História Cold Blood - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Exibições 77
Palavras 2.734
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Boss


CAPÍTULO DOIS

☣ 

( antes )

— Você não pode estar falando sério — Suzan franziu o cenho andando no encalço de Hanna. — Simon? Quer dizer, ele é tão estranho, transar com ele é mais um castigo do que outra coisa.

Deixei minhas bochechas inflarem num sorriso, ela me olhava como se eu fosse doida.

— Mas Joy gosta... — Hanna soltou uma gargalhada divertida. — dos esquisitos com cara de massacre da serra elétrica.

— Só disse que se tivéssemos sozinhos, eu não recusaria. Vai que um dia temos que repovoar o planeta, sei lá.

— Você está bêbada! — constatou Suzan passando seus braços por meus ombros antes que caísse de cara no meio fio.

Bêbada parecia uma palavra um pouco forte demais, talvez eu estivesse levemente alterada. O chão parecia-se com nuvens e era difícil tocá-lo sem ameaçar cair, mas eu tinha certeza de não ter bebido o suficiente para ser chamada de bêbada. A rua estava deserta, o que em Seatle era de certo modo raro. Um carro passou em alta velocidade, seguido por algumas viaturas da polícia, os guardas no carro não tiveram tempo de constatar que ainda não éramos maiores, pareciam estar ocupados demais com a perseguição.

— Roubo de carro — Hanna mordeu o lábio inferior, talvez preocupada com a opção de um de seus irmãos estar dirigindo o carro roubado. — Eu disse a vocês que apertar os seios nos deixam com cara de mais velhas, Joy soube isso na boate não foi? Como era o nome do garoto com quem você estava?

— Eu não perguntei. O chamei de cara de esquilo.

Soltei uma gargalhada e Hanna me acompanhou já Suzan nos olhou feio balançando a cabeça.

— Acho que vou pegar um táxi não moro no bairro nobre da cidade e a querida e gentil senhora Fleure não me deixa mais dormir na casa da Joy.

— Não há culpe Hanna, você sabe por que dona Martha não lhe quer mais na casa de Joy — Suzan respondeu calmamente. — Lembram da história do cigarro?

— Foi apenas um! Nenhuma de nós se viciou! — suspirei, Suzy não quis experimentar ela sempre foi à certinha de nós três. — Minha mãe é uma boboca Hanna, mas se quiser ir dormir lá está mais que convidada, Suzan vai.

— Acho melhor não, minha mãe deve estar dormindo no sofá depois de várias cervejas. Preciso colocá-la na cama. Vejo vocês amanhã na escola.

A abracei me despedindo enquanto Hanna chamava um táxi. Suzan também se despediu enquanto bocejava de sono e mexia no celular, não havia notado o quão tarde era se minha mãe ainda estivesse acordada com certeza eu iria ouvir uma palestra sobre não sair escondida.

Por sorte, não precisávamos pedir um táxi o que nos poupava tempo e dinheiro, o condomínio já estava próximo o suficiente para não cansar os pés ou o salto alto.

— Joy, posso fazer uma pergunta? — assenti, Suzan parecia meio inquieta. — Essa amizade com a Hanna é só para irritar a sua mãe não é?

— Do que está falando? Hanna e eu somos muito próximas.

— Bem é que antes dela você não era assim e... Hanna nunca me pareceu o tipo de pessoa com quem a antiga Joy teria amizade. Ela é legal sim, mas também é uma furada.

— Não existe uma antiga Joy, Suzy você está vendo coisas onde não tem.

— Não existe? — o tom dela agora estava mais sério. — Olha essas roupas, saia curta, seios quase amostra. Maquiagem pesada, seu linguajar, você não é assim Joy... Você era a garota nerd que sentava na primeira carteira e terminava o dever antes de todo mundo, você era a garota que sempre amou suéteres e moletom.

— Essa parece você Suzy, e vamos parar de falar disso — pedi levemente irritada.

Continuamos nosso trajeto em silêncio, nenhuma das duas sabia ao certo o que falar. Empurrei o portão do condomínio fitando a última casa da rua, as luzes apagadas o que era um bom sinal, significava que minha mãe não havia descoberto sobre minha saída e eu não teria de inventar desculpas esfarrapadas. Tirei os sapatos e enfiei a chave no buraco da fechadura fazendo o mínimo de barulho possível. Mas assim que empurrei a porta, um clarão se acendeu revelando minha mãe de braços cruzados, testa franzida e expressões duras.

— Três da manhã, onde estava com a cabeça Joy?

Sabia que ela estava tentando se controlar, não podia gritar e arriscar acordar Sam, mas isso não a impedia de morder a bochecha e deixar aquela veia do pescoço saltar assustadoramente.

— An senhora Fleure, eu...

— É melhor você ir para o quarto Suzan, ligo para seus pais amanhã — mamãe ordenou e a garota foi cabisbaixa. — Não esperava isso de você, estou decepcionada.

— Suzan não teve culpa, Hanna e eu a convencemos a sair com a gente.

Expliquei me dirigindo a cozinha, abri a geladeira observando o que tínhamos de bom. Pão, algumas fatias de presunto. Meu estômago se apertou, precisava de um sanduíche, tirei as coisas colocando-as no balcão, minha mãe me seguiu bufando.

— Tem quatorze anos Joy, não o suficiente para sair e beber. O que está querendo provar?

— Olha Martha eu...

— Ouvi vozes, está tudo bem? Ah, Oi Joy.

E lá estava tio Petter com os cabelos bagunçados usando uma das camisas de meu pai, olhei para minha mãe que engoliu em seco provavelmente não fazia parte de seu plano ser pega, não que isso fosse uma novidade para mim. Já havia um ano que eu tinha descoberto seu relacionamento com o irmão de meu pai, o que me parecia mais nojento era o fato dela o levar para dentro de casa quando papai estava no trabalho.

— Joy...

— Não encosta em mim — gritei me esquivando. — Eu posso fazer o que quiser Martha, posso sair e beber e virar a noite se assim desejar e você não pode falar nada, não é o melhor exemplo.

Dei as costas, minha mãe era a última pessoa que podia me dar lições de moral. A porta do quarto de Sam estava entreaberta e a coberta caída no chão. Ele era pequeno demais para entender o que estava acontecendo, mas não burro para não notar que algo estava acontecendo. O observei dormir, ele parecia à imagem esculpida de meu pai, mas em alguns meses uma dúvida rondou minha mente, se Sam era realmente filho de meu pai ou de Petter. Recolhi a coberta do chão e coloquei sobre seu corpo, beijei sua testa e desliguei a luminária fechando a porta atrás de mim.

   Meu quarto ao contrário do restante da casa parecia o mais desarrumado possível, Suzan já havia montado seu saco de dormir e escovava os cabelos.

— Acabou, definitivamente meus pais irão me proibir de ir ao acampamento de ciência essa verão.

— O que não é ruim Suzy — disse trocando minhas roupas e me jogando na cama.

— Não me sinto muito bem, acho que estou ficando doente... Isso é tudo culpa da Hanna.

— Como pode ser culpa da Hanna você estar ficando doente?

— Não sei, nós deveríamos parar de andar com ela. Hanna só nos mete em confusão.

Revirei meus olhos, esse assunto já me deixava realmente irritada.

— Hanna é minha amiga Suzan se não quer andar com ela então não deveria andar comigo — disse ríspida. — você pode se mandar se quiser, não vamos sentir sua falta.

Virei para o outro lado e apaguei a luz. Não demorei a pegar no sono.

 

Acordei com barulhos vindos da cozinha, minha cabeça parecia querer explodir. Ainda eram cinco da manhã, mas logo teríamos que levantar para o colégio. Certamente eu teria de me desculpar com Suzan, nos conhecemos desde o jardim de infância. Olhei sonolenta para seu saco de dormir, mas ela não estava ali.

— Suzan? — chamei baixinho.

Cocei os olhos e levantei saber se estava tudo bem, ainda estava meio dormindo quando escorreguei e cai de joelhos ao chão. Levantei minhas mãos para examinar o que deixou o chão escorregadio e vi sangue. Sangue por todo o corredor até a porta do quarto de minha mãe, minhas mãos já estavam tremendo, mas empurrei levemente encontrando mais sangue. Tio Petter ao chão, com pedaços faltando e Suzan sobre ele, o devorando.

Meus olhos se abriram e meu queixo caiu, soltei um gemido e Suzan com pedaços de tio Petter na boca olhou para mim, mas algo nela não era ela.

— Suzan o que está fazendo? Oh meu Deus.

Ela caiu, literalmente, vindo em minha direção. Dei passos para trás, ainda atordoada com tudo o que vi. Mamãe pulou de dentro do armário derrubando Suzan no chão e se sujando com sangue que não sabia de quem era, Suzan, Petter ou mesmo dela.

— Corre Joy, corre!

Minha mãe vinha logo atrás, não sabia para onde ir, segui para o quarto de Sam. Ele ainda estava dormindo.

— vem mãe — gritei enquanto ela corria para mim.

Estava pronta para fechar, assim que ela entrou bati a porta com força. Suzan ainda empurrou tentando entrar, Sam acordou com meus gritos  e minha mãe o apoiou. Suzan não falava apenas gemia de um jeito aterrorizador.

— Mãe o que está acontecendo?

— Eu não sei, acordei com Suzan gemendo na cozinha quando me aproximei ela mordeu meu braço.

Mamãe mostrou a mordida, estava tão feia que parecia mais ter sido feita por um animal. Sam começou a chorar, empurrei sua cômoda para apoiar a porta e o segurei no colo enquanto Martha enrolava uma camiseta velha em seu ferimento.

— Está tudo bem Sam, vai dar tudo certo. Papai vai chegar e nos salvar.

Sussurrei e continuei sussurrando tentando me convencer disso também. 

Eu ainda não sabia, mas nada nunca mais ficaria bem. E os pesadelos daquela noite me seguiriam por onde eu fosse.

 

( agora )

Fui empurrada para um quarto escuro, minha testa pingava com suor não fazia tanto calor, mas cheguei à conclusão de que estava meio febria e assustada. Ao passarmos pelo portão pude ver de relance alguns mortos vivos sendo pendurados nas cercas, o lugar onde me encontrava não me parecia seguro o bastante. Sentei-me no chão apoiando minha cabeça em meus joelhos e esperei.

O que pareceu uma eternidade, até alguém entrar e me guiar de volta para os corredores escuros.  O rapaz comigo era um tanto assustador, metade de seu rosto estava cheio de cicatrizes o que me remetia a queimaduras e ele tinha um olhar desanimado, uma mistura de horror e medo junto com tristeza.

— Rápido, garota! — ele ordenou me puxando para dentro de um cômodo.

Esse era bem arrumado e acolhia dois homens, um parecia um dos prisioneiros enquanto o outro estava bem arrumado e segurando um taco de beisebol enrolado em arames farpados. O observei, cabelos penteados para trás e uma barba pingada de fios brancos, vestia uma jaqueta de couro, ele se destacava em tudo ali. O outro cabisbaixo parecia o oposto, os cabelos compridos sujos, uma barba por fazer e um cheiro não muito agradável.

— Olha só — o homem com o taco sorriu ao me ver. — Estão dizendo por ai que você é um presente dos meus novos amigos do Lar.

Fiquei em silêncio, ele me media da cabeça aos pés. Com passos curtos chegou bem próximo, o suficiente para sentir o cheiro de meus cabelos, me esquivei um pouco para o lado e o homem loiro com o rosto queimado me empurrou colocando-me no lugar certo.

— Seu cabelo cheira baunilha, sabe, faz tempo que não sinto cheiro de baunilha.

Suas sobrancelhas se levantaram como se ele estivesse esperando que eu respondesse. Algo em seu olhar me deixava assustada, algo em tudo ali me apavorava.

— Encontrei um resto de xampu numa varredura, não gastei tudo — minha voz soou mais baixo do que gostaria. — Levi não gosta de cheiro ruim, todos do Lar precisam estar sempre limpos.

E eu não estava mentindo, Levi sempre puniu os mal cheirosos. Por um tempo pensei estar acostumada com o cheiro de carne podre, mas depois de tanto tempo no Lar o cheiro foi sumindo e agora parece forte demais para ser algo a se acostumar.

— Interessante, meu amigo Daryl aqui deveria lavar os cabelos também — olhei para o homem com o canto dos olhos, este continuava de cabeça baixa. — Me chamo Negan, sou o dono de tudo e agora sou seu dono também.

— Não é! — não pensei em dizer isso em voz alta, saiu mais como algo não programado. Negan me olhou curioso.

— O que você disse?

— Não sou um objeto senhor Negan, sou uma garota. Além disso, eu nasci livre.

— Respeito isso, mas acontece — seu taco passou sobre meus cabelos deixando-me com calafrios na nuca — que ninguém aqui é livre. Só preciso achar uma função para você, hum... Não sei que tal ajudar com os alimentos? Não, já tem gente demais. Vejamos, é bonitinha demais para ficar na cerca. Onde eu posso te colocar?

— Talvez possa mandá-la para uma das colônias, ajudar por lá e...

— Ela foi um presente D. — interrompeu Negan, o homem tratou de se calar. — E presentes devem permanecer junto do dono. Pode levar Daryl daqui, quero ficar sozinho com a menina.

Os dois passaram pela porta deixando-me a sós com Negan, fiquei parada enquanto ele sentou-se sobre uma poltrona ainda me olhando. Engoli em seco tentando ficar calma.

— Você deve ter uns dezessete, dezesseis, mas já consegue ser atraente. Não posso te deixar entre eles, aqueles caras lá fora obedecem minhas regras, mas a única coisa capaz de colocar todos em guerra é uma mulher. Veja Helena e toda a história de Tróia. Não, D tem razão você será mais útil em uma das colônias. Pode ajudar a plantar ou sei lá.

— Plantar? Sou boa caçando bichos, me dê um machado e mato quantos puder quantos for preciso para comprar minha liberdade.

— Um machado é?

— É — assenti. — Levi o tomou de mim, mas é a minha arma. Foi à primeira coisa que tive em mãos quando tudo começou aprendi a manuseá-lo bem o suficiente para não errar.

— Nem todos aqui têm armas, e liberdade não é comprável. Entenda você agora é propriedade minha, ou seja, propriedade do Negan. Vou achar uma função para você, enquanto isso pode limpar minhas botas e ficar feliz com isso ou pode ser comida dos bichos lá fora, você escolhe. Está na minha área, você não é você. Você agora é Negan!

Não podia morrer, isso não era uma opção. Precisava me manter viva, por Sam.

 

Depois de limpar as botas e todo o restante do cômodo fui levada novamente para um dos quartos escuros, fui jogada junto com o rapaz de cabelos escuros. Daryl. Ganhei um pedaço de pão e um copo de água, comi com vontade eu estava com tanta fome que poderia comer as paredes do lugar, Daryl deve ter percebido porque esticou seu pão em minha direção me oferecendo.

— Não, tudo bem.

— Pode pegar.

Sua mão continuava levantada em minha direção, sem pensar duas vezes peguei o pão e comecei a mastigá-lo.

— Obrigada!

— Vou te dar um conselho, não o desrespeite ou ele tirará tudo de você.

Engoli em seco.

— Não podem me ferir, não sobrou ninguém no mundo que eu ame.

Menti, não os deixaria saber sobre Sam, isso me deixaria fraca e não posso parecer fraca. Os fracos sempre são os primeiros a serem descartados como lixo.

— Sempre existem pessoas com quem nos importamos — Daryl me encarou. — Mesmo que no fundo.

 Pensei em Emília, Byron.

— Ele fez algo com você? Com quem você se importava?

Daryl não respondeu, mas pareceu pensar nisso. Acho que no fundo, todos que sofrem carregam o vazio de alguém, sobretudo, alguém com quem nos importamos. Deixei o pão repousar sobre minhas pernas pensando sobre não conseguir fugir e encontrar Sam, a sensação de impotência derrubou uma lágrima de meus olhos. Só queria estar com ele, não posso imaginar como deve estar assustado. Ele é tudo o que me restou, é o que me faz continuar humana.

— Você sabe cantar?

Perguntei a Daryl que balançou a cabeça negativamente. Meus lábios começaram num sussurro que logo se transformou numa canção de ninar que de algum modo me deixava em casa, com Sam.

Em algum lugar além do arco-íris
Os céus são azuis
E os sonhos que você ousa sonhar
Realmente se realizam

Um dia vou fazer um pedido pra uma estrela
E acordar bem além das nuvens
Onde problemas derretem como gotas de limão
Acima das chaminés
É lá que você vai me encontrar

Daryl me encarou, minha voz cessou foi quando ouvimos os primeiros tiros.


Notas Finais


Resolvi colocar um pouco da história de Joy antes de tudo, ainda há algumas coisas para explicar, mas ficará para os próximos capítulos. O apocalipse nesta fanfiction ainda é um pouco recente.
Instagram: @amyfreii
http://amynizando.tumblr.com/ask


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