História Chocolate com menta - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Monsta X
Personagens I'M
Tags Changkyun, Drama, Monstax, Romance
Exibições 55
Palavras 4.555
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá ! Bem vindos à minha primeira postagem!
É extremamente gratificante tê-la aqui!

Obrigado a você que deu uma chance a minha escrita, eu me dediquei muito nela, espero que goste!

Tenho um agradecimento especial a Loh-Mirai e a Nihal-Shiori que me incentivaram na história ! Valeu meninas, muito obrigada <3

Aos leitores, espero que se divirtam com a história !

Até as notas finais!

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

 

_ Kihyun não faça isso! – Gritei, mas já era tarde demais para avisá-lo, a água tingia seu jeans claro de escuro, pois ele enfiou na cabeça que deitar bem no quebra-mar seria fascinante, por algum motivo. Imagino que seja efeito do álcool, já era sua terceira garrafa de soju ou a quinta, na verdade já havia perdido as contas. O álcool também já circulava por minhas veias e confundia meu cérebro, me levando a achar as calças molhadas de Kihyun uma comédia hilária, ainda mais agora que ele reclamava de como a água era fria e molhada.

 

Meus quatro amigos de infância estavam reunidos em um luau na praia, era a minha vez de recepcioná-los em casa. Por morar no litoral, achei que seria legal esse programa, só não contava com as baixas temperaturas daquele final de semana, o que fazia passar os braços em torno de mim, para tentar manter minha temperatura corporal, que ameaçava me deixar toda vez que era atingida por uma rajada marinha gelada e salgada. Enquanto repetia este ato mais uma vez, ao observar Suzy e Taeyong abraçadas a Kihyun em uma dança esquisita e constrangedora, que provavelmente se estivessem sóbrios não á fariam, senti um calor externo ao meu, juntamente com cheiro amadeirado e suave que vinha da jaqueta jeans que era colocada sobre meus ombros.

 

Olhei para o lado e por estar sentada vi primeiro seus pés chutando a areia, caminhava preguiçosamente como se cada grão de areia fosse chumbo. Ao erguer meus olhos passo por seu jeans surrado, que aposto não ter custado mais que cinco dólares em algum bazar; vestia uma de suas tradicionais blusas xadrez, justamente aquela vermelha, em que você fica tão bem. 

Pega seu violão, que acredito ser tão velho quanto seus jeans, o que é uma raridade, já que não há nada que você não possa quebrar em um recorde de tempo. Sentou-se no chão da praia e cruzou suas pernas, usando como suporte ao violão, dedilhava alguma canção desconhecida por mim, apesar de sua alta destrutividade com as coisas, seus dedos passavam por cada corda com sutileza, como se as tivesse acariciando, carinhos que eu sei que só suas mãos podem produzir ou talvez fosse minha baixa tolerância a você, que me fizessem ceder aos seus toques.

 

Seus lábios estavam tão vermelhos quanto sua blusa, estes que tantas vezes me disseram coisas que me confortaram e que em iguais vezes me entristeceram. Era tudo sobre você, sempre fui fascinada por cada detalhe seu, da curvatura do seu maxilar ao seu nariz que muitas vezes usei para te incomodar, mas que na verdade, eu apenas queria tocar com o meu e repetir aquele beijo esquimó que fizemos no jardim da sua casa quando pequenos, porque seus pais por uma relação de longa amizade, antes mesmo de nossa existência, haviam convidados os meus para um churrasco.

Seus olhos que dedicavam tanta atenção ao violão, aos meus agora eram apenas uma fina linha envolta por grossos cílios aos quais invejei tantas vezes, pois eu precisava de no mínimo umas dez camadas de rímel, para chegar a ser parecido com os seus.

Suas orbes se abrem e me fitam de volta, seguro seu olhar por cinco segundos e sua expressão continua a mesma pedra de mármore , desvio o olhar para a garrafa de soju na minha mão , que provavelmente já está quente por ter passado tanto tempo lhe observando. Suas íris têm cor de chocolate amargo e suas pupilas são como ébano, em quais perdi minha esperança naquele dia fatídico.

 Era pra você ser objeto da minha irá, mas eu sabia, no momento em que pensei em odiá-lo, que minha raiva não passaria de mera máscara de minha tristeza. Apesar de tudo, você é chocolate ao leite, é tão doce quanto, e só quem é privilegiado em ter sua companhia por um longo tempo é que sabe disso, em seus pequenos atos de ternura.

Em como mesmo que mais novo do que eu, foi sempre você que cuidou de mim e ainda cuida como agora, o peso de sua jaqueta jeans em meu corpo me recorda disso. Como não gostar de você se é tão adorável quanto filhotinhos com cheiro de leite emanando deles.

 

_Hey! S/N! – Kihyun me faz tirar os olhos de minha minuciosa avaliação dos grãos de areia entre meus pés. _Se está com frio deveria ir pra casa! – Diz sentando-se ao meu lado e me envolvendo com um de seus braços.

 

_Eu estou bem Kihyun, vou aproveitar o fim de semana com vocês! – Bato  minha garrafa na dele em uma espécie de brinde – Vamos apenas nos divertir hoje.

 

_ É claro que vamos, mas isto não precisa terminar com alguém doente depois, não é?! – Ele ergue uma de suas sobrancelhas pra mim, como se dissesse “não vai ousar me contrariar, mocinha!”

 

_Aishh! Omma Kihyun mode on! Ok.  Tudo bem, eu vou ir, mas não acredito que vão me excluir das brincadeiras e me deixar sozinha no sofá de casa! – Bagunço seu cabelo rosa desbotado, que combinava tanto com sua alma amável.

 

_Sem drama, beleza?! E, não toque no meu cabelo! Não sabe o quanto gasto nisso todo mês! Minha vida não ta fácil! Quem dera beleza fosse sinônimo de riqueza, seria bilionário! – Sorri pra mim, com a maior cara de pau do mundo, com certeza a auto estima dele era elevada! Deveria aprender com ele. Não resisto o seu rosto emanando felicidade com sua áurea de leveza e sorrio de volta. Enquanto isso vejo as meninas vindo em nossa direção.

 

_Kihyun! Já decidimos, jogaremos com as palavras e quem perder terá que entrar no mar! – Suzy tentar sorrir de maneira diabólica, o que só aparenta ser engraçado, pois, não aguenta seu próprio corpo, tendo que se segurar em Taehyong. – Todos têm que participar, não é nossa reunião se não tiver um desafio!

 

_ Eu topo meninas! Já que serão vocês mesmo que vão ter que se molhar, mas, S/n vai pra casa, ela já esta congelando aqui, não quero que ela fique doente! – Kihyun se levanta e me trás junto a si. Arrisco uma olhada rápida para o outro lado, mas ele continua concentrado em sua criação melódica, era apenas ele e o violão, como tanta outras vezes.

 

_Changkyun! Changkyun! Esse menino desliga e não volta mais. – Kihyun se desloca rapidamente até ele e tira o violão de suas mãos – Changkyun!

 

_Hey! Não faça isso! – Changkyun reclama olhando pra Kihyun que devolve na mesma intensidade em uma batalha interna em que só podíamos ver as faíscas e esperar que acabasse. – Me devolva!

 

_ Não! Já que não está fazendo nada e sei que desafios não são para crianças, acompanhe S/n até em casa ou ela vai acabar doente aqui. A brisa do mar e o crepúsculo tornam tudo mais frio.

 

_Pare de me chamar de criança! Além do mais, se eu sou a criança, porque devo acompanha - lá? Você nem perguntou se ela quer...

 

_Que seja então – suspira longamente – S/n quer companhia pra voltar pra casa? – Me lançou seu olhar autoritário. Sabia que queria que dissesse sim, mas meu medo irracional de encarar aquelas orbes de chocolate me dava calafrios maiores que o clima da noite que se aproximava.

 

_Kihyun, obrigada por se preocupar, mas, não precisa, eu vivo aqui, sei bem o caminho...

 

_Aigoo! Vocês dois fiquem quietos e façam o que eu mando! – Kihyun estava realmente estressado agora – Changkyun, apesar de uma criança, você ainda é o único homem além de mim aqui! E a promessa que você fez aos pais dela quando saiu de casa pra faculdade, heim?! Esqueceu por acaso? – A aura que emanava de Kihyun agora era realmente opressora.

 

_Não! Eu...disse que cuidaria e protegeria a S/n, não importa o que ou de quem... – disse de cabeça baixa e em um murmúrio pouco audível, mas suficiente para que nós ouvíssemos e tirasse um sorriso satisfatório de Kihyun, fazendo sua áurea rosa retornar ao seu corpo.

 

_Muito bem! Sem discussões agora, peguem suas coisas e vão pra casa! Changkyun aí de você, se eu souber que à deixou sozinha em casa.  É para você fazer companhia, então seja agradável, mesmo que isso não seja da sua natureza. – Declarou com um sorriso debochado, sempre o provocando.

 

_Ta. – Ele olha pra mim e lá esta de novo o chocolate amargo ao qual não consigo provar. Sua indiferença e até resistência para estar ao meu lado me machuca na mesma ferida aberta aquele dia, que na verdade nunca cicatrizou, eu apenas troco as gazes diariamente para evitar que os resquícios dessa dor apareçam.

 

...

 

Deito no sofá já de banho tomado para me livrar de todos os grãos de areia que trouxe grudado em minha pele.  Olho as marcas na madeira do teto tentando encontrar formas definidas pela minha imaginação enquanto ouço a barulho do chuveiro produzido pelo banho do Changkyun.

Porque não consigo me livrar desse sentimento? Não consigo deixá-lo ir, mas não consigo o manter por perto também. Querer provar do doce sabor do amor de Changkyun me trouxe tudo isso. Não foi como sorver ouro derretido em merengue como pensei que seria.

Toda a doçura que gostaria de provar se tornou fel, amargo e forte, do qual nunca pude deixar de sentir no fundo da garganta. Mesmo quando tentava sentir novos sabores o amargo continuava lá, começando sutil, mas logo em seguida inundava meus lábios.

Eu devo ser masoquista, querendo tanto ter ao meu lado alguém que me infligia tantas dores. Mas, eu só queria meu Kyun do passado. Aquele, que me protegia de todos, que se tornou meu pilar, que me fazia rir e que coletava minhas lágrimas. Quero esse Changkyun, meu melhor amigo e não essa parede de tijolos que insiste em nos separar.

 

_Ei, porque está só de pijama e descoberta? – Ainda estou olhando para o forro do teto quando sua face entra em meu campo de visão bloqueando a cor caramelo da madeira, o que me desperta dos meus pensaentos. Ele esta olhando pra mim, esperando uma resposta, mas a única coisa que penso é a dor latejando em meu pescoço, por estar de mau jeito há tanto tempo.

 

Sento-me corretamente no sofá e estralo meu pescoço pra aliviar a dor. Enquanto faço isso, Kyun me observa e vejo que sua sobrancelha, a que não esta coberta pela franja, está arqueada.

 

_ Você sabe que eu odeio isso, não é?! Com certeza sabe, já que te falo isso desde o colegial! – Ele respira fundo de modo a se acalmar – Ok! Eu já volto. – Olha para mim e balança a cabeça com ar de incredulidade e rendição.

 

Não consegui dizer nada, relembrar o dia que conheci o seu lado cruel me deixava fora de estação. O que me deixava confusa era te ver tão perto e vestido de forma tão despojada com seus chinelos, calça de moletom cinza e seu habitual conjunto de t-shirt branca com camisa xadrez azul, me trouxeram as doces lembranças de quando você dormia lá em casa, após uma maratona de filmes.  Suspiro involuntariamente e o vejo voltando com um edredom em mãos.

 

_Pegue e se cubra! Quando o Kihyun voltar e você  soltar um mísero espirro, ele me mata! Você sabe como ele é terrível quando esta no “Omma mode on”. – Enquanto cobre as minhas pernas com o cobertor, deixa escapar um sorriso juntamente com o som de seu riso. Aquele som em conjunto com sua linha de dentes brancos reluzentes, me dava borboletas no estômago. Tive que acalma-las  para poder corresponder ao seu sorriso do modo mais sincero que podia. Eu queria muito que ríssemos  juntos novamente. Estar com você me causava dores abdominais de tanto que riamos. Essa dor eu realmente gostava de sentir; pode me chamar de masoquista! – Faz um bom tempo que não há vejo sorrir pra mim...

 

Meu sorriso se desfaz, ele diz aquilo como se eu o estivesse evitando este tempo todo. Como se fosse eu que coloquei a arga massa entre os tijolos pra construção do muro que nos separa. Por quê? Porque faz isso Changkyun? Eu apenas quero sua companhia! É tão difícil ficar perto de mim?

 E porque não digo isso a ele, quando foi que fiquei tão covarde?! Faça suas vontades S/n e lide com as consequências depois! Saber o que aconteceu por ter feito é  melhor do que ficar presa no mundo dos “e se...” e culpando o universo por isso, se lamentando de sua condição sentimental deplorável de si mesma! Faça alguma coisa! Simplesmente faça! Agora! Faça!

 

Ele se apóia no encosto do sofá para pegar o controle da televisão que esta no parapeito da janela acima de mim e quando o alcança e vai se afastar, no meio de minha discussão mental, ao ver seu corpo se afastando, agarro seu pulso e o puxo para fazer com que fique perto. Não sei se, acabei usando força demais ou foi por estar apoiado, mas Changkyun cai sobre o sofá. Com seus ombros e cabeça sobre minhas pernas, invertendo nossos pontos de observação de mais cedo. Agora eu que analisava seu rosto de cima.

 

_Kyun... – O formato de seus lábios sempre me encantou assim como as covinhas que apareciam timidamente quando ele os pressionava de forma involuntária. Ao descer os olhos noto que sua camiseta subiu com a queda e vejo músculos definidos que não existiam na nossa última viajem a praia.

 Sabendo da distração que aquilo seria, levo minhas mãos a barra de sua camiseta e a puxo em direção ao cós de sua calça. A intenção era evitar distrações, mas só acabei criando uma lembrança que me causaria insônia. Meus dedos tocaram suavemente sua pele alva, era macia e quente. Agora eu tinha uma lembrança de pele, as pontas de meus dedos jamais esqueceriam essa sensação.

Encontrava-me inebriada com sua presença, o forte cheiro de sua colônia pós-banho, a visão de um ângulo privilegiado de seu rosto e o som de sua risada. Parecia muito, ao pouco que tinha, mas eu não estava satisfeita. Ainda não podia provar de você, sentir seu gosto e esquecer o amargo no fundo de minha garganta. Você é o veneno e a cura.

 

_Kyun? Voltamos ao jardim de infância agora? – Ele sorri – Apesar de ser um jeito confortável de assistir TV, acho melhor não. – Ele levanta seu tronco e continua sentado no sofá, antes que ligue a tevê, tenho a necessidade súbita de resolver isso.

 

_Changkyun, espere! Eu... – Pressiono as têmporas com as mãos, apesar de estar decidida, isso não tornava o ato de falar mais fácil, sem mencionar o medo das consequências, mas cheguei ao ápice, era preciso. Ele apenas aguarda ainda com o controle em mãos apontado para a direção da tevê. Pego o controle de sua mão, apenas para ter certeza que ele estará prestando atenção em mim. – Eu... Kyun, porquê? Porque temos que ser assim? Ficar nessa situação horrível... te ignorar e você me ignorando, machuca mais  do que ...do que... – Não planejava chorar, mas meus olhos se tornaram independentes e resolveram liberar algumas lágrimas – Do que o dia em que me rejeitou. Na verdade, eu havia me preparado pra possibilidade da rejeição, mas em todas as hipóteses imagináveis, em nenhuma, eu poderia esperar pelas palavras que disse pra mim.

 

Só o ato de tentar dizer as palavras, era como se sentisse a sangue encharcando os curativos desses três anos de tentativas de cicatrização, mas agora ela estava aberta.

 

_ “Infan...Infant.. _ Já não enxergava quase nada pelo espelho de água que se formava diante dos meus olhos

 

_Para. – Changkyun apoiava sua cabeça nas mãos.

 

_ “Você é tão...

 

_Por favor, para...

 

Pressionava meu coração com as palmas das mãos em uma tentativa falha de estancar o sangramento e amparar a dor. Em um ato de libertação finalmente consigo dizer as palavras que me atormentaram durante muito tempo, que me fizeram querer esquecê-lo, mas que se tornou impossível. De todos no fim, você, foi quem me machucou mais fundo.

 

_ “Você é tão infantil! Acha que esta apaixonada por mim?! Como pode dizer isso tão facilmente! Como foi se apaixonar por um cara quase três anos mais novo que você?!”.  Você disse tudo isso com um sorriso debochado! Eu abri meu coração e em vez de ampará-lo, você o golpeou com seu desdenho e o encheu de pedras pra ter certeza que ele nunca mais se recuperaria!!

 Só percebi o que estava acontecendo quando senti meus braços serem pressionados pelas suas mãos. Eu não mais falava, eu gritava com ele. Comecei a atingi-lo com tapas como em uma encenação impensada, para demonstrar o equivalente a 1% da dor que me causava. Percebi que consegui odiá-lo, nem que fosse um pouquinho.

 

_Já lhe pedi, por favor, pare! _Kyun levou suas mãos aos meus olhos, que agora se encontravam totalmente molhados. A linha formada pela cascata que escorreu pela minha face, acabaram com fios de cabelo grudados, ele os retirava um por um, delicadamente.

Mantenho os olhos fechados, tentando conter as lágrimas que teimavam em querer sair, sinto que ele se aproximou ainda mais, pois, a almofada do sofá cede com seu peso extra adicionado.

 

Sinto o toque de seus dedos por minha pele retirando os fios que insistiam em permanecer em meu rosto e por último, sinto seu toque, a quentura da palma de suas mãos contornando meu rosto. Abro os olhos, vejo suas orbes cristalinas e seu rosto apesar da tentativa de escondê-las, ainda esta manchado pelos rastros deixados pela lágrimas. Ele também chorava. Ver sua dor me conforta, ao ponto de saber que ele ainda se importava e ao mesmo tempo acabava comigo. Eu podia lidar com a minha dor, mas não a de Changkyun.

 

Ele recolhe as minhas lágrimas como fazia no passado, beijando delicadamente cada um dos meus olhos, com toda a ternura que eu sabia que existia, mas que não a sentia, há muito tempo. Observo novamente suas íris e lá está, o chocolate puro. Changkyun estava de alma aberta, não mentiria pra mim ali.

 

_Porque fez aquilo Kyun? Nós éramos melhores amigos... – Não o acusava, apenas queria saber seus motivos. Era minha chance de conseguir uma explicação para todos os três anos de questionamentos silenciosos, nas frias madrugadas.

 

_Você não entende mesmo... – É a vez dele suspirar, abaixa suas mãos de meu rosto e se afasta um pouco de mim. – Eu nunca quis te magoar, mas era o único jeito de fazer você ir.

 

_O que esta dizendo...? – Confusão era a única expressão que eu tinha. Ele suspira de novo, mas dessa vez de modo longo e continuo.

 

_S/n, quando se declarou pra mim você estava terminando o colegial e eu o fundamental, não vê? É como o Kihyun sempre faz questão de me lembrar, eu sou uma criança! Você estava indo pra faculdade, trabalhava meio período, obtendo seu próprio dinheiro. Como faríamos no nosso primeiro encontro? Você que pagaria todas as coisas que faríamos ao longo do dia? E as alianças você as compraria também? Como eu poderia me olhar no espelho e ter orgulho de mim mesmo em estar sendo um “ótimo” namorado pra você? É simples, eu não podia!

 

Ele apertava suas mãos incontrolavelmente denunciando o quanto aquilo o aflingia. Agora ele olhava pra mim intensamente, de modo como se pudesse ver a minha alma.

 

_ Se sobrevivêssemos aos primeiros seis meses juntos, você ia começar as suas aulas na faculdade, estaria em um ambiente rodeada por calouros da sua idade e caras mais velhos. Não seria tão difícil você me trocar por um “Oppa” – Desviou os olhos dos meus e olhava pros seus pés agora, sustentando o peso do seu tronco por seus cotovelos apoiados nos joelhos. Sorria sombriamente.

– Desculpe, mas eu não aguentaria ouvir a palavra “Oppa” saindo dos seus lábios. E se, milagrosamente isso não ocorresse, em mais alguns anos, você estaria se formando, como agora! E mais um ano e você se torna uma profissional e eu sou apenas o calouro da faculdade.  E quando suas amigas perguntassem “quem é o seu namorado?” – Ele olha pra mim com seu sorriso sarcástico. – Como  agiria ? Negaria ou diria a elas que esta namorando uma criança? Como me apresentaria usando um uniforme escolar e a vergonha...

 

Ele não termina a frase, pois, esta perplexo com o que acabei de fazer. Ele leva a mão até a face e sente o local onde acabei de lhe atingir com um tapa. Algumas lágrimas caem novamente.

 

_Changkyun! Eu não acredito que você me fez sofrer todos esses anos, porque estava com complexo de inferioridade! Por motivos biológicos ainda! O tempo não é algo que você possa controlar. Poderíamos ter superado tudo isso juntos, como sempre fizemos! Não sabe a vontade que eu estou de te bater!

 

_Bom... já bateu não é!

 

_Changkyun, não banque o engraçadinho agora! Não tem noção da raiva que estou! Como pode achar que meu amor por você fosse tão ínfimo assim?! Que te trocaria pelo primeiro veterano que conhece-se?!

 

_Pelo primeiro? Ah não...pensei só lá pelo quinto mesmo...Ai!

 

Estapeio seu braço e não acredito que ele está fazendo piada de algo tão sério.

 

_Você merece muito mais que um simples tapa! Como pode pensar isso de mim? Que agiria assim? Eu teria andado de mãos dadas com você usando um uniforme escolar, com orgulho! Adoraria te apresentar as minhas amigas da faculdade e não te deixaria sozinho com elas, pois veriam o quanto você é incrível e tentariam corrompe-lo.

 

Eu realmente queria bater nele! Todos esses anos e ele simplesmente resolve por nós dois que era melhor que ficássemos separados.

 

_Eu sempre fui apaixonada por você Kyun! E você sempre foi mais maduro do que sua idade. Se teríamos dificuldades, é muito provável que sim, mas juntos, sei que acharíamos uma solução. Mas, não foi a nossa diferença de idade ou mesmo outras pessoas que estragaram nossa relação, foi você mesmo que acabou com todas as chances de termos algo, antes sequer de tentarmos! Você não nos deu uma oportunidade de futuro.

 

Ele estava de cabeça baixa, sua franja cobria seus olhos, não me permitindo ver o que se passava por sua face. Eu precisava de um ponto final pra todo esse drama. Porque era nisso que nossa relação havia se tornado, um grande e doloroso drama.

_Changkyun, dissemos muitas coisas, magoamos um ao outro, mas preciso ouvir de você, preciso ver seus lábios pronunciando de forma clara e direta; Você gosta de mim?

 

_É claro que gosto, inclusive, prometi cuidar de você, na frente dos seus pais...

_ Não se faça de burro Changkyun! Você sabe que não é a esse sentimento que me refiro. Eu não preciso de um irmão pra cuidar de mim. Eu não quero você como um irmão!

 

De cabeça baixa, ele permaneceu calado e indecifrável. Sua armadura de mármore parece ter voltado.

 

_Se não gosta de mim, a não ser como sua “Noona”, me diga! Pois, eu juro Kyun, que darei um jeito de matar esse sentimento que tenho dentro de mim. Nem que eu tenha que me tornar essa pedra de mármore que aprendi em todos esses últimos anos com você!

 

Digo tudo isso de olhos fechados. Apesar de ser verdade e estar compenetrada a realmente por um fim nessa relação conturbada, nada a tornava menos dolorosa, pois eu sabia, que após essa noite não seriamos mais os mesmos um com outro.

Seu silêncio era a certeza que eu teria que comprar novas gazes para o meu coração dilacerado, que eu só sabia que existia por estar batendo loucamente em meu peito. Resolvo, portanto, me despedir do meu primeiro e até em tão único amor. Pois, nada dura pra sempre, as lágrimas iram secar e a dor sumirá, quem sabe encontre conforto em outros braços. Bom, pelo menos, assim espero.

 

_Kyun...

 

Não pude terminar a frase ao sentir o gosto de chocolate nos lábios. De inicio era amargo, mas em processo gradativo foi se transformando em chocolate ao leite e depois em chocolate com avelã, meu preferido. Não era o sabor que eu queria provar, aquele que imaginei como ouro derretido em merengue, mas era doce o suficiente para fazer sumir o amargo insistente e indesejável que permanecia por estes três anos.

 

Com o simples e suave toque dos seus lábios, meu coração parecia achar o encaixe certo de suas rachaduras. As feridas pararam de sagrar e foram suturadas. O ar se encheu de você, seu cheiro amadeirado agora tinha nuances adocicadas, tais quais, nunca havia sentido em mais ninguém. Quando minha mente descongelou e meu corpo começou a responder ao seu toque macio e cálido, você foi mais rápido e se afastou.

 

_S/n, eu gosto de você. Mas, durante todos esses anos que nos conhecemos, eu me convenci de que estar com você de outra forma a não ser como amigo era errado e impossível. Ao saber que pensava em mim de outra forma, eu não sabia o que fazer e preferi continuar me negando a ter esse sentimento, já que isso era o que eu fazia de melhor.  Eu nunca aprendi a cultivar um sentimento bom, eu apenas o sufocava e isso muitas vezes matava minha sanidade. Minha idade pode não ser o maior problema agora. Acho que eu não sei amar.  E quero tentar, mas e você? Terá paciência para esperar essa criança dar os primeiros passos em direção ao seu coração?

 

Ele olhava em meus olhos esperando uma resposta e pela primeira vez ele parecia alguém jovem e inexperiente. Apesar de eu ter visto o sol nascer mais vezes que ele, em questões românticas temos os mesmos medos. Passo a mão por seu cabelo, seus fios castanhos deslizam entre meus dedos de forma que seus olhos ficam livres deles.

 

_Kyun, eu segurarei sua mão firmemente e daremos um passo de cada vez, juntos. Assim, seremos o pilar um do outro, onde nos sentiremos seguros. E por favor, não fuja mais e não seja egoísta tomando uma decisão que diz respeito a nós dois, por si mesmo. Não poderei ignorar as feridas que você me fez, porque as cicatrizes continuaram aqui pra me lembrar de tudo o que passamos para estarmos juntos. E não tenha medo de me infligir novas, porque elas farão parte do nosso amadurecimento. E mesmo assim, eu ainda quero estar com você, contudo há lugares em que sozinha eu não sou capaz de me curar, então vou precisar de sua ajuda. Kyun, eu terei paciência e esperarei o amadurecimento dos seus sentimentos. E você, irá se esforçar todos os dias e será forte no nosso relacionamento?

 

Ele se inclina em minha direção sorrindo timidamente e sela rapidamente meus lábios, em forma de concordância, seu gosto de chocolate permanece neles. Ele pousa sua cabeça em minhas pernas, instintivamente começo a brincar com seus cabelos.

Pega o controle e liga a TV, esta passando Formula 1, mas na verdade não nos importávamos com o programa, a principal atração naquele sofá era a presença um do outro, cada toque era a reconstrução de nossos sentimentos. Enquanto acaricio sua bochecha em movimentos circulares com as pontas dos dedos, ele vira seu rosto pra mim, sorri e toca meus lábios com seu indicador.

 

_S/n, você tem gosto de menta. Eu adoro menta.

 

Ele leva seu indicador aos seus próprios lábios e fecha seus olhos.

 

Então era esse o nosso sabor, chocolate com menta.

 

 

 

 


Notas Finais


Se você chegou até aqui, meu MUUUUITO obrigada! Você me fez muito feliz !!!
Não tenha medo de comentar, qualquer dúvida ou crítica estarei aberta a eles. Se houverem elogios, ficarei radiante! haha
As biaseds do Chang, espero ter dado a vocês boas lembranças com essa história!!


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