História Claremont Elite School - Capítulo 22


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Categorias Naruto
Personagens Chouji Akimichi, Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Karin, Kiba Inuzuka, Mangetsu Houzuki, Menma Uzumaki, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Suigetsu Hozuki, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Gaaino, Gaamatsu, Gaasaku, Itasaku, Kibahina, Konohana, M1lkshake, Menhina, Menten, Naruhina, Narusaku, Nejihina, Nejisaku, Nejiten, Saiino, Sasodei, Sasoino, Sasuino, Sasukarin, Sasusaku, Sasutema, Shikaino, Shikatema, Suika, Suisaku
Exibições 866
Palavras 10.322
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Festa, Fluffy, Harem, Hentai, Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Ai mdss eu volteeeei genteeee!
Não vou enrolar muito nas notas iniciais, porque tem muita treta nesse capítulo...
Gente, eu recebi muitos comentarios de vocês xingando tanto a Sakura quanto a Hinata, calma gente, não odeiem elas, e tentem pensar pelo ponto de vista de cada uma ok?
Bom, boa leitura.
Beijoooos <3

Capítulo 22 - XXII - Quarto Branco


Fanfic / Fanfiction Claremont Elite School - Capítulo 22 - XXII - Quarto Branco

Por: Uniecornio

 

“Venha para a cama, não me faça dormir sozinha. Não poderia esconder o vazio que você deixou transparecer. Nunca quis que fosse tão frio. Apenas não bebeu o bastante para dizer que me ama”─ Evanescence.

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Sasuke Uchiha ─ O sentimento de Rejeição

 

Quinta-feira, 11h07min – Corredor

 

A peça havia sido interrompida, e por esses motivos todos os alunos haviam sido liberados para o almoço mais cedo do que o esperado.

Sakura havia fugido de mim, logo após eu questioná-la sobre os motivos de sua aceitação em relação ao casamento com o Naruto. Mas eu não me dei por vencido. Segui-a pelo corredor, onde a ela parou de frente para o banheiro feminino. Caminhei até ela, segurando seu braço antes que a mesma pudesse entrar no local.

 

─ Espera. ─ A virei em minha direção, vendo-a soltar um suspiro de impaciência.

 

─ O que foi Sasuke? ─ Perguntou irritada, com uma das sobrancelhas arqueadas.

 

─ Eu preciso te contar uma coisa. ─ Mordi o lábio. ─ Sobre a gente. ─ Completei. Sakura franziu levemente o cenho, como se estivesse tentando entender onde eu queria chegar com tudo aquilo, e para ser sincero, nem eu sabia.

 

Olhei diretamente em seus olhos, tentando buscar a coragem que me faltava para concluir aquela conversa, mas o que eu poderia dizer? Jamais havia ficado em uma situação como essa. Eu já tinha feito o possível e o impossível para mantê-la longe de Naruto, mas no final sempre voltávamos para o ponto inicial. E agora ela possuía um anel de noivado em suas mãos. Eu já não tinha mais escolhas.

 

─ O que você quer falar comigo Sasuke? ─ Ela chamou minha atenção, levando em conta que eu estava em silêncio fazia certo tempo. Era bem mais dificil do que eu imaginava. Encarei o chão, faria qualquer coisa para não encará-la nos olhos naquele momento.

 

Várias garotas já haviam se declarado para mim, então era para eu ter experiência nisso, certo? ─ Então porque parecia que minha garganta estava entalada? Meu coração nunca havia batido tão forte antes.

 

─ Na verdade eu quero te fazer uma pergunta. ─ Vacilei nas palavras, eu não conseguiria dizer o que sentia para ela, não até ter certeza do que ela realmente sentia por mim. ─ Há dois anos, na noite que dormimos juntos... Ela não significou nada para você? ─ Perguntei.

 

Sakura abriu a boca, como se fosse dizer algo, porém não disse. Ela franziu o cenho, e me encarou, diretamente nos olhos. ─ Não. ─ Disse sem hesitação. ─ Porque você...

 

─ E na semana passada, depois da festa, quando você passou a noite lá em casa, também não significou nada para você? ─ Minhas palavras saíram mais baixas, minha confiança estava se esvaindo aos poucos.

 

─ Não. ─ Disse novamente, sem nenhuma hesitação. E eu nunca imaginei que uma única palavra pudesse machucar tanto. ─ Porque está me perguntando isso? ─ Juntou as sobrancelhas. ─ Eu pedi para nunca mais voltarmos nesse assunto Sasuke.

 

─ Porque você se casar com o Naruto será a decisão mais errada que tomará na sua vida Sakura. ─ Vi seu olhar recair sobre o chão, como se eu tivesse tocado em sua ferida.

 

─ Eu sei Sasuke. ─ Suas palavras me surpreenderam. Então ela não queria se casar com ele, e essa havia sido a melhor noticia que eu havia recebido hoje. Antes que eu pudesse questioná-la de o porquê fazer algo no qual ela não queria, Sakura continuou. ─ Não se mete, ok? ─ Levantou uma das sobrancelhas. ─ É da minha conta, e você não tem nada haver com isso. ─ Me deu as costas, porém segurei seu braço, fazendo-a me encarar novamente.

 

─ Você precisa me ouvir. ─ Falei seriamente. Sakura engoliu á seco, e me encarou com incerteza. Não podia ser tão difícil. Não era para ser tão difícil. Eu só tinha que dizer tudo o que eu mantive em segredo durante anos, eu só tinha que dizer tudo àquilo que eu sentia. Todos os sentimentos que eu reneguei até o momento de agora. ─ Eu... ─ Você gosta dela Sasuke, é só dizer. ─ Eu...

 

─ Não! ─ Fui interrompido por suas palavras. Sakura estava um tanto que assustada, e deu dois passos para trás. Era como se ela soubesse tudo o que eu iria dizer. ─ Não faça isso Sasuke, por favor. ─ Pediu. ─ Pare de confundir as coisas.

 

─ Você nem me deixou terminar. ─ Contestei.

 

─ E eu preciso? ─ Franziu o cenho. ─ Sei muito bem o que você está tentando fazer, mas não pense que eu sou idiota que nem as vadias que você costuma levar para a cama. ─ Disse com rispidez. ─ Você é meu amigo Sasuke, nada á mais que isso.

 

Aquilo doeu, mais do que eu havia imaginado. ─ Isso tudo era tão patético.

Fomos interrompidos por uma voz feminina, porém continue encarando Sakura, que olhava através da janela de vidro, que possuía vista diretamente para o jardim nos fundos do colégio. Ela não parecia querer conversar agora.

Soltei um suspiro de frustração, e me virei para saber de quem se tratava a voz.

 

─ Senhor Uchiha, Tsunade-sama está te esperando na direção. ─ Disse Shizune, em um tom severo, que não combinava nem um pouco com ela.

 

─ Têm que ser agora? ─ Cerrei os olhos. Aquele com certeza não era o melhor momento para receber uma bronca da diretora por brigar no colégio.

 

─ Sim. Talvez dê tempo de impedir sua expulsão. ─ Completou, tentando me intimidar. Como se Tsunade realmente fosse me expulsar. Eu sabia que no máximo sairia de lá com uma advertência. Sempre fora assim.

 

─ Tudo bem. ─ Concordei, vendo que não haveria outra opção. Abri a boca para falar com Sakura, porém desisti. ─ Eu tinha que parar de bancar o idiota. Nunca corri atrás de garota, não seria agora que eu iria correr.

 

─ Então vamos. ─ Disse Shizune. ─ Gaara já está lá. ─ Assenti com a cabeça, e segui a morena até o final do corredor. Se eu havia sido nada para ela, então a partir de agora ela também seria nada para mim.

 

E pela primeira vez eu senti algo que jamais havia experimentado antes, a rejeição.

 

 

Sabaku no Gaara ─ Cor de ouro

 

11h29min – Direção

 

Continuei em silêncio, enquanto olhava pela janela para a folhagem do outono cor de fogo que decorava o pátio cheio do colégio. Não havia falado com Temari desde então, e isso estava me deixando nervoso.

Tsunade batia consecutivamente a ponta das unhas na mesa de madeira, fazendo um barulho irritante.

 

─ O senhor não vai dizer nada? ─ Perguntou a loira, impaciente com minha expressão indiferente. No momento eu não conseguia me preocupar com a bronca ou o castigo que eu levaria por causa de briga, só queria sair de lá o mais rápido possível, e levar Temari para casa, antes que as coisas começassem a piorar.

 

─ A senhora poderia adiantar logo as coisas e dizer qual vai ser meu castigo. ─ Falei de maneira apática.

 

─ Castigo? ─ Ela arqueou uma das sobrancelhas. ─ Estou tentando encontrar uma maneira de não expulsar os dois do colégio. ─ Massageou as têmporas. ─ Vocês me dão tanta dor te cabeça. ─ Suspirou.

 

Nesse exato momento ouvimos duas batidas na porta, e assim que Tsunade deu permissão, Shizune entrou acompanhada de Sasuke. Nos encaramos por um longo tempo, até que a Senju pedisse para que ele se sentasse na cadeira ao lado da minha.

 

─ Bom, os dois já devem imaginar porque estão aqui, não é? ─ Ergueu o cenho. ─ Então antes que eu assine uma carta de expulsão para vocês, quero ouvir as explicações. ─ Apoiou o rosto sobre os dois braços em cima da mesa, esperando que prosseguíssemos.

 

─ Em minha defesa, Gaara que me bateu, eu não revidei, então não há o porquê de eu estar aqui. ─ Disse o Uchiha.

 

─ E ele te bateu por motivo nenhum? ─ Perguntou Tsunade, sugestiva.

 

─ Sim. ─ Respondeu na cara de pau, como se fosse um santo sendo totalmente injustiçado por estar ali. De todas as pessoas que eu já havia conhecido, Sasuke com certeza era a pior delas. Arrogante, manipulador e sem o mínimo de caráter.

 

─ Uchiha, eu te conheço muito bem, e sei que não é de arrumar briga, mas também sei que adora provoca-las. ─ Rebateu Tsunade, logo em seguida olhando em minha direção. ─ E você senhor Sabaku, tem um pavio muito curto, e um histórico de brigas gigantesco. ─ Arqueou uma sobrancelha. ─ Não preciso de muito para saber que ambos são culpados. ─ Concluiu.

 

─ E o que vai acontecer com a gente? ─ Sasuke se pronunciou. Eu que até então ainda encarava a janela, passei a olhar para Tsunade, que parecia tentar buscar uma solução para o nosso problema.

 

─ A sorte de vocês, é que Jiraya não está no colégio hoje. ─ Suspirou. ─ Caso o contrário, vocês já estariam arrumando suas coisas e se retirando de CES. ─ Cruzou os braços. ─ Mas eu sou uma pessoa razoável, e quero dar mais uma chance para vocês. ─ Disse pegando um caderno dentro de uma das gavetas de sua mesa.

 

─ O que é isso? ─ Perguntei confuso.

 

─ Isso é o caderno de atividades. ─ O colocou aberto á nossa frente. ─ A partir de hoje vocês dois vão ficar responsáveis pela limpeza do colégio. ─ Sorriu de maneira maldosa. ─ Isso inclui a quadra, as escadarias, a piscina e o pátio.

 

─ Senhora Tsunade eu não tenho tempo para isso. ─ Contestei. ─ O time do colégio avançou para as oitavas de final, estamos treinando todos os dias.

 

─ Ah sim, bem lembrado. ─ Me interrompeu. ─ Você está suspenso do time, por tempo indeterminado.

 

─ O que? ─ Arregalei os olhos. ─ Você está brincando né? Isso é importante Senhora Tsunade. ─ Alterei meu tom de voz.

 

─ Seguir as regras do colégio também é muito importante senhor Sabaku. ─ Rebateu. ─ E o senhor não parece muito preocupado com isso. ─ Suspirei irritado. Olhei de relance para Sasuke, e o mesmo permanecia com um sorriso discreto nos lábios. Cretino. ─ E você senhor Sasuke, acho que já está na hora de te ocupar um pouco, não é? ─ O sorriso de seus lábios sumiu imediatamente.

 

─ O que? ─ Franziu a testa surpreso.

 

─ Acho que já dei muito mole para você Sasuke. ─ Sorriu para ele. ─ A partir de hoje te colocarei em um clube do colégio, quem sabe assim você fica com menos tempo para me arrumar problemas.

 

─ Um clube? ─ Arqueou uma sobrancelha. ─ Tá de sacanagem né? Com certeza eu não vou fazer isso. ─ Concluiu o Uchiha.

 

─ Ou entra para um clube, ou comece a procurar por outro colégio. ─ Tsunade entregou uma folha em suas mãos, com a lista de todos os clubes disponíveis. ─ Sasuke fechou os olhos, e suspirou pesado. Confesso que aquilo não fez com que minha raiva diminuísse, mas vê-lo se ferrando também me deu um breve momento de felicidade. ─ Agora os dois, saiam da minha sala. ─ Apontou para a saída. ─ Não quero mais ver a cara de vocês hoje.

 

Fui o primeiro a me levantar, o mais rápido possível para ficar longe de Sasuke, e ir ver onde Temari estava.

Assim que bati a porta da sala da Senju, caminhei pelos corredores lotados por causa do intervalo. Procurando por ela. ─ Temari não estava em lugar algum.

Me sentei em um dos degraus da escada no pátio, com uma das mãos apoiada em minha testa, jogando meu cabelo para trás. Levantei a cabeça, e observei o cenário á minha volta. Os garotos do segundo ano jogavam uma partida de futebol no campo por detrás do jardim, enquanto algumas meninas do terceiro se reuniam debaixo de uma árvore para tomar o cappuccino da Starbucks que ficava á poucas ruas do colégio. Mas meus olhos pousaram em alguém em especial.

Seus cabelos loiros ficavam dourados quando o sol batia sobre eles. Sua cabeça estava baixa, o que raramente acontecia. Não havia ninguém á sua volta, outro fato estranho. ─ Ino não era do tipo que ficava sozinha.

Fiquei observando-a por um tempo, e me perdi ao ponto de não perceber quando ela me encarou de volta. ─ O orgulho fez com que eu desviasse o olhar para o lado, encarando qualquer ponto que não fosse as orbes azuis maleadas dela. Algo estava muito errado.

Talvez eu realmente tivesse ido longe demais ao brigar com ela por causa do Shikamaru, e se formos olhar as coisas de outra forma, soou um tanto que ridículo da minha parte. ─ Aliás, só possuíamos amizade. Mas eu não era do tipo que dava o braço á torcer, e Ino muito menos. Resultado: Não voltaríamos a nos falar tão cedo.

E o pior de tudo, era que isso estava me afetando bem mais do que eu imaginava.

 

Hinata Hyuuga ─ Quarto Branco

 

13h15min – Sala de aula

 

A luz fluorescente piscava no teto branco do quarto. Fechei os olhos, incomodada com a dor de cabeça que eu estava sentindo no momento.

Silêncio.

Eu não podia ouvir nada além dos meus pensamentos, não podia ver nada além das quatro paredes brancas daquele minúsculo cômodo, cujo qual eu teria que me contentar apenas com uma cama, uma mesa e uma cadeira.

A luz vermelha do canto superior da parede piscava, e as lentes negras me encaravam 24hs por dia. Gravando cada segundo do meu sofrimento naquele lugar. Eu não fazia a mínima ideia de que horas eram, ou há quantos dias eu estava aqui. ─ “Você não irá para a cadeia”, eles me disseram. Mas me colocaram em um lugar semelhante á uma.

A única porta do quarto foi aberta, e uma mulher surgiu com uma bandeja de prata em suas mãos. Um copo de suco amarelo, um prato com carne, feijão e arroz, e um copinho branco com um comprimido colorido.

 

─ Almoço. ─ Murmurou ela, colocando a bandeja em cima da mesa no canto do quarto.

 

─ Meio dia. ─ Repeti para mim mesma. ─ Não como carne. ─ Disse á ela, após perceber que mais uma vez eles haviam negado o meu pedido de comida vegetariana.

 

─ Isso não é problema meu. ─ A mulher pegou o copinho em cima da bandeja, e o suco amarelo. Caminhou em minha direção, e deu os dois em minhas mãos. ─ Tome. ─ Ordenou.

 

Como nas tantas vezes antes, joguei o comprimido em minha boca, ajudando-o a descer com o suco. A mulher averiguou-se de se eu realmente havia engolido-o, e caminhou em direção á saída.

 

─ Eu quero falar com a minha mãe. ─ Pedi pela décima vez naquele dia. Sentia o choro entalar em minha garganta, e meus olhos arderem.

 

─ Sua mãe não quer falar com você. ─ Disse com rispidez.

 

─ Eu exijo falar com ela. ─ Disse alterada, me controlando para não gritar.

 

─ Você não pode exigir nada, deve dar graças á Deus por estar aqui, e não em uma prisão. ─ Me olhou de maneira repulsiva. ─ Assassina. ─ Disse pouco antes de cruzar a porta, fechando-a em seguida.

 

Assassina. ─ A palavra ecoou em minha cabeça como uma tormenta.

Fechei os olhos e tentei me imaginar em casa, em meu quarto, em minha cama, abraçada com Toneri acariciando Puffy, meu cachorro de estimação, enquanto assistia á uma série de comédia qualquer na TV.

Mas as coisas não eram mais assim. Elas jamais seriam.

 

●●●

 

─ Hinata? ─ Ouvi a voz distante me chamar, como um sonho. ─ Hinata? ─ Ela repetiu novamente. Até que por fim pudesse abrir meus olhos. Fui tomando consciência aos poucos, enquanto encarava tudo á minha volta. O professor de química sentado á frente da classe. Parecia anotar algo em seu caderno. Os alunos conversando entre si. Virei minha cabeça para o lado, ao perceber uma sombra acima. Deparei-me com as duas orbes azuis, olhando confusas para mim. ─ Trabalho em dupla. ─ Apontou para o quadro, onde o professor em meio aos garranchos havia escrito o número das páginas e o valor dos pontos. ─ Você é a única que está sozinha então...

 

─ Ah claro. ─ Retirei minha mochila da cadeira ao lado da minha, e dei permissão para que ele se sentasse. Assim que o garoto se ajeitou, pegou seu livro dentro da mochila, e o abriu na página ditada pelo professor. Então eu fiz o mesmo. Era um pouco difícil tentar me concentrar nos exercícios quando se tinha praticamente uma cópia de Naruto ao meu lado, tirando é claro seus cabelos negros.

 

─ Ah, eu sou Menma. ─ Disse sem me encarar, anotando algo em seu caderno. ─ Não sei se já nos apresentamos antes. ─ Mencionou.

 

─ Quando você derrubou refrigerante de uva em mim? ─ Perguntei em um tom zombeteiro, lembrando-me do ocorrido de uns dias atrás. ─ Não, nós não nos apresentamos. ─ Sorri discretamente.

 

─ Tecnicamente você derrubou refrigerante em si mesma. ─ Retrucou, retirando um sorriso de meus lábios. E levando em conta que aquele era o dia mais constrangedor da minha vida, até que eu não estava tão mal. ─ A resposta da cinco é Zn > Ni > Cu. ─ Disse escrevendo algo no caderno.

 

─ Você é bom. ─ O elogiei, fazendo-o soltar uma risada.

 

─ E as respostas atrás do livro também. ─ Disse me mostrando as provas do crime, aproveitando que o professor estava distraído demais para prestar atenção na gente.

 

Prendi o riso, e tentei fazer os cálculos da questão seis, para não me sentir uma completa inútil naquele momento.

Após o ocorrido de hoje mais cedo, graças á um milagre eu havia conseguido retirar a tinta verde de cima do meu cabelo. Neji havia passado o intervalo inteiro ao meu lado, descrevendo tudo o que ele faria á Sakura quando a encontrasse. E falando nela, a mesma não havia aparecido para nenhuma das aulas, nem Sasuke e nem Gaara.

A turma parecia mais vazia que o normal.

As lembranças de hoje mais cedo invadiram minha mente. A conversa dela e do Sasuke.

Bom, eu sabia que ele tinha uma queda por ela, estava estampado na cara dele. Mas jamais imaginaria que os dois haviam dormido juntos, não uma, mas duas vezes. ─ Ainda mais ela, que sempre julgou tanto o Naruto.

Automaticamente meus olhos foram ao encontro do loiro do outro lado da sala, que prestava atenção na tela de seu celular e dizia algo para Neji, que anotava as coisas no caderno.

O fato de ele não ter se preocupado comigo me deixava mal. ─ Ele realmente havia me esquecido?

Eu não pude deixar de reparar o anel de noivado em suas mãos, e levando em conta suas palavras de ontem á noite, Sakura também possuía um anel nas dela. ─ O casamento iria mesmo acontecer.

 

A resposta da sete é 40,0% de C, 6,7 % de H e 53,3% de O. ─ Disse Menma para que eu anotasse no papel. Mas minha mente estava tão brisada, que murmurei apenas um “hm” e continuei encarando Naruto com cara de paisagem. Os olhos de Menma seguiram até o ponto fixo no qual eu não conseguia desviar o olhar. E uma expressão desconfortável surgiu em seu rosto. ─ Droga, com certeza ele deveria estar me achando uma vadia. ─ Você gosta dele? ─ Menma perguntou descaradamente.

 

─ Não. ─ Neguei de maneira seca, tentando não prolongar aquele assunto.

 

─ Ah. ─ Disse um pouco sem graça, voltando á dar atenção aos exercícios propostos pelo professor. Eu me senti mal com aquilo, quer dizer, talvez eu tenha sido rude demais.

 

─ Me desculpe... ─ Suspirei, sem encará-lo. ─ Mas está sendo difícil para mim ultimamente. ─ Senti seu olhar sobre mim, me deixando ainda mais nervosa.

 

─ Ah sim, o acidente da peça de teatro, não é? ─ Apenas afirmei com a cabeça. ─ Você deveria fazer algo, se não isso nunca terá fim. ─ Olhei em sua direção, um pouco aflita.

 

─ Você não faz ideia do que ela é capaz. ─ Suspirei.

 

─ Você está falando da Sakura? ─ Perguntou confuso, e eu assenti. ─ Por quê?

 

─ Porque ela é como a rainha desse colégio, e todos que não seguirem suas regras são punidos. ─ Expliquei da forma mais simples possível.

 

─ Alguém precisa avisar para ela que o Japão não é mais uma hierarquia há séculos. ─ Disse em um tom de divertimento, e eu apenas sorri em retribuição. ─ A resposta da oito é C2H4O2. ─ Dito isto eu anotei a resposta no caderno. ─ Mas o que eu falei é realmente verdade. ─ Chamou minha atenção novamente. ─ Você precisa por um fim nisso, porque ela não irá.

 

Aquilo havia realmente mexido comigo. Quer dizer, ele tinha razão de certo modo. Sakura jamais pararia com essa implicância comigo, e isso havia ficado claro agora, que mesmo após Naruto pedi-la em noivado, ela me humilhou em público. ─ Eu precisava fazer algo para derrubá-la do trono. E os argumentos eu já possuía.

 

Neji Hyuuga ─ Ciúmes ou tudo faz parte do plano?

 

13h15min – Sala de aula

 

         Depois de todo o ocorrido com Hinata durante a apresentação de teatro, eu não conseguia pensar em nada além de maneiras de como matar Sakura Haruno sem ser preso. Isso era coisa dela, sem sombras de dúvidas. Mas eu ainda não havia a visto depois do crime. ─ Ela estava fugindo.

O professor havia passado um exercício em dupla, e automaticamente olhei para Hinata do outro lado da sala. Seus olhos estavam inchados por causa do choro, e isso me matava por dentro. Ela parecia estar dormindo, desde a aula anterior de física.

Mencionei me levantar da cadeira para ir até ela, porém não o fiz, vendo que alguém já caminhava em sua direção. ─ Menma Uzumaki. Não desviei os olhos dele por um segundo sequer. ─ Qual era a desse cara?

O Uzumaki a acordou, e em seguida se sentou ao seu lado.

 

─ Quem aquele cara pensa que é? ─ Sussurrei para mim mesmo, porém Naruto sentado ao meu lado, que até então procurava as respostas do questionário de química na internet, olhou para o mesmo ponto no qual eu encarava. Seus olhos também se fixaram nos dois. E eu o conhecia bem, sabia que estava tão irritado quanto eu. Porém ele logo desviou o olhar. ─ Pelo visto ele estava mesmo levando esse papo de ser fiel á sério. ─ Já não basta a Tenten, agora ele vai atrás da Hinata também? ─ Soltei sem pensar.

 

─ Tenten? ─ Naruto perguntou, com uma das sobrancelhas arqueadas. ─ O que ela tem haver com isso?

 

─ O desgraçado conseguiu entrar para o time graças á ela, que tava toda sorridente para ele ontem. ─ Murmurei, encarando a garota poucas cadeiras á minha frente, na fileira ao lado. Ela e Ino pareciam concentradas nos exercícios.

 

─ E porque está incomodado com isso? ─ Perguntou com o cenho franzido. Encarei-o, e tendei dar uma resposta o mais rápido possível, porém ela não veio.

 

Meu plano de conquistar Tenten ainda estava em andamento, e com Menma se metendo iria por água á baixo, levando em conta que ela já não ia muito com a minha cara.

Naruto soltou uma breve risada, e voltou á procurar as respostas no celular. Revirei os olhos e bufei irritado. ─ Era só o que me faltava, acharem que eu sentia alguma coisa pela Maria macho. ─ Olhei em sua direção.

Vi seu rosto se virar rapidamente em direção á Menma, e novamente se virar para frente. Ele não percebeu que ela o encarava, talvez ninguém mais tenha percebido, apenas eu, que permanecia com os olhos fixados sobre ela. ─ Tenten estava mesmo gostando dele? ─ Isso soava tão ridículo.

 

─ Se você a encarar por mais tempo a cabeça dela vai explodir Neji. ─ Zombou Naruto, com um sorriso divertido nos lábios. Cerrei os olhos para ele, e decidi ignorar seu comentário.

 

─ Como será que Gaara está indo na secretaria? ─ Mudei de assunto, quem sabe assim ele parava de me incomodar.

 

─ Ele e Sasuke ainda não voltaram de lá, então não devem estar indo nada bem. ─ Respondeu o loiro, mudando completamente a expressão para uma séria.

 

─ E porque a Sakura não veio para a aula? ─ Naruto deu de ombros, com os olhos ainda na tela do celular. A sala estava com um clima estranho, bem mais do que o normal. Era como se tivéssemos acabado de sair de um velório.

 

Já havia se passado mais de trinta minutos desde então. Naruto e eu já havíamos terminado nosso exercício ─com ajuda da internet é claro─ e entregado ao professor. O Uzumaki colocou os fones no ouvido e se desligou do mundo. ─ Algo de muito errado estava acontecendo com ele. Enquanto á mim, ficava só observando Hinata e Menma de papinho no outro lado da sala. Ela soltava algumas risadas de vez em quando. Já Tenten, lançava olhares nada discretos para os dois.

Eu estava realmente começando a ficar irritado.

Foi então que o sinal tocou. Não perdi tempo, jogando todo o meu material dentro da mochila e saindo da sala. Só havia uma pessoa no qual eu estava ainda mais irritado do que com Menma e Tenten. E ela não estava por perto.

Fui até o pátio, olhando por todos os lados, porém não encontrei a vadia cor de rosa em lugar algum. ─ Será que ela havia ido para casa? Ou talvez Tsunade já tivesse descoberto tudo, e ela estivesse dentro da secretaria, junto á Gaara e Sasuke.

Entrei novamente no prédio, encontrando Gaara no corredor, caminhando em minha direção.

 

─ Como foi? ─ Perguntei preocupado, levando em conta a cara de poucos amigos que ele possuía.

 

─ Adivinha? ─ Ergueu o cenho. ─ Ela me suspendeu do time. ─ Ele mesmo respondeu a própria pergunta.

 

─ O que? ─ Perguntei abismado. ─ Ela não pode fazer isso, nós mal temos reservas. ─ Questionei desesperado.

 

─ É, parece que foi uma boa a Tenten ter feito as audições para o time de basquete hoje, vamos precisar. ─ Suspirou, jogando os cabelos vermelhos para trás.

 

─ Acontece, que só uma pessoa passou nas audições que a Tenten fez. ─ Sorri burlesco. ─ O meio-irmão do Naruto, que ainda agora estava de risinho para cima da minha prima. ─ Suspirei exaltado.

 

─ Você e esse ciúme possessivo pela Hinata. ─ Gaara revirou os olhos. ─ Deixa a garota viver Neji.

 

─ Não é que eu tenha um ciúme possessivo por ela. ─ Arfei. ─ Você não faz ideia do que ela passou por estar cercada de “más companhias”, eu só quero mantê-la afastada de tudo o que a faz mal, não suportaria vê-la na pior de novo.

 

─ Más companhias? ─ Gaara franziu o cenho.

 

─ Esquece. ─ Tentei fazer o assunto morrer ali. ─ Já falou com o Naruto? ─ Perguntei.

 

─ Não, ainda não o vi. ─ respondeu o ruivo, olhando para os lados, buscando pelo Uzumaki superficialmente em meio á multidão do corredor. ─ Quer procurar ele lá fora? ─ Perguntou.

 

─ Não, agora eu tenho que fazer algo. ─ Tentei ser o mais simplista possível. Se Gaara soubesse que eu estava prestes á matar Sakura Haruno, sua protegida, não largaria do meu pé. ─ Vai procurando por ele lá fora, provavelmente deve ter ido comprar café, depois eu encontro vocês. ─ Falei deixando-o para trás.

 

─ O que? Ei...Neji...! ─ Gaara Me chamou, porém eu já havia cruzado o corredor, indo para a ala leste do prédio, que era onde ficava a direção, a secretária, a ala média e a sala da conselheira. E havia também dois banheiros ─masculino e feminino─, porém menos frequentados que os do corredor principal.

 

Assim que cheguei, a porta do banheiro feminino foi aberta, e Sakura saiu de dentro dele. Assim que seus olhos pousaram em mim, ela ameaçou recuar, e entrar novamente, porém fui mais rápido e puxei-a pelo pulso, chocando seu corpo contra a parede,

 

─ Ai. ─ Fechou os olhos, com o cenho franzido, assim que sua cabeça bateu no concreto. ─ Qual o seu problema? ─ Me encarou furiosa.

 

─ Qual o meu problema? ─ Arqueei uma sobrancelha. ─ Eu queria saber qual é o seu problema Sakura. ─ Rebati com a mesma fúria na voz.

 

─ Eu sei que eu fui longe demais dessa vez tá? ─ Suspirou. ─ Eu tentei impedir, mas era tarde demais. ─ Explicou-se.

 

─ Longe demais? ─ Cerrei os olhos. ─ Longe demais você foi quando fez o colégio inteiro ficar contra ela, isso já é obsessão. Eu nunca fui com a sua cara Sakura, desde que éramos pequenos, mas você está me irritando profundamente ultimamente. ─ Apertei seu pulso, que ainda estava entre minha mão. Ela rangeu os dentes, como se estivesse sentindo dor.

 

─ E o que vai fazer? Me bater? ─ Disse com um olhar desafiador.

 

─ Não Sakura, por mais que eu queria arrebentar seu lindo rostinho, eu não sou covarde. ─ Rebati, deixando-a ainda mais furiosa. ─ Por você eu só sinto repulsa.

 

─ Eu posso não ser a melhor pessoa do mundo, mas sua querida priminha também não é santa Neji, na verdade, ela é uma vadia. ─ Eu conseguia sentir o ódio em suas palavras.

 

─ Você não sabe nada sobre ela Sakura. ─ Apertei mais seu pulso, enquanto ela tentava se soltar. ─ Eu sei que o que ela e Naruto fizeram com você não foi certo, mas a culpa não é dela, e sim do seu namorado.

 

─ Naruto não é o único culpado na história. ─ Disse com amargura na voz.

 

─ Sério? Então porque eu não vejo você atormentando a vida das outras garotas com quem Naruto transou? ─ Ela continuava em silencio. ─ Durante todos os sete anos em que vocês estiveram juntos Sakura, enquanto você estava morrendo de amores por ele, Naruto estava transando com metade do colégio. ─ Aquilo deve ter doido, pois seus olhos brilharam. Ela estava se controlando para não chorar. ─ Você só está com raiva da Hinata, porque sabe que o que ele sente por ela, é muito mais do que ele já sentiu por você em sete anos. ─ Uma lágrima rolou de seu rosto. ─ Está vendo? Não precisei te bater para acabar contigo.

 

Sakura levantou a outra mão livre, com a intensão de me bater, porém a segurei também. ─ Você não tem o direito de se meter na minha vida Hyuuga. ─ Rangeu os dentes. ─ Me solta. ─ Exigiu, já não controlando mais as inúmeras lágrimas que caiam de seus olhos. Porém ignorei seu pedido. Conforme eu apertava seu pulso, vi algo manchando as mangas de sua blusa. ─ Sangue?

 

─ Mas o que...? ─ Antes que eu pudesse terminar a pergunta, senti meu corpo ser puxado bruscamente para trás, se chocando contra o mural de avisos pendurado na parede. E sem que eu pudesse reagir, acertaram um soco bem no meio da minha cara, fazendo com que eu cambaleasse. Seguido de mais um, e em seguida outro. Usei todas as forças que eu tinha no momento, e chutei a pessoa á minha frente, podendo por fim me levantar. Passei a mão na minha boca, sentindo um corte na mesma, que sangrava um pouco. E quando levantei minha cabeça, vi Sasuke exaltado á minha frente. Sakura observava tudo assustada.

 

─ Nunca te ensinaram a trata uma garota não Neji? ─ Perguntou solenemente, me encarando com imodéstia.

 

─ Olha se não é o cavalheiro de armadura negra, Sakura tem tido bastante cavalheiros ultimamente. ─ Ironizei. ─ Se você já não estivesse todo arrebentado, eu juro que te daria uma surra Uchiha.

 

─ Você não é homem o suficiente Hyuuga. ─ Provocou, com um sorriso desafiador nos lábios. Apertei meus pulsos, e fui para cima dele, socando sua barriga, enquanto ele transferia um soco no meu rosto.

 

─ Parem. ─ Sakura gritou, tentando arrumar um jeito de separar nós dois, porém sem resultados.

 

─ O que está acontecendo aqui? ─ Fomos interrompidos pela voz feminina. Era Tsunade, que acabara de sair de dentro da direção, nos fuzilando com os olhos. ─ Os três, na minha sala, agora! ─ Ordenou.

 

Droga! Pelo visto o time ficará sem um capitão também.

 

Shikamaru Nara ─ A história dos irmãos Sabaku

 

15h33min – Área de lazer Ensino Fundamental CES

 

         Levei a mão até o bolso de trás da minha calça, e peguei um isqueiro, acendendo um Djarum Black, enquanto movia meu corpo para frente e para trás, junto com o balanço.

 

─ Tem certeza que podemos ficar aqui? ─ Perguntou Temari. Ela estava no balanço ao lado, com a cabeça apoiada em uma das correntes, de maneira melancólica.

 

─ Não. ─ Dei um trago no cigarro, soltando a fumaça em seguida. Ela ficou em silencio.

 

Logo após minha breve discussão com Ino, encontrei Temari sentada sozinha em um quiosque nos fundos do colégio. Ela parecia querer fugir de todos, e bom, ela quase conseguiu.

A verdade era que minha mente estava conturbada com tudo o que estava acontecendo. Ino havia me decepcionado de uma maneira no qual eu jamais poderia imaginar. Todo aquele papo furado de que ela era diferente, era mentira. Havia ficado claro que para conseguir o que quer, ela passaria por cima de qualquer um, sem hesitar.

Eu não era de matar aula, mas não queria voltar para a sala e ter que olhar para a cara dela. E ver Temari daquele jeito só fez com que eu decidisse realmente não assistir nem á aula de física, nem a de química que viria em seguida.

Não era como se eu estivesse com pena dela. Qualquer pessoa que fosse burra o suficiente para se permitir cair na teia de Sasuke Uchiha não era merecedora de pena, e sim de tratamentos. Mas eu não era tão insensível assim.

Agora estamos aqui, nos balançando no balanço que ficava no jardim do prédio do ensino fundamental, que estava vazio graças ás aulas. Eu fumava meu terceiro cigarro em três horas, enquanto Temari comia um sorvete que eu havia comprado com a intenção de acalma-la. ─ E até agora havia dado certo.

 

─ Sabe, não é o fim. ─ Comentei. ─ Você ficaria surpresa com a quantidade de garotas que foram enganadas por Sasuke. ─ Disse com o cigarro entre meus dedos.

 

─ Isso não foi muito reconfortante. ─ Disse em um tom oprimido. ─ Eu não faço a mínima ideia de como vou conseguir dar as caras lá novamente. ─ Encarou o copo de sorvete vazio, girando a colherzinha de plástico de um lado para o outro.

 

─ Só ignore os comentários maldosos. ─ Respondi. ─ Se você parecer se importar, eles vão cair em cima de você como abutres. ─ Falei com convicção. ─ Digo por experiência própria.

 

─ Já transaram com você e te largaram no dia seguinte? ─ Perguntou com ironia, porém com o semblante ainda sério.

 

─ Não sou tão burro á esse ponto. ─ Temari cerrou os olhos, ofendida com o meu comentário. ─ Mas desde que eu cheguei aqui, sempre fui o principal alvo de piadinhas, brincadeiras idiotas e todos os tipos de comentários maliciosos que poderia existir. Na quinta série, que foi meu primeiro ano aqui, eu reagia muito mal á tudo isso, chorava e me lamentava sempre. Pedia para que eles parassem, mas não adiantava, pelo contrário, eles só pegavam ainda mais no meu pé. Então passei a respondê-los da mesma maneira, rebatia as ofensas deles com mais ofensas. No final eu sempre acabava apanhando, mas depois de um tempo eles foram me esquecendo... ─ Dei mais um trago no cigarro. ─ Bom, até umas semanas atrás, quando seu irmão voltou a pegar no meu pé só porque eu dei as respostas erradas da prova de geográfica para ele. ─ Soltei uma risada discreta.

 

─ Eu sinto muito. ─ Disse Temari, encarando o chão verde seco do parquinho. ─ Não sabia que Gaara era esse tipo de pessoa. ─ Suspirou. ─ Me sinto uma estranha perto dele, como se não fossemos irmãos. Não sei explicar... ─ Se enrolou nas palavras.

 

Lembrei-me de algo que Chouji havia me contado, ─Sim, em termos de fofoca ele era especialista nisso─ que Temari havia crescido na Argentina com a avó, em um internato só para garotas. ─ Você veio da Argentina, certo? ─ Perguntei, e ela assentiu. ─ Porque seus pais te mandaram para lá? ─ Franzi o cenho, confuso.

 

─ Pai. ─ Ela corrigiu. ─ Minha mãe morreu quando estava dando á luz ao Gaara. E desde então meu pai meio que... Ficou desolado, podemos dizer assim. ─ Deu um sorriso sem humor. ─ Acho que ele não sabia como cuidar de uma menina, já tinha Kankuro que era o mais velho, e agora estava com um bebê. Então ele meio que se afastou da gente, e passávamos maior parte do tempo com babás que ele contratava. Então quando eu fiz oito anos, ele me mandou para morar com a minha avó na Argentina. Acho que ele também não gostava de olhar para mim todo dia. Eu sempre fui muito parecida com a minha mãe, até no jeito. E isso mexia com ele.

 

Eu não soube o que responder. Não era bom em conversas tão profundas assim, apesar de eu ser a pessoa mais melancólica e metido á romântico que eu conhecia. ─ Para ser mais exato, eu não sabia como lhe dar com pessoas.

Mas a história dela havia me deixado surpreso. Jamais imaginaria que ela e os irmãos haviam passado por tanta coisa assim. Quer dizer, meu pai havia me deixado quando eu ainda era pequeno, e desde então eu tinha que conviver com um cara qualquer que minha mãe trazia para dentro de casa todo ano. De certo modo, eu entendia como era esse sentimento de ser rejeitado por quem você ama.

 

─ Você não deveria fumar tanto. ─ Disse Temari, ao perceber que eu já passava para o meu quarto cigarro. ─ Pode te fazer mal.

 

─ De tantas coisas que me fazem mal, cigarro é a menor delas. ─ Falei enquanto soprava a fumaça no ar.

 

Temari abaixou a cabeça, ficando em silencio. E então voltou a se balançar. ─ Sabe, se você sobreviveu nesse colégio por tanto tempo, não vai ser muito difícil para mim. ─ Passei á encará-la. Ela olhava para o céu, indo para frente e para trás, enquanto seus cabelos voavam com o vento. Sorri de canto.

 

─ É? ─ Arqueei uma sobrancelha. ─ Mesmo tendo que olhar para o Sasuke todos os dias?

 

─ Sim. ─ Afirmou. ─ Eu sou uma menina forte Shikamaru. ─ Disse balançando cada vez mais alto, conforme ia tomando impulso. ─ E sabe o que eu sou também? ─ Parou o balanço bruscamente, olhando para mim. ─ Vingativa. ─ Seu olhar mudou de repente, tornando-se afiado.

 

Talvez fosse apenas uma impressão, mas algo me dizia que essa história ainda não havia chego ao fim, e que Sasuke tinha motivos pelo qual se preocupar.

 

Sakura Haruno ─ Assumindo os erros

 

14h23min – Sala da direção

 

Sasuke, eu e Neji. Estávamos exatamente nessa mesma ordem. Enquanto Tsunade soltava fogo pelas narinas á nossa frente. Não era como se eu estivesse assustada, na verdade estava mais do que acostumada a estar nessa situação. Mas estava preocupada com Sasuke, até porque ele havia acabado de sair da direção pela briga com Gaara, e pelo visto ele não tinha sido expulso. Mas Tsunade não era de dar duas chances. Ainda mais quando a primeira ela deu á menos de uma hora.

Sasuke estava inquieto, desviando o olhar constantemente para os meus pulsos, que eu estava fazendo o máximo para esconder, porque graças ao idiota do Neji, as feriadas haviam sido abertas, e estavam manchando toda a manga da minha blusa. Neji também parecia curioso com o que estava acontecendo comigo. Não que ele estivesse arrependido, muito longe disso. Acho que ele só estava... Chocado. ─ Mas o fato era que ninguém estava realmente prestando atenção em Tsunade, e isso só a deixava mais furiosa.

 

─ Senhor Uchiha, que prazer em revê-lo. ─ Disse com ironia, seguindo seu olhar até mim. ─ Sakura, acho que você já se sente em casa toda vez que entra na direção, não é? ─ E por ultimo seus olhos pousaram em Neji. ─ E Hyuuga, achei que não fosse ter mais problemas com você.

 

Permanecemos em silêncio.

 

─ Sasuke, acho que você não se contentou em receber apenas um castigo, não é mesmo? ─ Fixou os olhos no moreno. ─ Você realmente quer sair do CES? ─ Senti meu corpo gelar. Eu já havia o colocado em furada por ter o feito me ajudar com a Temari, e agora ele iria ser expulso só por ter me ajudado.

 

─ Foi minha culpa senhora Tsunade. ─ Me manifestei, chamando a atenção dela.

 

─ E quando não é Sakura? ─ Disse como se não estivesse nem um pouco surpresa. E não vou mentir, aquilo me ofendeu. ─ Já que a senhorita está se confessando de bom grado, porque não me explica o que aconteceu. ─ Sugeriu, e eu assenti.

 

─ Sasuke só me defendeu do Hyuuga. ─ Disse simplesmente.

 

─ E porque ele precisou te defender do Neji? ─ Perguntou, olhando diretamente para o castanho.

 

─ Neji estava irritado por causa do que eu fiz com a prima dele, também não foi culpa dele. ─ Suspirei. Estava livrando o idiota de ser suspenso, mesmo sendo contra minha vontade. Mas eu sabia que dessa vez eu não possuía um pingo de razão nessa história. E por mais que fosse tentador ferrar com a vida do Neji, eu já havia feito burradas demais para me arrepender em um só dia.

 

─ Olha só, então já encontramos a culpada pelo ocorrido no teatro? ─ Tsunade ergueu uma de suas sobrancelhas. ─ Bom, não é de se surpreender. ─ Suspirou, fechando os olhos por alguns segundos. ─ Você me decepciona cada vez mais senhorita Haruno. ─ Me lançou um olhar desiludido. ─ Vocês dois. ─ Olhou para Neji e Sasuke. ─ Saiam daqui, me deixem á sós com a Sakura.

 

Neji me lançou um olhar do tipo “Que merda você está fazendo?”, porém se levantou, caminhando em direção á saída, enquanto Sasuke permanecia ao meu lado, me encarando, como se estivesse se perguntando o que fazer.

 

─ Sasuke, você está á um fio de ser expulso. Quer mesmo acelerar o processo? ─ Disse Tsunade, impaciente. Sasuke continuou imóvel me encarando, e eu assenti a cabeça levemente, como se dissesse “Eu ficarei bem”. E então um pouco hesitante ele se levantou, me deixando sozinha com Tsunade. ─ Sinceramente Sakura, eu achei que você havia me entendi na ultima vez, depois da briga entre você e o Uchiha. Mas parece que não.

 

Eu não sabia o que fazer. Normalmente eu teria uma resposta na ponta da língua para dar á ela, ou até mesmo algum tipo de chantagem. ─ E todos nós sabíamos o quanto eu era boa nisso. Mas não, eu simplesmente estava muda, temendo o que estaria por vir.

Tsunade pegou o telefone, e discou alguns números. Eu não prestei muita atenção na conversa, estava ocupada demais pensando no que Neji havia me dito. Talvez ele tivesse razão. O problema não era Hinata, e sim eu.

Voltei a prestar atenção em Tsunade quando a mesma bateu o telefone no gancho.

 

─ Liguei para o seu pai. ─ Disse por fim. ─ Ele está vindo.

 

─ Você ligou para o meu pai? ─ Senti que meu coração fosse pular para fora do peito. ─ Ele disse que iria vir? ─ Perguntei.

 

─ Sim, ele disse que está por perto, e que não vai demorar a chegar. ─ Respondeu mostrando falsa calmaria. Dava para contar nos dedos às vezes que meu pai veio no colégio desde a minha matrícula, o que me deixava um pouco desconfiada.

 

Não se passaram nem dez minutos, e duas batidas foram ouvidas na porta. Tsunade eu permissão para que entrassem.

Era Shizune, acompanhada pelo meu pai e seu segurança, Kabuto.

 

─ Senhor prefeito, que prazer em vê-lo. ─ Tsunade se levantou para apertar sua mão. ─ Sente-se. Apontou a cadeira para ele.

 

─ Senhora Senju. ─ Ele se curvou em sua direção, sentando-se ao meu lado, me lançando o seu olhar mais tenebroso. ─ O que Sakura fez desta vez? ─ Perguntou sem tirar os olhos de mim.

 

─ Eu sei que o senhor é bastante ocupado, e que deve ter muitas outras coisas para fazer. Mas Sakura ultimamente anda impossível. ─ Suspirou. ─ Não é a primeira vez que ela vem parar na direção esse ano, mas espero que seja a ultima. ─ Fixou seus olhos em mim. Eu já estava começando a me intimidar com toda aquela pressão. ─ Hoje ela jogou tinta em cima de uma colega de turma, que estava se apresentando em uma peça. Por esse motivo, a apresentação foi cancelada, sem contar a humilhação que a colega sofreu por conta dela.

 

Meu pai fechou os olhos por alguns segundos, como se buscasse paciência. ─ Eu sinto muito por isso diretora. ─ Disse suspirando. ─ Sakura anda passando por uma fase difícil na vida, se rebelando e tentando chamar atenção. ─ Sorri pasma com suas palavras.

 

Então eu era a filha rebelde em busca de atenção?

Tá, talvez eu realmente seja, mas a culpa caia toda sobre mim?

Isso tudo era tão estúpido que chegava á me dar náuseas. Eu sentia o choro entalando minha garganta, e por mais que quisesse chorar, me contentei. ─ Engraçado era que para isso, ele possuía tempo para mim.

 

─ Sim, eu entendo senhor. ─ Disse Tsunade, concordando com tudo o que ele dizia. Puxa saco.

 

─ Mas não se preocupe, irei ter uma conversa com ela quando chegarmos em casa. ─ Lançou um olhar severo em minha direção. ─ Mas então, qual será a punição? ─ Voltou á encarar Tsunade.

 

─ Bom, normalmente atitudes como essa são motivos de expulsão, mas Sakura é uma garota brilhante, e não nós do CES não queremos perde-la. ─ Corrigindo, eles não querem perder o patrocínio do meu pai. ─ Então decidi dar apenas uma suspensão de três dias para ela.

 

─ Muito obrigado diretora. ─ Meu pai agradeceu. ─ Posso lhe afirmar que acidentes como este não voltarão á acontecer.

 

─ Assim espero senhor prefeito. ─ Disse se levantando, junto com meu pai. ─ A suspensão começa á partir de amanhã, então Sakura pode terminar de assistir ás aulas por hoje. ─ Disse enquanto o acompanhava até a saída. ─ Muito obrigada por ter pegado parte do seu tempo para vir aqui.

 

─ Eu é que agradeço por ser tão compreensiva. ─ Respondeu. ─ Nos vemos em casa Sakura. ─ Disse pouco antes de cruzar a porta.

 

Assim que Tsunade a fechou, caminhou em minha direção. ─ Depois dizem que eu sou uma diretora ruim. ─ Suspirou. ─ Já livrei três alunos da expulsão, só hoje. ─ Comentou, desnecessariamente.

 

─ Eu já posso ir? ─ Arqueei uma sobrancelha, já impaciente com todo aquele sermão.

 

─ Sim. ─ Respondeu incomodada. Me levantei da cadeira o mais rápido possível, e antes que pudesse sair, Tsunade se pronunciou mais uma vez. ─ Mas quero que vá se desculpar com Hinata primeiro.

 

─ Tudo bem. ─ Concordei, levando em conta que eu já pretendia fazer isso. Não que eu tivesse me convencido que de Hinata realmente era inocente, mas eu não queria mais participar dessa guerra idiota.

 

E como prometido á Naruto, eu iria colaborar para que tivéssemos um bom relacionamento. E o primeiro passo seria acabar com isso tudo.

 

 

Deidara Yamanaka ─ Senhor Akasuna?

 

15h36min – Mansão Akasuna

 

         Acordei sentindo uma dor de cabeça horrível. Abri os olhos lentamente, vendo a claridade entrar pelas brechas da cortina preta. Tentei me mover, porém Sasori estava em cima de um dos meus braços. ─ Porque ele tinha que ser tão pegajoso?

Com a minha única mão disponível, o empurrei para o lado, para conseguir por fim me soltar. Meu braço estava dormente.

Peguei meu celular ao lado da cabeceira, e quase tive um ataque quando vi que já havia se passado das três da tarde.

 

─ Sasori. ─ O cutuquei, ouvindo apenas um resmungo seu. ─ Sasori, acorda, são três da tarde. ─ Insisti.

 

─ O quê que tem Deidara? ─ Murmurou se cobrindo com o lençol.

 

─ O que tem, é que tínhamos aula hoje, ou você está esquecido? ─ Bufei irritado. Ele não tinha algum despertador ou algo do tipo nessa casa? ─ Nós perdemos a aula Sasori.

 

─ Que triste Dei, agora volta á dormir. ─ Murmurou, me ignorando completamente.

 

─ Arg! ─ Revirei os olhos me levantando, caminhando em direção á porta. Porém parei assim que ouvi uma voz grossa e masculina, e não precisou de muito para que eu percebesse de quem se tratava. Shinobu Akasuna. Corri novamente para a cama, sacudindo Sasori de um lado para o outro. ─ Sasori, Sasori.

 

─ Caralho Deidara, o que foi? ─ Murmurou novamente, sem olhar em minha direção.

 

─ Você não disse que seu pai estava viajando? ─ Perguntei virando ele contra vontade de cabeça para cima.

 

─ Sim. ─ Murmurou, com os olhos ainda fechados.

 

─ Então porque ele está lá fora? ─ Perguntei. Sasori abriu os olhos imediatamente, pulando da cama.

 

─ Meu pai está aqui? ─ Disse assustado. ─ Porque ele não me disse que viria? Droga! Ele vai me matar por ter faltado à aula. ─ Murmurou enquanto se levantava.

 

Bom, ter matado aula não era o que mais me preocupava no momento, e sim o fato de o pai do Sasori me odiar. Tá, talvez odiar seja um termo bem forte, mas que ele não gostava da nossa amizade era verdade.

Era meio obvio o quanto o senhor Akasuna se sentia desconfortável com a nossa proximidade, e por esse motivo eu parei de vir aqui durante muito tempo.

Eu e Sasori nunca nos desgrudamos desde o jardim de infância, e por esse motivo Shinobu começou á temer que o único herdeiro dele gostasse de homens. ─ Sim. Shinobu é o típico pai de família tradicional japonesa. E havia três regras que Sasori jamais poderia quebrar; ser hétero, cristão e assumir o ramo de brinquedos da família. ─ O que era totalmente estúpido.

Bom, quando Sasori fez treze anos Shinobu começou á entrar em ação. Jogando o menino em praticamente um puteiro. Sim, de aniversário de treze anos o senhor Akasuna levou Sasori para uma boate. ─ Para provar a masculinidade dele talvez? ─ E desde então ele empurra o máximo de garotas possíveis para cima do filho. E o resultado disso tudo foi o Sasori vadio que conhecemos hoje.

 

─ Vem Deidara! ─ Sasori disse enquanto colocava a blusa.

 

─ Você não estava usando blusa ontem? ─ Perguntei com o cenho franzido.

 

─ Sei lá, às vezes eu tiro a roupa enquanto durmo. ─ Disse dando de ombros. Abrindo a porta do quarto em seguida. ─ Pai? ─ Perguntou enquanto saia. Minha vontade era de sair correndo para não ter que encarar Shinobu, mas Sasori parecia não notar o desespero em meus olhos. ─ Vem logo Deidara. ─ Voltou, percebendo que eu não havia saído do lugar.

 

Soltei um suspiro e o segui, descendo as escadas da casa, chegando até a sala principal.

 

─ Sasori. ─ O homem cumprimentou o filho, e logo seus olhos seguiram até mim, no topo da escada. ─ Deidara. ─ Pude perceber a surpresa em sua voz, e talvez um pouco de antipatia.

 

─ Senhor Akasuna. ─ Me curvei para ele, lhe forçando um sorriso.

 

─ O senhor voltou mais cedo. ─ Comentou o ruivo. ─ Achei que só fosse voltar no fim de semana.

 

─ Consegui resolver tudo hoje, então pude voltar mais cedo. ─ Respondeu simplista. Ele não era muito de conversar. Razão pelo qual Sasori era tão carente de atenção. ─ Porque vocês faltaram a aula hoje? ─ Perguntou após se dar conta do que estava acontecendo.

 

─ Deidara e eu perdemos a hora. ─ Respondeu Sasori.

 

─ Espero que isso não se repita. ─ Disse caminhando até a cozinha. ─ Não pago mensalidade para você faltar atoa Sasori.

 

─ Sim senhor. ─ Foi apenas o que o ruivo respondeu, fazendo sinal para que eu o seguisse.

 

Quando chegamos à cozinha, a cozinheira já havia preparado o almoço ─além do mais já eram três da tarde─, e o senhor Akasuna pediu para que o servisse para nós três.

 

─ Na verdade eu acho que já vou indo. ─ Me pronunciei. Eu estava tão desconfortável naquele lugar, que não aguentaria ficar mais um minuto sequer. ─ Está tarde.

 

─ O que? ─ Sasori arregalou os olhos. ─ Nem pensar, vamos comer, e depois vamos jogar videogame, você prometeu lembra? ─ Ergueu as sobrancelhas vermelhas.

 

─ Mas... ─ Tentei contestas, mas quem disse que isso era possível com Akasuna no Sasori? A pessoa mais teimosa e persistente que eu conhecia.

 

─ Mas nada, senta aí e espera a comida. ─ Disse se sentando, e apontando para a cadeira ao seu lado. Shinobu apenas observava-nos apático. Eu realmente estava querendo me jogar da janela.

 

Fiz o que Sasori pediu, e me sentei ao seu lado. Shinobu se sentou á nossa frente, com os olhos estranhamente fixados em mim. ─ Então Deidara, faz tempo que não te vejo por aqui. ─ Iniciou o assunto.

 

─ É que eu ando um pouco ocupado por causa dos trabalhos do colégio. ─ Arrumei a melhor desculpa que me veio em mente.

 

─ Ah sim. Você continua fazendo aquelas esculturas de gesso? ─ Fingiu interesse.

 

─ São de argila. ─ Corrigi. ─ E sim, continuo os fazendo.

 

─ Hum. ─ Murmurou enquanto servia-nos a comida. ─ E já arrumou alguma namorada? ─ Não era possível, aquela pergunta só podia ser uma cilada, né? Não tinha como ele ter percebido nada. Não, isso era impossível.

 

─ Deidara não tem namorada pai, ele é um pegador. ─ Sasori e a boca grande dele. Parece que ele passa mal se não ficar um minuto sem fazer um comentário desnecessário.

 

─ Pegador? ─ Shinobu arqueou uma sobrancelha.

 

─ Sim. ─ Afirmou o ruivo, ignorando completamente as fuziladas que eu lhe enviava com os olhos. ─ As garotas correm atrás dele. Tenho tanta inveja. ─ Disse levando o garfo até a boca.

 

Ás vezes eu só queria entender de onde ele tirava essas coisas absurdas. Quer dizer, desde quando “dormir” com uma garota me fazia pegador? ─ Sasori possuía algum nível de autismo, não era possível.

 

─ Oh. ─ Disse Shinobu surpreso. ─ Isso é verdade? ─ Eu estava pronto para desmentir, porém parei, e pensei um pouco. Se ele achasse que eu sou hétero, então finalmente essa implicância dele comigo iria acabar.

 

 ─ É. ─ Afirmei. ─ Quer dizer, Sasori está exagerando um pouco. ─ Olhei de relance para o ruivo, que me olhava surpreso. Talvez pelo fato de eu sempre tê-lo repreendido quando ele falava algo do tipo.

 

─ Mas isso é ótimo. ─ Pela primeira vez ele parecia estar realmente interessado na conversa. ─ Sasori também poderia arrumar uma namorada. ─ Olhou para o ruivo, que fez a pior cara possível. Sasori fugia de relacionamentos sérios.

 

─ Eu estou ótimo do jeito que estou pai. ─ Rebateu o Akasuna, enfiando um pedaço de alface na boca. Fazendo com que o mais velho soltasse uma risada.

 

Ele riu? Ele realmente havia rido? Pelo visto ele tinha mesmo medo de eu colocar a masculinidade do filho dele á prova.

É, pelo visto eu seria hétero á partir de agora.

 

 

Hinata Hyuuga ─ Revira volta

 

16h01min ─ Pátio CES

 

         Estava sentada em um banco de madeira, olhando para o céu nublado. ─ Por mais quanto tempo eu teria que aguentar esses dias nublados? ─ Se fosse nos EUA, á essa hora eu já estaria pegando um táxi para Miami, junto com Toneri e nossos amigos. ─ Costumávamos matar aula para ir á praia, beber e tomar banho de mar.

Era até estranho comparar minha vida agora com a de antigamente. A Hinata de um ano atrás provavelmente acharia essa Hinata que me tornei hoje chata e careta. E eu não podia negar, eu sabia que era verdade.

 

─ Ei. ─ Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi uma voz feminina. Olhei para o lado, e me surpreendi ao ver que se tratava de Sakura. ─ Quero falar com você. ─ Sua cara não era muito boa, que se estivesse sendo torturada ao ter que vir falar comigo.

 

─ Sakura, eu acho que já deu né? ─ Me levantei. ─ Não tenho nada para falar com você. ─ Disse dando as costas para ela, porém Sakura segurou meu pulso.

 

─ Mas eu tenho. ─ Insistiu. ─ Eu quero me desculpar. ─ Completou. E eu quase não pude acreditar no que ouvia. Sakura queria se desculpar? ─ Não por ter te excluído socialmente, ou por ter espalhado para todo mundo que você é uma vadia, estou pedindo desculpas por ter jogado tinta na sua cabeça na apresentação. ─ Ela era inacreditável.

 

─ Eu não quero suas desculpas. ─ Rebati, com antipatia nos olhos. Até então eu não havia percebido, mas todos á nossa volta haviam parado para prestar atenção na nossa conversa. Se ela estava fazendo aquilo só para bancar a boazinha, não iria funcionar comigo.

 

─ E você acha que tem moral para fazer isso? ─ Disse obviamente surpresa com a minha resposta. Dava para sentir o quão ofendida ela estava. ─ Você tinha que dar graças á Deus por eu estar me dirigindo á palavra com você.

 

─ Sakura eu não preciso da sua piedade. ─ Me aproximei dela. ─ Eu não preciso de você, ninguém aqui precisa. Mas seu ego é grande demais para perceber isso. ─ Tá, eu estava brincando com fogo, e com certeza sairia queimada.

 

Naruto se aproximou ao lado de Gaara, ambos tentando de algum modo acalmá-la. Neji estava logo atrás de mim, e Sasuke apenas observava tudo em um canto. Como se quisesse saber onde tudo aquilo iria dar.

 

─ Sakura, vamos embora. ─ Naruto se aproximou dela, tentando puxá-la pelo braço, porém a mesma se soltou dele, sem deixar de desviar os olhos de mim por um segundo sequer. Eu conseguia ver a raiva exalando de dentro de si.

 

─ Você se acha muito não é? ─ Sorriu sem humor. ─ Você não é nada Hinata, é só mais uma vadiazinha se passando de santa.

 

─ Eu? ─ Arqueei uma sobrancelha. ─ Tem certeza que a vadia aqui sou eu?

 

─ Sakura. ─ Naruto a chamou mais uma vez, vendo que á cada segundo sua fúria só aumentava. Eu poderia vê-la explodindo á qualquer momento. ─ Já chega Hinata. ─ O loiro olhou em minha direção. Mas eu já havia chegado até aqui, e não recuaria. Alguém precisava abaixar a bola da Sakura, e se ninguém iria fazer, então eu faria.

 

─ O que você quer dizer com isso? ─ Sakura deu um passo á frente, ficando mais próxima de mim. Encarando-me de maneira desafiadora.

 

─ Porque você não conta a verdade para o Naruto? ─ Sorri de canto, e vi o loiro me olhar confuso. Sakura também pareceu confusa com minhas palavras. Porém não demorou muito para que ela percebesse do que se tratava. ─ Você acha justo julga-lo quando você também fez o mesmo?

 

─ Eu vou quebrar a sua cara Hinata. ─ Disse avançando para cima de mim, porém Naruto e Gaara a seguraram.

 

─ Do que ela está falando Sakura? ─ Naruto perguntou com seriedade, porém não obteve resposta.

 

─ Estou falando sobre ela ter dormido com Sasuke. ─ Soltei a bomba. ─ Duas vezes. ─ Completei.

 

O choque foi imediato, tanto que um silêncio se formou no local. Os olhos de Naruto foram automaticamente para Sakura, que por sua vez não desviava os seus de mim, como se estivesse me matando em sua mente. ─ E eu não duvidava nada que ela realmente estivesse.

Naruto deu um passo para trás, como se estivesse desestruturado, e em seguida olhou para Sasuke que também parecia chocado com isso.

 

─ Não foi isso o que aconteceu. ─ Disse Sakura, olhando diretamente para mim. ─ Isso é mentira! ─ Franziu o cenho, irritada.

 

─ Você dormiu com Sasuke, ou não dormiu? ─ Naruto perguntou, fazendo-a encará-lo.

 

Sakura ficou em silencio por alguns segundos, para por fim conseguir responder. ─ Sim. ─ Mais um choque, só que dessa vez bem mais forte. ─ Mas não da maneira que você está pensando. ─ Tentou justificar, porém Naruto não pareceu ouvi-la.

 

─ E eu me sentindo culpado esse tempo todo. ─ Foi apenas o que ele disse, antes de lhe dar as costas e seguir á caminho da saída do colégio.

 

─ Naruto. ─ Sakura o chamou, porém ele a ignorou. Ela então olhou em minha direção. ─ Você é baixa Hinata, muito baixa. ─ Foram suas ultimas palavras para mim, antes de segui-lo.

 

Todos á nossa volta estavam cochichando sobre o assunto, ainda espantados com o que havia acontecido. Sasuke olhou em minha direção, porém não disse nada, apenas seguiu pelo mesmo caminho no qual Sakura havia passado.

Será que eu havia feito mal? ─ Mas o pior é que eu não me sentia arrependida. Olhei para os lados, e todos me encaravam de maneira estranha. Soltei um suspiro e passei entre eles, tentando chegar á saída.

Talvez a antiga Hinata não tivesse desaparecido totalmente.

 

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Minha cabeça está debaixo d'água, mas estou respirando bem. Você é louca e eu estou fora de mim”. ─ John Legend.

 

Continua...


Notas Finais


Bom então... Finalmente consegui atualizar. Gente como eu disse antes, vai ser um pouquinho dificil agora né, por causa do trabalho e curso, mas eu tô aqui, firme e forte.
Nesse capítulo tivemos declaração do Sasuke com a Sakura, e bom, essa história vai continuar no próximo capítulo, quando os dois finalmente sentarem para conversar.
Tivemos também Gaara admitindo estar sentindo falta da Ino, e isso é um ótimo começo né?
Um pouquinho do passado da Hinata (Finalmente). E uma pista de como era a vida dela nos EUA. Notaram o Toneri? Então, o mino vai aparecer e ainda vai dar muita dor de cabeça, aguardem!
Um momento shikatema, que eu ameeei escrever
Briga do Neji e Sasuke.
Neji e Sakura (Esses dois se matando, imagine quando eles começarem a se pegar) e além do mais Neji viu os pulsos da Sakura sangrando! Isso também vai render.
Deidara e Sasori finalmente apareceram né,...
E por ultimo, essa treta da Sakura e da Hinata. Gente, não odeiem nenhuma das duas, até porque no meu ponto de vista ambas estão erradas. Ela vão ser amiguinhas, bffs, unha e carne, sol e estrelas. Ok? Tá faltando pouco para essa briga toda acabar.
Naruto achando que tem alguma moral para ficar com raiva da Sakura, só observo.

Bom, acho que é só isso. Mas antes de me despedir queria propor um desafio para vocês. Lembram quando eu disse que alguém iria engravidar? Então... Eu prometo, que a primeira pessoa que descobrir "Quem vai engravidar, e de quem irá engravidar", poderá escolher o próximo hentai da fanfic. DO CASAL QUE QUISER. Pode ser gaasaku, sasuten, nejitema... Enfim, qualquer casal que tenha nas tags ok?

Bom, espero que tenham gostado.
Beijoooos e até o próximo <3


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