História Cinza E Vermelho Carmesim - Capítulo 2


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Cersei Lannister, Eddard Stark, Jaime Lannister, Jon Snow, Tyrion Lannister, Tywin Lannister
Exibições 67
Palavras 1.920
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Capítulo 2


- Não minha senhora, você não está doente. Está grávida.

 

Grávida. A palavra ainda retumbava em seus ouvidos como o som de cornetas e tambores anunciando uma guerra. Não que ela estivesse infeliz, muito pelo contrário aliás. Um corvo de Rochedo Casterly tinha chegado há cerca de dois dias em Winterfell e, pela primeira vez em muitos anos, Cersei conseguia sentir a satisfação de Lorde Tywin através das palavras escritas na carta. E uma certa decepção também.

 

Você é minha única filha, Cersei. Espero que não me decepcione. Seus irmãos tem me envergonhado por toda a vida como ela é. Continue fazendo o seu dever e dê filhos a este homem. Dê-lhe filhos com sangue Lannister.

 

Jaime tinha recusado a pretensão de herdeiro de Rochedo Casterly para continuar servindo na Guarda Real. Regicida era como o chamavam depois de sua traição a Aerys e sua fama como desonrado e traidor corria à solta pela corte. Mas Cersei sabia que uma vez que juramentos são feitos jamais podem ser quebrados novamente, não importasse o quanto o senhor seu pai se irasse.

 

E Tyrion... bem, era apenas Tyrion.

 

Aquela não foi a primeira vez que imaginou em como seria se fosse um homem forte e poderoso, montado num cavalo com a espada sangrenta empunhada em mãos e o suor da batalha escorrendo pelo rosto. Ela daria um herdeiro, um guerreiro melhor do Jaime ou Tyrion. Seu pai teria tanto orgulho dela quanto de qualquer um deles. Mas o destino tinha preparado algo diferente para Cersei da Casa Lannister, quase como uma brincadeira cruel... Era uma mulher bela que sonhava em ser livre como um homem. Que deveria apenas agradar e sorrir a quem fosse mandada; e a única batalha que travaria na vida seria na cama de parto e nada além disso.

 

Mas estes eram sonhos de liberdade que foram abandonados há tempos, ainda quando criança. Sua guerra agora, percebeu ao alisar a região do ventre, era outra. Mais violenta e difícil do que um simples joguinho de espadas.

 

Depois que meistre Luwin lhe deu a notícia, uma felicidade imensa lhe tomou o coração. Seu primogênito seria o sucessor de Winterfell, um grande senhor e guerreiro do norte. Cersei não deixaria que nada e nem ninguém tirasse isso dele.

 

Nem mesmo o bastardo Jon Snow.

 

Ela ainda se lembrava de quando o tinha visto pela primeira vez, dois dias depois à noite de núpcias. A criada responsável pelo pequeno bastardo tinha uma das tetas para fora da roupa, sorrindo ao vê-lo sugar o leite com uma fome voraz. O desgosto foi presente em suas feições diante da cena, apesar de ser o certo: leite da criada para o bastardo. Seu filho não teria qualquer amamentação, ela própria se encarregaria disso. 

 

- Saia.

 

A criada frazina arregalou os olhos com o susto, mas não moveu um dedo.

 

- S-senhora... Perdoe-me se não a vi. O pequeno Jon precisa ser amamentado aqui, ainda é muito frio lá fora e...

 

- Não me interessa do que o bastardo precisa, só saia logo de uma vez ou terei que chamar o seu senhor para tirá-la daqui?

 

A mulher hesitou por alguns segundos antes de deixar Jon no berço contra a sua vontade e sair. O menino logo tratou de começar a chorar quando a teta foi tirada de sua boca e balançava os braços irritado.

 

Mas Cersei estava perdida demais em seus próprios pensamentos para lidar com isso. Seus olhos correram pela face chorosa de Jon e os lábios cheios se torceram em desprezo.

 

- Tão novo e já reclama do que não tem direito, bastardo? Deveria agradecer que não está no bordel mamando das tetas da puta da sua mãe. - seus dedos se fecharam em um beliscão nas perninhas de Jon, fazendo-o gritar ainda mais. - Não tem direito a nada aqui e será tratado do jeito que merece.

 

Cersei não sentia um ódio ou ressentimento particular do garoto a ponto de querer mandá-lo embora ainda um bebê, porque sim, se ela desejasse essa criança estaria longe destes portões ou até mesmo morta. O que Eddard andara fazendo nos bordéis com as putas durante a guerra e antes de se casarem não era problema seu, mas nem por isso ele iria humilhá-la diante de seu povo fazendo-a criar um bastardo como um de seus filhos. Indiferença e repugnância era nada mais e nada menos do que ela sentia por Jon Snow.

 

Não era novidade para nenhum dos criados saber que jamais deveriam falar de Jon como filho de Lorde Eddard na presença de Cersei, por mais que ele realmente fosse. O medo da mulher Lannister era ainda maior do que o do seu próprio senhor. Tanto os servos quanto as servas tinha visto aquele olhar ameaçador e arrogante nas feições de Cersei no dia de seu casamento dirigidos a eles. Ela tinha certeza de que havia um dedo de Tywin Lannister nisso, não que ela realmente se importasse. Seu pai queria ter toda a certeza possível de que nada e nem ninguém tomasse o lugar de seu futuro neto como senhor e protetor do norte. E Cersei não pensava diferente. 

 

O sangue Lannister marcará o Norte dessa geração adiante, custe o que custar.

 

Nem que para isso, ela precisasse tomar medidas drásticas. E desde cedo, pensou ao afastar os dedos da pele vermelha de Jon, já é um ótimo começo.

 

Assim que a criada voltou novamente ao seu chamado, exclamou de surpresa ao ver o maltrato nas pernas de Jon, que ainda esperneava irritantemente. Seus olhos se voltaram para Cersei numa acusação silenciosa, mas a boca permaneceu fechada.

 

Foi a deixa perfeita para a leoa de Rochedo Casterly fazer o que sempre fez de melhor...

 

- Se o seu senhor questionar sobre isso, diga-lhe que foi um acidente com um de seus brinquedos, cera quente ou que for. Nem mais e nem menos, caso contrário eu mesma me assegurarei de ter ver portões à fora deste castelo ou pior.

 

O aceno de cabeça trêmulo da mulher foi o suficiente para fazer Cersei sorrir em aprovação.

 

Quando uma leoa ruge, não há quem não a tema.

 

**********

 

Seus sonhos naquela noite foram atormentados por uma cama de parto, gritos e um bastardo de olhos cinzentos. Os gritos ficaram sufocados na garganta assim que abriu os olhos dilatados pelo medo. Sentou-se lentamente na cama sentindo a fina camada de suor frio escorrer pela testa e nuca.

 

Se ela dissesse que desejava não abraçar a mãe mais do que tudo naquele momento, estaria mentindo.

 

Tia Genna tinha sido o mais próximo de uma mãe que Cersei teve depois que Joana Lannister faleceu. Mas ainda assim, o jeito arisco e afiado da mulher lembravam muito seu pai, além de assustar até mesmo seu marido Frey com quem se casara. Infelizmente, para a vergonha da família Lannister, seu primo Cleos saíra ao mesmo modo Frey do pai, com sua feiura e sangue de covarde. De qualquer modo, mesmo depois de anos, o peito continuava a remoer aquela dor de perda. Mais do qualquer outra pessoa.

 

Ela se recordou de como Jaime fora o primeiro a superar a morte da mãe. Depois de algumas semanas, ele já não chorava mais no meio da madrugada ou aparentava aquela tristeza profunda a ponto de passar dias sem comer ou sair do quarto como ela e Tywin faziam. Mais uma vez, Cersei se permitiu saborear aquela diversão amarga que era a sua relação com seu pai. Ambos só tinham semelhanças nos aspectos mais sombrios e dolorosos.

 

Contudo, ela e Jaime se uniram ainda mais se possível no período de luto. Ele próprio alegava que já não se lembrava tanto de Joana quanto antes, mas o pouco que se recordava era sempre associado a ela. Não me sinto mais triste agora; ele tinha lhe segredado numa noite, tempos depois do luto, com sua voz aguda de criança. Todas as vezes que olho para você, sinto como se estivesse olhando para a mamãe. Daí não me sinto mais sozinho.

 

Ah Jaime, eu sinto tanto sua falta... As lágrimas que seus olhos se permitiram derramar eram por ele. Seu irmãozinho, sua outra metade idêntica.

 

Sua mãe teria orgulho dela pela sua gravidez. Cersei se esforçaria o máximo para ser tão boa como Joana Lannister tinha sido. Uma verdadeira leoa, feroz e protetora com seus filhotes. Suas mãos automaticamente alisaram seu ventre e um medo desconhecido lhe fez tremer. Sua barriga estava ainda lisa no momento, mas depois estrias viriam para marcá-la permanentemente. Aquilo a frustrava de qualquer modo, mas era um preço a se pagar para que seu menino nascesse saudável e forte.

 

Isso se for mesmo um menino. 

 

Ao seu lado, um braço se estendeu colocando uma mão quente sobre a sua e um sussurro saiu quase inaudível na escuridão noturna:

 

- Então a senhora está mesmo grávida...

 

Cersei sentiu os longos dedos correrem pela barriga, perigosamente perto de sua roupa de baixo sobre a camisola. Um calor inesperado surgiu de suas entranhas, dissipando todo o frio. Suas memórias se voltaram para sua noite de núpcias, onde fora tocada pela primeira vez por um homem. Homem que no caso, era seu marido, Eddard Stark.

 

Eddard não era galante e muito menos delicado. Seus toques eram um pouco brutos, mas nunca violentos. Eram gentis e precisos o suficiente para deixá-la molhada e quente como o sol de Dorne. Cersei engoliu em seco; não iria ceder aos desejos do homem outra vez senão quando necessário. Ela não o amava e jamais o faria para tal coisa. Seus pensamentos sumiram assim que ele questionou:

 

- Por quê não me contou?

 

- Achei que Meistre Luwin poderia te informar em meu lugar. - o velho é  tão linguarudo que não teria nenhum problema em fazer isso. - O senhor já o sabe de qualquer modo...

 

- Acha que será um menino ou uma menina?

 

A pergunta pegou Cersei de surpresa. Ela estava claramente esperando um menino, visto que ele seria o herdeiro de Winterfell. Mas o por quê de ansiar por um menino era na verdade, o medo. Ela tinha ouvido certas vezes, através das fofocas que corriam por Lannisporto, senhores que matavam suas filhas ainda recém nascidas por puro desprezo e raiva de serem as primogênitas. Se Eddard era capaz de tal atrocidade, ela não sabia, levando em conta os costumes selvagens do povo nortenho...

 

Além disso, todos acreditavam que a esposa que gerasse um homem logo no primeiro parto, era considerada uma mulher com um bom sangue de linhagem e um bom ventre. Cersei tinha certeza de que até nisso Lorde Tywin queria ser bem visto pelas outras casas.

 

- O senhor não se importa? Caso seja uma menina? 

 

Agora era a vez de Eddard ficar surpreso. Ele a encarou por alguns instantes antes de dar uma pequena risada em resposta.

 

- Eu não me importo, desde que tenha ao menos um menino por hora. Um lobo acolhe sua matilha seja ela como for.

 

E a leoa cria seua filhotes para serem ferozes e fortes, sejam eles como forem. O pensamento a fez sorrir por um momento, antes de se virar para Eddard:

 

- Tenha uma boa noite senhor.

 

- Você também, minha senhora.

 

Depois disto, seus sonhos foram recheados com doçura em terras distantes e ensolaradas, no topo de Rochedo Casterly, com Jaime e sua mãe ao seu lado. Seus sorrisos brilhavam mais do que os raios de sol quando corria juntos pelos campos de flores.

 

Ao longe, porém, um lobo gigante e cinzento a observava.


Notas Finais


Mais uma vez, apenas lembrando: Jaime e Cersei nesta fanfic não tem nenhuma relação incestuosa.


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