História Coisas de Meninos - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai
Tags Baekhyun Popular, Baekyeol, Chanbaek, Chanyeol Nerd, Kaisoo, O Clichê Dos Clichês, Troca De Corpos
Visualizações 2.003
Palavras 4.465
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁAAAAAAAAAA ♡
Como está o sábado de vocês?
Espero que esteja ótimo! E caso não, espero que esse capítulo possa alegrar a noite de alguém :)
Nem acredito que finalmente estou postando essa fanfic, depois de 84 anos com a minha amiga me enchendo a paciência pra escrever essa coisinha logo (obrigada, Laura, essa história não existiria sem você).
Acho que ela é a fanfic mais clichê de toda a minha existência como ficwriter, então me perdoem (ou não) por isso.
Não há muito o que dizer sobre ela. Essa ideia nasceu há mais de um ano quando eu e a Laura (oi de novo, Laura) assistimos Coisas de Meninos e Meninas pela milionésima vez nessa vida patética.

Essa fanfic é um presentinho pra Laura, porque somos mais do que amigas, somos friends; pra Jimmie, porque nós juntas somos chanbaek; e pra Bomma, a rainha que fez a capa mais maravilhosa do mundo pra mim ♡

Enfim, espero que todos gostem dela! ♡
Boa leitura ~

Capítulo 1 - Coisas de vizinhos e furões


Fanfic / Fanfiction Coisas de Meninos - Capítulo 1 - Coisas de vizinhos e furões

Park Chanyeol era alto como um poste. E tão sociável quanto um.

Enquanto outros garotos pareciam bonitões com ar de intelectual com os óculos de grau, ele parecia uma versão menos engraçadinha de um boneco de Olinda do Harry Potter. Um Harry Potter sem a coisa toda da cartinha de Hogwarts, as varinhas e com uma cicatriz a menos na testa.

Sua vida se resumia aos rabiscos horrendos das histórias em quadrinhos que fazia e que jurava de pé junto que eram dignas de uma editora de HQ’s renomada; a séries de televisão que, com muito orgulho, sempre conseguia colocar os episódios em dia e evitar os tão temidos spoilers da internet; a postagens que fazia num blog fantasmas e a jogos online que o faziam virar madrugadas com um pacote de salgadinho e um estoque de sucos de caixinha.

Mesmo sendo um jovem muito ocupado com a cultura nerd-barra-geek do dia a dia, ainda conseguia as notas mais altas da turma. Mas sair e ir às festinhas no fim de semana? Pfffff, ah, isso não.

O negócio era que Chanyeol até tinha força de vontade, mas não tinha vontade de fazer força.

Levantar da cama para ir jogar futebol com os amigos, como qualquer garoto normal da sua idade faria, não era exatamente a praia do rapaz. Chanyeol preferia ficar em casa criando bolhas nos dedos por causa do videogame ou passar horas lendo algum webtoon na internet. Preferia até mesmo caçar aqueles tutoriais maçantes no YouTube sobre como construir uma bicicleta com ferros usados ou trocar a resistência queimada do chuveiro, mesmo que jamais fosse fazer isso de verdade. “Como fazer uma linda fazenda no Minecraft” que o diga.

O Park nem jogava mais Minecraft, para falar a verdade. Não depois que Overwatch, League of Legends e Call of Duty ocuparam toda a memória do seu notebook ancião. Mas isso não o impedia de assistir a todos aqueles vídeos e ler matérias sobre coisas que ele certamente sabia fazer. Coisas que qualquer ser humano saudável sabe fazer. Ou coisas que nenhum ser humano saudável deveria fazer.

Abriu uma aba anônima porque se envergonhava de visitar determinados tipos de sites, e isso não tinha nada a ver com o famoso cinco-contra-um das madrugadas afora. Era apenas uma matéria no WikiHow chamada “Como fazer as pessoas acreditarem que você é uma sereia na escola”. Chanyeol já lera aquele tutorial pelo menos um milhão de vezes, mas acabou desistindo por motivos óbvios.

Sereias precisavam deixar os cabelos crescerem pelo menos até a metade das costas, e isso demoraria muito para Chanyeol. E ainda restava decidir que tipo de sereia ele seria. Do tipo que se apaixona pelos marinheiros ou do tipo que tenta afogá-los?

Definitivamente afogá-los.

A vida de um adolescente podia ser muito atarefada. As tardes de Park Chanyeol estavam sendo planejadas mentalmente com maratonas de suas séries favoritas e metas de leitura, principalmente dos livros que nunca conseguiu terminar (reza a lenda que o seu marcador de página favorito ainda está perdido na metade de As Duas Torres, do Tolkien).

— Yeollie, preciso do notebook pra fazer um trabalho da faculdade — a irmã disse, sorrateira, apenas metade do seu corpo aparecendo atrás da porta.

Chanyeol acreditava que Yoora era uma espécie de réplica bem feita de si mesmo, com cabelos até os ombros e orelhas ligeiramente menores. Talvez seus pais não estivessem lá muito inspirados ao fazê-lo.

Ele fez um gesto com as mãos, mandando-a embora.

— Você sabe que não dá pra pausar jogo online, pô.

Era mentira. Chanyeol estava jogando The Sims, mas vendo-barra-ouvindo uma livestream de algum jogador desconhecido do League of Legends para enganar a pobre irmã. Seu sexto sentido de um nerd de carteirinha funcionava muito bem quando necessário.

— Não acredito que vai ficar aqui jogando esse negócio enquanto o seu arqui-inimigo está lá espreitando no corredor — ela respondeu, indignada. Suas mãos foram até a cintura naquela pose autoritária que o grandalhão odiava.

Ele franziu a testa.

— Arqui-inimigo?

— É, bicho besta. Byun Baekhyun está no nosso corredor, com malas e tudo. Acho que a família dele acaba de se mudar pro nosso prédio.

Alguma coisa não cheirava bem. E não era apenas a torta que a mãe deixara queimar no forno algumas horas antes. Não, não era apenas isso. Era algo maior. O Park tinha certeza que deveria estar em algum pesadelo, e logo zumbis apareceriam para dominar o mundo e transformar toda a humanidade em mortos-vivos ambulantes e carnívoros.

Não que fosse má ideia. Chanyeol era obcecado por zumbis.

— Eles compraram o 4-B assombrado? — praticamente gritou, deixando a farsa do seu falso jogo online ser descoberta. Mas isso não era importante agora. — Deus, noona, diz que não!

— Por que você não vai lá e vê por conta própria?

E o garoto foi. Levantou a bunda da cadeira mais rápido que a equipe Rocket decolando. Porque, quando se tratava de Baekhyun, seu pior pesadelo desde a quinta série, qualquer coisa podia esperar. É claro que poderia se tratar apenas de um plano maligno da irmã para arrancá-lo a força do notebook, mas ele não correria o risco. Precisava ver a cena com os próprios olhos.

Ele correu até a sala e espiou pelo olho mágico, vendo uma família carregando malas enormes até o apartamento ao lado. E quando abriu a porta, deu de cara com o baixinho mais traiçoeiro da galáxia, Byun Baekhyun. Em carne, osso, cabelos cor-de-rosa e jaquetas de couro dignas de um Danny Zuko contemporâneo.

Chanyeol esperou por um milagre.

Esperou que as pessoas escondidas em algum lugar do corredor dessem as caras, saindo de seus esconderijos com confetes e câmeras com tripés, tirando sarro do garoto por ter sido pego numa pegadinha de algum programa ruim da TV. Onde estavam os produtores do reality show que arruinaria sua vida para sempre? Onde estava aquele cara ridículo com um microfone dando-lhe boas vindas ao Devil Next Door?

O milagre não aconteceu. A equipe de filmagem não estava lá, mas seu inimigo estava. Baekhyun apenas apoiou as costas contra a parede, ao lado do elevador, e então jogou a franja para trás. Chanyeol observou os fios escorregarem novamente pela sua testa num emaranhado injustamente bonito.

— Sempre achei que você precisasse abaixar para não bater a cabeça na porta — ele soltou, delicado como um cavalo.

— Você… o que… — o Park começou a dizer, sem saber exatamente como se comportar diante do nanico petulante. — C-como você… Por que você está aqui?

Chanyeol era ótimo com as palavras.

— Sempre tão eloquente, Park Chanyeol.

O grandalhão poderia ter evitado a cena vergonhosa se tivesse apenas se contentado em espiar pelo olho mágico e ir embora. Poderia, mas não havia como prever que Ddori, seu furão, acabaria escapando por entre as suas pernas e fugindo para o apartamento do novo vizinho.

O bichinho não era flor que se cheirasse. Apesar de parecer fofo com seu corpo comprido e peludo, os olhos miudinhos e o focinho cor-de-rosa, o animal de estimação vivia tentando se aventurar pelo corredor do quarto andar do prédio. Às vezes até se escondia dentro da lata de lixo ou ia parar na casa da velhinha do 4-C. Não que a senhora Jung gostasse muito disso. Afinal, Ddori adorava se esconder na gaveta de calcinhas da coroa.

A criaturinha apenas fungou os tênis All Star de cano longo de Baekhyun, logo se esgueirando apartamento adentro. Ao mesmo tempo, Chanyeol pegou seus quase dois metros e se posicionou para apanhar a pequena praga como um jogador de futebol americano esperando para receber um passe. No final, se viu a uma distância mínima do Byun, agarrando sua panturrilha coberta pela maldita calça skinny.

— Ei, Empire State — ele chamou, fazendo o grandalhão soltá-lo imediatamente. — É assim que você recebe os novos vizinhos?

Chanyeol se levantou e limpou as mãos nas calças de moletom com algumas batidinhas, como se ter encostado no seu maior rival fosse contagioso.

— Ora, ora, se não é o pintor de rodapé que tá falando.

— Pelo menos não sou um poste ambulante — o Byun retrucou, quase num muxoxo, e depois fez um pequeno gesto com a mão comparando a diferença de altura entre eles.

Chanyeol cruzou os braços, bufando.

— Melhor do que ser um lenhador de Bonsai.

Double Kill.

Baekhyun estava preparado para lançar outra ofensa bastante criativa quando um grito interrompeu o clima adorável daquela batalha de apelidos. Era um grito estridente que fez sacudir o vidro das janelas e até mesmo as lentes redondas dos óculos de Chanyeol, como um daqueles tenores com voz potente o bastante para quebrar taças de cristal. Ouviram algo sobre “um rato demoníaco dentro da geladeira” e mais uma sequência de palavrinhas levianas que mães de família jamais deveriam repetir.

Os dois garotos correram para dentro do apartamento 4-B — um apartamento que o Park jamais ousara entrar por ser, ao que tudo indicava, assombrado. Era escuro, com cortinas púrpura escondendo as persianas e quadros do século passado. Os boatos que ouvia desde pequeno diziam que ali morava uma mulher de duzentos anos que mexia com bruxaria. Chanyeol nunca vira a famosa Bellatrix Lestrange dos tempos modernos, para ser franco, mas por vezes via uma luz esverdeada cintilando através do batente da porta quando voltava para casa tarde da noite.

Quando alcançaram a cozinha, a Sra. Byun já estava posicionada em cima da mesa e armada com a sua vassoura de cerdas macias. Ela berrava em cinquenta tons de falsete, uma vasilha no alto da cabeça como se fosse o seu capacete de guerra. Ddori, por sua vez, parecia mais interessado em roubar um dos morangos da geladeira recém abastecida que a mulher deixara aberta. Ele tinha uma péssima mania de guardar os restos de comida num esconderijo maroto no sofá da sala, junto com papéis rasgados dos tão amados gibis de Chanyeol.

— Pelo amor de Deus, Ddori, sai daí!

O grandalhão se curvou mil vezes antes de apanhar o furão e colocá-lo sobre o ombro, segurando-o com uma das mãos e correndo para longe o mais rápido que podia. Sequer pediu desculpas oficialmente antes de meter o pé dali, a mãe de Baekhyun ainda erguendo a vassoura como se fosse o seu fuzil. Entrou em casa e bateu a porta com força, apoiando as costas ali e respirando fundo.

O animalzinho peludo guinchou e depois desapareceu em algum canto da sala, deixando Chanyeol sozinho para se sentir o cara mais horrível da face da Terra.

Aquela havia sido a pior recepção entre vizinhos da história da humanidade. E não havia nada que ele pudesse fazer a não ser aceitar que, dali em diante, o seu maior rival estaria morando a apenas alguns metros de distância.

Que beleza, ele disse a si mesmo. Que ótimo jeito de começar.

 

{ • • • }

 

Chanyeol conseguia fazer duas coisas ao mesmo tempo: digitar uma mensagem para o melhor amigo, Jongin, e terminar o café da manhã com a mão livre. Três se considerarmos aquela manhã raríssima onde ele fez as duas coisas enquanto caminhava até o elevador, a mochila pendurada em um dos ombros.

 

(07:01) Chanyeollie: Você não vai acreditar no que aconteceu.

(07:01) Chanyeollie: Eu tô muito ferrado, cara.

 

Estava atrasado, como sempre. Tão atrasado quanto uma pessoa que acorda apenas quinze minutos antes do horário do ônibus escolar pode estar. Por isso, pressionou o botão do elevador tão rápido quanto apertava as teclas do notebook durante uma partida ranqueada de League of Legends.

— Anda logo, anda logo… — murmurou consigo mesmo, dando socos leves na porta metálica como se isso pudesse apressá-lo.

Pareceu funcionar. Chanyeol entrou no elevador e se apoiou contra o espelho, vendo um garoto baixinho se esgueirar no vão entre as portas com uma rapidez impressionante. Baekhyun usava fones de ouvido, um casaco do time de beisebol grande demais escorregando pelos ombros e o taco de madeira balançando sutilmente na mão esquerda.

Os dois ficaram naquele silêncio taciturno, incômodo. O Park se perguntava quando o rapaz abriria sua boca para falar alguma bobagem. Normalmente demorava cerca de dez segundos até que ele soltasse o famoso “Como está o tempo aí em cima?”

Nessas ocasiões, tinha vontade de segurar Baekhyun pelos ombros e erguê-lo como um daqueles protagonistas fortões de filmes americanos. “Veja você mesmo”, ele diria, se tivesse coragem. E depois soltaria uma risadinha maligna o bastante para fazer o tampinha engolir em seco. O pensamento fez Chanyeol rir alto. Alto de verdade, com os joelhos dobrados e o braço comprido segurando o próprio estômago.

O Byun tirou um dos fones, bufando ao encarar a figura do grandalhão ainda contorcida em meio a gargalhadas.

— O que é tão engraçado, Dumbo?

— Hã? O quê? — Ele olhou para um lado e para o outro, como se procurasse por alguma coisa. Até colocou uma mão atrás da orelha para ficar mais dramático. — Eu ouço alguém resmungar, mas não consigo vê-lo. — Ao olhar discretamente para baixo, o garoto fingiu um susto, cobrindo a boca com a mão e tudo mais. — Oh, aí está você, Baekhyun! É um pouco difícil enxergar você daqui de cima.

O baixinho simplesmente revirou os olhos.

— Nem sei porque ainda perco tempo tentando zombar de você, Park. Você faz isso muito bem sozinho.

— Sou um profissional.

— Você é realista.

— Obrigado.

Baekhyun deu de ombros.

— Não foi um elogio.

Os dois saíram do elevador, andando de forma apressada, as mochilas sacolejando contra as costas. Enquanto a de Byun parecia engoli-lo, a de Chanyeol parecia ser uma mochilinha de um garoto do jardim de infância, pequena demais para ele.

Os fones de ouvido do baixinho ficaram pendurados ao redor do seu pescoço quando ele começou a correr até o ponto de ônibus, o grandalhão alcançando-o com apenas alguns passos de suas pernas compridas. Quase perderam a carona até a escola, não fosse o Byun agitando seu taco de beisebol no ar, sendo visto facilmente pelo motorista.

Baekhyun ficou de pé ao lado de Chanyeol no ônibus lotado.

— Tsc… Parece um boneco de posto de gasolina correndo — resmungou baixinho, buscando apoio em algum assento próximo.

O boneco de posto de gasolina deu-lhe um empurrão, e logo em seguida recebeu outro. O Park quase se desequilibrou e deu com a bunda no chão. Quase.

Como um anão de jardim conseguia ser tão agressivo?

Seu celular vibrou no bolso da calça do uniforme, anunciando uma mensagem de Jongin. O melhor amigo não se dava muito bem com tecnologia e redes sociais, por isso sempre demorava a responder.

 

(07:08) Nini: O que aconteceu?

(07:08) Nini: Alguma coisa grave?

(07:09) Chanyeollie: Grave é pouco, meu caro Kim.

(07:09) Chanyeollie: É um pesadelo.

(07:09) Nini: Você sonhou com a Sra. Jung de calcinha de novo?

(07:09) Chanyeollie: Pior. Muito pior.

(07:10) Nini: Com a Sra. Jung sem calcinha???

(07:10) Chanyeollie: É BEM PIOR!!!!

 

Chanyeol tentou erguer o celular discretamente e capturar a figura de um Baekhyun distraído olhando para a janela. Com o ônibus estremecendo e passando por uma estrada esburacada, tudo que conseguiu fotografar foi a imagem de um borrão fantasmagórico.

 

Chanyeollie enviou uma foto.

(07:11) Nini: Meu Deus, Chanyeol. NÃO ME DIGA QUE VOCÊ TÁ VENDO ESPÍRITOS AGORA!!!

(07:11) Nini: Reza um Pai Nosso que dá jeito.

(07:12) Chanyeollie: Eu desisto de você, Kim Jongin.

 

O Park guardou o celular no bolso e respirou fundo, fazendo um esforço danado para não sair por aí a procura de um novo melhor amigo. Havia problemas maiores que precisaria enfrentar durante o resto do dia, e quem sabe durante o resto da sua existência patética também.

Um problema de meio metro, cabelos tingidos de um rosa desbotado e com um taco de beisebol a tiracolo.

Um problema chamado Byun Baekhyun.

 

{ • • • }

 

— Baekhyun? Você quis dizer Byun Baekhyun, seu arqui-inimigo desde a sexta série?

Jongin estava com os olhos pequeninos inchados de sono, os cabelos numa bagunça cor de chocolate e as bochechas esmagadas pelas próprias mãos que apoiavam o rosto.

— Quinta série — Chanyeol corrigiu.

— É — o amigo concordou. — Isso é definitivamente pior do que ver a Sra. Jung de calcinha.

— Estou ferrado, cara.

Jongin inclinou a cabeça como um cachorrinho curioso.

— O que você pretende fazer agora? Vender limonada na vizinhança até arrecadar dinheiro suficiente para mudar para a Tailândia, fazer uma cirurgia de reconstrução facial e recomeçar a vida? Bem, é o que eu faria se fosse você.

Chanyeol chutou o amigo por baixo da mesa.

— Graças a Deus, Buda e Jeová que você não é.

Ele colocou o caderno de História sobre a carteira e começou a rabiscar planos de dominação mundial na contracapa. Planos envolvendo dezenas de rotas de fuga para evitar a terrível presença de Baekhyun em sua vida.

Jongin se esticou para espiar o que o amigo estava fazendo, rindo de todos os desenhos de um elfo doméstico chamado Dobbyun com uma pintinha perto da boca. Aquele era um dos personagens da sua nova história em quadrinhos. Uma sátira inspirada em Byun Baekhyun e sua pequenez, obviamente. Não que Jongin discordasse de toda a mágoa do amigo. Afinal, foram longos anos sendo chamados de “Torres Gêmeas” por aí.

O Byun e o Park estavam naquela coisa de inimigos-mortais-até-que-a-morte-nos-separe desde o show de talentos da quinta série. Mesmo anos depois do incidente durante a apresentação de Chanyeol — um incidente do qual o garoto guardava rancor até hoje —, Baekhyun continuou a alfinetá-lo e a pregar peças no grandalhão.

O baixinho era astuto e bastante criativo. Ao que tudo indicava, seu hobby preferido era bolar planos maquiavélicos para fazer o rapaz passar vergonha. E isso envolvia papeizinhos escritos “perdedor” colados em suas costas, papeizinhos que evoluíram para um “Deposite seus trocados aqui” quando o Park apareceu na escola com aquela calça larga demais, o cofrinho sutilmente dizendo olá a todos que dessem uma rápida espiadela na sua comissão traseira — que, a propósito, não era das melhores.

Nem sempre estavam inspirados. Às vezes, Baekhyun apenas escrevia uma bobagem qualquer, como “Não sou um poste de verdade. Cães, favor não urinar em mim” e tudo acabava com um Chanyeol muito irritado jogando o restinho do seu suco de maçã nas calças do Byun, resmungando baixinho: “Achei que só crianças fizessem xixi calças. Bem, mas você tem o tamanho de uma.”

Quase nada era capaz de afetá-los, e sempre precisavam inovar nas pegadinhas. Chanyeol, com a cueca cheia de moedas no final do dia, apenas usava os trocados para comprar um refrigerante. E Baekhyun desfilava com a calça molhada como se isso não importasse.

As coisas acabaram evoluindo. Nada mais de substâncias explodindo nas aulas de Química e deixando-os com os cabelos chamuscados, pernas “acidentais” derrubando o outro no meio do corredor ou papéis colados nas costas. Naquela manhã, Baekhyun roubou discretamente o celular de Chanyeol enquanto ele e Jongin estavam distraídos na biblioteca, estudando para as provas finais da semana seguinte. E o Park só foi perceber que o celular estava de volta quando o objeto começou a vibrar, e pior: a gemer alto o bastante para escutarem lá de Saturno. O pestinha havia definido um áudio de filme pornô como toque de chamada. No último volume, ainda por cima.

O sangue de Chanyeol ferveu quando viu o nome de Baekhyun na tela, uma selfie que ele tirou com o celular roubado aparecendo na tela.

— Esse maldito piloto de carrinho da Hot Wheels — ele xingou, colocando o capuz sobre a cabeça quando todos os olhares na biblioteca se voltaram para ele.

Chanyeol era ótimo com apelidos. Ótimo de verdade.

— Houston, temos um problema — Jongin murmurou, puxando o amigo para saírem de fininho dali.

— Bater em retirada, soldado.

Os dois tentaram se esgueirar sorrateiramente até a porta, escondendo os corpos atrás de uma das milhares de prateleiras. No entanto, é um pouco difícil passar despercebido quando você tem quase dois metros de altura e um moletom nada discreto do Deadpool tamanho GG.

Park Chanyeol recebeu uma intimação para comparecer na diretoria depois da aula, é claro, mas não desistiu.

— Precisamos de um plano — disse ao amigo na hora do intervalo, ambos bebendo suco de caixinha enquanto afagavam o queixo de modo pensativo, como personagens de algum desenho animado.

Jongin entrelaçou os dedos, os braços apoiados sobre a mesa do refeitório.

— Eu… — suspirou, cansado. — Não faço a mínima ideia. Meu estoque de sugestões criativas está completamente vazio.

— Você não sugeriu nada criativo até hoje.

— O inimigo é seu. — Deu de ombros. — Isso é sua responsabilidade, não minha.

Ele demorou sete minutos inteiros para responder a minha mensagem, e agora isso, Chanyeol pensou. Eu definitivamente preciso mudar de melhor amigo.

— Vou te aposentar do cargo de melhor amigo — resmungou, dando um tapa leve nas costas do outro.

— Ótimo — Jongin respondeu, sorvendo o último gole do seu suco de frutas vermelhas. Era o seu preferido. — Vou comprar outro suco com o dinheiro da aposentadoria.

Quando o amigo levantou, Chanyeol teve um surto de inspiração. Viu Baekhyun andando com o pessoal do time de beisebol, todos com os mesmos casacos descolados, os cabelos molhados pós-treino e uma toalhinha jogada em um dos ombros.

O Byun era um garoto popular na escola, sempre sendo admirado pelos hyungs, dongsaengs e principalmente pelas garotas. Chanyeol teve o vislumbre de uma pegadinha de sucesso quando percebeu a cueca sutilmente aparecendo sob o short folgado do pigmeu endiabrado.

Como todos os seus seguidores fiéis reagiriam se soubessem que o baixinho usava cuequinha rosa bebê do Rilakkuma?

Chanyeol estava curioso para descobrir.

— Do Kyungsoo? — ele chamou, minutos mais tarde na sala de informática, onde era produzido o jornal da escola. — Preciso dos seus serviços.

 

{ • • • }

 

Os dois garotos na diretoria apenas conseguiam observar os próprios tênis.

Enquanto a Sra. Lee batia com a caneta contra a mesa de madeira, franzindo a testa de um jeito quase assustador, ambos pensavam em um jeito de escapar daquele pesadelo. Não podiam ser expulsos agora, no fim do ano letivo.

— Acho que a senhora está enganada, diretora — Baekhyun acabou por dizer, se esticando todo só para envolver o pescoço de Chanyeol com o braço. — Eu adoro esse cara.

— É — o Park concordou a contragosto. — Eu me dou super bem com esse carinha aqui.

Carinha? — ele grunhiu, quase como aqueles cachorrinhos minúsculos que parecem inofensivos, mas que no fundo são tão perigosos quanto um pitbull. Depois deu de ombros, tentando suavizar a expressão emburrada. — Enfim, o que importa é que somos muito, muito amigos. Mais que amigos. Somos friends.

— Somos como irmãos — reforçou o grandalhão, sendo obrigado a bagunçar os cabelos do nanico com os dedos para demonstrar o quanto eram próximos. — Brothers.

A Sra. Lee bufou e apontou acusadoramente a caneta na direção deles.

— Eu sou fã de teatro. Sou mesmo, garotos, de verdade. E essa atuaçãozinha de vocês até que foi divertida, mas está na hora de encararmos os fatos.

Baekhyun revirou os olhos, afastando-se completamente do mais alto.

— Fatos, é?

— Fato número um: vocês realmente não se dão bem, não importa o quanto tentem disfarçar — ela disse, autoritária, erguendo o dedo indicador. Com um sorrisinho debochado, ela ergueu o médio também. — Fato número dois: vocês estão me dando dor de cabeça com todos esses problemas, e eu não sou a mulher mais boazinha do mundo com dor de cabeça. E fato número três: preciso que vocês se deem bem até o final do ano, então vou ser obrigada a tomar medidas drásticas.

— Medidas drásticas…? — Chanyeol murmurou, acomodando melhor os óculos que escorregavam na ponta do nariz. — Como o quê? Ligar para os nossos pais?

— Como, por exemplo, colocar os dois para lavar as roupas e as toalhas dos jogadores de beisebol depois do treino. Juntinhos. Ah, e guardar todos os materiais também.

Chanyeol se esparramou na cadeira, como se quisesse deslizar até o chão e sumir da vista da diretora.

— A senhora não pode simplesmente ligar para os nossos pais?

Ela negou com a cabeça.

— Vocês devem começar amanhã, meninos. Depois do treino.

Baekhyun jogou a mochila sobre os ombros e se levantou, resmungando alguma coisa sobre aquilo tudo ser um pé no saco. Ele parou bem na frente da porta aberta, ainda segurando a maçaneta.

— Você não vem? — chamou, olhando para o garoto com seus quase dois metros esparramados na cadeira. — Vamos perder o ônibus.

Chanyeol não sabia o que pensar. Se o baixinho estava apenas tentando parecer amigável perto da diretora, ou se estava finalmente se rendendo ao código ético da boa vizinhança. Ou, ainda, se tudo aquilo não passava de mais um plano maligno para envergonhá-lo. Será que o Byun já havia descoberto sobre o favor (e com favor entende-se negócio) que pedira a Kyungsoo?

Quando olhou para o relógio de pulso, levantou a bunda da cadeira tão rápido quanto o Papaléguas fugindo do Coiote. E isso significa muito rápido, caso a referência não tenha feito sentido na sua cabeça.

Estavam tão atrasados que o Park sequer pensou duas vezes antes de sair correndo, puxando Baekhyun pela camiseta para acompanhá-lo. Viram o ônibus escolar indo embora logo que chegaram no pátio. E pior: assim que atravessaram o portão do colégio, como em um daqueles filmes onde tudo dá errado, começou a chover como se não houvesse amanhã. Um verdadeiro dilúvio.

Eu devo ter grudado chiclete no cabelo de Jesus pra merecer isso, Chanyeol lamentou internamente. O bichinho era dramático à beça.

E continuou lamentando durante todo o caminho para casa, ambos correndo debaixo de chuva com os cabelos grudando na testa e as calças encharcadas coladinhas nas pernas. O grandalhão, mesmo ocupado amaldiçoando cada centímetro que ele precisou percorrer naqueles sete quarteirões até o prédio onde morava, ainda teve tempo para reparar que Baekhyun parecia ainda mais baixinho quando estava molhado.

— Isso foi tudo culpa sua! — Baekhyun acusou, assim que o elevador parou no quarto andar. Ele largou a mochila no chão em frente ao seu apartamento, vendo o piso ficar todo molhado quando o Park se aproximou às suas costas, soltando um suspiro de frustração. — A gente não teria perdido o ônibus se você não ficasse enrolando.

O quê? Claro que não, seu goleiro de pebolim! Foi você que roubou o meu celular lá na biblioteca. Você é o maior responsável por tudo isso.

Baekhyun bufou, ficando frente a frente com Chanyeol, os dois dividindo aquele pequeno espaço sobre o tapete na entrada.

— Boneco de posto de gasolina! — ele xingou.

— Pedreiro de Lego!

— Torre de Babel!

— Tarzan de Samambaia!

Talvez, se os dois garotos não estivessem tão ocupados pensando em apelidos engraçados um para o outro, tivessem notado aquela luz esverdeada cintilando no apartamento 4-B. O piso do quarto andar estava tremendo levemente, e uma fumaça tênue dançava ao redor de suas pernas encharcadas.

Mal sabiam que, em breve, estariam destinados a encarnar a vida um do outro, e para isso bastavam apenas três palavrinhas mágicas.

Eu odeio você — disseram em uníssono, quase como se fosse combinado.

E a maldição estava lançada.

 


Notas Finais


E AGORA A HISTÓRIA COMEÇA DE VERDADE AAAA

Caso queiram saber (e eu sei que não querem): essa é a minha primeira fanfic em terceira pessoa, e eu não tô muito acostumada, então me perdoem! E me desculpem caso eu tenha deixado algum errinho escapar.
E minha primeira love x hate também. CdM é definitivamente a dona das minhas primeiras vezes, lol

Eu espero que tenham gostado. De verdade!
Muito obrigada por ler até aqui, sério, você já é um vitorioso(a) por isso rs

Mil beijinhos e até o próximo ♡


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