Você viu isso?! — meu namorado me perguntou, todo animado e saltitante, como se tivesse gabaritado a prova de química – o que ele eventualmente fazia. — Ele me chamou de “hyung”!

Abracei-o porque ele estava muito adorável daquele jeito e parecia que tínhamos ganhado algo de muito valor, o que talvez possa ser interpretado dessa forma.

Foi naquele dia que resolvemos que até mesmo Kim Taehyung tem salvação.

Contudo, só alguns dias depois que Seokjin e eu conversamos pela primeira vez sobre aquele ruivo cabeça quente no meu quarto, eu deitado na minha cama me entretendo com uma HQ qualquer enquanto ele lia um dos meus livros na minha cadeira rotatória.

Quando o assunto caiu nele, a primeira pergunta que Jin me fez foi: — Por que você fez aquele acordo?

— Bom, eu estou cumprindo.

— Está, mas não foi essa minha pergunta.

Deixei o gibi de lado para me sentar na cama com um sorriso marotinho. — Vingança por vocês me mandarem calar a boca, no geral. Mas sabe que eu estou achando essa aproximação bem proveitosa?

— Por incrível que pareça, eu também — Seokjin folheou o livro por um tempo para deixá-lo de lado também. Era óbvio que ele não sacou o que eu quis dizer. — Agora ele me parece até... Interessante.

Oh, talvez ele tivesse sacado, sim.

— Como assim?

— Eu não sei. Sinto que tem um pouco de mim nele e um pouco dele em mim, sabe?

Eu sabia, sim. Os dois eram bem complementares, mesmo que não percebessem isso a maior parte do tempo. Eu conhecia Seokjin há um bom tempo para saber bastante sobre si e Taehyung não era exatamente um livro fechado. Bastava um pouquinho de atenção para perceber.

Ainda que negasse, Seokjin tinha uma necessidade meio rebelde. Ele era o bom moço da família – talvez não tão bom moço por também beijar rapazes, algo que não foi muito aceito em seu seio familiar –, tendo notas tão altas quanto as minhas (o que era admirável), participando do clube mais bem sucedido da escola, um histórico perfeito, amigos por todo o lado e um namorado lindo. Mesmo assim, eu sabia que ele não estudaria tanto se não fosse pela pressão familiar – esta que havia crescido quando descobriram sobre sua sexualidade, além de toda aquela coisa de garoto perfeito e tudo o mais. Era de se admirar que ele não fosse se conformar completamente com isso e se rebelasse de vez em quando. Quem olharia para a cara de Kim Seokjin e diria que ele acordou seu namorado às três da manhã para invadir o clube da cidade e mergulhar na piscina de lá? Ninguém, mas ele fez mesmo assim.

Enquanto  isso, Kim Taehyung era toda a rebeldia oprimida dele, talvez expressa de forma exagerada demais. Isso era evidente em qualquer aspecto seu, desde as roupas excêntricas à língua afiada ao cabelo chamativo. Taehyung estava pouco se fodendo para o que qualquer um pensava sobre si, ou ao menos isso era o que ele mostrava. Era interessante, como Seokjin havia dito. Mesmo que seus signos – ok, não falarei sobre eles! – não fossem os mais compatíveis, eles, por si mesmos, eram sim. Bem mais do que conseguiam ver.

— Sei. Entendo perfeitamente.

— Agora ele sempre me chama de “hyung”. Isso é um avanço, não é? — ele perguntou, parecendo até mesmo esperançoso. Quando eu bati algumas vezes em minhas coxas, ele saiu da cadeira e se sentou em meu colo.

— Com certeza. — rodeei sua cintura com meus braços num abraço frouxo. — Eu realmente acho que vocês podem ser bons amigos.

Ele sorriu pequeno e aquele sorriso tinha cheiro de planinho, mas sendo sincero, eu não sei se queria descobrir.

Ficamos nos encarando por alguns segundos até que ele se apoiasse em meus ombros, rodeando-os também, tocando seu nariz com o meu num beijinho de esquimó – ele era fã especialmente desse tipo de beijo – para enfim alcançar meus lábios.

Nós tínhamos um relacionamento aberto e eu já havia beijado algumas pessoas enquanto namorávamos, contudo, nada se comparava a beijá-lo. Era algo como... Olha, um cara bonito, não estou apaixonado mas quero muito aquela boca colada na minha. Assim nasceu nosso relacionamento aberto.

Entretanto, como era de se esperar, não havia toda a paixão que existia quando estávamos juntos. Aquilo era algo que eu não trocaria por nada e se um dia Seokjin me dissesse que não queria mais esse tipo de relação, então eu apenas aceitaria algo fechado. Seria estranho, claro, mas eu o amava e se ele estivesse desconfortável, eu também estaria.

Bem, ainda estávamos bem um com o outro e com o que tínhamos, então continuávamos daquele jeito. Nunca nos pareceu grande coisa.

Nunca foi grande coisa.

 

 

 

 

 

 

— Soube que você ‘tá tentando juntar o Seokjin e o Tae hyung.

Eu só estava tentando comer meu sanduíche, mas Jeon Jungkook não parecia disposto a me dar esse prazer.

— O quê? — perguntei com a boca cheia e cuspindo um pouquinho de pão em seu rosto sem querer.

Como o bom virginiano padrão, o mais novo limpou o rosto com as costas da mão e fez uma careta de gente que tem nojinho – basicamente de virginiano, mesmo. Esperou que eu engolisse o que estava em minha boca para repetir, agora parecendo um pouco enfezado.

— Eu soube que você está tentando juntar o...

— Ah, eu ouvi — bem, não estava tentando juntá-los, mas uma aproximação poderia ser considerada, certo? — O que tem?

— Jimin hyung e eu também. Proponho uma aliança.

Olhei para os lados esperando que Jimin e Minzy pulassem de uma das moitinhas gritando “Há! Caiu, otário!”, mas tudo continuou quieto como sempre.

As aulas já haviam acabado e eu estava comendo meu sanduichezinho já que não havia levado um almoço decente. O treino começaria em trinta minutos, mais ou menos, e todos os jogadores já estavam na quadra, estes que puderam se adiantar enquanto eu estava conversando com o diretor sobre os jogos que teríamos do campeonato. Jungkook pareceu se aproveitar da minha solidão, aproximando-se na surdina para enfim me encurralar.

— Como é?

— Eu acho que você me ouviu.

Certo, agora ele parecia irritado de verdade.

— Que tipo de aliança?

— Veja bem — ele se debruçou sobre a mesa do refeitório que antes só tinha a mim e por um momento eu achei que ele tiraria um mapa do bolso junto com um contrato e quem sabe um advogado. — Jimin hyung quer se vingar do Tae hyung por ser heterofóbico...

— Heterofóbico?

— Sim, ignora essa parte. Enfim, sua vingança será arrastando o Tae hyung para o Seokjin hyung, já que os dois são bef.

— O que diabos é bef?

Best enemies forever. Pare de me interromper, hyung. Onde eu estava? Ah, sim. Ultimamente temos visto que os dois estão se aproximando por conta própria e eu descobri que você foi o responsável disso.

— Como descobriu isso?

— Tenho meus contatos — é, aquele maknae me dava medo. — No meio de tudo isso, Tae hyung também quer juntar o Hobi hyung e o Suga, então ele não está de fato tendo muito tempo para desviar de Seokjin.

Talvez eu estivesse um pouco surpreendido agora.

Eu havia passado um bom tempo observando o clube de Dança e tudo bem que Taehyung não era muito discreto quanto a sempre tentar deixar Hoseok e Yoongi sozinhos, mas Jimin e Jungkook no meio daquilo para formar um casalzinho? Essa era nova.

— Eu sei que vocês têm um relacionamento aberto e imaginei que não fosse se importar; não é como se Jimin hyung e eu queiramos vê-los se casando. De qualquer forma, se você não...

— Não! — berrei, cuspindo mais um pouquinho de pão que havia sobrado na minha boca sem querer, e Jungkook pareceu terrivelmente ofendido. — Digo... Eu quero ajudar. Pode ser divertido.

Talvez Seokjin me matasse por isso, mas quem é que nunca foi quase assassinado por seu namorado?

Com a minha resposta, ele pareceu aquiescer. — Obrigado, hyung.

— E onde é que eu entro nisso?

Daí chegou a parte em que eu fiquei assustado de verdade. Meu xará de signo olhou para os lados como se temesse estar sendo vigiado e então tirou do bolso do moletom um envelope pardo que ele pôs à minha frente, escorregando-o pela mesa lisa como se fosse um mafioso.

— Aí tem tudo que você precisa saber.

E então ele saiu. Saiu! Simplesmente levantou e foi embora, me deixando ali com cara de babaca encarando o envelope que poderia muito bem conter uma bomba.

Ah, virginianos.

 

 

 

 

 

 

— Você sabia que Hoseok ainda assiste desenhos infantis?

— Sim. Você não...

— E ele tem um pôster dos Beatles! Eu não tinha conhecido ninguém na escola que gostasse dos Beatles.

— Hyung, eu também gosto, mas você...

— E ele começou a dançar por causa do Jimin. Imagina se ele nunca tivesse...

— Meu Deus, hyung, eu sei disso tudo! Ele e eu já namoramos, você esqueceu?

Yoongi pareceu perturbado por um momento, demorando para assimilar a informação. — Ah, verdade.

— Você foi ao quarto dele?

Ele quase riu. — Não, Hoseok me contou.

— Então o jogo de vocês está sendo proveitoso.

Meu hyung deu de ombros com um sorriso presunçoso no rosto. — É, está sendo sim.

Continuamos em silêncio por mais algum tempo. Estávamos em seu quarto num sábado chuvoso – havíamos planejado ir ao cinema assistir a algum filme de terror que ele queria muito ver, mas não tivemos coragem de sair com a chuva –, aproveitando a música baixa que saía de seu celular, um hip-hop desconhecido que ele havia baixado porque “gostou da batida”.

— Falando sério — ele voltou a falar. — Você não tem nenhum ciúme do Seokjin hyung?

— Por que eu teria?

— Sei lá, acho que ‘tá rolando um clima entre ele e Taehyung.

Só se for clima de homicídio, né, querido.

— Um clima?

— É. Eles andam um pouco mais próximos agora, sabe-se lá por quê. No treino de ontem o Jimin falou algo sobre como sofre por ser hétero e os dois se encararam de longe e riram. Já chegaram até no nível de piada interna!

— Então eles já conseguiram deixar você e Hoseok pra trás?

— Pois é.

O silêncio foi nosso amiguinho por alguns poucos segundos até Yoongi se dar conta do que eu havia dito – e do que ele havia concordado – e eu não pude deixar de gargalhar da sua cara de surpresa.

— Me respeite, moleque!

— Hyung, você é demais.

— Sou sim. Agora pare de rir, parece um babaca.

Eu parei de rir mesmo e fiquei pensando naquilo por um momento. Jungkook e Jimin já haviam feito até plano para juntar Jin e Taehyung – plano este que se encontrava dentro daquele envelope pardo, com direito até a mapa conceitual, cuidadosamente guardado debaixo do meu colchão; Yoongi agora vinha com essa de “clima” pintando entre os dois. Será que...?

— Você ainda não respondeu minha pergunta.

— Não, não tenho ciúmes. Acho até que pode ser interessante.

Suga me encarou com uma sobrancelha arqueada e eu ri novamente quando ele murmurou “Louco”. Louco, sim; mas um louco do amor.

Apesar de tudo, eu não havia mentido. O plano dos dois dançarinos era bem estranho, mas poderia até mesmo ajudar meu melhor amigo e meu ex-namorado a finalmente desempatarem. Tudo bem que eu acabaria perdendo a aposta que fiz com Sehun, mas pagar um pastel para o meu maknae não seria grande coisa. Era muita coisa para pensar, claro, ainda mais com o campeonato ficando cada vez mais próximo; era agora que meu lado virginiano deveria aflorar e mostrar a que veio. Se organizar direito, todo mundo faz plano. E eu, é claro, estou incluso.

Ver o primo do meu ex-namorado e meu atual namorado se pegando. Seria meu sonho?

 


Notas Finais


SOFREU MAS SAIU
não tenho muito o que falar, só agradecer mesmo por todos os comentários - que eu responderei no fds - e aos favoritos. muito obrigada mesmo pelo apoio, gente, vocês são demais ♥
o próximo capítulo eu ainda não tenho certeza quem narrará, mas espero não demorar tanto de qualquer forma. então, nos vemos logo se a Santíssima Trindade quiser <3
http://www.twitter.com/min_word
beijos!


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