História Cold blood (pernico) - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Os Heróis do Olimpo
Tags Pernico, Yaoi
Exibições 38
Palavras 987
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu consegui um tempo para escrever, depois de meses! Eu nem tô acreditando.

Capítulo 14 - Tempestade


Fanfic / Fanfiction Cold blood (pernico) - Capítulo 14 - Tempestade

  As águas do oceano eram turbulentas, entoando mistérios antigos. Na imensidão submersa não há distinção alguma entre o bem e o mal, o tudo e o nada: sabemos que a luz não alcança as profundezas. Profundezas essas que guardam os antigos mistérios da vida, e da morte. Afinal, toda vida emergiu das águas, abismo aquoso caótico e nutridor.

 

  Em meio a uma ilha isolada, localizada no pacífico norte, era possível encontrar uma construção um tanto quando curiosa em meio a esse cenário repleto de selvageria e imensidão. As paredes eram revestidas de aço, e o edifício estava fixado por bases de aço, suspensas em algum lugar profundo e distante por entre as águas. Do solo, surgiam grandes placas circulares com grandes vidraças enfeitando os cômodos. Ah, que bela visão utópica seria adentrar este lugar. Muitos pensariam em um refúgio dentro do oceano, porém pouquíssimos teriam a audácia e o dinheiro necessário para construir algo tão majesticamente engenhoso. Bem, Anahí tinha seus propósitos.

  

  Sem se preocupar com o certo e o errado, aquele homem era a própria tempestade, a ambição viva. Ao se revoltar contra o sistema a que lhe fora imposto enquanto trabalhando a serviço da marinha, seus colegas e pessoas a quem havia ajudado foram brutalmente caçadas pelos oceanos afora. Este glorioso homem recusava-se e jurava sob o próprio sangue afastar-se das ondas, que agora fluíam por suas veias. O sal marinho era o que mantinha seu coração bombeando e seu corpo vivendo e andando. Dotado de uma inteligência inalcançável para qualquer ser humano, ele salvou todos aqueles que eram dignos de sua atenção. Mais importante, ele tinha sede por conhecimento, e buscava exatamente isso em seus aliados. O que teria levado esse grandioso homem – se é que podemos chamá-lo de homem – para sua auto-destruição? O que seria isso se não o amor por alguém que ele jamais poderia ter?

 

  Amar alguém, para Anahí, era como amar uma borboleta. Como devemos falar com as borboletas? Nossos olhos admiram-nas, mas sabemos que nossas mãos são pesadas demais para tocá-las. Não queremos rasgar suas asas, não queremos machucá-las, mas queremos protegê-las. Ensiná-las. Ele era o tipo de homem que poderia revolucionar toda a humanidade, mas tinha medo de depositar o conhecimento errado nas mãos erradas. E a cada dia que se passava, ele desistia de amar. Então um dia ele deixou seu refúgio e levou consigo os mais jovens, que haviam nascido em sua fortaleza. Deixou seu amado para trás, e junto com ele, deixou seu amado oceano para trás. Sua única razão para viver agora seria manter aquelas crianças vivas, mas escondendo a verdade de todas elas. Escondendo a verdade de vocês. Ele se destruiu para salvar cada um de vocês, e perdeu sua sanidade.

 

  Em seus últimos dias, ele surtou. Matou. Esperançoso, relembrou-se do sentimento mais intenso que jamais havia sentido em toda sua vida. Lembrou da borboleta que cuidou com tanta dedicação durante anos, lembrou-se de como foi amar. Foi então que descobriu que seu amado também possuía suas próprias borboletas. Uma família inteira a qual havia deixado para trás para poder sobreviver. Então ele buscou incansavelmente o filho do homem por quem se apaixonou. Ele buscou incansavelmente por Percy.

 

 

 

 

 

 

  

   “Garoto” disse o homem que havia nos libertado, referindo-se a Percy. “Ele ainda está vivo, sei que ele decidiu deixar a fortaleza, e assentou-se em uma ilha, porém segundo seus depoimentos mais recentes, ele está se aproximando da América.”

 

   Depois de tudo, Percy estava perturbado mentalmente, com um olhar vago e cansado. Seu comportamento havia mudado drasticamente, pois ele não mais sorria ou apresentava a mesma serenidade de antes. Ele recusava-se a falar com qualquer pessoa, e sempre que eu tentava ajudá-lo, ele fugia. Dias haviam se passado com tentativas falhas de reanimá-lo. Decidi então deixá-lo, pois não queria causar-lhe mais sofrimento. Eu havia me enganado ao pensar que conhecia o garoto plenamente. Por trás de sua máscara, haviam ferimentos muito abertos que ele não havia ainda notado. Eu receava que minha presença fosse fazê-lo lembrar do ocorrido aquele dia.

 

  Caminhei até seu quarto, e abri uma fresta na porta. Não olhei para dentro, apenas abri o suficiente para que ele pudesse me escutar.

 

   “Sei que não nos falamos nas últimas duas semanas” ... “Mas eu achei que você gostaria de saber que estou indo. Não sei para onde, mas tomei essa decisão pensando no melhor. Foi bom conhecer você. Obrigado por absolutamente tudo. Obrigado por me mostrar que ainda há esperança. Profundamente, você sabe disso. Você só precisa se reencontrar.”

 

   Eu sei que ele ouviu, porque eu escutei ele resmungando atrás da porta. Algumas lágrimas rolaram através de meu rosto, pois eu não queria deixá-lo, mas eu não suportava vê-lo em tais condições. Minhas botas estavam afundando em poças de lamas infernais por conta da pesada chuva que condenava o meu caminho tortuoso e solitário. Uau, isso ficou poético.

 

  Quanto mais eu me afastava daquela perdida casa entre as árvores, mais eu me esquecia de detalhes do local. Eu sorri ao me lembrar de Percy, ao menos como ele costumava ser. Me senti levemente culpado ao pensar que havia desistido dele. E se ele não quisesse que eu fosse? Bem, confesso ter me sentido machucado, pois ele nem ao menos disse “Espere”, ou “Está bem”, ou ainda um simples “Tchau”. Eu continuei andando, e a culpa e vazio começaram a desaparecer de minha mente. A chuva se intensificou, então eu decidi deitar sob uma árvore. Encolhi meus braços para me proteger do frio, e foi então que o desespero me atingiu. Para onde eu iria? Pensei até mesmo que poderia morrer bem ali, que talvez não faria diferença. Cedo ou tarde todos nós iremos, não é mesmo? E foi com esse pensamento que eu dormi.

 

 

   Abri os olhos lentamente, esperando por uma manhã ensolarada para continuar minha viagem. Por um momento senti um cheiro familiar, e percebi que havia um peso em meu ombro... 



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