História Code Blue - Capítulo 3


Escrita por: ~ e ~Bradfork

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Swanqueen
Exibições 227
Palavras 4.620
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Tente aproveitar


Fanfic / Fanfiction Code Blue - Capítulo 3 - Tente aproveitar

Shake It Out – Florence + The Machine ♪

Emma, desde pequena, manteve um cuidado especial com sua aparência, principalmente seus cabelos. As mechas longas e loiras eram sempre brilhosas e bem tratadas, sendo cuidadas por um cabelereiro de confiança. Mas tudo se tornou vago e insustentável com a descoberta do câncer. Aprisionada em uma cama de hospital, como ela gostava de dizer, deixou os cabelos aos trapos já que corria o risco de perdê-los no tratamento e assim não sofreria por ficar sem cabelos de pontas triplas e ressecados.

Ela estava no banheiro de seu quarto e passava a escova pelos fios molhados, desembaraçando aos poucos. A toalha enrolada no corpo indicava o banho terminado há poucos minutos, o banheiro ainda esfumaçado obrigando-a a todo o momento limpar o espelho para conseguir enxergar seu reflexo. Emma levou uma mecha perto das narinas e sentiu o cheiro dos produtos que passara e deixou os fios caírem pelos ombros úmidos, respirando profundamente ao tentar afastar a saudade que pudesse sentir de um pequeno ato. Mary interrompeu seus pensamentos pela terceira vez ao bater na porta do banheiro.

— Precisa de ajuda, querida? — Emma revirou os olhos com a preocupação, era como ter um vigilante seguindo seus passos.

— Não, mãe. — Respondeu de má vontade sem tirar a concentração de seu cabelo. — Você pode ir embora, eu vou ficar bem.

— Tem certeza? Eu posso passar a noite se quiser.

Emma abriu apenas uma fresta da porta e encarou sua mãe.

— Eu estou bem. Você pode ir, não precisa ficar desperdiçando sua vida para me acompanhar no hospital. — Balançou o dedo apontando para Mary. — Lembre-se, sou eu que tenho uma sentença de morte e não você.

— Quantas vezes vou ter que repetir para não falar asneiras? — Mary se enfureceu, empurrou a porta e invadiu o banheiro, se colocando no centro do cômodo ao encarar a filha. — Você acha que eu preciso de um lembrete da sua condição? Eu já vivi isso, as noites acordada até tarde, a preocupação, o desespero. Seu pai!

Emma deixou o silencio tomar conta do banheiro após a menção de seu pai. Exceto pelo barulho das máquinas apitando no quarto ao lado, a respiração das duas mulheres era a única coisa que podia ser ouvida. David Swan era assunto proibido entre as duas desde o diagnóstico de Emma. Quando soube do câncer, sua mãe simplesmente parou de mencionar os tempos de juventude ao lado do homem, de como planejavam uma vida juntos com a filha, e de como tudo isso foi tirado delas prematuramente quando David faleceu da mesma doença que agora consumia Emma.

Então sim, o pai de Emma era assunto proibido na família Swan. Era mais fácil para Mary lidar com o sofrimento se não relembrasse de seu primeiro e único amor; Emma, por outro lado, mesmo que se ardesse com vontade de saber mais sobre o pai, não queria colocar mais um fardo nos ombros da mãe. Sendo assim, ela guardava sua curiosidade a sete chaves.

— Eu preciso me trocar. — Emma murmurou depois de um tempo. Mary meneou a cabeça, saindo do banheiro em seguida para deixar sua filha ter um pouco de privacidade.

Assim que a porta bateu novamente, Emma jogou a toalha no chão e se encarou no espelho. Estava mais magra, costumava ter um porte atlético que daria inveja na maioria das mulheres, mas agora as costelas começavam a aparecer revelando sua recente falta de apetite. Mas ainda pior do que ver o que a doença ia fazendo aos poucos com seu corpo, era sentir-se acostumada com o ambiente. O banheiro possuía barras para apoio, adaptações para cadeiras de rodas, botões de emergência e o cheiro de hospital. Definitivamente Emma se obrigou a ver o local como sua última casa.

Vestiu uma calça jeans e uma camiseta confortável, sentindo-se feliz em se vestir com suas próprias roupas e deixar de lado aquela camisola horrorosa e constrangedora. Terminou de pentear os cabelos, deixando-os solto para secar naturalmente, e saiu do banheiro.

— Você vai mesmo? — Perguntou ao avistar sua mãe com a bolsa pendurada ao ombro.

— Você precisa ficar um pouco sozinha, e eu também. — Mary ajeitou os cabelos atrás da orelha. — Estarei de volta amanhã cedo. — Aproximou-se da filha e a acolheu num abraço apertado. — Não faça nenhuma loucura.

— Como fugir para um bar? — Emma deu uma leve risada e retribuiu o abraço.

— Exatamente.

— Eu vou me comportar. — Mary segurou o rosto da filha e deu um beijo em cada bochecha.

— Te vejo amanhã.

— Até lá, mãe.

*

— Eu não sinto meu rosto. — Zelena reclamou enquanto apalpava o rosto com a ponta dos dedos. Depois de horas trabalhando, os três amigos estavam no balcão perto da entrada se aprontando para irem embora. — Esse plantão foi horrível, eu nunca estive tão cansada.

— Espero que não esteja cansada demais. — Robin abraçou-a por trás depositando um beijo em seu pescoço.

— Que nojo, eu ainda estou aqui. — Regina deu um tapa em Robin, fazendo-o se afastar da namorada.

— Então vá embora. Você não tem um encontro?

— Não. — Torceu o nariz se lembrando da loira atrevida. — Eu não tenho um encontro.

— Bem, o encontro está vindo à sua direção. — Zelena apontou para uma Emma Swan sorridente que quase saltitava enquanto ia em direção do trio.

— Olá. — Disse animada assim que alcançou os três, se apoiou no balcão e deslizou a mão até encontrar a de Regina. — Olá doutora.

— Eu vou pedir uma ordem de restrição contra você. — Regina empurrou a mão de Emma rapidamente e se afastou da loira.

— Ela é sempre tão estressada?

— Só quando está sem sexo. — Zelena respondeu.

Robin se afastou das duas mulheres, que começaram a conversar animadamente, e se aproximou da amiga parada perto das portas de entrada do hospital.

— Você se está bem? — Regina mexia distraída no celular, ele pousou as mãos em seus ombros fazendo-a saltar com o susto.

— Sim. — Responde seca, voltando sua atenção para o aparelho.

— É Emma? Não quer sair com ela? — Robin tomou o celular e o escondeu em seu bolso, fazendo Regina soltar um barulhinho de desagrado. — Posso me livrar dela se quiser.

— Não é isso... — Abaixou a cabeça exausta. Tinha se interessado por Emma, toda a ousadia e o físico da mulher não deixavam a desejar, mas algo a estava bloqueando de ir em frente.

— O que tem a perder?

— Nada.

— Então está resolvido. — Robin devolveu o celular para a amiga e empurrou-a de leve na direção da loira. — Você se permite muito pouco. Experimente sair com uma completa estranha e se aventurar no desconhecido, não vai machucar viver fora dessa bolha Regina.

— Se isso der errado eu vou culpar você. — Alertou-o irritada e saiu em direção a Emma. — Vamos. — Segurou o pulso da loira, que sorria como uma boba e acenava para os dois médicos, e começou a puxá-la pelo hospital.

— Você ao menos sabe onde estamos indo?

— Você me chamou pra sair, deveria ser sua decisão.

— Então me deixe liderar o caminho, doutora.

*

High – Young Rising Sons ♪

— Me dê sua mão. — Emma estendeu a mão para Regina que rolou os olhos e cruzou os braços. — Anda Regina...

— Estamos no Heliporto e você quer que eu passe por isso? — Apontou para uma pequena passagem no limite do lugar. — Acha que minha loucura é como a sua?

— Confie em mim.

— Um pouco difícil para nosso primeiro encontro...

— Olha, se eu quisesse te matar, eu já teria feito. Motivos não faltariam.

— E ainda acha que terá o segundo encontro? — Regina bufou segurando a mão da loira, que abriu um curto sorriso de satisfação. — Tire esse sorriso.

— Ah, mas eu não tiro mesmo. — Ajudou-a a passar pela passagem. — Tem muita coisa que você não sabe Doutora Mills e uma delas é se divertir.

— O meu tipo de diversão pode ser um pouco diferente do seu. — Regina afirmou depois que se colocou de pé e observou todo o espaço. — Escombros... — Com uma expressão não muito agradável, observou um espaço de no máximo três metros para frente, sem nenhum atrativo. — Irei pedir para que o hospital olhe para esse local.

— Ah não tire minha diversão. — Emma deu um riso e, de costas para toda a imagem da cidade, foi andando sem tirar os olhos de Regina. — É meu lugar preferido.

— Seu gosto é peculiar Emma. — Regina arqueou uma sobrancelha e voltou a olhar para o espaço, tentando encontrar algo que lhe agradasse.

— Com certeza, eu gosto de você. — A loira deu uma risada, suspendendo as sobrancelhas e Regina a fuzilou com o olhar. Mas quando ia dizer alguma coisa, Emma se aproximou da borda. — Mas há muito mais que seus olhos não veem daí...

— Emma Swan, pare com isso... — Disse apreensiva quando a viu pisar na beirada. — Eu não quero presenciar um suicídio de uma paciente... — Deu um passo para frente.

— Não seja boba Regina. — Emma riu e saltou para trás, fazendo a morena sentir um frio lhe correr na medula espinhal e todo o corpo travar. Ela gritaria, mas o som dos pés da imprudente loira batendo ao chão a fez soltar um longo suspiro, principalmente quando viu os fios loiros aparecerem no limite nível do chão. — Venha logo, não vai se arrepender.

— Eu... — Ainda em estado de êxtase, negou com a cabeça e virou-se de costas para Swan, suspendendo a mão em um pedido de espera.

— Achou mesmo que eu cometeria uma insanidade dessas? Na sua frente? Eu seria muito má... — Emma riu e ficou nas pontas dos pés para olhar a morena. — E quem alegraria seus dias? Você ficaria desolada.

— Presunçosa!

— Vem... Eu prometo que vai gostar. — Emma insistiu.

— Você me dá trilhões de motivos por segundos para nunca mais querer ver você na minha vida. — Resmungou em passos medrosos até o limite em que Swan saltou.

— Mas continua aqui. — Emma estendeu os braços e Regina negou rapidamente com a cabeça. — Vamos, eu seguro você.

— Não vai desmaiar quando eu saltar? — Franziu o nariz analisando a altura.

— Não posso prometer isso. — Deu os ombros e continuou com os braços esticados. — Vem, sente-se e eu te pego... Medrosa. — Sussurrou a última palavra, recebendo um olhar furioso da morena. — Eu tenho a noite toda...

Assim Regina fez, desconfortável e relutante, acabou por sentar-se no limite e sentiu as mãos firmes de Emma lhe segurar a cintura, ajudando-a descer para o mesmo nível.

Os corpos deslizaram por inteiro um pelo o outro, os rostos quase se tocaram e Emma deixou as mãos apertarem um pouquinho a fina cintura da Doutora quando controlou seu desejo de beijar os lábios tão próximos aos seus. Sem uma rápida repulsa, Regina deixou que os olhos analisassem com calma os finos e rosados lábios de Emma, os cabelos soltos e úmidos caindo pelos ombros e rolou até os olhos verdes com alguns traços azulados lhe encarando com um brilho encantador.

— Ei. — Emma disse baixinho, ainda perdida em como os olhos de Regina podiam abrigar um aspecto terroso pela pouca luz e, ao mesmo tempo, um brilho feito mel.

— Ei... — Regina respondeu pousando as mãos sobre as de Emma e afastando de sua cintura. — Então... — Ela escondeu o lábio inferior e deu um passo para trás, ajeitando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha. — Vai ser aqui? — Olhou para os lados e tudo que podia ver era concreto e uma linda vista para a cidade de Chicago. — Não há nada de diferente do que ali em cima... Quer dizer, lá tinha espaço, aqui... — Regina ficou a três passos do limite e inclinou o corpo para ver lá embaixo, voltando rapidamente ao constatar que não havia mais níveis e sim a esplanada do hospital muito abaixo.

— Ah nem comece com seu pessimismo... Eu posso surpreender você Doutora.

Regina rolou os olhos e soltaria mais alguma reclamação, mas ao ver a loira se enfiar em um espaço relativamente perigoso, se amaldiçoou por sentir seu coração latejar.

— Emma Swan, se você ficar se metendo em buracos perigosos na minha presença, eu vou embora. — E antes que pudesse despejar toda sua enxurrada de repressões, um barulho de chave de energia a assustou e algumas luzes iluminaram o pequeno e estreito lugar. — O q-...

— Você pode ficar com todo o seu mau-humor, eu já disse que não ligo para ele... Na verdade, eu acho um charme você toda nervosinha. — Emma saiu de onde estava e foi andando até a morena. — Mas tente aproveitar, olha não tem nada que possa dar errado, porque é só uma noite, só um encontro com uma desconhecida que tem uma doença chata... E é um pouquinho atrevida. — Emma deu os ombros e Regina suspirou. — O máximo que pode acontecer é você nunca mais querer me ver ou nem eu querer te ver... Eu não sei, pode ser um oi ou um adeus. Mas, pelo pouco que te conheço, sei que será um adeus... Então...

— Você sempre trata tudo dessa forma? Porque não é muito animador... Pra quê querer conhecer alguém que diz estar morrendo, quando tem milhões de tratamentos a serem feitos e assim se curar?

— E você se preocupa com isso? Eu sei que você não quer me conhecer Regina, eu sei que isso, no final das contas, não passará de uma noite em que esqueceremos o mundo lá fora... E depois você voltará a sua imparcialidade e eu a minha jornada empolgante de quimioterapia.

— Então é isso? Eu posso ficar reclamando de você ou aproveitar nosso encontro? E só? Esquecer que você tem câncer, é petulante e...

— E você abaixar um pouquinho a guarda.

— E depois?

— Você realmente não consegue não estar no controle, não é mesmo? — Emma começou a rir e aproximou da morena, ajeitando os fios que invadiam o rosto pelo vento que lhes acobertava. — Você decide o depois.

— Até que não é má ideia. — Regina disse dando um pequeno sorriso o olhar para os olhos verdes iluminados pela pouca luz aconchegante do lugar. — Afinal, eu posso decidir nunca mais te ver, certo?

Emma fechou os olhos e deixou um sorriso sair dos lábios enquanto soltava um “Encantadora!” num suspiro de falsa admiração.

— Pense nisso como um teste drive. — Desceu a ponta dos dedos pelo braço de Regina até alcançar sua mão num aperto leve. — Você aproveita uma viagem e se diverte, caso se sinta segura pode voltar. Mas se esse não for o caso, é só não olhar para trás. Só não seja covarde o bastante para nem ao menos tentar.

— Não sou covarde. — Regina sussurrou.

— Me prove.

I wanna get better – Bleachers ♪

Estavam sentadas sobre um tapete e algumas almofadas, comendo comida japonesa que Emma havia levado e apreciando de um bom vinho enquanto olhavam Chicago de um mirante particular. As gargalhadas e uma boa conversa logo se instalaram entre elas quando ambas se permitiram largar toda a marra e aproveitar o momento.

Regina contava alguns de seus casos mais famosos e interessantes e Emma estava deitada, apoiando a cabeça em sua mão, com um sorriso admirado e um olhar fixo a figura da Doutora que contava tudo com empolgação. A morena deu uma gargalhada, jogando a cabeça para trás ao ouvir um comentário estúpido de Swan e maneou com a cabeça, enquanto continha com a ponta do mindinho uma lágrima que escorreria por sua gargalhada.

— Agora chega, eu falei um tanto de bobagens... — Regina disse tomando um gole de sua bebida e abrindo um sorriso para Emma. — Está entediada.

— Ah... — Fez uma expressão de desânimo. — Eu estava gostando de ouvir... Tudo bem que a parte científica e todos esses termos... — Franziu o nariz, arrancando um riso e rolar de olhos da doutora. — Mas eu gostei... Esse paciente, Daniel...

— Ah! — Regina fez uma caretinha e logo começou a rir. — Claro que você voltaria nele...

— Ah qual é Regina, você me diz que quase se casou com um paciente seu e quer que eu deixe pra lá? Isso é um marco histórico!

— Toda vez que ele aparece no hospital eu me escondo em algum canto. — Emma arregalou os olhos e Regina suspendeu as sobrancelhas. — O que foi? Eu não quero voltar... E ele sempre tem todo o papo de “eu te perdoo, eu ainda te amo, podemos ser felizes...” — Sua expressão tinha repulsa e Emma gargalhou.

— Então, como se não bastasse toda descortesia gratuita, ainda foge do seu noivo?

— Ele não é meu noivo... — Regina deu os ombros e mais um gole no vinho. — Tecnicamente, sim... Mas você não precisa formalizar a anulação de um casamento quando é pega transando com sua interna, certo?

Emma negou com a cabeça lentamente e fechou os olhos, como se estivesse decepcionada.

— Safada...

— Swan! — Jogou uma almofada no rosto da loira que devolveu em cheio. — Agora me diz você...

— Eu não sou tão interessante assim como você... Eu não saio descobrindo todos os cantos do hospital com esse intuito.

— Obviamente.

— Ah qual é... — Emma se sentou e tombou a cabeça um pouco injuriada. — Você não sabe elogiar alguém? Eu sou interessante... — Regina afirmou com a cabeça e prensou os lábios segurando seu sorriso. — Mas eu realmente não tenho tantos casos assim para contar.

— Hm, quantas pessoas você já trouxe aqui? — Regina bebericou sua bebida e escorou as costas na parede de concreto.

— Uma. — Emma deu os ombros.

— Emma, talvez você possa não ter tantos casos insanos como eu, mas, definitivamente, esse lado conquistador apaixonado não combina com você.

— Eu não estou tentando te conquistar. — Emma franziu o cenho e engatinhou até ao lado de Regina que apenas arqueou a sobrancelha. — Eu falo sério, eu estava com medo de estragar tudo trazendo você aqui, mas acho que foi a melhor escolha que fiz. — Emma abriu um sorriso e observou as expressões enigmáticas no rosto da doutora.

— Eu não vou cair nisso... — Sussurrou observando as luzes refletidas nas íris esmeraldas. — Mas, por curiosidade... — Emma segurou o sorriso. — Por quê?

— Bem... — Sentou-se ao lado de Regina, escorando também as costas na parede. — Eu costumava ter um amor como você tem pela sua profissão, mas eu tive que deixá-la, entende? E você é incrível! — A morena conteve o sorriso no canto dos lábios e Emma a olhou com entusiasmo. — É empolgante te ver falar sobre sua profissão, tem um brilho no seu olhar que eu nunca tinha visto. Então, sim, foi a melhor escolha que fiz, pois eu vi paixão nos olhos de Doutora Regina Mills.

— O que você era?

Emma encarava as luzes de Chicago a sua frente e deu um sorriso entristecido, mas banhado de lembranças ao pensar em tudo profissão e tudo de mais vívido que lhe aconteceu nesse tempo. O sorriso que esboçava trazia um marejo nos olhos e assim Emma virou o rosto para encarar a figura curiosa e atenta de Regina e soltou uma longa respiração.

— Professora. — Emma abaixou o olhar e mordeu o lábio inferior, voltando a encarar a paisagem.

— Humm... Professora Swan... — Regina passeou os olhos pelo rosto da loira notando pela primeira vez as feições da mulher. — Aposto que tinha fila de alunos atrás de você.

— Não. — Emma deu uma risada envergonhada, escondendo o rosto entre os fios de cabelo. — Não era assim.

— Me explica. — Regina passou a língua nos lábios de leve. — Eu quero aprender mais sobre você.

— Eu era realmente boa em ensinar o que eu amo, eu tentava dar o melhor de mim para eles, tentar abrir um pouco a cabeça sabe? — Deixou um sorriso sair dos lábios com plenitude. — Ensinar história é mágico... É... Quando você entra na sala de cirurgia, se sente bem consigo mesma, certo? — Regina meneou a cabeça concordando. — Era assim que eu me sentia ao dar aulas, ao ver meus alunos aprendendo. — Suspirou, fechando os olhos e escorando a cabeça na parede. — Eu não podia ser cruel com eles.

— Você ainda é professora. — Regina disse firme, recebendo um olhar curioso de Emma e um riso debochado. — Eu estou falando sério. A paixão que falou que viu em mim tem em você também... Seus olhos brilham Emma, talvez tenha um jeito de poder continuar ensinando... Eles sabem? Seus alunos?

— Ah Regina... — Emma rolou os olhos negando e voltou a encarar a cidade.

— Eu não tenho poder de interferir nas suas escolhas ou até mesmo palpitar, mas Emma, você está brava com sua doença e tudo bem aceitar essa “pena de morte” que se incluiu. — Emma arregalou os olhos. — Quer viver assim? Viva. Mas ao menos realmente “viva cada minuto, curta o momento” como vem me dizendo. É muito cruel com você fingir ser algo que não está sendo, se esconder em máscaras... E se você ama ensinar, ensine.

— Uau... — Emma abriu um sorriso e olhou para as luzes do ambiente refletidas nos olhos negros de Regina. — Eu te beijaria agora Regina, eu realmente te beijaria. — Regina surpresa pela espontânea revelação, percebeu as íris verdes presas em seus lábios, deixando assim seus olhos desenharem mais uma vez os finos de Swan. — Mas se eu fizer isso você vai levar a sério o fato de nunca mais me ver... — Umedeceu com a língua os lábios secos.

— De qualquer jeito eu nunca mais vou ver você, Petulante. — Regina disse baixo, com a voz rouca e os olhos fixos aos lábios de Emma que deixou um sorriso escapar. — E ai de você se continuar me perseguindo.

— É você quem me busca em todo canto que vai... — Emma suspirou e deixou que as pontas dos dedos deslizassem pelo braço da Doutora até o pescoço, sentindo a pele macia arrepiar-se sob o toque. — E você gosta quando me encontra.

— Você está muito enganada.

— Não se preocupe. Ao contrário de você, eu posso dizer a verdade e eu realmente gostei de você, gostei muito de você e não posso deixar isso acontecer. — Olhou fixamente para os lábios, como se indicasse o que significava suas palavras e subiu o olhar para os olhos assustados de amêndoas.

— Eu não vou me apaixonar por você Emma Swan, caso faça isso que está pensando. Esse joguinho não vai funcionar. — Disse ainda com a voz baixa, sustentando o olhar esmeralda que queimava sobre ela.

— Não é como se eu quisesse um relacionamento... É só, eu prefiro ver você sair um pouquinho de toda a máscara comigo, assim como hoje, do que beijar você e nunca mais poder ter isso.

— Você definitivamente me decepciona. — Disse com a voz baixa, sentindo a respiração de Emma lhe tocar o rosto e os olhos verdes lhe provocando a cada segundo.

— Ou, definitivamente, te surpreendo. Está tudo fora de controle, Dra. Mills.

— Eu não acredito que vai fazer isso... — Regina segurou a mão de Emma, impedindo-a de se afastar.

— Não beijar você? — Emma deu um riso baixo. — Qual é... Se a noite valesse a pena, você repetiria?

— Você brinca com fogo Emma Swan. — Regina disse duramente e aproximou a boca do ouvido da loira. — Mas eu não preciso disso. — Sussurrou com os lábios encostados na orelha da professora, arrepiando cada milímetro de pele.

— Então, eu te deixei brava por não te beijar e tirar sua roupa aqui mesmo? — Emma voltou a olhá-la com um sorriso debochado.

One more chance – Ira Wolf ♪

— Chega. — Regina colocou-se de pé, alinhando toda sua roupa e respirando fundo.

— Regina... — Emma bufou e se colocando de pé.

— Você se acha muito esperta Swan, acha que pode fazer com as pessoas o que quiser e estará imune das consequências por sua condição... — Emma revirou os olhos e quando foi falar mais alguma coisa, Regina suspendeu a mão pedindo silêncio. — Eu não vou fazer parte disso... Se é hora que você quer fazer, aproveitando de sua doença, e depois se vangloriar, vai ter que encontrar outra... — Olhou para os lados e respirou fundo. — Como eu saio daqui?

— Você percebeu o que disse? — Emma cruzou os braços e Regina continuou olhando para cima, calculando quanto esforço precisaria fazer para sair. — Acha que me finjo de coitadinha e...

— Não me importo. Tem como, por gentileza, me tirar daqui?

Emma maneou a cabeça com indignação e aproximou de Regina, abraçando suas pernas de uma só vez e a suspendendo. Sem dar importância para os insultos irritantes, Emma segurou abaixo do bumbum e acabou de suspendê-la, até ela se ajeitar e sentar-se no limite.

Regina se colocou de pé e saiu com passos duros para a saída, mas quando chegou perto da passagem respirou fundo e apoiou as mãos na cintura. Seus pensamentos vagando na besteira que disse e na tremenda vontade de se esconder foram preenchidos por uma preocupação desnecessária a sanidade.

— Merda. — Praguejou baixinho e voltou até o limite do nível. — Emma...

A loira jogava os alimentos dentro de uma sacola para jogar fora e já tinha apagado as luzes que iluminavam o cantinho de Swan.

— Sim? — A loira voltou-se para a morena, que se sentiu estranhamente desconfortável pela cordialidade e simpatia ainda recebida.

— Vem, eu não quero te deixar aí sozinha... Se você desmaiar não tem nada para te segurar.

— Eu estou bem. — Abriu um curto sorriso e pegou as últimas coisas, voltando a encarar Regina. — Eu não vou desmaiar Regina, eu estou bem... Não se preocupe, se eu desmaiar você não terá nada a ver com isso.

— Eu sei que não, mas não quero te deixar sozinha aí...

— Isso parece até que você também gostou de mim e só não quer confessar.

— Você é insuportável. — Regina revirou os olhos. — Eu sou médica e por isso me preocupo, mas enfim, a vida é sua... — Deu as costas para a loira.

— Regina... — Emma suspirou e a morena deu um sorriso ainda de costas, virando-se séria para a loira.

A loira jogou a sacola aos pés da morena e respirou fundo, tomando impulso e firmando o corpo sobre os braços. Mas não havia força de vontade que superasse a fraqueza do corpo fadado ao tratamento do câncer. Os braços tremeram e Emma voltaria para baixo se não fosse as mãos firmes de Regina segurando-a e ajudando-a sentar antes de colocar-se de pé.

— Está se sentindo bem?

— Obrigada. — Emma deu um sorrisinho fraco.

— Você está bem, Emma?

— Um dia... — Emma fechou os olhos, suspirando. — Uma noite sem nada lá fora, lembra? Apenas uma e... Eu não preciso dos seus cuidados médicos, Doutora. — Colocou-se de pé.

— Eu sei, mas...

— Sem pena, Regina. — Emma pegou a sacola com lixo. — Aposto que te livrei de uma enfermaria durante o restante da noite. — A loira se aproximou da morena e beijou-lhe o rosto rapidamente, deixando a morena surpresa e sem reação. — Obrigada pela noite, eu realmente gostei.

 

* * *

 

— Chega pra lá... — Regina empurrou Robin para o canto da cama e se deitou entre ele e Zelena.

— De novo? — Zel resmungou ainda sonolenta. — Como foi?

— Foi ótimo. — Regina se ajeitou debaixo das cobertas e logo sentiu uma perna de Zelena passar sobre seu corpo, fazendo-a revirar os olhos.

— Sem sexo... — Robin constatou e logo passou o braço sobre o corpo da amiga, fechando os olhos e suspirando em seu sono. — Você também, hein?

— A culpa agora é minha? — Regina fez uma careta ao sentir seus amigos sobre seu corpo. — Será que... — Tentou se libertar, mas logo desistiu ao sentir a cabeça de Zel tombar em seu ombro.

— Ela quem te dispensou? — Zelena disse em meio a um riso fraco.

— A fodona Mills levou um fora...

— Voltem a dormir. — Regina fechou os olhos e soltou uma longa respiração.

— Perdeu um partidão Doutora... — Robin zombou mais uma vez e Regina apenas soltou a respiração.

— Eu não perdi ninguém. — Regina resmungou irritada.

— Então vai ter um segundo encontro?

— Boa noite Robin.

— Eu queria ter visto sua cara... — Zelena comentou ainda mais baixo em meio a um riso junto de Robin. — Boa noite e bons sonhos com belos cabelos loiros, braços firmes, língua afiad- AU! — Reclamou quando sentiu um tapa em sua cabeça. — Boa noite... Emma. — Regina deu outro tapa e Zelena se encurvou, soltando um riso logo depois e se aconchegando no colo da amiga.



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