História Clube de compras - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Itachi Uchiha, Madara Uchiha, Mei, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Akatsuki, Clubedecompras, Itachi, Itasaku, Romance, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Sexo
Exibições 202
Palavras 2.795
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Apenas queria dizer que, como em todas as minhas fanfics, essa terá no máximo uns 15 capítulos. Mas há tempo ainda.
Obrigada por ler.

Capítulo 6 - American


"As pessoas comuns não entendem,
como é difícil amar e não saber como fazer."

 

Já beijou alguém tão profundamente que é como se fosse a última vez? Eu sei, é complicado falar disso. Sempre há uma pessoa que mesmo depois de ter batido a porta deixa seus pertences, não por intenção, mas porque mantemos conosco. É difícil olhar para as paredes do meu quarto e não me encontrar perdida em sua pálida pintura que vai amarelando com o tempo. Não queria, mas o fiz. Mesmo assim o mantenho em meus pensamentos.

Tinha tido uma manhã conturbada no sábado. Ou talvez eu a tenha dado esse aspecto porque ainda estava em êxtase pelo breve romance que permiti me impregnar na noite passada, quando não foi apenas sexo. Fizemos amor, como se nos amássemos por inteiro, infinitos num universo tênue e lúdico. E acho que o mal nasceu daí, dessa pequena partícula de permissão que nos demos para amar. O que vem depois? A dor. Que rima com amor, é claro. 

As palavras de Karin bateram nas paredes de minha cabeça, como se eu tivesse que pensar nelas e as estudar, sentir algo por uma coisa que já deveria saber. Olhe para ele, Sakura. Olhe para o homem com quem está dormindo e observe, ver todo mundo vê. Descreva-o e encontre a verdade, não se deixe cegar por uma noite quando não é a primeira. 

Assim, vejo Sasuke de uma forma que faz todas as outras girarem a cabeça para vê-lo; motivo dos sorrisos e olhares baixos seguidos de bochechas coradas e cochichos. A pele dourada, os cabelos negros, tão orgulhoso e tão quente que não notá-lo é ignorar a própria existência. Entendo agora o porquê de ter ficado com ele. Há tantas pessoas no clube, talvez mais interessantes. Mas, oh, a vida é cruel quando se trata do coração, não é? Ele abriu a boca e me convidou, nas entrelinhas, para ser dele. 

Conheça seus desejos, ele sussurrou, e como uma tola o segui. As pessoas não querem ir para a cova sozinhas, porque é frio e escuro.Assim escolhemos alguém para ir conosco, se enterrar e damos a isso o nome de amor. 

Depois do almoço no sábado, não quis ficar em casa. A euforia que dominava a minha mãe pelo jantar que daria ao Uchiha estava me deixando sufocada, forçando-me a pensar nele e seus toques, para em seguida lembrar de que não posso ser a única que ele exibe por ai. Assim, dada a oportunidade, sai. Sem rumo, sem planos. Apenas andei.

Há uma loja de discos no final da avenida no centro, onde eu costumava beijar alguns garotos. Tomada por um sentimento desconhecido, fui até lá. Não sei dizer qual música tocava quando entrei, apenas me esgueirei por entre as prateleiras e me deixei levar pelas coleções. 

Li e reli contracapas, me interessei por alguns CD's, justo na era do Ipod. Clássicos nunca mudam, por isso Hollywood permanece em pé. Tão distraída e segurando o disco da Madonna, que não o vi entrar. Oh, mas a voz daquele homem me encheu de curiosidade. 

Seus cabelos ruivos tão despenteados, enquanto o casaco azul contrastava com sua pele alva. Podia sentir o calor que vinha dele, bonito de se olhar. E ele percebeu que o observava, sorriu de canto e repeti seu ato, para então desviar o olhar dele. Devolvi o disco à prateleira e continuei em minha tarefa de apenas procurar por nada em específico. 

Talvez eu devesse dar algo de presente à minha mãe, apenas me guiei até a sessão de discos clássicos, daqueles que ela costuma colecionar. Conheço os gostos dela e assim dedilhava alguns.

— Blues? — ouvi o ruivo dizer, tão perto e com as mãos aos bolsos —, interessante.

— Um presente — eu disse e ele sorriu. — Não entendo muito.

— Como não entende Blues? — ele arqueou a sobrancelha e eu sacudi os ombros.

Continuei puxando algumas capas e olhando para o nome do cantor. Foi quando ele se aproximou mais e puxou um disco no final da fileira, girou a capa em minha direção e sorriu. 

— Bessie Smith?

— É um clássico! — seus cabelos ruivos se sacudiram ao que ele riu —, precisa aprender um pouco mais desse mundo.

— É — ri e o vi olhar para o balcão, para em seguida me olhar, curioso e sorrindo com alguma intenção oculta. — O que foi?

Tudo que o ruivo fez foi caminhar até o atendente, que estava tão distraído em seu celular e de fones de ouvido. Disse algo ao mais jovem e entregou o disco. Apenas esperei, o olhando.

Até a música começar e ele me estender a mão.

— Não seja tão rude — disse-me —, já a estou perdoando por magoar meu ritmo preferido. Não vai me negar essa dança, vai?

Eu ri e olhei para os lados, outras pessoas estavam distraídas com suas próprias músicas. Dei um passo em direção a ele, medindo o espaço, enquanto via o disco grunhir no toca-discos. A mão dele estava tão quente que o calor se espalhou por todo o meu corpo, até que o senti me segurar na cintura.

Perfume suave e hálito de menta, tão macia sua pele. Segurei-o ao ombro e na mão, nossos pés vez ou outra colidiam nos passos e eu sorria. Evitei olhar para ele, desviava o olhar para os nossos pés calçados, deslizando no piso de madeira. Mas algo me dizia que o homem sorria. Embalados pela canção, era como se todo o mundo ao redor tivesse desaparecido, se desintegrado em nada.

Não é uma canção longa, mas naquele momento tornou-se infinita. Também não era lenta e tampouco romântica, apenas jazz com letra. Mesmo assim, segurando a mão dele, enquanto os últimos acordes eram tocados e a agulha do toca-discos se preparava para subir, fitamo-nos. Os olhos castanhos brilhavam e, como pensei, ele sorria.

Magnetizados pelo momento e aproximação, poucos centímetros nos separava os lábios. Tão próximos...

— Não — eu disse de sobressalto e me afastei. O ruivo me olhava intrigado —, desculpe, é que estou... não... não posso.

— Tudo bem — ele disse —, não se preocupe. 

O vi pegar o disco de volta e me entregar.

— Um bom presente — disse a ele.

— Sou Gaara, a propósito.

— Sakura — e sorri.

— Bonito nome, para uma moça bonita — disse ele. — Presente para o namorado?

— Não tenho namorado.

— Então não se importaria em ir comigo para ouvir uma banda tocar Blues amanhã? — eu ri.

— É sempre rápido assim? — perguntei.

— Apenas com as de nome bonito — sacudi a cabeça, ele riu. — Aceita?

— Tudo bem.

É estranho e confuso como os estranhos podem ser mais reconfortantes que os familiares. Mas não entendo de união, a única que conheci se desfez. 

Por que aceitei o convite dele? Porque acredito na bondade dos estranhos; no conforto da companhia e na presença de alguém que não vai te machucar onde mais dói, achando que não fere. Sempre preferi estar sozinha ao redor de desconhecidos, com nomes misteriosos e rostos de expressões variadas, apenas porque as que conheço sempre me fazem chorar. Por isso aceitei o pedido de Gaara. 

 

À noite, terminei de alisar o vestido ao meu corpo, fitando-me no espelho e percebendo como estou diferente da noite passada, sem o colar de pedras preciosas ao redor do pescoço e o tecido rubro a me vestir. Dessa vez uso um azul, sem adorno algum. 

Ainda estava parada na frente do espelho quando ele  chegou. 

Orgulhoso, caminhando com fama e trazendo calor para a minha vida. Difícil ignorar essa mistura de homem, que de um lado é composto pela beleza e natureza única, sempre a frente do mundo, enquanto o outro é tão falho e feito pelo dinheiro. Mesmo assim me deixa louca com seus toques, talvez esteja no modo rude o romance que quero. Ou penso que quero. Algo tão forte que seja capaz de me matar quando acabar.

Minha mãe gostou do disco, falou-me como costumava ouvir com minha avó no subúrbio quando moça. Encheu-me de felicidade vê-la sorrir tão verdadeiramente pela primeira vez em dias, deixando a máscara fria e plástica de lado. E assim, tocava bem baixinho quando fui para o segundo andar.

Do último degrau o vi na porta, entregando uma garrafa de vinho a minha mãe, que o agradecia infinitamente. Gosto dele vestido sutilmente, mas há algo diferente quando usa as roupas comuns. O jeans azul e a camiseta cinza, com a jaqueta de couro a cobrir seus braços. Entendo porque quando flerta com as garotas essas o desejam. Ah, mas seu olhar é ainda mais forte, profundo e brilhante. Não consigo deixar de olhá-lo, uma pintura bem feita. 

O amor nasce do olhar. Onde li isso? Algum livro, talvez? Música? Poema? Não sei dizer. E ainda assim a frase me veio em mente, como que por obra do destino.

— Sakura — o Uchiha me chamou, entrando e mantendo as mãos no bolso da calça.

— Oi — disse.

— Fique a vontade — mamãe disse e se afastou, sumindo para a cozinha.

Palavras são desnecessárias, uma canção disse isso certa vez. E jamais fui capaz de entender. O silêncio pairou entre nós, como uma linha fina e transparente, nos circulando e costurando um ao outro. Ímãs se atraem por seu campo magnético. Nesse instante éramos ímãs de polos diferentes, se desejando e tendo uma barreira que os impede de se entregar ao que mais prezam: prazer

— Está muito bonita — ele murmurou, dando um passo em minha direção. O perfume forte e que me enlouquece chega antes, já se colando em meu corpo.

— Obrigada.

Sua mão pesa em meus ombros, algo vem e fica comigo nesse momento. Um algo interior e desconhecido, como se houvesse razão para sentir isso. 

Quero beijá-lo, tão devagar quanto for possível. Sentir o gosto de canela e ter seus dedos se enterrando em meu braço. Uma droga, isso é o que ele é para mim. Não posso amar esse homem, mas posso me entregar a esses atos. Seria tudo tão fácil se pudéssemos controlar com a mente. No entanto, apenas sinto essas pequenas vontades. Alguém devia ter escrito o significado de amor num livro, apenas para sermos mais diretos e nos policiarmos com cuidado, chegando ao objetivo de não amar.

A respiração quente se funde à minha e os lábios pedem um pelo outro, instintivamente. Ao que nossos narizes se tocam e o sinto apertar meu braço, dou um passo para trás. 

Não quero.

                   Não posso.

                                   E não farei isso.

Seus olhos escuros me observam, atentos e curiosos. Desvio o olhar e ajusto o vestido ao meu corpo, como se precisasse manter o tecido bem liso e alinhado. Não sou a primeira dele, jamais serei a última. Mesmo assim sinto que apenas Sasuke pode me fazer chegar onde devo ir. Essa sensação de quem precisa se provar ao lado de alguém para alcançar algum objetivo. Ele deve ter outras. Olhe para ele, Sakura. Não. Olhar, não. Observe.

— Quem é a outra? — perguntei.

— Desculpe — ele disse e me olhou intrigado —, quem?

— A outra...

— Vocês vêm? — minha mãe surgiu, sorridente e nos interrompendo.

Ou é coincidência, ou a vida me deu chance de ficar calada e não transformar isso em algo ainda mais perigoso. 

Todo o jantar foi regado por conversas que tiravam risos de minha mãe. Uma garrafa de vinho, música e risos. Poderia ser assim por toda a eternidade, sem adversidades para nos arrastar até a escuridão e tirar lágrimas. A vida seria doce se todos decidissem provar do vinho de verão. Doce e suave. 

Acompanhei-o até a porta, depois de uma longa despedida feita por mamãe, que o convidou para voltar outras vezes. Sasuke concordou e encheu-a de alegria. Mas assim que a porta se fechou e a noite estrelada nos tomou durante o trajeto até o veículo dele, sentia a tensão em cada passo.

Parei quando o Uchiha parou. 

As mãos no bolso do casaco, me olhando intensamente e com seus olhos cintilando na luz fraca da rua. 

— Por que acha que há outra? — me perguntou ele.

— Esqueça isso — disse —, apenas... não temos nada um com o outro.

— Sakura — evitei olhá-lo diretamente —, o que sou para você?

Palavras não vinham e nada que eu pudesse pensar eram suficientes para dizer o que nem mesmo eu sabia. Movi os lábios sem nada dizer. Mas Sasuke sabia exatamente como nos consertar nesse momento. Não suspirou em desaprovação diante de meu silêncio, muito menos me deixou ali, sozinha. Apenas se aproximou e tornou a me circular com seus braços. 

Guiando meu corpo contro o carro, o senti me apertar contra seu corpo, fitando-me profundamente. Dessa vez não fugi.  Nossos lábios se selaram, necessitados de si mesmos. 

Todos querem ir rápido, mas não se comparam com essa sensação de ter um coração palpitando tão ligeiro contra o seu, provando da boca de outro. Sinto-o tão devagar, mas precisando de mim. Nos perdemos, até ele segurar firme em meus cabelos, os dedos enroscados nos fios. Respirando fora de ritmo e me olhando com tanta intensidade que não há descrição para esse momento.

— Sakura — ouvi-o sussurrar —, eu...

— Sim?

— Preciso ir — e me soltou.

Engolir as palavras não é fácil, mas ele deve estar acostumado. O vi partir da mesma com que veio, com o coração repleto de sensações e vazios que ficam quando o vejo fechar a porta. 

 

Quando a noite de domingo veio, eu tinha escolhido o suéter azul de veludo e a calça jeans. O sapato de salto branco e os brincos de argola que ganhei no natal. Gaara tinha me dado o endereço do bar, ficava algumas quadras da loja de discos. Quando cheguei, ele me esperava. 

Seu sorriso ao me receber foi quente, capaz de me fazer corar. Seus cabelos estavam bem penteados e usava um casaco preto, com a camisa azul abaixo. Me abraçou e disse que estava feliz por eu ter realmente ido. Ao entrarmos, não havia muito movimento, as mesas estavam cheias, mas nada que tornasse o fluxo denso.

Nos sentamos próximos do pequeno palco, ele pediu uma cerveja e eu fiquei com uma margerita. Vez ou outra o sentia me olhar e sorrir. As músicas eram realmente boas, tão profundas que me faziam ficar imobilizada enquanto ouvia. Palavras podem machucar ou curar, essas apenas entram, se instalam e ficam, chacoalhando na cabeça e te arrastando para a vida que possui.

Dessa vez não soltei-o, quando Gaara deslizou a mão para junto da minha, o deixei brincar com meus dedos, acariciando-os suavemente. Sorri de canto.

Ele é bonito, mas se compará-lo ao homem que tem me levado para a cama, nada sinto. Quanto custa para amar um homem? Se fosse dinheiro o problema desse débito... Gaara não possui as chamas que o Uchiha tem, seu perfume não fica em minha mente e seus toques não são vulgares, da forma como gosto. Sei que o estou usando para me encontrar.

Ignorei todo o cenário e, sutilmente, me levantei e fui para o exterior. Ele me seguiu, vindo tão apressado que provavelmente não entendeu o que eu queria. Não, o que precisava...

— Sakura, você está bem? — me perguntou, tão perto.

— Com calor, apenas — menti.

— Posso levá-la para casa se quiser — assenti.

Caminhamos lado a lado até a rua, ele respirava tão lentamente e de um modo suave.

— Gostou do Blues?

— Sim — respondi.

— E entendeu?

— Não acho que sim — parei diante dele —, quer dizer, é algo tão profundo, tão...

— Pessoal?

Concordei. Ele sorriu e segurou em minhas mãos, não reagi, seus olhos me prendiam ali.

Olhávamos-nos como que pela primeira vez, com as mãos unidas e o movimento da cidade ao nosso redor. As luzes coloridas das construções o iluminavam, tornando seus olhos ainda mais cintilantes.

— Essa é a função do Blues — Gaara começou a dizer —, costumo dizer que possuímos no nosso interior uma garrafa, onde colocamos todos os sentimentos e a lacramos, para que ninguém possa nos ferir. Quando nos permitimos ouvir Blues, essa garrafa se abre e nos embriagamos em nossa própria existência. 

Nada disse, tomada por um desejo involuntário, apenas o deixei me beijar quando se aproximou mais. senti seus dedos se enroscarem em meus cabelos, com a mão unida, os dedos cruzando-se um ao outro.

Abri os olhos e me afastei.

A garrafa em meu interior se estilhaçou, a propósito. Do outro lado da rua, como que um fantasma que vem na madrugada para assombrar, Sasuke nos observava. Pensei ir até ele, mas não tive a chance. Da mesma forma com que veio,se foi. Ele me tinha olhado tomado por algo que não conheço. E, agora, sei que a sensação de ter perdido algo. A pessoas comuns não entendem, como é difícil amar e não saber como fazer.

Não faço ideia do que estou dizendo, apenas rezo por ele e que ainda me queira, da mesma forma com que o quero. É pedir demais?



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