História Cidade Fantasma - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Cadáver, Calma, Carne, Caseira, Cidades, Empolada, Estação, Estranha, Fantasma, Gritos, Inverso, Negra, Sobrenatural, Suspense, Terror
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Palavras 1.149
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


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Capítulo 2 - 2


Durante o crepúsculo daquele domingo no começo de setembro, as montanhas estavam pintadas somente de duas cores: verde e azul.
As árvores — pinheiros, abetos, espruces — pareciam ter sido feitas do mesmo feltro que cobria as mesas de bilhar. Havia sombras frescas e azuis por toda a parte, ficando maiores e mais profundas e mais escuras a cada minuto.
Ao volante do seu Pontiac Trans Am, Jennifer Paige sorriu, animada pela beleza das montanhas e pela sensação de volta ao lar. Ali era o seu lugar.
Saiu da estrada estadual de três faixas e entrou na estrada municipal asfaltada de duas faixas que serpenteava e subia os seis quilômetros e meio que levavam a Snowfield, através do desfiladeiro.
Sentada ao seu lado, a sua irmã de quatorze anos, Lisa, falou: — Adoro isto aqui.
— Eu também.
— Quando vamos ter um pouco de neve?
— Dentro de um mês, talvez antes.
As árvores se amontoavam bem junto à estrada. O Trans Am entrou num túnel formado pelos ramos pendentes e Jenny ligou os faróis.
— Nunca vi neve, a não ser em fotografia — falou Lisa.
— Na primavera que vem já estará farta dela.
— Nunca. Eu não. Sempre sonhei em viver num lugar com neve, igual a você.
Jenny lançou um olhar à mocinha. Mesmo para irmãs, pareciam-se
muitíssimo: os mesmos olhos verdes, o mesmo cabelo avermelhado, as mesmas
maçãs do rosto altas.
— Você me ensina a esquiar? — pediu Lisa.
— Bem, querida, quando os esquiadores chegarem haverá os costumeiros ossos quebrados, tornozelos torcidos, costas estropiadas, ligamentos estirados... Eu vou estar bem ocupada.
— Ah — exclamou Lisa, sem conseguir disfarçar a decepção.
— Além disso, por que aprender comigo, quando pode tomar aulas com um profissional de verdade?
— Um profissional? — falou Lisa, animando-se um pouco.
— Claro. Hank Sanderson lhe dará aulas, se eu pedir.
— Quem é ele?
— É o dono da Pine Knoll Lodge e ensina a esquiar, mas tem somente um punhado de alunos privilegiados.
— É seu namorado?
Jenny sorriu, lembrando-se de como era ter quatorze anos.
Nesta idade, a maioria das garotas preocupava-se obsessivamente com
garotos, garotos acima de todo o resto.
— Não, Hank não é meu namorado. Eu o conheço há dois anos, desde que vim para Snowfield, mas somos apenas bons amigos.
Passaram por um cartaz verde com letras brancas: SNOWFIELD — 5KM.
— Aposto que haverá muitos garotos legais da minha idade.
— Snowfield não é uma cidade muito grande — advertiu Jenny.
— Mas suponho que dê para encontrar um ou dois garotos bem legais.
— Ah, mas durante a temporada de esqui vai haver dúzias!
— Calma, garota! Você não vai sair com gente de fora — pelo menos durante alguns anos.
— E por que não?
— Por que eu estou dizendo que não.
— Mas por que não?
— Antes de sair com um rapaz, você tem que saber de onde ele vem, como ele é, como é a família dele.
— Ah, mas eu sou fantástica para julgar caráter — falou Lisa.
— Minhas primeiras impressões são totalmente confiáveis. Não precisa se preocupar comigo. Não vou me envolver com um assassino da machadinha ou um estuprador maluco.
— Tenho certeza disso — disse Jenny, reduzindo a marcha do Trans Am quando a estrada fez uma curva fechada —, porque vai sair apenas com a rapaziada do local.
Lisa soltou um suspiro e balançou a cabeça numa exibição teatral de frustração.
Caso ainda não tenha reparado, Jenny, atravessei a puberdade enquanto você estava fora.
Ah, isso não escapou à minha atenção.
Fizeram a curva. Havia outra reta à frente, e Jenny acelerou de novo.
Lisa falou:
— Tenho até peitos.
— Também reparei nisso — retrucou Jenny, recusando-se a ficar chocada com a maneira desabusada da garota.
— Não sou mais criança.
— Mas também não é uma adulta. É uma adolescente.
— Sou uma moça.
— Digamos, uma mocinha.
— Pombas...
— Escute, sou sua guardiã legal. Sou responsável por você.
Além disso, sou sua irmã e a amo. Vou fazer o que acho — o que sei — que é o melhor para você. — Lisa soltou um suspiro ruidoso. — Porque a amo — enfatizou Jenny.
De cara feia, Lisa falou:
— Você vai ser tão severa quanto a mamãe. Jenny assentiu.
— Talvez mais ainda.
— Pombas...
Jenny lançou um olhar para Lisa. A garota olhava pela janela do banco direito do carro, o rosto apenas parcialmente visível, mas não parecia estar zangada. Não estava fazendo bico. Na verdade, os lábios pareciam estar suavemente curvados num vago sorriso.
Quer se dêem conta, quer não, pensou Jenny, todos esses jovens querem ter regras a seguir. A disciplina é uma expressão de preocupação e amor. O negócio é não forçar demais a barra.
Olhando de novo para a estrada, flexionando as mãos no volante, Jenny falou:
— Vou lhe dizer o que vou deixar que você faça.
— O quê?
— Vou deixar que amarre os seus sapatos. Lisa piscou.
— Hã?
— E vou deixar que vá ao banheiro quando tiver vontade.
Sem conseguir mais manter a pose de dignidade ofendida, Lisa soltou uma risadinha.
— Vai me deixar comer quando estiver com fome?
— Ora, claro. — Jenny abriu um sorriso. Von deixar até mesmo que arrume
a sua cama de manhã cedo.
— Puxa, mas quanta permissividade!
Naquele momento, a menina parecia ainda mais jovem do que era. De tênis, jeans e blusa em estilo caubói, sem conseguir abafar as risadinhas, Lisa parecia
doce, meiga e terrivelmente vulnerável.
— Amigas? — perguntou Jenny.
— Amigas.
Jenny ficou surpresa e satisfeita com a facilidade com que ela e Lisa estavam se relacionando durante a longa viagem para o norte, desde Newport Beach. Afinal de contas, a despeito dos laços sanguíneos, eram virtualmente estranhas. Aos 31 anos, Jenny era 17 anos mais velha do que Lisa. Saíra de casa antes do segundo aniversário de Lisa, seis meses antes da morte do pai de ambas.
Durante os anos de estudo na faculdade de medicina e a sua residência no Columbia Presby terian Hospital de Nova York, Jenny estivera ocupada demais e longe de casa demais para visitar a mãe e Lisa com regularidade. Então, depois de completar a residência, voltara para a Califórnia a fim de abrir um consultório no Snowfield. Nos dois últimos anos, trabalhara exaustivamente para estabelecer uma clínica médica viável que servisse a Snowfield e a mais algumas cidadezinhas nas montanhas. Recentemente a mãe delas morrera e só então Jenny sentira não ter tido um relacionamento mais chegado com Lisa. Talvez pudessem começar a compensar todos os anos perdidos — agora que só restavam elas duas.
A estrada municipal continuava a subir regularmente, e o crepúsculo ficou temporariamente mais claro quando o Trans Am saiu das sombras do vale da
montanha.



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