História Coisas da Vida II - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Vocaloid
Personagens Gumi Megpoid, Hiyama Kiyoteru, Kaai Yuki, Kaito, Lily, Meiko, Miku Hatsune, VY2 Yuma
Tags Cdv 2, Coisas Da Vida, Drama, Gablychan, Meiko, Romance, Sakine, Vy2, Yuki, Yuma, Yuuma
Exibições 39
Palavras 5.189
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


HEY!
Antes que comecem esta leitura massante de 5.000 palavras, eu quero admitir que falhei. ;u;
Eu tentei, TENTEI MESMO, não clicherizar TANTO, mas eu não consegui. Essa história ficou total fluffy. u-u' Como viram, a principal do segundo arco é a Meiko. :3 Novamente, não se apeguem a shipps. Pode rolar, como também não pode. '-' HUAHUAHUA' Mas aproveitem a leitura! Espero que gostem! ^^
E muito obrigada ao apoio de TODOS no primeiro arco! >.<

Capítulo 1 - Único


Fanfic / Fanfiction Coisas da Vida II - Capítulo 1 - Único

Coisas da Vida II

— ...Eu aceito.

Hatsune Miku disse, olhando sorridente para seu noivo. Um rapaz que conheceu no treinamento da faculdade, na qual já se formou (História); depois de vários relacionamentos, inclusive, um com seu amigo de ensino médio, Shion Kaito – que obviamente não deu certo (mas acabaram amigos) –, teve mais três anos em relacionamento com seu atual marido. Então, finalmente, casou-se.

Uma cerimônia simples, convidando apenas alguns amigos e família.

Kaito e Meiko estavam sentados lado a lado. Gumi do lado direito de Meiko. Mesmo que tenha sido convidado com tanto carinho, o Shion ainda tinha ressentimentos do término. Nunca tinha contado isso a ninguém, mas não aceitava bem ver sua ex, uma pessoa que realmente amou, casando-se com outro.

Meiko o olha de relance, desfazendo o sorriso que fazia por ver Miku linda de noiva.

— Você não parece estar aceitando tão bem — Meiko cochichou; Gumi ouviu, mas fingiu não ouvir; preferiu continuar assistindo ao casamento da melhor amiga; Kaito a olhou com o canto dos olhos, sem querer transparecer o que Meiko já tinha percebido.

— Não fique tão presa no passado. Quero que ela seja feliz. E também, fazem anos, tínhamos o quê? Dezoito anos. Acho — Kaito cochichou de volta.

Meiko sorri, fechando os olhos com uma expressão sorridente.

— ...Entendo. Lembre-se disso antes de ligar para mim bêbado, se lamentando por ela ter te largado.

— Quando fiz isso?! — Kaito se altera, porém mesmo assim consegue se controlar e continua nos cochichos.

Meiko ri.

— Esquece.

Depois, bem depois, as moças foram chamadas para pegar o buquê. Um belo arranjo de rosas brancas. Meiko, mesmo a contragosto (Gumi a puxou), esteve no meio das moças e foi ela, por ironia, a pegar o buquê. Kaito riu de sua cara, assim como Gumi e Miku, que contagiou o noivo.

***

1º Dia

 

Meiko encarava fixamente a porta do quarto de hospital. Na porta, o nome de sua mãe e o número do quarto estavam escritos. Depois de respirar fundo e apertar a cesta com os doces favoritos da mais velha, a Sakine finalmente tomou coragem para entrar. A primeira visão foi a mulher sentada com os pés esticados na maca, conversando com uma enfermeira.

Ela negava comer o que estava no prato – por cima de um apoiozinho de madeira que a ajudava a receber refeições ainda na maca.

— Mas a senhora precisa comer — a enfermeira forçou, educadamente.

— Já disse que não quero! Tire esta comida porca daqui!

Meiko juntou as sobrancelhas.

— Mãe! — repreendeu, chamando a atenção da mais velha e da enfermeira; a Sakine decidiu então se aproximar, dirigindo-se à enfermeira. — Tudo bem, eu tomo conta dela.

A mais nova se curva com respeito e deixa Meiko sozinha com a mãe. Nem precisaria de formalidades; a equipe de enfermeiros e médicos estavam bem acostumados com a Sakine, que já era uma visitante frequente.

Mostrando uma face irritada para mulher – que mostrava uma expressão perdida para ela –, Meiko se senta na cadeira acolchoada ao lado da maca.

— Mãe... Custa obedecer as ordens médicas? A senhora precisa se alimentar bem! — ela tira o suporte de madeira de cima da mãe, pondo-o com cuidado sobre o criado-mudo ao seu lado. — O Dr. Hiyama disse que você precisa de nutrientes. Seu último exame teve resultados horríveis.  

Ela não responde.

— Mãe... Fala alguma coisa.

Novamente, não responde; só olhava para Meiko como se estivesse analisando-a.

— Mãe!

— “Mãe”, “mãe”, “mãe”, por que me chama assim?

Meiko paralisou.

Mas sorriu.

— Oras, porque eu sou sua filha. Meiko.

 

“Sua mãe está passando por uma pequena lesão mental; talvez o choque com a morte do marido, os antidepressivos e o cigarro em excesso tenham sido os maiores culpados do que ela está passando. Infelizmente, por tempo indeterminado, não sabemos quando ela se lembrará da senhorita. Sinto muito.”

 

A Sakine não conseguia parar de se lembrar do diagnóstico feito por uma ligação, do mencionado Dr. Hiyama, a alguns anos. Até os tempos atuais, ele ainda cuida da mãe de Meiko com afinco.

— Eu não tenho filhos.

Meiko, que nem mesmo conseguia se chocar, mantém o sorriso nos lábios, colocando a cesta cheia de doces e flores sobre a maca.

— Digamos que eu sou só uma pessoa que está preocupada com seu bem estar. Não precisamos mais fazer perguntas — Meiko disse com um tom nervoso e risonho.

A mãe ri.

— Wow, ainda existem estas jovens gentis! — disse rindo, enquanto pegava uma barra de chocolate pequena da cesta.

Meiko a toma de sua mão.

— Nem pensar! Primeiro, a sopa para repor os nutrientes. Nada de doces até lá.

A mais velha junta as sobrancelhas, agindo como criança. Passava por algo como um retardo mental; era como se suas lembranças/mente tivessem voltado para seu estado adolescente ou jovem adulto. Os médicos não conseguiam explicar bem o que estava acontecendo ou quando ela iria cair na real de que a moça que a visitava todos os dias, era de fato sua única filha.

***

Depois de um dia exaustivo no trabalho, ligando e passando recados importantes para seu chefe, um famoso cirurgião plástico, Meiko finalmente estava em casa. Tomou um banho quente antes de se vestir com uma roupa larga – de seu falecido pai – e atendeu a ligação de Yuuma.

VY2 Yuuma era um amigo de faculdade – Medicina; Meiko desistiu após dois períodos. Pessoa com quem a Sakine teve seu primeiro contato com a vida sexual. Foi rápido e de qualquer jeito. Depois disso, decidiram apenas ser amigos; amigos que costumavam ter “recaídas”. Entretanto, não seriam corajosos para assumir a atração que sentiam um pelo outro.

Yuuma estava passando por seus próprios problemas. Foi casado aos vinte um e divorciou aos vinte e sete; tendo um divórcio atual, ele e a ex esposa ainda brigavam por algumas coisas na Justiça, como a custódia da filha – de apenas sete anos –, por exemplo.

Meiko, além dos problemas com a doença mental da mãe, tinha o trabalho cansativo como secretária. Sem contar que ainda precisava ser dona de casa em tempo integral. Não tinha tempo de namorar, muito menos de ter uma família.

Enfim, ambos não tinham tempo de se relacionarem. Muito menos de pensarem neles mesmos.

Enquanto, equilibrava o telefone sem fio entre ombro e o ouvido, Meiko cortava alguns legumes no instante em que o caldo do curry esquentava no fogão ao seu lado.

“Então... Ela ainda não se lembrou?”

— Não... — Meiko respondeu, decepcionada. — Está sendo tudo muito difícil. Já é barra pesada perceber todos os dias que ela nem sabe quem eu sou; ainda preciso trabalhar e... Bom, a vida não está fácil.

Meiko para de falar para jogar aqueles legumes fatiados sobre o caldo grosso e marrom que já queria borbulhar, tampando a panela e baixando o fogo logo em seguida.

Suspira, apoiando-se na pia.

“Compreendo. As coisas estão difíceis por aqui também. Eu desisti de tudo, mas a Lily está lutando mais pela Yuki do que pelo dinheiro.”

A Sakine ri com um tom debochado.

— Claro, ela quer te atingir. Você sabe melhor do que eu: ela não quer a criança. Afinal, segundo você, ela sempre diz que ter a menina foi o maior erro de sua vida.

Yuuma para de falar.

“...O que... Eu devo fazer...?”

Meiko surpreendeu-se por ouvir a voz rouca do homem, parecia desesperado. Yuuma era sempre duro e frio, a situação tinha que ser muito séria para fazê-lo chorar. A Sakine juntou as sobrancelhas.

— ...Vai ficar tudo bem. A Yuki... Vai voltar para casa — Meiko falou, quase que em um sussurro; ouvindo o consolo da Sakine, Yuuma cobriu os olhos com uma mão, soltando um choro desesperado.

Meiko apenas continuou parada, ouvindo todo aquele desabafo. “Talvez, esta tenha sido a intenção dele desde o começo. Desabafar”, a Sakine pensou.

***

10º Dia

 

Meiko estava na sala do Dr. Hiyama. Ele tinha feito uma ligação, chamando-a com urgência – mesmo sabendo que era provável a jovem mulher voltar ao hospital de qualquer forma. Por isso, antes de mais um encontro rotineiro com a mãe, Meiko passou primeiro no consultório.

— Um... Tumor? — falou, ainda pasma com a notícia.

— Sim. — Hiyama juntou as mãos sobre a mesa. — Por todo este tempo, nunca vimos nada de estranho, mesmo que sua alimentação seja péssima. Entretanto, na noite passada, encontramos o tumor. Mesmo pequeno, está em uma área arriscada e não posso dar a certeza que ela sairá viva do procedimento cirúrgico.

A Sakine apertou os joelhos, passando a mão pela testa e levando-a até a nuca, onde agarrou os cabelos. Suspirou e as lágrimas caíram. Uma atrás da outra. Ela sabia, uma hora ou outra, sua mãe não estaria mais com ela. Porém, pela primeira vez, sentiu que não estaria preparada para algo do tipo.

***

Meiko estava sentada no consultório de seu chefe; era humilhante, mas ela pedia uma grande quantia em dinheiro para ajudar a pagar a cirurgia de sua mãe. Claro, ela teria que devolver tudo e isso a levaria a ter um segundo emprego. O homem na grande cadeira aveludada olha para ela com tristeza; Meiko trabalhava com ele há apenas dois anos. Ambos tinham uma relação de chefe e subordinada, nada além disso.

— Compreendo. Então, sua mãe piorou.

Meiko abaixa a cabeça, balançando uma vez para responder um “sim”.

Estava envergonhada.

Ele suspira e se levanta de onde estava, indo para trás de Meiko. Suas mãos vão até os ombros da jovem mulher, dando a ela uma estranha sensação. A Sakine abriu os olhos assustada, tentando vê-lo de onde estava.

— Sinto muito, Sakine — falava enquanto passava a massagear seus ombros de forma suave, mas não fazia Meiko se sentir bem. — Enquanto você me contava toda esta história, eu estava aqui, pensando... Você precisa de dinheiro, certo?

Meiko engole seco.

— P-Preciso. Muito.

— O que acha de ir na minha casa esta noite, podemos negociar e... Você poderá pegar quanto dinheiro quiser.

Meiko junta as sobrancelhas.

— ...Senhor, o que quer dizer com “negociar”? — a Sakine pergunta, ainda tendo as mãos do homem sobre seus ombros.

O homem ri, virando a cadeira de Meiko para deixá-la frente a frente com ele. A Sakine repara bem sua expressão; um rosto cheio de malícia, mesmo que o indivíduo não sorrisse. De certa forma, ela sempre se sentiu desejada por ele; seus olhares durante seu expediente chegavam à perturbá-la. Seu chefe era um homem rico, jovem e atraente.

Ela esteve se negando dos interesses do homem, até aquele momento.

— Podíamos nos encontrar algumas vezes — falou de forma descarada, finalmente deixando aquele sorriso amostra. — O que você quer? Joias? Um carro? Se me ajudar, eu ajudo a sua mãe e ainda dou tudo que quiser, sem exceções.

Meiko continuou parada, olhando para ele com uma expressão aérea. Vendo que ela não respondia, o homem faz um movimento ousado e a segura pelo queixo, levando seus lábios até o pescoço da Sakine. Beija ali, arrepiando a moça. Ele passa aquele beijo do pescoço para o queixo, do queixo para os lábios.

A Sakine continuava de olhos abertos.

Sem ação.

Enojada.

Suja.

Sem saída.

***

A chuva caía fortemente. Meiko mancava – estava com um pé de salto e outro descalço – chorando pelas ruas de Tóquio. As pessoas que passavam por ela, a encaravam com um misto de curiosidade e preocupação. Sua roupa estava meio arrebentada na direção do ombro esquerdo, por isso, ela segurava aquele lado para não acabar despindo-o.

Sua linda maquiagem estava borrada.

Caminhou daquele jeito por horas, até chegar em sua casa. Fechou a porta sem trancá-la, passou pela entrada sem tirar o único sapato. A Sakine parou de andar no meio do corredor, onde ajoelhou-se e soltou um choro alto, escandaloso. Simplesmente deixou o homem tocá-la para conseguir o dinheiro, afinal, com quem mais conseguiria? A única família que conhecia – fora seus pais – era uma tia no interior, mas ela era tão pobre quanto a própria Sakine.

Mas Meiko não conseguiu ir até o fim. Antes que o homem concluísse algo com ela, a Sakine o empurrou, acertando um soco certeiro no maxilar do maior e nocauteando-o.

O que eu vou fazer? — Meiko se perguntou, abraçando o próprio corpo.

O telefone começou a tocar.

Meiko se rastejou até a cozinha, onde encostou as costas na parede – ficando um pouco abaixo do telefone sem fio. Esticou um pouco o braço e conseguiu pegá-lo. Era o número do hospital. Ela simplesmente jogou o telefone para longe, quase o quebrando no chão de madeira.

Com a mente já fora de controle, Meiko ficou com os olhos fixados no fogão.

***

11º Dia

 

Os olhos da Sakine foram se abrindo devagar. Estava em um quarto de hospital. Uma máquina mostrava como estava os batimentos do seu coração. Meiko demorou um tempo até assimilar aquilo tudo. Olhou para seu braço ligado a um soro, depois para Yuuma, que estava surpreso, berrando ao seu lado.

Sua audição estava ruim.

Sua visão estava meio turva.

Co... Cê... Está?

— ...Onde eu estou? — perguntou, rouca; seus sentidos iam voltando aos poucos.

Yuuma suspirou, aliviado, jogando-se na cadeira de visitas que tinha ao lado da maca de Meiko. A Sakine o olhou, curiosa. Afinal, o que estaria ela fazendo ali? A última coisa que se lembrava é que olhava para o fogão, depois pegou algumas bebidas antigas que o falecido pai manteve guardadas. Suas lembranças cessavam a partir do momento em que ela tinha começado a beber.

— Me diga? Você enlouqueceu?! — Yuuma perguntou, sério.

O homem deu um suspiro alto, abaixando a cabeça e bagunçando os cabelos róseos com ambas as mãos. Estava aliviado, mas louco de raiva.

— Meiko, você ligou de madrugada, bêbeda, falando coisas que eu não conseguia compreender. Acho que você nem sabia que era eu. Você ficou falando coisas como “vou acabar com a minha vida agora, não venha me procurar”; quando cheguei à sua casa e arrombei a porta, você estava inconsciente com as janelas fechadas e com o gás do seu fogão escapando — Yuuma continuou, ainda com a cabeça baixa.

A Sakine ficou um pouco chocada de início, mas relaxou após. Como Yuuma era o único ao seu lado no momento, resolveu desabafar. Contou-lhe sobre a cirurgia, sobre o assédio do superior, sobre quase ter vendido seu próprio corpo. Claro, o VY2 esteve atônito a cada palavra. Sempre foi um amigo chato para Sakine – em termos de desabafo, mesmo sendo uma pessoa difícil de chorar –, mas nunca soube que a mulher estava passando por uma barra tão pesada.

Delicadamente, pegou sua mão sobre a cama.

Meiko o fitou, indiferente.

— Meiko, sabe, mesmo que eu nunca tenha assumido nada entre nós... Mesmo assim... — ele sacudiu sua cabeça, interrompendo sua própria frase. — Por que não me pediu este dinheiro? Você sabe que eu faria isso por você — Yuuma perguntou, olhando para as mãos da mulher.

— Eu... Bem — Meiko tomou sua mão de Yuuma, já estava sentada à maca, então somente encostou a cabeça à cabeceira de ferro desconfortável; preferiu olhar para o teto do que para o homem no momento. —, você sabe, tudo que aconteceu comigo, desde o falecimento do meu pai, à nossa separação, me tirou daquela “zona de conforto”, e me fez acreditar que eu poderia tomar conta da minha vida sozinha. Na verdade, eu nem sei o porquê de termos continuado a manter contado.

— Meiko... — Yuuma falou com o tom incrédulo. — Você sabe que meu casamento com Lily foi porque-

— Porque seu pai ia tirar o seu dinheiro se não o obedecesse? Afinal, seria melhor se casar com uma drogada alcóolica do que arriscar acabar como um pobretão. Você sempre esteve absolutamente certo.

VY2 se levanta da cadeira, irritado.

— Por que está ressuscitando isso agora?!

— EU NÃO SEI! — Meiko berrou enquanto o fitava com fúria; mas logo aquela raiva desapareceu aos poucos. — Eu não sei o porquê de estar falando isso. Agora. Logo agora. Eu devia ter chutado suas bolas a anos — ela levou a mão até a franja, arrastando a para trás com os dedos; acompanhando aquele ato de um suspiro decepcionado. — Obrigada... Por me salvar. Mas pode ir embora, por favor? — Yuuma recua um passo, ainda incrédulo. — Eu posso conversar com você todos os dias pelo telefone, mas ainda não consigo te olhar de perto.

Yuuma olhou para o chão, depois voltou o olhar para ela, juntando as sobrancelhas. Encurralou Meiko bruscamente com os braços e roubou-lhe um beijo violento. A Sakine paralisou com os olhos arregalados; demorou até perceber o que Yuuma estava fazendo. Então, cedeu. Abraçou o maior pelo pescoço, tirando qualquer distância que pudesse ter entre eles. Ambos ainda não sabiam – ou sabiam, mas se negavam – a razão desta sede. Uma sede que sempre quiseram negar.

***

20º Dia

 

Depois de horas de espera, Dr. Hiyama finalmente passou pela porta da sala de cirurgia. Vendo o homem de jaleco branco, Meiko – que estava acompanhada de Yuuma e uma garotinha usando maria-chiquinha – levantou-se rapidamente, esperou o médico ir até o seu encontro. Hiyama não fazia uma expressão boa ou ruim, o que aumentava ainda mais o desespero da Sakine, que apertava uma mão suada na outra.

— Do-Doutor! Minha mãe... Como está a minha mãe?!

Hiyama apertou uma mão na outra, assim como Meiko.

— Senhorita Sakine...

E sorriu.

— Foi um sucesso. — Meiko arregalou os olhos, apertando o peito; Hiyama ainda sorria para ela. — O tumor estava em uma área arriscada, talvez ela tenha algumas sequelas, como perder o movimento de um lado do corpo. Mas com umas sessões de fisioterapia, ela poderá voltar ao normal em alguns meses. Claro, isso é apenas uma hipótese. Precisamos esperar ela acordar. Se tivermos um pouco mais de sorte, o choque da cirurgia pode ter trazido parte da sanidade dela de volta. Tudo que temos que fazer, é esperar.

Meiko agarra as mãos do médico.

— Senhor Hiyama, muito obrigada! — ela curva a cabeça rapidamente. — Muito obrigada! Desculpe estar fazendo tanto escândalo, mas... — Meiko larga Hiyama, passando as mãos para os olhos; solta um longo e aliviado suspiro.

O médico ri.

— Tudo bem, Senhorita Sakine. Estou feliz por você.

Vendo que o médico ia embora, Meiko se virou emocionada para Yuuma, que sorria para ela. Correu na direção do homem, que levantou para recebê-la. Eles se abraçaram. Meiko fez questão de apertá-lo bastante, para que Yuuma pudesse sentir todo o sentimento de gratidão que ela estava sentindo no momento.

— ...Muito obrigada! Você salvou a minha mãe...!

Yuuma ficou um pouco pasmo de início, preso naquele abraço quente e confortável. A menininha que estava com Yuuma continuava no banco, encarando seu pai abraçando aquela mulher estranha. “O que estão fazendo?”, ela se perguntou em pensamento, mesmo vendo que era “um abraço”.

VY2 passou as mãos pelas costas de Meiko, sorrindo gentilmente entre seu pescoço.

— Não foi nada. Que bom que tudo deu certo.

***

90º Dia

Festa de Inauguração da Empresa VY2

 

Depois de tudo, Yuuma conseguiu abrir uma empresa de paisagismo; não queria isso quando jovem, mas aprendeu a gostar na idade atual. Descobriu que trabalhar com o pai, assumir os negócios do mais velho ou ter o dinheiro dele, não fariam o senhor de idade parar de querer comandar sua vida. Teve que aprender a ser independente da pior forma: brigando com o ele e sendo expulso de casa. Por sorte, a mãe ainda esteve ao seu lado, e deixou com o VY2 uma grande quantia em dinheiro.

— Mei-chan! Mei-chan! — Yuki puxava Meiko pelo braço; a mulher estava na varanda do prédio – no qual estava acontecendo uma grande festa; a Sakine estava fugindo da multidão e do barulho alto da música –; ela se abaixou sorrindo para estar à altura de Yuki, tomando cuidado para não derramar o champanhe que estava na taça de cristal.

— O que foi, Yuki-chan?

— Vem brincar comigo!

— Mais tarde, ok? Agora a tia Meiko está se sentindo meio mal. Mas olha ali, seus amigos estão te esperando — Meiko apontou para as crianças que estavam atrás do vidro e Yuki a deixou sozinha, novamente.

“Argh! Esse vestido longo; por que foi que eu vim mesmo?”, Meiko se perguntou, irritada, virando o resto da champanhe goela abaixo. No início, a Sakine pensou que o barulho e a multidão estavam a irritando, mas aquela cena do Yuuma de engraçando com as outras mulheres da festa teimava em perturbá-la. “Droga, odeio festas; eu devia ter ficado em casa”, resmungou em pensamento, ficando um pouco perdida na linda vista que tinha naquele lado do prédio. As luzes hipnotizantes de Tóquio à noite.

— ...Mulherengo. No final, você é a mesma pessoa de anos atrás — Meiko assustou-se com o quanto estava decepcionada com isso. — Bem — riu —, isso era de esperar de qualquer jeito.

Ela desfez o sorriso, segurando a taça entre o indicador e o polegar e usando estes dedos para girá-la para trás e para frente.

— EI! — Yuuma berrou pela música alta, abrindo a porta de vidro e fechando-a, o que fez o som ficar em um tom mais baixo e abafado; viu Meiko debruçada no murinho de proteção – também de vidro – da varanda, desligada na bela vista (na verdade, ela só não queria dar atenção a ele). — O que está fazendo aqui? Tem uma festa rolando lá dentro!

— Que ótimo! Você podia voltar; aqui está um saco — Meiko fez questão de respondê-lo de costas.

Yuuma suspira com um sorriso, aproximando-se da Sakine. Como ela, também se apoiou ao murinho, fitando as luzes da cidade. Meiko o olhou pelo canto dos olhos, juntando as sobrancelhas.

— É bem legal aqui em cima.

Ela sorri.

— É, é mesmo.

— Mas... Você não está se divertindo.

Meiko solta um longo suspiro.

— É, não estou mesmo. Talvez seja a hora de voltar — ela se afasta do murinho de proteção e Yuuma a encara, pasmo.

— Mas, só são dez horas!

Meiko o ignora, indo até a porta.

— De qualquer forma, eu não gosto muito de baladas; eu nem mesmo sei o porquê de estar aqui — assim que ela ia arrastar a porta de vidro para entrar no meio daquela gente interesseira e música alta, Yuuma correu até ela, segurando seu braço; Meiko, pasma, o fita.

— Espera aí! Então, eu te levo até sua casa.

Meiko puxa sua mão.

— Não, obrigada — ele junta as sobrancelhas, sem entender a atitude da mulher. — Quero dizer... Não precisa, eu ia mesmo pegar um táxi.

— O-Ora, então eu chamo um táxi por telefone e espero ele com você ali fora.

Meiko finalmente fica séria.

— Olha, eu não sei o que você quer comigo, mas eu não sou tola como antes.

Yuuma arqueia a sobrancelha.

— Como é que é...?

— Tá, você me ajudou muito, mas podemos parar por aqui.

— Do que você está falando?! — Yuuma começava a se irritar.

Meiko suspira, puxando o elástico que mantinha seu coque frouxo preso, soltando seu cabelo – que já estava na altura dos ombros. Já tinha bebido tanto, que sua cabeça dava algumas voltas. Ela entrega a taça na mão de Yuuma, que até então, não estava entendendo nada. Esse jeito indiferente era uma das coisas que ele mais detestava na Sakine.

— Chega, vamos acabar brigando — falou, prendendo o elástico no pulso.

— Eu não quero brigar com você, só quero entender.

Meiko o encara.

— Eu não quero me apaixonar por você de novo. — Yuuma muda a expressão de impaciente para surpresa. — Só isso.

Ela sai da varanda e do prédio, deixando Yuuma sozinho, pasmo.

Naquela noite, Meiko voltou para casa de táxi. Antes de tomar um banho e vestir algo mais confortável que aquele vestido de festa, passou no quarto de sua mãe. Ela dormia tranquilamente, o que fez a Sakine sorrir aliviada da porta. Realmente, ela teve uma pequenina sequela que paralisou o lado direito do rosto, mas as fisioterapias estavam dando resultado. Sem falar que a memória da mulher estava voltando aos poucos; desde que saiu do hospital psiquiátrico, ela já tinha se lembrado de bastante coisa.

***

93º Dia

 

Meiko estava varrendo a calçada de frente para a cafeteria, onde estava trabalhando como gerente. Seus dias estavam sendo calmos. A mãe já ia sozinha para fazer a fisioterapia e ainda recebia a filha com uma refeição caprichada. Mesmo estando boa e praticamente sã, Meiko não permitia que a mulher movesse um músculo para colocar dinheiro em casa. Agora, deu na telha da mais velha arrumar um encontro às escuras para a filha. “Aquela velha mal saiu da maca e já está querendo me casar”, Meiko pensou enquanto varria as folhas que invadiam a entrada, rindo do próprio pensamento.

Ela sabia que isso não iria acontecer.

Um carro freou bruscamente à frente dos pés de Meiko, trazendo as folhas todas de volta. Irritada, a Sakine olhou para a bagunça, depois para o carro luxuoso com vidros fumê. Andou até o veículo e deu três socos pesados na janela da frente.

— Seu idiota! Olha onde coloca esta coisa!

O vidro da janela abaixou e o rosto sorridente a fez recuar os passos, assustada. Era Yuuma. Yuki estava bem ao seu lado, comendo algum doce. Quando viu a Sakine, sorriu e acenou para ela, sorridente.

— Mei-chan!

Meiko deu um sorriso fraco e acenou, antes de olhar séria para Yuuma.

— Hum, quero fazer uns pedidos.

— Então levanta a bunda daí e vai até o balcão. Eu não cuido de pegar pedidos dos clientes — Meiko respondeu com grosseria.

— Mas eu sou um cliente especial — falou, rindo. — E para falar a verdade, eu não quero café... Nem biscoitos, ou bolinhos.

— Então aqui não é o seu lugar.

— Mas é claro que é! — Yuuma saiu do carro, pegando uma bolsinha pequena de papel com fitas vermelhas como alcinhas; andou até Meiko para estar frente a frente com ela. — Eu vim ver esta pessoa que está aqui, varrendo as folhas.

Meiko junta as sobrancelhas.

— Olha, pega esse carro e leva a sua filha para casa. Eu agradeço por tudo que você fez, mas eu estou vivendo uma vida boa. Não sou mais jovem para ficar tendo aventuras com mulherengos. Na verdade, só ver pessoas do sexo oposto já está me deixando com enxaqueca.

— Mas eu nem disse nada ainda-

— Melhor que nem diga — Meiko sacode a mão na frente do homem, o impedindo de falar; Yuuma suspira.

Não adianta; anos e mais anos virão, Meiko continuará a mesma pessoa teimosa.

Ele tira uma caixa média do saco de papel, abrindo-a e revelando uma pulseira de ouro com alguns pingentes em formato de coração à sua volta. Antes que a Sakine pudesse ter alguma reação, Yuuma pegou seu pulso e prendeu a pulseira, olhando para ela com um sorriso.

— Que brincadeira é essa? — Meiko perguntou, rindo.

— Gostou?

— Não vou nem perguntar como você descobriu meu local de trabalho, isso é assustador. Mas não pense que ouro vai comprar alguma.

Yuuma mostrou uma expressão pensativa, coçando o queixo.

— Hum, então deviam ter sido diamantes-

— Não. Não devia ter sido nada — ela já se preparava para tirar a pulseira, mas Yuuma segurou seu pulso novamente, impedindo-a.

— Olha, é um presente-

— Por quê? Eu não quero aceitar.

— Mas que droga! Cala a boca e me deixa falar!! — o tom alto, pela primeira vez, calou Meiko; Yuuma suspira. — Obrigado. Eu não consegui ficar quieto depois “daquilo”.

— “Daquilo”?

— Você já foi apaixonada por mim? Mesmo?

Meiko ri com deboche, soltando-se do VY2.

— Você está brincando com a minha cara, né?

— O quê?! Como eu ia saber?! Você mesma disse que não queria compromisso. E depois que fomos para a cama, você continuou me encontrando como amiga. Como você queria que eu levasse isso a sério?

— Você nunca foi um cara “sério”.

— ...S-Sim! Mais um motivo para eu estar confuso com o que você disse.

Meiko suspira, levando a franja para trás com a mão.

— Vem, entra.

Meiko levou Yuuma e Yuki até uma das mesas. Como era domingo, não estava muito cheio; além dos dois, só tinha um casal em uma mesa distante – conversando enquanto comiam alguns bolinhos com café. A Sakine fez questão de servir os dois; para Yuki uma taça grande de sorvete de chocolate com calda quente, e Yuuma um copo médio de café com leite. Estando servidos, Meiko sentou-se à mesa, em um lugar à frente do VY2.

— ...Eu era jovem — a Sakine começou a explicar. — Perder o meu pai tinha acabado comigo e, de certa forma, eu já gostava de você. — Yuuma olhou para mesa, depois para Meiko. — Você ficou comigo o tempo todo e acabou acontecendo, eu cedi, e isso aconteceu muitas vezes. Eu tive que parar de te encontrar. Você estava casado e sua esposa estava grávida, eu não queria ser uma amante.

— Ok, mas eu não estou mais casado.

— Mas eu também não quero que seja assim!

— Se você me explicar, podemos entrar em um consenso como adultos.

Meiko suspira.

— Eu não quero sair com você e ter que suportar vê-lo com outras mulheres.

Yuuma engasga com o café.

— ...Mas que asneira é essa que você está falando?! — perguntou entre tosses.

— Que você é um mulherengo.

— Não sou um mulherengo! Bom, não mais — ele coça garganta, pensando em quantas garotas tinha enganado na juventude. — Eu brinco muitas vezes no meio de mulheres, mas depois de Lily, eu não tive nenhuma relação, seja com compromisso ou sem, com outras mulheres.

Meiko não responde, desviando o olhar.

Yuuma a fita mais um pouco, sorrindo.

— Mas eu quero começar de novo, do jeito certo... E se você quiser... Eu, você e Yuki, podemos viver juntos, como uma família.

A Sakine o fita, surpresa.

Yuuma cora.

— Cla-Claro que teremos que esperar um pouco! — ele ri, e sem olhar para Meiko, vira o café goela abaixo, colocando o copo vazio sobre a mesa. — Não quero que nos precipitemos; podemos ir devagar. Saindo, nos divertindo, sabe, como um casal comum.

Meiko desfaz a expressão pasma, e sorri.

— Tudo bem — ela responde e Yuuma a fita rapidamente, surpreso.

Meio boquiaberto, ele pergunta:

— Então... Quer jantar amanhã à noite?

— Quero. — Meiko respondeu sorrindo.

Ela se levanta, indo até o VY2 e pegando o copo vazio sobre a mesa, coloca o mesmo sobre uma bandeja e já saia para voltar ao trabalho, mas o chamado do homem a faz se virar para ele novamente.

— ...Vou te buscar em casa às oito, então.

Meiko ri.

— Vou esperar, então.

Ela sai, deixando Yuuma e a filha sozinhos. O VY2 ainda estava surpreso. Meiko estava tão relutante, mas mudou de ideia da forma mais adorável possível. No fundo, ele estava feliz e ansioso para o novo encontro. Yuki encara o pai, ele fazia uma cara engraçada. Estava meio vermelho e os olhos estavam arregalados.

— Pai... Tá passando mal? — Yuki pergunta com a boca toda suja de chocolate e Yuuma a ajuda a limpar, usando um guardanapo; acaba não respondendo a pequena.

Meiko colocou a bandeja vazia sobre a extensa pia, jogando o copo descartável no lixo. No início, pretendia apenas mandá-lo ir embora com suas gracinhas, mas, quando o VY2 disse sobre ter uma família com ela e a pequena Yuki, Meiko se emocionou. Ela não sabia explicar, apenas se emocionou e quis dar outra chance ao homem.

Depois de tanto sofrimento, ela merecia umas férias. E se Yuuma pode dá-las, por que não? Assim, ela pensou no momento em que aceitou estar com ele. Nem sabia se isso iria durar para sempre, mas agora estava louca para tentar a sorte.

— Fim? —


Notas Finais


Nymph, se estiver lendo isso, esse capítulo me fez gostar da Meiko.
QUASE, POR MUITO POUCO, esta One não foi KaiMei. Achei que já saiu meio viajado, se eu tivesse colocado KaiMei, ia sair mais viajado ainda. Mas o dia de eu escrever algo com esses dois está perto... Não estou os odiando tanto como antes. :P

ENFIM! **COFCOF** ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DESSE MEL MELADO! <3
Sinceramente EU gostei muito do resultado. Não sei revisei bem, devo ter deixado escapar alguns errinhos, mas eu gostei muito de ler pela segunda vez, espero que vocês tenham tido esta sensação de "bom gosto" na leitura. Assim, de gostar e querer ler de novo. :)

Não sei quando o terceiro (e último) arco vai sair, mas vou tentar focar em um homem desta vez! :D

A Meiko não é minha Vocaloid FAVORITA, mas eu gostei de como usei ela aqui. E não minto quando digo que foi uma surpresa quando escolhi ela para protagonizar no segundo arco. ;-; Foi realmente uma surpresa.
BOM, é isso!

Esperemos a minha cabeça estar boazinha para sair a parte 3. :B
KISSUS!!! *3*


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