História Cold Boy 4 - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Original, Sexo, Violencia, Yaoi
Visualizações 70
Palavras 3.030
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Slash, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa madrugada, amores!
Muito obrigada a todos que leem.
Boa leitura!

Capítulo 6 - Ultimatum


Saí do banheiro, me sentindo melhor e menos dolorido. Apesar que tomar banho ainda é uma ação meio complicada no mínimo. Caminhei lentamente, me apoiando um pouco sobre a bengala de ferro que tenho usado para andar. Não é algo permanente, estou bem melhor, mas como sinto muita dor ao esticar demais as costas. Uso a bengala emprestada para me movimentar sem sentir tanta dor.

Com o pequeno percurso, consegui chegar logo até o meu quarto e fui até a cama. Sentei nela e deixei a bengala encostada contra a parede. Me sinto um senhor de idade com tudo isso, mas não posso fazer nada. Afinal, como me disseram, tive sorte de não perder os movimentos das pernas e depois que retiraram o meu baço. Eu me sinto um pouco enjoado o tempo todo e os remédios também fazem isso.

Não gosto, mas também não vejo mais como sendo de todo ruim. Ao menos, estou vendo a melhora acontecer e meu corpo se recuperar e voltar ao normal, como um guerreiro que renasce de suas feridas. Um pouco de exagero, eu sei, mas depois de tudo o que passei, tenho sorte de não estar pior do que já estou, fisicamente falando e mais sorte ainda de me recuperar bem no tempo que tem passado.

Com mais alguns dias de cuidado e descanso, pude enfim, começar a voltar ao normal e o que mais me faltava mesmo, acabou retornando naturalmente; caminhar. Eu ainda não conseguia ficar em pé por muito tempo e andar era um tanto doloroso, mesmo com os remédios que tomo diariamente, mas faço um esforço e ando pela casa sempre que dá, e tento fazer minhas atividades sozinho, apesar de ainda precisar de ajuda.

Eu me sentia mais seguro em casa, e enquanto me recupero, tudo o que ouço a polícia é que eles ainda não conseguiram encontrar Gavin, mas que estão à sua procura a todo vapor. Especialmente depois que ele atacou outra pessoa na rua. Tento simplesmente não me afetar por isso, não quero acabar ficando totalmente paranoico como antes. Só que também não posso negar que tenho muito medo, e só e pensar em sair na rua sozinho, quando eu sarar, me assusta. Mas não falo disso para Amélia e nem para Murilo, e muito menos para Uber.

Não quero os preocupar com minha fraqueza.

Meus pais continuam na cidade, mas eles não estão conosco. Eu decidi por eles que não poderiam ficar na minha casa, desrespeitando Uber enquanto estou aqui e eles acabaram por respeitar isso, acho que era o que eles queriam também e ficam no hotel, bem próximo a minha casa. Eles vem me ver todos os dias e nós conversamos um pouco. Tudo foi se acalmando conforme, eu melhorava, mas eles ainda destravam Uber, e ele simplesmente fingia não ligar. Já com Amélia as coisas eram diferentes, eles a tratavam muito bem e tentavam esconder a tensão que havia no ar.

Não comentei nada sobre o assusto com Amélia, mas sabia que ela iria ficar muito triste se soubesse e visse a forma como eles tratam Uber quando nem eu e nem ela está por perto. O erro deles é achar que eu não vejo, e Uber deve pensar o mesmo. Imagino eu se isso não machuca profundamente, pôr o lembrar de como os próprios pais o tratavam.

Ele nunca fala deles, sequer os menciona e não sei nem se eles estavam vivos ou não, é como se eles simplesmente não existissem, e como Uber diz que é exatamente assim que eles queriam, não falo nada. Sequer comento no assunto, simplesmente porque não quero que ele se magoe, só que a atitude dos meus pais não deve ajudar muito.

Pelo menos, eles estavam se acalmando ao perceber que ficaria bem, apesar de ainda insistirem muito para que vá embora do país. Eu continuo me recusando e já proíbe Uber sequer de mencionar esse fato. A possibilidade nem se passa por minha cabeça e não faço a menor questão que passe. Para mim, ir embora seria apenas fugir e da última vez que tentei fugir, quase perdi a pessoa que mais amava na vida e não vou fazer isso de novo.

De jeito algum!

-Não vou mentir. Eu comprei na loja da esquina, mas eu vi lá e não resisti. — Amélia falou ao entrar no quarto com uma sacola e dois pratos e dois gafos na mão. Pelo nome na sacola, eu sabia que era de uma doceira.

-Assim vou acabar ficando viciado em doces mais do que já sou. — Faço menção de levantar, para ir na direção dela, mas ela ficou levemente nervosa por meus movimentos.

-Não precisa levantar, eu sirvo. — Diz ela, querendo evitar que eu me movimente demais.

-Eu consigo andar já. — A relembro calmamente, apesar de saber que não adianta muita coisa eu ficar dizendo isso.

-Deixa eu servir, Frey. — Insistiu, eu acabei desistindo.

-Tudo bem.

Ela colocou a sacola sobre a escrivaninha do quarto. Tirou desta um belo todo enfeitado com chocolate, morango e chantilly. Colocou sobre a superfície plana e tirou da embalagem. A observei também tirar uma faquinha de plástico de dentro da sacola e cortar dois generosos pedaços e colocar cada um no prato de louça, junto com um garfo. Ela então veio até mim e me ofereceu os dois pratos com o bolo.

-Obrigado. — Peguei só um, queria que ela comesse o outro. — Come um pedaço também.

-Eu comprei para você.

-Não vou conseguir comer um bolo inteiro sozinho, Amélia.

-Aceito então. — Ela se sentou ao meu lado e começou a comer o bolo. Fiz o mesmo e devo parabenizar quem fez, pois é muito bom mesmo.

-Para que você pediu dinheiro para comprar um bolo caro desse? — Quis saber, já que ela não tem mesada e nem trabalha e aquele bolo era claramente de um alto custo.

-Para o Anderson. — Responde sem graça. Lembrei na mesma hora que ela mencionou certa vez, que invés de dar um presente, o namorado dela prefere lhe dar dinheiro para comprar um.

-Não deveria usar os presentes que ele te dá para me comprar as coisas.

-Ah, mas eu queria fazer algo por você.

-Já tem feito muito, querida. — Digo eu. E como ela tem feito. Amélia tem cuidado muito de mim, chegando a deixar de fazer algumas coisas ou atividades, só para me ajudar. Ela é uma ótima menina com certeza. — Mas enfim, agradeça a ele por mim.

-Farei isso quando puder.

-Aliás, faz quanto tempo que você não sai com ele e com a Lari? — Indaguei, pensando em todo o tempo que ela tem perdido cuidando de mim e resolvendo por mim mesmo, fazer algo por ela, como agradecimento e compensação por ela ter me ajudado tanto. 

-Algumas semanas. — Responde e tive certeza de que ela merecia uma escapada.

-Por que não aproveita e sai hoje? A tarde está bonita.

-Prefiro ficar em casa.

-Amélia, são os mais velhos que tem que cuidar dos mais novo.

-Tem essa exceção.

-Você tem cuidado muito de mim, querida. Você e o seu pai.

-É preciso.

-Mas você tem que viver, adolescência só acontece uma vez.

-Papai não deixaria de qualquer jeito. — Sacudiu de leve os ombros, claramente usando Uber como desculpa.

-Eu sou seu pai também, lembra!?

-Lembro.

-Eu te dou permissão. Se arrume e sai com ele.

-É melhor...

-Aproveita, Amélia. Vou aguentar o tranco do seu pai para que você possa se divertir, só não vai longe demais.

-Tudo bem.

-Boa menina.

-Você e o pai são pessoas muito fortes, queria ser como vocês.

-Ora, você é, querida. — Digo. Ela nem percebe, mas acho que ela consegue ser mais forte até do que nós mesmos.

-E me desculpe... 

-Pelo o quê?

-Eu nunca me desculpei antes pelo meu comportamento naquele dia, é que...  — Não a deixei terminar aquela frase, não queria mais ouvir nada disso vindo dela e nem de mais ninguém.

-Todo mundo já foi adolescente. É uma das fases mais complicadas da vida e têm muitas coisas que você viveu, que a maioria das jovens não viveu, é normal se sentir sufocada às vezes. Todo mundo tem esse sentimento, o que importa é que você conseguiu lidar com isso e com muito mais. Você com certeza me dá muito orgulho e vai dar ainda mais quando ficar mais velha e se tornar a mais bela mulher que eu vi na vida.

-Obrigada...

-Agora vai lá. Se arruma e quando terminar, venha aqui que vou te dar cobertura.

-Mas isso não errado? — Ela indagou. Para mim, seria errado se ela não tivesse permissão de ninguém, e estou dando sem o menor problema. Ela merece um tempo e sei que ela é uma boa garota e vai voltar na hora, como sempre faz quando sai.

-Não, porque eu vou contar para ele logo depois que você sair e porque eu deixei, mas volte antes da dez pelo amor, né?! — Peço, eu estava dando permissão e com Uber eu lidava depois, apesar que duvido que ele fique realmente bravo comigo de qualquer jeito.

-Sim.

-Vai lá então. — Incentivei de novo, sem medo de mais nada. Quero que ela tenha uma noite agradável, ela merece.

Amélia finalmente cedeu em me ouvir e deixou o pratinho sobre a cama e saiu correndo para se arrumar. Eu não pude deixar de sorrir por ela, me sinto muito bem e feliz em ver como está indo vida dela e não quero atrapalhar isso de jeito algum. Simplesmente quero que as coisas voltem ao normal, ao menos a medida que for sendo possível para todos nós.

Ela voltou pouco minutos depois, com o cabelo arrumado, maquiada, usando uma calça jeans, botas e uma bela regatinha. Pedi para que ela me dissesse onde iria e ela me disse que iria se encontrar com ele no cinema da cidade. Dei um beijo nela e até emprestei um pouco de dinheiro para ela comprar alguma coisa para comer e em seguida, fui com ela para a sala.

Ela iria sair às escondidas mesmo e eu estava acobertando, mas era só do Uber mesmo.

Olhei para a sala vazia e dei sinal para que Amélia passasse, sem ser percebida. Ela murmurou outro agradecimento e saiu logo. Antes que ela passasse pela porta, avisei para ela não voltar tarde e ligar se algo acontecesse. Eu estava sendo cúmplice da minha filha adolescente, mas para mim está tudo bem dessa vez. Com tudo o que ela tem feito, é algo merecido.

Eu sabia que teria que falar com Uber, então assim que ela saiu, segui para a cozinha.

Chegando na cozinha, eu vi vozes de mais uma pessoa e sabia que não era de Murilo, e nem do seu namorado. Me aproximei da porta encostada, algo que já notei como sendo estranho, já que a porta da cozinha nunca fica encostada assim. Ouvi três vozes, uma era a de Uber e as duas pertenciam aos meus pais. Não esperava que eles viessem aqui escondido, mas como estavam claramente conversando com Uber, é lógico que o fariam. Ainda mais nessa situação, então não me surpreendi, só parei para ouvir o que eles diziam.

-Quero que nos perdoe por nosso comportamento nos outros dias, mas sendo pai, você sabe como nos sentimos. — Era mamãe que se desculpava, parecia um pouco arrependida, mas nada disposta a desistir do seu outro ponto de vista.

-Eu sei. — Uber murmurou friamente.

Resolvi dar uma espiada; Uber estava perto da pia, quase se encostando nela e meus pais estavam na sua frente, um do lado outro, de costas para a porta e no caso para mim. Mas nem Uber percebeu a minha presença, eu fiquei só ouvindo.

-Não queríamos faltar com você respeito com você e não o culpamos pelo o que houve com Frey. — Papai continuou, sério e levemente severo, como esperar do seu jeito. — Só queremos o melhor para ele.

-Não quero nada de diferente disso. — Olhou para eles ao afirmar isso e apesar sua forma meio-imparcial de agir e até um pouco fria. Eu não era bobo o bastante para não perceber como ele me parecia estar um pouco acuado.

Imagino que ele deve ter se sentido do mesmo jeito antes, quando ele foi os buscar no aeroporto e eles conversaram. Porém, eu imagino que daquela vez, deve ter sido pior, pois era quando eles estavam mais nervosos devido a minha situação.

Gostei de ver eles se desculpando com Uber, mas eu sentia no modo como eles falavam que tinha muito bom, não iria simplesmente acabar ali, num simples pedido de desculpas, e se fosse o caso, eu iria intervir da melhor maneira que conseguisse. Mesmo que não tenha muita confiança no meu bem-estar para isso, mas sinto que devo o defender, e acabar com esse assunto. Mas como não tinha certeza, se iria ser necessário, fiquei ouvindo um pouco mais.

-Nós entendemos e apenas estamos preocupados com a segurança dele.

-Se passa pela minha cabeça que ele ir embora por um tempo, seria mais seguro, mas é a vida dele, ele tem que decidir. — Uber se esquivava um pouco do assunto, um tanto acuado como eu não estou acostumado a ver. Só não fico surpreso por isso, pois apesar de Uber ser um homem muito forte e firme emocionalmente. Eu sei muito bem como meus pais podem ser persuasivos, quando eles querem ser. Decidi então que era de agir. Respirei fundo e me dei coragem.

-Nó sabemos disso e esperamos que...  — Percebi que estava na hora de me intrometer e me impor com tudo o que poderia ter. Entrei na cozinha, certo que daria um grande ultimato em tudo aquilo e ponto final.

-Não esperam nada. — Corto o papai antes que ele terminasse de falar. Eles me olharam surpreso e Uber, continuou perto da pia, imparcial, apesar de desaprovar com o olhar o fato de eu estar caminhando pela casa com a bengala e dois pratos sujos na mão.

Eles ficaram me observando, estarrecidos, enquanto eu passava por eles, com os pratos na mão. Demorei um pouco mais do que o normal, mas cheguei na pia e depois de colocar os pratos ali, me virei para frente deles, e de Uber também.

O assunto era de todos ali.

-Frey...  — Mamãe tentou dizer algo, mas eu a interrompi de imediato, e comecei simplesmente a falar, era a hora de impor o que deveria ter imposto antes, para que haja mais respeito sobre Uber e sobre mim também e claramente deu para perceber que ficar brigando não vai resolver nada.

-Vocês são meus pais e eu amo vocês, também sou pai e sei como se sentem, mas sou um homem adulto de mais de trinta anos e sei muito bem o que estou fazendo da minha vida e quero que minha decisão seja respeitada por todos. — Olhava firmemente para ambos os dois enquanto falava. Eu estava falando muito sério e queria ser levado a sério. — Não sou incapaz e sei muito bem o perigo que posso correr, mas não vou embora e não quero mais que esse assunto seja mencionado ou sequer cogitado.

Para mim está muito claro como eles precisam respeitar a minha decisão e a Uber. Não garantir que eu mesmo não teria a mesma atitude de algo assim acontecesse com Amélia e com Uber é provavelmente o mesmo, mas se fosse o caso, eu iria querer que ela fosse forte o bastante para tomar as rédeas da situação, como eu estou fazendo agora.

Afinal, é isso que é ser um adulto independente, tomar suas próprias decisões e arcar com elas, sem mais e nem menos. É tudo isso que preciso fazer por nós dois, especialmente por Uber, que eu sei que apesar de ter o jeito dele, não vá nunca tomar esse tipo de atitude, e simplesmente porque ele concorda com eles, por mais que não diga, eu sei que concorda.

-E eu quero que todo mundo aqui, respeite isso. — Falo convicto, colocando Uber nesse meio também. Não quero que ele encha a cabeça com um monte de besteiras, que não são bem verdade e ponto final.

Os dois ficaram me encarrando por alguns segundos, surpreso com a minha decisão e modo firme de simplesmente falar e decidir, sem mais delongas e nem mais nada. Era isso que eu queria de verdade, e creio que impondo o respeito deles sobre minha vida, as coisas vão mudar.

-Tudo bem. Você tem razão, meu filho. — Papai concordou comigo, apesar de não estar nenhum pouco feliz com a forma que eu agia e falava com eles, como seu fosse o pai e não o contrário, mas eu sabia que precisava me impor e me aproveitei desse momento para ter forças e o fazer.

-Nos desculpe por nos intrometermos na sua vida, sabe que só estamos preocupados como você. — Mamãe continuou e vi ali, a deixa que precisava para dar minha palavra final e pôr um fim nesse assunto e pronto.

-Eu sei, mas eu tenho amigos e um namorado que cuida de mim, até mesmo nossa filha adolescente cuida de mim. — Relembrei-o com um tom sério.

Era com meus pais que eu estava falando, mas pela primeira vez na minha vida. Eu mesmo me vi autoritário, como nunca fui de ser na minha e estava fazendo isso com meus pais, tentando agir simplesmente como um homem adulto e nada mais, o que os deixou claramente estarrecidos o bastante para mal reagirem a forma como eu falava com eles.

-Nós sabemos... — Mamãe acabou murmurando, quebrando o próprio silêncio.

-Então, que não se repita, por favor. — Determinei. Era o fim daquele assunto para mim. — Voltem amanhã para jantar conosco, quando tudo estiver mais calmo e Uber, acabei de deixar Amélia sair com o namorado. Ela volta antes da dez da noite. — Me virei e simplesmente saí, mancando de volta para o quarto, deixando o assunto morrer por ali mesmo e acabou.

Por suas expressões, eu acho que eles todos, inclusive Uber, ficaram surpresos com o meu comportamento, especialmente no estado em que me encontro. Mas é exatamente isso que quero, deixar uma boa impressão de força, dizer a eles e provar da melhor maneira que estou bem, para que enfim, tudo se acalme.   


Notas Finais


Até o Próximo!


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