História Chuva Gentil - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Palavras 2.283
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa noite e leitura ! ;)

Capítulo 7 - Chuva Gentil


Fanfic / Fanfiction Chuva Gentil - Capítulo 7 - Chuva Gentil



  O barulho sombrio de uma trombeta ecoou por cada cantinho do Reino do Sol. Assim eram primeiramente anunciadas as mortes dos reis ou das rainhas. Cinco guardas enfileirados nos muros do castelo tocando o instrumento ao mesmo tempo. 
O sol já tinha ido embora há muito tempo e as pessoas nas ruas ficaram confusas e tensas quando ouviram o som. Eles não sabiam quem tinha morrido, mas quem quer que fosse, ficariam tristes do mesmo jeito. Livi não se preocupou em sair para mostrar que ele estava vivo, quem ele queria dar a noticia já sabia muito bem. Ele ouviria o som e viria até Livius. 
A última vez que Nike o tinha visto, seu marido estava recolocando a espada na bainha e desenvolvendo as estratégias com seus guardas e Bard. Agora ela estava gritando o nome de Livius e batendo fracamente nas grades da cela em que estava.
- Eu não acredito nisso - disse caindo de joelhos no chão frio. 
- Nike, deixe de ser tão teimosa, você não pode se envolver naquela briga, olha o seu estado ! - Mira disse do outro lado das grades - Você praticamente acabou de ressuscitar - ela riu um pouco - Não está aguentando nem ficar em pé direito, volte para a cama.
Nike estava em uma cela razoavelmente confortável. Livi tentou afastá-la da briga por bem, mas só deu certo por mau. Ele a prendeu e deixou Mira tomando conta dela. Podia ter deixado ela no quarto, é claro, mas ali era mais seguro. Ninguém ia imaginar que o próprio rei tinha trancado sua rainha nas celas, no fundo escuro e frio do castelo. Ele precisava manter ela o mais segura possível. 
- Mira, eu não quero que eles se machuquem e eu não possa fazer nada.
- Mas você não pode ! - O tom de voz da irmã era sério dessa vez.
- Livi não pode ficar frio como estava antes... Eu não quero que ele dê passos para trás, que ele tenha o mesmo olhar sombrio que tinha no inicio. 
- Você não devia se preocupar com isso, ele está lá fora lutando por você e por todos que ama. E se ele mudasse, você o deixaria ? 
- Vou ficar do lado dele não importa o que aconteça ou o que ele faça - respondeu Nike com a voz mais forte que antes. 
Mira sorriu de leve e suspirou.
- Bard também está lá fora... - ela disse segurando uma barra de ferro com a mão e apoiando o rosto nela - Eu também estou com o coração apertado. Nós só precisamos ficar aqui e confiar, torcer para que nada dê errado para eles.
Mas Nike não ia esperar.
Infelizmente, se levantar, bater nas celas e gritar o nome de Livius por minutos tinha tirado um pouco da energia dela. Ela se levantou do chão frio e caminhou até a cama limpinha que estava no centro da cela, deitando-se e respirando com calma. Ela fechou seus olhos por um momento e então várias imagens, lembranças, apareceram na mente dela, como se ela estivesse se lembrando de um sonho. Sonhos que ela teve quando estava apagada por dias. 


- Você é como uma bomba prestes a explodir, querida. É uma arma humana. Vai machucar as pessoas que ama e destruir o mundo. 
- Eu não vou - respondeu Nike com a voz fraca.  
Tinha lama até a cintura, ela estava afundando e estava encharcada por causa da chuva. Estava tudo escuro, a luz de antes tinha sumido. Ela nem sabia mais se aquilo era lama mesmo. Nike não conseguia se mexer. 
- Onde eu estou e porque está fazendo isso comigo ? 
- Você está fazendo isso consigo mesma. Esse é o lado escuro de você Nike, o lado escuro do seu poder. 
Nike riu sem humor. 
- Você é então a porcaria da minha consciência ? Isso é só um sonho. Então eu não acordei depois do incêndio. O que está acontecendo comigo ?!
Ela começou se sentir ainda mais desolada. E irritada. 
- Os seus sentimentos se descontrolam e a sua chuva acompanha. O céu reflete exatamente o seu temperamento. Você é perigosa. 
- Eu não sou ! 
- É sim, é melhor aceitar. Isso é uma maldição e não um dom. E é impossível de você controlar. 
Nike afundou completamente na lama, como se alguém estivesse puxando ela para o fundo. Mas depois ela sentiu tudo ao seu lado se tornar mais leve e cristalino, alguns feixes de luz passavam pela superfície. Era água. 
Tentou nadar para sair, mas seus braços e pernas não responderam. Ela se desesperou ainda mais, mas desistiu depois de um tempo e apenas relaxou seu corpo. Ela estava submersa na água e sentiu suas costas baterem de leve no fundo, mas ainda conseguia ver a luz do sol. 
Nike tinha perdido a conta de quanto tempo havia ficado daquele jeito. Poderiam ser minutos, horas, talvez até...dias. Mas ela estava viva debaixo d'água, então com certeza era um sonho.
A necessidade de ar chegou do nada. Ela não conseguia mais respirar.  Aquilo parecia tão real, como se alguém estivesse a sufocando. Ela tentou se debater para subir novamente, mas não saía do lugar. Então ela desistiu e parou. 
É só um sonho, Nike - repetia para si mesma. 

Eu não quero ficar sozinho de novo, Nike, por favor ... 
Ela ouviu a voz de Livi. De onde estava vindo ? Nike soube que precisava tentar mais, por ele. 
Eu não sou ruim - disse mentalmente - Eu amo a minha família. O meu poder é sim um dom e eu posso controlar ele para proteger aqueles que me importo. 
Dessa vez seus membros responderam lentamente e aos poucos ela deslizou pela água até a claridade, conseguindo respirar. 


Nike abriu seus olhos. Ela não tinha dormido, mas tinha se lembrado do que aconteceu em sua cabeça enquanto ela estava apagada. Olhou para Mira sentada em uma poltrona confortável, com a cabeça levemente tombada para o lado e olhos fechados, deixando evidente que tinham tirado ela do meio do sono naquela noite. 


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Nesse momento as pessoas já estavam evacuando a cidade e entrando para se protegerem dentro dos muros do castelo. Livius esperava pacientemente em cima de seu cavalo branco, na linha de frente. Seu exército já estava preparado ao redor do reino. 
Até que ele conseguiu ver no horizonte Duncan sobre um cavalo marrom, galopando em direção ao castelo. O homem devia ter a mesma idade que ele agora e tinha o cabelo num tom de vermelho escuro, caindo em um rabo de cavalo curto no ombro esquerdo. Depois vários outros cavalos com soldados apareceram atrás. Todos vestiam roupas escuras com detalhes em vermelho fogo. 
Livius viu pela sua luneta o sorriso de ódio que Duncan tinha e retirou sua espada da bainha. 
- Seja bem- vindo, seu filho da mãe. 


Nike quebrou o cadeado sem fazer muito barulho, seus poderes estavam voltando ao normal e seu corpo também. Mira não fez nenhum movimento nem som. Ela saiu da cela e nos corredores estavam alguns guardas, que ela paralisou facilmente sem machucá-los, prendendo-os com o vento nas paredes ao redor. 
Ela foi caminhando com calma e paciência, para não se cansar muito, precisava chegar ate Livius de pé e ajudá-los. Subiu muitas escadas e chegou nos corredores bem decorados e iluminados do castelo.  


Do lado de fora a briga já tinha começado. Espadas se batiam e afastavam o tempo inteiro. Livius desceu do cavalo e andou até Duncan, que fez o mesmo. 
- O rei do mundo - disse o ruivo. 
- Finalmente você deu as caras - rebateu Livi - O seu joguinho já estava enchendo o saco. 
Os dois se posicionaram para lutar. 
- Eu lamento muito pela sua linda esposa, mas a mulher era um problema a mais que eu não esperava ter que lidar. O jeito mais fácil e seguro para mim era matando ela. Não queria pagar pra ver o que ela é capaz de fazer. 
- Sabe porque nem você nem seu pai conseguiram o meu título, Duncan ? - provocou Livi, querendo irritar ele para que aquilo terminasse logo - Por que os dois são mandados demais por emoções. Emoções de vingança, ódio, inveja. Para ser o Rei do Mundo quem manda é o seu cérebro, você não pode ter nada cegando sua inteligencia. Pessoas que agem com os sentimentos , sejam bons ou ruins, tem o mesmo fim do seu pai. 
Livi sorriu, colocando mais lenha na fogueira. 
Duncan se irritou e avançou na direção de Livius com ataques rápidos e fortes, que Livi bloqueou facilmente. Mesmo Livi sendo muito bom com espadas, tinha que admitir que Duncan era tão bom quanto ele. Os dois se atacavam e se defendiam com muita habilidade. Suas espadas tilintavam uma contra a outra.  Demorou muito para que alguém tivesse um arranhão e o primeiro foi Duncan. Logo seguido de Livius com um corte no braço. 
Na batalha, muitos já estavam no chão depois de algum tempo. Livius e Duncan já estavam cansados, ofegando, seus ataques eram mais lentos. Bard estava um pouco próximo lutando contra um cara do dobro do tamanho dele, que não chegava nem perto de sua rapidez e elegância com a espada. Ele derrubou o cara no chão. 
Mas então um homem veio por trás de Livi para acertá-lo e ele se esquivou de um corte feio por alguns centímetros, derrubando o homem com um movimento só. Duncan viu uma grande oportunidade e foi com a espada na direção de Livi, pronto para perfurar as costas dele, mas um corpo branco de longos cabelos loiros apareceu no meio. 
Bard caiu no chão depois de Duncan atravessar seu ombro com a espada e retirá-la. Livius virou seu rosto para olhar e viu tudo acontecer lentamente, sentindo um calafrio, sentindo dor pelo seu tio. 
A raiva subiu por seu corpo e ele nem pensou duas vezes, correu na direção de Duncan com ataques tão rápidos e fortes, que conseguiu arremessar a espada do rival longe e sem nem um segundo a mais ele o acertou, no mesmo lugar que tinha acertado Bard. 
- Você vai viver, porque diferente do seu pai, eu quero que você pague por isso - Livi falou entre dentes - Morrer seria muito fácil. 
Livius tirou sua espada do corpo de Duncan ouvindo seu grito de dor. 
Todos ao redor pararam, principalmente os soldados de Duncan que perceberam a derrota. Livi tinha muito mais aliados em pé. Eles começaram a recuar e tentar fugir, seguindo em direção das florestas. 


Nike chegou ao campo de batalha e olhou ao redor. Havia fogo e corpos no chão, Ela procurou por Livi, mas a primeira pessoa que ela achou foi Bard, caído no chão e ensanguentado. Ele ainda estava vivo ? Seus olhos estavam fechados. 
Ela sentiu seu coração apertar. Isso não podia estar acontecendo, Bard era sua família e sua irmã... sua irmã ficaria devastada. As lágrimas começaram a queimar em seus olhos e ela olhou novamente para todo aquele cenário horroroso e viu soldados de Duncan tentando fugir, sentia o medo e o ódio se misturarem de novo, como na noite do incêndio com as crianças. 
O vento ficou forte, mais e mais forte. Livius olhou para trás e a viu de pé alguns metros de distancia. O vento estava tão rápido que se movimentava em círculos ao redor dela, levantando areia e grama do chão. 
Livius olhou para o céu acima dos homens que tentavam fugir por todos os lados e viu tornados se formando. O céu se encheu de nuvens novamente com uma rapidez surreal pra ele. 
Não, de novo não. 
-  NIKE NÃO ! - ele berrou desesperado. 
É claro que ele queria pegar e prender todos, mas não queria que ela fizesse isso. Ou que os matasse. Não queria que ela se envolvesse. Livi também não queria passar mais cinco dias esperando ela acordar, pálida e fraca. 
Nike sentiu o desespero na voz e no rosto lindo do marido. Que agora tinha alguns arranhões e marcas de sangue. 
E ela lembrou que não estava ali para aquilo. 
Nike respirou fundo. 
Meu poder é para ajudar, não machucar. Eu não sou uma maldição. 
Sentiu suas forças voltarem. Os tornados sumiram aos poucos e o vento se acalmou. Os homens que tentavam fugir antes, estavam congelados no lugar por causa do susto, mas vendo Nike recuar, eles tornaram a correr para todos os lados em direção as florestas. E lá estavam os guardas dos reinos aliados a Livius, todos que ele tinha conseguido apoio. Eles saiam do meio das arvores, formando uma barricada que impedia os fugitivos. Estavam por todos os lados.
Duncan reclamou baixo, estava sentado no chão, Livi erguia a espada na direção dele para que ele não tentasse nada. 
- Você não vai roubar a minha coroa hoje. 
Livius olhou novamente para sua esposa e sorriu. Ela retribuiu seu olhar e agradeceu mentalmente por ele ter chamado a atenção dela. Ela sempre poderia contar com ele, ele sempre estaria do lado dela até nos momentos mais obscuros. Os dois despertavam o que havia de melhor em cada um. 
Bard apoiou uma de suas mãos no chão e a outra em seu ombro. Sorriu de leve e logo em seguida reclamou de dor. Livi se aproximou dele, passando o braço do tio pelo seu ombro, para ajudá-lo a voltar para o castelo. 
Então Nike finalmente cantou, em paz. Sua chuva caía brilhante e leve novamente, apagando o fogo, deixando as pessoas mais em paz. E depois o céu se abriu mostrando as estrelas e a lua incrível. 
 


Notas Finais


Oiiii, gente ! Horário péssimo, eu sei, mas acabei agora. Mil desculpas por ter sumido, teve obra na minha casa e eu estava ajudando. Fora a faculdade, né. Agradeço muitíssimo pelos favoritos, fiquei muito feliz ♥ Espero que gostem desse capítulo. Qualquer erro, avisa tá ? Aí eu corrijo. Já li e reli , mas parece que sempre tem alguma coisa que passa batido. Acho que pretendo enviar mais um ou dois capítulos. Tenham uma boa noite, beijinhos :*


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