História Chiaroscuro - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Fire Emblem, Pokémon, Punch-Out!!, Super Smash Bros.
Tags Bara
Exibições 21
Palavras 2.548
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Vaniville


Um belo céu azul.

Um lindo campo com a grama verde e fresca.

Um rio com água doce e clara, cheio de...

“Peixes, ugh”, Lucina grunhiu, comendo o primeiro daquele dia. O sol mal nasceu e já estava terminando de comer o desjejum. Já havia comido bem mal quando estivera no acampamento durante as viagens com os pais. Urso, toupeira, cavalo, tatu, capivara e até outros bichos mais estranhos já tinha se arriscado a provar, nem sempre gostou, mas engolia sem reclamar; fazia parte de ser um guerreiro se contentar com o que tivesse a disposição. Ainda assim, não se conformava com o sabor daquele peixe nojento. Não bastasse ser laranja-avermelhado e ter uma crista amarela e dura no topo da cabeça e o fundo do corpo, as escamas tinham que ser duras, obrigando-a a quebra-las com o cabo da espada. O único ponto positivo era que eram fáceis de pegar e viviam aos milhares no rio. Não fugiam dela, na verdade, iam ao seu encontro sempre que tinham uma chance.

Adoraria comer algum outro animal, mas não conseguia encontrar mais nenhum. Ou melhor, pelo menos nenhum animal que tinha coragem de experimentar. Ou que sequer fosse um animal, pois se lembra de ter se aproximado de uma flor branca e de repente ela se virou e revelou olhos pretos e saiu voando para cima dela, mas o lobo∕hiena atacou e a flor fugiu voando para dentro da grama alta. Mas que coisa era aquela?, Lucina pensou enquanto se lembrava do ser. De toda maneira, não era hora de ficar de devaneios. Precisava encontrar alguma cidade bem rápido e descobrir se viajou para o passado ou para o futuro.

“Está na hora de partir”, disse para filhote, que choramingou enquanto mordia um pedaço de peixe, “Não adianta reclamar, temos que continuar a procura”, ela jogou água sobre a fogueira que usou para assar a refeição e se levantou. O outro continuou mordiscando a comida, sem prestar atenção. Lhe incomodava ter que falar ou pensar nele como se fosse apenas um animal qualquer, pois não era. Assim como os pegasus e wyverns, aquele animal conseguia entender o que dizia e claramente era ciente. “É hora de dar um nome a você”.

Ele se virou para ela com os olhos brilhando.

“Que tal... Rover?”

Ele ganiu.

“Ora, vamos lá! Eu sei que você não é um cachorro, mas é um nome lendário”, passou a mão sobre a cabeça dele, “E combina com você”. Lucina se levantou e olhou para o chão que ainda precisava cobrir, “Vamos andando! Ainda preciso descobrir como voltar para casa.”

 

 

 

Oblívio

“Mestra...”, disse um sussurro no vazio.

“O que foi, Umbra?”, respondeu a escuridão.

“Grima... morreu.”

Um rugido poderoso fez as ligações da realidade estremecerem, “MEU BEBÊ! QUEM FEZ ISSO?”

“Um grupo do planeta Terra do universo C-345. O que quer fazer, senhora?”

“Destrua o planeta.”

“Não faria nenhuma diferença, senhora. Durante o assassinato, a realidade estava frágil e se abriu. Agora todos estão espalhados por diversos universos diferentes.”

Silêncio.

“Isso pode ser interessante”, uma suave gargalhada rasgou o vazio, “Mostre-me todos!”

Várias esferas apareceram na escuridão, parecendo grandes gotas d’água gigantes, do tamanho de uma janela, onde era possível enxergar diversas cenas diferentes em cada uma.

“Veja só, Umbra! Estão todos perdidos. Nunca mais voltarão para casa e vão todos morrer em lugares desconhecidos. Mas isso não vai saciar a minha sede por vingança!”, apenas ao som da voz, as esferas tremiam como se fossem rachar e então explodir em milhões de pedaços, “Irei esperar, pacientemente, até que todos tenham perdido a esperança de voltar para casa... e então, quando menos esperarem, deixarei que meus outros filhos brinquem com eles até a morte...”

 

 

 

 

 

Chiaroscuro

Saga Mundo Desconhecido

Início

“Ei Serena, gracinha!”, disse um homem alto e musculoso na mesa que ficava na parede mais longe do balcão da lanchonete, “Venha cá me trazer mais uma cerva!”

“Estou indo!”, ela disse com um sorriso, mas por dentro queria matar aquele desgraçado. Não se importava de ser chamada de gracinha, linda, amorzinho, etc., mas aquele cliente em especial lhe incomodava. Sempre tentava tirar uma casquinha quando estava bêbado e era casado; a última coisa que precisava na sua vida era uma esposa iludida correndo atrás dela por ciúmes. Lembrou-se de uma mulher que botou fogo na casa de uma suposta amante usando um Pyroar. Não só isso, sequer pensar naquele nojento passando as mãos sobre ela era suficiente para lhe causar arrepios.

Adoraria mandar aquele desgraçado embora, mas estava sendo obrigada a andar sobre ovos no seu trabalho, já que seu chefe estava zangado com ela por já ter arranjado confusão. Não que ela saísse por aí procurando brigas. Acontece que alguns clientes não tinham limites e começavam a falar coisas realmente nojentas e desrespeitosas, coisas que eram muito desagradáveis e que ninguém gosta de ficar ouvindo o dia inteiro. Quando passavam dos limites, ela era obrigada a responder com algumas grosserias que geralmente fazia a lanchonete inteira rir, mas o seu maldito chefe dizia que ela estava constrangendo o cliente e isso era ruim para os negócios.

Em outras palavras, era um emprego de merda, mas que pagava as suas contas. A vida estava difícil desde que saiu da casa dos pais e teve sua carreira de Treinadora Pokémon destruída por Calem, seu ex-namorado. De qualquer forma, agora tentava ignorar esse tipo de cliente ao máximo e se focava em fazer alguma outra coisa para que eles pensassem que ela estava ocupada e não ficassem incomodando com comentários nojentos o dia todo. Pelo menos podia usar um avental grande, marrom e com bordados brancos dos lados, que era muito lindo, apesar de simples. Estava terminando de limpar uma mesa quando alguém entrou. Graças a Arceus, assim poderia demorar um pouco mais antes de atender aquele homem.

“Seja bem vinda!”, cumprimentou com um sorriso, “Por favor, sente-se aqui!”, disse, mostrando a mesa que havia acabado de limpar, “Ah, coloque sua Poochyena na pokébola, este restaurante não é aberto a pokémons.”

“Pokémons?”, ela parecia confusa.

“Você esta bem?”, Serena colocou a bandeja sobre a mesa e fez a garota se sentar, “Precisa de ajuda?”

“Sim”, ela respondeu, feliz, “Preciso saber onde estou!”

“Esta em Vaniville! Você bateu a cabeça? Esta com amnésia?”

“Não, não é isso!”, ela levantou as mãos, como que para acalmar Serena, “Eu estou bem, só vim parar aqui... nesse lugar, por acidente. Pode me dizer qual o nome deste país, continente, tudo?”

“Você está em Kalos.”

Ela pareceu tentar se lembrar de alguma coisa, “Existe algum país próximo?”

“Não. Kalos é bem distante de outros continentes.”

A garota apoiou o queixo na mão direita, pensativa. Serena começou a prestar atenção nas roupas estranhas que ela estava usando e só então percebeu que ela estava com uma espada enorme escondida por baixo da capa azul. Ela parecia estar fantasiada de algum tipo de guerreira ou lorde de muitos séculos atrás e mesmo assim estava bem diferente do que se acostumava a vestir naquelas épocas. Ela seria alguma estrangeira? Como foi parar em Kalos sem nem perceber? E como era possível não saber o que era um Pokémon? Eles existiam em todo o mundo!

“Ei, SERENA!”, gritou aquele cliente nojento, “Me traga a minha cerveja AGORA!”

Droga, havia esquecido ele, “Ahn, é... Estou atendendo essa moça agora, já trago o seu pedido, okay?”, sorriu para ele. Quando se virou novamente para a garota, demonstrou toda sua falta de paciência e frustração em um suspiro cansado e uma expressão de raiva em seu rosto.

A outra soltou uma risadinha e disfarçou colocando a mão sobre a boca, “Deve ser um inferno trabalhar aqui.”

“Você nem imagina!”, retrucou, “Espere um pouco, tudo bem?”, escondeu a boca com mão e sussurrou “Só vou cuidar desse porco estúpido e já volto pra te ajudar, querida!”

“SERENA!”

“JÁ ESTOU IND-“, começou, mas logo recuperou a compostura, “Quero dizer, já estou indo”, se levantou e foi direto para o balcão do bar encher sua jarra com cerveja. “Prontinho, aqui esta!”, serviu o nojento e já estava se retirando quando sentiu um tapa forte em sua bunda.

O estalo foi tão alto que todos se viraram para olhar a cena. Serena se voltou lentamente para ele, que estava sorrindo com a boca cheia de comida, cerveja escorrendo pelo queixo quadrado. Sem pensar duas vezes, Serena jogou todo o conteúdo da jarra na cara nojenta daquele desgraçado.

Ele bateu ambas as mãos com força sobre a mesa, fazendo o prato de comida saltar e cair girando para o chão, “SUA CADELA!”, ele segurou o pulso esquerdo dela e começou a puxa-la com brutalidade.

“ME SOLTA, SEU BABACA”, com a mão livre, ela bateu a jarra na quina do balcão, fazendo com que se partisse em vários pedaços. Sem perder tempo, ela fez um corte na mão dele com a parte afiada do que ainda segurava. Ele a libertou depois de soltar um grito e tampar o corte com a outra mão, se encolhendo para trás enquanto o sangue escorria por entre os dedos.

“O que esta acontecendo aqui?”, um velho esquelético apareceu atrás do balcão, vindo da cozinha, “Serena, você esta arrumando confusão com os clientes mais uma vez?!”

Ela jogou o que sobrou da jarra no chão, “Eu estava me defendendo, senhor John! Esse filho da p- digo, esse homem me atacou!”

“Não tente contar mentiras, garota!”, o velho levantou um indicador ossudo para ela, “Não posso deixar de te vigiar por três segundos que já se mete em confusão!”

As pessoas começaram a murmurar, algumas até a rir baixinho. Por algum motivo, a primeira pessoa que chamou a atenção de Serena foi aquela garota perdida, que estava de pé, com a mão atrás da nuca, pronta para sacar a espada. “Olha aqui, velho, eu já estou cansada de ser tratada que nem lixo!”, disse, juntando coragem para dizer algumas coisas que estavam entaladas em sua garganta fazia muito tempo, “Você me paga um salário baixo e deixa com que um bando de otários fique me chamando de coisas nojentas o dia todo e quando vou tentar me defender, tem a cara de pau de me dizer que estou errada! Você não é melhor que eles, você é pior! Porque você sabe tudo que eu passo e ainda assim não faz nada!”

“Você não pode reclamar de nada! Deveria é estar grata por eu te dar esse trabalho e te aguentar por tanto tempo, sendo que nem seu namorado aguentou!”, todos ficaram em silêncio, alguns clientes ficaram boquiabertos, “Você é uma treinadora fracassada, não devia se achar tanto assim!”

“Agora você foi longe de mais”, Serena disse, com a voz inabalada. Retirou o avental e o jogou no chão, “Eu me demito dessa espelunca!”. Virou-se em direção à porta, mas mal deu quatro passos quando ouviu o som de uma pokébola se abrindo.

Foi o homem que agarrou seu pulso. Ele havia soltado seu Magmortar. Não era o Pokémon mais forte de todos, mas era muito perigoso por conta de suas chamas... principalmente em um local com pouco espaço e cheio de gente que nem aquela lanchonete.

“Você vai me pagar, sua vaca!”, sua mão ainda estava sangrando, parecia que a dor fazia sua raiva aumentar cada vez mais, “Use Explosão de Chamas!”

O Pokémon estendeu o seu braço, em forma de cano de canhão, e o tempo pareceu ir mais lento. Serena tentou alcançar uma das pokébolas em sua cintura, mas não era rápida o suficiente. Conseguia ver o fogo começando a se acender no fundo do braço, lentamente rodopiando até sair no formato de uma grande bola de fogo em sua direção. Sentiu um grande aperto no peito, o desespero começando a se formar dentro dela; seria o seu fim.

Então, um braço a envolveu em uma capa azul escuro enquanto uma grande espada, em um formato que nunca viu antes, cruzou de baixo para cima e atingiu a bola de fogo, impedindo que Serena fosse atingida. Apesar disso, a bola explodiu em um mar de chamas, que não a queimou porque a espadachim usou a parte chata, sem fio, da espada, fazendo com que funcionasse como um escudo.

“Não queria me intrometer, mas preciso retornar o favor por você ter me ajudado”, a garota desconhecida deu um leve sorriso, “Você está bem, Serena?”

Por um segundo, lhe faltou fôlego pelo medo que sentiu a pouco e pela surpresa de ter sido salva, “Sim. Sim, estou bem. Agora já posso assumir”, Serena se colocou na frente da garota, “Acho que devo estar com sorte hoje, porque vou me livrar de um emprego ruim e ainda vou esfregar o chão com a cara de um babaca”, não precisou sequer pensar em qual Pokémon deveria escolher, jogou a pokébola e sorriu ao ver a expressão do homem mudar de raiva para preocupação quando seu Greninja apareceu.

Desesperador, ele gritou “EXPLOSÃO DE CHAMAS!”

Serena disse calmamente “Estrela de água.”

Mesmo tendo começado primeiro, Magmortar não era mais rápido que Greninja, sendo atingido por diversas shurikens de água e tendo seu ataque impedido.

“Quer mesmo continuar? Nós todos já sabemos o resultado”, Serena provocou.

O homem fez seu Pokémon voltar para a pokébola, aceitando a derrota. Passou calado pelas garotas, ainda segurando a mão ensanguentada. Todos começaram a aplaudir e gritar viva, menos John que estava reclamando com Serena por ter destruído parte da lanchonete com aquela batalha.

“Bom, tudo foi resolvido”, a garota guardou a espada na bainha em suas costas, “Acho que esta na minha hora de partir e buscar informações. Obrigada por tudo”, ela deu meia volta e já estava do lado de fora quando Serena correu atrás dela.

“Espera aí!”, Serena segurou seu ombro, “Me diga o seu nome!”

“É Lucina.”

“Então...”, continuou, sem saber exatamente o que dizer, “Você salvou a minha vida... preciso devolver o favor de alguma maneira!”

“Obrigada, mas não é necessário. Além do mais, acredito que vou passar por situações perigosas, não quero colocar a vida de um inocente em risco.”

“Olha, não sei de onde você veio”, ela segurou Lucina pelos braços, “Mas eu tenho certeza que sei os perigos do meu próprio país. Pelo menos mais do que você.”

“Esta certa, mas ainda não me convenceu.”

“Lucina... não tenho mais pra onde fugir”, abaixou a cabeça, sem conseguir olha-la nos olhos, “Agora estou desempregada e não vou conseguir pagar o aluguel, mas se me levar com você, posso tentar seguir como treinadora novamente e, quem sabe, conseguir a vida que sempre sonhei!”, seus olhos começaram a marejar, então ela piscou várias vezes para evitar que as lágrimas saíssem, “Então por favor, deixe que viaje com você! Eu conheço Kalos como a palma da minha mão!”

Lucina soltou um suspiro profundo, “Eu sei que vou acabar me arrependendo mais tarde... mas... eu aceito”, Serena levantou o rosto, a sua expressão entre surpresa e alegria, “Não conseguiria ficar vagando até chegar ao meu destino por acidente, de todo jeito.”

Serena lhe deu um abraço forte, “Obrigada. Obrigada! Não vou decepcionar!”

A Poochyena deu um ganido animado, andando em círculos em volta delas.

“Este é Rover, esqueci de apresenta-lo.”

“É bom te conhecer, Rover!”

Ele respondeu com mais ganidos.

“Enfim...”, Serena soltou Lucina do abraço, “Para onde você quer voltar?”

“Para o meu tempo.”

“Hã?!”

“É complicado.”



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