História Cold Boy 2 - Capítulo 29


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Lemon, Original, Yaoi
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Palavras 3.119
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Boa noite, amores!
Segunda parte da conversa. Obrigada por lerem e por comentários.
Boa leitura!

Capítulo 29 - Face tht Pain


Aproveitei o tempo que Uber tinha saído com Amélia -para a deixar na casa da avó- para tomar um banho e pôr a cabeça no lugar. Chorei mais um pouco quando estava me banhando. Não consigo deixar de pensar o quanto o magoe e o quanto magoe a mim mesmo. Isso machuca e nem faço ideia de quanto o machuquei ao fazer tudo o que nunca deveria ter feito.

Depois que terminei o banho, pus uma roupa leve e fui para a sala. Fiquei sentado no sofá, pensando no que fiz da minha vida e do meu relacionamento, esperando que Uber voltasse para que pudéssemos tentar conversar.

Apesar que não existe muita certeza de que ele realmente irá voltar. Uber nunca foi de tomar essa iniciativa de levar a filha para lá, só deve estar fazendo isso para a manter longe dessa situação, da nossa situação tão vergonhosa. Na verdade, agora quando paro para pensar, acho que esse erro, todas esses erros e mentiras foram mais bobos do que outra coisa.

Um erro que eu simplesmente não devia ter cometido e nem deixado acontecer. Foi um descuido que me fez enfrentar dentro de mim, os meus próprios demônios. Acho que eles venceram, pois agora, quando me olho no espelho, não me reconheço mais. Eu não era esse tipo de pessoa que acabei me tornando e eu odeio isso.

Desde de muito cedo, meus pais, principalmente a minha mãe, sempre me disseram que quem ama não trai e eu acabei fazendo isso com Uber, de várias formas possíveis. Acabei deixando que um erro atrás do outro, fossem significativas para os meus. Fui covarde e agora percebo o quanto. Deveria ter simplesmente sentado com Uber, e conversado com ele sobre como me sentia, sobre como estava sendo difícil para mim, e talvez, se eu tivesse compreendido um pouco o lado dele também, não estaria assim.

Uber é uma pessoa complicada de se lidar, ele se cala quando está triste ou com raiva. Não fala muito do que pensa e, é um pouco grosseiro na maior parte do tempo. Olhando assim, ele parece ser o tipo de pessoa não tem nenhum sentimento, que é frio e vazio, mas sei que Uber não é nada disso.

Em todo o tempo que moro com ele, em todos esses anos de relacionamento, nunca o vi chorar. Isso porque ele nunca derramaria uma única lágrima na minha frente. No fundo, Uber só não quer se machucar de novo, ao mesmo que não quer ser fraco para dar apoio a mim e a filha.

Mas agora, não deixo de pensar na dor que causei a ele. Agi como um covarde e não só com ele, e por mais que não sejam minhas intenções, magoe a pessoa com que mais me importo, a pessoa que agora, deve me achar um completo mentiroso e traidor e infelizmente, de alguma forma, sei que acabei me tornando essa pessoa.

Desde que fui sequestrado, me sinto diferente. Sinto que não sou mais o mesmo, mas não esperava de mim mesmo que pudesse ser tão cego e me esquecer de como ele é, e correr para o que era mais fácil. Afinal, Ruben sempre foi uma pessoa espontânea, diz o que quer e o que pensa, o que sente.

Demonstra tudo, desde raiva a amor e alegria e tenta ser gentil o tempo inteiro, mas ele não é perfeito, ninguém é. Contudo, se tivéssemos sido o suficiente um para o outro, nunca teríamos terminado para começo de conversa e talvez seja mais fácil cair na dele porque Ruben foi o primeiro homem e amor da minha vida.

A pessoa com que tive todas minhas primeiras vezes no amor e por isso, deve haver uma conexão entre nós, mas nada que possa se chamar de amor. Para ser realista, todas ás vezes que estive com ele, pensava em Uber, e falava sobre Uber. Ele sim, está sendo e é o centro da minha vida e mesmo nesse momento de tanta dor, da descoberta das mentiras que contei, ele faz coisas que acho que praticamente nenhum homem faria.

Por exemplo, esse apartamento está no nosso nome, mas foi ele que veio morar comigo e com a filha que eu adotei também, ou seja, Uber poderia simplesmente pegar Amélia e ir embora, me deixar aqui e pronto, acabar com tudo. No fundo sei que mereço isso, mas ele não fez e talvez seja essa mais uma prova de que estivesse errado o tempo todo.

Uber é o homem da minha vida e eu me deixei cegar pela culpa, dor, medo e pressão de tudo o que estava acontecendo, a ponto de não ver mais isso. E seja como for agora, vou ter que arcar com as consequências dos meus atos. Sou um homem adulto e fiz escolhas erradas, pus em risco tudo o que tinha com Uber e sei que se ele não quiser mais me perdoar, quiser ir embora e nunca mais me olhar na cara, não vou poder reclamar, porque foi eu que cometi o primeiro e mais grave erro desde do começo.

Dei um salto assim que vi a porta sendo aberta.

Uber entrou por ela com a cabeça baixa e a mão direita no bolso e a outra segurava a chave de casa. Levantei na mesma hora. Ele fechou a porta e tirou a chave da fechadura. Notei que invés de guardar no porta chaves perto do móvel, colocou as chaves no bolso do casaco preto que usava.

-Uber, vamos conversar. — Apressei-me em pedir, antes que tivesse chance de ir ao quarto e se trancar. Não sabia o que poderia ser dito e nem quanta dor causada pelo o que poderíamos dizer um ao outro, mas era necessário expor o que sentimentos. Deixar que as feridas sangrem para quem sabe, com o tempo, possam cicatrizar, se ainda houve chance para isso.

-Tudo bem, o que você quer dizer? — Indagou-me. Tirou as mãos do bolso e deu dois passos para frente. Ficamos quase que cara a cara apesar da distância, mas estávamos olho a olho.

-Que eu sinto muito. — Pensei em começar pelas desculpas, pelo perdão, que acho que era a única coisa que realmente importava, mesmo que não fosse algo que pudesse ser conquistado assim e que na verdade, até arrisco dizer que nem sei se vou conseguir algum dia.

-Acha que desculpas mudam o que eu vi hoje? — Se não soubesse, diria que podia ouvir ódio na voz dele, por cima de toda a mágoa.

-Claro que não, mas eu...

-Me diz, o que você estava pensando quando ficou se agarrando com outro homem dentro de um fórum judicial? — Não deixou eu terminar.

-Eu não sei... Eu...

-Foi por isso que você me pediu para esperar lá fora naquela hora? Para se encontrar com ele?

-Não foi nada disso. — Neguei logo. — Encontrei-o no acaso do momento.

-E quantas vezes esse acaso de momento aconteceu? — Uma nota de raiva a mais veio acompanhada do leve sarcasmo no ´´acaso´´, Uber me odeia agora, e não posso tirar a razão dele.

-Sim, eu saí escondido com ele algumas vezes, mas em todas nós só conversamos.

-Jura e o que mais? — O sarcasmo dele se misturava a raiva.

-Nada.

-Me diga logo a verdade. — Exigiu novamente, se controlando para não começar a gritar.

-Não tem nada do que você acha que tem. — Digo. Sei o que ele deve estar pensando, mas a verdade não é tão profunda quanto ele acha que é.

-E o que tem, huh? — Uber estava me provocando. Era a raiva que estava presente na voz dele naquele momento, bem mais do que a dor.

-Quando fui para o julgamento pela primeira vez, não esperava o encontrar lá. Nós só conversamos como você mesmo deve ter visto e ele propôs que fôssemos amigos. — Comecei a contar, sentindo vergonha de mim mesmo.

-E quando essa amizade mudou para você se agarrando com ele? — Pude sentir o nojo acrescentado à sua pergunta.

-Não precisa falar assim...  

-Me diz logo a droga a verdade, Frey! — Exigiu com um timbre mais alto de voz, beirando a um belo berro de irritação.

-Não sei como aconteceu, tá legal? — Devolvi irritado como ele, deixando-me levar pelo impulso de um momento, que logo passou. Me acalmei e puxei na memória dentro de mim mesmo, um resumo de tudo o que aconteceu, para explicar para ele e tentar entender de mim mesmo, como que as coisas ficaram assim, sem que eu me desse-conta do quanto estava me afundando. — Começamos a conversar mais e eu comecei a desabafar sobre como me sentia pressionado e mal com o julgamento e ele me dava conselhos e carinho até que chegou um momento em que ele me beijou. Foi uma surpresa, então deixei acontecer e não sei o que me deu, mas eu correspondi e isso aconteceu mais algumas vezes, até que uma semana antes deles serem condenados. Ele disse que não queria mais ser só mais meu amigo, que queria mais. Não dei resposta, não consegui dar e decidi que não queria mais o ver, que não podia fazer isso com você, então sumi do caminho dele e nunca mais falei com ele até o dia de hoje.

-Por que não me disse? — Bufou ao perguntar. Ele estava mais calmo na questão da raiva, acho que era a vez da dor ter a sua deixa.

-Porque eu estava com medo de te machucar, de te perder. — Disse mais dócil, tentando novamente me justificar como se isso fosse resolver a alguma coisa.

-E o que foi aquilo hoje? — Tirou as mãos do bolso, apertou os punhos. Provavelmente só a lembrança o deixa totalmente irritado.

-Fiquei esperando o advogado e depois que ele apareceu e me disse que o recurso da Clarisse tinha sido recusado, fui embora, mas no meio do caminho encontrei com Ruben. Tentei me esquivar dele, mas houve insistência para que conversarmos e eu aceitei. Expliquei para ele como me sentia e que tudo tinha sido um erro. Ruben começou a chorar e disse que eu o tinha magoado e queria um beijo de despedida. Primeiro foi a força, mas depois que ele disse que seria o último, deixei que me beijasse, mas foi só isso. Eu juro que nunca fiz sexo com ele. Nunca cheguei perto disso e nunca senti por ele o que sinto por você. — Contei toda a verdade para ele. Só que essa parte, talvez não precisasse existir, se meu erro não tivesse ido tão longe.

Não havia nenhuma alteração na face nele e nem nas suas expressões ao término do meu discurso sobre a verdade, sobre o que realmente aconteceu. Continuava tudo do mesmo jeito, o seu olhar frio e cheio de desprezo, como se tudo o que eu disse não valesse de nada. Bem, considerando tudo, pode ser que para ele realmente não valha e se for o caso, então só pode haver o fim para nós.

-Você ama ele, Frey? — Questionou sério, depois de alguns segundos de silêncio, me encarando. 

-Não, eu amo você. Já disse que amo você. — Declarei verdadeiro, mas imagino como isso soou mentiroso aos seus ouvidos.

-Se realmente me amasse teria me dito a verdade. — Resmungou alto.

-Não acredita em mim? — Franzi o cenho. Ver que ele se recusa a acreditar no que digo me fere. O que posso dizer, quando contei só mentiras e com o que ele viu hoje?

-Por que eu deveria? — Seu olhar sobre mim ainda era de raiva e apesar de respeitar a sua razão, naquele momento, precisava de amparo, que ele acreditasse em mim, que confiasse em mim de novo e não posso ter isso. Não posso ter porque eu mesmo estraguei tudo.

-Olhe nos meus olhos e veja se estou mentindo para você. — Dei alguns passos em aproximação a ele, olho no olho era o que tinha, mas sabia que a verdade não era o bastante para mudar o que houve. Nada é, e nem vai ser.

-Não me importa se é verdade ou mentira o que você, o problema é o que você fez. Na frente de Amélia ainda por cima. — Voltou a jogar a culpa na minha cara. Isso só serviu para me deixar mais desesperado e até mesmo um pouco irritado, porque eu não sabia mais o que falar, não sabia mais como me justificar e nem como fazer com que ele me perdoasse, que era tudo o que eu queria.

-E o que você que eu faça, Uber? — Acabei por me exaltar sem nem perceber. — Não posso mudar o que eu fiz, mas eu já disse que sinto muito.

-Se ponha no meu lugar e pense se simples desculpas ou pedidos de perdão iriam resolver. —Não tive palavras para dizer a ele. Nunca na minha vida fui traído e não posso imaginar a dor que isso possa trazer, que no caso dele, ficou tão ampliada por suas tentativas de se manter firmemente acreditando em mim. — Tentei muito acreditar em você. Respeitar a sua dor, mas tudo o que acabei recebendo foram mentiras.

-Sei que errei, mas a culpa não foi só minha. — Tentei me consertar, só que de maneira errada.

-Não disse que era. — Sibilou baixo.

-Você também me magoou, me pressionando a continuar naquele maldito julgamento, em que eu estava sendo humilhado na frente de todos e sempre se exaltando quando eu dizia para você que não queria mais ir, invés de me dizer que me entendia. — Desabafei enquanto ele só me olhava como se eu estivesse dizendo os piores absurdos possíveis.

-Eu entendo, Frey. — Alegou honesto.

-Não foi o que pareceu. — Deixei escapar em tom acusatório.

-Eu estou do lado. Sempre estive nos últimos anos, não pode me acusar de te abandonar porque eu nunca fiz isso.

-Mas eu estava frágil e não sabia mais o que fazer! — De novo, me vi jogando a culpa dos meus erros nele, e nos meus problemas, no que aconteceu comigo. Será que é certo fazer isso? Será que esses motivos são justificáveis, ou será que não existe justificava para se trair a confiança da pessoa que confia em você?

-Meus pais me odiaram e me desprezaram desde que nasci. As pessoas sempre me odiaram por causa da cor dos meus olhos, por eu ser diferente dos que outros acham que eu deveria ser. — Começou como um desabafo. Uber praticamente nunca fala sobre como se sente ou do seu passado, estranhei que estivesse fazendo isso agora e que principalmente, que estivesse colocando esse assunto entre nós dois, com algo que não tem nada a ver com o que estamos discutindo nesse momento.

-Eu sei disso, mas...  — Pretendia questionar sobre o que isso tinha a ver conosco, mas nem tive tempo.

-Larga a mão de infantil, Frey! — Cortou-me a base dos gritos. Os ânimos entre nós começaram a se acender e de repente, me vi sem o controle das minhas próprias palavras. Vi a raiva me subindo a cabeça e os resultados seriam desastrosos, sabia desde já.

-Você que sempre foi um grosso! — Perdi o controle de mim mesmo, comecei a chorar sem parar. Mal dava para respirar, mas a briga continuava intensa e quanto mais falávamos, mais nos magoávamos. — Eu só queria que tivesse ficado do meu lado quando eu disse que não aguentava mais.

-Acha que tinha alguém do meu lado para secar as minhas lágrimas, ou me consolar quando eu cheguei em casa e encontrei a minha filha morta no chão? Acha que teve alguém para me abraçar enquanto arrancavam Amélia dos meus braços e me acusavam de matar Stella? Acha que teve alguém para me dizer que tudo iria ficar bem enquanto eu era espancado dentro da cadeia por dizerem que eu deixei a minha filha morrer? — Vi os olhos de dele se encherem de lágrimas a cada palavra dita. Nunca o vi chorar na minha vida e eu agora eu vejo, vejo ele despejar a sua dor para fora de modo que nunca fez antes e diz tudo isso com tanta força, que juro que poderia sentir a dor dele ralando a minha pele, entrando em mim e me destruindo tanto como ele estava.

-Uber...  — Quis o interromper e dizer o quanto sentia muito, mas ele continuou a falar, a gritar a sua dor bem alto.

-Acha que alguém fez algo por mim quando eu implorei para que deixassem-me ao menos ir ao enterro dela? Acha que teve alguém para me garantir que você já não estava morto depois que fiz aquela ligação, ou acha que teve alguém para ficar ao meu lado quando eu tive que desistir da minha filha para salvar a sua vida? Ou quando eu tive que largar tudo para consolar a sua dor?!

-E eu? — Me senti um pouco desprezo nesse todo despejo de dor, mas eu merecia.

-Exatamente. — Seus olhos fumegavam raiva e dor, brilhavam com as lágrimas que estavam lá, mas não eram derramadas, apesar das vaciladas na sua voz que ficava levemente embargada. — Confie em você, confie na pessoa que amo e novamente só fui enganado e pisado como todas as outras malditas vezes.

-Sinto m...  — Eu não conseguia parar de chorar e muito menos, encontrar formas para me desculpar com ele, por destruir o mundo dele o meu também.

-Tudo o que fiz até hoje foi fazer o que pudesse para que você não ficasse sozinho, para que não sentisse o que eu senti porque eu te amo e mesmo assim, você tem o seu amigo, os seus pais e eu nunca tive nada disso, Frey. Então, se eu cometi erros com você, deveria ter me dito e não ficar se agarrando com outro homem pelas minhas costas. — Falou mais baixo, mas não menos alterado. Uber fechou os olhos e respirou fundo, para se acalmar. Não disse mais nada, se virou de costas e voltou a ir em direção a porta.

-Vai me deixar? — Perguntei com o coração na mão quando o vi colocar a mão na maçaneta.

-Eu deveria...  — Respondeu-me. — Mas não vou. — Abriu a porta e saiu, deixando só o ruído da porta batendo com força e depois só silêncio da dor que causamos um no outro, que eu causei mais nele do que ele em mim. Era esse tipo de silêncio que ficou no ar, que estava nos quebrando e que tive certeza que iria nos quebrar ainda mais, e nos ferir mais do que já estamos, mais do que ele já está.


Notas Finais


Até o Próximo!


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