História Clã dos Dragões - A princesa perdida - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agua, Cavaleiros, Clã, Dragões, Fantasia, Fogo, Magia, Princesa, Reino, Terra
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Palavras 1.358
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Uma visita inesperada


Os dois rapazes estavam procurando uma estalagem, pois havia ficado muito tarde e como a viagem era um tanto quanto longa, poderia ficar perigoso seguir viagem ao anoitecer.

- Tem certeza que ficará bem sozinha? - Petrus perguntou.

- Sim. Ora, vocês vão estar no quarto ao lado. - argumentei. Eu estava tão empolgada em saber que iria dormir num quarto só para mim. No dormitório feminino do Orfanato, sempre dormíamos apertadas, dividíamos camas; algumas garotas roncavam, outras eram sonâmbulas. Eu, por exemplo, vivia sonhando que estava sendo atacada ou o orfanato estava pegando fogo e acabava acordando muita gente com o susto.
- Espero que Hassar não apareça aqui novamente. - disse Petrus.
- Ele não vai aparecer. - afirmei.
- Não tenha tanta certeza. - disse Petrus, analisando a estalagem com desdém. Miguel havia sumido naquele momento, acho que fora alimentar os cavalos. Gostaria de perguntar sobre Will Hassar, mas não sabia se Petrus iria se incomodar em falar sobre o tal homem.
- Senhor Valoar? - eu o chamei. Ele me fitou com os olhos de lagoas cristalinas. - Quem diabos é este Will? E por que ele me deu aquela concha? O que quer dizer? - disparei várias perguntas, porém, me atentei a não perguntar sobre a história de Alexia e Will, a quem Miguel mencionara anteriormente.
- Ele é um sereiano convencido, que só consegue as coisas, porque tem o seu "poderzinho" de encantamento que manipula os outros. - ele disse fazendo careta e gesticulando com as mãos. - E fica dando essas bugigangas estranhas, que ele tira do baú dos sete mares do clã Baltimor. - ele ironizou.
- Poderzinho? - questionei, enquanto tentava puxar da memória o que havia lido sobre sereianos, certa vez. - Estou lembrando de um livro, que falava sobre os sereianos. Dizia que eles eram transmorfos, metade homem, metade peixe. E tinham dons hipnotizadores, que encantavam moças.
- Isso mesmo. E as levavam para o fundo do mar, aonde nunca mais voltavam. - Petrus concluiu, fazendo suspense.
- Não me lembro disso no livro. - indaguei, enquanto subíamos uma escada com pequenos degraus. Tive a ligeira impressão de que Petrus estava a me enganar quanto ao livro e a história dos sereianos.
- Os livros costumam omitir fatos. Por isso, disse para você ficar longe dele.
- Achei que fosse porque você não o suportava, por causa de Alexia. - eu deixei escapar o nome "Alexia", que pareciam ter ecoado nos ouvidos de Petrus. Num impulso tampei minha boca, mas acho que já era tarde demais. Tenho certeza que já era. Porque eu fui abrir minha boca grande?, pensei.
- Desculpe. - eu falei sem jeito para o rapaz, mas ele não esboçou nenhuma expressão.
Gostaria de cavar um buraco ali mesmo e enfiar minha cara dentro, me afundei em pensamentos.
Paramos em frente a uma porta e Petrus quebrou o silêncio:
- Este é seu quarto. Miguel está no quarto a esquerda e eu ficarei no quarto a direita, caso precise de algo.
- Está bem. Obrigada. - eu disse abrindo a porta. Dei uma bela olhada no local e Petrus ainda estava parado na porta olhando o quarto também. O aposento tinha uma pequena cama de solteiro, ao lado de uma janela e no canto direito do quarto havia uma tina de madeira e um lavabo. Para mim, aquilo era um sonho, principalmente pela tina.
- Que s... - fui interrompida.
- Que espelunca. - Petrus dissera. Ele ainda está aqui?, pensei notando a presença dele.
- Eu ia dizer, que sonho! - completei. - Bom, não está tarde ainda, mas acredito que você esteja cansado, como eu também estou. Então, é melhor descansarmos. - eu disse, despachando - o do quarto. - Bom descanso. - me despedi e fechei a porta. Será que deu a entender que eu estava, teoricamente, o expulsando?
Precisava de um banho! Eu estava suja, com o cabelo embaraçado naquele coque, as roupas em farrapos. Aquela correria de "pega ladrão" me deixara suada feito um cavalo, embora eu não soubesse se cavalos suam muito mesmo.
A janela estava aberta, porém não sentira frio, pois a janela era pequena, assim como o aposento. O que era ótimo, pois ficava tudo muito próximo e aquecido.
Era realmente aconchegante aquele pequeno quarto. Depois que me banhei, fui até a janela para fecha-la e admirei por um tempo a lua cheia lá fora. Nisso, pousara um corvo no beiral da janela. Ele parecia me encarar e aquilo estava me dando medo. Muitas lendas relatavam sobre corvos trazerem mau agouro. No entanto, alguns usavam os corvos como mensageiros, inclusive, os cavaleiros da Guarda o faziam. Tentei espantar o animal, mas ele voava um pouco e se dirigia para o beiral da janela novamente.
- Então fique aí! - eu disse ao corvo, que grasnou. Uma fita vermelha destacava - se na plumagem negra do animal. Estava amarrada ao seu pé, mas não vi nenhum papel enrolado junto a fita, então não poderia ser uma mensagem.
Naquele momento, alguém batera na porta.
Será que é Petrus novamente? - eu disse ao corvo. - Além de lindo, é todo preocupado. Preocupado até demais. - eu disse ao corvo, antes de abrir a porta.
- Senhor Hassar? - perguntei surpresa. - Eu não esperava...
- Desculpe o incômodo. Posso entrar? - ele disse, me observando. Notei um brilho diferente nos olhos dele.
- Sim. - eu respondi à contra gosto. Porque eu falei que sim?, pensei.
De súbito, lembrei - me do "poderzinho" que Petrus havia mencionado. O encantamento. O fato é que, constatei naquele exato momento, que eu tinha sido encantada, induzida, hipnotizada, ou seja lá como isso era chamado.
Will Hassar, sendo um sereiano, poderia induzir alguém a responder o que ele gostaria de ouvir.
"Não me hipnotize!" - ordenei, o encarando. "Por favor, não me arraste para o fundo do mar! Eu nem, ao menos, sei nadar!" - continuei a encarar - lhe.
Percebi que seu olhar mudara e sua expressão facial era de surpresa. Vi um vulto preto voar para cima de Will. Era o corvo grasnador que estava atacando o homem careca. Will espantava - o com as mãos e eu também tentara espanta - lo. Quando vi Will direcionar o olhar para a fita no pé do corvo e tentar desamarra - lá, enquanto eu, continuava a espantar - lhe. Quando o homem conseguiu desamarrar a fita do corvo, o animal trasnformou-se em uma pessoa que estatelou - se no chão.
- Corvo? - eu me aproximei do homem ao chão. Eu reconhecia aquela pessoa estendida ao chão. O corvo era Petrus!, pensei com espanto.
- Fita de transformação, Petrus? - Will perguntou, mas nao esperou a resposta. - Isso não é muito original. - falou oferecendo - lhe a mão de apoio para Petrus levantar - se. Mas o loiro não aceitou o gesto. - E algo deu errado no preparo dela, pois a fita estava chamativa demais. E a ideia é ela passar despercebida. - ele concluiu olhando para a fita vermelha.
- Eu fiz de propósito, para fingir que era uma simples fita de um corvo mensageiro. - o loiro respondeu com desdém.
- Alguém vai me explicar o que foi isso tudo ou eu terei que continuar com cara de tapada fingindo que estou entendendo tudo? - eu falei trocando olhares com os dois, em busca de respostas.
Então eles me explicaram sobre a "fita de transformação". Era um artefato raro, um pedaço de fita que ao juntar com uma pena, pelo, garra ou gota de sangue de um animal, transformava a quem colocasse a fita. Porém o efeito era passageiro, durava cerca de 1 hora, ou até que a fita fosse desamarrada. Sem falar no incômodo que era ficar em um corpo que não estava adaptado. Petrus descrevera como "ser esmagado em uma minúscula caixa".
Fiquei refletindo no quanto eu desconhecia deste mundo e o quanto eu ainda tinha que aprender...
Fora uma visita inesperada: tanto de Will Hassar, quanto a do corvo; quer dizer, de Petrus Valoar. Mas havia ainda muitas coisas a serem esclarecidas.

***
 



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