História Cold - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Azul, Bullying, Coração Frio, Gay, Heterocromia, Mutilação, Suícidio, Violencia, Yaoi
Exibições 55
Palavras 1.443
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Bishounen, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Hentai, Lemon, Luta, Romance e Novela, Slash, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Hey!..

Capítulo 1 - ''.. Nobody becomes cold by chance..''


Fanfic / Fanfiction Cold - Capítulo 1 - ''.. Nobody becomes cold by chance..''

‘’Num deserto o coração traído caminha gelado’’

‘’Meu coração já foi chutado,pisoteado e despedaçado...’’

‘’As chances de cura são nulas....me deixe mergulhar de uma vez nessas águas escuras’’

 

 

 

 

 

 

Oliver Frost – On

 

‘’Frio...’’

Essa era a única palavra que as pessoas se usavam para se referir a mim.

‘’Arrogante...’’

‘’Alma rasa...’’

‘’Frágil...’’

‘’Porcelana..’’

Palavras tão fúteis e ao mesmo tempo tão verdadeiras.

Palavras tão simples e fáceis de se dizer se tornam adagas ao coração frágil que reside em meu corpo.

Com o tempo eu aprendi perfeitamente a arte de fingir,a arte de ignorar.

Um -‘’Estou bem....’’ – bastava para que as pessoas parassem de me importunar com os seus sorrisos falsos e preocupações mascaradas por segundas intenções .

Uma alma quebrada não aceita ser reparada,com receio de se machucar novamente.

Eu me tornei cada vez mais invisível,como um camaleão se camuflando por meio de suas cores,mas eu usava uma mascara,a face impassível,tediosa,com os ouvidos surdos aos sons ao meu redor,completamente entorpecido em meu próprio mundo.

‘’O mundo das almas corrompidas...’’

Corrompidas por dores,mágoas,e anseios não conquistados,tudo que uma pessoa aleatória consideraria apenas um sentimento passageiro,mas para mim não,essa dor era eterna.

‘’Ninguém se torna frio por acaso....’’

 ‘’E eu apenas sou um erro....nessa minha vida miserável....’’

 

Meus devaneios sentimentais eram o que eu menos queria agora.Os fios longos e negros de meus cabelos recaiam sobre os meus olhos recém úmidos,devido as lágrimas salgadas que insistiam cair.

Meu corpo estava  estirado de bruços sobre a cama já velha de meu quarto.Olhava fixamente para o teto repleto de pôsteres de bandas de rock,tentando inutilmente manter minha mente voltada apenas para a música estridente do SWS tocando em meus ouvidos,nublando o meu coração quebrado da discussão no andar de baixo.

- Cale a boca Marye!...não vê que está defendendo uma aberração?!,um erro humano! -

- Pare Zachary! Oliver está doente...não é culpa dele! –

- É claro que é culpa dele!...não venha me dizer que ele está doente!...esse garoto só quer chamar a atenção!.estou atolado até o pescoço em dívidas de remédios!..não devíamos leva-lo a um psicólogo e sim a um psiquiatra!...- Barulho de vidros se quebrando ecoam pela casa.

- Zachary!...para onde está indo?.. volte!....Zachary!...- ‘’Merda...não..não...’’ ‘’Mais uma culpa para carregar nas costas....’’ Retiro os fones de ouvido,e tento escutar mais algum barulho,mas só escuto passos rápidos. ‘’Droga...’’

A porta do meu quarto se abre e eu já sei o que está por vir.Meu corpo é retirado com força da cama e sou jogado bruscamente no chão.Sinto os ossos de minha face estalarem depois do soco que recebi,logo sinto o típico gosto metálico vir a minha boca.Uma sequencia de socos se choca contra o meu rosto,não preciso abrir os olhos para saber quem está me batendo.

- É tudo...culpa..sua!..- A voz sofrida de Adam abre ainda mais a ferida em meu peito.

- Papai foi embora...e a culpa é sua!..- Meu corpo se encolhe ao receber seus chutes,permaneço o tempo todo imóvel,sem revidar,eu queria que ele descarregasse a sua dor em mim,eu queria sentir dor.

- Até quando vai destruir tudo!...- Ele para de me bater e põe seu pé sobre o meu rosto,pressionado a sola de couro contra a minha pele.

- Por que você não morre de uma vez?...acabaria com todos os meus problemas!...- ‘’Acredite Adam...é o que mais quero...’’

Sinto meu corpo ser erguido até a altura do rosto de Adam,fazendo com que eu abra dos olhos doloridos.

- Por que você nunca reage bastardo?!...você nunca reagiu nenhuma vez em todos esses anos!..nenhuma vez em dez anos!.. – Ele cospe as palavras contra o meu rosto.Suas palavras trazem lembranças não tão antigas de meu passado,há quase dez anos essas discussões sem sentido começaram,tudo por culpa do meu corpo frágil que exigia doses e mais doses de medicamentos caros,gerando stress e desespero em meus pais que estavam cada vez mais afundados no mar de dívidas.

- Por que..a culpa é minha,eu mereço isso,você...é meu irmão...e se me bater tira a sua dor...me bata o quanto quiser..por favor...- Abro os braços em desistência,Adam sempre continuaria sendo o meu irmão não importava o que acontecesse,eu o amava e não queria vê-lo sofrer,e se me bater o fazia ficar melhor,eu não me negaria em diminuir sua dor.

Pela primeira vez na vida eu vejo Adam arregalar os olhos surpreso,as orbes negras me fitavam incrédulas.Dou um meio sorriso amigável,esperando que ele não entendesse o contrário.Minha cabeça zunia de dor e meus olhos acabam se fechando lentamente,meu corpo amolece e despenco até o chão,mas por algum motivo Adam me segurou,e trouxe meu corpo até o seu peito,me agarrando firmemente em seus braços.Essa é a última coisa que me lembro antes de perder completamente os sentidos.

(...)

A luz da lua entra sorrateira pela janela,parando em meus olhos que se abriam vagarosamente.Faço uma expressão de dor ao mexer o rosto machucado,as feridas não doíam tanto quanto antes,e o cheiro de menta ardia em meus olhos.Levo os meus dedos até o grosso lençol que me cobria,o retiro e logo vejo o meu peito desnudo enrolado por ataduras,o meu rosto não estava diferente,continha band-aids nos machucados.

Isso nunca tinha acontecido,eu sempre acordava no mesmo lugar que estava,coberto por sangue seco,nunca havia acordado na cama coberto por bandagens,havia algo errado.Olho para o relógio da parede e ele marcava (03:07 AM),já era de madrugada,eu havia dormido o dia inteiro.

Minha garganta implorava por água,me levanto devagar e já sinto a dor aguda em minhas costelas,me seguro cambaleante na cabeceira da cama,solto um pequeno gemido de dor e levo as mãos até minha barriga,sentido a dor dilacerante preencher o meu corpo.

Uma luz se acende no corredor e logo escuto o som de passos apressados,a porta de meu quarto se abre revelando um Adam cheio de olheiras e cabelos bagunçados.

- Adam...me..d.desculpe..eu n.não queria te acordar..- Meu corpo treme involuntariamente ao vê-lo se aproximar,fecho os olhos fortemente,abaixo a cabeça e me encolho com medo que ele me desferisse um tapa ou um soco.

Ouço apenas o tilintar de plastico e o barulho da porta se fechando,abro os olhos lentamente,olho para os lados confuso por estar sozinho no quarto,vejo que havia uma pequena garrafa de água e alguns comprimidos sobre a cômoda.

‘’Por que ele está me ajudando?..será que foi ele que cuidou dos meus machucados?...o que está acontecendo?...’’

 Com certeza Adam vai pedir algum favor por me ajudar,não duvido que ele esteja fazendo isso só para conseguir algo.A desconfiança que adquiri pelas pessoas ao meu redor é apenas um reflexo de garantia que preciso ter para não sair machucado,mas não funciona muito bem.

Meio hesitante pego a garrafa de água e jogo os comprimidos goela abaixo,bebendo água logo em seguida.Deposito a garrafa de água pela metade sobre a cômoda novamente,vou até a cama e me cubro até o pescoço.

Olho pela janela e vejo as arvores balançando de acordo com o vento dando um ar mais calmo para a noite escura de verão.Faltam poucos dias para a volta as aulas,e não estou nem um pouco preparado para enfrentar aquele inferno novamente.

‘’Mas parece que o karma...é o namorado da minha vida...’’

 

 

(...)

 

As semanas se passaram lentamente,eu não havia saído do quarto em nenhum momento,apenas descia bebia água,pegava algumas frutas e voltava.Depois daquela discussão papai não havia voltado,e a culpa me consumia cada vez mais,mesmo que minha mãe diga que não é culpa minha,eu sei que é,tudo é culpa minha.

Adam não havia trocado mais nenhuma palavra comigo,ele fazia o mesmo que eu e se trancava em seu quarto.As poucas vezes que nos encontramos nos corredores bastaram para que eu reparasse em suas olheiras cada vez mais fundas e o olhar sempre triste e impassível.Me rasgava vê-lo assim,na minha cabeça era por Zachary ainda não ter voltado para casa,afinal eles sempre foram apegados,Adam era o filho perfeito e eu o erro que nunca devia ter nascido.

Vou até o banheiro e olho para o espelho,as pequenas manchas roxas ainda eram visíveis,logo elas sumiriam,e logo ganharia novas,esse era o ciclo tedioso da minha vida.Abro o pequeno armário acima da pia,as prateleiras entupidas de calmantes e remédios para dor eram a principal vista que tinha.Pego um frasco de calmantes e engulo dois comprimidos.Não demora muito para que o remédio ganhe efeito.

Vou a passos lentos até a cama,me deito e fico olhando para o teto,esperando o sono chegar.Logo os meu corpo amolece e meus olhos se cansam.

Faltavam apenas dois dias para o fim do verão,faltavam apenas dois dias para o recomeço do meu inferno diário.

‘’Apenas dois dias...’’

Só me resta saber se vou sobreviver ao meu 2º do ensino médio,ou irei mergulhar de vez no mar escuro da minha alma.

‘’Eu rezo...para que seja a segunda opção...’’


Notas Finais


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