História Cinco Letras Que Choram - Capítulo 28


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Sehun
Tags Baekyeol, Hunhan, Hunhanweek, Kaisoo
Visualizações 71
Palavras 4.951
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 28 - Dois Corações E Um Só Amor - Parte 1


Fanfic / Fanfiction Cinco Letras Que Choram - Capítulo 28 - Dois Corações E Um Só Amor - Parte 1

Luhan só não desabou de vez no chão, porque antes que o fizesse, um par de braços conhecidos e amorosos amparou a sua queda, impedindo-o de cair e machucar-se gravemente.

Um pouco antes de perder completamente os sentidos, pôde ouvir nitidamente a voz levemente rouca que costumava embalar os seus sonhos, chamando-o repetidas vezes com uma notável preocupação.

 

- Amor, acorda.....Por favor, fala comigo!!

 

Em meio à sensação de vazio que ocupava a sua mente, conseguiu distinguir bem ao longe o chorinho assustados dos filhos e isso foi o suficiente para que recobrasse quase que imediatamente a consciência. Porém ao tentar mover-se, um cheiro extremamente familiar atingiu agressivamante as suas narinas, obrigando-o a permanecer quase que instintivamente com os olhos fechados, desfrutando por mais alguns momentos de tal sensação acolhedora.

No entanto, ao lembrar-se de quem o estava segurando, retesou instantaneamente o corpo e deu um basta em toda aquela fraqueza. Ainda meio tonto foi tentando esquivar-se do agarro alheio, enquanto abria os olhos castanhos bem devagar para se certificar de que não estava sonhando outra vez.

Ao dar de cara com Sehun lhe encarando tão de perto, sentiu a raiva o dominar de tal maneira, que em meio à uma súbita rabanada, pôs-se de pé rapidinho. Sem dar tempo para que o outro pudesse abrir a boca para se explicar, foi logo o atacando com palavras duras.

 

- Eu não quero saber o que você veio fazer aqui, só peço para que dê meia volta e desapareça!!

- Lu.....

- Você é surdo por acaso? Não ouviu o que eu disse? Vá embora.....Agooooraaaa!!

 

O chinês só se deu conta de que gritava histericamente, quando viu as crianças apavoradas correndo em direção à MeiYing, que viera apressadamente do quarto para ver o que estava acontecendo.

 

- Meu Deus, mas que gritaria é essa?? - Indagou aflita ao ver o neto transtornado com a presença do ex-noivo.

 

Danado da vida, o rapaz não poupa a senhorinha de sua revolta e indignação.

 

- Vovó, não finja que não sabe de nada. A senhora sabe muito bem o que esse indivíduo veio fazer aqui, não é mesmo? Agora eu estou entendendo o por quê de todo aquele cerca-lourenço.....O por quê daquela sua pergunta. Aliás, a senhora e o Myeon estão mancomunados, né? Por um acaso, isso é algum tipo de complô contra mim? Vocês dois querem me enlouquecer, é isso? Porque se for, estão conseguindo.....

- Lu, se acalme por favor!! Eu posso explicar..... - Sehun tenta se fazer ouvir sem sucesso, já que o chinesinho não lhe deixa abrir a boca, cortando rapidamente a sua pretensão.

- Eu não quero ouvir explicação nenhuma, está entendendo? Eu só quero que você volte para a companhia de sua mulher e me deixe em paz!! Será, que é pedir muito?

 

Naquele momento, Sehun conheceu bem de perto o peso das palavras proferidas por Luhan. Elas lembravam-no de seu maior erro e da tonelada de acusações, que inevitavelmente seriam arremessadas sem dó e sem piedade sobre os seus ombros.

Com toda certeza, Luhan não perderia a oportunidade de jogar em sua cara todas as mágoas e dissabores que trazia guardados dentro de si até então. Não o retrucaria.....Deixaria que o mesmo colocasse para fora tudo aquilo que o machucara e fizera sofrer nesses anos de separação forçada. Como faria tal coisa, se ele fora o único causador de tal infortúnio? Não tinha nem um pingo de moral para impor a sua presença e muito menos pedir-lhe que esquecesse tudo o que vivera até o presente momento.

A única coisa que queria era ter a sua família de volta e ele faria de tudo o que estivesse ao seu alcance para reavê-la, nem que para isso tivesse que aturar a raiva e o ódio acumulado de Luhan.

Aproveitando-se da pausa que o chinês fizera para acalmar a respiração agitada, Sehun tenta chamar-lhe a razão falando-lhe com carinho.

 

- Amor, me escuta.....

- Não me chame de amor, seu cretino!! - O menor o interrompe ao mesmo tempo em que o fuzila com o olhar. - Ainda não foi embora, por quê?

- Porque eu te amo e só vou sair daqui com você, a vovó e os nossos filhos!!

- NOSSOS FILHOS?? MEUS FILHOS, SEHUN.....MEUS!!

- Meus também Hannie, afinal de contas nós os fizemos juntos, lembra? Eu preciso que você me escute, por favor!!

- Eu já disse que não, porra!! Será que é tão difícil entender, que eu quero continuar a viver a minha vida em paz? Não quero ter o desprazer de reviver todo aquele pesadelo novamente.....Uma vez foi o bastante, portanto vire as costas e suma de uma vez por todas!!

- Já falei que não vou arredar o pé daqui, até você escutar o que eu vim te dizer. Deixe de ser teimoso e vamos conversar.

- Eu acho melhor você voltar correndo para os braços da sua mulherzinha e esquecer de vez que eu existo. Aproveite e faça uns filhos.....

 

Irritada com a atitude irrascível do neto e percebendo que Sehun estava se contendo nas ações e nas palavras para não assustar as crianças que assistiam a tudo com os olhinhos arregalados, MeiYing resolve intervir antes que o caldo entornasse de vez.

 

- LUHAN.....- Elevou a voz para ser bem compreendida pelo rapaz, que se encontrava em uma posição defensiva. - Eu vou sair com as crianças e espero que você ouça o que o Sehun tem à dizer. Que inferno!! Está mais do que na hora de vocês terem uma conversa civilizada. Chega de tanto rancor e ressentimento.....Isso não faz bem para ninguém!! Estou cansada de te ver sofrer durante todos esses anos e não poder fazer nada de concreto para te ajudar. A única pessoa que pode fazer isso está parada bem aí na sua frente, então uma vez na vida seja menos rígido com você mesmo e se permita descobrir a verdade de uma vez por todas.

- Verdade?? - Indaga, confuso. - Mas que verdade, vovó?

 

Sorrindo enigmaticamente, a idosa aponta na direção do Oh, enquanto caminha para fora da casa acompanhada pelos bisnetos. Assim que abre a porta, volta-se rapidamente e responde a pergunta feita pelo neto.

 

- Pergunte ao Sehun.....

 

Ao ver-se à sós com o ex-noivo, Luhan volta-se para o mesmo e passa a observar atentamente as suas feições aristocráticas levemente marcadas pelo passar do tempo. Teria ele realmente sentido a sua falta? - Indagou-se, de repente. Teria ele se arrependido de suas atitudes passadas e agora vinha em busca do seu perdão ou viera simplesmente atrás das crianças? Espera um pouco.....As crianças!!

Como ele ficara sabendo à respeito das crianças, se ele não fizera a mínima questão de contar-lhe sobre a gravidez? Como?? - Inquietava-se cada vez mais.

Sentindo a cabeça rodar ao ser atacado por uma forte náusea, esticou a mão ligeiramente para se apoiar em uma cadeira. Perecebendo o movimento do menor, Sehun tentou segurá-lo, mas foi prontamente rechaçado com grosseria.

 

- Não toque em mim!! Não pense que as palavras de minha avó foram capazes de amolecer o meu coração, pois eu continuo com o mesmo pensamento que venho cultivando há anos: Quanto mais longe de você, melhor!!

 

Vendo que estava perdendo tempo e que palavras doces e amáveis não estavam surtindo o efeito desejado, o maior decidiu mudar de tática.

 

- E se eu te disesse que tudo aquilo que aconteceu há quatro anos atrás, não passou de uma armação para nos separar e destruir a minha família. E se eu te disser, que você e os nossos filhos estão na mira de uma organização criminosa, ou melhor, que todos nós estamos correndo um grave perigo. Você pararia para me escutar? Me daria um minuto de sua atenção?

- Aaahhh, para!! Você está de gozação, né? Se você acha, que jogando baixo desse jeito vai me fazer.....

 

Em um ato súbito de raiva e desespero, Sehun corta rapidamente a distância que o separa do chinesinho teimoso e o puxa de encontro a si colando praticamente o rosto de ambos, interrompendo momentaneamente a fala do outro.

 

- Olhe bem dentro dos meus olhos e veja se há o menor vestígio de mentira neles. Acha mesmo, que eu seria capaz de usar as crianças como escudo para tentar me redimir de minhas mancadas? Eu jamais faria algo que pudesse feri-los, Luhan.....

 

Incomodado com o olhar penetrante sob o seu, o menor solta-se dos braços que cerceavam a sua liberdade e pela primeira vez em muito tempo se permite romper a muralha impenetrável que penosamente construíra ao redor de si. Sabia quando o Oh estava falando sério e isso foi o bastante para deixá-lo em alerta e com o coração sobressaltado.

Sem alternativa e morrendo de curiosidade, decidiu deixar a teimosia de lado e ouvir o que o outro tinha a lhe dizer. Uns minutos a mais, uns minutos a menos na presença do ex não o matariam e nem lhe fariam sofrer mais do que já sofrera. Serviriam apenas para provar, que o que quer que tenha havido entre eles, ficara perdido na distância que os separou.

Resignado, respirou fundo e apontou em direção ao sofá, enquanto sentava-se displicentemente em uma poltrona.

- Sente-se!! Creio que essa sua história deva demorar um pouco, não? Só lhe peço para que resuma os fatos, pois daqui à pouco as crianças vão estar com sono e não as quero perto de você.

- Lu.....

- Fui, claro??

 

Não querendo principiar um novo desentendimento e acabar perdendo mais tempo desnecessariamente, Sehun achou melhor concordar com a objeção alheia.

 

- Tudo bem.....

- Então pode começar a falar.....Sou todo ouvidos!!

 

Sabendo que a hora da verdade finalmente havia chegado, o maior procura ser econômico nas palavras e se manter fiel aos acontecimentos mais relevantes. Ali, naquele momento, jogaria a sua cartada final e torcia internamente para que fosse bem sucedido em seus esforços, pois deles dependeria a sua felicidade.

 

- Bom.....Tudo começou quando meu pai conheceu um homemem um cassino nos Estados Unidos e logo fizeram amizade. Apesar de ter muito dinheiro, Oh SangHul sempre foi um homem muito ambicioso e competitivo em seus negócios. Empreendedor de mão cheia, sempre visou expandir os negócios da empresa para os maiores países do ocidente e nunca fez segredo sobre isso. Esse tal homem que nós descobrimos há pouco tempo se chamar Ryu Meang, também possuía várias empresas assim como o meu pai, só que todas elas eram de fachada, porque serviam apenas como uma cortina de fumaça para encobrir a realidade dos fatos.

- Que, seriam?

- Lu, o cara é mafioso.....E dos brabos!! Simplesmente o cabeça da maior organização criminosa de toda Ásia. Um assassino super perigoso!!

- E, daí?

- Daí que esse encontro com o meu pai no cassino não foi uma mera casualidade. O safado já estava de olho nos negócios da família e arquitetou um plano diabólico para dar o golpe do século. Ele tinha conhecimento sobre todos os hábitos do meu velho, assim como os de todos os outros empresários que ele extorquiu e deixou na miséria. Essa organização age como uma verdadeira sanguessuga, Lu. Todos os seus membros são especialistas em extorsão, sequestro, assassinatos, falsificações e principalmente as chantagens que são o seu carro-chefe. Sabendo das pretensões do meu pai, começou à cercá-lo de atenções e prometeu-lhe mundos e fundos instigando a sua cobiça. Quando a aranha percebeu que a mosca estava prestes à cair em sua teia, foi até ela e deu o bote fatal.

- O que esse homem fez, Hunnie? - Luhan indaga curioso, sem perceber que chamara o maior pelo apelido carinhoso que lhe dera tempos atrás.

- Uma proposta horrorosa, amor.....Meang tem uma filha chamada Nari, que segundo ele, se apaixonou perdidamente por mim ao ver umas fotos em uma revista. Aproveitando-se de tal fato, viu aí a oportunidade perfeita para alcançar mais rápido o seu objetivo, que era se apossar de todos os bens de nossa família. Sabendo da ambição desmedida do meu pai e que o mesmo não tinha lá muitos escrúpulos em se tratando de negócios, não se intimidou em ser direto na hora de tocar em seu ponto fraco: DINHEIRO!! Contou tudo à respeito da paixão avassaladora da filha por minha pessoa e quando viu os olhos brilhantes de SangHul, não perdeu tempo e mandou bala. Se ele apoiasse o casamento entre o filho caçula e a filha dele, as portas de entrada das maiores empresas de importações ocidentais milagrosamente se abririam aos seus propósitos e com isso milhões e mais milhões de dólares cairiam ininterruptamente em sua conta. Só tinha um problema.....

- Que problema?

- Você!!

- EUUUU?? - Luhan questionou, totalmente confuso. - Por quê, eu? O que eu tinha à ver com essa merda toda?

- Pensa bem.....Você era o noivo de Oh Sehun, o filho caçula de Oh SangHul!! Para que o plano desse mafioso safado desse certo, você teria que ser removido imediatamente do caminho, para que a filha dele pudesse tomar o seu lugar. Compreendeu a jogada?? Ao se tornar a Srª Oh, Nari automaticamente passaria a ter direito sobre as ações e tudo mais que fosse referente à empresa e isso facilitaria em muito a vida de ambos na hora em que fossem se apropriar de tudo. Na ânsia de se ver cada vez mais rico, meu pai não titubeou na hora de concordar com toda aquela sujeira. Sem que eu soubesse ele assumiu tal compromisso em meu nome e juntos por debaixo dos panos começaram a mexer os pauzinhos para nos separar. Para acelerar o processo, pai e filha contrataram um rapaz chamado Choi MinHo para se passar por um estudante e assim poder se aproximar de você. Coube à ele colocar em ação tudo o que haviam planejado.

- Meu Deus.....E eu caí feito um patinho!!

- Todos nós caímos, Lu.....Meu pai não tardou em descobrir as más intenções daquele homem detestável, pois mandara investigar a sua vida. Quando quis pular fora, viu-se ameaçado e obrigado à fazer coisas que não queria para não ter a família destruída e nem à beira da miséria. Sabe, Lu? Meus irmãos e eu sempre tivemos uma ideia completamente errada sobre o nosso velho. Nós sempre o achamos distante e incapaz de nos ama, pois não passávamos de uns estorvos dos quais ele sempre quisera se livrar.

 

Antes que Sehun desmoronasse bem diante de si, Luhan tratou de interromper as reminiscências alheias, pois sempre ouvira falar do pouco ou quase nenhum amor que o Sr. Oh sempre dispensara aos filhos e de como isso mexia profundamente com os sentimentos dos mesmos.

 

- O que o seu pai fez, Sehun? Qual a participação dele nessa cachorrada toda?

- Depois que teve a certeza de que estava sendo vítima de uma grande extorsão, ele não teve como voltar atrás, então se viu obrigado à fazer muitas coisas contra a sua vontade e a primeira delas foi me dizer na cara dura que tinha aceito a proposta do tal Meang em meu nome e portanto eu teria que me casar com a filha dele. Depois me avisou que faria um jantar em família, onde comunicaria à todos o meu noivado.

- E você, não fez nada? Aceitou tudo passivamente?

- Amor, eu fui pego de surpresa e logicamente fiquei sem chão.....Imagina receber uma notícia dessas, logo pela manhã!!

- Continua.....

- Então.....Nesse dia instruído pelo bode velho, meu pai ao me ver tão atônito, aproveitou-se da situação e começou à plantar minhocas na minha cabeça, sabe?

- Que minhocas, criatura? Tá falando, do quê?

 

Respirando fundo, o rapaz foi sincero em sua resposta, mesmo estando temeroso com a reação que o outro pudesse ter.

 

- Ele insinuou coisas horríveis sobre você.....

- Que tipo de coisas, Sehun? Seja mais específico, por favor!!

- Ele disse que você não gostava de mim e que estava comigo somente por interesse. Alegou que você tinha um amante e que ia ficar com nós dois.

- Jesus Amado!! Seu pai, é maluco? De onde, ele tirou isso? - Luhan questionou, indignado.

- Pois, é.....E tem mais!!

- Mais?

- Naquela mesma semana eu fui obrigado a levar a chata da Nari para jantar e no decorrer da conversa ele também começou à fazer insinuações fortes, além de alegar possuir em mãos provas irrefutáveis da sua traição. Eu fiquei louco de ciúmes.....Estava com acabeça cheia, não sabia mais em quem acreditar e tampouco podia te perguntar nada, pois fui orientado à não "espantar a caça." Confesso que fui fraco e deixei a sombra da madita dúvida se meter entre nós dois. Me arrependo amargamente por ter acreditado em todas aquelas mentiras, mas se eu tivesse me rebelado, talvez você não estivesse hoje aqui na minha frente.

- Hummmm?? Como assim??

- Sem que eu tivesse conhecimento, meu pai havia convidado algumas pessoas importantes da nossa sociedade para se juntarem à nossa família na noite do "tal" jantar, mas antes armara todo aquele flagrante.

- Prossiga.....

- Eu estava trabalhando no escritório quando Nari me ligou toda afobada e me disse que se eu quisesse te pegar com a boca na botija, era para encontrá-la em um determinado endereço e.....

- Então, foi isso!! - Luhan grita de repente interrompendo a narrativa alheia, após juntar juntar os fatos um à um. - Eu não passei de um mero pássaro indefeso indo em direção ao bote da cobra peçonhenta.

 

Virando-se imediatamente para o maior, o chinesinho não se contém e explode em lágrimas.

 

- Sehun.....Eu não te traí!! - Falou, entre soluços.

- Eu sei, amor, eu sei!! Eu é que fui burro demais.....

 

Após secar as lágrimas rapidamente com as costas da mão, o menor pede com a voz ainda embargada.

 

- Vamos, Sehun.....Continue!! Eu preciso saber de tudo.....Tudo!!

 

Embora também estivesse sendo muito duro para si reviver todos aqueles momentos angustiantes, o maior engolindo em seco continua o seu relato.

 

- Quando eu cheguei naquele local suspeito dei de cara com a minha família, com as tais pessoas importantes que acabei de mencionar, com Nari e o pai. Não vou entrar em detalhes, pois você mais do que ninguém sabe tudo o que aconteceu. - Sehun fala, olhando apreensivo para Luhan, que permanecia de olhos fechados. - Depois que todo aquele circo acabou, fomos para o "tal" jantar na casa do meu pai. Eu estava completamente anestesiado por dentro e bravo, muito bravo com você. Minha raiva era tanta, que acabei tomando a decisão que meu pai e o Meang esperavam. Naquela mesma noite para espanto total de minha mãe e meus irmãos, eu acabei pedindo a mão de Nari em casamento. Meu mundo havia acabado, quando eu te vi deitado totalmente nu naquela cama ao lado de um outro homem.

- Então, você se casou?

- Casei....Desde então, a minha vida tem sido um inferno ao lado daquela mulher insuportável!!

 

Após permanecer alguns minutos em silêncio, Luhan finalmente abre os olhos e fita o ex-noivo. Em seguida, pergunta-lhe seriamente.

 

- E por quê, você está me contando isso tudo agora? Por quê, se deu ao trabalho de vir até esse fim de mundo?

- Porque eu te amo!! Eu sempre vou te amar, Lu.....Ainda mais agora, que me deu dois filhos lindos!!

- E quem te garante, que eles são seus?? - O chinesinho indaga em tom de provocação, só para ver a sua reação. - Eu posso muito bem ter engravidado do MinHo ou de um outro homem qualquer, não é mesmo? Eu não era um puto vadio? Não tinha milhares de amantes?

 

Chateado por ver Luhan tão empenhado em atacá-lo, Sehun percebe que dificilmente será perdoado por aquele à quem tanto ama. Sabe que se isso acontecer, seu coração jamais voltará a ser o mesmo de antes, no entanto tem o dever e a obrigação de fazê-lo entender que ambos foram e ainda continuam sendo vítimas de uma trama que precisa ser urgentemente defeita.

Ao ver o chinesinho olhar insistentemente para o relógio pendurado na parede da sala, sabe que é chegado o momento final de sua explicação e portanto terá que se esforçar muito mais se quiser ser perdoado.

Em um ato súbito de coragem, aproxima-se do menor, ajoelha-se e toma as mãos pequenas e delicadas entre as suas e se perdendo no abismo intransponível que havia por detrás daqueles encantadores olhos escuros, mais uma vez abre o seu coração. Era tudo ou nada!!

 

- Lu.....Depois que eu me casei com Nari e a raiva que eu achava que sentia de você passou, é que eu percebi que havia cometido um erro gigantesco. Estava preso à uma mulher que não amava e às inúmeras lembranças de nós. Era frustrante acordar todas as manhãs naquela cama enorme e não ter você ao meu lado.

- Mas você tinha a sua mulher, oras..... - Luhan respondeu ásperamente, tentando encobrir o ciúme que sentiu ao imaginar o ex e a mulher despertando juntos.

- O quê?? Aquela louca? Amor, eu e ela nunca dormimos juntos uma noite sequer!! Na lua de mel ela bem que tentou me seduzir, mas mesmo estando chapado pelo excesso de bebida, resisti e falei poucas e boas para aquela megera. Desde o início eu fiz questão de deixar bem claro que não a amava e que portanto dormiríamos em quartos separados.

- E ela aceitou?

- Aaahhh, ela fez um escândalo danado, ameaçou tirar a roupa, mas eu não dei a menor confiança. Eu estava tão puto, que não quis saber se ela ia gostar ou não. Tudo o que sabia naquele momento, era que estava condenado a viver uma vida miserável. Durante todos esses anos tive que conviver com a saudade absurda que eu sentia de você e creio que ainda estaria nessa badtrip se não fosse pelo Jongin.

- O Jongin? Mas, o que ele tem à ver com tudo isso?

- Amor, foi ele quem descobriu tudo!! Você sabe muito bem que ele sempre foi curioso, né? Então.....No dia do "flagrante", ele ficou desconfiado do Meang. Você sabe como são os instintos dos advogados. Ele farejou alguma coisa no ar e sem que ninguém soubesse, começou a investigar por conta própria a vida de Ryu Meang e o que descobriu o deixou muito preocupado. Quando não deu mais para seguir sozinho em suas investigações, buscou a ajuda especializada de um detetive e desde então eles vêm juntando provas para colocarem esse canalha na cadeia. Se não fosse por meu irmão e à sua imesnsa curiosidade, nós nunca teríamos tomado conhecimento do perigo que vem nos rondando desde o início dessa história.

- Sei.....

- Eu estou falando muito sério, Luhan. Nari e o pai não vão descansar enquanto não tirarem você do caminho deles, ainda mais agora que descobriram que você tem dois filhos meus.

- C-como descobriram?? Eu nem conheço essa gente, então como eles podem pensar que eu os prejudicaria?

- Simples!! Se eu me separar de Nari por sua causa, o plano sórdido deles vai por água abaixo porque também dependem da minha assinatura para se apossarem de tudo, mas e se você morresse ? Eu ficaria completamente arrasado e certamente viraria um fantoche nas mãos daquele crápula.

 

Pela primeira vez, o chinesinho começou a levar à sério as explicações de Sehun. Com o coração aos saltos, tentava desesperadamente entender a sua participação ainda que indireta, naquele amontoado de horrores.

 

- Mas por quê, me matar? E as crianças, tadinhas?

- Porque só assim eles teriam acesso à minha total obediência. Lu, presta bastante atenção.....Nari é uma mulher extremamente ciumenta e muito, muito perigosa!! Como não estava conseguindo me manipular como queria, cismou de querer ter um filho comigo. Se tal coisa acontecesse, aí mesmo é que a minha família estava ferrada, pois como eu teria coragem de prejudicar o meu próprio sangue?

- Filho, é?? E por quê, você não quis?

- Amor, eu nunca considerei tal possibilidade, pois sempre sonhei em constituir uma família com você e não com uma outra pessoa qualquer. Quando Jongin nos reuniu e disse que além de ter descoberto toda essa safadeza, também tinha encontrado o seu paradeiro, eu quase morri de felicidade. Eu precisava te ver, falar com você.....Então um dia, eu e ele viemos aqui. Eu vi quando você chegou acompanhado de um cara baixinho e duas crianças. Só mais tarde com a ajuda de meu irmão, é que descobri que as crianças eram minhas.....Minhas!! Eu fiquei muito feliz, mas não por completo, sabe? Faltava olhar em seus olhos e ter a certeza do seu amor e do seu perdão.....Eu não te esqueci e nunca deixei de te amar.

- Sehun.....

- Espera, deixa eu falar por favor.....Eu amo você e amo as crianças!! Eu não permitirei que nada e nem ninguém faça mal a vocês.....Nunca mais!!

 

Bastante incomodado com toda aquela situação, Luhan levanta-se e caminha decidido até a porta, que escancara subitamente. Sua mente nublada pelas lembranças dos momentos difíceis que passara até ali, aliada à teimosia e ao orgulho gigantesco, não o deixava raciocinar com clareza à respeito de tudo o que ouvira até então.

 

- Falar que me ama e que não me esqueceu é muito fácil, Oh Sehun!! Onde você estava, quando eu grávido e desamparado precisei de sua ajuda? Onde você estava, quando nós quase morremos de frio e fome? Onde você estava, quando me vi sem saber o que fazer com meu filho doente nos braços?

- Amor.....

- Amor?? - Luhan indagou, possesso de raiva. - Você sabe ou tem a mínima noção do significado dessa palavra? Acho que não, porque se soubesse teria sido mais tolerante em seu julgamento precipitado, teria me dado a chance de explicar o que eu estava fazendo naquele lugar, mas não.....Você ficou com medinho da mídia te rotular de corno e achou melhor se desfazer de mim logo na primeira oportunidade, não é mesmo? Pois bem, você conseguiu!!

- Lu, não é nada disso!!

- Aí depois de quase cinco anos, você tem a cara de pau de paraecer e me contar essa história rocambolesca, achando que eu vou cair feito um idiota. Sabe o que mais me surpreende? É ver a minha própria avó e o Myeon te defendendo.....

- E quem é, Myeon?? O seu peguete? - Sehun questiona irado, por causa da teimosia alheia. - Ele é o cara, que estava com o MEU filho no colo aquele dia?

- Ele é o CARA que me ajudou, me estendeu generosamente as mãos, quando ninguém dava emprego a um jovem grávido....Quando mais ninguém se importava comigo. Se não fosse por ele, eu e as crianças provavelmente teríamos morrido, então não venha me falar de amor.

- Você o ama?

- Amo!! Amo como o bom e fiel amigo, que ele é!!

- Lu.....

- Sehun, eu acho que nós já dissemos tudo que havia para ser dito. Não quero reviver o passado e nem ficar remoendo dores desnecessárias, portanto pode ir embora. Como pode ver, estamos bem.

- Bem??

 

Sem dar chance para que o maior continue falando, Luhan vai se impondo e o minando ininterruptamente.

 

- Não se preocupe conosco, ok? Eu venho cuidando SOZINHO..... - Fez questão de enfatizar bem a palavra. - .....Da minha família há bastante tempo e não vai ser agora que vou precisar de sua ajuda.

- Lu, seja razoável, por favor!! Será possível, que você não ouviu nada do que eu disse até agora?

- Me poupe, Sehun!! Quem me garante, que isso tudo que você contou é mesmo verdade? Será que essa tal de Nari, é tão perigosa mesmo? Será que ela é tão maluca por você, à ponto de mandar matar duas criancinhas inocentes?

- Se eu fosse você não duvidaria da insanidade mental daquela criatura, sabe? Essa gente é capaz de tudo por dinheiro, Lu. Eu vim para levar vocês para um local seguro, até que eles sejam presos. Temos que andar depressa, porque quando Nari acordar vai querer se vingar imediatamente de nós e com toda certeza o Meang não vai perdoar o que fizemos com a filha dele.

- E o que foi, que vocês fizeram? Amarraram a coitada no porão?

- Não!! Nós a drogamos para que eu pudesse vir, antes que ela enviasse um assassino de aluguel atrás de vocês. Anda, amor.....Arrume algumas roupas suas e das crianças e vamos dar o fora. Não podemos perder mais tempo!!

 

Irritado com a ordem alheia, Luhan ainda tenta retrucar à altura, mas antes que pudesse fazê-lo, a porta se abre de repente e por ela entra MeiYing aos prantos.

 

- Luhan.....Sehun.....As crianças!!

 

Assustados com o estado psicológico da mais velha, ambos correm em seu auxílio. Após sentá-la no sofá, Sehun passa à questioná-la, enquanto o menor corre apressadamente até a cozinha em busca de um copo com água e açúcar.

 

- Vovó MeiYing, o que aconteceu? Cadê as crianças?

- Isso mesmo, vovó.....Onde estão os meus filhos? - Luhan indaga aos prantos, enquanto corre os olhos rapidamente pelo local.

- Não sei, meu filho.....Foi tudo tão rápido, sabe? - A idosa começa à se explicar, após beber um gole da água. - Estávamos na praça, quando de repente um carro preto estacionou na calçada e.....

- E o quê, vovó??

- De dentro dele saltaram dois homens e ambos vieram rapidamente em nossa direção. Me empurraram e levaram as crianças.....

 

 

 

 

 

 

 

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...