História Climax - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias IKON
Personagens B.I, Bobby, Chanwoo, Donghyuk, Jinhwan, Junhoe, Personagens Originais, Yunhyeong
Tags Double B, Junhwan, Yundong
Exibições 411
Palavras 6.804
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Festa, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Primeiramente, perdoem a demora e não desistam de mim, uh?
Enfim, eu realmente levei esse tempo todo pra escrever esse cap, então, tomara que a espera tenha valido a pena pra vocês. 6k de palavras!!!! Eu tô sem not então não consegui editar o gif e se a formatação do cap ficar estranha é pq eu postei pelo celular. Boa leitura <3

Eu cito algumas músicas no cap, vou colocar o nome delas aqui caso vocês queiram ouvir enquanto lêem:

Cheap Thrills - Sia
Comptine D'un Autre Été - Yann Tiersen
Take My Breath Away - Berlin

Capítulo 14 - Fire meet gasoline.


Fanfic / Fanfiction Climax - Capítulo 14 - Fire meet gasoline.

- E então, agora você e o Jiwon estão namorando? –Jinhwan perguntou enquanto dirigia sua Ferrari. Era a segunda manhã seguinte ao momento revelação que tivemos na biblioteca.
Jinhwan como sempre, apareceu de repente e me ofereceu uma carona. Junhoe estava sentado ao seu lado, no banco do carona, enquanto o mais velho mantinha uma mão no volante e outra acariciando uma das coxas do mais alto. Não sei vocês, mas acho que já vi essa cena em algum lugar...
- Óbvio que não, né Jinhwan? –Respondi um tanto rude.
- Porque óbvio que não? –Jinhwan perguntou indignado. - Vocês estavam agindo feito dois namoradinhos enquanto comiam melancia!
- Porque eu ainda não conheço o Jiwon verdadeiramente, como você o conhece, não vou namorar com ele somente por atração!
- Frescura! –Revirou os olhos. - Isso é jogar fora todo o meu esforço pra unir vocês dois.
- Não é assim também! A gente combinou de deixar rolar... Jiwon vai me levar aos seus lugares preferidos e eu vou levar ele aos meus...
- Awn, vocês vão ter tipo encontros românticos? –Jinhwan perguntou afinando a voz. - Tá preparado pra perder a virgindade?
Sabia que ele tinha algum objetivo com essa carona! E pelo que eu conheço dele, saber se eu dei ou pretendo dar pro Jiwon é o ponto alto da sua curiosidade.
- Aish! Porque você é assim, hein Jinhwan? –Bufei. - Saiba que isso não vai acontecer tão cedo!
- Coitado do meu amigo, vai ter que usar as mãos por um bom tempo. –Junhoe comentou compadecido com Jiwon e eu fiquei embasbacado com sua naturalidade ao falar isso.
- E nós ainda vamos manter a farsa na escola? –Jinhwan perguntou.
- Vamos, pelo menos na escola, até o Jiwon resolver o que vai fazer. –Suspirei. - Até lá tenho que fingir que ele não existe e vice e versa.
- Não faz essa carinha de cachorro com fome, ao menos vocês não vão ter que fingir brigas e eu sei que você e Jiwon estão conversando toda hora por mensagem. –Jinhwan olhou pra trás quando parou no sinal fechado. - Já rolou sexting? –Sorriu malicioso.
- O que é sexting? –Perguntei receoso.
- Ah, meu pequeno gafanhoto, eu ainda tenho muito o que te ensinar. –Jinhwan comentou de forma desdenhosa e Junhoe riu da atitude do namorado. Quanto mais eu conheço esses dois, mais eu acredito que eles nasceram um para outro. É aquele ditado, a safadeza de um completa a do outro.
                            
                               (...)

Chegamos na escola um tanto atrasados porque Jinhwan dirigiu lentamente, apenas pra arrancar revelações sobre a vida sexual que eu não tenho e tivemos que apertar o passo até a sala de aula. Jinhwan estava andando engraçado e aparentemente fazendo um esforço enorme pra andar rápido sem mancar.
- Jinhwan, porquê você tá andando esquisito? –Perguntei antes de entramos na sala. Junhoe entrou primeiro e se juntou ao Bobby no fundo da sala. O baixinho só me respondeu quando sentamos em nossos lugares, apesar do professor já estar em sala.
- O Junhoe acabou comigo ontem à noite! –Fez uma careta enquanto se remexia desconfortavelmente na cadeira. - Ele quis repetir a dose mas a gente já tinha feito três vezes! Eu tava cansado e aquele cretino falou que ia colocar só a cabecinha, fui trouxa, acabou que rolou a quarta vez. –Bufou e em seguida sorriu maliciosamente. - Foi ótimo.
- Meu Deus, porquê você tá me contando essas coisas?! Agora que eu não quero ser passivo mesmo!
- Você que perguntou, ué. –Deu de ombros. - E deixa de ser sonso que pelos barulhos que você e Jiwon fizeram em casa naquela noite, isso vai acontecer logo, logo.
- Aish, não sei porque eu ainda sou teu amigo. –Revirei os olhos. - E eu posso muito bem ser ativo, ok?
- Porque eu sou o cérebro da nossa relação. –Afirmou. - E é claro que você pode. –Falou de maneira irônica.
Sem negar, apenas revirei os olhos e comecei a prestar atenção na aula. Com o tempo, aprendi que não é bom negócio contestar Kim Jinhwan, porque na maioria das vezes ele tá certo.
                             -
No fim do dia, após a detenção, Bobby avisou que passaria em casa pra me pegar. Isso mesmo, avisou, sem convite formal e nenhuma dessas baboseiras românticas. Nós entramos em acordo sobre isso, apesar de Bobby querer abrir a porta do carro pra mim, puxar a cadeira pra eu sentar e oferecer rosas, eu expliquei que não sou uma princesa e que preferia mil vezes um balde de frango frito ao invés das rosas.
Foi por este motivo que passei o resto do dia nervoso, aflito, ansioso e todos os sinônimos existentes de inquieto. Uma parte de mim teme o fato de que após os encontros eu perceba que é somente atração física que eu sinto por Bobby ou que eu acabe me apaixonando e no final ele não queira nada comigo. São tantas possibilidades que eu surtei feito um adolescente com crise existencial. Foi preciso de um Jinhwan e uma Momo para que eu parasse de surtar e começasse a me arrumar.

- Não, Momo, nada de calça colada dessa vez! –Neguei quando a garota puxou uma calça minúscula de dentro do closet de Jinhwan.
Acontece que eu não fazia ideia do que vestir, porque Jiwon resolveu bancar o misterioso e não especificou o lugar pra onde me levaria, então Jinhwan e Momo tiveram a grande ideia de escolher um look pra mim, já que eu pensei em sair para o encontro usando uma calça jeans surrada, blusa de banda e meu all star vermelho preferido que Jinhwan teve a audácia de chamar de brega.
Acabei sendo arrastado até a casa do mais velho e agora me encontro mais uma vez dentro de um closet com roupa pra vestir meio mundo.
- Porque não? –Momo perguntou. - Essa calça vai delinear essa bundinha e você deixaria o tal do Jiwon doidinho com ela.
Claro, eu sabia muito bem como uma calça colada poderia ser útil naquelas horas, tive a prova disso quando rebolei no colo do Jiwon, mas como ninguém precisa saber, apenas revirei os olhos e neguei. O intuito com esses encontros era conhecer Jiwon e eu isso não rolaria se o mesmo estivesse ocupado tentando gozar ao invés de conversar comigo.
- Isso aí, garota! –Jinhwan comentou e em seguida ele e Momo fizeram um high five. Sim, os dois incrivelmente se deram bem de primeira. É uma equação fácil, a loucura de Momo mais a falta de vergonha de Jinhwan é igual a um Hanbin sofrido por ter de aturar os dois.
- Se eu vestir essa calça, vou usar meu All star vermelho. –Impus e os dois me olharam com desgosto.
- Tudo bem, mas nada de blusa de banda! –Jinhwan afirmou de modo autoritário.
- Tá, mas não me bate! –Ironizei.
- Continua com essa frescura e eu vou te bater de verdade. –Revirou os olhos.
No fim das contas acabei vestindo a calça preta tão colada que um peido poderia rasgá-la, uma blusa preta com um sobretudo quadriculado também preto, e claro, meu All star vermelho.
- Parece que eu vou pra um velório e não pra um encontro. –Bufei.
- Preto tá na moda. –Momo disse.
- E emagrece. –Jinhwan completou e antes que eu pudesse surtar mais uma vez e tentasse trocar de roupa, ouvi a buzina de um carro em frente à casa.
Eu já tinha avisado ao meu pai e Hanbyul que iria sair com Jiwon, ambos perturbaram o meu juízo com frases do tipo "Não faça nada do que eu não faria" ou "Irmãozinho, acho bom você passar um pouco de maquiagem nessa espinha", no entanto, o pior de tudo foi tentar convencê-los de que eu só apresentaria Jiwon a eles depois de ter certeza se gostava dele ou não. Por isso preferi que Jiwon me buscasse na casa de Jinhwan pra evitar qualquer constrangimento envolvendo meu pai, Hanbyul e sua vassoura.
Antes de eu sair do quarto Jinhwan borrifou perfume francês bem na minha cara e Momo deu tapa na minha bunda enquanto gritava "Fighting!".
Respirei fundo e me encaminhei até a BMW parada em frente à casa. Jiwon estava encostado no capô do carro, com as mãos no bolso e um sorriso enorme no rosto. Ele estava tão lindo com aquele terno preto que quase tirei o celular do bolso e bati uma foto pra depois emoldurar e colocar na parede do meu quarto. Ele abriu a porta pra mim e eu fiz uma careta tipo "Cara, a gente já não conversou sobre isso?". Jiwon apenas suspirou e entrou no carro também.
- Hum, você está... Bastante arrumado. –Comentei sem jeito enquanto olhava para o meu All star vermelho.
- Me desculpe por isso.
- Pelo quê?
- Por eu estar usando esse terno caro, por ter aberto a porta pra você e por ter pensado que agindo dessa maneira... –Suspirou e reformulou a frase. - Eu pensei em te surpreender e te levar a um restaurante fino, mas esse não é um dos meus programas preferidos, não chega nem perto. Apesar de ser de uma família rica, eu não curto essas coisas.
- Então, porquê...? –Deixei a pergunta no ar.
- Poxa Hanbin, é muita pressão ter que te conquistar pelo o que eu sou e apesar de parecer confiante, me senti inseguro. E se você não gostar de mim? –Jogou a pergunta no ar e eu quase sorri por saber que até mesmo Jiwon tinha crises existenciais de um adolescente. - Sem esquecer que eu ainda me sinto culpado pela maneira que eu te tratei. Eu te tratei mal, te bati, te joguei naquele lago e me senti pior ainda depois de perceber que você tinha um trauma, tudo porque eu fui a merda de um covarde! –Socou o volante. - Eu ainda me sinto culpado e nem pensei direito, apenas agi assim, mesmo depois de você dizer que não é um cara muito romântico.
- Jiwon, eu já te perdoei. Pensei que isso aqui seria um recomeço. –Suspirei e ele me encarou. - Vamos fazer assim, hoje eu vou te levar a um lugar e você me leva a algum amanhã, o que acha? –Perguntei como se tivesse lidando com uma criança.
- Tudo bem. –Assentiu de cenho franzido.
Guiei Jiwon até o lugar onde eu costumava ir com minha mãe quando eu era mais novo. É uma espécie de trapiche na beira do rio onde tinham várias barracas com lojas, jogos e lanchonetes.
Descemos do carro chamando atenção, obviamente, pois estávamos parece dois góticos bem vestidos demais pra estar ali e qual é, o carro de Jiwon é a porra de uma BMW.
Deixei Jiwon sentando em um banco de frente para o rio e fui atrás de balões. Sim, balões, você não leu errado. E eu queria aqueles cheio daquele gás diferente que os fazia flutuar. No entanto, não achei desses com formatos normais e acabei comprando três balões em formato do Mickey. Depois fui atrás de papel e caneta.
Quando voltei, encontrei Jiwon observando o por do sol enquanto o vento bagunçava seu cabelo engomadinho. Mais uma vez senti vontade de pegar o celular e bater uma foto dele, dessa vez pra imprimir e colar na minha testa, mas infelizmente minha mãos estavam ocupadas.
- Belos balões. –Jiwon comentou quando me notou. - Quanto custa um, senhor? –Zombou.
- Engraçadinho. –Revirei os olhos e ri em seguida.
- Agora é sério, porque você comprou três balões do Mickey? Gosta tanto assim dele?
- Na verdade eu gosto muito. –Respondi receoso com medo de que Jiwon me achasse infantil.
- Sério? –Ele perguntou levemente surpreso. - Parece que ambos temos algo em comum.
- Você também gosta do Mickey? –Perguntei esperançoso.
- Acho que não tanto quanto você. Mas continuando, parece que ambos somos fãs de personagens da Disney. –Sorriu divertido. - Eu gosto bastante do Ursinho Pooh, tenho um de pelúcia desde os meus três anos de idade. Não durmo sem ele. –Riu de maneira fofa e seus olhos ficaram tão espremidos que me deu vontade gritar o quão fofo ele estava, mas eu felizmente me controlei e sentei ao seu lado.
- Você não tem cara de quem dorme abraçado com um ursinho, ainda mais o ursinho Pooh.
- Hey, você tem algo contra o ursinho Pooh? Fala logo, que eu já corto relações. –Brincou.
- Oh, eu gosto do ursinho Pooh, mas não tanto quanto você. –Respondi usando o mesmo tom que ele usou anteriormente. - Enfim, isso aqui; –Apontei pra mim e pra ele. – É um recomeço. Segura os balões. –Dei os Mickeys flutuantes a ele e peguei o papel e a caneta. Rasguei um pedaço médio e escrevi "Passado". - Bom, esse aqui é o nosso passado. –Expliquei mostrando o papel a ele e depois o dobrei em forma de quadrado. Peguei os balões de sua mão e amarrei o papel em seus fios. Jiwon me observava calado, havia um brilho estranho em seus olhos. - Como eu disse, esse aqui é o nosso passado. –Repeti e soltei os balões, deixando eles flutuarem em direção ao céu, levando aquele pequeno papel, mas com grande significado, pra bem longe de nós dois.
- Obrigado. –Foi o que Jiwon disse antes de me abraçar tão forte que quase morri sufucado. Ficamos um tempo assim, até eu pigarrear e me afastar.
- Vem, agora vou te mostrar como sou bom em tiro ao alvo. –Me levantei e puxei Jiwon pelo braço.
Eu realmente sou bom em acertar o alvo com aquelas espingardas de brinquedo. No fim eu já estava com o sobretudo amarrado na cintura e ganhei o maior prêmio, um coelho de pelúcia gigante que achei justo dar ao Bobby.
- Antes eu te xingava de coelho gigante e derivados, então achei justo te dar. –Justifiquei.
- Saiba que me comparar a um coelho não é algo ruim, coelhos são fofos.
– É, vai ver no fundo eu sabia disso, por isso sempre acrescentava insultos como "maldito" ou "idiota". –Pisquei pra ele.
- Esperto da sua parte. –Comentou zombateiro.
Levei Bobby até as minhas barracas preferidas e nos divertimos jogando, ele também acabou com o peletó enrolado na cintura e com a gola da blusa social frouxa, sua gravata foi parar amarrada em minha cabeça, tipo uma versão coreana do Rambo.
- Eu preciso me alimentar. -Constatei o óbvio já que minha barriga estava roncando um tanto alto.
- Percebi.
- Eu poderia comer uns vinte churros agora.

                               (...)

Caminhamos até o lugar onde tinham as lanchonetes e eu corri desesperado em direção ao carrinho do tio que vendia churros. Comprei três, um de cada sabor enquanto Bobby me encarava incrédulo.
- Quando você disse que poderia comer uns vinte churros, achei que estava exagerando, Hanbin.
- Meu bem, quando se trata de churros, Kim Hanbin não brinca em serviço. –Respondi e em seguida meti metade do churros na boca.
Cara, se existe uma coisa pior do que ser interrompido enquanto come, é ser interrompido enquanto saboreia um churros de chocolate com granulado colorido. Quem Jiwon pensa que é pra me cutucar enquanto eu faço tal coisa maravilhosa?
- O que foi? –Perguntei depois de conseguir engolir o pedaço gigante de churros que eu mordi.
- Você enfiando esse churros quase inteiro na boca não faz bem pra minha sanidade. –Jiwon explicou com as bochechas coradas.
Como ele consegue corar após fazer um comentário desses? Eu até me engasguei com a saliva e o churros que eu engoli quase voltou. Jiwon teve que comprar um refrigerante pra me desengasgar e eu me foquei em bebê-lo quase todo pra não ter que olhar pra cara dele ou conversar após aquele comentário.
- Me desculpa por isso, mas eu costumo falar o que penso quando fico nervoso. –Jiwon explicou envergonhado.
- Não, tudo bem! Você só me pegou desprevenido.
Após o incidente com o churros, resolvi comer somente os três que comprei –coisa que foi muito difícil pra mim, até o tio que vende estranhou e perguntou "Só três, Hanbin? Por acaso está de regime?"– e acompanhei Jiwon no Dakgangjeong, um tipo de frango frito com molho agridoce, que descobri ser sua comida preferida de rua. Observei Jiwon comer duas poções feito um desesperado enquanto eu ainda estava na primeira.
- Uou, você realmente gosta de Dakgangjeong. –Comentei quando Jiwon terminou e correu pra comprar uma terceira poção com queijo adicional.
- É tudo culpa sua! –Ele acusou com um bico nos lábios. - Fazia tanto tempo que eu não comia isso, acabei exagerando.
- Porque? Não é sua comida preferida? –Perguntei intrigado. - Não consigo passar uma semana sem comer churros.
- É sim, eu costumava comer bastante antes de ser forçado pelo meu pai a entrar para o time de natação da escola. –Sorriu fraco. - Desde então minha alimentação passou a ser regrada e todo dia faço a academia. Não pude nem encher a cara como um adolescente normal.
- Você não gosta de nadar?
- Eu amo nadar, amo a natação. –Suspirou. - Só odeio toda a pressão que ele coloca em mim para ser perfeito, sempre o melhor em tudo.
- Entendo, isso é realmente chato. Mas sabe, se isso te consola, eu não conseguiria ser perfeito em nada, mesmo que tentasse. E encher a cara nem é tudo isso, você só faz merda e na manhã seguinte acorda com uma ressaca horrível.
- Ou acorda em um celeiro, agarrado com um garoto escandaloso. –Jiwon relembra e cai na gargalhada. Eu o lancei um olhar indignado, mas não resisti e comecei a rir também. - E sabe, Hanbin, se isso te consola, eu te acho perfeito do jeito que você é.
Meu coração começou a bater como se eu estivesse infartado e estava tão forte e frenético que se Jiwon ouvisse eu diria que era o novo samba enredo da escola Unidos de Hanbin É Um Trouxa. Já no meu estômago, senti as famosas borboletas, no entanto, eles não estavam voando calmamente e sim dançando trance dentro de mim. Toda aquela comida que ingeri começou a revirar e eu entrei em desespero.
- OLHA! –Gritei apontando pra uma máquina daquelas de pegar pelúcias com uma garra, onde ninguém nunca consegue pegar. - Eu sempre quis pegar aquele Mickey, mas nunca consegui. –Contei e saí correndo em direção a máquina.
Eu sei, agi feito um idiota, no entanto, Jiwon se levantou de onde estávamos sentados, pegou o coelho gigante de pelúcia e veio até onde eu estava.
- Então hoje é seu dia de sorte, eu sou bom nisso! –Se gabou. - Você ainda tem fichas?
- Tenho! –Entreguei duas fichas a ele. - Você tem duas chances.
- Eu só preciso de uma. –Piscou e deu o coelho para eu segurar. Jiwon começou a jogar e eu fiquei paralisado igual um pateta segurando aquele coelho gigante de pelúcia, isso só por causa de uma piscada e um suposto duplo sentido. Só voltei ao normal quando ouvi Bobby praguejar baixinho pois tinha deixado o Mickey escapar da garra.
- Só uma chance, uh? –Zombei e Jiwon praguejou cruzando os braços feito uma criança enfezada.
- Você parece um bebezão. –Deixei escapar sem querer, juro. Jiwon me olhou constrangido. - É engraçado te ver agir assim, porque você é todo forte e antes era todo bruto... Sabe, eu gostei de conhecer esse seu lado. –Expliquei e todo o constrangimento estampado na cara de Jiwon sumiu pra dar lugar a aquele sorriso que me transforma em um picolé humano e eu me derreto inteiro.
- Agora eu tenho que pegar esse Mickey, é questão de honra.
- Ah, essa máquina é tão demoníaca quanto o Jinhwan, então nem perde seu tempo com ela. –Eu disse e Jiwon riu do meu comentário. - Sempre que eu não conseguia pegar esse Mickey, eu ia até aquela outra máquina e pegava um pirulito mágico.
- Pirulito mágico? –Jiwon perguntou divertido. - Isso é um tanto estranho.
- Aish, me dá logo essa ficha! –Pedi. Ele me deu a ficha e eu corri com aquele coelho no colo até a máquina cheia de pirulitos.
- O que esses pirulitos tem de mágico? –Jiwon perguntou enquanto eu colocava a ficha e rodava a trava do brinquedo. O pirulito caiu e em seguida eu peguei pra mostrar ao Jiwon. - Eles todos tem a coloração vermelha. –Abri a embalagem. - Mas quando chupados, pintam a língua de uma cor surpresa!
- Nossa, isso é incrível! –Exclamou com ironia.
- Não seja chato! –Falei embolado pois ja estava com o pirulito na boca. - E agora espera!
- Esperar o quê?
Comecei a chupar o pirulito rapidamente, pois queria logo saber a cor surpresa que ficaria na minha língua, no entanto, me senti envergonhado com o olhar lascivo que Jiwon lançou ao me observar.
Tirei o pirulito da boca e mostrei a língua pra ele. – Que cor está? –Perguntei com expectativa.
Jiwon olhou pra minha língua, depois para os meus olhos, engoliu em seco e olhou novamente pra minha língua. Ele parecia hipnotizado quando passou a própria língua lentamente em seus lábios. Meu Deus, ele tá com cara de que tá afim de sugar minha língua com a boca! Qual é? Ele já fez isso uma vez, tenho o direito de temer que ele faça de novo. Porque por mais que eu não tivesse nada contra –sabe como é né–, eu ainda não acho que seja a hora certa para uns amassos. Vontade não faltava, mas isso só iria me confundir mais.
- Tá bom, se você não vai me dizer que cor está, eu pergunto pra outra pessoa.
Jiwon pigarreou após acordar do transe e sorriu. - Está roxo. Eu gosto de roxo.
- É sua cor preferida? –Perguntei tentando dar um ar inocente ao comentário de Jiwon.
- Agora é.
Puta merda, viu Kim Jiwon? Assim fica difícil manter a sanidade e a língua dentro da minha boca, não na tua.
- A minha é vermelho. –Respondi olhando para os tênis em meus pés. - Agora segura o nosso filho, vou te levar ao último lugar mais maneiro desse trapiche. –Dei o coelho ao Bobby e tentei puxá-lo pelas mãos, mas o garoto travou no lugar.
- Você chamou o coelho de nosso filho. –Jiwon disse com um sorrisinho sapeca e eu senti vontade de morrer.
- Ah... Eu nem percebi, foi sem querer...
- Hum... –Sorriu novamente, só que sem mostrar os dentes. - E então, pra onde nós vamos agora?

                             (...)

Caminhei junto com Jiwon até a saída do trapiche, perto de onde ele estacionou o carro. Lá tinha uma espécie de parquinho infantil rodeado de areia branca.
Sentamos nos balanços, Jiwon ainda mantinha o coelho em seu colo, e começamos uma conversa com tom de desabafo.
Contei a ele sobre a morte de minha mãe, as suas últimas palavras e falei sobre como eu gostava de vim a esse lugar com ela. Contei sobre o momento em que revelei minha sexualidade ao meu pai e minha irmã, contei como eles reagiram e que meu pai de certo modo já sabia e esperou o meu tempo. Expliquei o porquê do meu trauma com água e como minha vida era difícil antes do meu pai ganhar a loteria. Até senti um medo bobo por contar que antes de tudo eu era pobre e sofrer algum tipo de preconceito da parte de Jiwon, afinal eu ainda o estava conhecendo, mas ele apenas segurou a minha mão e continou a me ouvir enquanto a acariciava com o dedão.
- Sabe, eu sei que eu já te contei isso na biblioteca, mas quero reafirmar agora que estamos sozinhos... No dia daquela competição boba que Jinhwan e Junhoe inventaram, eu finalmente tinha decidido que ia contar a verdade pra você. –Jiwon contou enquanto mantinha contanto visual comigo. - Por isso eu cheguei sozinho na boate, eu iria me declarar pra você e estava tão nervoso... Sabe, eu nunca fiz isso na minha vida, mas eu não queria mais fugir feito um rato!
- Eu costumo acreditar que as coisas acontecem no seu tempo. –Sorri. Aposto que minhas bochechas estavam tão vermelhas quanto as dele. - Você realmente achou que a Momo era minha namorada?
- Sim. –Riu de si mesmo. - Cheguei a me conformar que não teria chances com você, até que o Jinhwan me encheu de tapas e disse que você não namorava com aquela garota, pra ser sincero, ele disse con todas as letras que você gostava da mesma fruta que eu, por isso eu apareci na festa da piscina e bom... –Sorriu envergonhado.
Eu não sabia o que dizer e fiquei morrendo de vergonha por Jiwon ter lembrado de como acabamos quase transando e ainda encontramos Jinhwan fazendo Junhoe de pirulito. Ambos ficamos em um silêncio constrangedor, porém Jiwon não soltou a minha mão e muito menos parou de acariciá-la.
- Eu gosto do seu sorriso. –Comentei quebrando o silêncio. Estamos sendo sinceros um com o outro, então não me senti repentino ao dizer isso. - Sabe, do seu sorriso verdadeiro. Gostaria de vê-lo mais vezes.
Jiwon me olhou surpreso mas em seguida sorriu feliz.
- Desde que meu pai descobriu sobre minha sexualidade, eu não tive mais motivos pra sorrir. –Contou. – Mas então você chegou e virou minha vida de cabeça pra baixo. A primeira vez que eu sorri verdadeiramente depois de tanto tempo foi quando você me enfrentou pra defender o Jinhwan e o Donghyuk. Você nem os conhecia e mesmo assim foi lá, todo de nariz empinado e com respostas na ponta da língua. –Sorriu olhando em meus olhos e depois encarou o céu. - Eu lembro que naquele dia eu fiquei sorrindo feito um idiota ao lembrar do novato que me enfrentou. Infelizmente meu pai ficou sabendo do que aconteceu no corredor e quando me encontrou sorrindo ao invés de estar irritado, me forçou a te jogar no lago.
- Ele te forçava a jogar as pessoas no lago? –Perguntei. Agora era eu que apertava e acariciava sua mão.
- Sim, foi ele que inventou essa coisa de assustar os homossexuais da escola os jogando no lago. –Suspirou. - Se eu não fizesse o que ele mandava em relação a esses alunos, ele contratava alguns capangas pra darem um corretivo neles. A única vez que eu me recusei a obedecê-lo, um aluno apanhou até desmaiar e eu me senti tão culpado que nunca mais desobedeci aquele homem.
- Aish! Isso é revoltante! –Bufei.
- A minha vida inteira tive que abaixar a cabeça pra esse homem preconceituoso e intolerante. Ele não tem escrúpulos. –Suspirou. - Eu só não fugia por causa da minha mãe.
- Jiwon, você não precisa falar disso agora, eu espero até você estar preparado. –Sorri deixando uma lágrima solitária escorrer por meu rosto.
- Você é tão sensível. –Limpou com o dedão delicadamente a lágrima. - Mas eu preciso te contar se você estiver disposto a me ouvir.
- Eu estou.
- Meu pai, na época que conheceu a minha mãe, era de uma família pobre e um tremendo de um malandro. Minha mãe era jovem e ingênua, ele a seduziu e em uma noite se aproveitou de sua ingenuidade pra consumar o "amor" deles. Obviamente ele não usou proteção e cá estou eu. –Apontou para si mesmo e eu arregalei os olhos. - Quando meus avós souberam da gravidez, ficaram loucos de raiva e a fizeram eles se casarem, mesmo ele sendo de uma família sem renome. Porque apesar deles serem rigorosos e elitistas, não eram capazes de tirar a vida de alguém que nem tinha nascido ainda, então para manter a reputação, eles deram o emprego de diretor a ele e minha mãe ficou presa nesse casamento. Apesar de tudo, ela não me renegou e faz de tudo pra me proteger dele. Sabe, ela continua casada com ele por minha causa e as vezes eu me sinto tão culpado! Ele nos prende a si com ameaças, pra continuar rico e com o emprego de diretor que tanto ama.
Ficamos mais uma vez em silêncio, mas dessa vez não era algo constrangedor e sim reconfortante.
Após alguns segundos, eu me levantei repentinamente e puxei Jiwon para um abraço. Envolvi meus braços em sua cintura e deitei minha cabeça em seu ombro, inalando o cheiro de perfume caro em seu pescoço.
- Obrigado por me ouvir e por não fugir. –Jiwon disse com a voz embargada, retribuindo o abraço. - Hanbin?
- Oi?
- Nosso filho caiu na areia. –Jiwon comentou sem desfazer o abraço.
- Somos os pais mais desnaturados do mundo. –Falei de maneira divertida enquanto me aconchegava mais nos braços de Jiwon.
Ficamos um tempo abraçados, até eu me afastar e pegar o coelho pra limpar a areia de sua pelúcia.
- Ninguém pode dizer que ele não é nosso filho, porque poxa, ele é sua cara Jiwon! –Gargalhei após fazer o comentário e Jiwon riu junto.
- Dizem que a criança sempre puxa ao genitor mais bonito.
- Yah, tá dizendo que eu sou feio?
- Não, você é lindo! –Jiwon disse com espontaneidade e eu corei ridiculamente. - Mas ainda bem que ele não puxou o seu nariz.
- Yah, seu ridículo! –Acertei um tapa estalado em seu braço e ele gargalhou.
- Eu acho seu nariz um charme. –Comentou ficando repentinamente sério e apertou meu nariz levemente com os dedos.
Definitivamente meu coração estava com algum tipo de problema. Porque ele tinha que disparar por tão pouco?
Dessa vez não precisei inventar algo pra fugir dos comentários de Jiwon pois ele mesmo se pronunciou pedindo para que eu o esperasse ali pois tinha que fazer uma coisa. Obviamente eu fiquei morrendo de curiosidade e quando ele demorou exatos 30 minutos pra voltar, fui atrás dele no trapiche.
Nem precisei procurar muito, pois Jiwon estava novamente em frente à máquina com garra fazendo uma dancinha esquisita enquanto algumas pessoas o aplaudiam.
- O que você tá fazendo? –Perguntei e Jiwon arregalou os olhos ao me ver.
- Hum, eu consegui! –Sorriu e estendeu o Mickey de pelúcia em minha direção. - Pra você!
- Meu Deus, você conseguiu pegar o Mickey! –Comecei a dar pulinhos de alegria e abracei Jiwon. - Você não gastou muito com fichas, uh? –Perguntei após soltá-lo e pegar o Mickey. - Eu me sentiria mal...
- Não se preocupe com isso, eu disse que só precisava de uma chance.
Encarei Jiwon com os olhos semicerrados, não é possível que ele tenha conseguido com só uma ficha, porém antes que eu falasse alguma coisa, um senhor apareceu e cutucou Jiwon.
- Moço, você esqueceu de pegar o brinde.
- Que brinde? –Jiwon perguntou confuso.
- Quem compra mais de 20 fichas, ganha um vale pra lanchar o que quiser em qualquer lanchonete daqui.
- Somente uma chance, uh? –Perguntei e cai na gargalhada.
Jiwon sorriu envergonhado e pegou o cupom.
- Yah, ao menos agora você tem o Mickey e pode comer churros de graça.
- Sabe, Jiwon, eu poderia estar me sentindo culpado por você ter gastado com tantas fichas por causa desse Mickey, mas eu estou muito feliz pra isso. Obrigado. –Agradeci e rapidamente beijei sua bochecha.
- Se todas vez que eu te agradar, eu ganhar um beijo...
- Nem pense nisso, Kim Jiwon!
- Ok, ok! –Levantou as mãos em sinal de rendição. - Você tem hora pra voltar?
- Antes da meia noite. –Respondi imitando o tom de voz que meu pai usou ao dizer isso e Jiwon riu.
- Ainda são 21h, acho que temos tempo!

                               (...)

- Pra onde estamos indo? –Perguntei curioso enquanto Jiwon dirigia.
- Você vai saber quando chegarmos lá. –Responder misterioso. - Enquanto isso, coloque alguma música pra tocar.
Conectei meu celular com o som de última geração do carro de Jiwon através do bluetooth e escolhi uma das minhas músicas preferidas no momento, Cheap Thrills da Sia.
Pensem em algo aleatório. É o meu gosto musical. Vai de hip hop a músicas antigas e eu não deixei de pensar que isso era uma espécie teste pra Jiwon, afinal, beijar é bom demais mas vocês já encontraram alguém com mesmo gosto musical que vocês?
Comecei a cantar animado, pois não consigo ficar parado quando ouço uma música que eu gosto. Fiquei surpreso quando Jiwon começou a cantar junto comigo, tão animado quanto. E assim seguimos, cantando algumas músicas e rindo um do outro.

- Jiwon, você pode entrar com o carro aqui? –Perguntei receoso ao notar a estrada se tornar areia branca.
- Aqui é uma praia particular da minha família, então...
- Você sabe que eu não sou muito fã do mar, não sabe?
- Sim, mas nós não vamos estrar no mar. –Sorriu de maneira reconfortante. - Eu costumava a vir brincar aqui quando eu era mais novo e quando cresci, passei a vim sozinho pra deitar na areia e olhar céu estrelado.
Jiwon dirigiu até chegar próximo ao litoral e estacionou deixando os faróis acesos. Fiz menção de desconectar a música mas Jiwon me impediu.  - Deixa tocando.
Assisti o garoto tirar seus sapatos caros e as meias pretas sem estampa. Enrolou a beira da calça e abriu alguns botões da blusa social.
Resolvi fazer o mesmo e tirei meus tênis vermelhos e minhas meias com estampa do Mickey. Não enrolei a beira da calça pois ela era muito apertada e peguei a gravata de Jiwon que estava jogada no banco de trás junto com nossos casacos. Amarrei novamente a gravata em minha testa e Jiwon riu do minha atitude.
- A partir da agora só sairei com gravatas só pra te ver amarrá-las na testa com esse sorrisinho traquina no rosto.
- Não estou com um sorrisinho traquina no rosto. –Contestei renitente.
- Vem Rambo, vamos sujar nossos pés de areia. –Abriu a porta do carro e colocou os pés pra fora, sem se levantar. - Deixe a porta aberta e deixe a música tocando.
O olhei intrigado, mas fiz o que ele mandou e selecionei a opção  de reprodução aleatória das músicas.  Jiwon aumentou o volume antes de sair e caminhou até a frente do carro, onde os faróis iluminavam a noite escura.
Sai do carro e afundei meus pés na areia. Eu não gostava muito da sensação, mas o que a gente não faz pelo bofe, não é mesmo?
Fui até onde Jiwon estava e fiquei parado o olhando, sem entender realmente o que ele queria. Afinal, a lerdeza sai de mim mas eu não saio da lerdeza.
Então para minha surpresa, Jiwon começou a dançar de maneira desajeitada a música eletrônica que estava tocando e me puxou para dançar consigo. De longe parecíamos dois loucos fazendo algum ritual bizarro na praia, mas éramos apenas dois garotos se divertindo genuinamente.
Dançamos várias músicas, arrastando nossos pés na areia e fazendo barulho sem se importar em bagunçar um pouco a calma daquele lugar sereno. A reprodução aleatória parecia estar do nosso lado quando só tocaram músicas animadas. Já estávamos ofegantes quando uma música calma começou a ressoar quebrando a euforia e aproveitamos para sentar e descansar.
A brisa que vinha do mar era gelada, mas não estava frio e o tão imponente mar que me causava arrepios, estava tão calmo sob a luz do luar, que meu medo parecia pequeno perto de tanta beleza.
- O que você sente quando olha pro mar? –Jiwon perguntou.
- Medo. Mas agora eu não sei o que estou sentindo, está mais pra admiração... Enquanto ele está calmo, claro.
- Eu vejo apoio. Sinto que a vida continua e que não devo me entregar tão facilmente.
- Eu me sentia assim quando chegava na minha antiga casa minúscula e encontrava meu pai e Hanbyul rindo enquanto preparavam o jantar.
Jiwon me olhou e sorriu. Não consegui me conter e sorri de volta.
Ficamos parece dois idiotas, sorrindo um para o outro como se a câimbra facial não existisse, quando a música que começou chamou a atenção dele.
- Você gosta de piano? –Perguntou ao ouvir a melodia embalada apenas pelo som do instrumento.
- Mais ou menos... Na verdade eu gosto da trilha sonora do filme O fabuloso destino de Amélie Poulain, na qual esse música faz parte  –Expliquei. - Foi o primeiro filme que eu assisti na vida.
- Eu gostei dessa música.
- Se chama Comptine d'un autre été, é minha preferida.
- Então, vous j'avoir cette danse? –Perguntou de modo galante enquanto estendia a mão para mim. Não entendi nada, mas tive algumas aulas básicas de francês na minha escola antiga, então sorri ao ver o quão bonitinho ele ficava falando tal idioma.
- Traduz pra mim, s'il vous plaît.
- Você me concederia essa dança?
Sorri largamente com sua atitude e segurei sua mão. Começamos a dançar uma espécie de valsa desajeitada ao som da melodia de piano que nos embalava.
- Eu também gosto do seu sorriso. –Confessou sussurrando em meu ouvido. - Sabe, o verdadeiro. Faz eu me sentir vivo.
Meu frágil coraçãozinho disparou pela milésima vez e isso me fez perceber que eu não estava apaixonado por Jiwon. Na verdade, eu estava muito apaixonado por Jiwon. Porém, como eu não sou a pessoa mas sortuda do mundo e acho que até a vida já desistiu de mim, de repente começou a chover.
- Vem, corre. –Jiwon gritou e tentou me puxar pelo braço. Só que eu não saí do lugar e Jiwon me encarou com aquela cara de "Mano, cê tá louco?".
- Me beija! –Pedi enquanto a chuva nos molhava inteiros e música ainda ressoava.
- O quê?
- Eu sempre quis beijar na chuva. –Respondi envergonhado, mas já era tarde demais pra voltar atrás e eu realmente queria saber como era beijar na chuva. - Me beija, Kim Jiwon.
Nem precisei pedir uma terceira vez, coisa que eu não faria nem morto, pois Jiwon se aproximou rapidamente e me tascou um daqueles beijos desentupidores de pia. Foi um beijo desesperado e molhado, cheio de uma saudade que eu nem sabia que existia.
Constatei que beijar na chuva nem é tudo isso, mas beijar na chuva um Kim Jiwon que preferiu ficar comigo ao invés de correr pra fechar as portas e não deixar molhar o seu precioso carro, é maravilhoso.
Voltamos para o carro que obviamente estava todo molhado igualmente a nós dois e Jiwon ligou o aquecedor do carro. Em nenhum momento ele reclamou ou surtou por causa do carro, apenas manteve um sorriso extremamente cativante no rosto. Sendo assim, não consegui me segurar e pulei pra cima dele. Quando dei por mim, já estava sentado em seu colo, ambos sem camisa e com Jiwon castigando meu pescoço com beijos e mordidas. Se é que dá pra chamar isso de castigo, porque minha sanidade já estava longe a essa hora. Meu corpo vibrava com cada toque dos lábios dele em meu pescoço e em meus lábios, eu gemia baixinho a cada vez que ele apertava minha cintura com mais força.
- Ji-Jiwon... –Mais uma mordida. Mais um gemido.
- Você me enlouquece, Kim Hanbin. –Sussurou em meu ouvido e em seguida deu um selinho em meus lábios. - Mas acho melhor pararmos por aqui, não vou resistir por muito tempo... –Justificou sofregamente e eu entendi pois estava na mesma situação que ele, por isso pulei do seu colo pro banco do carona.
E mais uma vez, eu quase me entreguei de bandeja. Incrível, quando eu estava com Jiwon, todo o medo de andar mancando no dia seguinte sumia.
- Oh, a chuva parou. –Desconversei ofegante.
O caminho de volta foi tranquilo. As janelas estavam abertas e o vento secava os nossos cabelos. Minhas músicas antigas resolveram dar o ar da graça e Take my breath away soava enquanto Jiwon cantava em plenos pulmões e eu fazia o Mickey de pelúcia dançar no ritmo da música.

- Chegamos. –Jiwon disse quando estacionou na frente de casa.
- É... Chegamos...
Mais uma vez um silêncio constrangedor surgiu entre nós e eu sabia que era porque eu precisava dizer algo. Precisa dar o tal do veredicto e sabia que Jiwon estava esperando por isso.
- Sabe, Jiwon, no fim das contas, meu coração não estava enganado ao te escolher, mesmo que de forma errada no início, eu realmente posso gostar de você. –Contei e Jiwon sorriu esperançoso. - Na verdade, eu já gosto e não é só porque você tem esse corpinho gostoso. –Deixei escapar e seu sorriso esperançoso se tornou em um malicioso.

Eu e minha boca grande! Pois é meus caros, as vezes eu só faço cagada mas é meu jeitinho de ser.


Notas Finais


Se tiver algum erro me avisem, revisei rapidinho então deve ter passado algo.

Roupa que o Hanbin usa: https://scontent.cdninstagram.com/hphotos-xfp1/t51.2885-15/e15/10727379_1378202625832625_204745907_n.jpg

Máquina com garra (só pra vcs terem uma base): http://www.mustdo.com.br/wp-content/uploads/2015/06/neocarnival_single_pega_bichinho_MLB_F_3081187843_082012.jpg

Coelho de pelúcia: http://www.dhresource.com/0x0s/f2-albu-g1-M00-46-C5-rBVaGFSGvNiAftgoAAI2Jg__DeU136.jpg/brinquedo-para-crian-as-50cm-grande-de-pel.jpg

Música que toca na praia (melhor trilha sonora do mundo eheh): https://youtu.be/H2-1u8xvk54

O que vocês acharam desses dois? Eu disse que seria amorzinho, mas sabe como é né, Hanbin é o Hanbin. Enfim, eu fui responder os comentários anteriores e morri de amores, vcs são os melhores leitores do mundo, obrigado por acompanharem a fic <3 E gente, por mais que eu demore, eu nunca vou abandonar essa fic, anotem isso. Eu ando super ocupada e isso vem me trazendo alguns problemas com ansiedade, e ansiedade é uma merda, só quem tem sabe, porém eu sempre arranjo tempo pra vim aqui e atualizar essa belezinha. Até o próximo cap, amo vcs <3


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