História Chosen Fanfiction - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias House of Night
Tags House Of Night
Exibições 13
Palavras 2.213
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Fique


 

Aphrodite surtou total. Assim que todos apontaram para sua testa sem Marca ela ficou em estado de choque e saiu correndo, usando o alçapão de Stevie Rae que dava pra fora da escola.

- Alguém tem que ir atrás dela - falei.

- Por que? É Aphrodite, esse tipo de coisa é típico dela. - Shaunee disse. - Além do mais, ela está colhendo as consequências de todas as merdas que fez.

- É, igualzinho alguém que eu conheço. - Erin me alfinetou. 

Fechei os olhos e esfreguei a testa, contendo minha vontade de implorar que parassem com aquilo e me perdoassem. 

- Eu vou atrás dela - Stevie Rae disse, soando determinada e cansada ao mesmo tempo - Você me curou, Z. - ela sorriu para mim e meu coração vibrou, minha melhor amiga estava de volta! - Não se preocupe, eu fiz isso com Aphrodite. Devo ver se ela está bem. 

Sorri de volta para ela enquanto ela corria em direção ao alçapão. Minha doce melhor amiga estava de volta (e preocupada com Aphrodite!). Voltei meu olhar para os meus amigos e a indiferença e o rancor que vi lá me fizeram ter vontade de me encolher e chorar mais. Devagar e sem dizer uma única palavra, eles começaram a se afastar e eu queria gritar para que não me ignorassem e me levassem com eles, mas eu não disse nada. Fiquei lá parada, estática e gelada. Solitária e devastada. Sentindo que aquela noite não poderia ficar pior. 

A voz de Nyx soou em minha cabeça, suave e aconchegante e ao mesmo tempo causou um arrepio em minha espinha "Acredite em si mesma, Filha, e prepare-se para o que virá." A voz da deusa me fez lembrar que mais cedo sentira uma dor na cintura. Olhando em volta para me certificar de ninguém estava por perto, levantei a barra do meu vestido e olhei para minha cintura. Lagrimas vieram aos meus olhos e um sorriso trêmulo apareceu em meu rosto, lá estava a mais nova extensão da minha tatuagem, emoldurando minha cintura com delicados desenhos intrincados cor azul safira. 

- Obrigada, Nyx, por não me abandonar. - murmurei. 

[...]

- Ahhhhh, Nala! Lembra quando nosso maior problema era a preocupação com presentes de natalversário? - perguntei para minha gata - A vida era bem mais fácil. 

Nala soltou um miado de gata julgatielly e eu suspirei.

- Você tem razão, naquela época eu também tinha três namorados e isso não era nada fácil. - ela espirrou como se concordasse e eu continuei - Tudo bem, eu estava sendo meio cafajeste. Mas pelo menos tinha amigos. Vê, Nala, as coisas são bem mais complicadas agora. 

Minha gata me encarou com os olhos semicerrados e então deitou de costas para mim. 

- Você também vai me ignorar? 

Respirei fundo três vezes, como se estivesse extraindo forças do ar ao meu redor e me levantei.

- Tudo bem, tudo o que eu preciso fazer é ir para o refeitório e ignorar meus amigos tão bem quanto eles estão me ignorando. - Disse para o espelho, tentando soar determinada e conseguindo apenas ficar mais desanimada. - Ou talvez eu deva ficar aqui e esperar todo mundo comer antes de ir lá. 

Claro, agora estamos falando de um plano. 

Não, pensei de repente, não daria para os meus amigos o gostinho de ficar sozinha pelos cantos enquanto eles me ignoravam. Já se passaram dois dias que os evitava. Sem pensar muito eu peguei minha bolsa, me enfiei rapidamente em meu moletom  CyborgInvasion e sai do dormitório. Eu não iria encará-los essa noite, mas também não ficaria presa em meu quarto. 

Eu iria na Utica Square encontrar alguma loja de conveniência 24h comprar um celular pré pago para falar com Stevie Rae e ver se ela tem noticias de Aphrodite, e depois eu iria no meu restaurante Fast Food favorito e pediria a coisa mais gordurosa acompanhado do refri com mais cafeína e seria feliz. Sim, eu faria isso. 

Corri para o estacionamento sem encontrar quase ninguém, a maioria dos garotos estavam no refeitório naquele horário e isso me dava acesso fácil pelo pátio. Avistei meu fusca vintage e corri para ele. Os guerreiros Filhos de Erebus que sempre guardavam os portões da escola assentiram para mim e abriram o portão para mim. Graças a Deus que ainda eram férias de inverno e com isso não precisaria de permissão para sair. Estava pegando a principal saída para os arredores da escola, pelo lado Leste quando um grito me fez frear com força. Pulei para fora do carro com o coração acelerado, meus olhos buscando freneticamente de onde veio o som. Com minha visão melhorada, avistei uma silhueta cerca de 20 metros de distância, bem perto do muro. Quando a distância ia diminuindo a silhueta foi se tornando mais fácil de distinguir, esguia e com longos cabelos loiros. Não precisava ver o rosto para dizer que era Aphrodite.

- Aphrodite - ofeguei - O que aconteceu?

Quando cheguei perto dela percebi três coisas de uma vez só. A primeira foi um perfume gostoso, um tanto familiar, apesar de desconhecido. Fosse lá o que fosse, o cheiro tomou conta daquela área como uma névoa deliciosa e eu inalei fundo. A segunda coisa que vi foi Aphrodite se agachando para vomitar e chorar ao mesmo tempo, o que não foi agradável de assistir. Me aproximei dela e tirei o cabelo de seu rosto, ajudando-a à se levantar. A terceira é que a tatuagem de Aphrodite tinha voltado!

- Zoey! - ela soluçou e se apoiou em mim por um segundo antes de ter outra ânsia de vômito - Traga alguém! Rápido!

- O que foi... é uma visão? O que houve? - agarrei seus ombros e tentei segurá-la, enquanto seu corpo oscila e ela parecia prestes a desmaiar. 

- Não! Atrás de mim, contra o muro... - ela disse fechando os olhos com força e apoiando sua testa contra meu braço. 

De alguma forma a proximidade me agradou.

- É pavoroso. - ela lamentou e eu olhei na direção que ela mandou.

Primeiro minha mente sequer registrou o que era. Depois pensei que pudesse ter sido algum sistema instantâneo de defesa. Infelizmente, essa teoria não durou muito tempo. Pisquei os olhos e olhei para o trecho escuro. Havia algo pegajoso, molhado e...

E então entendi o que era aquele cheiro doce e sedutor. O cheiro era de sangue. Não sangue humano comum, que também já era bastante delicioso, o cheiro era do sangue de um vampiro formado. 

O corpo dela estava grotescamente pregado a uma cruz de madeira encostada no muro, ela não tivera apenas os pulsos e tornozelos pregados, seu cabelo longo e escuro esvoaçava com a brisa suave, parecendo obscenamente graciosos. Sua boca estava aberta, fazendo uma careta terrível, mas seus olhos estavam fechados.

Puxei Aphrodite para longe dali, meu instinto protetor se manifestando.

Apoiando-nos uma na outra, caminhamos aos tropeços até o carro. Nem sei como consegui dar a partida no Fusca e sair do meio-fio. Aphrodite parecia querer vomitar de novo.

- Não! Nós estamos bem. - falei, forçando-a à olhar em meus olhos.

Ela franziu a testa e respirou fundo, tremendo um pouco.

- Nós estamos bem... estamos bem... - ficou repetindo. 

Assenti para ela e tentei dar um sorriso tranquilizador enquanto tirava minha blusa com capuz e passei para ela.

- Enrole-se nisto aqui, estamos quase lá. - ela pegou a blusa e se aconchegou nela - Neferet e Loren Blake já voltaram das férias de inverno, eles vão saber o que fazer.

- Tá... tá... 

- Me escute, Aphrodite - eu disse - Vão querer saber por que você e eu estávamos juntas, vamos dizer que eu estava indo visitar minha avó e você estava voltando da casa dos seus pais, assim que encontramos a professora. 

Ela assentiu freneticamente.

- Tudo bem, posso dizer isso. 

Nem me dei ao trabalho de estacionar no local normal. Parei o carro ruidosamente e o mais perto possível do prédio principal onde os professores residentes moravam. Esperei apenas o suficiente para Aphrodite me alcançar e juntas, fomos pela calçada em direção às portas de madeira da construção que parecia um castelo. Abri a porta e dei de cara com Neferet.

- Neferet! Você precisa vir! Por favor, é horrível- solucei e me joguei em seus braços. Não resisti, me lembrei de como costumava pensar que gostaria de tê-la como mãe.

- Zoey? Aphrodite? - a Sacerdotisa nos encarava confusa - Fale comigo, o que aconteceu?

- Eu ouvi algo e... - reconheci a voz clara e forte de Lenobia, nossa professora de equitação.

- Pelo amor da Deusa! - pelo canto da minha visão turva vi Loren descer as escadas, suas roupas adoravelmente bagunçadas. Senti um misto de ódio e nojo. Respirei fundo e me desvencilhei de Neferet.

- A professora Nolan - eu disse, minha voz soando clara e forte com a raiva e o medo que corria em meu corpo - Ela está no alçapão do muro leste. Alguém a matou.

Depois disso, foi tudo muito rápido. Neferet imediatamente assumiu o controle da situação. Acabei tendo que voltar com ela ao local enquanto Aphrodite voltava para o seu quarto. No caminho Neferet despejava ordens, mandou chamar Dragon Lankford e pediu que ele organizasse os guerreiros que já estava de volta á Morada da Noite e ordenou que notificasse á todos que ainda estavam de férias para retornar (alunos, professores e guerreiros). A sociedade vampírica é matriarcal, somente as mulheres dirigem as coisas, mas isso não exclui a importância ou o respeito ao sexo masculino. A Sacerdotisa e os professores tinham tantas preocupações que me deixaram voltar para o campus rapidamente, provavelmente queriam evitar que eu ficasse perturbada demais com aquela visão. Na volta para o campus, passei na cozinha e fiz dois sanduíches improvisados e tentei ignorar a lembrança de Loren fazendo um daqueles para mim e também do fato que ele me ignorou completamente durante a crise. Melhor assim. Peguei uma garrafa de vinho, uma lata de cola e um pacote de Doritos e corri para o dormitório tentando equilibrar tudo em meus braços. 

Passei correndo pela sala onde as meninas assistiam televisão, indo direto para as escadas. A noite fora ruim demais sem ter meus amigos me olhando com desconfiança. 

Bati na porta de Aphrodite e ela gritou para eu entrar, devia saber que era eu. 

Entrei agitadamente e coloquei as coisas desajeitadamente em uma das camas. Aphrodite tinha um quarto só para ela desde que sua colega de quarto morrera, assim como eu. A diferença era que o quarto dela era totalmente chique, com papel de parede creme e cama com dossel. Pela deusa, ela tinha até um frigobar! Para mim, mais parecia um quarto da barbie.

Passei as mãos em minha roupa nervosamente e olhei para ela, estava parada no batente da porta do banheiro, usando um short e minha blusa com capuz. Fiquei surpresa ao vê-la usando a blusa, mas considerando tudo o que aconteceu, não era estranho. Seu cabelo estava molhado e eu precisei conter um gritinho ao notar que sua Marca não estava mesmo lá. A que eu tinha visto antes era falsa. 

- Você está bem? - perguntei.

Ela suspirou e sentou na cama com dossel á minha frente.

- Vou ficar. 

Assenti e ficamos em silêncio. Um silêncio que não era tão ruim. Seria confortável se não fosse todas as preocupações em nossas cabeças. 

- Aquilo foi horrível. - ela disse, os olhos cheios de lagrimas. 

- Pavoroso - murmurei - Mas vão encontrar quem fez isso. - tentei soar positiva.

Na verdade eu não queria pensar naquilo, toda a imagem da professora de teatro morta e pendurada numa cruz era autoexplicativo e horrível demais. Tinha que esperar, mas era difícil de acreditar que outra pessoa que não o Povo de Fé tivesse feito aquilo. Sacudi minha cabeça e tentei me concentrar no momento.

- Eu só vim aqui me certificar de que você estava bem e que iria comer alguma coisa antes de descansar. 

Ela me encarou longamente, daquele jeito misterioso que já fizera antes. A emoção que eu não conseguia ler de jeito nenhum. 

- Obrigada. - murmurou. 

Desembrulhei os sanduíches e passei um para ela, coloquei o saco de Doritos aberto entre nós e fiquei olhando enquanto ela bebia o vinho direto do gargalo, ela não sabia que aquilo era deselegante? Pelo menos a ajudaria a dormir.

Comemos em silêncio por um instante, cada uma concentrada em seus próprios pensamentos. Gostaria de perguntar sobre sua Marca, perguntar por onde ela andara e como estava, mas pensei que era muito invasivo aquela altura. Melhor esperar. Terminamos de comer e eu me levantei para ir para o meu quarto. 

- Espera! - Aphrodite perguntou passando a mão pelo cabelo nervosamente - Você não quer ficar? 

Só pude encará-la. Ficar? 

Ela pareceu ficar vermelha. 

- Digo, tem uma cama extra e tudo o mais e posso te emprestar uma roupa, além do mais... - ela me encarou com o canto do olho - eu não quero ficar sozinha. 

Meu coração se aqueceu com aquela cena improvável. Aphrodite: ex vadia. Zoey Redbird: rainha do clube dos amigos "P" da vida. Ambas rejeitadas.

- Tudo bem, vou ficar.



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