História Coffee - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Red Velvet
Personagens Joy, Personagens Originais, Yeri
Tags Café, Coffee, Fluffy, Joy, Joyri, Red Velvet, Sooyoung, Sweet, Yerim
Exibições 67
Palavras 3.774
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, FemmeSlash, Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá!!!! Essa semana eu tava super na paz tomando muito café (eu preciso parar de tomar demais, eu sei) quando essa ideia me tomou, e eu não consegui não escrever. A Lara, a Rita e o Jackson me deram total apoio, obrigado <333

A capa foi feita pela Lara (@sankdeepinside no spirit e @suhosunshine no twitter), obrigado Lara!!!!!

Espero que gostem, escrevi com muito carinho, eu realmente gosto dela 💓 Ah, e sugiro que se quiserem ler ouvindo alguma música, tomem café também ao som de: BAP - Coffee Shop, Bolbbalgan4 - Chocolate e Davichi - PET, ou outra se vocês preferirem, costumo escrever ouvindo a música bem baixinho.

Capítulo 1 - Coffee with Milk


A neve cobria com capricho e derretimento cada centímetro sobre o chão, nas árvores e nos tetos de toda a cidade, tocando o frio de congelar até o fundo da alma. Embora no meio de fevereiro em que toda a massa branca se transformava em gotas de água deixando liso toda a superfície sujeita a pousada dos flocos de inverno, todos já esperavam pela chegada da primavera com sorrisos em expectativa, o peito enchia de uma ansiedade arrebatadora enquanto falavam sobre as próximas viagens, passeios, fotos, cidades que pretendiam ir e o quanto aproveitariam o sol e as flores. No Canadá, tudo ganhava cores e mais sabores a partir de março, como se o colorido pintasse por cima de todo o branco e preto trazendo a alegria de volta, principalmente para quem fosse sensível a estação.

Park Sooyoung não reclamava nem tão pouco elogiava o inverno, era uma estação onde sua pele era mil vezes mais sensível, costumava ficar em casa, ler muitos livros até o ponto de revê-los mais vezes nas prateleiras cada vez que voltava a escolher novos para uma próxima leitura. A biblioteca onde trabalhava ficava tão mais interessante, poucas pessoas optavam por passar mais que dez minutos lá dentro, apesar de tão aconchegante. Era um matrimônio histórico importante e nada mudou ou restaurou-se além do limite quando foi reconhecida depois do abandono e descuido, a muitos anos antes. O relógio, redondo e elegante, suspendido como se fosse parte daquela parede também elegante, a partir das 15:20 ganhava total atenção dos olhos da bibliotecária, ninguém mais chegaria no lugar, mesmo se Sooyoung decidisse fechar mais tarde, todos cidadãos estavam se despedindo do ar livre que era considerando qualquer lugar qual não fossem suas casas, quentinhas e confortáveis.

Essa era a deixa para arrumar seu cachecol bege no espelho, deixando os cabelos conforme preferia e vestindo as luvas calmamente, desejando ficar mais quente de dentro para fora, pois não era naquela tarde cinza que o sol abriria espaço entre as nuvens negras. Trancou todas as janelas, gavetas, armários e a porta de madeira principal com ajuda do segurança de fios cacheados, sua boca abria em bocejos depois de acordar. Sooyoung insistia ao máximo para que ele deitasse no sofá de uma das salas para dormir algumas vezes, mesmo com a relutância de um homem responsável que jamais se perdoaria se algo de grave acontecesse com a biblioteca e principalmente com quem lhe considerava tanto. Sua consciência contemplava a essência de Sooyoung, ela tanto lembrava sua filha e era vista como uma, contudo preferia pensar assim em segredo.

Depois de despedir-se do mais velho, começou o curto caminho molhado até a cafeteria, ficando ansiosa só de ver apenas alguns trabalhadores com o serviço de retirar a neve do caminho, eles também estavam cheio de ansiedade pela primavera. Praticamente apenas Sooyoung andava ali, imaginando o vapor quentinho da caneca bem próximo ao seu rosto. Tirou rápido as mãos dos bolsos do casaco para ajeitar o cachecol, se sentia o ser mais sensível ao frio de todo o universo, e ainda mais na terceira semana em que a amiga Adele estava numa viagem em algum país obviamente quente comparado ao Canadá.

Adele tinha acabado de cursar letras e comemorava os longos anos de estudo árduos na companhia dos pais bem longe do frio, todo dia Sooyoung recebia com um dos mais abertos sorrisos do dia as mensagens lhe desejando bem-estar em volta da temperatura baixa. Adele sabia do quanto era agoniante, a culpa lhe batia quando se via aproveitando a sombra de um guarda-sol numa praia quase deserto com o mar azul-verde tão atraente na sua frente, enquanto que no mesmo momento era difícil para Sooyoung suportar as mãos longes de um par de luvas porque seus dedos já perdiam a sensibilidade.

Mesmo assim, Adele, tão parecida com o verão, sempre disse que se a amiga fosse uma estação, seria o inverno, “No inverno da vontade de ler, tomar bebidas quentes, sentar numa poltrona e observar um quadro de algum pintor famoso de dezenas de anos atrás, isso soa tão você, mesmo que não goste tanto dessa estação.”, Sooyoung perdeu a conta de quantas vezes ouviu a comparação.

Finalmente chegou na cafeteria, bateu as botas no tapete para tirar o molhado, sorriu leve entre suspiros tão aliviados que eram claros apenas para o balconista, tamanha tranquilidade de Sooyoung ali. O rapaz tinha uma expressão de quem sabia perfeitamente o sentimento de chegar perto da lareira e tomar goles de leite quente com vontade, porque Sooyoung, apesar de ir todos os dias a cafeteria, não gostava de café, ironicamente. E sempre pedia o mesmo, desde que conquistou o cargo de bibliotecária: leite quente sem açúcar.

Sooyoung sempre teve a essência na aparência e no fundo de uma pessoa pouco mutável, que se contenta com o que a faz sentir-se satisfeita, sua curiosidade para com a bebida escura tão amada pelas pessoas não chegava a curiosidade pelas frases impressas nos livros do topo da prateleira em suas horas de trabalho. Ela, sinceramente, era muito confiante no que fazia, nunca conheceu ninguém mais apto a dirigir uma biblioteca, dar palestras, aulas, apresentar volumes e gêneros, como se ela nascesse para tal posição, nada mais se encaixava em Sooyoung como mostrar arte e fazer surgir olhos admiráveis e curiosos dos visitantes.

Não existia líquido melhor e mais adequado para preencher-lhe — assim pensava, e quando foi servida, observou a caneca contente, tirando as luvas e as deixando de lado para descongelar as palmas ao redor da cerâmica pintada de branco, coberta por um tecido marrom, perfeito. Deu o primeiro gole com cautela semelhante a um cirurgião torácico, para não queimar os lábios e lacrimejar como em algumas vezes, relaxou na cadeira e levou a caneca para bem pertinho do rosto, absorvendo o vapor pelo nariz e fechando os olhos, todos os sentidos sensíveis ao barulho quase inexistente lá fora, o som baixo de talheres chocando-se na cozinha da cafeteria, lhe fazendo desejar o pedaço de alguma torta saborosa e macia.

As vezes ponderava se era desrespeitoso nunca ter provado dos preciosos cafés daquele lugar tão frequentado, embora agora fosse só ela ocupando uma das mesas mais próxima a lareira, enquanto a vitrine de degustações doces e salgadas era preparada para a partir das quatro e pouca, na hora em que muitos saíam quase clandestinamente mais cedo dos serviços, ou seus chefes que sentiam piedade dos trabalhadores iguais a zumbis infectados pelo clima.

Já na metade, Sooyoung pousou de volta a caneca tão bonita entre seus dedos sobre a mesa e percebeu o primeiro depois dela a passar pela porta. A pessoa vestia uma roupa grossa, com luvas rosas e cachecol vermelho longo até a cintura, as botas tinham a mesma cor do cachecol e o mais notável foram seus olhos asiáticos. Isso fez Sooyoung rolar os olhos para um bolo bem enfeitado das mesmas cores no balcão e sorrir com a semelhança, tentando não chamar atenção da outra, pois a garota parecia doce igual o sabor da torta depois da percepção dela e admitir isso para si mesma fazia Sooyoung se sentir boba. Pensou assim por causa da atmosfera ao redor daquele ser amador do rosa e do vermelho, talvez suas botas carregassem essa impressão para todos os cantos e deixassem mais pessoas bobas.

Quem atraiu atenção de Sooyoung a ponto de ser assemelhada a uma torta chamava-se Kim Yerim, pedagoga a pouco tempo no país. No momento trabalhava na escolinha particular infantil, tão importante e bem falada pelos pais que matricularam seus filhos nela. Yerim sempre gostou de crianças e não poderia ser melhor agora que ansiava por passar longos meses naquele cargo. Quando não era lá, dava palestras sobre diversos temas importantes para os jovens de doze a dezoito anos com o grupo da faculdade, mas ainda assim preferia estar na companhia dos pequenos, foram demasiadas as vezes em que revirou os olhos por causa de algum adolescente mimado querendo se mostrar. 

Seus pais estavam no país a um mês depois de sua chegada, como eram super mimosos para com Yerim, simplesmente não resistiram e acompanharam ela, logo depois se arrependendo pelo frio que fazia no país. A mais nova reclamou por causa daquele comportamento quase desnecessário, já era adulta, isso deixava bem claro que não precisava dar trabalho para seus pais. Contudo, são eles os que não sabem o limite e dão trabalho para Yerim, fazendo ela se preocupar. Mesmo com todo esse jeito, a família ocupa um apartamento no Canadá, porque ainda se amam tanto e é impossível negar o mais verdadeiro dos fatos. Eram felizes e a maior perda de tempo sempre foi igual a cada segundo longes um do outro.

Yerim andou em passos relaxados até o balcão, tendo a impressão de que estava sendo observada um pouquinho pela única presença a não ser os funcionários além dela ali. Virou o pescoço minimamente e surpreendeu-se com ela, pois era asiática também. Não que fosse raro encontrar pessoas do mesmo continente no país, só era muita boa coincidência no meio de uma tarde cinza em uma cafeteria ainda pouco movimentada. O rapaz lhe disse com um sorriso que logo logo o café de Yerim estaria em sua mesa e que poderia aconchegar-se onde preferisse, pediu também uma fatia da torta vermelha, a mesma que Sooyoung a comparou e seus pés ficaram em dúvida no momento de ir para alguma mesa. 

De costas para Yerim, Sooyoung parecia uma pessoa que não merecia beber sozinha, e a conclusão mais óbvia em seu ver era que o mais certo e adequado a se fazer era sentar com ela. Com essa ideia, passou a mão pelos cabelos e tirou as luvas indo receosa, mas com um bom sentimento de animação em passos nervosos para perto da moça ainda desconhecida, cujo os cabelos negros lembraram seu viciante café todas as tardes. Ponderou mais se talvez ela fosse a única e primeira a chegar mais cedo todos os dias, porque o relógio em seu pulso apontava claramente que ainda faltavam duros minutos para as quatro horas. A caneca vazia de Sooyoung fez seu receio subir a níveis mais altos, então achou que dava tempo de sentar-se em seu canto sozinha e esperar por seu colega John que não demoraria muito para chegar. 

Enquanto toda essa confusão fazia da cabeça de Yerim um liquidificador em ação, Sooyoung nem desconfiava da presença a um metro atrás dela, relutante como nunca. Consequentemente levantou-se devagarinho, vestindo as luvas e notando que o gelado tomou rapidamente a cerâmica. Yerim sentou-se na mesa ao lado dando a impressão de que jamais teve a ideia de chamá-la para conversar, Sooyoung viu seu rosto fitando a mesa, não sabia porquê aquela imagem fez sua testa franzir, mas foi para o balcão e como de costume, largou a caneca na frente do rapaz, para não lhe dar o trabalho de sair de trás do balcão.

Pagou pela bebida notando o cheiro tão conhecido do café sendo levado por outro rapaz para a mesa em que Yerim estava sentada, o sorriso dela foi radiante quando recebeu a xícara, talvez estivesse tão contente que não notou o olhar de Sooyoung distraído nela, mais uma vez se sentindo boba por comparar agora a cor castanha do cabelo dela com chocolate. Então a morena olhou para o rapaz e percebeu que era hora de ir para casa.

Passando pela porta da cafeteria com aspecto amadeirado e aconchegante, antes de desaparecer completamente de vista, não resistiu em bater os olhos através do vidro. Elas trocaram o último olhar recíproco de curiosidade e atração naquele dia.

             

                         °•°•°•°•°

Nos últimos dez minutos da palestra ecológica, Yerim batia o pé apressada porque John sumiu em algum planeta longe e distante para demorar tanto depois de dizer que ia no banheiro. Sem aguentar mais esperar, retirou-se da sala pois já tinha feito a sua parte e pegou o celular para deixar uma breve mensagem na qual dizia que estava indo para a cafeteria já e que não congelaria por causa da demora dele. Yerim perdeu na contagem de quantas vezes teve de esperar John. Não gostava de esperar, ele mesmo nunca se importava em esperá-la terminar alguma tarefa para largar de perto mais cedo, era cansativo, não seria mais boba do que já era. Saindo do prédio concluiu que nem a mensagem ele merecia, deveria ter deixado ele na dúvida, mas pensando mais um pouco, ele nem se importaria com sua presença, só era gentil quando alguma moça bonita cheia de curvas e volumes estava por perto.

Suas botas faziam barulho com o andar rápido, dando a impressão de que poderia escorregar a qualquer momento, a boca e as bochechas mergulharam no cachecol e ela apertou mais as mãos dentro do bolso. Pegar um táxi era impossível e quase desnecessário para chegar na cafeteria tão perto, mas ter que andar naquela rua fria e vazia, apesar de tão bonita, deixava a alma de qualquer um congelada em agonia. Por isso que quando andava com John se sentia menos tomada pela estação, não que ele fosse a melhor companhia, era que as conversas dele sempre quebravam o silêncio e acabavam chegando mais rápido.

Pensando que possivelmente encontraria a moça do dia anterior, ganhou força para continuar a caminhada e pensou se ela estaria bebendo sozinha outra vez. Yerim achava que o vapor era bem mais aconchegante quando outra pessoa está por perto, principalmente quando a conversa é agradável e calmante, navegando no sabor e aroma do café, tão amado por ela, não importava mais nenhuma contradição, para Yerim o café combinava muito bem com qualquer estação e de qualquer jeito, até quando ia para algum lugar quente carregava balas de café e procurava por algum lugar que servisse ele gelado.

Não recordava bem desde quando, sempre gostou de café, as vezes lembrava da infância quando sua mãe repreendia a pequena pelo vício na bebida, justificando que fazia mal para uma criança e não desejava ter uma filha drogada dentro de casa. Só que quase mais que a água, o café fazia parte da vida de Yerim e não conseguia viver sem ele, e também, nunca lhe fez mal. Os minutos mais apreciados do dia são quando seus sentidos voltam inteiramente para o café, a calma habita em seu espírito de dentro para fora, ela já ponderou várias vezes sobre essa calma e talvez houvesse algo de errado, talvez fosse louca, porque café acelera a reação do organismo a diversos estímulos fazendo com que as pessoas tendam a agitar-se, ficarem mais rápidas, uma droga de mudança de humor que esquenta e faz ferver por dentro. Entretanto, dentro de Yerim, acelerava e acalmava ao mesmo tempo, apenas pelo prazer em tomar alguns goles. 

Se via como uma absoluta viciada em café.

Não evitou soltar um muxoxo acompanhado de um suspiro de puro alívio ao chegar na cafeteria, primeiro reparou Sooyoung, depois abriu a porta folgando aos poucos o cachecol e lhe entregando o olhar receoso.

Sooyoung mais uma vez, como de costume e necessidade, jazia na cafeteria, a esse ponto podemos concluir sem dúvidas que o lugar já passa a se tornar sua segunda casa ou talvez já tenha se tornado a muito tempo, mas ela ainda não admitia isso pelo motivo de tomar apenas leite em mais de anos ali, fora alguns doces e salgados que comia vez ou outra. As duas se olharam com o mesmo sentimento de um dia atrás, curiosas, bem lá no fundo não negavam que a ideia de se falarem não seria nem um pouco ruim, Yerim cortou o contato lembrando que estava ali para tomar café e talvez incomodaria a moça dos olhos de inverno. Então tratou de ir ao balcão pedir o de sempre.

Fez uma expressão confusa, Yerim achou que sua cabeça quisesse lhe matar aos poucos enquanto via, pela segunda vez, as costas de Sooyoung. Foi extraordinário quando decidiu não ser levada pelo o que ela causava em si — na verdade ela estava fazendo exatamente isso —, descaradamente sentou na mesma mesa que Sooyoung, viu que ela estava com os olhos fechados enquanto a caneca pintava a leveza em sua expressão e mesmo sendo meio atrevida, sorriu leve com a imagem, se fosse um pintor ela correria atrás de uma tela e tinta naquele momento, apenas para retratar a beleza da moça dos olhos de inverno com cores.

O peito de Sooyoung pulou em surpresa quando bateu os olhos nela, pelos lábios puxou um pouco do ar e piscou os olhos seguidas vezes sem saber como reagir a Yerim, tão inesperada.

— Desculpe por lhe assustar. 

— Não... Tudo bem, eu estava distraída com o leite.

— Gosta muito de leite, eu acho. 

— Sim.

— Eu pensei que seria bom fazer companhia nesse frio, se você estiver bem com isso, é claro. Não quero atrapalhar.

— É bom sim, não atrapalha, eu bebo sozinha todos os dias e as vezes é muito chato.

— Que bom... Meu nome é Kim Yerim. 

Yerim apresentou-se com uma reverência e aos poucos seu peito se acomodava na calmaria da conversa. Sooyoung agora via de perto o rosa e o vermelho que Yerim tanto gostava.

— Park Sooyoung, imaginei que fosse coreana. — outra reverência, como se estivessem na Coréia, sendo formais de um jeito íntimo, apesar de usarem o inglês.

— Já conheci chineses e japoneses, mas não lembro de nenhum coreano.

— A quanto tempo está aqui?

— Quatro meses mais ou menos...

— Sou diretora da biblioteca... — não pôde terminar com a reação surpresa de Yerim.

— Sério? Você deve ser muito importante!

Yerim sorriu, o sorriso de admiração, igual uma criança quando ouve sobre os planetas e as estrelas, estrelas que tinham literalmente cinco pontas, brilhantes e irresistíveis ao toque.

— Sim, eu sou. — Sooyoung respondeu com um mínimo sorriso.

Obviamente ela concordaria com o fato, seu trabalho era quase impecável e beirava ao perfeito, Yerim nunca presenciou e já tinha certeza. Tão rápido assim, Sooyoung lhe deixava curiosa.

— Sou formada em pedagogia, trabalho na escola infantil aqui perto. Sempre vinha mais tarde pra não ficar só, mas meu colega é realmente um mal educado, então ontem eu vim sozinha. Acho que você sempre vem mais cedo aqui, certo? 

— Sim, a biblioteca fecha cedo no inverno, as pessoas frequentam até as três horas... Como é?

— Como é o que?

— Como é trabalhar com crianças...?

Esta pergunta fez surgir um sorriso no rosto de Yerim, acendendo um calor típico de quem ama a profissão.

— Eu realmente gosto de fazer isso, é bom e prazeroso para qualquer pessoa, a não ser que ela seja chata ou tenha algum problema, assim... As crianças são parte da minha vida, eu quero que elas aprendam muito comigo e lembrem de mim um dia como a melhor professora na infância delas, isso é muito importante, gosto de ter um espaço especial na memória delas.

Sooyoung gostou de ver Yerim falando e olhando longe ao mesmo tempo. Yerim resplandecia de dentro para fora como fogos no final de ano sobre sua carreira dos sonhos, ela realmente vivia um sonho junto das crianças.

— Isso é bom, eu sinto o mesmo sobre a biblioteca, meu prazer é mostrar arte, cultura, coisas boas para as pessoas, eu jamais aceito que alguém saia daquele lugar sem um livro ou sem levar algo marcante vindo de mim. Não quero me gabar, mas... eu sou realmente boa nisso.

O rapaz quebrou a atenção entre as duas com o aroma do café, tão tomado por Yerim e normal como qualquer outra bebida para Sooyoung, como o álcool que muitas pessoas mergulhavam.

— Seu leite ficaria ótimo com café. — Yerim sugeriu absolutamente certa.

Existia uma segurança misturada a diversão e disposição em volta de Yerim tão visível para Sooyoung. A partir daquela afirmativa quase invasiva sobre o seu leite, começou o ciclo de perguntas, todas elas eram ligadas a como Yerim parecia uma criança aventureira, um pedaço de primavera no inverno, como se o frio não vencesse contra ela facilmente, como várias outras coisas. A amadora do rosa e do vermelho olhava para a xícara e pousava as mãos sem tocar em cima da borda, fazendo com que o vapor atingisse as palmas de suas mãos, e como mágica, deixando elas quentes, outro ato que a deixava tão parecida com uma criança.

— Acho que não, eu não gosto de café.

— Aposto que nunca tomou, né?

— Como você...

Yerim levantou tomando cuidado com o que pretendia fazer e levou sua xícara até a caneca de Sooyoung de modo que ela não tivesse tempo para evitar que o café derramasse dentro, misturando com o leite e ficando uma cor bronze clarinha. O vapor subindo em encontro com o branco, Sooyoung olhou para o rosto dela desacreditada com aquele ato repentino.

Sooyoung tinha agora mais fatos sobre Yerim, ela era a pessoa mais espontânea que já conheceu.

— P-Porque fez isso?

— Tome, se não gostar, eu peço outra caneca de leite.

Sooyoung realmente nunca provou café, mas o cheiro lhe dizia enganosamente que a bebida tinha gosto ruim, porque no momento em que aceitou a proposta de Yerim, bebendo goles do café com leite, soube que era bem ao contrário do que esperou.

Manteve propositalmente o olhar inexpressivo, para Yerim, ela poderia ter sim ou não aprovado. Fez um bico sem saber a resposta logo, ansiosa pela verdadeira reação de Sooyoung.

Sooyoung desmanchou a expressão duvidosa dando lugar a um sorriso.

Ela tinha aprovado, agora Yerim sabia.

— Eu sabia! Como nunca tomou café? Nunca conheci alguém que nunca tomou café, mesmo quem não gosta... É a primeira vez. — Yerim deu risadas com a xícara perto do rosto.

— Tem um sabor... parecido com casa abandonada e avós... não sei como explicar, talvez você não entenda.

— Metáforas, entendo perfeitamente, e casa abandonada... bem, desde que seja bem cuidada e limpa, porque se não, soa mais como um café quente que esfriou com o tempo.

As risadas dessa vez foram mais altas e irresistíveis de soltar, até o terceiro indivíduo atrás do balcão sorriu por ver que elas conversavam bem.

— Sooyoung.

— Sim?

— Vou fazer você gostar de café, e eu sei o lugar perfeito pra isso.

Sooyoung não deixou de acreditar nas palavras naturalmente firmes de Yerim, estava disposta a provar do sabor que ela tinha para mostrar, o aroma já sabia muito bem como era. Seria um prazer para Yerim.


Notas Finais


O que acharam? Estou aberta a críticas também. A última parte sai em uma semana se tudo correr bem. Obrigado por ler 🌸☕


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