História Clarity - Capítulo 147


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Cross-dresser, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi, gente!! Minhas últimas provas serão na segunda ainda, mas consegui arrumar um tempinho para postar hoje uhuuuuu!

Ahhhh, gente do céu, eu to numa vibe de escutar música sertaneja e eu só vejo a Mari e o Leo kkkkkkkkkkk sério! Tipo "O nosso santo bateu", "A rosa e o beija flor", "Ser humano ou anjo", tuuuudo! Fico imaginando umas ceninhas deles, tão fofos <3

Enfim, boa leitura!

Capítulo 147 - Sixth - Marry Me


Fanfic / Fanfiction Clarity - Capítulo 147 - Sixth - Marry Me

- Ele já será um Castanhari... - o Leo sorriu. - Você também quer ser?

Fiquei estática ao vê-lo levantar da cama. Meu coração acelerou de uma forma absurda e eu ainda estava me perguntando se aquilo queria dizer o que eu estava pensando. Quer dizer, eu posso ter entedido errado, né? Ou ele pode ter feito uma brincadeira - muito sem graça - para descontrair. 

- O que você... você está pelado! - consegui dizer algo e o Leo deu risada. - Leonardo Castanhari Benacci, para com isso! É um pecado brincar desse jeito comigo. 

- Eu sei. Relaxa! - disse rindo e senti uma ponta de decepção. 

Ele não ia mesmo me pedir em casamento... por que acreditei que iria? Nós acabamos de voltar e por mais que tenhamos intimidade - de oito anos - o suficiente, ainda parecia ser meio precipitado. Certo? Errado. A quem eu estava enganando? Eu queria tanto que ele tivesse pedido. Mas não deveria ficar pilhada, nós temos uma filha juntos e casamento seria meio antiquado para nossa história longa e intensa. Tudo bem, antiquado nunca seria porque ainda sonho em entrar de branco em uma igreja e ver o Leonardo me esperando no altar, mas... meu Deus, eu estou muito pilhada. 

- Não se faz uma brincadeiras dessas. - digo emburrada e levanto para vestir minhas roupas. 

- Ah, qual é! Você está brava comigo? - ele levantou e veio até mim. 

- Não, ué. - dei de ombros. - Estou bem. Em nenhum momento você disse a palavra casamento ou algo do tipo, então não tem como ficar brava por eu ter entendido algo errado. 

- Mari...

- Boa noite. - lhe dei um selinho e ia sair, mas ele segurou meu braço. - O que foi? 

- Você não vai dormir comigo? 

- Não. A Alicia não gosta de acordar sem mim e eu me acostumei a dormir abraçadinha com ela. - respondi. - Boa noite. - dei as costas.

- Ei. - ele me chamou enquanto eu estava abrindo a porta e eu o olhei por cima do ombro. - Eu te amo. 

- Eu sei. - sorri e saí do quarto. 

- Eu sei?! Sério mesmo que você está brava comigo? - ele veio atrás. Aí, eu não estava brava! 

- Não estou brava, amor. - passei os braços em volta de seu pescoço. - Eu te amo. É isso que você quer ouvir? 

- Não desse jeito. - ele murmurou.

- Para com isso, eu só quero dormir com a Alicia mesmo. 

O Leo abriu a boca para responder, mas notei seu olhar parou em algo atrás de mim. Me virei e a Alicia estava coçando os olhos com seu inseparável ursinho panda de pelúcia nos braços. 

- Posso dormir com vocês? - ela se aproximou e eu a peguei no colo. - Quelo dormir com a mamãe e com o papai. 

- Claro que pode. - o Leo a pegou do meu colo e sorriu vitorioso para mim. Revirei os olhos. 

A minha filha não ia dormir na mesma cama que o pai dela e eu acabamos de transar. Não mesmo. 

- Vamos dormir naquele quarto mesmo. Pode ser? - sussurrei para o Leo e ele franziu o cenho, mas pareceu entender. 

- Tudo bem. 

O Leo ficou deitado com a Alicia enquanto eu tomava banho, então depois eu deitei com ela e ele foi tomar um banho. Quando voltou para a cama, tentou abraçar a Alicia e eu ao mesmo tempo. Alicia pareceu se aconchegar que até sorriu mesmo dormindo e eu também estava confortável. Confortável de um jeito que não sentia há muito tempo. 

(...)

- Mamãe? Está acordada? - ouvi a voz da Alicia. - A tia Brooke está aqui e ela disse que é bom você acordar senão vamos perder o avião. 

- Bom dia. - sorri e beijei sua bochecha. - Cadê o papai? 

- Não sei. Ele saiu faz um tempo e ainda não voltou. - franzi o cenho. Onde será que ele foi? 

Levantei para me arrumar e também arrumar a Alicia para, finalmente, voltarmos para Los Angeles. Eu amava Londres e amava algumas pessoas que moravam aqui, mas meu coração se enchia de saudade de Los Angeles cada vez que eu ficava muito tempo longe. O Leonardo chegou quando já estávamos prontas e percebi que ele estava estranho. Parecia ansioso e inquieto. Franzi o cenho na mesma hora, mas nem perguntei onde ele estava. Talvez estivesse resolvendo algumas coisas, afinal, ele estava indo embora daqui. 

- Estão prontas? - o Leo apareceu na porta. 

- Sim! - Alicia saiu correndo para o colo dele. - Eu estou muito, muito, muito feliz. 

- Está? - o Leo sorriu e beijou sua bochecha. - Vamos colocar as malas no carro, então? - assenti e nós saímos do quarto. 

Brooke, Henry e Raven, namorada do Henry, estavam nos esperando. E sim, Raven era aquela garotinha que Henry era apaixonado desde os dez anos. Ela era tão difícil de lidar e era super normal vê-los discutindo, mas no final aos beijos em algum canto do lugar onde estávamos. Brigavam, se implicavam, ficavam emburrados, mas se amavam. Essa história era tão familiar... 

Foi o maior chororô durante a despedida no aeroporto. Brooke e eu sempre terminávamos chorando nesse aeroporto de Londres. Sempre. Mas era só de saber da saudade que sentiríamos durante os próximos meses, passaria rápido. Sempre parecia passar rápido e agora era mais fácil tanto para mim quanto para eles visitarmos um ao outro seja aqui ou em Los Angeles. 

- Assim que você conseguir uma folga vai nos visitar, né? - falei para a Brooke e ela assentiu. 

- Aí, eu vou morrer de saudades da Alicia. - ela a abraçou mais uma vez e a Alicia deu uma risada gostosa. 

- Também vou sentir saudades, tia Brooke. - Alicia disse e beijou a bochecha dela. 

A última chamada do nosso voo foi anunciada e depois de mais alguns abraços, entramos na área de embarque. Alicia estava inquieta, mas não mais que seu pai. Eu estava achando aquilo muito estranho. Peguei os dois me olhando várias vezes e quando perguntei "O que foi", eles responderam "Nada, ué" e depois trocaram olhares cúmplices. Não gostei disso. Não queria que eles estivessem escondendo coisas de mim. O que será que era? Todo mundo sabe que eu sou muito curiosa e que isso ás vezes me impede de dormir! 

- Tá legal, vocês vão me dizer agora o que está acontecendo. - falei impaciente. Já estávamos dentro avião e a Alicia no assento entre o Leo e eu. - Que olhares são esses? Eu estou morrendo de curiosidade. 

- Não é nada, mamãe. - Alicia garantiu e sorriu. 

- Você ainda está brava comigo por ontem a noite, né? - o Leo sussurrou se inclinando para perto de mim por cima da cabeça da Alicia.

- Você fez uma brincadeira bem sem graça, mas eu não estou brava. 

- Não era bem uma brincadeira, Mari. Era só uma amostra. Queria saber como você iria reagir. - disse me olhando. 

- Uma amostra? Aham, senta lá. - levantei as sobrancelhas sem acreditar. - Está tudo bem, eu só fiquei surpresa e depois meio decepcionada, e não consigo esconder minhas emoções. Mas estou bem, sério. Também acho que seria meio precipitado, nós acabamos de voltar e...

Parei de falar quando ele tirou uma caixinha de veludo preta do bolso e levantou o olhar para me encarar. 

- Isso não é sério. 

Mas quando nossos olhares se encontram, percebo que ele não está brincando. Seu semblante é sério, ansioso e nervoso. 

- Alicia, a mamãe acha que estou brincando. - o Leo cutucou a Alicia e ela cobriu a boca com as mãos, soltando uma risadinha abafada.

- Não é brincadeira, mamãe. O papai me contou que está planejando isso há muuuito tempo. - Alicia disse séria. 

Quase enfartei quando o Leo soltou o cinto de segurança e levantou do assento. Passou pela Alicia e por mim, então se ajoelhou no meio do corredor enquanto eu fiquei de joelhos no banco com o coração na minha garganta, quase saindo pela boca. 

- Você aceita ser, oficialmente, minha garota? - disse sério. Meus olhos ainda estavam arregalados. - Casa comigo, morena. 

Me distraí com um coro de "yes" vindo do restante das pessoas do avião. Eles não entendiam a língua em que estávamos falando, mas entenderam o que estava rolando. Quem não entenderia? Permaneci com as mãos no rosto, mas encarei o Leo e uma lágrima escorreu pela minha bochecha. 

- Responde logo, mamãe! A moça vai vir mandar o papai sentar! - Alicia disse e olhei para ela, que parecia super nervosa e ansiosa. 

Abri um sorriso que fez minhas bochechas doerem e me debrucei sobre ele, abraçando seu pescoço e sussurrei vários "sim" em seu ouvido. Ele abraçou minha cintura e levantou, mas eu ainda estava de joelhos no assento. Todos ao nosso redor começaram a bater palmas e senti minhas bochechas queimarem, enquanto o Leo soltava um risada baixa perto da minha orelha. Me arrepiei inteira. "Eu te amo", ele sussurrou e tudo arrepiou mais uma vez. 

- Desculpa estragar o momento, mas nós vamos decolar. Vocês precisam colocar os cintos de segurança. - a aeromoça apareceu e obedecemos. - Felicidades a vocês. - ela sorriu. 

- Obrigada! - respondemos e ela se retirou. 

Alicia estava batendo palminhas e comecei a rir ao me dar conta de que o Leo tinha planejado isso com uma criança de dois anos.

- Por isso você ficou fora a manhã toda praticamente? Estava comprando uma aliança? - encarei o anel no meu dedo e sorri novamente. Era delicado, do jeito que eu gostava. Ele sabia que eu não gostava de anéis grandes e chamativos. 

- Na verdade, eu comprei há uns três ou quatro dias. - o encarei boquiaberta. - Mas contei para a Brooke ontem e ela disse que não caberia no seu dedo. Fiquei desesperado... caralho. 

O repreendi com o olhar por ter falado palavrão na frente do Alicia. 

- Por sorte, tinha de um tamanho menor do mesmo modelo e deu tudo certo. 

- Por isso você fez aquilo ontem, né? Estava ansioso e queria saber como seria minha reação. 

- É... me arrependi quando vi a decepção nos seus olhos. Mas eu sabia que valeria a pena depois... - ele me olhou. - Você está sorrindo só pelos olhos. - sorri ainda mais e o abracei mais uma vez. 

- Eu te amo. - sussurrei e lhe dei um selinho.

Encostei a cabeça em seu ombro e a Alicia olhou para cima, para nós dois, e abriu um sorriso lindo. Ela estava feliz. Não era apenas eu que estava sorrindo com os olhos. Alicia e o Leo também estava da mesma forma. Parecíamos três bobos que olhávamos para a cara um do outro e começávamos a sorrir. Ou rir. Era uma sensação boa demais para mim e era só ver a Alicia desse jeito, que eu sabia que estava fazendo a coisa certa. A coisa certa para ela, a coisa certa para o Leo e a coisa certa para mim. 

(...)

- Ai, eu nem sei quem eu abraço primeiro! - a Pri exclamou ao ver Alicia e eu paradas na frente de seu apartamento. - Mentira, sei sim! - ela abraçou a Alicia, que soltou uma risada gostosa. 

- Tinha que ser as duas ao mesmo tempo, titia! - Alicia disse. 

- Tem razão. - Pri abraçou nós duas. 

Queria só ver a reação do Lucas e da Pri ao verem o Leonardo aqui. Eu não contei nada a eles e o Leo ainda estava lá embaixo. 

- Que bagunça é essa aqui? - o Lucas apareceu na sala e abriu um sorriso ao nos ver. Alicia foi correndo para o colo dele. - Saudades, princesa.

- Também estava com saudades, titio! 

Abracei o Lucas por longos segundos e percebi que ele franziu o cenho, depois arregalou os olhos ao olhar para a porta. O Leo, finalmente, subiu. 

- O que... vocês voltaram?! - Lucas exclamou e foi direto abraçar o melhor amigo. A Priscila também voltou a atenção para a porta. 

- Ai. Meu. Deus! - a Priscila notou a minha mão e o anel brilhando no meu dedo. - Você é um filho da puta, mas eu te amo e estava com saudades. - a Pri abraçou o Leo e ele riu.  

- Sou um filho da puta, mas eu também amo você. E principalmente a Mari e a Alicia. - o Leo beijou a testa da Pri. 

- Não acredito nisso! Por que vocês não me contaram? Você voltou para ficar, Leo? Não me diz que vai embora de novo, senão você vai sem seu bilau! - abri um sorriso ao me dar conta de que a Pri disse a mesma coisa que eu. 

- Já recebi essa ameaça, Pri. - o Leo disse me olhando. 

- O que é bilau? - Alicia perguntou e todos olhamos para ela. Nos entreolhamos no segundo seguinte. 

- Um dia você vai saber, Lili. - Priscila disse em um tom malicioso e o Leonardo a fuzilou com o olhar. 

- Não é nada, filha. Vem aqui. - a peguei no colo e vi que Lucas e Leonardo estavam rindo agora. Quero só ver quando Alicia começar a fazer perguntas de tudo que ouve por aqui. Eu estaria ferrada, carregaria todo o fardo. 

A Priscila me abraçou mais uma vez e colocou nossas mãos direita uma ao lado da outra. Ela também iria se casar em breve. Lucas e ela não poderiam estar mais felizes. Nós não poderíamos estar mais felizes. Olhando agora... se alguns anos atrás a Priscila e eu estivéssemos conversando sobre isso, sobre esse futuro, não levaríamos a sério o lance do casamento ou de construir uma família. Nós éramos adolescentes, apaixonadas e vidradas pelos sentimentos intensos que algum garoto já tinha conseguido nos causar - principalmente eu que nunca tinha me apaixonado antes. Mas ainda imagino como deveria ser para o Leo e para o Lucas. Eles - principalmente o Leo - não queriam compromisso, gostavam da vida de solteiro e de pegador. Me pergunto o que Leonardo sentiu cada vez que nos aproximávamos mais. Será que seus pensamentos ficavam em guerra com seus sentimentos? O cérebro mandando-o se afastar, mas o coração mandando-o apenas se aproximar. Mesmo que ele já tenha me contado, eu tinha vontade de entrar em seus pensamentos e saber exatamente o momento em que ele se apaixonou, o momento que ele me amou... ele não fazia ideia que estaríamos aqui agora. Eu também não, mas nas minhas fantasias de adolescente apaixonada já tinha me imaginado casada com ele. Já ele? Nunca. Mas eu nunca o vi com o olhar tão iluminado. 

- Vocês chamaram mais alguém? - perguntei para a Pri quando ouvi a campainha tocando. 

- Sim. Todo mundo. 

A Pri abriu a porta e eu abri um sorriso ao ver Trevor. Corri em sua direção e o abracei com muita força, estava com saudades. 

- Não fica tanto tempo longe assim não. - disse e me deu um beijo na testa. 

Minha nossa, ainda bem que ele não me deu um selinho como de costume. Alicia notou sua presença e também foi correndo abraçá-lo. Meu olhar se encontrou com o do Leonardo e seu maxilar estava travado em sinal de raiva. Ai, droga.

- Espera aí! - Trevor disse e pegou minha mão, vendo a aliança. - Ah, vocês se resolveram. Eu te avisei.

- É, você avisou.  

Engoli em seco quando Trevor foi até o Leonardo. Arregalei os olhos para o Lucas, que simplesmente soltou uma risada! Só eu estava nervosa?

- Cara, fico feliz por vocês. Tudo que eu quero é ver a Mariana feliz, e a Alicia também. Mas se você ficar com as porras das frescuras em relação a minha amizade com a Mari, ai sim nós teremos um problema. - Trevor disse. Curto e grosso. 

- Por que esse cara me lembra tanto o Pedro? - o Leo disse me olhando e eu segurei uma risada. 

- Gente, pra que isso? Tão desne, sério. - falei. - E sim, Leo, Trevor está certo. Ele é meu amigo, a Alicia gosta muito dele, então sem ciúmes. 

- Como não vou sentir ciúmes? Vocês trepavam! E já se beijaram na minha frente. - o Leo disse baixo, só para eu ouvir. Ele usou a palavrar "trepar" mesmo? Meu Deus. 

- Nós somos só amigos. Nunca tivemos sentimentos um pelo outro. Eu gostava de "trepar" com ele, ele gostava de "trepar" comigo e rolava. Só isso. - ele me olhou ainda mais puto. - Que é? Leonardo, você tem vinte e quatros anos nessa cara. Pode parar com isso. 

Ele bufou e voltou a sua atenção para o Trevor. 

- Só por elas. - o Leo deixou bem claro e estendeu a mão. 

- É um grande passo. - Trevor apertou a mão dele. 

Priscila, Lucas e eu estávamos rindo. Era uma situação tão desconfortável e desnecessária. Leonardo não sabia como era minha relação com Trevor e Trevor não sabia de tudo sobre meu relacionamento longo com o Leonardo. Lucas e Priscila sabiam dos dois lados, sabiam dos dois lados da moeda e concordaram comigo em como isso não é necessário. Bom, talvez os dois se provocaram o suficiente em Londres. Pelo menos agora o clima não ficaria tão tenso. 

- Fico só pensando em como a minha mãe vai reagir quando descobrir que tem uma neta. - o Leo disse para mim. Puta merda, a tia Ana!

- Ela vai me matar. Puta merda, ela vai me matar! 

- O que acha de contarmos para ela agora? 

- Agora? 

- Sim. - disse. - Ela pretendia ir me visitar em Londres no final do mês. Ela pode vir pra cá. 

- Ela vai enfartar. 

- Vai mesmo... mas vou chamá-la pelo Skype. Beleza? - assenti nervosa. 

O Leonardo tirou seu notebook da mochila e antes falou com a mãe pelo WhatsApp para saber se ela estava disponível. Sim, ela estava. Só sei de uma coisa: fodeu. Ela vai ficar muito brava comigo e com total razão! 

- Oi, mãe. - o Leo sorriu quando a imagem da tia Ana apareceu na tela. Eu ainda não apareci, ela nem sabia de nada. Nada mesmo

- Oi, Leo! - ela sorriu animada. - Onde você está? Esse não é o seu quarto. - ela franziu o cenho. 

- Oi, tia... - apareci e ela quase se engasgou. 

- Vocês voltaram?!?! Ai meu Deus, finalmente!!!!! 

Tia Ana era Priscila. Tia Ana era Lindsay. Tia Ana era todo mundo. 

- Você voltou para Los Angeles? Ou a Mari está em Londres? Nossa, estou perdida! E a maluca da Brianna, Leonardo? Alguém me explica alguma coisa. E sinto muito sua falta, Mari. 

- Também sinto sua falta, tia... - falei sorrindo. Depois eu ia chorar. - E o Leo voltou para Los Angeles. 

O Leo segurou minha mão e mostrou para a tia Ana. E ela teve outro ataque. Comecei a rir, a tia Ana era demais. Ela ficou indignada por não termos contado nada e queria saber de todos os detalhes, mas o Leo disse: 

- Mãe, quero que você conheça uma pessoa. 

- Sério? Quem? - ela perguntou curiosa. 

- Alicia, vem cá. - o Leo chamou e a Alicia sentou no meio de nós dois. Antes ela estava na cozinha brincando com os outros. 

A confusão estava estampada no rosto da mãe do Leo. E mais uma vez o sentimento de culpa me atingiu em cheio. Eu era uma péssima nora. 

- Diz oi para a vovó, Alicia. - e quando o Leo disse isso, a tia Ana ficou branca. 

- Oi, vovó! Eu sou a Alicia! - minha filha acenou com um sorriso e se aproximou do notebook. 

Tia Ana levou segundos para responder. Ela parecia estar passando mal. 

- O-oi, Alicia. - ela respondeu. - O que... como... por que os seus pais te esconderam de mim, Alicia? 

Até que ela se deu conta. 

- Você a escondeu do Leo. - disse e me encarou indignada. E decepcionada. Meu coração se contraiu. - Ela tem quantos anos? Dois? Você engravidou antes do Leonardo ir embora e você escondeu dele! 

A Pri fez um sinal para a Alicia ir até ela na cozinha novamente, então assim Alicia fez. 

- Mãe, ela já se sente culpada o suficiente. - o Leo disse. Eu nem sabia o que dizer, acho que nem tinha o que dizer. 

- Estou decepcionada com você. Como teve coragem de esconder a minha neta de mim? A filha do Leonardo? Francamente, Mari... - agora ela estava chorando. Comecei a chorar também. 

- Eu sei... eu sei mesmo. Sério, nem tem justificativa para o que eu fiz, mas eu estava tão ferrada. Ele tinha acabado de ir embora, até tinha se despedido de uma forma... definitiva. Eu tinha vinte e um anos, estava no auge da minha vida de universitária e no auge do meu estágio. E estava grávida. Sem ofensa, mas grávida do cara que eu ainda amava e que escolheu me dar um pé na bunda. De novo. 

- Mari... - o Leo quis me interromper. Eu sempre ficava meio emotiva e exaltada falando nisso. 

- Sei que fui injusta com o Leonardo. Sei que fui injusta com você. Mas eu só estava pensando que nunca ia querer que Alicia crescesse apenas com 50% do seu pai. Vê-lo duas vezes por mês? Não, eu não aguentaria ver a minha filha desse jeito e tentei pensar no que seria melhor para todo mundo. Principalmente para o Leo. Todos nós sabemos o quanto ele é apaixonado pela carreira. 

- Todos nós sabemos o quanto ele é apaixonado por você! - a tia Ana me interrompeu. - Tudo bem, eu entendo o seu lado. Entendo mesmo, mas... porra. 

O Leo e eu seguramos a risada. A Ana nunca falava palavrão. Mas talvez essa fosse a única palavra para definir seus sentimentos. 

- Mãe, não vamos ficar falando muito nisso. Só vem pra cá ao invés de ir para Londres. - o Leo disse. 

- Vou mesmo! Antes do fim do mês. - disse. - Deixa eu ver a Alicia de novo? 

- Alicia. - eles estavam todos na cozinha e a Alicia veio correndo até nós na sala. - A vovó quer falar mais com você. 

- Oi de novo, vovó! - Alicia soltou uma risadinha e os olhos da Ana brilharam ainda mais. Ela estava emocionada. 

- Oi! - ela soltou uma risadinha também. - Quantos anos você tem, Alicia? - ela tentou puxar assunto. 

- Assim ó. - ela levantou dois dedinhos. - Dois. E você, vovó? 

- Quarenta e um. - Alicia ficou tentando fazer nas mãos. - É muito número, não cabe. 

- Você é bonita. - Alicia disse apoiando os cotovelos na mesa, se aproximando da tela. - A mamãe sempre me falou de você. Ela disse que você era a pessoa mais importante do mundo para o papai e que você é maravilhosa. 

A tia Ana me olhou com um sorriso e eu retribui. É claro que eu sempre falava dela para a Alicia. Sempre falava do Leo e de sua mãe. Sempre. 

- Ai, eu estou apaixonada por você. - Ana disse sorrindo. - Você sabe o nome da sua mãe e do seu pai? - ela ainda tentava manter uma conversa. 

- Mali e Leo. - ela disse toda orgulhosa. Se enrolava para falar algumas palavras com "R" e meu nome era uma delas. - O papai combinou tudinho comigo para pedir a mamãe em casamento! Eu consegui guardar segredo, fiquei quietinha. 

- Então, você cúmplice do seu pai nessa história? - Ana sorriu ainda mais. - E você está feliz agora que a mamãe e o papai estão juntos? 

- Você está blincando?! Eu estou muito, muito feliz! 

- Você é tão adorável, Alicia. 

- Obrigada, vovó. - ela mandou um beijinho para a Ana e fez um coração com as mãos. - Eu vou blincar com a tia Pri, o tio Lucas e o tio Trev. Mas eu plometo que amanhã eu converso com você. 

- Tudo bem. Amanhã! E eu prometo que vou te conhecer daqui alguns dias. 

- Beijos, vovó. 

- Beijos, Alicia. 

Alicia voltou para a cozinha. 

- Ela é tão esperta! - Ana disse. 

- Ela é demais. - falei sorrindo. - É esperta, adorável e se importa tanto coisas as coisas ao seu redor. Você precisava ver como ela agia cada vez que me via triste ou chorando. 

- O que ela fazia? 

- Ela perguntava o motivo, ficava limpando as lágrimas e dava vários beijinhos no meu rosto. Dormia agarradinha comigo. 

- Estou mesmo apaixonada por ela. 

- É impossível não se apaixonar. - o Leo disse sorrindo. - Mãe, organiza mesmo esse lance de vir pra cá. 

- Vou organizar. Amanhã mesmo! E aviso vocês. Tudo bem? 

- Tudo bem...

- Boa noite. Não sei bem se vou conseguir dormir a noite, mas... 

- Desculpa mesmo, tia. 

- Está tudo bem. Agora pelo menos. - soltei uma risadinha. - Amo vocês. E estou com saudades. 

Respondemos que também estávamos com saudades, então desligamos. Alicia estava animada brincando com seus "titios". 

- Se você continuar se sentindo culpada... - o Leo disse baixo ao ver minha expressão. - Mari, olha pra mim. 

O olhei. Não era apenas culpa que eu estava sentindo e sim... será que estava educando-a corretamente? Sua educação ainda estava sendo formada, ela ainda era jovem e eu tinha tanto medo de errar com ela. 

- Você fez errado? Fez. Mas você é uma mãe incrível. Você não vê o quanto a Alicia te ama, te admira e te respeita? Ela te olha com tanta admiração, como se você fosse a preciosidade dela. 

- Ai, não fala assim que eu choro. - olhei minha filha de longe. Ela era a minha preciosidade, sem dúvida alguma. - Foi apenas ela e eu nesses dois anos e lembra que te falei que era estranho fazer qualquer coisa sem ela? É mesmo. Nós somos tão parceiras e... não quero que isso mude. 

- Não vai mudar. Ela é incrível, assim como você. 

- Fico feliz de saber e ver que vocês também são parceiros. - abri um sorriso. - Viu o quanto ela ficou toda orgulhosa de dizer que foi ela quem te ajudou a preparar a surpresa toda? Ai, Leo, o que eu sinto por ela vai tããão além de amor. 

- Foi assim pra mim. Não a conhecia e só de olhá-la sem nem saber que ela era minha filha... é uma sensação, né? 

- Sim. A que eu senti quando ela nasceu. - suspirei sorrindo e encostei a cabeça em seu peito. - Estou tão feliz. 

- Eu também. - ele beijou minha testa e depois meus lábios. - Eu te amo. 

- Eu também quero beijinho! - Alicia veio correndo e pulou em cima de nós dois. - Um beijinho no papai. - ela deu um selinho no Leo. - E um na mamãe. - ela deu um selinho em mim. 

- Quero só ver se ela resolve sair dando selinho em todo mundo! - Priscila disse rindo. 

- Não, titia. A mamãe disse que só posso dar beijinho nela e no papai. - Alicia disse como se fosse gente grande.

- Espero que você continue obedecendo sua mãe até os vinte anos. - o Leo disse. 

- Ah, tá! - a Pri riu. 

- Se for pegadora igual a mãe... coitado de você, papai Leo. - Lucas zoou a mim e o Leo na mesma frase. 

Tampei os ouvidos da Alicia ao dizer: 

- Vai se foder, Lucas. 

- Também senti saudades, Marizinha. 

- Vem cá, cadê todo mundo? - perguntei. - Falta Gustavo, Babi, Lindsay, Steve, Margot, Cassie. 

- Eles disseram que estão vindo. - Pri disse. 

Ficamos intercalando entre brincar com a Alicia e conversar até o resto do pessoal chegar. Estava com tanta saudade de todos eles... mas tudo que eu conseguia pensar era que a partir de agora as coisas seriam diferentes. Não seria apenas Alicia e eu, agora a família estava completa. Não conseguia parar de pensar em como será a rotina... levantamos cedo, tomamos café juntos, arrumo Alicia para ir a escolinha, eu vou para o meu trabalho e o Leo vai para o dele. Almoçamos juntos - ou talvez não - e a noite seria apenas nós três brincando, rindo e pensando o quanto somos sortudos. Era assim que eu me sentia. Extremamente sortuda.  


Notas Finais


E eu queria falar algumas coisinhas:

1° Algumas pessoas vieram me falar que não gostaram do que aconteceu no Spin-Off, que foi desnecessário e que poderia ter estragado a história. Então, gente, o Spin-Off não faz parte da história "oficial". Clarity acabou no capítulo 140. Se um dia Clarity virar livro (estou trabalhando nisso, amém), essa parte provavelmente não estaria incluída já que claramente não agradou muitas pessoas. Escrevi esse Spin-Off e fica a critério de vocês querer incluir na história oficial ou não.

2° O próximo capítulo é o último do Spin-Off e, consequentemente, último capítulo de Leriana.

3° Terá, sim, uma história com a Alicia e eu estou muuuuito ansiosa porque eu amo essa menina demais. Como eu disse nas notas finais do capítulo anterior, não terá nenhuma ligação com Clarity. Ninguém que ler a história da Alicia precisará ler a história de Leriana, então será um livro independente. Claro que ainda terá algumas cenas dela com o Leo e com a Mari (porque ela vai ser muito próxima deles no início), mas tem algumas coisas que vocês não acharão ligação com Clarity.

4° Eu estou reescrevendo Clarity como livro. Não estou atualizando os capítulos de acordo com o livro aqui ou no Wattpad (que ainda estou bem no comecinho), mas estou muuuito ansiosa também e tem algumas coisas que serão diferentes, outras iguais. Eu comecei a escrever muito no impulso e tem algumas coisas bem arrastadas no início da história, e eu quero arrumar tudo isso.

5° Eu ainda estou em uma duvida cruel (libriana aqui) sobre quem se encaixaria melhor para ser a Mariana de acordo com as características que eu inventei sem ter nenhuma base, mas eu não consigo me decidir e ninguém parece ser do jeito que eu imagino. É que assim, a Mari é uma personagem muito forte, de gênio forte e não combina com alguma atriz que pareça ser frágil e toda menininha. Então, se vocês tiverem alguma sugestões de artistas que se encaixem com a Marizinha, comentem aqui POR FAVOR (eu to desesperada)

6° Amo vocêssss e até o último capítulo!


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