História Colega de Apartamento - Capítulo 29


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Ariana Grande, Austin Mahone, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Ariana Grande, Camren, Faculdade, Fifth Harmony, Universidade, Vercy
Exibições 737
Palavras 11.360
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Festa, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá pessoas! Alguém aí? Espero que sim.

Demorei, né non? Mil desculpas, fiquei sem WiFi durante todo esse tempo (ainda estou) e não sabia como avisar aqui porque a única coisa que sei fazer no Social é postar, mas quem tá postando pra mim é meu amor. Ele vai postar os capítulos atrasados no decorrer destes dias.

Como estou sobrevivendo a base de 3g eu meio que tive que escolher entre postar aqui ou no wattpad e como comecei postando lá, a maior parte dos leitores são de lá e por isso optei por continuar postando lá normalmente tendo que abrir mão daqui </3

O capítulo se passa basicamente em dois dias sendo que haverá continuação. Vão perceber que eu usei muito a palavra "louca", é que faltou-me adjetivos kk'. Como tem sido ultimamente, esse é um capítulo bem extenso também (até porque esse é a junção de dois capítulos) e talvez vocês fiquem confusos com uns "disse ou não disse", mas podem me questionar, mesmo que esteja explicado no próprio capítulo (creio eu) posso explicar novamente a quem tiver dúvidas.

Muito obrigada a vocês que não desistiram de esperar minha volta aqui, que leem, comentam e compartilham com outros que compartilham com outros e assim vai. Devo muito, muito, muito a vocês.

Sem mais enrolações, vamos ao capítulo (vocês podem comentar a vontade, não mordo não). Boa leitura :)

Capítulo 29 - Baixando a guarda


 

Camila POV

 

Essa sexta foi muito... louca. Lauren com os seios à mostra, o encontro com Tyler, a briga com Tyler. Mas teve também ótimos momentos. Lauren me defendendo e dizendo que era mais minha namorada que Tyler é algo que vou levar para a vida inteira. Simplesmente não consigo tirar as imagens desse momento da minha mente. Também não esquecerei do momento dentro do carro e nem do abraço e das palavras antes de entrarmos em nossos quartos. Ela me passa uma paz e confiança incrível.

Confesso que uma leve chateação me consumiu quando Lauren usou as palavras “burra” e “otária” para se referir a mim, mas ela tinha razão, e sendo assim eu não poderia ficar chateada por ela estar me dizendo a verdade. Eu já sou grande o suficiente para ficar me chateando com quem não merece. De mim, ela só merece o melhor. Já Tyler... Eu estava totalmente surpresa, ele parecia outra pessoa. Ameaçou acabar com Lauren. Nunca esperei que o mesmo tentasse agarrar alguém a força como tentou fazer comigo e logo comigo que sempre estive lá quando o mesmo precisava e vice-versa. Esse acidente da irmã do mesmo está mexendo demais com ele, não vejo outra explicação e essa nem sequer é uma explicação plausível.

Vejamos bem, minha irmã está numa cama de hospital e eu passo a querer agarrar pessoas sem sua permissão e ameaçar outras, se mostrando totalmente agressivo?! Não acho que seja possível, a não ser que... Não. Ele não pode estar fazendo isso. Por mais que seja difícil há outras maneiras de abafar a dor, ele já é adulto e deveria saber disso. Se eu tiver que conversar com alguém sobre isso, não será com ele, não quero ter que olhar para o mesmo tão cedo.

Mesmo com todos os acontecimentos e pensamentos que me rondavam a cabeça consegui ter uma ótima noite de sono, acordando totalmente revigorada e pronta para esse bendito sábado. Ou maldito, dependendo de como eu reagiria a respeito das ações de Lauren.

Ela confessou-me que está gostando de alguém há alguns dias. Meu coração se apertou em meu peito. Eu estaria mais uma vez perdendo uma grande chance? Quem seria a outra pessoa? Poderia ser eu?

Lauren é direta demais, se fosse realmente eu, ela teria dito. Por outro lado, ela continua com suas brincadeirinhas comigo, que por sinal ficam cada vez mais melosas. Que fique claro que em hipótese alguma estou reclamando. Isso me deixa confusa. Eu preciso fazer como ela faz comigo, preciso instigá-la de alguma forma, mas ainda assim me mostrar indiferente. Dependendo de como ela reagir eu posso tentar confessar meus sentimentos, só não posso ficar sem fazer nada tendo a possibilidade de Lauren estar gostando de uma outra pessoa. Não posso mais querer me contentar com apenas amizade, o que é estranho porque na noite anterior, antes de dormir, eu estava pensando totalmente o contrário, iria entregar o jogo, mas eu não posso entregar o jogo sem sequer lutar, eu tenho que tentar.

(...)

Meu cabelo estava solto, ao natural; eu usava um vestido azul escuro com detalhes pretos, um pouco acima dos joelhos, costa nua e que era meio soltinho. Minha maquiagem era bem leve e básica. Nos pés, um salto mediano, preto. Saí do meu quarto e fiquei esperando por Lauren na sala. Depois de uns dez minutos ela aparece... Linda! Chega a ser indescritível tamanha beleza.

Seus cabelos estavam soltos, levemente ondulados, usava um vestido estilo tomara que caia preto com detalhes cinzas, colado ao corpo, salientando suas belas curvas e nos pés um salto preto ligeiramente alto. Sua maquiagem era simples, mas destacava bastante seus lindos olhos; nos lábios usava aquele já conhecido batom vermelho que me destruía completamente.

- Pronta? - perguntou-me.

- Aham. - foi só o que consegui dizer, ainda abismada com tanta perfeição.

Partimos rumo à Explicit, uma boate nova, mas que Lauren já havia frequentado, inclusive foi ela quem escolheu, pois segundo a mesma, tem uma surpresinha para Ally lá. No meio do caminho, recebi uma mensagem de Dinah dizendo que ela, Ally e Mani estavam nos esperando no estacionamento da boate, dentro do carro de Normani. Lauren chegou a ligar para suas amigas mais cedo, convidando-as para irem conosco, no entanto, todas já tinham compromisso. Vero armou uma noite bem casalzinho para passar com Lucy - Laur disse que Vero está cheia de planos, mas não me revelou nenhum - e Keana seria "alugada" por Alexa. Reviro os olhos sempre que tocam no nome deste ser.

Em poucos minutos chegamos e identificamos o automóvel em que as meninas estavam. Saímos dos veículos nos cumprimentamos com beijinhos e abraços e lá mesmo começamos nossa discussão amigável sobre quem seriam as sóbrias da noite. Uma, obviamente seria eu.

- Ok, como estamos em dois carros, duas de nós não irão beber. Uma já sei que é a Camila, quem é a outra que vai se sacrificar?

- Não, não, não, Dinah! Hoje Camila vai beber, eu serei a sóbria no lugar dela. - Lauren protestou.

- Hã? - nós quatro perguntamos em uníssono. Como assim eu iria beber?

- É, gente. Ela é a única que não bebe do grupo, porque segundo ela, o gosto não a agrada... Mas ela nunca provou muita coisa, então deve ter alguma bebida que a agrade, basta procurar. Hoje é a noite de procurar.

- Jauregui, Jauregui, Jauregui. - cantarolei. - Olha só o que você tá tentando aprontar comigo. Nós viemos aqui pra tirar o seu atraso sexual e não para me embebedar. - argumentei divertidamente. Ultimamente eu estava lhe enchendo a paciência com essa de atraso sexual.

- Vai ver ela quer te embebedar pra tirar o atraso dela com você. - Mani comenta nos fazendo rir, espalmando sua mão com a de Dinah logo em seguida.

- Olha, eu não tinha pensado nisso... - Lauren disse me analisando de baixo para cima. - Mas até que não seria má ideia. Aliás, seria uma ÓTIMA ideia. - finalizou erguendo suas sobrancelhas freneticamente.

- Lauren! - repreendi. Ela sabia bem como me deixar sem jeito.

- Acho melhor eu ser a outra sóbria, vai que ocorre um abuso sexual aqui, né?! E eu sei que Mani e Dinah não se meteriam no meio se Lauren decidisse agarrar você. Elas querem ver é fogo e bom, eu também... - Ally disse essa última parte com uma expressão um tanto safada. - Mas com uma das duas não estando totalmente consciente, não dá.

- Que horror, Ally. Eu não vou abusar da Camila! Até parece que eu faria uma coisa dessas... Fora que eu preciso de você bêbada também.

- Laurenzo, Laurenzo. Jaureconda tá que tá hoje, heim? Vai ser a três, é? Que safadhenha. - Dinah solta fazendo Lauren fechar a cara, já que não suporta ser chamada de Laurenzo e odeia a expressão Jaureconda.

- Claro que não, sua idiota! Tem uma surpresinha pra Ally aí dentro, e se ela estiver sóbria não vai ter graça.

- Surpresinha, é? Tá bom. Espero mesmo que você não abuse da Camila, porque do jeito que você tá carente, eu não duvido nada. - a baixinha disse, divertida.

- Alguém avisa que eu não tô carente?!

Depois de vários minutos perdidos com nossas discussões que já estavam nos arrastando a outros assuntos, Normani se ofereceu para ser a outra sóbria da noite. Enfim, fomos à entrada da Explicit, pagamos nossas entradas - que eram ligeiramente mais caras que as de outras boates que íamos - e de cara fiquei encantada com o lugar. O dinheiro gasto iria claramente valer muito a pena. Eu poderia ficar a noite toda só olhando aquele lugar, aquela decoração, as luzes, tudo. Eu definitivamente nunca mais iria querer frequentar outra boate que não fosse aquela. Enquanto eu estava abobada admirando o local, senti alguém às minhas costas me cutucar na cintura.

- Olha ali... - Lauren disse próxima a minha orelha. - Presente pra Ally. - para finalizar, apontou com a cabeça para uma barra de metal próxima a nós, no meio da pista de dança. Um pole dance. Na verdade haviam vários espalhados por todo o local, tanto nas extremidades quanto na pista. A diferença era que os das extremidades eram um pouco mais altos/elevados, como se tivessem em cima de um balcão, enquanto os da pista eram firmados no chão mesmo.

No mesmo instante em que minha menina dos olhos indecifráveis disse isso, comecei a imaginar a baixinha naquela situação e foi impossível não rir. Ela já subiu nos balcões e mesas de incontáveis lugares quando bêbada, já presenciei com meus próprios olhos.

- Laur, eu não posso beber hoje. Eu tenho que estar sóbria pra presenciar e gravar isso! - falei.

- Não senhora! Você vai beber hoje SIM. É só a miss simpatia ficar louquinha antes de você que tudo vai dar certo, e depois que ela aprontar o bastante, iniciamos o seu processo.

Pelo visto eu não tinha escapatória.

Não demorou muito e as meninas apareceram com uns drinks, trouxeram inclusive um pra mim, mas Lauren não me deixou tocar em nada enquanto Ally não estivesse bem soltinha.

As músicas que tocavam eram muito boas, dançávamos bastante, chamando a atenção dos rapazes e até mesmo das moças, tanto que uns assanhadinhos começaram a se aproximar dançando por trás ou até mesmo em nossa frente, mas Lauren tratou logo de afasta-los de perto de mim e dela, empurrando o cara que estava atrás de mim e ficando no lugar dele, quase que me encoxando.

- Lauren, o que é isso? - perguntei voltando-me para Lauren.

- Só tô garantindo sua integridade física.

- Eu ainda tô sóbria, posso fazer isso sozinha. - rebato e enquanto retorno a minha posição anterior, de costas para Lauren, um cara começa a se aproximar à minha frente.

Ele era simplesmente lindo, acabo soltando um sorriso, não por ter um rapaz bonito se aproximando de mim, mas sim porque várias ideias começaram a me passar pela cabeça e eu precisaria da ajuda daquele estranho para fazer com Lauren um pouco do que ela faz comigo. O rapaz continuava a se aproximar com um sorriso largo, cheio de segundas intenções, quando de repente... BAM!

Inesperadamente Lauren me deu uma mordida na orelha seguida de um chupão no pescoço que me fez morder o lábio e jogar a cabeça para trás, apoiando-me em seu corpo. Como sou frouxa por ela. Naquele momento eu estava totalmente entregue, mas que a vergonha me consumiria minutos depois, isso eu tenho certeza.

Eu não posso me iludir.

Ela só está garantindo, como uma boa amiga, que nenhum cara vai se aproveitar de mim, mesmo eu estando sóbria e sendo adulta. É apenas isso. Agora sim parece que estou me iludindo. Ela sempre se portou de forma respeitosa a meu respeito, mesmo com suas brincadeiras e deixando claro que ainda quer me beijar, o que me deixa em êxtase, pois eu recusei beijá-la nas vezes que tentou, mas ela ainda não desistiu, o que eu agradeço, porém, esse deve ser o seu lado cafajeste falando. Sei que ela é um tanto cafajeste, já dormiu com três dos quatro melhores amigos e deu em cima até mesmo de Mani, Ally e Dinah. Ai, caramba! As meninas.

Oh, droga! As meninas viram tudo.

 

Lauren POV

 

Não sei explicar, mas quando vi aquele engomadinho se aproximando de Camila, me deu uma coisa. Ele era visivelmente o cara mais lindo que já havíamos visto aquela noite e olha que foram muitos. Eu tinha que afastá-lo, de preferência sem causar confusão. Ninguém vai embaçar meus esquemas.

Como ela estava de costas para mim, fiz a primeira coisa que me veio à cabeça: encarei o cara, mordi a orelha esquerda de Camila logo em seguida descendo para o seu pescoço, dando-lhe um chupão maravilhoso, não deixando de encarar o rapaz em momento algum.

Sua pele era tão macia, cheirosa, gostosa. Senti seu corpo amolecer com o toque de minha língua quente em sua pele. É hoje que acabamos com essa brincadeira, Camila.

O cara imediatamente se afastou, meio sem jeito. Comecei a rir próximo à orelha de Camila devido à situação. Foi simplesmente IMPAGÁVEL. Alguém bem que poderia ter filmado, aliás, aqui tem câmera de segurança, aposto que eu consigo uma cópia da gravação de hoje, mas isso é assunto para depois.

Como as meninas estavam praticamente coladas à mim e Camila, acabaram por ver tudo e estavam literalmente de boca aberta com o que eu havia acabado de fazer. Ally, que já estava bem animadinha foi a primeira a falar, ou melhor, gritar.

- É DISSO QUE O POVO GOSTA! SEGURA ESSA MARIMBA AÍ, MONAMOUR!!! - disse e começou a rodar do nada, com um copo de algum tipo de bebida na mão direita, mas logo foi parada por Normani, antes que ficasse tonta e caísse ali mesmo.

Camila enfim, pareceu acordar do transe, virando-se para mim com a expressão meio confusa.

- Que porra é essa, Lauren? - perguntou-me. Espera. Ela tá... brava?

- Desculpa, eu só... - tentei me explicar, mas fui interrompida por Dinah.

- Vocês estão se pegando, não estão? Diz que vocês estão se pegando!? EU SEI QUE VOCÊS ESTÃO SE PEGANDO! PORRA, ASSUMAM-SE LOGO! CAMREN IS REAL!!! - finalizou levantando seu copo de bebida o mais alto que seu braço podia numa velocidade que fez derramar um pouco do líquido. Essa é outra que já está bêbada.

Percebi que Camila iria responder, mas resolvi eu mesma fazer isso e tentar, de certa forma, amenizar a situação.

- Não Dinah, claro que não. Acontece que hoje, a noite é de meninas, somente de meninas. Pura diversão de amigas. Uma cuida da outra e é isso que eu tô fazendo.

Foi uma péssima desculpa, eu sei.

- Nossa, mas foi um chupão! Até tremi aqui. - Mani disse toda maliciosa.

Acabamos indo nos sentar numa mesa próxima a alguns pole dances laterais, - já comentei que esse lugar é inspirado em boates de strip-tease? - ainda falando sobre a cena protagonizada por mim e Camila.

- Mas e aí, Camila? Foi bom? - Mani perguntou, mantendo a pose maliciosa.

Camila ficou meio nervosa, mas logo respondeu e para ser sincera eu não esperava que ela desse essa resposta, e eu sei que ela não estava bêbada, eu só havia deixado ela beber uma taça de champanhe, sim, champanhe porque eu sei que disso ela gosta.

- Olha gente, se eu virar sapata, a culpa é da Lauren... -  sempre bem humorada, ou quase sempre. - Foi muito melhor que os garotos com quem saí, fiquei até tonta com o chupão. Foi MUITO BOM. - disse e logo escondeu o rosto com as mãos, já que as meninas acabaram soltando uns gritinhos escandalosos, inclusive Ally, que depois do mini escândalo, como se fosse outra pessoa, disse com a voz super embargada:

- Camila, domingo cê rai pra igueja comigo pa orar, pecisa de Jesuus na sua vida quiatura.

- Cala a boca anã. CAMREN É REAL, CARALHO! - Dinah gritou como uma retardada. Claramente bêbada. Ou não, já que ela age semelhante quando está sóbria.

- Ah não, Ally. Jesus que me perdoe, mas até eu fiquei com inveja, não que o Hérick não esteja dando conta, mas vai dizer que você não queria um chupão desses? - Normani pergunta.

- Oooolha... - Ally iniciou. - QUERO MUUUITOOOO! - ela já estava muito louca e já iria começar a rodar outra vez após ter dito isso, mas Mani novamente a impediu.

Só por brincadeira me ofereci para saciar o desejo dela a respeito do chupão, mas ela levou a sério e ficou pedindo para eu fazer, quase implorando. Onde fui me meter? Fiquei receosa, olhei para Camila que pegou o celular, botou na câmera e me disse rindo:

- Vai lá e arrasa!

A safada iria filmar tudo e jogar na cara da Ally no dia seguinte. Tenho certeza absoluta. Pra quem se sente atraída por mim, até que ela é bem liberal, gosto disso.

Levantei-me do meu lugar e fui em direção ao outro lado da mesa, quase que na frente de Camila, onde estava a loirinha. Ela permaneceu sentada e eu em pé, atrás dela. Abaixei-me um pouco, joguei seus cabelos pro lado, deixando seu pescoço livre, me aproximei mais ainda, dei uma última encarada em Camila e no seu celular, que estavam bem a minha frente agora, e ataquei o pescoço de Allyson.

Bom, o que posso dizer?

Foi estranho. A baixinha tinha um cheiro delicioso, mas não senti nada, a não ser diversão ao imaginar como ela reagirá a isso quando mostrarmos as filmagens. Foi totalmente diferente de como havia sido com Camila; com ela senti tantas sensações que nem sei como descrever, fora a vontade de não querer parar, mas é claro que não demonstrei isso na hora do chupão em Camila, até porque tinha coisa mais importante para fazer, como enxotar o engomadinho que estava se aproximando dela.

Voltando à Ally, quando terminei o que estava fazendo, ela começou a bater a mão na mesa dizendo freneticamente "Oh my God, Oh my God, Oh my God...". As garotas começaram a gritar, menos Camila que só fazia rir, fiquei um pouco sem jeito, enfiei meu rosto do pescoço de Ally e a abracei, como se a estivesse pedindo desculpas. Eu sei que ela vai pirar quando estiver sóbria e lembrar disso, se lembrar.

Geralmente ela não lembra de muita coisa quando acorda depois de uma noitada dessas, mas nós, como boas amigas, sempre fazemos questão de lembrá-la de absolutamente tudo. E nesse caso temos até provas: o vídeo gravado por Camila.

Depois do ocorrido, voltei ao meu lugar, do lado da Camz. Não demorou muito e começou a tocar uma música que ela absolutamente ama. De cara os olhos dela brilharam. Ela pegou minha mão já me puxando e chamou as garotas para junto de nós. Nossas amigas logo se levantaram e foram para a pista conosco. A música era ScheiBe da Lady Gaga. Enquanto dançávamos - no caso de Camila, cantava e dançava - ela disse que aquela música tirava-a de si, o que me deu uma ideia. Se ela já estava assim com essa música estando no seu estado normal, imagina quando não estiver.

A música foi se encerrando já iniciando outra da Gaga chamada Government Hooker, que eu também sei que Camila ama. Título interessante, não?

- Essa música parece uma pornô. - Dinah comenta já conhecendo a música, levando em conta que Camila a escutava demais e acabava nos fazendo escutar junto.

Na segunda parte da música, no pré refrão, Camila percebeu que Ally não estava mais ali conosco e veio me comunicar isso parecendo preocupada. Abaixei um pouco minha cabeça para que ela pudesse falar em meu ouvido e quando levantei minha cabeça de volta, avistei, por cima do ombro de Camila, o que eu estava esperando ver a dias. Fiquei olhando fixamente pro local até que não me aguentei...

- SEGURA ESSA MARIMBA AÍ, JEOVÁ!

No mesmo momento, Camila e as meninas se viraram para onde meus olhos estavam direcionados e compartilharam da mesma visão que a minha: Ally, em um dos pole dances laterais (aqueles mais altos), dançando loucamente a parte do refrão. Nos aproximamos para ver melhor, já haviam várias pessoas ao redor. Camila pegou seu celular, que estava entre seus seios, e começou a filmar.

- Acho que você já pode me embebedar, só espero não ser uma Ally da vida quando ficar bêbada. - a morena comentou enquanto filmava.

- E vai confiar em mim para tomar conta de você? E se eu te agarrar? - vamos ver como ela se sai diante de minhas investidas. Eu já havia bebido um pouco, mesmo tendo dito antes que não o faria, mas nada que tivesse me alterado. O importante era que eu estivesse consciente de tudo e eu estava.

- Se você me agarrar de novo, eu espero lembrar de absolutamente tudo.

Eu sei que eu já sou bem branca, mas tenho certeza que consegui ficar bem mais com essa resposta dela. Não é possível que com um drink de fruta e uma taça de champanhe ela já esteja bêbada.

Parabéns, Camila! Você é uma das únicas pessoas no mundo que consegue me deixar sem jeito.

Ela estava bem do meu lado filmando a Ally, não consegui conter um sorriso de felicidade e quando eu menos espero, Dinah também sobe na plataforma e fica dançando de forma muito sedutora, ora se esfregando na Ally, ora se esfregando no pole dance. Essa noite estava sendo uma loucura e eu ainda nem botei meu plano em ação.

- Laur! Elas estão muito loucas. Acho melhor levar uma delas pra casa, daqui a pouco Camila tá igual e não sei se nós duas vamos dar conta. - Mani disse e eu infelizmente tive que concordar.

Enquanto tentávamos tirar elas da plataforma, o que estava muito difícil, um rapaz se aproximou. Seu rosto me era familiar, cutuquei Normani e perguntei se ela lembrava quem era.

- Lauren! É o Troy!

- Ah, o ex da Ally? - perguntei e ela assentiu. Ally já havia me apresentado ele uma vez, mas já fazia um tempo, eles nem estavam mais juntos quando o conheci, no entanto, pelo que me foi informado ainda são bons amigos, do tipo que cuidam um do outro, mas ele teve que se mudar. Pelo visto está de volta. - Acho que nossos problemas estão resolvidos.

- Como assim? - Mani pergunta confusa. Camila apenas filmava tudo.

Chamei o Troy para que ele nos ajudasse a tirar as meninas de lá e para minha surpresa, quando Ally o viu, pulou de cima da base do pole dance, que devia ter uns 70 centímetros de altura - nem sei como ela conseguiu subir - para os braços do garoto, abraçando-o.

- TROOOOY! - gritou toda animada, ele apenas sorria. Espero que ele esteja solteiro, caso contrário, é possível que tenhamos problemas.

A partir daí só faltou tirar Dinah de lá. Foi trabalhoso, mas conseguimos. Chamamos o Troy para ir para uma mesa conosco e ele topou. Conversamos um pouco e o mesmo nos disse que havia chegado de viagem naquele dia, que estava lá na Explicit com uns amigos que o abandonaram para dar em cima das garotas e diante disso foi dar uma volta pelo lugar acabando por avistar Ally naquela situação e assim nos encontramos.

Eu sabia que poderia estar abusando da boa vontade dele, mas ainda assim perguntei se o mesmo poderia tomar conta da Ally. Expliquei para ele toda a história, que iríamos fazer a Camila beber até achar uma bebida que a agrade, sem ser os drinks ou batidas, e que seria difícil apenas duas pessoas tomando conta de três alteradas. Ele topou de boa. Disse que tinha muito para falar com Ally e que seria divertido, mas eu duvido que ela vá lembrar do que eles vão conversar, aliás, duvido que ela diga algo com nexo se ela continuar bebendo e como se lesse meus pensamentos, Camila pediu para que o rapaz não deixasse ela beber mais nada alcoólico nesta noite.

Eu iria cuidar de Camila, Mani da Dinah e Troy tomaria conta da Ally, ou seja, tiramos a noite para sermos babás, mas não pensem que estou reclamando, pelo contrário, eu tô amando. E a noite mal começou.

(...)

- Agora toma essa daqui. - disse para Camila, entregando-lhe mais um copo de alguma bebida desconhecida por mim.

Eu e ela estávamos sentadas no bar; um dos bartenders, o que usava lápis de olho e uma bandana, já era quase íntimo nosso de tanto tempo que já estávamos ali. Ele que já estava nos recomendando as bebidas.

Era pouco mais que 3h da madrugada, Normani já havia ido embora com Dinah a alguns minutos atrás, já que a louca da DJ estava dando em cima de várias pessoas e já havia ido para o banheiro com um cara, já que Normani estava muito ocupada dançando Beyoncé e acabou não notando tal acontecimento. Espero que Dinah tenha ficado só nos amassos com o cara do banheiro, porque se essa doida resolveu dar pro cara nesse estado, não duvido nada que eles não tenham se prevenido. Por que diabos eu não chamei a Manu para vir conosco? Tudo bem que não tenho TANTA intimidade com ela, - mesmo nós duas tendo amigos em comum - mas bem, eu tenho certeza que ela estaria cuidando muito bem de Dinah, se é que me entendem.

Ally ainda estava com Troy. Aliás, eles acabaram ficando e é engraçado eles se beijando por causa da enorme diferença de altura de ambos. O coitado ficava todo torto, mas aí ele teve a brilhante ideia de colocá-la sentada num canto do balcão do bar e acabou a graça.

Agora algo muito importante que ainda não mencionei. Lembram quando tocou ScheiBe da Lady Gaga e eu disse que havia tido uma ideia? Então, as meninas ainda estavam aqui, eu já havia iniciado o processo de embebedar Camila e a mesma já estava bem alegre, e bote alegre nisso. Arrastei Mani pelo braço, que estava conversando animadamente com um cara - Hérick vai saber disso - e pedi para que ela ficasse com o celular em mãos.

Fui até o Dj e pedi para ele tocar novamente a bendita música que Camila gostava (no caso, apenas ScheiBe), e o resultado? Estávamos quase transando, só que de roupas e sem língua, beijos, dedos e afins. Eu não podia cometer o mesmo erro da última vez.

Ally, Troy e Dinah estavam boquiabertos, juntamente com Mani que filmava tudo. Camila se esfregava em mim como se sua vida dependesse daquilo. Eu passava minha mão em seu corpo - era inevitável - e ela fazia o mesmo comigo. Incontáveis vezes esfregou sua bunda em minha intimidade e vez ou outra sussurrava algo em meu ouvido como: "isso é bom Jauregui" ou "rebola pra mim, vai".

Seus sussurros juntamente ao fato da mesma estar ofegante me deixavam louca. Acabei tendo um leve descontrole, pressionei-a ainda de costas contra meu corpo e perguntei em seu ouvido:

- Sou eu, não é Camila? - ela apenas ria e dançava descontroladamente.

Quando menos espero, ela se vira para mim, coloca seus braços ao redor do meu pescoço e me dá um beijo demorado e meio molhado na bochecha. Automaticamente sorri com aquilo. Coloquei meu rosto em seu pescoço e depositei um beijinho calmo ali, sem malícia alguma. Eu não me reconheço mais.

Quando a música acabou nos afastamos uma da outra e começamos a sorrir, trocando olhares. Eu já estava ficando sem jeito por conta dos olhares de nossas amigas, então puxei-a para o bar e aqui estamos, mas esse seria o último copo. Resolvi parar de dar bebidas à ela. A coitada já estava tão bêbada que parecia triste. Continuamos sentadas ali mais um pouco e logo Troy surgiu com a Ally, que parecia um pouco mais comportada.

- Lauren, nós já vamos indo. O Troy vai me deixar em casa. - a baixinha informou e eu assenti, cumprimentando ela e Troy em seguida.

Ela logo foi se despedir de Camila, que estava do meu lado e...

- Camila, você está péssima. - disse sorrindo.

- E é um ótimo exempro a ser siguido, né? Até parece que era eu que tarra no pole dance. - a voz de Camila estava muito arrastada.

- Até parece que era eu que estava me esfregando na coleguinha de apartamento. - Ally rebateu.

Camila levantou o dedo indicador e abriu a boca para responder, mas logo fechou nos fazendo rir, visto que não tinha argumentos. Logo as duas se abraçaram, despedindo-se.

- Antes de vocês irem... Troy, como você conseguiu despertar a Ally?

- Café.

- Onde você arranjou café?

- Aqui. É só pedir pra algum bartender que ele repassa o pedido pro pessoal da cozinha ou você pode ir pessoalmente até lá pedir. Gostei muito desse lugar.

Eu sabia da existência da cozinha, afinal, eles também servem comida aqui, comida mesmo. Aliás, esse era um dos motivos de eu ter amado esse lugar. Eles têm um mini restaurante dentro da própria boate, só não sabia que serviam café também.

- Tchau, meninas! - Troy disse sorridente. Acenamos um tchau para ele.

Eu estava ficando com medo que Camila colocasse tudo para fora, dei vários tipos de bebida à ela e fiquei receosa que essa mistura desse merda. Até que ela aprovou algumas, mesmo fazendo cara feia cada vez que ingeria um gole. Pedi uma xícara de café ao nosso quase amigo íntimo, o bartender da bandana, mesmo sabendo que Camila não suporta café. Logo trouxeram-nos e fiz ela tomar quase que a força, como se fosse fazer efeito imediato.

Decidi que já estava na hora de irmos. Peguei sua mão e a puxei, guiando-a entre a multidão. Ela estava muito assanhadinha. Enquanto passávamos pela multidão ali em busca da saída, ela ia passando a mão na bunda das pessoas dizendo me liga.

Fui otária ao pensar que ela estava triste de tão bêbada? É claro que fui. Se bem que bêbado é uma coisa meio bipolar, uma hora está depressivo, outra hora está todo alegre.

Enfim chegamos à saída. Caminhávamos pelo estacionamento à procura de meu carro enquanto Camila falava coisas sem nexo, mas do nada começa a me xingar, culpando-me por seu estado deplorável. Eu só conseguia achar graça da situação.

- é ma vagabuna, Jauregui. - disse com a voz embargada por causa da bebida. - me bebedou! Se meu fígado tiver fudio a culpa é tua. - apontou o dedo na minha cara, me fazendo rir.

Eu já havia me arrependido de ter dado tanta bebida à ela, mas ao menos fiquei do seu lado o tempo todo, não deixei nada ruim acontecer, fora que no momento não tinha como desfazer, então resolvi seguir o plano e continuar com as perguntas, no entanto, ela não calava a boca.

- Poxa, Jauregui. Eu confava tanto em ti e me apronta essa... O lado bom é que agora eu tenho uma história pa contar pros meus futuros neto: meu pimreiro porre.

- Que seus alunos nunca te vejam em tal situação. Te ver assassinando o português é algo que nunca vou esquecer. - comecei a rir e felizmente eu estava atenta, pois ela foi dar um passo para trás e só não caiu de bunda no chão porque eu a segurei. Se bem que com uma bunda daquelas ela nem sentiria o tombo. Foco, Lauren.

Peguei seu braço direito e passei pelos meus ombros, enquanto meu braço esquerdo estava ao redor de sua cintura. Ela não estava em boas condições para andar. Acho que exagerei um pouco e ela continuava falando...

- Ssse eu, eu acordar com dor de cabeça eu vou tispancar.

- Ui, quanta agressividade. - debocho. - Nossa, garota! Como que até bêbada você me ameaça como se estivesse sóbria?

- Porque eu num tô bêbada.

- Ah, claro que não.

- Hey! Eu percebi teu sacar... sarcar... sarv... SARCASMO, PORRA! - o esforço dela para falar as palavras me fazia rir. - E eu num tô bêbada mermo não. Só tô tonta e num consigo ralar direito.

- Huum, interessante. Então, se você não está bêbada, por quê que você tava passando a mão na bunda de geral enquanto a gente vinha em direção à saída, heim, dona Camila?

- Porque eu tarra cum votade. E eu num passei a mão in todo mundo não, tá?! Eu erqueci de você. - deu uma risadinha safada e logo desceu a mão que estava no meu ombro até minha bunda e a apertou.

Sim, ela fez isso. Suspirei involuntariamente e mordi meu lábio inferior, contendo um gemido manhoso. Logo voltei a sorrir. Eu realmente estava começando a achar que ela estava no controle de suas ações, que não estava bêbada, só tonta, como ela disse, mas depois disso tive certeza que ela estava muito louca. Pedi para ela colocar o braço no meu ombro novamente. Ela se recusou, mas depois de um tropeço dela que quase leva nós duas ao chão, resolveu me ouvir.

Já havia até me esquecido de me aproveitar da situação para fazer algumas perguntas para ela, porém, quando chegamos ao carro, logo lembrei. Ela nem sequer conseguia abrir a porta do carro, então fui ajudá-la, mas ela protestou.

- Eu acho queu ainda sei abrir a porrta de um carro, Loren.

- Eu sei que sabe, - disse irônica. - só estou sendo gentil. - então abri, e ela entrou. Isso me lembra uma cena de Pretty Little Liars, em que Emily fica bêbada.

Dei a volta no carro, e logo entrei também, mas nem cheguei a girar a chave na ignição e já fui logo falando:

- Camz, vamos conversar? Me conta um pouco mais sobre a pessoa que você tá a fim, dando detalhes de preferência.

Ela sorriu.

- Tá quereno me passar a perna porque eu tô bêada, né? Espertinha. Mas tá bom, eu falo. Ela... - congelou por um instante, mas logo continuou. - ELA, a PESSOA, é linda... E gentil... E siporta comigo. Mas ela, A PESSOA, nunca ficaria comigo...

- Por que não?

- Eu não acho que ela, A PESSOA, venha a ter esses setimento por mim. - ela disse cabisbaixa e isso me deu um aperto no peito.

- Não fala assim, Camz...

- Ela é muito pa mim, sabe? É linda demais pa mim. - parou por um instante e continuou, mas agora olhando firmemente em meus olhos. - Perfeita, na verdade!

Isso foi um murro no meu estômago. Ela nem sequer se corrigiu quando falou da "pessoa" no feminino. Não sei o que deu em mim, mas quase perdi o controle. Segurei seu rosto com as duas mãos, olhei fundo em seus olhos e falei sem titubear:

- Camila, VOCÊ é perfeita! Qualquer um teria a sorte de ter você como namorada. Eu sinceramente não sei porque o babaca do Tyler nunca te pediu em namoro... - fui interrompida.

- Na verdade, ele me pediu uma vez. - hã? Ele pediu? - Mas foi numa rara vez que ele tarra bêbado... - aff, tem como piorar? - E foi por telefone, - sim, tem como piorar. - então num conta. Acho que ele nem lembra disso.

Um silêncio que durou pouco tempo, mas que pareceu uma eternidade, se instalou no carro, até que ela resolveu falar novamente.

- Lauren? - foi quase um sussurro.

- Sim?

- Vo-você n-namoraria mesmo... comigo? - oh Deus! Eu sei que ela não estava me pedindo em namoro, mas ela estava tão nervosa mesmo estando bêbada. Acho que chegamos no ponto que eu queria. - Hipoteticamente falando, é claro. - nem acredito que ela conseguiu dizer hipoteticamente sem errar.

Eu sorri, abobada com a pergunta.

- É claro que sim, linda. - fiz carinho no seu rosto e ela deu um sorriso tímido. - Eu já me sinto maravilhada o suficiente só por ser sua amiga e dividir um apartamento com você. Ser sua namorada, só sua, ter você só pra mim, dividir minha vida com alguém como você seria... Um sonho. - dessa vez seu sorriso foi de orelha à orelha, seus olhos brilhavam e eu acabei sorrindo junto à ela que me deu um abraço inesperado e muito forte. Correspondi na mesma intensidade.

- Eu te amo, Loren. - disse durante o abraço e eu sorri mais ainda.

Apesar de ela estar visivelmente bêbada, eu senti sinceridade em suas palavras. Eu não posso estar enganada. Ela realmente está... apaixonada(?) por mim e talvez eu esteja sentindo o mesmo por ela. Eu nem sequer precisei ter que pensar no que dizer quando ela me fez essa última pergunta, as palavras apenas foram saindo, sem nenhuma dificuldade e foram totalmente verdadeiras, cada palavra, cada sílaba.

- Eu... - travei. - Gosto muito de você, Camila. - foi o que consegui dizer em resposta.

Por mais que seja duro admitir, eu estou conseguindo me apaixonar novamente depois de quase quatro anos sem me interessar por ninguém dessa maneira. Quando Cece e Alexa me traíram eu parei de acreditar em muita coisa que em pouco mais de 2 meses de convivência Camila me fez acreditar novamente, pior, ela me fez sentir novamente.

(...)

Dirigi calmamente pelas ruas da cidade, a essa hora da madrugada não haviam tantos carros na rua. Camila estava bem falante durante o trajeto, nem que eu desse uma garrafa inteira de café para ela não cortaria o efeito do álcool.

Quando já estávamos na garagem de casa, tirar ela do carro foi uma luta. Ela parecia não ter força nas pernas e se acabava rindo de si própria. Tive que pega-la no colo conduzindo-a até a porta de casa, onde tive que pô-la de pé para poder conseguir colocar a chave na fechadura para então abrir a porta.

Ela estava apoiada na parede, rindo sozinha sei lá de quê e no momento que consegui destrancar a porta, antes mesmo de abri-la, volto meu olhar para Camila percebendo que a mesma começou a tombar para o lado direito, mas felizmente consegui segurá-la antes que ela caísse e se machucasse.

Segurei-a junto ao meu corpo, como se estivesse abraçando-a por trás com apenas uma das mãos, abri a porta com a outra mão e entramos. Logo tranco a mesma e trato de levá-la ao seu quarto. Coloquei-a em sua cama e pensei em dar-lhe um banho, mas acabei desistindo da ideia, até porque não daria muito certo, ela provavelmente iria cair horrores dentro do banheiro e eu disse que não deixaria nada de mal acontecer a ela. Fora isso ainda tem as minhas segundas intenções.

Fui até seu roupeiro e tirei um blusão juntamente com um short de algum pijama para que ela vestisse. O problema foi: ela não conseguia nem tirar os sapatos, muito menos o vestido. Como sou uma alma muito caridosa, tive que fazer essa boa ação. Tirei seus sapatos com muita calma e logo em seguida, fui para o vestido.

Oh. Deus.

Lá estava eu babando no corpo dela. Ela usava uma lingerie preta, que ficava perfeita em seu corpo. Assim ficava difícil evitar um possível abuso sexual, mas a razão falou mais alto e parti para a parte mais difícil e castigante: o sutiã.

Abri o feixe traseiro do seu sutiã, fui deslizando as alças bem devagar por seus ombros e... Meu Deus!

- Para de olhar pos meus peitos, Jauregui.

- Eu não tô olhando. É só que tem... - fui interrompida por ela.

- Tem um mamilo nos meus peitos, eu sei.

O quê? Mas isso é óbvio! Suas piadas conseguem ficar piores quando bêbada, ainda assim eu achava graça. Vesti nela seu short e seu blusão e levei-a ao banheiro para tirar a pouca maquiagem que tinha em seu rosto. Aproveitei e tirei a minha também enquanto deixei Camila sentada na bancada. Após, levei-a até sua cama, carregando-a em meus braços, - cena típica de casal em lua de mel dos filmes - deitei-a e desejei uma boa noite. Quando eu estava prestes a sair de seu quarto, ouço-a me chamar.

- Laur? Dorme aqui comigo, pufavor?!  - disse tentando fazer uma voz de bebê.

Fui até ela, beijei sua testa e assenti. Dirigi-me em direção ao seu roupeiro para pegar apenas um blusão para mim e enquanto eu procurava, acabei achando um caderninho, um diário na verdade. Fiquei curiosa, mas deixei ali mesmo, afinal, esse tipo de coisa é pessoal. Tirei meus sapatos, virei-me de frente a ela e tirei meu vestido da forma mais devagar que eu poderia e como meu vestido era tomara que caia, eu não estava usando sutiã, principalmente porque o vestido tinha um encaixe legal nos seios. De onde eu estava pude ouvir seu suspiro e logo em seguida a vi engolir em seco, olhando meu corpo, seus olhos transpareciam puro desejo. Eu definitivamente, adorava provocá-la assim. A pergunta é: será que ela vai lembrar de algo?

Deixei nossas roupas jogadas pelo chão mesmo. Se ela acordasse sem lembrar de nada com certeza iria imaginar "coisas" vendo as roupas espalhadas do jeito que estavam.

Apaguei a luz deixando aceso apenas o abajur da mesinha de cabeceira da cama e, vestindo apenas o blusão de Camila (e minha calcinha, óbvio) me joguei em sua cama. Aconcheguei-me em seu corpo que estava de costas para o meu, sentindo seu calor assim como o cheiro de seus cabelos e pele, acariciando sua barriga por debaixo da blusa até dormirmos.

(...)

 

Camila POV

 

Lentamente, comecei a abrir meus olhos. Eu estava no meu quarto, mas definitivamente não lembrava como havia chegado lá. Tentei me levantar, mas uma dor de cabeça terrível me impediu. Jauregui, eu vou te matar.

Continuei ali, apenas respirando e olhando para o teto, deitada em minha cama, tentando lembrar de algo, mas só lembrei até o momento em que Ally e Troy ficaram. A essa hora eu já havia bebido bastante, mas ainda estava lúcida.

- Huum, que bom que acordou! - ouço aquela voz rouca vindo da direção da porta, viro minha cabeça lentamente para olhar. - Como se sente?

- Muita cara de pau da sua parte vir me perguntar isso. - rimos. - Mas pra sua informação, eu tô com uma dor de cabeça horrível e não lembro o que aconteceu depois de 1h40, tá bom pra você? - falei bem humorada.

Ela veio se aproximando e sentou na beirada da minha cama, ao meu lado, ficando de frente pra mim e pediu para que eu sentasse, o que foi bem difícil, pois minha cabeça latejava bastante, mas com a ajuda dela consegui. Ela pediu para que eu a esperasse que ela iria pegar algo para eu tomar. Como se eu fosse conseguir levantar dali sozinha.

Enquanto ela não voltava, fiquei analisando a situação do quarto. Senhor! Que bagunça. Haviam roupas espalhadas pelo quarto, não muitas, mas tinha. Umas pareciam minhas, já as outras pareciam ser da... Lauren?! Que porra aconteceu aqui?

Lauren adentra o quarto, trazendo uma xícara com algo que eu não sabia distinguir o que era e em outra mão um cartão de comprimidos, me dizendo logo em seguida com a voz mais doce possível:

- Olha só, eu sei que você não gosta de tomar comprimidos, mas é bom você tomar pra isso passar mais rápido. Fiz esse chá pra você tomar junto ao comprimido. - apenas assenti, peguei a xícara e um comprimido, mas antes de tomar queria tirar minha dúvida.

- De quem são essas roupas? - perguntei apontando com a cabeça para as roupas no chão, engolindo o comprimido com o auxílio do tal chá logo em seguida.

- Nossas. De quem mais poderia ser? - respondeu da forma mais natural possível. Eu dei uma leve engasgada com o comprimido e como se não bastasse, percebi que ela estava usando uma blusa minha.

- No-no-nossas?

- Aham. Você tá bem? Pareceu ter engasgado. - disse e sentou-se na mesma posição de antes.

- Tô bem sim... Você dormiu aqui? No meu quarto?

- Aham. - respondeu de um jeito muito sexy, mordendo o lábio inferior e olhando diretamente para os meus lábios, o que me deixou apavorada.

- Laur... e-eu e você, a gente... - deixei no ar e ela riu. Minha cara de pânico à espera da resposta dela deve ter sido inesquecível.

- Não, Camila. A gente não transou. - seu riso se intensificou. - Você precisava ter visto sua cara apavorada. - ela disse ainda rindo e eu suspirei aliviada. Não por não termos feito nada, mas sim porque se tivéssemos feito eu não estaria lembrando de nada. - Seria tão ruim assim se a gente tivesse feito?

- Ah, o quê? - perguntei mesmo tendo entendido muito bem sua pergunta.

- É... Tipo, seu pavor quando me perguntou se havíamos feito algo e seu suspiro, aparentemente de alívio, ao saber que não fizemos nada, meio que deram a entender isso.

Por que é tão difícil se declarar para alguém?

- Eu não sei te responder, Laur...

- Por que não? - sua voz estava mais baixa, porém, seus olhos continuavam me encarando.

- Você sabe, eu nunca fiz com uma mulher... - disse desviando o olhar. Isso que eu disse definitivamente não tinha muito a ver e eu não sabia o que falar, no entanto, acabei desenrolando bem. - Mas levando em conta que somos amigas e você sabe dessa minha condição, acho que seria bom sim. - ela sorriu e eu acabei sorrindo junto. - Acredito que você me trataria bem e seria muito... - parei. Estava difícil continuar, mal acreditei que já havia falado tudo aquilo, mas ela continuava me olhando, como se me incentivasse a continuar e assim o fiz. - Acho que você seria muito paciente comigo e até mesmo carinhosa por ser minha primeira vez. Eu sei que isso de carinho é bobagem, coisa de menininha iludida e...

- Hey! Não é bobagem coisa alguma! - e então beijou-me no rosto e logo em seguida na testa. - Já chega desse assunto, não é? - assenti. - Vou pegar algo pra você comer. Você prefere tomar café ou almoçar logo? Já fiz o almoço...

- São que horas? - perguntei.

- 13h12. - responde após encarar a tela de seu celular.

- Então traz o almoço logo.

 - Beleza, vou trazer o meu também.

- Espera! Você vai almoçar pela segunda vez hoje ou ainda não almoçou?

- Eu estava esperando você acordar para almoçarmos juntas. Quando apareci aqui na porta, eu estava vindo te acordar, mas encontrei você já acordada.

Que linda! Eu quero ela para mim, mas antes de eu pensar nessa possibilidade, eu preciso criar coragem para dizer o que eu sinto o mais rápido possível. Já não está dando para segurar. Pensei.

Lauren saiu do quarto e uns três minutos depois voltou com uma bandeja contendo um prato com comida e um copo de suco. Deu para mim e voltou para buscar a sua refeição. Segundos depois, estávamos sentadas em minha cama, comentando sobre a noite passada e assistindo TV enquanto almoçávamos. Como não lembrava de muita coisa, no primeiro momento falamos somente sobre a parte em que eu estava sóbria, comentando sobre Ally e Dinah. Quando terminamos nossa refeição, ela levou nossos pratos para a cozinha e eu fui ao banheiro ainda com dor de cabeça, não fazia ideia de como estava minha cara e eu estava um tanto apertada, já fazia umas 10 horas que eu não ía ao banheiro.

Bom, minha cara não estava das piores, mas ela já teve dias bem melhores. Lavei meu rosto e escovei os dentes. Voltei para o quarto e ela já estava em cima da minha cama, batendo de leve no colchão para que eu sentasse do seu lado. Sentei-me onde ela havia pedido e então ela pegou meu celular e começamos a ver os vídeos protagonizados por Ally e Dinah, o que obviamente foi muito divertido, no entanto, ela ainda não havia comentado sobre o que eu fiz quando estava bêbada. Talvez eu não tivesse feito nada demais, mas resolvi perguntar só para ter certeza. Ela disse que só iria contar na presença das garotas, aproveitou e avisou-me que Vero havia nos convidado para passar a tarde na piscina de sua casa juntamente ao resto da gangue e que lá ela me contaria.

Sinto que não me comportei muito bem nesta madrugada.

 

Lauren POV

 

A noite foi tranquila. Como sempre, era ótimo dormir com Camila, principalmente agarrada ao seu corpo. Me sinto maravilhada por conseguir este feito.

Quando acordei, a situação estava um pouco diferente, sua cabeça estava em meu peito, sua perna esquerda estava sobre a minha e seu braço esquerdo passava por cima do meu abdômen, me abraçando pela cintura. Minha mão direita estava em cima do seu braço que me abraçava enquanto meu braço esquerdo a envolvia.

Fiquei observando a cena por vários minutos, fazendo carinhos bem leves em seu cabelo e rosto. Estiquei um pouco meu braço direito e consegui pegar meu celular, eram 10h19. Acabei tendo a belíssima ideia de tirar uma selfie nossa, assim como estávamos. O flash do celular felizmente não a acordou e se acordasse não seria um problema.

O resultado ficou perfeito! Ainda não tinha notado, mas nós ficávamos bem juntas.

Por mais que aquela posição em que estávamos estivesse ótima, eu precisava levantar, mas não queria acorda-la, o bom é que ela tem o sono meio pesado. Consegui me desvencilhar de seu corpo sem que ela sequer suspirasse. Fiquei olhando-a mais um pouco, quando dei por mim, meu rosto estava a centímetros do dela. Observava seus lábios com desejo. E então, não aguentei. Fechei meus olhos, acabei com a distância que existia entre nós e lhe dei um selinho demorado.

Eu tinha esperanças de que ela acordasse durante o beijo e começasse a me corresponder, mas isso não aconteceu. Fora que, segundo ela, a Branca de Neve aqui, sou eu, portanto, eu é que desperto com beijos, se bem que ela é minha Bela Adormecida, outra princesa que acorda com beijos, mas isso são apenas contos de fadas.

Saí de seu quarto toda sorridente e fui direto para a cozinha procurar o que comer. Acho que estou pegando a mania da Camila de quebrar os hábitos de higiene matinais nos fins de semana.

Enquanto eu tomava um copo de achocolatado com biscoito, lembrei do diário que eu tinha achado entre as roupas da Camz. Por mais que eu achasse errado, vi ali uma ótima chance de conhecer os sentimentos de Camila por mim. Não pensei duas vezes e, ao terminar minha refeição, fui direto ao quarto de Camila pegar o tal diário na esperança de conter algo sobre mim ali. Peguei-o e fui em direção ao sofá maior da sala. Isso estava sendo uma tremenda invasão de privacidade, portanto, só iria ler a partir da data em que me mudei para cá. Eu amava o fato de ela ser organizada, tudo que ela escrevia ali continha data, o que facilitou bastante para mim.

Eu estava totalmente fascinada e impressionada com todas aquelas palavras; cada vez que eu folheava aquele diário, uma explosão de sentimentos começava a ser descrito em outra. Era muito mais do que eu esperava. Não era apenas atração ou paixão, era amor. Camila realmente me amava. O seu “eu te amo” na noite anterior não foi em vão.

Na última página que ela havia escrito, - da qual tinha sido escrita na noite de anteontem (briga com o Tyler), provavelmente quando fomos dormir, depois de nos despedirmos com aquele abraço carinhoso e demorado - estava a parte mais dolorosa de tudo o que ela havia escrito sobre seus sentimentos a meu respeito.

"Quando ela segura minha mão ou beija minha testa, o meu desejo é que aquilo seja eterno, que aquela sensação de proteção que ela me passa, dure para sempre.

Toda vez que chamo por seu nome, na verdade quero chamá-la de AMOR.

Toda vez que sinto o toque dos seus lábios em minha bochecha, tenho uma vontade quase que incontrolável de virar o rosto e beijar sua boca. Por que é tão difícil eu dizer para Lauren que a amo e que isso não é amor de amiga?

A verdade é que no fundo eu tenho medo da rejeição. Eu não estou confundindo as coisas! Eu estou a quase três meses tentando esconder ou desfazer-me desse sentimento, e não consigo, pelo contrário, o sentimento só aumenta e eu não consigo ignorar, continuo tentando agradá-la. Conviver com ela sentindo o que sinto, não podendo tê-la como minha namorada, é uma tortura... Uma tortura da qual eu aceitaria ser torturada para o resto da minha vida, já que ela estaria do meu lado e isso é o que realmente me importa: tê-la perto de mim.

Eu tenho medo de estragar isso me declarando; se eu for rejeitada, nunca conseguirei olhar para ela novamente, não por ela possivelmente me machucar ao me rejeitar, até porque o fato dela me rejeitar não me machucaria tanto (ou será que sim?), quer dizer, eu ficaria triste por não ser correspondida o que é normal, provavelmente choraria bastante, no entanto, ela só me machucaria de verdade se me tratasse mal, falasse coisas ruins de mim, espalhasse mentiras sobre minha pessoa, me dirigisse palavras horrendas, e eu sei que ela nunca faria isso (não me senti machucada nem mesmo quando ela me disse aquelas coisas no restaurante, hoje mais cedo. Eu precisava ouvir aquilo.), mas o fato é que toda vez que eu a olhasse, eu lembraria da rejeição, lembraria do quanto meu coração sofreu, do quanto eu provavelmente teria ficado envergonhada durante o ato da rejeição pós declaração e principalmente, lembraria de como éramos antes de tudo, antes de eu ser rejeitada porque provavelmente ela mudaria comigo.

Talvez seja melhor continuar assim. Prefiro conviver com ela dessa maneira, do que revelar meus sentimentos e levar um NÃO que pode vir a destruir o relacionamento que temos. Eu não posso me iludir com nenhuma das nossas brincadeiras, nem mesmo com o que ela disse para o Tyler no restaurante sobre ela ser muito mais minha namorada do que ele.

Se eu não posso tê-la de verdade, que seja ao menos por brincadeira."

Terminei de ler em lágrimas. Seu sentimento era tão lindo e era por mim! Por mim. Camila estava me dando um valor que nenhum garoto ou garota que dizia me amar já havia me dado. Ela só queria estar perto de mim. Camila já havia explicado vagamente o porquê de não ter me beijado quando tentei, mas agora eu a compreendia melhor. Ela realmente tinha medo. Medo de estragar tudo e romper qualquer tipo de relacionamento que tenhamos. Medo de ter que se afastar. Medo de me perder. Ela está desistindo de mim por isso.

Seu amor por mim mesclado ao receio de ser rejeitada a fez esconder seus sentimentos. Os meus beijos que ela recusou significariam tudo para ela e eu como uma idiota sempre dizia que não significaria nada. Que burra eu fui. Não queria magoá-la, eu só dizia isso numa tentativa falha de tentar tranquilizá-la e assim fazê-la ceder.

Enxuguei minhas lágrimas e automaticamente comecei a pensar em vários momentos que passamos juntas, refletindo sobre suas ações. As lágrimas insistiam em voltar a cair. Suas palavras gravadas nas páginas daquele diário não saiam da minha cabeça.

Limpei meu rosto das lágrimas novamente e fui guardar o diário onde o havia encontrado. Camila continuava dormindo, respiração suave, cabelos levemente bagunçados. Me aproximei, ajoelhei-me no chão, ficando do seu lado da cama, acariciei seu rosto e sem que eu percebesse, sorri deixando uma lágrima escorrer. Ela estava do meu lado o tempo todo e eu só a via como uma amiga doce, - e gostosa, diga-se de passagem - dedicada, linda, mas que não era pra mim.

Eu estava errada. Completamente errada. Ela é perfeita. Ela foi feita para mim. Até minha mãe enxergou isso primeiro que eu, mas eu insistia em negar por conta de minha covardia, de meu medo de ser magoada como fui antes. Covarde!

E se essa fosse a grande oportunidade da minha vida? Eu a deixaria escapar? Não! Eu não vou deixar isso acontecer. Eu acabei de dar o passo mais difícil: admitir a mim mesma que gosto de Camila e que eu a quero comigo. O resto é o de menos.

(...)

Ainda antes de Camila acordar, recebi uma ligação de Vero que despertou-me de meus devaneios. Minha amiga convidou-nos para uma festinha na piscina em sua casa, nada grande, só as garotas com quem saí noite passada e nossos outros amigos mais próximos, segundo a mesma. Eu iria com toda a certeza, preciso desabafar.

Depois que Camila acordou, fiz umas leves provocações, só para não perder o costume. Almoçamos, conversamos um pouco sobre noite passada, mas ela não lembrava de muita coisa depois que começou a beber, como eu já imaginava. Ficou me perguntando se ela havia aprontado algo, mas decidi me pronunciar apenas na frente das meninas mais tarde, assim eu teria testemunhas a meu favor, já que viram quase tudo, se bem que Ally provavelmente não vai lembrar de muita coisa e quanto a Dinah não tenho tanta certeza também, mas Normani com certeza terá muito a acrescentar, inclusive vídeos.

Aproximadamente às 14h30 saímos rumo a casa dos Iglesias, consegui convencer Camila a ir, já que a mesma ainda sentia os sintomas da ressaca. Ao chegarmos nos deparamos com os casais ali presentes como Vero & Lucy juntamente a Dinah & Mani - ok, as duas últimas não são um casal, mas é como se fosse - brincando de briga de galo na piscina com Ally e Keana.

Vero pede para que nós nos juntemos a elas na piscina, mas eu queria logo exibir os vídeos e ver o que estava no celular da Mani. Não demora muito e todos que estavam na água passam a se enxugar para irmos para a sala assistir na grande TV ali. Antes mesmo de entrarmos na casa, tive uma surpresinha não muito agradável. Pensei que Hérick, Diogo e Mah fossem os únicos que faltavam ali, mas eu estava enganada.

- LANNA! - arregalo-os olhos em espanto ao ouvir a baixinha praticamente gritar o nome do projeto de miss universo. Lancei um olhar quase mortal para Vero que se fez de desentendida.

- Pelo visto alguém está caminhando pela estrada do pecado. - Camila diz maliciosa se referindo à Ally em relação a Lanna, me fazendo rir. Talvez ela tivesse razão.

Em poucos instantes estávamos todos na sala, a maioria sentados no chão. Para minha surpresa, Ally lembrava mais do que eu imaginava, com exceção da parte do pole dance que ela realmente estava muito louca.

- Você não lembra do pole dance, Ally? - Camila perguntou rindo.

- Não... O que aconteceu? - a baixinha perguntou confusa.

- Do pole dance você não lembra, mas aposto que do chupão da Laur você lembra, né safada? - Dinah se pronuncia fazendo todas rirem, menos minhas lesbas que de início ficaram apenas pasmas, mas depois começaram a rir. Quem não gostou nem um pouco foi Lanna. Criatura irritante. Parece que nunca se divertiu com as amigas.

- Não tem vergonha de se aproveitar de alguém que não está em pleno estado de consciência? - a atrevida pergunta e eu tento me controlar na resposta, sendo bem calma.

- Para a senhora miss desinformada, foi ela quem pediu e eu estava bem receosa a respeito de fazer ou não, mas todas ali apoiaram e me incentivaram a fazer, portanto, eu fiz. Tá com ciúmes da Ally?

Essa última parte foi totalmente maliciosa. A baixinha que estava ao seu lado ficou levemente ruborizada.

- E se eu estiver? - eu ficaria muito feliz. Pensei, afinal, se ela tivesse algo com Ally, talvez se afastasse de Camila. - Você morre de ciúmes da Camila e creio que isso não seja segredo para a maioria aqui. Além de idiota é cega, ou se faz.

Insolente!

Levantei-me rapidamente, mas Camila me segurou antes que eu pudesse dar qualquer passo na direção daquela garota. Eu não iria agredi-la, não mesmo, mas estávamos começando um showzinho que não precisava de plateia. Apenas iria arrastá-la pelo braço até um lugar que pudéssemos conversar a sós, no entanto, Camila me impediu.

- Já chega, meninas. - Ally diz mantendo a calma, antes que o clima ficasse pior. - Respondendo à pergunta da Dinah, acho que lembro um pouco... Foi logo depois do chupão da Laur na Mila, não foi? - novamente meus amigos pasmaram. Isso foi o suficiente para esquecerem do pequeno ocorrido entre mim e Lanna instantes antes.

Normani e Dinah começaram a falar do chupão em Camila, que tinha sido muito louco, que o cara ficou super envergonhado e tudo mais. Percebi que quem já estava ficando envergonhada era Camila e resolvi cortar o assunto.

- Falando nisso tenho até que ver se consigo esse vídeo lá na boate, mas enquanto não temos esse, vamos nos divertir com o que temos. Camila, pode me emprestar seu celular um momento? - falei e ela assentiu.

Com o consentimento das envolvidas, conectei o celular na TV, procurando pela pasta de vídeos da câmera. Assim que achei coloquei o primeiro vídeo da noite: o chupão na Ally. Ela logicamente ficou envergonhada, não acreditando que tinha insistido para que eu fizesse aquilo, mas achou graça assim mesmo. Em seguida foi o do pole dance, onde Dinah e Ally dançavam como loucas. Obviamente a qualidade dos vídeos não era das melhores, mas dava para ver muito bem as duas ali. Dinah disse que lembrava de tudo e que faria novamente. Camila só tinha esses dois vídeos em seu celular sobre a noite passada, então pedi o celular da Mani. Agora era a vez da Camz ver o que ela aprontou.

- Camila, você realmente não lembra de nada? Tipo, você dançando ScheiBe pela segunda vez... - Dinah perguntou.

- Tocou ScheiBe de novo? - Camz questiona animadamente espantada e assentimos.

- Pelo visto não lembra mesmo. - Ally comenta divertida. - Se prepara, Mila. As cenas são tão fortes que o Troy pensou que você e a Laur se pegavam.

- Como assim? Meu Deus! O que eu fiz?

Assim que o vídeo começou, as meninas ficaram todas loucas, gritando na sala como se estivessem num show dos ídolos delas. Só de rever aquilo estava me dando um calor danado. Camila assistia tudo boquiaberta, como se não acreditasse, pena que no vídeo não dava para ouvir o que ela falava no meu ouvido enquanto dançávamos.

- Aê, Camilo! Pegou a Michelle de jeito. A imagem nem tá essas onda toda, mas daqui tô vendo a baba escorrendo pelos lábios da Laur.

- Não é Camilo, é Karlão. O primeiro nome da Camila é Karla. Karla Camila. - Dinah revela a minhas amigas que demonstram surpresa.

- Ai que lindo. - Lucy se pronuncia toda fofa. - Até nisso elas combinam, ambas têm nome duplo. Lauren Michele e Karla Camila.

Um "awn" coletivo surge ali, me fazendo rir.

- Muito engraçadinha vocês. Já pensaram em montar uma companhia circense? - perguntei sarcasticamente.

- Eu prefiro stand up, na verdade. - Verônica inicia. - Mas voltando ao assunto, bateu até uma dúvida agora: foi Karlão que pegou Michelle, ou Laurenzo que pegou Camila?

Eu definitivamente odiava quando me chamavam de Laurenzo. E todas ali sabiam muito bem. Peguei uma almofada e taquei na maldita.

- Cara, nós precisamos sair TODAS juntas um dia! - Keana disse divertida. - Vocês são outras pessoas quando bebem.

Camila permanecia calada. Perguntei se ela estava bem e ela apenas murmurou um "aham" seguido de um "eu não acredito que fiz isso" e então me pediu desculpas. What? Se ela soubesse que eu passaria o dia todo me esfregando nela daquele jeito. Já estava achando que não tinha sido uma boa ideia assistir esses vídeos em grupo.

- Você tá com envergonhada? - pergunto para que apenas ela possa escutar.

- Não exatamente. Foi divertido. Eu faria tudo de novo, estando bêbada ou não. - ela responde no mesmo tom.

Meu coração acelera e um riso bobo se forma em meus lábios. Eu definitivamente não esperava por uma resposta dessas vindo dela. É como se esse tempo todo ela estivesse me dando respostas incompletas, e por algum motivo neste momento ela perdeu o medo, o que é estranho já que a mesma deu a entender que desistiu de tentar ser mais que minha amiga. Será que ela mudou de ideia depois que escreveu aquilo?

- Eu também faria novamente. - sorrio e ela corresponde. - Ainda tem mais coisas que você aprontou, posso continuar?

Camila se espanta, mas logo me dá permissão para continuar. Ela não é o tipo de garota tímida, mesmo que as vezes fique envergonhada com certas coisas. Ela é mais o tipo que dá a cara à tapa. Percebi que ela só fica tímida em algumas vezes que estamos sozinhas. Em meio ao falatório das meninas presentes na sala, disse em voz alta para que todas pudessem ouvir:

- Elas só não filmaram as melhores partes... Você pegando na bunda de um monte de gente pedindo para que eles te ligassem. Fora o apertão que você deu na minha bunda logo depois de me lançar um olhar safado.

- Eu fiz o quê? - perguntou incrédula o que fez todas rirem. - Eu não lembro de nada disso.

- Como é? Quer dizer que Camila ainda deu em cima de você? Onde eu estava nesse momento? - Dinah pergunta surpresa.

- Vocês já tinham ido, nessa hora da mão boba nós é que já estávamos indo embora... E ainda tem os tropeços que ela deu no estacionamento da Explicit, inclusive quase me leva ao chão em um deles. - virei-me para Camila, que ria nesse momento e continuei. - Fora que tive que te carregar nos meus braços porque você não tinha forças pra sair do meu carro quando a gente chegou em casa.

- Gente do céu! Eu não sei onde enfiar minha cara. Eu definitivamente não posso mais beber. Eu fico debilitada. - Camila disse ao mesmo tempo em que ria bastante de si.

- Fica na tua que tu nunca mijou no sofá da tua mãe e quase viu o inferno de perto. - Vero disse como quem não quer nada.

- Posso contar o que aprontei com você quando acordou? - pergunto a Camila após cessar o riso a respeito do comentário de Verônica.

- Nossa, Lauren. Você é péssima. Pode contar sim, quero que as pessoas saibam a amiga horrível que você é. - responde divertida, como sempre.

"Ah, claro. Amiga.", "Confia que é só amiga.", "Amigas que se pegam."

As meninas não conseguem aceitar que somos apenas amigas e começam a ironizar o fato de Camila ter me chamado de amiga. Sinceramente, eu também não posso mais aceitar isso, não depois de tudo que eu li, foi um choque de realidade do tipo "Lauren acorda pra vida", mas é algo que tenho que resolver somente com ela e é claro, teria que me consultar com meus conselheiros, precisava dividir com eles a felicidade que me consumia e eu tanto tentava controlar naquela sala.

- Hey! - chamo a atenção. - Foco aqui. Eu fui um pouco filha da puta ontem à noite, deixei nossas roupas que usamos ontem espalhadas no chão do quarto dela e hoje quando ela acordou, pensou que nós havíamos transado.

- Mas é claro. - Camila inicia sua defesa. - Eu perguntei se você tinha dormido no meu quarto, na minha cama, comigo e você disse um aham com a voz meio sexy, semelhante ao daquelas garotas de programa ofegantes after sex e ainda por cima vestia uma roupa minha.

- PARA TUDO! Vocês dormiram juntas? - Keana perguntou como se isso fosse alguma surpresa para ela. - Oh my God!

- Normal, já dormimos juntas outras vezes... - Camila revelou e por essa eu não esperava.

- Olha, vou falar uma coisa pra vocês duas: Camila e Lauren, comam-se logo, porra! É difícil shippar Camren como um casal com vocês ficando de cu doce.

- Concordo, Vero. - DJ disse, espalmando sua mão com a de Vero. - Todo mundo sabe que vocês se gostam, menos as duas pessoas a quem isso mais interessa: vocês.

Eu e Camila nos entreolhamos e sorrimos negando com a cabeça. Ainda bem que Vero tem Lucy. Imagina se ela se pegasse com a Dinah, seriam o Satanás em forma de casal... Pior! Imagina se uma delas fosse homem e elas se pagassem e tivessem um filho... Nasceria tipo um Lúcifer Junior. Misericórdia! Alexa seria usurpada. Ops, escapou.

Essa tarde ainda renderia muito.

 


Notas Finais


E então minha gente, como estamos? Eu achava a primeira parte desse capítulo (a boate) muito divertida, mas daí eu li e reli tantas vezes que perdeu um pouco a graça pra mim. Já a segunda parte, na casa da Vero, achei super desnecessária, porém, é importante ligação pro próximo capítulo. E falando nisso, pra não dizer que eu não avisei, para o próximo capítulo tragam seus escudos, coletes e armaduras... Eu não disse pra quê *lua escura*
Até a próxima e não desistam de mim. Beijos, amo vocês <3


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