História Clã dos Dragões - A princesa perdida - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agua, Cavaleiros, Clã, Dragões, Fantasia, Fogo, Magia, Princesa, Reino, Terra
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - O interrogatório na taverna


 


Me levantei do chão e resolvi procurar o cordão, que poderia ter caído pelo caminho. Mesmo que corresse o risco de algum homem de preto me encontrar, eu não me importava mais, só gostaria de encontrá-lo. Dei uma espiada por detrás da parede da casa para ver se via alguém e dei uma boa olhada no chão para ver se via alguma pedrinha verde caída pelo caminho. Percorri o mesmo percurso que havia feito para sair do mercado velho, na esperança de encontrar meu colar. Ficava o tempo todo olhando para o chão. Ao atravessar um dos lados de uma casa, me deparei com dois homens, logo que dobrei a esquina. Era o cavaleiro loiro, junto com seu colega dos olhos castanhos curiosos.

- O que é que vocês querem? - eu perguntei, mas nem esperei a resposta. - Se vieram atrás do colar, perderam tempo. Eu o perdi e a culpa é de vocês! - disse apontando para os dois rapazes. Antes deles começarem a falar eu continuei. - Não, a culpa é do comerciante! Droga! A culpa é minha, por ser tão idiota! - conclui levando as mãos ao rosto.

- Não chore, senhorita. - disse o moreno delicadamente. - Petrus. - ele chamou o colega.

O cavaleiro de cabelos claros,pegou uma bolsinha pendurada no cinturão, onde também ficava pendurada a espada e outros armamentos. Ele sacudiu a bolsinha na palma de sua mão e de lá caiu o colar de esmeralda. Eu me deslumbrei ao ver novamente o meu amuleto.

- Está falando desse colar? - ele estendeu a corrente à minha frente.

- O colar! Vocês o encontraram. - eu avancei pra cima do colar e o peguei de volta.

- Na verdade, você não o perdeu. - ele disse apoiando-se na parede e cruzando os braços. - Eu o peguei do seu bolso enquanto ainda estávamos naquela confusão do mer...

- Como é que é?- eu o interrompi irritada. Depois me senti confusa. - Mas como é que você...Aliás, por que fez isso?

- Bom, eu não sabia quem estava falando a verdade, então, por via das dúvidas, eu peguei o objeto para ser averiguado posteriormente por um de meus homens.

- E foi através desse objeto que nós a encontramos. - completou o cavaleiro de cabelos encaracolados.

- Como assim? - eu quis saber. Talvez fosse alguma característica peculiar do colar misterioso.

- Usamos uma técnica de faro. - ele comentou e depois mudou de assunto, como se não quisesse mais prolongar a conversa sobre o assunto. - Falando nisso, fiquei impressionado com a sua agilidade. Num piscar de olhos, desapareceu da nossa vista. - falou o cavaleiro moreno, dando um sorriso descontraído. - Ah, me desculpe. Nem me apresentei. O meu nome é Miguel Lupini. - ele esticou a mão direita pro meu lado, em sinal de cumprimento. Eu apertei a mão do jovem. - E esse é meu amigo, Petrus Valoar. - ele apontou para o rapaz loiro que estava escorado na parede da casa, de braços cruzados e assim ele permaneceu. Não fez menção em me cumprimentar, porém, fitava meu rosto incessantemente, como se estivesse analisando algo. O mesmo olhar que o seu colega moreno direcionara a mim, anteriormente, na confusão do mercado. Gostaria de saber porque ambos ficavam olhando como se tivessem perdido algo no meu rosto, mas ao mesmo tempo, não queria estender conversa, ainda mais porque ficavam me olhando estranho, como se eu fosse de outro mundo.

- Eu sou Lily. Só Lily. - pigarreei. - Então, eu preciso ir. Foi um prazer conhecê-los. - dei um sorriso amarelo e dei as costas a eles, indo embora.

O fato é que, não tinha sido um prazer conhecê-los. Os caras se intrometeram onde não foram chamados. Acharam que eu tinha roubado um colar, que na verdade era meu. Não me perguntaram o que tinha acontecido, ainda por cima, pegaram o cordão do meu bolso sem o meu consentimento e me fizeram acreditar que tinha o perdido. Quem eles pensam que são? pensei, enquanto me afastava dali.

- Ei, espere aí! - exclamou Petrus. - Lily, só Lily. - ele disse, aparatando - se em minha frente, com um sorriso debochado. - Você não pode ir embora assim.

- Queríamos lhe pedir desculpas pelo acontecido. Não é mesmo, Petrus? - Disse Miguel. Os dois se entreolharam. O loiro não disse nada, apenas deu de ombros.

- Ok. Desculpas aceitas. Mas eu preciso realmente ir. - meu estômago roncou. Coloquei as mãos sobre a barriga, de modo a abafar os ruídos do estômago. Não tenho certeza se funcionou, mas de qualquer forma, não gostaria que eles ouvissem. - Eu tenho algumas coisas para resolver. - disse, voltando a seguir meu caminho. De fato, eu realmente tinha outras coisas para fazer e a me preocupar. Precisava encontrar um trabalho, precisava comer, pois eu não tinha me alimentado direito e já estava com fome. Precisava encontrar um lugar para dormir e me banhar. Já disse que precisava comer?, matutava com meus pensamentos.

- Está com fome? - perguntou Miguel. Droga, ele ouviu meu estômago roncar!, pensei. - Estávamos indo comer agora. Gostaria de se unir a nós, senhorita? - convidou ele. Miguel Lupini demonstrava ser um cavalheiro. Mas será que isso era suficiente para começar a confiar nele? Fui inocente o bastante, talvez até tonta, ao confiar no comerciante que tentou me roubar. Agora desconfiava de tudo e todos.

- Está desconfiando de nós! - Petrus disse, apontando para mim, como se lesse a minha mente. - Devia ter desconfiado do comerciante picareta, não de nós. Sabe com quem está falando? - ele perguntou me encarando com as suas lagoas azuis, que eram seus olhos. Petrus Valoar era um rapaz realmente muito bonito, porém muito mal humorado e metido à besta. Diferente do seu colega, Senhor Lupini, que era super educado.

- Você quer estragar tudo? - sussurrou Miguel para Petrus e o loiro revirou os olhos de impaciência.

- Desculpe o meu amigo. - Miguel comentou. - Ele quis dizer que, não há com o que se preocupar. Nós somos cavaleiros da Guarda Real das Terras do Norte.

- Viemos a serviço do rei. Nós somos a ordem aqui.- disse o loiro presunçoso. - Queríamos apenas fazer umas perguntas, de praxe, sobre o ocorrido no mercado. É o nosso trabalho.

- Mas é só isso? E aí vocês me deixam em paz? - perguntei aos rapazes. Petrus concordou com a cabeça, mas Miguel  ficou com cara de dúvida.

- Então, podemos conversar em um lugar mais tranquilo? - sugeriu Petrus.

- Tá legal. - concordei por fim.

Os dois seguiram até onde haviam deixado seus cavalos amarrados. Desamarraram os bichanos e continuaram a caminhada a pé. O que me levou a pensar que não iríamos longe. Agradeci mentalmente por não precisar subir em um cavalo.

Enquanto seguíamos para um lugar mais calmo, observei a admiração dos moradores da vila, com a presença dos cavaleiros. Os senhores da vila faziam reverência a ambos, principalmente Petrus Valoar, como se ele fosse o próprio rei. Não é à toa que era tão convencido. Deviam ser muito leais e muito importantes ao reino. Jovens nas janelas, olhando, encantadas. Outras suspiravam ao passar por eles e deixavam cair lenços no chão para que um dos cavaleiros pegasse e devolvesse. Era um costume, para atrair pretendentes. Sinceramente, estava achando aquilo um pouco exagerado e muito apelativo. A primeira vista também ficara impressionada com tal beleza da dupla, mas tentei disfarçar ao máximo.  

Eles eram rapazes bonitos? Definitivamente! Eram rapazes diferentes dos que estávamos acostumados a ver? Com certeza! Bem - apessoados, trajes de couro bem reforçado. Cabelos limpos e bem penteados. E eu, me sentia em farrapos, ao lado daqueles homens elegantes, pensei.

Miguel parecia um tanto quanto sem jeito com a recepção que estavam tendo ali. Dava alguns sorrisos singelos. No entanto, Petrus parecia não se importar. Ele estava compenetrado. No que será que pensava, que o deixava até com a testa franzida?, pensei. Naquele momento em que o olhara ele olhou- me de volta. Senti meu rosto corar. Não penso que ele me fitava por beleza, diante de tantas moças bem arrumadas que caminhavam pelas ruas. Mas seu olhar me intrigava.

- Estou faminto! - Miguel comentou, quebrando o gelo.

- Acho que se demorasse mais um pouco para se decidir, eu cairia desmaiado de fome. - Petrus se direcionou a mim, sorrindo.

Paramos em frente a uma taverna. Eu fiquei observando a entrada do local, enquanto os rapazes amarravam seus cavalos a um tronco. Então, entramos ao recinto e era um falatório total de homens grandes e carrancudos. Eles gritavam, comiam e bebiam ao mesmo tempo.

- Senhor Valoar? - eu o chamei e ele me olhou. - Este era o lugar mais tranquilo ao qual se referia?

- Espero que se sinta à vontade, senhorita. - Petrus disse com um sorriso sarcástico.

- Tendo comida é o que importa. - eu comentei quando vi uma mulher passar com uma bandeja de carnes de sol e pães. Depois me direcionei a Petrus, que me olhava surpreso.

Quando a comida foi posta a mesa, não me contive em olhar tudo o que havia e fui pegando um de cada, como se não houvesse o amanhã.

Pelo deus Khah! Eu estava comendo como uma desesperada. Quando estou nervosa, comer sempre me tranquiliza, pensei.

- Bom, vamos começar a perguntas. - disse Miguel, entrelaçando suas mãos em cima da mesa. - Como chegou ao mercado da vila? A que propósito?

- Bem, eu morava em um casarão no pontal de Irídia, o orfanato Paravel, que era quase fantasma, pois ninguém nunca ouvira falar dele. - eu disse colocando um pedaço de pão na boca. - Mas quando atingi a maioridade, eu não poderia continuar lá, então vim para a Vila à procura de um trabalho.

- Nunca fale de boca cheia! - Petrus disse. E antes que eu abrisse a boca para retrucar, ele continuou: - Nem se estiver tapando a boca com a mão. Pois, ainda é errado. - concluiu relatando o que eu havia feito.

- Senhor Valoar, estamos em um interrogatório ou uma aula de etiqueta? - perguntei, dando um sorriso. Percebi que minha resposta o deixara nervoso, mas ele não revidou, simplesmente sorriu.

- A senhorita tem um apetite de leão. Me pergunto para aonde vai isso tudo? -comentou Petrus ao me ver comendo.

- Eu gosto de comer, tá legal? - disse dando uma golada de suco. Me virei para falar com Miguel. - O seu amigo é tão chato. Como você aguenta? - apontei com o polegar para Petrus que sentava - se ao meu lado na mesa redonda.

- Então, senhorita Lily - pigarreou Petrus e prosseguiu com a próxima pergunta - Com quantos anos você chegou no orfanato? - finalizou.

- Isso é realmente necessário? - eu falei, em relação a pergunta anterior. Os dois se entreolharam e depois olharam para mim assentindo. Sinceramente, não vi relação entre essa pergunta e o que acontecera no mercado. Mas respondi, desgostosa. - Cheguei com 8 anos, mas nem adianta vocês perguntarem mais nada sobre isso, pois eu não me lembro do que aconteceu antes desses 8 anos. Para ser sincera, nem o meu nome eu lembrava, por isso, me denominei de Lily. A flor que mais gosto. - respondi.

- Chegou ao orfanato com 8 anos. Interessante. - esboçou Miguel, colocando a mão direita sobre o queixo, pensativo.

- O seu cabelo é ruivo mesmo ou você o tingiu? - Petrus perguntou de súbito, olhando para os meus cabelos.

- Afinal, o que isso tem a ver com o acontecido? - disparei.

- Verdade. As semelhanças são incríveis, mas o cabelo ruivo é uma característica a se pensar. - disse Miguel.

- Nada que a ciência não possa nos explicar. Ou a magia. - Petrus falou. Eles conversavam entre si, me ignorando e eu queria realmente saber do que eles falavam. Fiquei muito irritada, por estar sendo completamente ignorada por ambos, que conversavam sobre algo que eu nem ao menos, podia entender.

- Fiquem quietos vocês dois! - exclamei batendo as mãos na mesa e me levantei. Observando que todos da taverna me olhavam, inclusive os dois rapazes, me contive e voltei a me sentar na cadeira. - Vocês vão me explicar o que está acontecendo aqui ou vão continuar me ignorando? - falei por fim.

- Pelo visto, no quesito "dar ordens" ela se dará muito bem. - comentou Petrus a Miguel, após ver minha reação.

- Desculpe senhorita, devíamos ter contado a verdade desde o começo. - Miguel pigarreou.

- Que verdade? - indaguei.

- Nós viemos a mando do rei... -disse Miguel.

- Vocês já disseram. - retruquei.

- E o rei está a procura de uma garota perdida, a princesa Elinor... E achamos que, talvez, você possa ser ela. - explicou Miguel.

Não pude conter uma risada. Gostaria sim de encontrar um membro que seja, da minha família, mas pensar que este membro é o rei, nunca passou pela minha cabeça. É muita pretensão.

- Senhores, realmente acreditam que posso ser da realeza?, perguntei.

- Ora, não se pode ver muita coisa com essas suas roupas largas, mas dá para notar que você e a princesa têm o mesmo tipo físico e os olhos castanhos claros amendoados e lábios carnudos. Observe. - Petrus disse desenrolando um pedaço de tela com uma linda pintura de uma garotinha. De fato, ela se assemelhava a mim, quando mais nova, exceto pelos cabelos castanhos.

- Eu não posso ser essa garota. - eu disse observando a pintura. - Olhe para mim! Olhe para os meus trajes!

- Nós podemos lhe transformar na princesa Elinor. Ensinar - lhe os costumes, os modos, os trejeitos.

- Isso não seria enganar, Senhor Valoar?

- Não, se você for a princesa. - Petrus respondeu.

- O seu colar, eu conheço sobre ele. É um "odoodem", uma marca de clã. E a esmeralda verde-água representa o Mar das Esmeraldas, no litoral de Svalbar. - explicou Miguel. - Essa joia é raríssima, minha cara.

- Isso quer dizer que, as respostas que você procura, sobre essa joia e o seu passado, você só encontrará nas Terras do Norte, de onde ela foi feita. E nós podemos leva-la até lá. - concluiu Petrus.

- E porque está insistindo tanto? O que vai ganhar com isso? - disparei perguntas ao loiro.

- Estamos apenas obedecendo ao soberano de Svalbar, o Rei Russel Sanssure. - ele concluiu.

- Vocês fazem tudo o que ele manda, não é? - perguntei, mas não interessei pela resposta.

Fui para fora da taverna e fiquei admirando as pessoas caminhando pela Vila. Pessoas humildes, pessoas como eu, pensei.

Ouvi passos atrás de mim. Miguel aproximara-se para também observar a movimentação das ruas de Vila Leenor. Ficamos um tempo quietos, quando eu quebrei o silêncio.

- Eu sempre sonhei em encontrar minha família - dei uma pausa. Depois continuei: - Mas nunca imaginei ser da realeza. Isso é surreal! - eu disse, continuando a fitar as pessoas da vila. - Eu tenho medo de magoar alguém... eu tenho medo de me magoar. - desabafei enfim.

- Senhorita - ele disse pegando em minhas mãos. - Não posso lhe dar certeza de nada. Mas posso lhe dar toda minha ajuda e apoio, na busca de sua família, sendo ou não da realeza. - disse o moreno para mim. E quando me preparei para agradece-lo pelas palavras, Petrus surgira na porta da taverna.

- Miguel, precisamos ir. - Petrus tocou o ombro do amigo. - Está ficando tarde. Não quero passar a noite por aqui.

- Ora, as acomodações de Irídia não são boas o suficiente para vossa senhoria? - eu disse, com indignação.

- Isso mesmo. - ele respondeu rispidamente,  sem me fitar. O cavaleiro olhava incessantemente para dentro da taverna. Ele se dirigiu a Miguel e cochichou:

- Will está aqui.



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