História Código de Conduta - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook, Suga
Tags Bts, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin
Visualizações 82
Palavras 4.092
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Festa, Lemon, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ARROZ! Eu demorei? Muito obrigada pelos favoritos e comentários! Sinceramente, achei ninguém iria vir ler isso aqui~ Tô morrendo de amor com vocês, maravilhosos! Enfim, largo mais um capítulo de C² e o seguinte provavelmente é o último, porém muitas coisas podem mudar, porque eu ainda não comecei a escrever. Logo, se quiserem que eu esclareça algo, foque em determinados pontos ou sentiram falta de alguma coisa... a hora de falar comigo é essa. Enfim, vou parar de enrolar aqui. Nos vemos nas finais <3

Capítulo 2 - Duvide.


Jimin não sabia ao certo há quanto tempo estava evitando Jungkook, mas não tinha vontade de encarar o mais novo por hora, embora sentisse saudades. Muitas saudades. Encostou a corda do arco perto da boca e mirou no centro do alvo, estava quase soltando a flecha quando ouviu seu nome ser chamado, fazendo-o errar o tiro.

― Mas que…

Antes que terminasse de praguejar, um tapa preguiçoso foi dado em sua cabeça e em sequência veio um abraço de lado completamente desajeitado.

― Olha a boca.

Olhou para aquela criatura de cabelos negros com cara de foda-se e ficou dividido entre revidar o tapa e abraçá-lo de volta. Fazia tanto tempo que não o via, que o Park já havia até esquecido que Yoongi frequentava a associação, não que Jimin fosse realmente bom de memória ― ele esquecia as coisas muito facilmente, mas mesmo assim…

― Quando foi que você voltou, cara? ― bateu nas costas dele e foi até o banco, arrumando seu arco no estojo e andando até o vestiário com o mais velho no encalço.

― Cheguei hoje e não tenho comida em casa, nem sequer macarrão instantâneo. Quer ir comer na barraca perto da sua rua? A gente pega o metrô e vai pra lá.

Pegou o relógio na mochila e arregalou levemente os olhos, havia chegado ali às seis e já era mais de dez horas da noite, o lugar fecharia em meia hora. Apressou-se em arrancar a roupa suada e pegou seus pertences para tomar um banho corrido, sem se importar com a presença de Yoongi, o colega já estava acostumado.

Pode ser! ― gritou de dentro do box e se calou para prestar atenção no próprio banho.

Min Yoongi apenas sentou no banco do vestiário e esperou, não conseguiu deixar de notar, mesmo de relance, os resquícios de marcas amareladas e provavelmente velhas no corpo do outro que não tinha o mínimo de atenção para tratar daquelas coisas ― sentiu inveja de quem as fizera. Mesmo sendo seu colega de arquearia, não deixaria alguém como Park Jimin passar despercebido por si, o infeliz era um maldito ótimo de papo, atencioso, fofo e, como se não bastasse, ainda tinha o corpo de um demônio. Só conseguia sentir orgulho do menor, vontade de investir nele também. Foi pensando nisso que se levantou e andou até a frente do box onde o outro lavava os cabelos.

― Se você continuar me secando assim, não vou precisar nem usar uma toalha quando terminar aqui.

O ruivo ― com os cabelos deveras desbotados ― virou de lado, impedindo que Yoongi tivesse plena visão do que o interessava em seu corpo e fechou a porta da cabine para terminar seu banho em paz.

― Se você deixasse, eu te enxugava com minha língua, seu filho de uma puta. ― Jimin riu amarelo, sem graça e levemente temeroso, pois sabia que ele falava a verdade. ― Só que você inventou de arrumar um moleque que ainda cheira a leite.

A menção de Jeongguk fez o menor estancar debaixo da ducha e o sorriso sacana no rosto de Yoongi se desfez ao receber apenas silêncio, não a enxurrada de xingamentos do mais novo em defesa do namorado.

― Jimin?

― Você… tem razão, não é? O Jungkook nem saiu das fraldas ainda…

― Você brigou com ele, Jimin?

Sem resposta novamente, Yoongi empurrou a porta do box e se deparou com o menor terminando de se enxaguar com pressa, os olhos e nariz vermelhos e suspiros pesados.

Pela primeira vez desde o café da manhã na casa dos Jeon, Jimin se permitiu expressar sua frustração.

(...)

Jungkook olhou o relógio mais uma vez e desceu as escadas de casa para assistir algum filme na televisão da sala, já que não conseguia dormir. O universitário já contava duas semanas que não via Jimin e estava realmente tentado a invadir o quarto do outro mais tarde, na madrugada, como se acostumou a fazer. Sempre que podia, o Jeon estava na casa do namorado… Fosse passando tempo, ajudando-o a fazer os bolos encomendados, estudando ou então com a família do outro. Ele tinha pai, mãe e um irmão mais novo que jogava Forza Motorsport 4 muito bem ― o formato de suas famílias era idêntico. Três pessoas humildes e sorridentes. Jeongguk os adorava, principalmente Jihyun, seu cunhado.

Em um fim de semana normal, claramente estaria indo para o metrô com uma mochila nas costas para esperar o menor chegar do treino.

E só para coroar, além de ter brigado com o ruivo e vir sendo ignorado pelo mesmo, sua mãe estava perseguindo-o. Kahi passara os últimos dias acompanhando todos os seus passos e deixou claro que Jungkook não deveria sair de casa para algo além da faculdade, ele sabia que aquilo era só para impedi-lo de ir atrás do Park.

Jeongguk se sentia sufocado.

Por isso pegou seu molho de chaves e carteira, calçou suas legítimas botas mostarda e saiu em busca de seu próprio ar puro.

(...)

Yoongi ouvia atentamente as reclamações do Park enquanto enchia seu copo. Por coincidência, conhecia Jungkook há tempos, já que, antes de entrar para a faculdade, trabalhava meio período como atendente no consultório odontológico do pai dele. Podia afirmar que a esposa do ex-chefe era realmente aquela da descrição de Jimin, lembrava-se de como todos falavam mal quando a dondoca, de roupas caras e um salto que só não era maior que a língua, chegava

― Sabe o que eu acho? Que você deveria largar de vez aquele cara e seguir sua vida.

Ele só suspirou e voltou a entornar o copo de soju,  não sabia o porquê estava conversando aquelas coisas com o mais velho. Yoongi era do tipo sexo por sexo, e que se exploda o resto.

― Esquece, vai… Eu nem sei porquê a gente está conversando sobre isso. ― fez um gesto de descaso com a mão livre e enfiou mais tteokbokki na boca. ― Como foi a viagem?

― Foi legal, cara. Eu só saí do hotel para trabalhar, o resto do dia eu passava na cama. O clima lá do Canadá é bem agradável, você podia ir comigo algum dia para fazer um ensaio nas Montanhas Rochosas. ― sorriu de lado e apoiou a o rosto na mão esquerda. ― Nu artístico combina muito bem com você.

Park riu. Riu com gosto, gargalhou mesmo. Riu tanto que deixou Yoongi sem graça. Normalmente ele ficaria envergonhado e reviraria os olhos, mas o moreno tinha aquela aparência de filhote do Conde Drácula e ficava muito engraçado falando aquelas coisas sem vergonha.

Ou não, talvez fosse só o soju.

― Sim, hyung. Tudo bem, mas já não está na hora de ir para casa?

O moreno respirou fundo e chamou a alegre senhora proprietária para pagar a conta, logo indo se juntar ao menor em frente à barraca. Jimin estava pensativo, não podia deixar de notar isso quando andava ao lado dele. Talvez o fedelho com quem ele se envolvia fosse realmente importante.

― Escuta, Jimin… É… Sobre o fed- Jeongguk…? Jeongguk. Talvez você devesse dar um tempo para ele, sabe? Eu entendo que você está sobrecarregado, mas pelo que você disse, o moleque é pau mandado da mãe desde que ele nasceu e não é do dia para a noite que isso vai mudar.

― Eu sei disso, Yoongi. ― bufou e chutou uma pedrinha na calçada, o tom choroso presente em sua voz. ― O que eu queria era saber o que é que eu tenho que fazer, porque eu não aguento mais aquela mulher pegando no meu pé. ― Parou quando avistou a própria rua. ― Eu já vou, ligue quando chegar em casa. Boa noite, hyung-nim!

Acenou e saiu correndo para chegar rápido no lugar onde morava: uma casa tradicional que fora construída, há mais tempo que ele e seu pai podiam contar, pelas gerações anteriores.

Passou pelo portão antigo e o fechou, seguindo até a entrada da casa como um felino. Ao colocar os pés na sala, no entanto, foi surpreendido. Achava que àquela hora todos estivessem dormindo, mas seu irmão menor estava ali, firme, com os olhos arregalados e a televisão ligada.

― Você não deveria estar dormindo? ― Sua voz quebrou o silêncio do cômodo.

Jihyun tirou os olhos do eletrodoméstico e mirou o irmão com os pequenos olhos quase saindo das órbitas, assustado. O que Jimin fazia ali?

― C-cadê o Jungkook? Por quê você não está lá em cima com ele?

― Jungkook está na casa dele, Jihyun. Não mude de assunto, por que você está aqui? Você sabe que só pode assistir televisão até às nove, já é meia-noite.

O menino não teve reação para responder, olhava de Jimin para a TV e vice-versa. E, ah… quando o mais velho olhou para o aparelho…

Estava no mudo e na tela passava uma mulher apoiada numa parede enquanto se empinava em direção à boca do parceiro ajoelhado atrás de si.Olhando melhor, o Park mais novo estava ofegante, o rosto orvalhado de suor e o zíper aberto com o pênis entumecido, guardado na cueca de modo precário.

Como Jimin tentou segurar o riso… Tentou do fundo do coração. Mas sabia que não ia conseguir, então pôs as mãos na frente da boca e curvou o corpo para abafar a gargalhada e não acordar os pais.

Seu irmãozinho e soju eram uma ótima combinação para melhorar seu humor.

― Vai pro seu quarto agora, moleque.

Jihyun assentiu e correu até o corredor que levava até os dormitórios, deixando o mais velho a rir sozinho na sala. Desligou a televisão e se jogou no sofá, seu corpo caiu no sofá e Jimin percebeu o quão cansado estava. Suas pálpebras já começavam a pesar, então não pestanejou em se render a um cochilo…

O celular vibrou no bolso de sua calça e ele atendeu sem checar o visor, seus olhos já estavam fechados. Pensava que era Yoongi, avisando que já tinha chegado em casa.

Alô, hyung-nim! Você já chegou em casa, certo? ― riu.

“Hyung-nim”? Você estava com alguém, Chim?

Filho da puta. Abriu os olhos e encarou o aparelho, Jeon Jeongguk escrito em branco brilhava na tela junto com uma foto do dono do nome ― e o relógio no cantinho da tela marcando uma e meia da manhã. E mesmo que não olhasse, Jimin reconheceria aquela voz até no inferno.

― Jungkook? O que você quer?

Você pode abrir a porta para mim?

― O quê…? Como assim?

Eu estou aqui no portão da sua casa, Jimin.

Mas que merda esse menino tinha na cabeça, se expor indo de Cheongdam até Wonseo-dong àquela hora? Park levantou em um pulo e correu varanda afora. Abriu o portão de madeira e realmente deu de cara com o Jeon, que logo foi colocado para dentro da propriedade.

― Você ficou louco?! ― Jimin sussurrou, incrédulo. ― Sabe que horas são para você ficar andando por aqui? E se algum maluco fizesse alguma coisa com você, Jeon Jungkook?!

O maior ao menos prestava atenção no que Jimin falava, só olhava para aquele rosto irritado, morrendo de vontade de tomar os lábios rosados para si.

E o fez.

Não deixou que o mais velho continuasse lhe dando sermões, apenas o beijou. Tinham tantos sentimentos envolvidos ali… Esperava, inclusive, que o mais baixo fosse fazer birra quanto ao fato de tê-lo interrompido enquanto falava, contudo isso não aconteceu. O Park deixou-se ser guiado por Jungkook e, encostado no portão, ficou na ponta dos pés para acompanhar o contato, já que o mais novo colara o corpo ao seu.

Ambas as línguas se chocaram e circundaram uma a outra, compartilhando o gosto de soju. Jimin apertava mais as pálpebras conforme o Jeon esmagava seu corpo entre o dele e o portão. O beijo teve que ser apartado para que pudessem respirar, mas o mais velho não os permitiu ficarem afastados por muito tempo e avançou sobre o outro. De novo, de novo, novamente e mais uma vez.

Jeongguk, que segurava a cabeça alheia para que Jimin não a batesse diretamente na madeira maciça atrás de si durante aquele frenesi, sentiu que não era o único insatisfeito com a distância imposta durante a última quinzena. Vislumbrou em seu corpo a saudade que emanava de Park Jimin. Por fim, quando se deram por satisfeitos, apenas ficaram abraçados. O ruivo ― se é que ainda poderia ser chamado assim, visto que seu cabelo já estava quase amarelo ― normalizava sua respiração e mantinha a testa encostada na curva do pescoço do namorado, Jungkook fazia o mesmo, porém deixando a cabeça descansar no topo dos fios desbotados de Park, subindo e descendo uma mão por suas costas.

― Você bebeu… não foi, Jimin?

― Calado, você não está em posição de me pedir satisfações. ― estalou a língua e revirou os olhos, emburrado. ― E pode ir me falando o porquê de você estar aqui, Jeongguk.

― Eu tinha que te ver… só isso.

Jimin suspirou. O pedido implícito de Jungkook para dormir em sua casa estava claro como água e o Park não tinha coragem de negar aquilo para ele, que tinha saído de casa àquela hora para chegar até si.

― Maldito chantagista. ― praguejou e afastou o outro de si, sentindo imediatamente o frio característico do horário. ― Entre logo, Jeon Jungkook. Tome um banho quente enquanto eu vou pegar alguma roupa para você, está frio.

Afinal, Jimin seria uma pessoa completamente desprovida de compaixão se o mandasse sozinho para casa naquele frio, não é mesmo?

― Obrigado, Jimin-ah. ― Jeon abriu um sorriso enorme e fez menção de abraçar o Park, porém foi recusado com uma mão em sua frente.

― Antes que eu me esqueça, você vai dormir no chão.

Não pôde deixar de rir, Jimin ficava realmente gracioso quando irritado, ainda que ― de forma bem visível ― alterado pela destilada de arroz.

Secretamente, ele amava demais aquele seu hyung.

Sem esperar, ele mesmo puxou o mais baixo para dentro da casa tradicional e ficou no banheiro enquanto o outro ia pegar as vestimentas que havia prometido.

Tarefa difícil… Jungkook não era tão grande, o problema era que Jimin era razoavelmente pequeno e, sobretudo em relação ao mais novo, esguio. As maiores roupas que tinha eram as calças cinza de algodão que havia ganhado de uma tia no natal passado e uma camiseta branca do mesmo material, mas com certeza elas ficariam justas no castanho.

― Ele é um porco musculoso, certo? Eu me mato de correr na esteira, levantar peso e fazer agachamento, e ele é o que tem mais músculos.

Sim, porque não era só chegar lá e sair atirando, ele tinha que estar fisicamente bem para ser um bom arqueiro, e aproveitava essa deixa para desenvolver seus músculos também. Já Jeongguk, passava o dia todo sentado, estudando e comendo… a única atividade física que fazia se chamava sexo. Vida injusta…

Por fim, tirou as roupas dobradas do armário e as colocou em cima da cama ― Jeon não usava cuecas para dormir e não tinha quem o convencesse do contrário ― junto com o boryu que mantinha guardado para eventualidades. Deitou-se no grande banco acolchoado à frente da cama e tentou tomar coragem para ir até o outro banheiro da casa, precisava tomar seu próprio banho e escovar os dentes também. De preferência, gostaria de voltar, limpo e cheiroso, para o quarto antes de Jungkook e já estar dormindo quando ele chegasse.

Mas estava tão cansado…

Bem, um cochilinho não faria diferença, não é? Só fecharia os olhos um pouquinho… Só um… pouquinho…

― Jimin? Não vai, pelo menos, tirar essa roupa para dormir confortável? ― A voz de Jungkook invadiu seus tímpanos e o Park sentiu que o coração iria saltar pela boca, sobressaltando-se.

― N-não! Eu… e-eu vou tomar banho!

E saiu correndo do quarto sem olhar para o mais novo. De uma hora pra outra, sua casa parecia rodar, então achar o banheiro foi uma droga.

Por sorte, conseguiu se banhar e escovou os dentes, mas o sono somado ao álcool que tinha consumido mais cedo o atordoava demais.

Sem conseguir ao menos manter a cabeça equilibrada em cima do pescoço, Jimin se enrolou inteiro em uma toalha e se arrastou de volta para o quarto, ficando aliviado ao ver que ― milagrosamente ― Jungkook já ressonava agarrado ao travesseiro. Enfiou-se na primeira roupa que achou e apagou de qualquer jeito na cama, sem ligar para onde tinha largado a toalha molhada. Apagou mesmo, sem culpa, pois sabia que não teria nem aula nem treino no dia seguinte.

O Park dormiu tão profundamente que nem notou o corpo maior deitar ao lado do seu, ou acordou quando foi posto numa posição mais confortável. Só se aconchegou naquela estrutura macia, estava tão condicionado àquilo que já o fazia para dormir melhor, afinal.

(...)

Quando acordou, suas bochechas estavam inchadas e espremidas contra o peito firme do corpo ao qual se agarrava, então não precisou raciocinar muito para desenrolar a cena. Jeongguk também já tinha acordado e fazia carinho em seus cabelos desbotados com a mão esquerda, a outra era usada para responder uma mensagem no celular, que capturava a total atenção do rapaz.

“Jeon Jeongguk, volte para casa agora! Eu não acredito que você me desobedeceu.”

― Você está proibido de vir pra cá, Kook? ― falou calmamente, mas mesmo assim assustou o outro. Assustou-o tanto por ele achar que Jimin ainda dormia quanto por ouví-lo proferir aquele apelido que há tempos não saía dos lábios do Park.

― N-não. Ela só me aconselhou a não sair para… me concentrar mais nos estudos.

Não era possível… ele não acreditava mesmo naquilo, acreditava? Jimin sabia que não, pois não havia nem cabimento. Jeon Jungkook passava o dia inteiro na própria casa e às vezes, quando estavam juntos, com a cara enfiada nos livros! Então por que Jungkook estava sendo complacente com uma desculpa tão absurda daquelas?

Jimin sorriu sem vontade e se levantou do peitoral do maior, sentando na cama sem afastar as mãos dali. Encarou-o pensativo e, por fim, apenas levou o rosto até o dele, encostando seus lábios e surpreendendo Jungkook mais uma vez. O selar se arrastou até o mais novo pedir passagem com a língua e o menor ceder, passando um joelho por cima da cintura alheia e se acomodando na barriga do castanho sem parar de beijá-lo. Segurava aquelas bochechas incrivelmente macias e findava o beijo, indo morder de leve a mandíbula de Jeon, fazendo-o rir e ― em consequência ― levar Jimin a fazer o mesmo. Contornou as feições do mais novo com seus dígitos e fechou os olhos, querendo memorizá-las e ganhar forças para dizer aquilo que precisava.

― Acho que acabou para a gente, Kook. ― disse sem rodeios, enquanto ainda seguia com os carinhos na face do namorado.

Aquele foi o terceiro susto que o Jeon tomara.

― O que é que você está dizendo, Jimin?! ― sentou-se e segurou os pulsos finos, tentando fitar Jimin que fugia de seu olhar.

― Me diga, Jungkook… Você acredita nessa desculpa estúpida que a sua mãe inventou para você ficar preso em casa? Não, não é? Mesmo assim não age e por mais que eu goste de você, isso me irrita. Eu te disse para virar homem antes de me procurar de novo, não foi? Por que você não me escutou?

A calma com que as palavras eram ditas irritavam e confundiam Jeongguk, deixavam-no nervoso acima de tudo.

E o que você quer que eu faça?! ― Jungkook levantou a voz. ― Ela me gerou, me criou e fez o possível e o impossível pelo meu bem-estar. E como foi que eu retribuí, Jimin? Jogando fora todas as expectativas que ela tinha em mim! Não sou nada do que ela esperava, então eu tenho que compensar isso! Só que você e minha mãe vivem trocando farpas, eu não posso escolher um dos lados!

O Park riu em escárnio, farpas porque se controlava para não jogar uma árvore inteira na sogra. Como acabou se envolvendo com uma pessoa como Jungkook? No final, parecia que Yoongi tinha razão e o questionamento ficara preso em sua mente:

Ele realmente valia a pena?

― O que eu “quero que você faça” ― engrossou a voz para imitar o tom do outro. ― É entender que você não é propriedade da sua mãe. Eu quero que você tenha liberdade para ser quem você é, independente do que ela acha, porque eu sei que você não quer ser dentista, que você não gosta de mulher ou quer começar a escolher os nomes de seus futuros filhos. Jungkook, você não quer filhos. Nem gosta de crianças! Enfim, não sou só eu que sei disso. A Kahi também sabe de tudo isso e até mais do que eu possa saber um dia, mas ela quer que você faça o que ela acha que deve ser feito. Jungkook, não quero que você fique contra sua mãe, isso é ridículo. Eu não quero que você escolha um dos lados, quero que você jogue do seu próprio lado. Mas é você que tem que querer isso, não eu. E, bem… Se você não quer, não tenho como fazer nada.

O Park suspirou, era a cartada final.

― Só não me peça para conviver com isso, porque eu não vou suportar. Se eu não sentisse nada por você, talvez eu suportasse, mas eu sinto.

― J-Jimin…

― Deixa, Jungkook. Só… vamos fazer de conta que eu não fiz esse discurso ridículo e dar um ponto final nisso.

Jeongguk franziu o nariz, como Jimin podia se referir à relação deles daquele jeito? Aquilo o magoou, e não foi pouco.

Contudo, o rapaz não seria capaz de imaginar o que o próprio ruivo sentia ao dizer aquilo.

E foi exatamente por isso que ― mesmo vendo o sofrimento nos olhos negros que quase desapareciam quando Jimin sorria ― Jungkook deu um beijo doloroso e demorado na testa do Park e levantou da cama, pegando suas roupas, colocando por cima das que já trajava e saindo. Ele queria olhar para trás, mas sabia que seu namorado ― ou ex, não sabia dizer, aquele término não havia convencido nenhum dos dois, o jovem tinha certeza ― estava estupidamente certo e finalmente se dar conta daquilo. Toda a situação lhe deixava tão frustrado que não se sentia nem no direito de dirigir o olhar ao menor.

Ele escancarava a verdade que só Jungkook não queria enxergar.

O caminho de volta para Cheongdam lhe pareceu mais longo que o de costume, mas Jeongguk não pensava em nada em específico, o tempo apenas resolveu passar mais devagar. Ele agia no automático, seguia de forma mecânica pelas ruas nas quais cresceu e logo podia ver os muros brancos de sua casa.

Tirou as chaves do bolso, entrou e atravessou o quintal verdinho sem olhar para a piscina que tanto gostava, pois não queria arriscar se lembrar dos banhos que ele e Jimin já haviam tomado. Muito menos da quantidade de coisas que já haviam feito ali dentro. Mal entrou na própria residência e foi surpreendido pela mãe, que se aproximava perigosamente de si.

O Jeon mais novo da família não percebeu o descontrole de Park Kahi.

Onde foi que você estava?!

― Oi, mãe, eu… eu fui na casa do…

― Jeon Jeongguk, por favor, não me diz que passou a noite na casa daquele punk!

― Por que você fala dele desse jeito? O Jimin não é nada disso, mãe. Ele é uma das melhores pessoas que eu conheço e a senhora saberia disso se tentasse conhecê-lo também, mas…

Só responda a minha pergunta! ― levantou a voz, o tom quase na intensidade de um grito em plenas sete horas da manhã de um domingo.

Sim, mãe! ― sem que a menor esperasse, Jeongguk assumiu a mesma postura que a sua e ela foi surpreendida. Seu filho nunca levantara a voz para si. ― Eu dormi na casa do Jimin, sim, e o que é que tem?! Ele é meu namorado!

A Park arregalou os olhos e sua face se contorceu em desgosto, por instinto estapeou o rosto de seu caçula.

E ali, com o rosto virado pela pancada e a mãe gritando consigo, Jeon Jungkook refletiu sobre o que Jimin tinha lhe dito que queria. Virou o rosto para Kahi novamente, pronto para respondê-la.

E à altura desta vez, a primeira vez.


Notas Finais


Se você chegou aqui e não tem intenções de me largar... SINTA-SE ABRAÇADO! Antes de encerrar queria agradecer à minha maravilhosa beta cumpridora de prazos e atenciosa por demais @naiviv_le VÍVIAN DELÍCIA <3 <3 Tchauzinho!


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