História Cidade do Progresso... será? - Capítulo 45


Escrita por: ~

Postado
Categorias League Of Legends
Personagens Caitlyn, Ekko, Ezreal, Janna, Jayce, Jinx, Vi
Tags Caitlyn X Vi, Jinx, Jinx X Ekko, League Of Legends, Piltover, Yuri
Exibições 106
Palavras 5.023
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Orange, Policial, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, pessoas ^^

Sei que demorei, tipo, muito para trazer esse capitulo e não tenho uma explicação lá muito plausível, então só me resta pedir desculpas :v

Ah, muito obrigada mesmo pelos 226 favoritos na fic e pelos novos leitores <3 Amo cada um de vocês, obrigada!

Capítulo 45 - Os Encapuzados


Vi não conseguia nem piscar e tampouco fechar a boca perante a visão que tinha da sala de arquivos, que, como o nome sugere, é onde todos os arquivos físicos de casos ficavam guardados. Contudo, agora tal sala de míseros 10 metros quadrados estava preenchida por uma iluminação azul oriunda de um orbe que estava no chão - tal "orbe" era o meio usado pela delegacia para se comunicar diretamente com o Alto Conselho da cidade, mas, aparentemente, o Instituto da Guerra havia encontrado um jeito de fazer o mesmo.

No centro da sala Vi, Caitlyn e Jayce viam um ser encapuzado com trajes meio surrados cobertos de tons escuros de azul. Projetado diante deles estava um Invocador.

- E eu tô tão mal vestida. – a rosada sussurrou para Caitlyn, mas por trás da brincadeira estava demasiadamente nervosa.

A Xerife era um exemplo a ser seguido no que se diz a manter a calma em ocasiões em que todos ao redor estavam em pânico, mas até mesmo ela mostrava claros nuances de nervosismo, evidenciados pelo jeito que ela batia o salto da bota que usava no chão. A constância incessante do batuque no mármore não irritava a rosada que estava ao lado dela, somente a fazia sorrir ao ver que a presente situação também deixava alguém tão centrado igualmente eufórico – Vi até pousou a mão sobre a da namorada após alguns segundos. Dentre os três, apenas Jayce estava absolutamente tranquilo com a presença do ser encapuzado ali projetado, afinal, não era a primeira vez que ele via um Invocador diante de seus olhos, era algo que fazia parte da sua rotina como Campeão.

Somente a presença do Invocador parecia tornar o ar quente e pesado na pequena sala, e as paredes pareciam estremecer quando sua voz finalmente se fez presente. Vi nunca ouviu uma voz como aquela, mas boa parte de si sentia que todo aquele tom potente e inumano era muito artificial, como um filtro e o modo como ele falava o fazia parecer muito velho e muito jovem ao mesmo tempo.

- Por que suas roupas seriam importantes, Vi? – ele perguntou com uma calma quase assustadora, considerando o jeito trovejante como ela soava.

- Er... – a Enforcer ficou confusa, sem saber se ele estava falando sério.

- Alguns Invocadores são muito literais. – Jayce comentou um pouco risonho, mas desmanchou o sorriso ao ver que o encapuzado havia entortado o pescoço sem entender. – Talvez seja a idade... de alguns...

Caitlyn apenas avançou um passo na direção do ser holográfico encapuzado, mas fez isso daquela maneira cuidadosa como ela fazia quase tudo, especialmente as coisas delicadas e diplomáticas que Vi detestava. O Invocador a observou como se ela estivesse em câmera lenta e, mesmo que fosse uma imagem projetada com a face coberta por um capuz, Caity sabia que ele lhe analisava e que seus olhos lhe acompanhavam de uma forma que ela não conseguia explicar. Era como estar diante de um juiz imponente ou de um júri inteiro incorporado em um único homem. A morena não era muito de se deixar levar por algo como nervosismo, mas teve que admitir que as palavras custaram um pouco para sair:

- A quê devemos a honra de seu contato?

Um sorriso pôde ser visto naquele rosto escuro e quase totalmente coberto. A boca era a única coisa a mostra e ela ganhou o formato de uma linha curvada para cima, indicando que ele sorria – Caitlyn teria ficado envergonhada com isso, não fosse o fato de que era um sorriso bem bonito (não que se comparasse ao calor avassalador dos sorrisos de Vi).

- Na verdade, considerando o que vou lhes dizer, tenho que constatar que a honra é minha, Caitlyn. – ele falou de uma maneira tão cortês que a morena se sentiu envergonhada, bem como Vi, já que o encapuzado fez questão de olhar para a rosada para frisar que tal honra também se aplicava a ela. – E você também. Seus feitos são extraordinários e todos em Valoran sabem sobre sua força, Vi.

Caity não conseguiu conter um sorriso orgulhoso e meio bobo com os dizeres do Invocador e, em seguida, com o corar adorável das bochechas da parceira.

- V- Valeu... – a rosada disse. – Por que você tá aqui?

- Bem, como eu já disse, é uma honra estar diante de vocês, afinal, não é todo dia que eu venho convocar os novos Campeões pessoalmente...

- COMO É? – Vi e Caitlyn gritaram em uníssono contando completamente a fala do homem. Seus olhos estavam para voar das órbitas e a surpresa estava tatuada em seus semblantes.

- Me desculpe. – ele se virou discretamente para Jayce, que apenas se continha para não rir das caras das duas garotas. – Lembro-me de ter falado claramente. Houve algum tipo de problema com a transmissão?

Mas Jayce não teve tempo de responder, pois Vi já havia imitado a namorada e se aproximado do holograma, falando com ele aos atropelos:

- Você não pode tá falando sério! Isso é uma doidera, cara! Tudo bem que uma doidera legal pra cacete, mas ainda é uma doidera! – ela falou com uma euforia que chegava a assustar.

- Por favor, tente maneirar um pouco na linguagem. – o Invocador disse, mas aquele sorriso fino e meio frio voltou a brincar em seu rosto, como se achasse Vi divertida. A rosada murmurou um tímido pedido de desculpas e em seguida o encapuzado falou: – O Instituto da Guerra observa vocês duas desde a chegada de Jayce à Liga, já que, antes de serem vocês as responsáveis pela segurança de Piltover, esta cidade era um dos lugares mais violentos de Valoran. As habilidades de ambas são louváveis e desde a ascensão de Jinx vocês têm se provado guerreiras formidáveis, apesar dos altos e baixos do confronto.

- Você realmente fala de nós duas? – Caitlyn indagou assim que o homem parou de falar. Ela parecia particularmente surpresa, afinal, ela não possuía nenhuma habilidade especial como a parceira ou armas e loucura à disposição como a azulada, e ainda assim o Invocador falava como se ela fosse tão extraordinária quanto Vi. – Eu não estou ao nível de um Campeão como a Vi...

- Você acertou um tiro na nuca de Jinx, precisamente no primeiro osso de sua coluna vertebral, estando no topo de um prédio à pelo menos 100 metros de distância, com destroços e constantes rajadas de poeira para atrapalhar sua mira e ainda com um chão tremendo aos pés dela para completar. – o encapuzado a interrompeu, falando rapidamente e olhando para cima como se consultasse as imagens do dia anterior em sua mente através de alguma magia (e ninguém ali duvidava que ele estivesse mesmo fazendo isso). – Você tinha absolutamente todos os elementos contra você naquele momento, mas ainda assim efetuou o disparo como se estivesse a queima-roupa.

Foi à vez de Vi sorrir orgulhosa e até teria falado algo, mas a voz doce da namorada se fez presente:

- Foi a Vi quem segurou um viaduto entre os braços e destruiu um pedregulho gigante com um soco.

O Invocador entortou o pescoço novamente como se os dizeres da Xerife lhe deixasse intrigado de alguma forma. Era impressionante a maneira como, mesmo que fosse claramente um ser humano como todos eles, ele ainda parecia muito alienígena, algo estranho e superior com aquela presença pesada. Qualquer um em Valoran sabe que os reagentes de League of Legends são magos tão sábios e poderosos que chega a ser impossível compará-lo com uma pessoa "comum" - talvez somente alguns dos próprios Campeões se comparem com eles, mas justamente por isso tais indivíduos vão parar nos Campos da Justiça*.

- Nem todos os heróis carregam dons gritantes consigo, Caitlyn. – ele disse por fim, mas era mais como se estivesse recitando algo.

- Alguns poderes são mais singelos do que se imagina. – Jayce concluiu a citação do Invocador, recebendo os olhares de todos com um dar de ombros. – Alguém me disse isso quando eu cheguei à Liga pela primeira vez.

- Precisamente. – o Invocador falou enquanto voltava a olhar para a Xerife, ainda sorrindo para ela. - Incontáveis são aqueles que chegam à Liga com apenas armas e coragem. Nunca duvide de qualquer um capaz de ir para a Liga, pois todos podem fazer coisas extraordinárias nos Campos da Justiça... na verdade, essa regra se aplica a todos em qualquer lugar.

Vi era a pessoa mais jovem dentro daquela sala, logo, o modo tão educado e tranquilo como o homem falava lhe deixaria irritada não fosse o efeito trovejante nela. A rosada estava uma pilha de nervos com o que a presença dele significava, mas não se via capaz de falar grosso com ele ou pedir que fosse direto ao ponto, afinal, alguém que "controla" Syndra pode te destruir tão facilmente quanto a Soberana Sombria, sim? Ela pigarreou da maneira mais delicada possível para evitar seu ar naturalmente presunçoso. Os olhares se voltaram para ela.

- Então, isso é sério mesmo. – Vi concluiu sem saber como reagir.

Na verdade, Vi estava inexplicavelmente calma perante a uma informação tão absurda. Caitlyn e Jayce ainda se perguntavam como ela não estava surtando ali mesmo. Talvez fosse a presença meio intimidadora do Invocador, talvez a ficha ainda tivesse não caído, talvez ela estivesse gritando por dentro, mas guardando para uma ocasião mais conveniente. Pensando bem, a rosada nem estava tão calma assim, agora que a Xerife reparava no jeito como ela abria e fechava as mãos rápida e incessantemente enquanto encarava o ser projetado a poucos passos dela.

- Sim, Vi. – o Invocador disse, e novamente o sorriso fino como uma adaga brincou em seu rosto quase completamente coberto pela sombra do capuz. – Estou aqui para convocar vocês para a Liga. Na verdade, seu amigo aqui já sabia disso há algumas horas. – ele apontou para Jayce com o queixo.

Caitlyn e Vi olharam para o Herói do Amanhã como se encarassem a própria Jinx, mas, o homem apenas ergueu as mãos em sinal de paz, rindo um pouco do olhar furioso das duas.

- Ei, o tópico Piltover estava classificado como secreto. Assim como o tópico Zaun. – ele falou a última com claro receio e com aquele costumeiro escárnio para com tudo relacionado à Zaun.

- Zaun? – Vi indagou, mas falou tão baixo que nem foi ouvida pela audição apuradíssimo da namorada, então era mais como se falasse para si mesma.

- Zaun? – Caity perguntou clara e calmamente para Jayce, mas no fundo já sabia o que isso significava.

O Herói apenas coçou a nuca e desviou o olhar, como se soubesse que deixou escapar algo que não devia. O Invocador virou-se para Caitlyn e disse:

- Como autoridade policial você deve ser entendida sobre política e diplomacia. Estou certo, Caitlyn? – sua voz estava mais amena do que todas as outras vezes que falou algo, como se houvessem diminuído a densidade do filtro que tornava sua voz trovejante. A Xerife apenas acenou positivamente com a cabeça, já sabendo perfeitamente onde ele queria chegar. – Pois bem, Jinx começou uma guerra velada contra a Cidade do Progresso. Todos sabem que Zaun não assume autoria por nada feito por ela no último mês, mas isso também implica que ela é uma ameaça independente que não fala por ninguém além de si mesma. A maior preocupação do Instituto é: se ela fez tudo o que fez aqui, o que a impede de fazer tais atrocidades em outros lugares? Então, por isso...

- Querem levá-la para a Liga. – Vi o cortou com a voz verdadeiramente firme, convicta do que dizia. – E querem que eu vá como contrapeso diplomático. A Xerife aqui me ensinou umas coisinhas sobre isso.

O encapuzado sorriu, mas, mesmo considerando a sombra que encobria seu rosto, Caitlyn percebia a recessão naquele sorriso. Ela notava o modo como seus ombros pesadamente cobertos se encurvaram minimamente ao ouvir a rosada, o que a fazia ter certeza absoluta de que Jinx também estava destinada aos Campos da Justiça mesmo sendo a homicida insana que devastou sua cidade. Era quase injusto pensar que alguém tão forte como Vi iria para a Liga por intermédio de uma louca como aquela. Caity se permitiu vagar por entre os próprios pensamentos enquanto o Invocador falava com Vi algo sobre estarem observando-a desde o incidente com os mineradores**, mas a morena já não ouvia ele. Se os reagentes da Liga estavam de olho em Jinx por conta do perigo que ela representa, então somente uma delas deveria estar sendo convocada, não é mesmo? Sua mente começou a processar uma possibilidade quase assustadora a cerca dessa falha no raciocínio do Invocador, mas então ela se ateve a um detalhe que lhe dava dor de cabeça sempre que lia sobre isso em algum relatório... um detalhe que possui um marcante moicano branco. A Xerife suspirou pesadamente, imaginando se as habilidades daquele garoto seriam ao menos suficientes para o Instituto cogitar a possibilidade de tê-lo como um Campeão!

Ela mesma não sabia, mas sua cara estava envolta em uma cara pasma muito evidente. Jayce a encarava e muito provavelmente seus pensamentos seguiam a mesma linha que os da amiga, já que ele acenou positivamente com a cabeça e depois levou uma das mãos ao cabelo, imitando um moicano com dedos. Caity não sabia que ele tinha certeza de algo que ela somente desconfiava.

- Com licença. – a Xerife falou e tanto o Invocador quanto Vi voltaram o olhar para ela. – Se Vi e Jinx estão sendo convocadas por serem oponentes em um conflito entre Zaun e Piltover. Então logo eu estou por ser uma excelente guerreira?

Mais uma vez o sorriso cortante do ser encapuzado se fez presente em sua face e Caitlyn não se encolheu diante desse à muito custo, já que ele era especialmente mais aberto que os anteriores, como se realmente a provocasse.

- Sua fama realmente lhe precede, Xerife. – novamente sua voz veio amena, mas havia uma carga considerável de seriedade ali. – Sei exatamente o que você quer dizer – ele fez uma pausa e imitou o gesto de Jayce, fazendo os dedos de moicano acima do capuz azul escuro – e posso apenas confirmar.

Vi não pareceu ter entendido do que ele estava falando de imediato, mas assistiu a namorada arregalar os olhos e Jayce remexer-se incomodado. Por um segundo, ela se irritou como se estivessem escondendo algo dela, contudo, o Invocador tornou a falar:

- Mesmo que aquele rapaz também represente ameaça, os motivos pelos quais estamos de olho nele são um pouco diferentes. – então Vi entendeu que ele falava de Ekko e seus olhos também arregalaram-se. – O que ele é capaz de fazer é absurdo e inovador demais para ser ignorado***, logo, nós, Invocadores, estamos demasiadamente interessados em tê-lo entre os Campeões.

- De acordo com os relatos, ele é só um garoto com uma espada de néon. – Caitlyn disse e não conseguia crer que um alguém que aparentava ser tão jovem estava indo para a Liga (Jinx parece tão jovem quanto, mas é completamente louca).

Jayce bufou pesadamente e surgiu ao lado do Invocador, aproximando-se quase cautelosamente de Caity.

- Não é como se estivesse tentando engrandecer um zauniano, mas ele é realmente muito mais do que vocês sabem através de relatórios e memórias falhas. – ele disse, mas não fazia isso com nenhum tipo de arrogância ou presunção. Vi e Caitlyn cruzaram s braços quase que ao mesmo tempo, encarando-o com seriedade o suficiente para que ele entendesse que deveria continuar falando. – Ele faz... coisas. Só vendo para entender, eu acho. O conteúdo relacionado a ele está entre as coisas que eu tenho acesso como Campeão, então eu não podia falar sobre isso para vocês.

Caitlyn suspirou e infiltrou os dedos entre os fios castanhos, coisa que fazia quando estava realmente estressando-se com algo ou quando desejava não estar. Era uma honra inexplicável ser convocada para a Liga e ela estava, sim, feliz por si mesma e por Vi, mas ela também sentia que algo estava fácil demais nesse processo todo, que as dificuldades de tudo relacionado a sua vida ainda iam se aplicar a essa situação – especialmente a essa situação envolvendo Jinx e Ekko. Queria estar tão relaxada quanto Vi e Jayce, mas era paranoica demais para engolir essa convocação tão facilmente.

- Então, juntando o útil ao agradável...

- Caity, não é do jeito que você está pensando. – Jayce a interrompeu, sabendo que ela ia falar algo relacionado ao fato de só a chamarem aproveitando-se da crise envolvendo Ekko, mas ele sabia que não era bem assim. – Eles te observam a tanto tempo quanto observam Vi, mas não sei bem por que não convocaram vocês antes. A política dos Invocadores é delicada.

Vi revirou os olhos perante toda aquela conversa, pois ela obviamente era uma mulher de ação e, por mais que certamente fosse dançar por todo o prédio de tanta alegria depois que deixasse a sala, não estava lá muito bem só ouvindo o papo sério deles. Sempre que o Invocador falava com ela, a rosada tinha a sensação de estar falando com alguém que era grande demais para si: que não precisava levantar a voz para falar de maneira grave e ameaçadora apesar da calma de suas palavras, e que você sentia que falava sempre baixo demais quando dirigia a palavra a ele. Sentia uma curiosidade quase gritante de ver seus olhos e até havia esquecido que tal coisa era impossível pelo fato dele ser apenas um holograma.

A rosada pensava muito mais em Jinx e Ekko do que na euforia que lutava para manter guardada para si mesma, por sinal. Claro que ela sentiu um alívio e uma leve satisfação em saber que a azulada não teria de ser "executada" agora que foi convocada para League of Legends, mas junto com isso vinham também os sentimentos conflituosos, já que ela não podia ficar feliz com isso de forma alguma! E sobre Ekko? Vi teve flashs repentinos sobre ele batendo em alguém, mas não fora nada que lhe fizesse temê-lo em combate – só conseguia pensar que ele só passava por isso agora por gostar de alguém como Jinx, e ela não sabia se o estranhava ou se o admirava por tal ato. Bufou da maneira mais discreta possível, pensando em quão louca seria sua vida dali para frente. Mas a ansiedade ainda estava lá, indiscutivelmente.

- Temos que assinar alguma papelada? – ela perguntou, sorrindo em deboche ao ver a cara de "fala-direito-na-frente-das-visitas" de Caitlyn.

Tanto Jayce quanto o Invocador riram entre dentes, mas a seriedade logo voltou ao semblante do encapuzado, que não parecia muito dado a rir como uma pessoa normal. A sala caiu em um silêncio desconfortável, pois todos podiam perceber que o homem projetado no centro do cômodo estava ponderando sobre algo ou, como Caity achava mais provável, comunicando-se com outros do Instituto da Guerra durante esse silêncio. Foram alguns segundos assim até que finalmente o Invocador ergueu a cabeça e encarou os presentes na sala, falando com o que parecia ser cautela:

- Infelizmente, existe uma complicação nessa convocação...

- Eu sabia! – Vi, Caitlyn e Jayce disseram em uníssono, claramente irritados, mas não surpresos com o revelado.

A Xerife suspirou e deu um passo para mais perto do holograma, demonstrando respeito apesar do leve ódio que sentia por saber que mesmo o que deveria ser simples era complicado para ela e Vi. Ela ficou em silêncio, mas seus olhos castanhos faziam a pergunta por ela; Vi e Jayce também se aproximaram como se o Invocador fosse lhes contar um segredo.

- Qual é o problema? – foi Vi quem perguntou e nem parecia debochar dessa vez. Parecia curiosa apenas.

- Na verdade, o problema não está na convocação de vocês. – o Invocador respondeu. – E sim na convocação dos jovens zaunianos.

- O que aconteceu? – Jayce indagou.

- O problema é esse, Jayce: nada aconteceu. Aparentemente, o Alto Conselho de Zaun não aceita nossas tentativas de contato e não existe outra forma de chegarmos até Jinx e Ekko, então...

- Não podem mandar um Invocador até lá pessoalmente? – Caitlyn interrompeu, falando sem muita calma e sem nem saber por quê. – Digo, sem ser um holograma.

Jayce pigarreou e disse indeciso entre o deboche e a seriedade:

- Nem os Invocadores querem ir para aquele lugar. E se você for esperta também não vai querer ir.

Foi então que o encapuzado produziu um som que poderia ser um suspiro, mas o efeito que deixava imponente e trovejante não lhes deu essa impressão. Os três olharam para ele com expectativa, mas algo lhes dizia que em breve desejariam que o Invocador não fosse uma mera projeção para que pudessem esgana-lo. Dito e feito.

- Bem, sobre isso...

.

.

- A gente tá chegando? – Jinx perguntou, com a voz manhosa e birrenta.

Jinx era tão leve quanto Ekko se lembrava, logo, ao andar pelas ruas estreitas e irregulares de Zaun com ela em suas costas ele tinha a impressão de estar carregando somente as armas da garota – exatamente como quase um mês atrás.

Obviamente, após algumas horas ocupando a casa de Ty, ambos foram expulsos por ele quando anoiteceu, mas nenhum deles foi capaz de ficar com raiva dele por isso; Ekko, por exemplo, saiu de lá somente depois de agarrar o amigo e deixar um selinho estalado em sua boca (Jinx não sentiu ciúmes, e sim riu como se não houvesse amanhã) e a azulada até esboçou um sorriso tímido de gratidão e murmurou um "valeu, cara". Agora eles estavam a caminho do muito mais humilde lar do rapaz de moicano e, apesar do calor demasiado e do ar abafado, era bom para o Gatilho Desenfreado estar indo para o único lugar que já chamou de casa – isso lhe fazia esquecer-se do tédio que crescia dentro de si. Jinx insistiu em ir andando por conta própria quando saíram do galpão de Ty, mas poucos passos depois ela começou a queixar-se de dores ao longo das pernas, então ele a carregou. Eles faziam algo que já fizeram semanas atrás, mas que parecia uma coisa completamente diferente agora que conheciam o corpo do outro como ninguém: as coxas de Jinx não eram finas como pareciam a princípio e Ekko não é nada magrelo como suas roupas folgadas sugerem.

- Sim. – disse o moreno, ajeitando-a enquanto sentia a cabeça dela sobre seu ombro. – Estamos mais perto do que longe.

- Ah! – Jinx exclamou, claramente em tom de queixa e irritação. – Isso é só um jeito de dizer que ainda tá muito longe, mas sem dizer mesmo que está!

- Qual é! Você não se lembra das ruas da própria cidade? – Ekko perguntou dobrando em uma esquina e passando diante de um grande grafite colorido feito por ele mesmo há vários meses.

Em qualquer outro lugar de Runeterra, um garoto de pele escura e moicano branco carregando uma garota magricela de cabelos azuis gigantescos, que, por sua vez, possuía um lança-mísseis preso às costas e mais uma ou três pistolas nas barras dos frouxos shorts jeans, seria uma visão estranha, mas a palavra estranho não parecia possuir significado nos provérbios zaunitas, afinal, as pessoas com quem cruzavam no caminho não pareciam ver isso com uma coisa particularmente diferente. Na verdade, algumas pessoas até lhes cumprimentavam como se os admirassem e estivessem felizes ao ver que Jinx estava bem – alguns até mencionavam coisas feitas por eles em Piltover, algo que Ekko absolutamente não gostava, mas acabava sorrindo por causa do jeito histérico da azulada. Passaram por várias ruas desse jeito, então só conversavam agora que as vias pareciam mais desertas.

- Dá um desconto. – a garota falou com muxoxo contrariado. - Faz tempo, tá?

"Nem faz tanto tempo assim", Ekko pensou, mas não disse nada, apenas revirou os olhos e deixou o assunto encerrado, afinal, Jinx conseguia ser incrivelmente chata quando queria e continuar discutindo algo tão besta era pedir para atiçar essa chatisse...

- Mas, e aí, o que você ficou fazendo todos esses dias aqui em Zaun? – a azulada perguntou, claramente em tom de zombaria. Ekko revirou os olhos, constatando que não seria necessário atiça-la para que ela começasse a falar pelos cotovelos. – Ficou me desenhando, chupando dedo... ah, andou apanhando? Tá todo machucado, hein! E quem aqui não é saudável? Você tá com cheirinho de cigarro.

- Olha que eu te jogo no chão. – Ekko disse com veia saltando de sua testa. – Você tá me usando de charrete, sabia?

- Não, não, não. Você tá me carregando por que eu sou uma pessoa debilitada que não pode andar por conta própria, e faz isso por que é um cara muito fofo. – Jinx disse com a voz exageradamente melosa, mas o rapaz que a carregava até acabou sorrindo quando teve a bochecha beijada.

- Você é doida.

- E você adora.

Novamente, Ekko apenas revirou os olhos e deixou o assunto morrer – não que fosse um assunto de verdade. À medida que andavam e se aproximavam do prédio que almejavam, as ruas se alargavam um pouco, deixando de ser ruelas e becos para se tornarem ruas, e, apesar do cheiro incômodo, aquela parte da cidade era mais familiar. Todavia, antes que Ekko percebesse já estavam se aproximando do lugar que ele mais "detestava" em Zaun, mas a companhia de Jinx o distraiu desse fato. O rapaz olhava distraidamente para o chão enquanto passavam diante do muro em homenagem aos que se perderam e só se atentou para isso ao ouvir Jinx:

- Ei, a gente não conhece esse pirralho? – ela disse, cutucando o ombro do garoto. – Morava com a gente, né?

Então ele bateu os olhos no muro e foi como em todas as vezes que ele via o desenho de Ajuna ali: um soco no peito. Ekko estancou os pés no chão e a tristeza e o pesar tomou conta de sua expressão. Alguém havia ascendido as velas semanais ao redor dos desenhos e fotografias, o que fazia com que as coisas não parecessem tão ruim, pois o calor confortável e a luminosidade quase faziam pensar que o garotinho estava feliz como no desenho quando morreu... em seus braços. Havia vários outros rostos ali (incluindo até mesmo o de Vi), mas nenhum deles era como o de Ajuna: lindo, sorridente, mostrando a criança adorável que era. Até mesmo os estranhos óculos dele ainda estavam ali, lente quebrada, ferrugem.

- Qual é o nome dele mesmo? – a voz de Jinx despertou Ekko de seu devaneio depressivo, mas a pergunta só lhe fez ficar um tanto pior. – Asuma?

- Ajuna. – o moreno corrigiu em um suspiro.

- Hm. Ele também foi embora? – a azulada continuou, sabendo bem da utilidade daquele muro, mas não fazendo ideia de que suas perguntas estavam acabando com o garoto.

- Pode se dizer que sim. – Ekko respondeu, tentando ao máximo esconder a tristeza que brincava em sua voz.

Jinx ficou alguns segundos em silêncio, desviando o olhar do rosto tão perfeitamente desenhado no muro para o pouco que podia ver da faceta claramente entristecida de Ekko. A azulada entendia sobre morte como ninguém, mesmo que sua experiência fosse inteiramente do lado seguro do cano das armas, logo, aquele brilho pesado e triste nos olhos do rapaz de moicano branco era mais familiar do que ela pensava. O pesar de quem havia perdido alguém. Jinx nunca havia visto aquilo em Ekko, então sentiu um discreto, porém inevitável, aperto no peito ao vê-lo desse jeito... fora que ela se lembrava, sim, do menininho Ajuna que estava sempre tentando mexer nos seus protótipos de armas e derrubando as tintas de Ekko. Literalmente uma criança.

- Como ele morreu? – ela perguntou, tentando ao máximo não soar indiferente, mas sabendo que fora assim que soou.

- Um pilte com uma arma laser. – o rapaz respondeu simplesmente após um suspiro longo. Jinx se deixou ficar sobre o ombro dele e suspirar tristemente como nunca antes; se em algum momento da vida ela demonstrou remorso a algum falecido, era agora... ou quase. Isso não passou batido por Ekko, que, depois de um segundo inerte com a surpresa de ver aquilo no rosto de alguém como Jinx, continuou: – Mas, relaxa, eu dei um jeito nele.

Jinx ergueu uma sobrancelha, meio sorrindo com o jeito que ele falou aquilo, pois aquele era o tom maldoso de quem havia (a) espancado alguém até quase tirar-lhe a vida, mas fora impedido, ou (b) matado alguém de forma lenta e prazerosa. A azulada não via essa maldade no olhar de Ekko com frequência, então gostou de saber de ele matou mesmo o maldito.

- Eu não consegui chegar a tempo de salva-lo, então fui atrás de quem fez aquilo com ele. – o rapaz falou claramente a contragosto e triste por ter que remoer isso novamente. – Acha que fiz certo?

- Acho que você não percebeu pra quem perguntou isso. – Jinx disse contendo-se para não rir. – Mas, se você tivesse perguntado pra Chapeleira, acho que até ela diria que sim.

- Que nada! – Ekko falou enquanto já se afastava do muro, andando para a rua que já levaria para o prédio que chamava de lar, tentando deixar de lado a tristeza. – Acho que ela ia começar um discurso, dizendo que nunca se deve responder violência com violência.

Jinx começou a dar risada do deboche exagerado na voz do garoto, e fazia isso tão alto que nem percebia que Ekko já estava completamente concentrado em outra coisa.

Enquanto a garota sobre suas costas ria, ele encarava uma figura encapuzada que claramente lhe encarava de volta há uns bons metros de distância, oculto entre as sombras. Por alguns segundos, Ekko ficou imóvel, encarando aquilo para ter certeza de que não estava ficando louco como Jinx, no entanto, aquilo continuou parado a lhe olhar.

- O que foi? – a azulada perguntou, esticando o pescoço e pondo seus olhos vermelhos entre o rapaz e o ser encapuzado que ele encarava.

Nos instantes que ele levou para encarar Jinx e voltar os olhos para o beco escuro onde estava a pessoa ou criatura de capuz, esta já havia sumido de lá, como vapor ao vento. Ekko franziu o cenho, intrigado com aquilo. Logo em seguida ele voltou a andar, dizendo:

- Nada... eu acho.


Notas Finais


(*) = Pra quem não se lembra da explicação da Caity capítulos atrás, existe basicamente quatro (lá na explicação ela disse três) tipos de Campeões em League of Legends. 1) Aqueles que vão por razões diplomáticas, para evitar a continuidade de guerras e tals; 2) Os que pedem para ir, geralmente por diversão ou algum motivo pessoal. Tipo Draven, Olaf, Janna, Sona etc; 3) Os que são chamados por serem realmente excelentes guerreiros; 4) E os que são convencidos ou forçados a ir para os Campos da Justiça por serem poderosos, perigosos ou loucos (ou tudo ao mesmo tempo) para ficarem soltos por Valoran sem supervisão. Syndra, Malphite, Shaco, Fiddlesticks, Annie, Jinx e Ekko são os melhores exemplos disso, pois os Invocadores meio que temem pelo que eles podem fazer ou temem o potencial deles no caso dos mais jovens (lê-se: Annie e Ekko, que são as crianças do Lolzin -_-).
(**) = Lore da Vi '-'
(***) = Pra quem não tá ligado, o Ekko foi o lançamento mais XABLAU! do ano passado. Ele ficou quase UM ANO sendo desenvolvido e quando ele lançou foi a porcaria do champ mais roubado que o Lolzin já viu, sendo nerfado várias vezes, mas nada deixa esse cara fraco. Até hoje eu tenho medo dos Ekkos da SoloQ.

Gente, tem música nova lá na playlist, ok? Quem ainda não deu uma conferida, tá aqui o link --> https://www.youtube.com/playlist?list=PLxJ-iKLyVnu5Cpy26jc-N_6i-gmYIEB8F :3 Ah, agora ela também tá no Spotify: é só pesquisar a playlist "It's On Again" do usuário firecracker-99 <3

Por favor, não esqueçam do famoso comentário, tá? Vou tentar não custar tanto com o próximo, mas não prometo nada, por que tô indo de mal a pior na escola ;-;

Tchau e até o próximo, seus lindos *3*


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