História Cinco motivos para viver! - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alice, Depressão, Drama, Henrique, Romance
Exibições 12
Palavras 2.309
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Famí­lia, Festa, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi, desculpem-me pela demoraaaaa!!!
Aconteceram alguns probleminhas do tipo uma virose inesperada e meu not não estar acessando a internet, mas eu consegui!!!
Boa leitura <3

Capítulo 3 - Código Morse


Fanfic / Fanfiction Cinco motivos para viver! - Capítulo 3 - Código Morse

Alice

Sensação boa...

 

 Acordei com o barulho do meu despertador, eu poderia voltar a deitar e esperar até um dos meus pais virem me arrastar até pra fora de casa, mas esse é um dia diferente. Me levantei e corri para o banheiro, ao sair de lá coloquei uma blusa branca com uma frase em uma língua que eu não conheço, qualquer conjunto de calcinha e sutiã que vi pela frente e comecei a procurar pela minha calça preferida, revirei meu quarto e não a encontrei, corri para a lavanderia, passei pelos meus pais na cozinha e dei um alto “bom dia”, revirei a lavanderia e ela também não estava lá, olhei atrás da geladeira, poderiam ter colocado para secar mais rápido mas não estava, voltei para o quarto e fechei a porta com força... E pendurada em um dos ganchos que havia na porta lá estava ela, minha calça preferida.

 Peguei minha mochila e fui direto para a cozinha, parecia que meu estomago estava engolindo minha barriga, se isso é possível? Não, mas se fosse essa seria exatamente a sensação. Cheguei à cozinha e meus pais estavam tomando café.

- Bom dia._ Gustavo disse enquanto passava margarina em uma fatia de pão.

- Bom dia!_ Falei animada.

- Que agitação é toda essa logo de manhã?_ Perguntou Thiago me olhando com um sorrisinho malicioso._ Não vá me dizer que me arrumou um genro._ Falou brincando... Ou pelo menos eu acho que foi brincando.

- Para de ser bobo, só acordei animada._ Fiz um sanduíche e comecei a comer.

- Coma mais de vagar, assim você vai passar mal._ Gustavo falou  enquanto me oferecia suco, aceitei.

- Eu preciso ir pra escola, ou você quer que eu me atrase? Afinal, já estou indo!_ Tomei um gole do meu suco, peguei minha mochila e sai correndo com meu sanduíche na mão.

 O clima não estava nem frio e nem quente, em minha opinião estava mais que perfeito. Cheguei na escola e me sentei na escadaria esperando dar o sinal, demorou um pouco o que me fez questionar que horas eu acordei.

 Como estava demorando, fui para trás da escola, sentei de baixo de uma árvore, peguei meu celular e comecei a futricar no facebook, nada de interessante, fui para o whatsapp, pior que o primeiro.

- Que tédiooo._ Murmurei sentindo todo o sono, que havia sumido quando acordei voltar.

 

Henrique

Outro dia novamente sem você.

 

 A aula começou e a Alice ainda não havia chegado, o professor de artes resolveu dar um trabalho, teríamos que nos fantasiar de algo que gostaríamos ou não de ser. Após acabar a primeira aula, Raphael veio falar comigo, eu ainda não havia falado com ele depois da morte de Violeta.

- Eaí, cara, tudo bem?_ Perguntou sorrindo._ Depois da aula a galera vai se reunir na lanchonete de sempre, aparece lá.

- Obrigado, mas eu não estou muito afim.

- Oh cara, eu sei que você está mal por causa da Violeta, todos nós estamos_ Mentira._ mas você deveria sair mais, se divertir mais, voltar a viver_ Disse me dando um meio abraço.

- Valeu, mas de toda forma eu tenho que começar a fazer o trabalho de filosofia com a Alice depois da aula._ Forcei um meio sorriso.

- Ah você vai fazer com ela?_ O professor chegou na sala._ Que azar, se eu fosse você ficava longe daquela garota, ela é esquisita._ Ele se sentou atrás de mim._ Você sabia que ela foi adotada? E pra piorar foi por um casal de viados, não me surpreenderia se ela aparecesse namorando uma menina, deve ser sapatona, tenho certeza._ Todas aquelas coisas que ele estava falando da Alice estavam me incomodando, ele nem a conhecia de verdade e qual o problemas dos pais dela serem homossexuais? Alice não é esquisita, só leva a vida de uma forma diferente, afinal, quem inventou a “normalidade”?_ Algumas pessoas já viram ela saindo de um consultório psiquiátrico, ela é doente mental, não devia estudar com a gente._ E eu achando que ele não chegaria no limite, mas ele chegou. Aquela foi a gota d’agua, apertei minha mão em um soco, me virei logo o acertando na bochecha, como o peguei desprevenido o mesmo caiu no chão. A sala ficou em silêncio.

- Nunca mais fale da Alice assim!_ Me levantei com raiva, aquela garota estava me salvando, eu deveria salvar ela também._ Ela não é louca e a Violeta também não era!_ Gritei mais alto, dessa vez pra toda a sala._ Vocês falavam coisas assim dela, vocês a humilharam, fizeram da vida dela um inferno, VOCÊS MATARAM ELA!_ A raiva e a tristeza me dominaram, o professor parecia tão surpreso quanto os alunos que não falou nada._ E agora ficam com esse papinho de que todos sentem a falta dela, que ela era uma boa pessoa, mas eu sei, EU SEI A VERDADE!_ As lágrimas começaram a cair em uma mistura de sentimentos._ Vocês só estão se sentindo culpados e acham que falando coisas bonitas sobre ela vai aliviar a culpa que sentem, mas isso não vai acontecer! E o pior é que estão tentando matar a Alice também, mas isso não vai acontecer, eu não vou perder mais ninguém por causa de vocês!

 Peguei meu celular de cima da mesa e saí da sala, ao fechar a porta com força e me virar para seguir caminho encontro Alice sentada no chão com um olhar atordoado, me surpreendi, não esperava vê-la ali e pelo visto ela ouviu tudo.

 - Obrigada._ Ela disse se levantando, logo me abraçou.

- Vem, vamos sair daqui._ Falei indo com ela até o terraço da escola.

- Obrigada por defender eu e Violeta. Eu queria ter conhecido ela, talvez poderíamos ter sido amigas._ Sorri ao imaginar as duas juntas.

- Com certeza vocês teriam se dado bem, vocês são parecidas._ Nos sentamos no chão.

- Você sente muita falta dela, não é?_ Perguntou me encarando.

- Sim, ela era... Ainda é alguém muito especial para mim, me sinto mal por não ter a ajudado... Deve ter sido por isso que ela não me deixou nenhuma explicação nem nada do tipo... Nem uma carta._ Fiquei encarando os meus pés. Alice ficou quieta, o que eu estranhei, mas logo voltou a falar.

- Você tem certeza?_ A olhei confuso._ Você já foi no quarto dela depois que tudo aconteceu?

- Não...

- Se você estiver pronto podemos ir lá, mas se sentir desconfortável podemos ir outro dia._ Falou receosa. Eu não estava confortável para ir até lá, mas a verdade é que eu nunca estaria e se houvesse uma possibilidade, mesmo que muito pequena, de a Violeta ter deixado uma carta para mim ou o que quer que fosse, eu queria descobrir.

- Está tudo bem... Vamos._ Falei me levantando, ela me olhou confusa.

- Ainda estamos no segundo período.

- Tuas coisas já estão aqui, vai lá na sala assim que bater e pegue as minhas coisas, eu te espero atrás da escola, eu sei uma forma de sair daqui._ Falei, ela concordou e ficamos esperando por mais uns cinco minutos até que bateu o sinal e ela saiu correndo em direção a sala enquanto eu fui para trás da escola.

 Alguns minutos depois ela apareceu, atrás da escola havia um pequeno bosque, um pouco mais adentro tinha uma grade separando o bosque da rua, o que a diretoria não sabia é que havia um buraco na cerca, o suficiente para passar uma pessoa. Caminhei até lá e a morena me seguiu, segurei a grade e a puxei para cima, fazendo sinal para a garota passar e assim ela fez, sujando um pouco os joelhos, a ouvi resmungar, logo passei as nossas mochilas, ela segurou a grade e a puxou para eu passar. Já do lado de fora, fomos caminhando até a casa da Violeta, ficamos em silencio, mas Alice logo voltou a falar.

- Tá nervoso?_ Ela lê mente?

- Um pouco... Muito._ Falei suspirando. Me surpreendi quando ela abraçou o meu braço e encostou sua cabeça no meu ombro.

- Está tudo bem, você não está sozinho._ Ela sussurrou alto o suficiente para eu ouvir e essa foi a primeira vez em uma semana que eu não me senti sozinho. Caminhamos assim por um tempo até chegarmos na casa da Violeta, senti meu estomago revirar, a nostalgia bateu e as lágrimas apareceram, tentei disfarçar, tentei. Batemos na porta e a senhora Evilin abriu a porta, surpresa.

- Henrique, a quanto tempo._ Sorriu tristemente.

- Oi... Desculpa por eu não ter vindo lhe visitar... É difícil._ Falei olhando para baixo. Ela me abraçou.

- Eu entendo, querido._ Logo nos separamos._ E quem é essa menina bonita?

- Ah, oi, me chamo Alice._ Sorriu envergonhada.

- A gente queria saber se... Poderíamos ir até o quarto da Violeta._ Falei receoso, ela me olhou surpresa.

- Você tem certeza?_ Assenti, um pouco mais determinado._ Tudo bem, podem entrar, você sabe o caminho, eu tenho que cuidar o bolo que está no forno.

- Obrigado._ Falei indo até o quarto dela, Alice me seguiu, ao chegar em frente ao quarto a garota me encarou.

- Tá pronto?_ Perguntou pondo a mão no meu ombro. Eu não estava pronto.

- Sim._ Menti. Abri a porta e encontrei tudo da mesma forma que sempre foi, nem parecia que ela havia partido. Seu cheiro ainda estava ali, algumas lágrimas começaram a cair, tentei segura-las mas foi inútil.

- Só nós dois estamos aqui, você pode chorar na minha frente._ Alice falou, mexendo em algumas gavetas da estante.

 Deixei as lágrimas caírem mesmo contra vontade e comecei a procurar por alguma coisa que nem eu sabia o que era.

 

Alice

Cartas de dor...

 

 Ficamos um tempo procurando por alguma coisa, mas não encontramos nada, comecei a mexer nos livros dela, ela tinha muito bom gosto, peguei um livro, ele tinha uma textura diferente, madeira? O abri e vi que era um “livro falso” dentro dele tinha vários papéis com pontos e traços, não entendi na hora, mas percebi que eu já havia visto aquilo em algum lugar, e aí lembrei do meu trabalho do politécnico, isso é código morse.

- Henrique!_ O chamei entusiasmada._ Encontrei alguma coisa!

 Ele se aproximou alegre, mas logo ficou confuso quando viu o que eu tinha.

- O que é isso?_ Perguntou.

- Isso é código morse!_ Falei animada._ Fiz um trabalho sobre isso o politécnico. Olha isso.

Mostrei um dos papéis pra ele:

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- Não sei oque está acontecendo comigo não quero mais viver mas tenho medo de morrer e deixar o Henri sozinho será que ele me perdoaria?_ Traduzi o que estava escrito para ele, logo o encarando._ Você está bem?

- Si-Sim._ Gaguejou, o abracei fazendo o choro se intensificar.

- Quer que eu leia as outras pra você?_ Ele assentiu._ Não aguento mais ouvir as piadinhas e as mentiras que inventam sobre mim, as vezes me batem, mas eu não sei o que fazer. Por que me incomodam tanto? Eu queria contar para ele, mas não quero incomodar, não quero preocupar, eu consigo aguentar, certo?_ Peguei outra folha._ Eu nunca fui a melhor filha, irmã ou amiga, nunca fui melhor, nunca fui o suficiente, eles mereciam alguém melhor, você merecia alguém melhor, Herique._ Outra._ Não sei o que fazer, não aguento mais, nada da certo, eu não sei o que posso fazer, mas se fizer o que quero peço perdão a todos, Henrique eu te amo._ O olhei, ele estava muito abalado._ Quer continuar depois?_ Ele negou, peguei outra folha e continuei, peguei a ultima folha._ Se eu estiver morta quando ler isso peço desculpas, eu estou desesperada e não sei o que fazer, quero acabar com essa dor, essa angustia. Henrique por favor não fique bravo, viva bem e mesmo sabendo que é muito egoísmo da minha parte, por favor, nunca se esqueça de mim, mesmo se for só nos fins de semana ou uma vez por mês, mas não se esqueça de mim, eu não quero ser esquecida. Mãe, pai, eu amo tanto vocês, mas não dá, eu sinto que só estou atrapalhando, vivam bem, eu amo tanto vocês. Henrique seja feliz, encontre alguma namorada e desencalha, torço por você, seja feliz, eu te amo._ Quando acabei de ler o abracei, ficamos um tempo assim até a mãe da Violeta aparecer, ele se levantou e foi abraça-la.

- Ela te ama, ela ama todos vocês._ Os dois começaram a chorar e senti meus olhos lacrimejarem._ Ela só tinha medo... Ela só queria acabar com a dor... E eu não pude fazer nada.

- Vo-Você não tinha o que fazer... Ela... Ela não pediu ajuda, ninguém pôde fazer nada..._ A mais velha gaguejou chorando.

 Violeta não queria morrer, mas o medo, a dor, os xingamentos de pessoas egoístas que não a entendiam a fizeram fazer o que fez. Ela era a vítima mas estava tão apavorada que não queria que as pessoas que ela amava se sentissem do mesmo modo. Mal sabia ela que fazendo o que fez só fez as pessoas que amava se sentirem piores. 

“Pobre garota torturada pelo mundo que um dia ela tanto amou”.


Notas Finais


Oii galeraaa, o que acharam?? Se vocês acharem que está indo muito rápido ou tiver algum erro me avisem por favor! <3

Queria deixar aqui duas curiosidades:
* Todas as fotos (menos a de capa principal) são de minha autoria.
* Estou fazendo um trabalho do politécnico sobre o códgio morse e me encantei tanto por isso que resolvi pô-lo na fic <3


E aqui quero agradecer a todos os que estão acompanhando a fanfic, principalmente ao JMJunior, meu primeiro leitor <3


E por fim dedico esse capitulo ao projeto de Ken Paraguaio que me ajudou nas práticas do meu trabalho sobre código morse, sem ele eu iria fazer uma prática muito lixo, brigada Tiago \o/


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