História Cigarrete Daydreams - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Drama, Harry Styles, Lily Collins, Romance
Visualizações 29
Palavras 4.271
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Festa, Ficção, Mistério, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


TO VIVA! CIGARRETE DAYDREAMS ESTÁ VIVA!

Não vou narrar o que o fim do semestre da faculdade fez comigo, vocês não precisam saber disso.
Vamos direto ao ponto? Ah, sim, o capítulo depois de mais um mês!

Boa leitura <3

Capítulo 23 - Tell me how to feel about you now.


Lily saiu do quarto e encontrou Harry na sala, no telefone. Ele tinha uma expressão séria e quando viu Lily praticamente mascarou-se com um rosto surpreso e preocupado. A mão de Harry pendeu para baixo e tirou o celular de seu ouvido.

Lily franziu a testa e se aproximou. Ela tinha o lençol em volta do corpo, os cabelos presos em um coque, os olhos semicerrados, a boca levemente aberta. A própria personificação da confusão.

A voz de Sam no celular chamava Harry de volta para a ligação e Lily o encarava. Era coisa demais para acompanhar e Harry tinha a convicção, nunca tão certeira como antes, que aquilo só pioraria.

- Você não parece bem.  - Lily perguntou, ainda se mantendo distante. Oh, aquilo só estava começando. – Quem era no telefone? – Harry manteve-se calado. Não conseguia falar, não podia. Era como se estivesse engolindo fogo, mas o próprio não descia por sua garganta; ficava ali queimando, transformando tudo em cinzas, tirando sua respiração, causando-o asfixia com aquela fumaça tóxica e negra. - Harry, me responde.

Agora, imagens passavam por seus olhos e ele os tinham fechados; Lily falava, mas ele não ouvia uma mísera palavra. Era barulho demais. Seus pensamentos lhe deixavam surdo. Mary morta, Mary morta, Mary morta.

Era como ver sua vida entrando no colapso final. Tudo sendo despedaçado, pouco a pouco, até não restar nada que não fosse ele mesmo, a pessoa para se estar naquele momento. Harry quis rir e dizer a Lily para correr dele e parar de perder seu tempo com Harry. A não ser que fosse admiradora de desgraças constantes; ah, se esse for o caso ela estava no lugar certo, com a pessoa certa.

- Harry, por favor, responde...- ouviu Lily. Sua voz estava embargada; ela estava chorando. Na noite passada, ela sorria e lágrimas desciam por seu rosto. Chorar de felicidade era um mito para Harry, não sabia que isso existia até a noite passada. E foi absolutamente umas das coisas mais genuinamente lindas que ele já viu.  Porém, o efeito contrário acontecia agora e para variar a culpa era dele. Naquele momento, odiou-se, odiou sua vida, odiou tudo ao seu redor, odiou até o fato de amar Lily e vê-la chorar lhe causar tanta repulsa de si mesmo.

Abriu os olhos e encarou Lily a sua frente; bochechas molhadas, olhos vermelhos, uma expressão absurda de confusão. Ela segurava o rosto dele como se fosse algo quebrável e frágil. Cara, aquilo doeu. Preferia ter levado um bom soco no maxilar. Decidiu que ia quebrar o silêncio; ele procurava por palavras, mas a única coisa que precisava dizer estava na ponta de sua língua. E era amargo, tinha um gosto familiar que ele desejou não ter que sentir nunca mais na sua vida.

- Mary está morta.

E foi como se uma força superior afastasse Lily de Harry. Ela deu um longo passo para trás e encarou Harry como nunca antes; ele não conseguiu traduzir o rosto dela. Era inexpressivo, gélido, seco, cru.

O silêncio foi interrompido pela respiração rápida de Lily. Agora seus olhos multiplicaram de tamanho e sua boca estava levemente aberta, o lábio inferior trêmulo assim como as mãos que mantinham o lençol cobrindo seu corpo. Ela encarava Harry da forma mais invasiva possível. Procurava respostas no rosto dele.

- Onde... On-onde você estava? – a voz vacilante dela perguntou. Harry franziu o cenho.

- No que isso importa? – ele perguntou em um tom ofendido. Oh, não, ela não está fazendo isso, pensou ele.

- Mas é claro que importa! - ela exclamou. De repente, Lily virou uma fera com a voz reverberante e uma expressão enfurecida no rosto. – Você desapareceu essa noite e.... tem uma pessoa morta, a mulher que criou o seu filho. É claro que importa.

- Eu não vou responder isso.– Harry rebateu, adotando a postura daquele outro Harry, o que Lily conhecia muito bem. Os ombros já estavam tensos e altos, o rosto estático, os olhos cerrados a encarando como se fosse a despir e em seguida dar um golpe por trás de suas costas.

- Você vai sim. – ela insistiu, voltando a se aproximar, ficando a centímetros do rosto dele. Antigamente, aquele outro Harry lhe dava arrepios de medo. Era intimidador, grande demais. Agora ela o via de frente, os olhos dele transmitindo nada além de um abismo escuro e misterioso, e aquilo soava como um desafio. Ela podia alcançar algo além daquela armadura, se tentasse. – Vamos, responda. Onde você estava nessa madrugada?

- Eu estava naquela droga de cama com você, Lily. – ele falou baixo, mas foi mais impactante do que se tivesse berrado no rosto dela. – Isso é ridículo. Onde você pretende chegar?

Onde ela queria chegar com aquelas perguntas? Ótima escolha de palavras, Harry.

Lily hesitou. Ele podia ter ido em qualquer lugar, mas Lily sabia que, no fundo, ela cogitava uma única coisa: Harry como um suspeito. E, céus, aquilo era grave demais: o fato de ele poder ter matado Mary (e ter inúmeros motivos para isso) e o de Lily desconfiar sem pensar 3 vezes que o homem ali a sua frente podia ser um assassino.

- Fale. – ele pediu mais uma vez. – Eu quero ouvir sair da sua boca o que você está pensando nesse momento. – a voz de Harry era baixa, rouca, mas Lily não se sentia intimidada. Só não queria externar o que pensava; sabia que era pesado. Ela o encarou, mas não obteve sucesso procurando uma luz no rosto de Harry tão perto do seu.

- Você sabe. – ela falou. Harry não escondeu a expressão surpresa e até Lily se sentiu surpresa com sua coragem. Ela tinha cuspido o fato em Harry: ele pode ter matado Mary e Lily desconfiava disso.

Harry riu desacreditado e se virou de costas. Uma risada forçada e arrepiante saiu rouca da garganta de Harry. Lily estremeceu, mas se manteve em espera para a resposta dele, que ela sabia que seria no mínimo conturbada. Porém, ela tinha que falar. Estava sendo honesta e esperava o mesmo dele. Esperava também que ele não fosse um.... Assassino.

- Você é inacreditável. – ele disse de costas e fechou as mãos em punho. Os dedos estavam brancos e as costas dele subiam e desciam lentamente. Uma calma falsa, perigosa. – Matar minha mãe adotiva... – ele pensou alto e se virou para Lily, com o maxilar marcado e os olhos mal piscando. Lily tentou manter a calma. – O que mais você pensa de mim? Eu trouxe muita desgraça para sua vida, mas o título de assassino é inédito.

- Em algum momento eu te chamei de assassino? – ela perguntou com a voz alta. Harry riu nervosamente.

- Está escrito na sua testa. – ele disse. Ouch. Lily bufou e segurou a vontade de revirar os olhos.

-  Eu dormi depois que você saiu do quarto e acordei sem você do meu lado. – ela disse baixo, mas Harry ouviu. Ouviu e se aproximou, segurou o rosto dela delicadamente, olhou nos olhos de Lily profundamente e suspirou antes de falar:

- Eu não matei Mary.

Bastou isso para Lily ficar em silêncio e se dar satisfeita. Viu nos olhos dele, no rosto, foi como se pudesse sentir a verdade nele. Ele se afastou e Lily o viu limpar a bochecha. Droga, droga, droga. Ele não podia estar chorando, Lily não estaria preparada para ver isso.

- Nós vamos até a casa dos Brooks. – ele disse antes de sumir dentro da casa que passaram a noite e acordaram com a notícia que mudaria tudo a partir de agora. Absolutamente tudo.

E, por favor, que Harry não esteja envolvido nisso, pensou ela olhando para o lugar onde ele estava.

 

Harry apareceu com os olhos extremamente vermelhos depois de passar um tempo trancado no banheiro. Fumava do lado de fora da casa enquanto Lily decidiu não trocar palavras com ele; Harry tinha a expressão que queria matar alguém ou a si mesmo. Ela sentia uma dor forte, quase que literal no peito por imaginá-lo chorando pela mãe adotiva que matou sua mãe biológica, que tomou seu filho, que o matou diversas vezes até aquele momento. Agora ela estava morta e ele sofria por isso. Era intrigante, sem sentido, absurdamente humano. Sam chegaria, os levaria até a cidade e a casa dos Brooks, onde muito provavelmente estaria um caos. O pior: Greg. Como explicariam toda aquela bagunça para a criança? Céus, Lily não queria nem imaginar. Ela apenas prometeu a si mesma que não abandonaria Harry. Ele precisava dela e ela dele.

Sam chegou e abraçou rapidamente Harry, que não abriu a boca momento algum. Lily abraçou o amigo e deixou alguma lágrima ou outra escapar. O clima no carro de volta para a cidade era horrível. Harry parecia uma estátua gélida, não parecia estar ali.

- Hm.... Ela realmente não resistiu. A causa da morte foi envenenamento. Encontraram o corpo na garagem. É tudo que sabem até agora. – Sam disse. Harry respirou fundo e manteve a postura estática. Lily deixou mais algumas lágrimas escaparem enquanto observava a estrada sendo fragmentada em borrões conforme a velocidade do carro aumentava. Sentiu pena de Mary, Harry, Greg, Bob. Queria apagar toda aquela turbulência da vida deles e construir tudo de novo, de forma saudável, sem mortes e conflitos. Céus, como ela desejou ter aquele poder agora. Nem precisava ser inserida na vida deles. Só iria fazer um futuro diferente e melhor.

Chegaram na casa e encontraram apenas Bob conversando com policiais. A troca de olhares entre Bob e Harry foi pesada e todos ao redor perceberam. Faíscas saindo dos olhos, respirações pesadas, expressões duras. Harry passou reto pelo “pai” e adentrou a casa. Lily apenas lançou um olhar rápido a Bob e acompanhou Sam para o interior da casa.

Greg estava em um canto com Rosie e ao ver Harry saiu dos braços da garota e saiu correndo. Harry fechou os olhos e abraçou com força o pequeno garoto que ele ergueu o chão e segurou em seus braços. Lily respirou fundo para não chorar novamente. Quando o garoto viu Lily fez o mesmo e a abraçou exageradamente. Dessa vez Lily derrubou uma lágrima ou talvez duas. O garoto ia falar alguma coisa, mas logo Harry o tomou dos braços de Lily de forma não rude mas um pouco exasperada. Lily o encarou ofendida, mas ignorou o ato infantil de Harry.

- Oi, meu garoto. Como vão as coisas por aqui? – falou enquanto bagunçava o cabelo da criança. Greg enterrou a cabeça ainda mais no pescoço de Harry.

- Eu não sei, mamãe sumiu.... Ei, Harry, você sabe quem são essas pessoas? – ele perguntou com a voz abafada devido ao local onde tinha o rosto. Todos calaram-se, alguns derrubaram lágrimas, Rosie se retirou prendendo o choro. Harry suspirou antes de responder:

- Nada demais. Podemos jogar videogame até tudo isso aqui acabar, o que acha? – Harry propôs e os olhinhos antes escondidos de Greg agora brilhavam e um sorriso faziam suas bochechas multiplicarem de tamanho.

- Vamos, vamos, vamos! – o garotinho respondeu animado. - Mas e Lily?

O silêncio predominou. Harry olhou para o chão e fingiu não ter escutado o que Greg o questionou. Os dois subiram os degraus em silêncio enquanto Sam e Lily assistiam sem coragem de mover um músculo. Greg ainda olhava para os três com uma expressão infantil e calma de quem não entendia nada e não tinha interesse.

Quando Harry passou por Lily, lançou-a um olhar daquele jeito enigmático que ela odiava por não ver nada além do escuro. Lily o encarou tentando não revirar os olhos com desdém. Ela sentia raiva. Por que motivos Harry estava agindo como um garoto mimado, insuportavelmente prepotente? Fala sério, ele estava bravinho por ela ter questionado seu paradeiro enquanto o crime da morte de Mary ocorria?  Apesar de ter passado um bom tempo no andar de baixo onde falou rapidamente com Bob dizendo que sentia muito, conversou com Sam e Rosie sobre o mistério do que aconteceria a partir de agora com Greg e como achariam o culpado do crime, sentia-se tentada a ir ao quarto de Greg e gritar com Harry até ele parar de agir daquela forma. E em breve ela o faria. Ou melhor, iria agora mesmo.

Em passos fortes e a testa franzida em uma expressão séria e decida, subiu no primeiro lance de escadas. Porém, uma mão grande e forte pousou em seus ombros. Ela quase berrou um palavrão e um sermão por ter esperado aquela brecha para finalmente falar poucas e boas para Harry, e um infeliz decidiu atrapalhá-la.

- Escuta, eu não vou...- ela começou a reclamar, mas quando virou-se deparou com um peito largo e aparentemente forte. Coberto pela farda da Polícia investigativa de Londres.

- Desculpe-me, senhorita.- o policial disse suavemente, apesar de sua voz ser intimidadora e grossa. Lily precisou erguer a cabeça levemente para conhecer o rosto do homem com hálito de menta a sua frente. E, céus, que rosto bonito. A barba por fazer, a estrutura óssea com traços fortes e bem esculpidos, olhos escuros e perfume forte misturado com cheiro de cigarro. Policiais investigativos que fumam, que clichê maravilhoso. - Minha equipe precisa conversar com a senhorita, pode me acompanhar?

A respiração de Lily falhou embaraçosamente antes de ela seguir acompanhando o homem de quase 2 metros pela casa. Como mulher e ser humano ela tinha que admitir que ele era absurdamente atraente.

Ele a levou até o escritório de Bob, no andar de baixo. Abriu a porta e esperou Lily passar antes de entrar e encostar a porta novamente. Lily estava triste, tinha chorado bastante durante o caminho até os Brooks lembrando de Mary e de como sua vida foi regada de infelicidades e loucura, mas deixou um sorriso escapar ao percorrer os olhos pelo escritório totalmente.... Vazio.

- Bela equipe. - murmurou baixo antes de se sentar num dos sofás. Ao olhar para o policial, encontrou um rosto desconcertado e um sorriso surpreso. Será que o fato de homens sempre serem tão fracos e previsíveis é biológico?

- Pensei que negaria o pedido da conversa se soubesse que seria somente nós dois. A sós. - ele disse depois de puxar uma cadeira para se sentar na frente de Lily, que escolheu o sofá. Ela se sentia como uma criança na sala da diretoria da escola, com a exceção de que não sabia o que fazia ali.

- Por que eu faria isso?

- Talvez eu te cause medo ou receio. - ele disse naturalmente e se recostou na cadeira. Lily prendeu uma das maiores risadas de sua vida.

- Sem ofensa, senhor policial, mas você não me causa o mínimo de medo. Nem um pouco. - ela disse e ergueu as mãos ainda prendendo um sorriso.  - De qualquer forma, a polícia não deve causar medo nas pessoas. Acredito que teoricamente essa não deve ser a intenção.

O policial, que encarava sério a garota a sua frente, deixou escapar um sorriso. Sedutor, no mínimo. Lily fechou o rosto e voltou a sua posição de interrogada. Era pra isso que estava ali, certo? Bom, ela esperava que sim.

- Certo. Lily.... Newcastle. Prefere ser chamada pelo sobrenome ou...?

- Lily já serve. – ela respondeu desinteressada e encarou as próprias mãos. Ok, agora ela podia começar a ficar nervosa. Ele sabia seu nome.

- Peço que não se assuste caso as perguntas te ofendam de alguma forma. É uma simples conversa, apenas para a equipe ter uma visão geral do meio que a vítima vivia. Todos são suspeitos, não teria motivos para a senhorita não ser também. – ele começou, cautelosamente. Lily assentiu e respirou fundo. – Certo.... Vamos começar falando de sua relação com Mary. - Lily se descuidou e deixou os olhos arregalarem levemente. Não sabia falar disso, nunca tinha parado para pensar no que Mary representava para ela ou no que ela representava para Mary. Talvez algumas características ficaram explícitas depois da temporada de conflitos que enfrentaram. Apenas isso.

- Conversávamos pouco e quando acontecia ela era cordial, séria, profissional. – Lily começou. – Era boa mãe, boa esposa.... Bem, já a ouvi gritando com Bob em um tom histérico algumas vezes, confesso.

- Ele respondia no mesmo tom? – o policial perguntou.

- Desculpe-me, mas qual o seu nome? – Lily perguntou e surpreendeu o homem a sua frente por ela ter se aproximado de forma que pessoas não costumavam fazer por acharem ele intimidador, ou algo próximo disso.

- Ahn.... James. James Hall.

- Certo, James. Posso te chamar assim? – ela pediu e ele assentiu, um pouco sem jeito. – Bob mal abria a boca. Eu tinha certa pena dele, mas não o achava o coitadinho da história. Ficava entre o meio termo. – James encarou Lily por um tempo com uma expressão interessada, como se pensasse em algo crucial, que mudaria o rumo da conversa para seu ápice.

- E o sobrinho do casal? Harry Brooks. Vocês têm uma relação.... Próxima, certo? – ele hesitou mas disse. Próxima. Há-há-há, já tinham ficado muito mais que apenas próximos. O policial sabia muito bem o quão próximos eram, tinha interrogado Rosie antes daquilo e ela lhe contara de Harry e Lily. Pelo menos, o pouco que ela sabia.

- Hm.... Sim. – Lily apenas concordou. O policial parecia ansioso.

- Pode falar da relação dele com Mary? Isso caso tenha presenciado algo, pois soube que você foi demitida assim que o garoto retomou relações com os tios e o primo e te conheceu.

Lily entrou em um dilema dolorido consigo mesma. Agora outros assuntos entravam em jogo; o passado de Harry e a face assassina de Mary. Ela não podia falar disso, não era da sua conta. Mas o que falaria, então?

- Mary soube de mim e Harry. Ela pensou que fugiríamos com Greg. – Lily disse já sentindo a tsunami se aproximando.

- Por que ela pensaria isso? – e chegou. Avassaladora, deixando tudo bagunçado. O policial tinha a expressão curiosa e vitoriosa ao mesmo tempo. Ele queria atingir aquele ponto, arrancar de Lily algo sobre Harry que ele sabia que ela guardava.

- Ahn.... Eu não faço ideia. – Lily se levantou e foi na direção da porta do escritório. – Eu não tenho mais nada a falar, com licen...

- Espera! – o policial se levantou e foi até ela sem entender o surto imediato. – Tenho mais perguntas que a senhorita poderia responder.

- Não me sinto bem.... Podemos fazer isso depois? Tenho certeza que teremos tempo. – ela disse e pediu desculpas com um olhar antes de sair e deixar James estático no escritório.

Saiu sentindo um aperto no peito, um desespero crescente. Se antes tinha um vazio que lhe devorava de dentro para fora, agora sentia-se extremamente cheia, sem um único espaço vácuo que lhe permitisse respirar. Precisava sair dali imediatamente.

A casa continuava cheia de policiais, que faziam perguntas aos empregados ou a vizinhos. Bob tinha desaparecido, assim como Sam e Rosie. Lily se sentiu perdida ao olhar ao seu redor e encontrar nada que não fosse fardas e rostos confusos e sérios. Com passos rápidos ela saiu da casa e se encontrou no jardim, onde retirou um cigarro do sutiã e um isqueiro do bolso. Tragou o cigarro com os olhos fechados e a cabeça erguida para o sol fraco que atingia sua pele com cuidado. Algo a fez abrir os olhos; era como se pudesse senti-lo atrás de si de forma surrealmente inexplicável.

Virou-se e viu Harry a encarando da janela.

Ela o encarou de volta sem desmanchar o rosto inexpressivo e muito menos sem parar de tragar o cigarro. Harry não se esforçou para fazer algo de diferente. Seu olhar parecia atravessar Lily. Ela tinha vontade de ir até lá e implorar a ele para que falasse, mas sabia que aquela cena de Harry ainda duraria um tempo. Era coisa demais para suportar, Lily entendia. Mas ainda assim desejava que ele fosse mais aberto e menos rabugento. Porém, ela cuidaria disso depois. Precisava daquele momento ali no jardim ou enlouqueceria. Após segundos de paz, enfrentaria a tempestade.

Logo Greg juntou-se a Harry e apareceu na janela. O garotinho apertou os olhos para tentar enxergar a desconhecida envolta em fumaça no jardim e quando reconheceu o rosto deu um tchauzinho animado e simpático. Lily riu e retribuiu. Harry abaixou a cabeça num ato que Lily não entendeu como impaciência ou redenção. Lily finalizou o cigarro e antes de iniciar seus passos de volta para o interior da casa olhou para Harry de forma que avisava sua chegada próxima no cômodo. Ele não ia fugir dela dessa vez.

Greg jogava videogame despreocupadamente e Harry observava sentado na cama. Lily entrou, deu um beijo na bochecha de Greg e se sentou ao lado de Harry, sem se importar se incomodava ou não. Ela não estava interessada nos gostos de Harry, afinal. Estava ali para desmanchá-lo e iria faze-lo.

- No banheiro. Agora. - deu a ordem e se levantou, se dirigindo para o banheiro pequeno que tinha no quarto da criança esperando que Harry a seguisse. Lily estava de costas, mas sabia que Harry tinha uma expressão tediosa. Porém, a ordem foi atendida e logo Harry entrou no banheiro e bateu a porta nas suas costas. O tamanho do banheiro fez com que os dois ficassem frente a frente, olhos na mesma altura, impossibilitados de fuga. Perfeito. – Certo, pode explicar que droga está fazendo?

- O qu.... – Harry começou, porém, Lily interrompeu pousando seu dedo indicador sobre os lábios dele. Harry tirou a mão dela de seu rosto de forma impaciente, o que satisfazeu Lily. Harry falava bastante quando estava nervoso.

- Você sabe do que estou falando. – Lily rebateu. – Está agindo como um idiota!

- O que você esperava? – ele perguntou em um tom ofendido. – Você insinuou que eu era um assassino, lembra? – Lily bufou. -  A verdade é que você só presta atenção nas coisas que você mesma fala, Lily.

- Ah, me poupe! – Lily gritou. – Se quer ser ouvido, fale! Eu não vou ficar mais correndo atrás de você perguntando se quer ajuda enquanto você distribui grosseria!

- Ótimo, agora você confia em mim! Também confia na parte que eu te disse que não tive nada a ver com essa merda toda? Entende que eu estaria bem longe daqui caso tivesse feito alguma coisa?  Entende também que mesmo assim sou o principal suspeito, que todos esses policiais estão de olho em mim? – Harry exclamou no rosto de Lily, que não sabia se gritava de volta ou saía correndo dali com Harry. Ele estava muito, mas muito fodido naquela história toda.

- Você precisa fazer alguma coisa. Nós podemos sair daqui, não sei, eu poss... – Lily disparou a falar, mas Harry a interrompeu.

- Não tenho motivos para sair daqui. – ele disse e calou-se para se perder no rosto de Lily. Logo, a expressão de Harry transpareceu derrota. A mão de Lily foi até o rosto dele e o ergueu. Os olhos verdes faiscantes a encararam profundamente por um tempo antes de ele voltar a falar: - Você sabe, não é, Lily?

- Sei o quê? – ela perguntou confusa. Sentiu um pressentimento ruim.

- Sabe que vão descobrir sobre a minha mãe, sobre mim, sobre Elle, sobre Greg. – ele disse e se aproximou de Lily. A respiração de Lily ficou descompassada quando Harry dedilhou a cintura dela e pousou os lábios sobre seu canto da boca. Logo ele a encarava novamente. Ela viu dor no verde dos olhos a sua frente. – Você sabe que aparentemente eu teria todos os motivos para fazer isso e logo todos saberão. Você sabe que eles não vão ter ninguém para culpar além de mim.

Lily se afastou com lágrimas nos olhos. Não podia ser, ela não podia aceitar.

- Foda-se, Harry. Você não é o culpado. 

- Não sou para você e para o verdadeiro assassino. Não passou por sua cabeça que isso foi planejado? – Harry disse tristemente e beijou novamente Lily no canto de sua boca, dessa vez mais demoradamente. Aquilo parecia uma despedida.

- Cala a boca, por favor. – Lily disse e o empurrou contra a parede. – Por que você está falando isso e....? Harry, eles não vão fazer isso! Não podem! – ela exclamou. Lágrimas já rolavam por suas bochechas.

- A pessoa que matou Mary sabia de tudo, sabia que eu seria o alvo. – ele disse e suspirou fundo olhando para um ponto qualquer na parede.

- Mas e outros suspeitos? – Lily questionou. Harry riu desanimadamente.

- Cite pelo menos dois que não sejam Bob, porque seu nome é conhecido e respeitado. E ele também tem um dinheiro guardado para emergências. – e Lily ficou em silêncio. Ela seria uma suspeita, talvez, mas nada que se comparasse a Harry. Era claro demais e ao mesmo tempo escuro. Quem tinha feito aquilo e pensando tão inteligentemente sobre a posição de Harry após o assassinato de alguém como Mary? O filho bastardo matando a mãe era perfeito, moldado, fechado. Estavam de mãos atadas.

- Mesmo assim, ainda haverão investigações e....

De repente batidas na porta. Não batidas educadamente calculadas, mas estrondos e vozes graves no quarto. Lily franziu a testa e abriu a porta. O tempo todo olhava para Harry com uma expressão preocupada. 

Saíram do quarto e encontraram três policiais, um deles era James. Bob ao canto com Greg no colo, que chorava. Um homem engravatado encarava a cena ao lado de Bob. James tinha algemas em mãos.

- Harry Brooks, você está preso. Você tem o direito de ficar calado. Tudo o que disser poderá ser usado contra você no tribunal. – disse James enquanto tirava brutalmente Harry do lado de Lily e o algemava. 


Notas Finais


Tell me how to feel about you now (Me diga como devo me sentir sobre você agora) Tell Me How- Paramore.

Mais um capítulo terminando com merdas acontecendo: check! Comentemmmm!

Beijos, até a próxima (prometo não demorar como dessa vez, juro)


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