História Cold Inside. Hot In Love. - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Os Legados de Lorien
Tags Romance
Exibições 25
Palavras 1.870
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OI, MEUS AMORES!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! DESCULPA, MEU DEUS! Serião, eu pareci ter abandonado a história, né? O que são dois anos de demora, não é mesmo?
Agora eu prometo. PROMETO DE MINDINHO. Que não vou demorar mais (tanto) assim. A minha vida é complicada, meus bloqueios são enormes, mas, contudo, todavia, entretanto, porém, eu já escrevi mais de um capítulo depois desse! (palmas para mim, haha!). Logo, não tardarei! E, se vocês ainda existem, vão gostar (eu espero).
DESCULPAAAAAAA!

Capítulo 2 - Capítulo II


As árvores a nossa volta começaram a entortar por causa do forte vento que começou a soprar. De repente, no céu, uma imensa nave mogadoriana apareceu. A lataria prateada reluzia como milhares de diamantes. O barulho das turbinas era quase insuportável, de modo que tive que tapar os ouvidos com as mãos.

Tínhamos que correr, nos esconder. Aquela coisa deveria estar cheia de soldados albinos de dois metros de altura, armados até os dentes e com ódio puro em seus olhos negros. Não conseguiríamos sair vivos, e mais mortes não ajudariam naquele momento. Gritei, gritei e gritei, mas Sete não me ouvia.

Puxei Marina pelo pulso e corri mata adentro. Ela havia ficado paralisada com a aparição da nave e não me ouvia gritando para que corresse. Mas meu puxão fez com que saísse do transe e disparasse junto a mim. Eu estava possuído por adrenalina, quase apagando e agindo por puro instinto.

Lembrei-me de Seis. Havia a deixado na clareira. Eu queria voltar para buscá-la, mas então vi uma pequena nuvem mais adiante, em meio a imensidão azul do céu, e entendi seu sinal. Ela estava bem, estava segura em algum lugar nas montanhas. Ótimo.

Marina e eu corremos feito loucos pelo pântano. Por sorte aqueles monstros não nos viram e não vieram atrás de nós.
(...)

Passamos boa parte da tarde andando pela mata. As árvores pareciam mais altas nessa região, diferente daquelas próximas a umidade. Estávamos cansados, exaustos, ela mais ainda. Vez ou outra eu senti um certo frio que emanava de seu corpo. Não conversamos em momento algum. Se ela realmente havia me perdoado, aquela não era uma boa maneira de demonstrar.

--- Precisamos parar, Marina.--- Eu quebrei o silêncio tedioso que nos cercava. --- Estamos andando há horas.

Ela apenas assentiu com a cabeça. Encontrei um espaço entre as raízes de uma árvores e desabei feito mamão maduro. Ela fez o mesmo, com um pouco mais de classe. Abri a mochila que eu consegui carregar quando fugimos da nave mog e nela encontrei alguns biscoitos e garrafas d'água.

--- Quer? --- Perguntei, apontando-lhe um pacote de biscoitos. Nenhuma resposta novamente.

Balancei a cabeça e bufei com impaciência. Aquilo era ridículo. Ela dizia ter aceitado, mas fazia de tudo para me mostrar que não era verdade. E isso me deixava com um sentimento de culpa ainda maior. Meu desejo era poder voltar no tempo e mudar tudo aquilo. Empurrar Oito para longe da adaga de Cinco, ou até mesmo me colocar a frente dele. Talvez esse seja um bom legado, não é mesmo, Pittacus?, pensei.

--- Ouça, Sete --- eu comecei. --- Sei que isso talvez seja difícil de superar. Talvez não, é difícil de superar. Ainda mais em tão pouco tempo. Mas não vamos conseguir sair dessa situação, ou menos ainda ganhar uma guerra, se não trabalharmos juntos e confiarmos um no outro. Eu entendo que é complicado, você sabe, confiar nas pessoas que direta ou indiretamente te fizeram mal. Mas ainda assim...

Deixei as palavras no ar e observei minha muda interlocutora. Ela não me olhava nos olhos de maneira nenhuma, mas eu ainda tentava conseguir sua atenção. Até que uma lágrima rolou sobre suas bochechas e ela assentiu com tristeza, engolindo em seco.

--- Eu sinto muito. --- Ela disse, olhando para mim finalmente. --- Nove, não foi culpa sua. Digo, você fala demais, sabia? Mas ainda assim, não foi culpa sua. É claro que não queria que... que o Oito morresse. É mais um prejuízo e um ponto para os adversários.

Baixei a cabeça e olhei para as folhas secas sob meu corpo. Pensei naquilo de “prejuízo” e em como somos descuidados. Mais de dez anos na Terra e ainda não aprendemos a lidar com as regras do jogo dos mogadorianos ou de seus comparsas. Mais de dez anos em que fomos simples fugitivos e ainda nos escondemos.

Levantei-me abruptamente, assustando Marina. Estiquei minha mão a ela, para que a ajudasse a ficar de pé.

--- Eu cansei de fugir. --- Eu disse assim que ela se levantou. Marina ergueu uma sobrancelha, sem entender direito. Continuei: --- Cansei de me esconder. Eu deveria estar lutando, protegendo as pessoas. Mas parece que por onde passo é só dor e sofrimento. --- As imagens de Maddy e Sandor invadiram minha mente. O jeito como aqueles monstros a devoraram por minha causa, a forma como tive que matar meu Cepân para aliviar a sua dor. Foi por mim que eles sofreram tanto.

--- Eu também. --- Marina disse. Ela abriu um sorriso fraco e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. Abraçou o próprio corpo com uma das mãos e deu um passo para trás, e, virando um pouco a cabeça, olhou ao redor, como se procurasse um bom caminho para seguirmos. --- Devíamos procurar um lugar para passar a noite. Está escurecendo.

Olhei para o céu já meio rosado. Já passava das cinco e logo a noite cairia. Concordei com a Marina com um sinal de cabeça e coloquei a mochila nos ombros. Olhei em volta e resolvi que deveríamos seguir em frente, provavelmente acharíamos algum lugar que pudéssemos descansar e seguir viajem de volta para Chicago.

Lembrei-me de Seis. Sabia que ela era forte e que não seria capturada tão fácil, mas ainda assim me preocupei com ela. Pedi aos céus para que ela estivesse segura.

--- Então vamos. --- Eu disse, e seguimos.

 

(...)

Conversamos pouco no caminho até um abrigo seguro. Não queríamos gastar energia com falações e ambos concordamos com isso. Marina precisava de espaço. Ela ainda não confiava totalmente em mim e eu não poderia culpá-la. Contudo, aquilo me matava. Sentia-me totalmente responsável por ela, por sua proteção. Ela estava mais forte, mas para mim ainda era aquela moça frágil e tímida que conheci na base do governo em Dulce. Agora, com essa culpa da morte de Oito sobre meus ombros, eu não poderia deixar de pensar nela assim.

Mas e se não fosse só culpa? E se não fosse apenas senso de responsabilidade? Seis havia dito algo interessante, sobre eu gostar de Marina como mais que uma amiga ou protegida. E eu realmente comecei a ver por esse lado. Se fosse isso, eu estava muito, muito ferrado. Primeiro porque estar apaixonado é uma droga. Segundo porque apaixonar-se num momento como esse, com uma guerra intergaláctica iminente é burrice e totalmente irresponsável. E terceiro porque eu era meio que culpado pela morte do amor da vida dela. Isso nunca daria certo.

--- Veja, Nove, ali! --- Marina gritou e me tirou dos meus pensamentos. Longe, mas nem tanto, uma luz emanava do que parecia ser uma pequena casa.

--- Marina, não sei se é seguro. --- Falei, apreensivo.

--- Vamos, Nove! São humanos, somos mais fortes que qualquer ameaça que eles possam apresentar. Além disso, já anoiteceu e parece que vai chover.

Realmente, o céu escuro estava coberto por grandes e pesadas nuvens arroxeadas, cheias de água prestes a despencar sobre nossas cabeças. Então assenti com a ideia de irmos buscar ajuda no casebre, mesmo relutante.

 

(...)

--- Desculpe pelo incômodo a essa hora, senhor... --- Marina disse ao velho magrelo de cabelos ralos e blusa xadrez que abriu a porta do casebre. --- Mas eu e Nov... Novak, estávamos acampando próximos aqui mas fomos atacados por ladrões. Só conseguimos salvar uma mochila e estamos sem lugar para ficar...

Ela parou de falar ao notar a expressão confusa do homem. Ele não parecia entender direito o que dizia.

--- Mary! --- O velho gritou para alguém dentro da casa, com uma voz rouca. --- Tem dois adolescentes esquisitos na porta de casa!

Marina e eu nos entreolhamos, confusos, e eu dei de ombros. Mary surgiu atrás do homem com um sorriso no rosto. Era uma mulher mais ou menos da idade do homem que nos atendera, com rugas debaixo dos olhos e longos cabelos brancos caindo sobre uma camisola amarela simples.

--- Mil perdões, rapazes. --- Mary pediu. --- Stan é um pouco surdo. Mas pelo que eu entendi, foram assaltados? Que horror! --- Ela levou um das mão a boca, expressando incredulidade. --- Venham, entrem, a chuva não tarda para cair.

Agradecemos ambos com um sorriso. Tive que abaixar um pouco a cabeça para passar pela porta baixa, mas, tirando isso, a casa parecia bem comum. Bom, comum nos padrões “casa estranha no meio do pântano”.

Mary levou-nos a pequena sala e nos fez sentar no sofá marrom antigo. A casa era aconchegante. As paredes estavam um pouco gastas e os móveis eram velhos, mas tudo parecia estar nos conformes. Sobre a mesinha de centro, a nossa frente, havia algumas fotos de crianças em preto e branco, provavelmente filhos do casal. Eles eram típicos americanos do interior.

O velho Stan (meu xará, aliás) não se juntou a nós. Mary disse que seu marido era um homem cansado demais, pediu desculpas mas que ele tinha que ir dormir cedo. Não nos incomodamos, claro. Ela não nos fez muitas perguntas, só quais eram nossos nomes, de onde vínhamos, o que fazíamos na floresta e se éramos namorados (nessa parte tivemos que mentir para não ficar muito estranho dois amigos acampando juntos no pântano totalmente sozinhos). Aparentava também estar cansada e logo nos deu cobertores e travesseiros. Passaríamos a noite na sala.

--- Amanhã farei um café da manhã bem reforçado para que possam seguir viagem. --- Mary avisou. --- Se precisarem, posso emprestar algum dinheiro também, mas não tenho muito a oferecer.

---Não precisa se preocupar. --- Eu falei sorrindo --- Temos o suficiente para tomar um ônibus de volta a capital. Só de podermos passar a noite aqui já é muito!

A mulher sorriu e subiu as escadas para deitar-se.

--- São boas pessoas --- falei. --- Não consigo imaginar alguém lhes fazendo mal.

--- Eu consigo. --- Marina decretou. --- Porque eles são boas pessoas, mas existem as ruins.

--- Nossa, quanta amargura nesse coraçãozinho, senhorita. --- Eu debochei, ao que ela sorriu um pouco. --- Mas você tem razão.

Droga, Seis!, eu pensei. Por que tem que estar tão certa sempre? Marina é tão... tão... tão... Linda! E especial. Não, não, não, Stanley! Não pensa nisso, por favor! Pense em Lorien, nos anciões, na Terra, na guerra. Pensa naquela cara feia do Setrákus, mas não pensa em AMOR. Se por fora eu sorria, por dentro eu chorava de frustração por ser um verdadeiro fracasso em afastar pensamentos perigosos.

--- Marina? --- Eu disse. O QUE EU TO FAZENDO?! --- Me perdoe por perguntar isso, mas o que vai fazer quando a guerra acabar? Agora que Oito se foi, você ainda pensa em ter uma família?

Ela parou por um instante, parecendo pensar de verdade naquela pergunta. E eu sou um idiota, inclusive.

--- Não sei. --- Ela decretou. --- Quem sabe? Posso nem sobreviver a esta guerra.

Ah, não fala isso.

--- Não fala isso. Se depender de mim, você vai sobreviver. E todos, claro. Estou disposto a morrer por vocês.

Ela só sorriu. Docemente. E, deitando no sofá, me desejou boa noite. Parabéns, senhor Nove, você acabou de cantar sua irmã de guerra e quase-praticamente viúva de um amigo. Tem como piorar?

Ah, tem sim.


Notas Finais


Um P.S: "Nossa, mas no livro A Vingança dos Sete não é assim". Pois é, né? Mas cês vão entender os "pojeto" (livra eu dessas referências ao V. Luxemburgo, credo!) que eu tenho.
Agradeço a compreensão <3


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