História Cicatrizes - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saga Crepúsculo
Personagens Alice Cullen, Aro Volturi, Bella Swan, Carlisle Cullen, Charlie Swan, Edward Cullen, Emmett Cullen, Esme Cullen, Jacob Black, Jane, Jasper Hale, Leah Clearwater, Paul Lahote, Personagens Originais, Renesmee Cullen, Rosalie Hale
Tags Bruxa, Drama, Jacob, Lobo, Renesmee, Vampiro, Vingança
Exibições 73
Palavras 5.424
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Romance e Novela, Saga, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


CHEGUEEEEI.
Segurem seus corações porque hoje o capítulo é um dos pontos máximos que definem esta história e nesse momento estamos realmente mergulhando nela. De agora em diante teremos várias revelações, por isso preparem seu psicológico. As insinuações de sexo, violência, palavras de baixo calão e possivelmente tortura estarão nos demais capítulos. Não digam que não avisei!

Capítulo 15 - Meu


Quase quatorze horas depois, Nessie encontrava-se sozinha.

Sozinha e triste. O ultimo sendo como uma coceira na pele de tão incômodo que era. Mas ela não podia reclamar por isso. No fim das contas ela estava agradecida por sentir.

Seu cabelo voou no ar da madrugada. Ele caia em cachos desgrenhados ao redor do rosto, ficando cada vez mais rebelde quando o vento o levava. Nessie não estava com nenhuma paciência para prendê-lo na trança novamente e deixou como estava, distraída com os próprios pensamentos.

Henry, disse mentalmente. Sua cabeça estava totalmente em Henry.

Eles tinham discutido. Intensa e agressivamente. Ela havia gritado. Ele rebatido seus gritos com rosnados. Então ele tinha ido embora. Apenas. Ido. Embora.

E, droga, isso havia doido.

Pela primeira vez percebeu o quão dependente ela estava da presença dele. Ela nunca ficara mais do que duas horas longe dele, pois ele sempre estivera ali, puxando seu cabelo, chamando-a por apelidos ridículos, sorrindo sinistramente, abraçando-a de forma inesperada... Ness se deu conta que ela sentia falta. Ela realmente sentia falta de Henry Reese.

O quão louco isto poderia ser?

— Oh, Deus. O que há de errado comigo? — murmurou para cima mesma. Ela estava tão confusa.

Sua mão esfregou o peito tentando tirar a dor que se concentrara lá e não queria sair de jeito nenhum. Ela sabia que não era físico, mas continuou esfregando, desesperada para parar a estranha desolação.

Ness fechou os olhos quando o som vindo do teatro veio até ela. Não era exatamente o melhor lugar para se manter longe de tudo, porém a música a tranquilizava. Ela podia ter facilmente invadido o lugar e se acomodado em uma sala V.I.P., mas se alguém a visse ela teria que explicar a razão de estar sozinha e ela não estava a fim de usar deslumbre em ninguém.

Ela não podia ver a peça dali, mas a música trazia estranhas lembranças para ela. Tinha quase certeza que já ouvira aquela peça, ou pelo menos só a parte do piano. Era tudo muito estranho, especialmente quando ela começou a cantarolar em francês junto com a voz feminina do lado de dentro.

Ness estava deitada de bruços em cima do telhado do teatro com uma bochecha apoiada no braço e suas pernas balançando lentamente no ar. E continuou assim pelas longas horas que seguiram a peça, agradecida por sua audição ser ampla o suficiente para ela ouvir cada nuance.

Quando a peça de teatro chegou ao fim ela olhou para baixo e viu o fluxo de pessoas saindo, todas muito elegantes em roupas sociais. Henry provavelmente se encaixaria ali com seus ternos Armani.

Henry de novo. Bufou. Por que ela não podia simplesmente esquecer que ele existia?

Então ela lembrou. Ela estava ligada a ele. Podia sentir seus sentimentos caso fossem muito fortes. O que significava que aquela dor não era somente dela. Henry estava preocupado! E Helena também. Isso se ela não estivesse ocupada paparicando sua companheira.

— Companheira — resmungou. — De todas as pessoas que Helena podia ter como parceiro tinha que ser logo o inimigo?

Pesado. Nessie estava pegando pesado. Ela ainda não sabia se podia confiar em Lilian e estava com o pé atrás. A híbrida podia ter aqueles enormes olhos azuis-violeta doces e inocentes, mas Ness não estava nem aí. Ela queria muito ter cinco minutos com a Barbie vodu. Uma pequena que Helena a usaria como sacrifício em alguma de suas coisas mágicas caso ela machucasse sua companheira.

— Detalhes... Estúpidos detalhes. Tomara que Tohr tenha arrancado um pedaço dela.

Lembrar-se do leopardo a fez abrir um sorriso perigoso. Seu gatinho não estava acostumado com outras pessoas e se ele não gostasse de Lilian era muito provável que ele desse uma mordidinha nela.

Ness estava tão distraída com seus pensamentos agressivos que ela quase perdeu o cheiro. Automaticamente ela enrijeceu e procurou a fonte dele, seus olhos caindo em um dos últimos casais que saía do teatro.

Praguejou baixinho, movendo-se para ficar em uma posição agachada. Ela encarou o homem e a mulher caminhando lado a lado e sentiu seu coração apertar.

Eles estavam vestidos de forma casual, porém elegante. O macho usava calça jeans preta, sapatos escuros e um blazer por cima de uma camisa branca. A mulher tinha o longo cabelo solto e seu sobretudo estava fechado. Ness inclinou a cabeça para o lado e notou que ela usava botas pretas de saltos finos. Reparou também que eles sorriam um para o outro. Um calmo e apaixonado sorriso.

Não foi isso que a chamou atenção, contudo. Não. Fora o fato que ela reconheceu a fêmea. Era a mesma mulher triste que ela vira na terceira vez que fora ao shopping quase um mês antes. A que estivera ao lado da vampira pequenina como se estivesse esperando algo.

Nessie nem pensou. Ela se levantou do telhado e pulou para outro, seguindo o casal que andava em direção ao estacionamento. Ness saltou para uma casa, quase fazendo um buraco no frágil telhado e escorregou pela lateral, caindo agachada no chão sujo de um beco. Aquele, com certeza, não fora uma boa ideia, pois ela deu de cara com uma cena que a deixou encolerizada.

Um homem fedendo a cerveja velha e a cigarro barato agarrava uma jovem mulher com brutalidade. Pelo cheiro ela soube que a fêmea havia sido drogada. Mas, mesmo estando drogada, estava claro para Nessie que ela estava tentando se livrar do aperto do homem que rasgara suas roupas.

O coração de Ness esfriou. Enrolando os lábios em um rosnado silencioso ela correu para o homem e o puxou pelo pescoço. Ele automaticamente soltou a jovem, gritando impropérios e lutando para sair do seu aperto.

— O que... O que está acontecendo? Solte-me! — berrou ele, sacudindo-se.

— Sinto muito interromper seu entretenimento — ela falou calmamente, olhando-o.

Ela o deixou que desvencilhasse de seus dedos e a olhou com incredulidade. Ele era velho. Olhos escuros injetados de sangue e barba por fazer. Um sorriso amarelado apareceu em sua boca quando ele a olhou de cima abaixo. Ela lutou contra o nojo.

— A ninfeta gostaria de participar? O que acha de um pouco de sexo brutal? Vamos lá, pequenina, abaixe as calças e me mostre sua bonita bocetinha — cantarolou o homem, aproximando-se dela com um sorriso louco.

Nessie olhou fixamente para ele, paralisada quando ele ergueu a mão para tocar-lhe. Sua expressão era de arrebatamento e ela não estava surpresa com sua reação a sua aparência um tanto utópica.

— Você é bonita, doçura. Ora, vou fazer um estrago em você — murmurou ele encantado, seu rosto próximo e o hálito podre batendo em Ness.

— Sinto muito senhor. Mas eu não faço com drogados nojentos — Nessie disse e sorriu.

Algo em seu sorriso fez com que a fascinação no humano desaparecesse. Uma luz de desconfiança sombreasse seus olhos. Antes que ele pudesse agarrá-la pela garganta, Nessie levou sua própria mão para a garganta dele e apertou.

O homem chiou. Ness continuou sorrindo quando o jogou contra uma parede. Prazer homicida passou por suas veias quando ela ouviu o estalo de vários ossos sendo quebrados com o impacto. Ele caiu como um saco de batatas no chão imundo. Ness caminhou até ele e chutou-o com o pé. Ele choramingou em dor e Ness ficou satisfeita ao saber que ele estava acordado.

— Pensei que você gostasse violência. Não foi isso que disse? — perguntou suavemente. — Bem, onde está sua disposição agora?

O humano a olhou apavorado. Ness piscou para ele antes de esmagar seu rosto com sua bota. O som de nariz quebrado foi música para seus ouvidos. Logo o cheiro de seu sangue poluído estava por todo o lugar.

Ness se abaixou, olhando fixamente o estrago em seu rosto. Sangue respingava toda sua face e o nariz estava num ângulo nauseante.

— Como se sente, querido? Será que está brutal o suficiente? — perguntou num tom doce.  — Você está excitado? Talvez devêssemos conferir...

— Não, não, não... Por favor. Sinto muito, sinto muito. — choramingou o homem, a voz saindo nasal e quebrada.

Rindo, Ness levou a mão ao membro do homem e torceu, suas unhas afundando na carne. O grito de dor e horror trouxe mais uma camada de gelo para dentro dela.

— Sem gritar. Não queremos acordar os vizinhos — sussurrou, apertando o pênis em sua mão pequena.

Ele chorou silenciosamente. Nessie encontrou seus olhos e viu dor, medo e desespero. Ela sequer sentiu remorso. Não havia como. Não quando ele pretendia fazer algo pior com a garota desacordada no chão não muito longe deles.

— É bom, não é? Sentir-se desamparado. Qual é sensação? Tenho certeza que é ótimo para você, considerando que estava prestes a estuprar nossa amiga ali. Aposto que... — Nessie parou, olhando para o homem com incredulidade — Oh, meu Deus, você urinou?

Ela rugiu para ele, largando o membro flácido. Ela olhou para sua mão úmida e olhou furiosa.

— Você me sujou. Seu imundo — sibilou ela.  — Cansei de você. Vamos terminar com isso.

Ness tirou sua adaga da bota, feliz em poder usá-la pela primeira vez. O homem ao ver sua arma chorou mais forte e tentou engatinhar para longe dela. Ela riu baixinho com sua tentativa patética de fugir e observou ele se arrastar.

— Você não tem para onde ir, senhor. Ninguém vai vê-lo. Ninguém virá salvá-lo. O único lugar que você conhecera agora será o interior de um caixão.

Nessie caminhou até ele. Pegou uma perna e o puxou novamente o beco. O humano fedido se debateu. Ela o segurou, virando o corpo de costas para o chão. Ela levou a perna para um lado e se agachou sobre ele, os cabelos vermelhos caindo por sua face pálida.

— Diga-me se essa não é a melhor forma de morrer. Você tem uma ninfeta montado em você que está prestes a te dar sua ultima aventura.  — Nessie curvou sobre ele e abriu um sorriso deleitado. — Por favor, dê meus cumprimentos ao diabo.

Com tais palavras, sua lâmina desceu e encontrou o coração pulsante. A vida se esvaiu nos dois próximos minutos, a respiração falhando, os olhos assombrados congelados no ultimo segundo de terror. O corpo de Nessie estava mergulhado no frio quando ela retirou a adaga de seu peito.

Ela foi distraída com o brilho da adaga que agora absorvia o sangue de sua primeira morte. A lâmina que ainda estava em seu tornozelo esquentou como se estivesse partilhando da violência que sua irmã gêmea vivera.

— O que você é? — uma fraca voz perguntou.

Nessie congelou, virando lentamente. Encolhida no canto mais afastado a mulher que quase fora violentada olhava para ela abertamente. Seus olhos eram azul-claros emoldurados por longos cílios negros. Um hematoma começava a se formar no lado direto de seu rosto e o lábio superior estava estourado. Ness rosnou por dentro ao ver o estado da humana.

— O que eu sou não interessa — respondeu numa falsa tranquilidade. Saiu de cima do macho e caminhou até a jovem. Ela se encolheu, então Nessie parou apenas alguns passos de distância.

— Você não é muito nova para estar por aí matando pessoas? — perguntou a jovem.

— Diz garota que quase foi violentada — desdenhou Nessie, guardando a adaga. Os olhos da mulher foram para sua bota e voltou para seu rosto.

— Ela brilhou. Você sabe. A adaga. Por quê? — questionou ela.

— Acredito que você não precisa saber a razão.

— Bom, eu discordo. Você acabou de matar o cara que iria me estuprar. Na realidade você o torturou como se fosse a coisa mais natural do mundo, mesmo que na verdade ele tenha o dobro do seu tamanho.

Ela tem um bom ponto, pensou contragosto.

— Eu sempre posso fazer você esquecer tudo — disse Nessie cruzando os braços. — Você não iria lembrar nada. Nem mesmo ele. — Apontou para o corpo morto.

— Mas eu quero lembrar — sussurrou. — Eu preciso lembrar.

Essa frase murmurada fez a gelidez em Ness derreter. A tristeza da mulher humana podia ser tocada com a ponta dos dedos. Nessie não queria causar mais dor do que ela já sentia. Ela também não queria ser como o mestre. Não iria, de jeito nenhum, roubar as memórias daquela fêmea sem seu consentimento.

— Escute, eu tive um dia de merda, estou fedendo a urina, cerveja e feromônios nojentos. Tudo o que quero é ir para casa e dormir até o ano que vem. Então, o que acha de me ajudar? — Ness bateu o pé.

Lentamente a menina levantou, ajeitando o que restava de seu vestido de lantejoulas. Ness viu lágrimas embaçando sua vista quando ela pegou a pequena bolsa no chão. Ela desviou o olhar.

— Minha avó vai enlouquecer quando me ver — fungou ela ao alisar o cabelo embaraçado.

— Diga-me sobre isso. Eu tenho alguém que vai totalmente chutar a minha bunda quando me ver — murmurou.

— Mas você não tem um único arranhão!

Nessie sorriu com desdém.

— Isso não significa nada. — balançou a cabeça. — Cara, por que é que estamos conversando com um defunto ao nosso lado?

— Não sei — A garota se encolheu. — Deve ser o choque.

— Só se for com você. Vamos lá. Vou te levar para casa. Você não teria um carro, teria? — Ness perguntou.

— Não. Mas minha casa não é longe, na verdade é só cinco casas a frente.

— Ótimo. Vamos então.

Nessie deixou que ela fosse à frente e observou seus passos cambaleantes. Sua atenção também estava divida em olhar aos arredores, buscando por algum tipo de ameaça. Cinco minutos mais tarde, porém, elas estavam paradas a uma casa amarela com sinos de vento pendurados no teto da varanda. Uma bonita cadeira de balanço ia e vinha com o vento.

— Chegamos — anunciou a garota, virando-se para ela. Seus olhos azuis estavam astutos e cansados.  — Obrigada por ajudar.

— Sem problemas. Agradeceria se tomasse cuidado. Não quero encontrar seu corpo por aí.

A jovem mulher sorriu.

— Você é tão jovem, mas fala de uma maneira muito madura. Estou impressionada — ela a olhou atentamente. — Minha avó teria umas teorias bem interessantes sobre você.

Nessie arqueou a sobrancelha. — E você acredita no que sua avó diz?

 — A geração mais velha dessa cidade não é burra. Eles sabem que há algo diferente nas noites. Algo perigoso.

— E ainda assim você saiu pela madrugada.  — Ness cruzou os braços.

— Eu não vou parar minha vida por isso. Nós nascemos para viver, não somente existir. Há esse maravilhoso mundo cheio de lugares bonitos onde só temos alguns poucos anos para conhecer. E é o que eu quero. Quero aproveitar cada momento, seja bom ou ruim.

Ness suspirou.  — Apenas tenha cuidado. A cidade não é boa para você. Para ninguém na verdade. Aquele homem poderia querer mais do que te foder.

Os olhos da fêmea se encheu de conhecimento.

— Eu sei. — respondeu ela, surpreendendo Nessie.  — Eu posso contar sobre você para minha avó?

— Se a velha não abrir a boca para ninguém — murmurou Ness. — Falo sério, garota, não quero saber de nenhum estúpido vindo atrás de mim. Já tenho a minha cota de idiotas.

— Sem problemas. Você... Qual é seu nome? — perguntou curiosamente.

— Vanessa. Você pode me chamar de Vanessa — Nessie respondeu. — E você?

— Sou Penny — sorriu.

— Bem, Penny, eu preciso ir embora, então, por favor... — indicou a porta.

Penny sorriu mais um pouco.

— Obrigada por me salvar.

Ness bateu continência de maneira relaxada.  — Às ordens estranha humana.

Se Nessie achou que iria intimidar Penny ela ficou extremamente decepcionada. A mulher piscou um olho para ela e acenou, abrindo o cercado branco para entrar no gramado recém-aparado. Nessie balançou a cabeça. Aquela humana era estranha e ela não queria mete-la em problemas por saber demais, mesmo dando a entender que já tinha conhecimento de coisas que não deveria.

Por isso antes mesmo que a humana virasse para olhá-la mais uma vez ela já havia partido. No momento que ela ficou só a frustração a golpeou.

Ela tinha perdido a oportunidade de falar com os vampiros de olhos dourados mais uma vez. Pior, ela nem mesmo tinha um rastro para segui-los.

— Carma, por que faz isso comigo? — perguntou irritada, olhando para o céu.

Balançando a cabeça, Nessie voltou para o teatro e de lá pegou caminho para floresta. Ela estava morrendo de fome e sede. Estava torcendo para que tivesse uma bolsa de sangue na geladeira.

A caminhada pela floresta foi silenciosa e esquisita. Sozinha daquele jeito trouxe lembranças de quando ela estivera fugindo do cativeiro. Na época a fome parecia torcer seus órgãos juntos e a sede a pôs em um frenesi desesperador que fez com que ela matasse dez campistas inocentes em menos de trinta minutos. Demorara dois dias para que ela saísse do modo selvagem. E enquanto ela permanecera daquele jeito ela havia matado mais e mais.

Ela ficou extremamente aliviada quando a casa Reese apareceu por entre as arvores. Espantando as memórias ruins, ela caminhou para entrada da casa.

Bem a tempo de ouvir o rugido de Henry.

Uau, isso vai ser difícil.

Nessie contou mentalmente antes de abrir a porta. Ela mal pôs os pés no hall de entrada e deu de cara com um Henry que a fez engolir em seco. Seus olhos passaram pela sala e ela sentiu o queixo cair.

Destruição era tudo o que via. Os sofás estavam rasgados em grossas tiras, as almofadas tinham suas espumas espalhadas pelo chão, a poltrona de Helena encontrava-se tombada e ela viu vidro triturado no chão com o cheiro claro de bebida alcóolica.

Mas, misturado com o perfume de uísque caro, estava o cheiro pungente da raiva e frustração de Henry. E pavor. Absoluto e atordoante pavor que fez as pernas de Vanessa amolecer.

Nessie olhou para as duas figuras no pé da escada e se encolheu. Helena estava branca feito cal, seus olhos explodindo em cores tão fortes que era como se um redemoinho rodasse nas íris. Atrás dela se encontrava Lilian, o cabelo rosa transformado em um nauseante tom verde que parecia combinar bem com sua expressão lívida de susto. Analisou rapidamente a posição das mulheres e percebeu que Helena parecia proteger Lilian. E o choque. Tohrment estava aos pés de Helena, empertigado, olhando ferozmente pra as costas de Henry como se ele fosse um pedaço de carne que ele iria saborear em breve.

Ela olhou para o vampiro. Ele oscilava de um lado para o outro e tinha os olhos negros como dois abismos. A roupa que usava estava amassada e torta, o cabelo puxado em todas as direções. Era como olhar para alguém na beira do precipício.

— O que significa isso? — perguntou num fio voz.

Henry a perfurou com o olhar.

— Onde você estava? — estalou ele, fazendo-a dar um passo para trás.

— Andando por aí — respondeu cautelosamente. Havia algo de perigoso em Henry. Uma ponta de algo que acionava alarmes em sua cabeça.

— Andando por aí — repetiu ele. — Você estava andando por aí. O que você tem na cabeça? Apenas ar, creio eu, porque andar por aí quando se tem uma orla de vampiros loucos atrás de você NÃO É O QUE UMA PESSOA INTELIGENTE FAZ — Rugiu a ultima parte, sobressaltando Helena e Lilian.

Nessie estreitou os olhos.

— Se eu quiser vagar por aí sozinha tarde da noite isso não lhe diz respeito. Se eu quiser ficar horas sozinha isso também não te diz respeito. E sabe porque, Henry? PORQUE A DROGA DA VIDA É MINHA — ela gritou.

— Você mora na minha casa, então você segue minhas regras. Você faz parte de um clã e você deve obedecer a seu alfa — rosnou Henry.

— Quando você me disse para ficar você falou que poderia ir e vir quando bem quisesse. Quando eu quisesse. Lembra? Será que fui enganada?

— Você podia ter avisado. Podia ter telefonado dizendo o que iria fazer!

— Então o que? Você diria não e me ordenaria a voltar como se eu fosse uma droga de cão treinado que faz o que você manda! — exclamou Nessie rubra de raiva.

Henry esfregou o rosto, puxando os cabelos no processo.

— Eu não posso confiar em você. Como posso deixá-la longe das minhas vistas se na primeira oportunidade você some por horas? — falou ele tenso.

Nessie soltou uma risada incrédula.

— É a minha vida. Você não pode controlá-la. Eu vou aonde eu quiser sem ter que dar satisfações a ninguém. Esse foi o acordo. Eu fico com vocês, faço parte do clã, mas sempre com o poder da escolha. O que diabos está errado? Aliás, o que está errado com você?

Henry parecia estar em agonia. Nessie estava certa que se ele pudesse ele estaria chorando ali. Ela só não entendia o por que.

De repente ele estava diante dela, suas mãos frias apertando cada lado de seu rosto. Ele a forçou a encará-lo, suas íris naquele tom negro que não era sede, mas desespero.

— Não faça isso de novo. Nunca. Nunca mais desapareça assim ou eu vou algemá-la no quarto — sussurrou ele fracamente.

Nessie o olhou em fúria e o empurrou no peito. A surpresa no rosto do macho era claro e quando Ness começou a estapeá-lo ele só a olhou em confusão.

— Eu JAMAIS vou ser uma prisioneira novamente. Prefiro morrer a ser um objeto de alguém. Você era a ultima pessoa que imaginei em me ameaçar com algemas. Especialmente porque... Porque...

A voz de Nessie se apagou e ela olhou boquiaberta para Henry. Ela finalmente entendeu a razão da dor em seu peito. E a resposta... A resposta fez com seus olhos marejassem.

— Eu amo você... — sussurrou ainda chocada pela revelação. — Oh, Deus, eu amo você!

Ela pôs uma mão na boca e outra no peito, fechando os olhos. Ela não entendia como ela podia amar Henry, contudo o fazia. Nem mesmo continha a capacidade necessária para entender esse anseio, mas existia um pedacinho dentro dela que gritava com todas as forças o nome do macho a sua frente.

A conversa que tivera com Helena mais cedo a envolveu. Ela se lembrou de seus próprios pensamentos naquela hora e gemeu mentalmente. Estava nítido para ela agora o motivo dela ter se apavorado com toda a conversa de gravidez e machos.

Ela não queria um macho qualquer. Ela queria Henry. Toque, cheiro, emoção, corpo e alma. Ela queria tudo.

Ele é meu companheiro?! Perguntou-se silenciosamente. Ele era? Mas e se fosse ela deveria ter agido como Helena e Lilian quando se encontraram. Certo?

Nada disso importa, pensou. Não se Henry não se sentia da mesma forma que ela. Ele lhe dissera milhares de vezes que não estava interessado em pirralhos. Nessie não podia negar isso. Ela era madura intelectualmente, mas em forma física ela era uma jovem de quinze anos. Mesmo tendo envelhecido um pouco nos cinco meses que se passaram, não era muito. Seus traços de menina tinham diminuído pouquíssimo e tudo nela parecia reto demais para seu gosto. Como ela chamaria atenção de Henry assim?

Ela queria chorar. Era primeira vez que se apaixonava e parecia que tinha tudo para dar errado. Como isso tinha acontecido?

— Eu... Eu vou para o meu quarto — balbuciou.

Ela passou pela forma paralisada de Henry e caminhou para Helena e Lilian que tinham os olhos arregalados. Tohrment circundou suas pernas, ronronando e fitando-a com seus inteligentes olhos felinos. Ela tirou um instante para esfregar atrás de suas orelhas antes de subir apressada para seu quarto. Respirou pesadamente ao entrar no cômodo, suas costas pressionadas contra a porta.

— Droga! — xingou. — Mil vezes droga.

Passou a chave na porta antes de se desencostar. Com um suspiro ela retirou suas adagas de dentro da bota e as jogou na cama. Retirou os calçados, as meias e partiu para as roupas, deixando-as largadas no tapete peludo.

No chuveiro ela quase arrancou a pele a fim de se livrar do cheiro do humano. Esfregou-se com uma esponja até estar vermelha e lavou os cabelos com a porção exorbitante de shampoo. Saiu debaixo da ducha apenas quando todo o perfume ofensivo tinha ido embora. Satisfeita, ela se enrolou em uma toalha e voltou ao quarto.

Para dar de cara com Henry sentado em sua cama.

— O que... O que você está fazendo aqui? — perguntou trêmula. — Como entrou aqui?

Henry encolheu os ombros.

— Arrombei a porta — respondeu calmamente. Era uma voz tão não Henry que Ness quase fez careta.

— Você arrombou a porta? — repetiu ácida. — Que maravilha. Além de querer me trancafiar quer destru... O que está fazendo?

Sua voz saiu num chiado quando Henry se levantou e veio até ela em menos de uma batida de coração. Engoliu em seco, do nada muito ciente de que estava somente enrolada numa toalha. Engoliu novamente quando ele ergueu a mão e enroscou um dedo em seu cabelo pingando. Henry a fitou silenciosamente, causando um rubor automático que a fez se odiar.

— Você disse que me ama — murmurou ele, enrolando a mecha de cabelo. — Como?

— O... O que? — perguntou confusa. Seu toque a distraia assim como o cheiro de romãs e floresta que emanava dele.

— Como você me ama? Existem tantas, mas tantas formas de se amar alguém...  — sussurrou — E eu quero saber... Quero saber que tipo de amor você sente por mim — falou baixinho, seu rosto curvando para que pudesse vê-la com clareza.

Nessie mal se dava conta que estava se esticando na ponta dos pés em direção a ele. Sua cabeça estava uma bagunça enquanto pensava no que fazer. Rapidamente reviu suas opções.

Um:

Ela podia simplesmente mentir para Henry e fingir que o que dissera não era real e seguir em frente.

Ou dois:

Ela contava a verdade. Jogaria tudo para o alto e confessaria que se sentia atraída por ele, mas que não sabia como lidar com todos esses sentimentos. Diria com todas as letras que o queria como macho, pouco se importando com uma possível rejeição.

— Henry... Eu... — gaguejou. — Eu...

Ele se aproximou mais, seu nariz encostando-se ao seu, o hálito fresco varrendo lentamente em sua face. Ela se atordoou, sua respiração mudando rapidamente com a aproximação.

— Apenas diga. Por favor — ele pediu.

Nessie olhou fundo em seus olhos, buscando algo que dissesse que ele não iria quebrar seu coração. Ela havia remendado aquele órgão nos longos meses que se passou e era ciente de que nunca se recuperaria de uma traição vinda do vampiro diante dela. Ela se importava com ele. Ela queria ele. Ela a...

— Eu amo você, Henry. Não como amigo; não como irmão. Quero cada maldita parte de você. Corpo frio, alma mutilada e coração morto. Tudo. Sem vacilar. Quero-te como fêmea. Te amo como mulher.

Ela não sabia como tinha acontecido. Só soube que aquele sim fora o melhor momento de sua vida. Num minuto ela estava confessando amar aquele estupido vampiro e no outro... Bem, no outro Henry estava beijando-a.

Seus lábios eram duros e gélidos. Os dela quentes e macios. Era um toque simples que levou arrepios por todo seu corpo. Ele a segurava pelo rosto, os dedos longos acariciando com lentidão sua pele ruborizada.

Um frio que não era nada relacionado ao tempo encheu sua barriga, algo que nunca sentira antes. Tremeu visivelmente quando Henry lambeu a linha de seus lábios. Arfou e deixou escapar um ruído do fundo da garganta. Ele se aproveitou disso e enroscou a língua na sua.

Ai merda, pensou. Ela estava divida entre êxtase e pânico. O que ela fazia agora? Ela deveria colocar suas mãos na onde? E o que diabos ela fazia com a língua?

Os lábios de Henry se curvaram contra os dela e sabia que ele estava sorrindo por sua forma congelada. Ela rosnou em sua boca em afronta. Henry respondeu deslizando uma mão por seu corpo até estar no quadril. A outra enrolou na base de seu cabelo, puxando-a para ele e colando seus corpos juntos. Por um vago minuto ela achou que seu coração não iria aguentar a adrenalina. Um minuto vago que ela descartou assim que Henry diminuiu o que estava fazendo e a deixou aprender.

Lentamente ele a mostrou o que fazer, incitando-a a imitar seus movimentos. Nessie soltou outro daquele vergonhoso som, apertando-se mais contra seu corpo de mármore. Suas mãos criaram vida e sem se dar conta elas voaram para o cabelo negro de Henry.

Dessa vez foi ele que soou diferente. Era um som entre grunhido e um fraco ronronar. Ela anotou mentalmente essa reação antes de derreter contra e ele e devolver o beijo após finalmente compreender como fazê-lo sem pagar vexame. Ela lambeu, contornou e sugou sua língua, quase escalando seu corpo e vagamente consciente de que sua toalha escorregava.

Era maravilhoso. A melhor sensação de toda sua vida. Tão bom quanto beber sangue. Ela sentia calor por todo o corpo, calor que apertava lugares privados e a fazia se desmanchar em uma poça de prazer. Ela não podia se ver novamente sem o toque de Henry ou sua boca talentosa fazendo estragos incríveis nela.

Ela se surpreendeu ao perceber que o veneno de Henry não a machucava. Queimava um pouco, mas não era ruim. Só a fazia se esticar mais e mais para ele.

Ele a mordiscou nos lábios, sugando com força medida que causou um gemido nela. A mão que estava em seu quadril de repente subiu e Henry se afastou, descendo a boca para a pulsação de seu pescoço.

— Você não deve fazer esse som. Não se quiser permanecer pura — disse Henry duramente.

Nessie abriu a boca para responder, mas saltou quando ele lambeu e chupou seu ponto doce. Ela ofegou com a sensação, tremendo e arregalando os olhos quando seu corpo respondeu ao toque.

— Henry... — suspirou. Henry gemeu audivelmente.

— Droga Nessie. Você está em seu ciclo e ainda é tão jovem — disse ele, contornando seu corpo com os braços. Sua boca tomou a sua rapidamente. Quente. Forte. Oh-tão-deliciosamente-brutal. Ela puxou seus cabelos e enfiou as unhas no escalpo. Ele praguejou em sua boca. — Não faça isso! — ele a olhou.

— Por que? — perguntou inocentemente, respirando pesado.

— Porque eu não estou fodendo você agora. Não assim — respondeu Henry rispidamente.

Ness corou mais forte do que estava, mas não desviou o olhar. Se a expressão tensa de Henry e o corpo enrijecido como uma corda era qualquer indicio de que seu controle estava escapando Nessie estava indo jogar com ele.

— Então você pretende fazê-lo? — perguntou casualmente, escorregando as mãos por suas costas musculosas.

Quando foi que ela imaginou que iria acariciar Henry daquela forma?

— Oh sim. Com certeza — ronronou ele quando ela deslizou as unhas com força por suas costas. Não havia como ser doce em seus toques. Henry era um vampiro e vampiros eram fortes demais para ser suave. — Mas só quando você tiver uma aparência mais velha.

Ela fez careta. Ele sorriu. Os lábios de Ness se remexeram em resposta ao seu sorriso. Diferente de quase uma hora atrás, ele parecia relaxado e feliz. Seus olhos aos poucos voltavam ao vermelho. Mas era só ela deslizar as mãos para algum lugar de seu corpo que eles voltavam a se tornar negros.

— Você me beijou — ela comentou. — O que significa?

Henry bufou.

— Significa que eu não vou soltá-la nunca mais — disse ele. — Você é minha Nessie. Minha hibrida. Minha ruiva. Minha fêmea. — Sorriu ferozmente.

Ness estava preparada quando ele mergulhou para beijá-la. Ela decidiu que gostava de beijar. Era gostosa a sensação das mãos firmes de Henry em sua coluna, ou sua boca sugando seus lábios vez ou outra antes se aventurar novamente e fazer movimentos muito interessantes com a língua. Ela murmurou feliz durante o beijo, puxando o lábio inferior de Henry com as pontas dos dentes. Ele rosnou, apertando sua cintura o suficiente para ter hematomas no dia seguinte.

Ela nunca esteve tão animada por hematoma em toda sua vida.

— Você é minha, entende isso? — perguntou Henry ao se separarem. — Minha companheira por toda eternidade.

A respiração de Ness falhou.

— Companheira? — questionou de olhos arregalados. Henry sorriu e a beijou suavemente nos lábios.

— Companheira — ele concordou. — Eu amo você, Nessie.

Ness virou gelatina ao ouvir as palavras. Intensa felicidade a golpeou e ela sentiu vontade de chorar e gritar. De todas as coisas que ela escutara nos últimos três anos e meio, Henry dizendo que a amava era a mais bonita de todas. Ela ainda o achava o vampiro mais idiota do mundo, mas pelo menos era o seu vampiro idiota.

— Eu também amo você, Henry.

O sorriso dele era o mais brilhante que ela viu até agora. Seus olhos eram pequenas frestas de vermelho-rubi e o seu sorriso era tão amplo que ela via os incisivos rasparem sua boca. Ness só se deu conta que estava sorrindo também quando Henry contornou seus lábios com a ponta do dedo e a beijou mais uma vez.

Meu companheiro, pensou Nessie extasiada ao beijá-lo de volta.  Meu irritante e amado companheiro.


Notas Finais


AI CARA, E AÍ? Sério, bateu uma inspiração enorme em mim e tive que escrever. Não era nem pra fazer isso nesse capítulo, mas o que eu havia começado não tinha me agradado, daí fiz novamente e saiu isso! Espero do fundo da minha alma que vocês curtam isso e se não, por favor digam.
AOS AMANTES E ADORADORES DE JAKENESS. RESPIREM. Gente, sério. Não surtem. A Nessie pode estar pegando Henry, mas a história acaba como Jacob e Renesmee, parece que tenho que ficar falando disso quinhentas vezes porque vocês se desesperam muito fácil. dspihdiphsd
Espero ter agradado.
Qualquer erro me avisem.
xoxo;
apol


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...