História Colégio Runeterra - Capítulo 38


Escrita por: ~ e ~Seredine

Postado
Categorias League Of Legends
Tags Drama, League Of Legends, Romance
Visualizações 158
Palavras 4.232
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Festa, Ficção, Magia, Romance e Novela, Saga, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


gente ahri star guardian tao linda
nem jogo com ela mas quero
ai ta faltando o ultimo S pra m7 de rakan me ajudaa
aaaa
esse cap é confuso

Capítulo 38 - Por todas as mentiras


Fanfic / Fanfiction Colégio Runeterra - Capítulo 38 - Por todas as mentiras

— Você tem certeza de que não quer ir? — Ekko perguntou pela décima vez, segurando as mãos de Jinx nas suas.

O rapaz sabia que ela nunca gostou de acompanhá-lo para a casa de sua vó no dia de Natal, era entediante para qualquer pessoa que não fosse da família. Mesmo assim, ele não queria deixa-la sozinha por três dias. Ele ainda estava em estado de alerta pelo o que havia acontecido na festa de Draven.

— Eu acho que preciso passar esse tempo em família, sabe? Só minha mãe e eu — ela sorriu serenamente, colocando uma mecha do longo cabelo azul atrás da orelha. É, Jinx lhe contou que ela havia se reconciliado com a mãe, mas não custava muito para que se afastarem de novo. — Você está preocupado?

O rapaz apenas deu de ombros. Jinx dizia que podia ficar bem sozinha e ele queria acreditar nisso, mas não conseguia, não em tão pouco tempo depois de um surto.

— Eu estou bem, ok? Três dias sem te ver não é tanta coisa — ela revirou os olhos e então algo iluminou-se em sua mente e ela sorriu sedutoramente. — Quando você voltar, eu vou estar te esperando na casinha da árvore com aquele vestido que você gosta.

— Bom saber — ele sorriu quando ela inclinou-se e beijou seu pescoço com uma risadinha travessa, distraindo-o de sua preocupação. — Ei, não mude de assunto. Se acontecer alguma coisa você me fale, ok?

— Não vai ter vestidinho se você ficar agindo que nem minha mãe — ela reclamou, lhe lançando um olhar de aviso. Ekko suspirou e ela percebeu que ele falava sério. — Tudo bem, tudo bem. A gente já teve essa conversa umas dez vezes, podemos parar?

Ekko sempre desconfiava, pois ela sempre falava que estava bem e não estava. Sempre prometia que iria se comportar e mentia. Ele sabia que deveria parar de trata-la como uma criança, só não queria voltar para uma tragédia que ele não pôde evitar. Três dias. Se algo ruim acontecesse, seria a ultima vez que eles se viam. Mas se ela dizia que a sua mãe podia ficar de olho, ele teria de confiar nisso, ou não iria conseguir descansar.

 — Ok. Divirta-se com a sua mamãe e o vestidinho — Ekko lhe deu um beijo na testa e ela sorriu, parecendo achar que ele confiava nela.

— Vou sentir a sua falta — ela murmurou docemente. Se ela não tivesse lhe dado um gentil adeus na casinha da árvore, ele iria ficar com mais saudade ainda. Ser vizinho de sua namorada tinha suas vantagens, afinal.

— A gente tem que estar na rodoviária em vinte minutos, vai logo! — sua mãe gritou do outro lado da porta. Aquela mulher odiava chegar atrasada para qualquer lugar. Geralmente ela entraria e começaria a brigar, mas após saber da notícia de que os dois adolescentes estavam juntos, ela parecia ter medo de que toda vez que estivessem com a porta fechada estariam nus. Era como se eles nunca tivessem entendido o motivo da casa na árvore ainda ser usada.

— Ok, eu já estou descendo — ele respondeu educadamente. Jinx lhe abraçou apertado, fazendo difícil dele ir embora. Não havia nada que eles precisassem dizer naquele momento, então a garota lhe deu um beijo e saiu pela janela, pendurando-se na árvore para chegar ao próprio quarto.

***

Garen iria vomitar se visse Lux e Ezreal próximos de novo. Ele já havia deixado de lado o ciúmes protetor de sua irmã após algumas semanas do rapaz frequentando a casa. Os dois pareciam feitos um para o outro de tão iguais que eram. Ele achou que o namoro seria positivo para que sua irmã ficasse mais tranquila, mas ela continuava tensa e preocupada com tudo que não era de sua conta.

Seu pai disse que não haveria punição para a indiscrição que aconteceu no quartel de Noxus, pois estava claro que tal comportamento não seria repetido, por mais que ele quisesse. Mesmo assim, eles terem convidado Ezreal para a reunião da família Crownguard na casa de campo o fazia sentir-se péssimo, como se o casal feliz e apaixonado fosse um lembrete que ele nunca iria viver tal paz com Katarina.

Desta vez, era ele que não respondia mensagens e ligações. Por mais angustiado que ficasse, sabia que era a coisa certa para os dois. Eles ganhavam muito mais de suas vidas se ficassem separados. Ele não queria que seu pai percebesse o quanto ele estava chateado, mas era difícil quando sentava na mesma mesa que Lux e Ezreal, trombando os narizes num estúpido beijo de esquimó.

— Ok, se vocês não pararem eu vou ser obrigado a bater em alguém — Garen resmungou.

— Você está ameaçando agredir sua irmã? — o primo Henry disse, horrorizado, como se aquilo não fosse uma brincadeira. O rapaz era alto e magro, narigudo. Garen nunca gostou dele, que sempre se achou melhor que todo mundo por ser um prodígio em cálculo.

— Na verdade eu ia bater nele. E... não se mete, Henry — o rapaz retrucou, respirando fundo.

— Você anda tão sarcástico e amargo... me pergunto de onde isso pode ter saído — Lux suspirou, obviamente se referindo ao senso de humor maldoso de Katarina. Aquilo o fez lembrar do riso desdenhoso que ela tinha toda vez que o rapaz recitava um lema demaciano, o que claramente não o ajudou a se sentir melhor.

— Tanto faz, só... não fique esfregando na minha cara, ok? — Garen girou seu dedo, apontando os dois e suspirando.

— Garen, você se lembra de quando eu tinha uma queda pelo Jarvan? Bem, eu soube que não ia dar certo porque ia te magoar e a família dele não iria aceitar porque eu não sou da realeza, além do fato que ele prefere as garotas malvadas. Foi difícil superar, mas é, aqui eu estou, feliz e apaixonada. Você só precisa se dar um tempo pra esquecer isso — Lux falou docemente, vendo que ele estava realmente chateado. Ela colocou sua mão por cima da dele, em apoio.

— Ela não é uma quedinha — ele respondeu firmemente, afastando a própria mão.

O primo Henry ouvia atentamente. Se ele não sabia do que eles estavam falando, era sinal de que a mãe não havia espalhado a fofoca ainda. Ele não sabia quais seriam as reações, provavelmente esses discursos iguais aos de Lux.

— Nós vamos ficar numa boa, certo, Lux? Já deve estar sendo complicado o bastante para o Garen, saber que nunca vai poder ter a garota que ele quer — Ezreal suspirou, como se não tivesse sido um tanto grosseiro.

— Por que você não está passando o feriado com a sua família? — Garen perguntou num tom grosseiro, como se quisesse deixar claro que não o queria ali.

— Eles ainda estão vagando pelo Kummungu, não tem tempo para férias — o rapaz respondeu, um tanto ressentido. Ser deixado para trás não deveria ser fácil. — E Lux me disse que ia ter comida boa, então...

— De onde você é? — o primo Henry indagou, levantado uma sobrancelha.

— Piltover — o rapaz respondeu timidamente.

— Perto demais de Zaun — o outro virou o rosto, não muito impressionado.

— Se quer saber, isso foi exatamente o que papai disse! — Lux surpreendeu-se. Garen não sabia se ela estava sendo cínica ou não. — Mas não importa de onde ele vem, continua sendo o meu pompomzinho.

Lux apertou a bochecha de Ezreal, que corou violentamente. Garen deu uma risada, aquele provavelmente era o apelido secreto dele ou algo assim. Lux adorava criar apelidos carinhosos e constrangedores para todo mundo. O primo não pareceu entender muito, então apenas assentiu.

— Então você diz que não devemos julgar as pessoas pelo lugar de origem? Uau, isso é um tanto revolucionário demais, não acha? — Garen fingiu-se intrigado.

— Não. Depende do que essa pessoa mostra, tipo, eu não namoraria um valentão, principalmente se for do tipo que chega a fazer uma amiga tentar se matar — Lux o olhou nos olhos, séria. — Eu julgo as pessoas pelo o que elas se mostram ser.

Garen não entendia por completo o que aconteceu entre as irmãs Du Couteau e Riven, mas o que quer que fosse, Kat não parecia orgulhosa daquilo, ao contrário da outra. Ele sabia que a ruiva era fria e ríspida, mas quando passava disso, era a garota dos sonhos dele. Um pouco noxiana demais, mas mesmo assim.

— Isso por que você conhece todo mundo, não? — Garen levantou-se, irritado.

— E você conhece? — Lux resmungou.

Garen afastou-se sem dizer nada, não queria explodir e acabar dizendo coisas que o primo Henry não deveria ouvir. Tudo o que ele mais queria era ver sua prima Clary, com quem ele poderia desabafar. Ela iria entender, uma das raras garotas demacianas que se interessavam no exército da salvação, quando tinha a idade dele, fez um voto de castidade e foi à luta, contra a vontade de seus pais, por ela ser a filha única. Algumas garotas não eram feitas para serem boas esposas, mas sim lutadoras. Eram as garotas interessantes. Infelizmente, sua prima estava em missão e só voltaria no ano seguinte.

Entediado, o rapaz foi à cozinha, bisbilhotar se os doces já estavam para ser servidos. Ele ficou do lado de fora, observando. Sua mãe, Augatha, estava rindo e conversando com as outras mulheres e ficou atenta quando viu seu filho chegando, fazendo sinal para ele lhe encontrar na sala. Como ela parecia séria, ele já imaginava que estava encrencado.

— Aconteceu alguma coisa? — ele quis saber, vendo-a respirar fundo.

— Você esqueceu seu telefone na cozinha — a mulher lhe entregou o celular. Como um hábito, ele ligou a tela e viu que tinha sete ligações perdidas de Katarina. O rapaz franziu o cenho: não havia noticia dela desde o dia da profissão, então o desespero dela para dizer algo parecia importante. Após a surpresa inicial, ele voltou os olhos para a mãe, que parecia desapontada. — Você nos disse que ia fazer a coisa certa. Mesmo assim, essa garota te liga bêbada e chorando no meio de um feriado.

— Você atendeu? — Garen ficou horrorizado. — O que você disse?

— É claro, ela não parava de ligar — a mulher deu de ombros.  — Eu só falei para ela parar de te atrapalhar.

— Eu juro que não nos falamos desde aquele dia. Não pode brigar comigo por ela ter me ligado, não é como se eu a controlasse — ele deu de ombros, nervoso.

— Tem razão, não posso te castigar por isso. Então, só para deixar tudo claro, nós vamos bloquear o número dela, certo? Só para não haver nenhuma situação chata como essa — ela colocou-se ao lado do filho com a mão em seu ombro, colocando pressão. Quando ele manteve-se em silêncio, ela teve sua resposta. — Bem, é isso ou eu quebro seu telefone.

Garen suspirou dramaticamente, frustrado, apenas para deixar claro que não queria fazer aquilo. Sua mãe acariciou seu ombro, incentivando-o. Derrotado, ele bloqueou o número e então sua mãe pegou o telefone na hora de colocar a senha de desbloqueio.

— Nós só queremos o seu bem, querido — ela falou docemente enquanto virou-se e trancou uma senha que ele não viu. — Isso já é chato o suficiente, não? Espero que não chegue no ponto de ter que te mudar de escola no meio do ano letivo.

Ela bagunçou os cabelos do filho carinhosamente e saiu sem dizer mais nada. Garen esperou ela estar bem longe para correr e se trancar no quarto de hóspedes para socar o guarda-roupa com toda a força que tinha.

***

Zed admitiu sentir-se um tanto aliviado quando Ahri foi embora. Ele simplesmente não se dava bem com ela, mas preferia não dizer nada porque Syndra parecia estar muito feliz com tê-la novamente como amiga. Ele não podia nem falar sobre a reputação da raposa, pois os outros dois também não estavam com a ficha limpa.

— Você comprou as coisas que eu pedi? — Syndra o abraçou por trás, apoiando o queixo em seu ombro, o que não era difícil, eles tinham quase a mesma altura.

— Eh, eu estou indo agora — o rapaz olhou para a própria mão, onde havia anotado “compras” e sentiu-se um pouco bobo. Syndra ficou realmente brava, largando-o e cruzando os braços.

— Agora? Já está tudo fechado! Como vamos fazer uma ceia agora? — ela reclamou.

— Por que precisamos de uma ceia? O verdadeiro significado da Friaca é a união e nós vamos estar juntos no nosso novo lar — Zed sorriu, tentando desviar do assunto. As economias deles finalmente eram suficientes para alugae um flat no centro de Ionia. Já começaram a pagar, mas decidiram pegar as chaves do lugar no Natal para ser mais especial.

— Eu quero frango frito, então — ela resmungou, ignorando a parte adorável do que ele disse.

— Picante? — Zed indagou e então ela apenas concordou com a cabeça.

Sem querer se esforçar muito, o rapaz pediu pelo celular. Syndra se jogou na cama bagunçada e Zed sentou-se ao seu lado. Ele estava feliz em pensar que os dois iriam ter sua própria casa e se formar na escola, tudo iria ficar para trás.

Os dois eram muito temperamentais, brigavam o tempo todo, mas sabiam que estavam sozinhos, só tinham um ao outro e era assim que funcionava. Zed estava aprendendo a escolher suas batalhas com a garota, para não causar problemas grandes. Os dois eram um bom casal, mesmo com seus defeitos. Só ela entendia o que ele passou e vice-versa. Eles se amavam e ficaram juntos até o fim.

Zed ansiava para a formatura, ter certeza que nunca teria de olhar para Akali, Kennen e Shen. Os quarto se conheciam desde crianças, treinando na Ordem Kinkou para serem ninjas defensores de Ionia e seu equilíbrio. Zed nunca sentiu-se pleno como seus colegas, toda a conversa de ‘equilíbrio’ fazia sua magia parecer medíocre, ele sabia que podia mais, mesmo que considerassem proibido. 

Ele deveria ter sido mais cuidadoso com sua magia, mesmo assim. Coisas ruins aconteceram, um amigo dele foi parar no hospício, o pai de Shen se machucou e ele foi expulso. Ele não queria que tudo aquilo tivesse acontecido, só queria que todos pudessem ser verdadeiros, não o ioniano equilibrado, preso nas correntes dos anciãos. Era perigoso, mas necessário.

Syndra tinha uma visão parecida. Seus pais eram religiosos fervorosos que a mantiveram em rédeas curtas durante toda a vida por sua magia ser ‘poderosa demais’. Quando ela ficava brava, coisas ruins aconteciam, coisas que ela não conseguia controlar. Após um acidente, eles quiseram trancá-la em um templo para drenar um pouco de sua magia, para ela ser mais segura. Foi aí que ela fugiu e os dois se juntaram para conseguir sobreviver.

Demorou um tempo para perceberem que o que sentiam um pelo outro era mais do que uma amizade solidária, mas ele ficava feliz que aconteceu. Eles simplesmente combinavam, juntos eram imbatíveis. Claro que eles já haviam passado da fase ‘lua-de-mel’, ele via todos os defeitos de Syndra mas isso não o impedia de a amar tanto. Os dois viviam como casados, era até engraçado, todos os seus colegas ficavam atordoados com a dinâmica simples deles.

 — Eu acho que a Ahri está com problemas e não quer me contar. Sabe, eu sei que ela não superou o que aconteceu com a Miss Fortune, ela sempre evita o assunto — Syndra resmungou, respirando fundo.

Como dito anteriormente, ele não gostava da raposa. E ela estava tendo um efeito estranho em Syndra, que estava se arrumando mais, lhe lançando olhares tentadores em momentos inapropriados e falando com ele sobre aquelas coisas de garota que ele não dava a mínima.

— Eh, dê um tempo. Ela precisa ficar sozinha — foi a resposta dele, dando de ombros.

— Você não gosta dela, né? — a garota deu uma risada. — É, dá pra se distrair, ela é bem bonita, não?

— Isso é uma armadilha — ele franziu o cenho. Sentia que logo mais ela iria estar tacando coisas nele e lhe chamando de cafajeste por dizer que, obviamente, Ahri era bonita.

— Então você concorda? Acha que ela é bonita? — ela lhe lançou um olhar mortífero.

— Eh... não tanto quanto você, é claro. Não curto os rabos e tal... é meio assustador. Já você, é tudo o que eu poderia sonhar — ele acariciou o rosto dela, um tanto incerto. Parecia uma boa resposta, certo?

— Então ela é bonita? — a garota levantou uma sobrancelha com um sorriso travesso.

— Você está indo por um caminho tortuoso, Syndra. O que acha que vai ganhar com isso? — ele continuava desconfiado pelo olhar atento dela.

— Frango frito — ela riu maldosamente e aproximou-se para um beijo terno, deixando Zed confuso.

Eles estavam realmente sérios no negócio de ‘escolher as batalhas’. Se estavam todos contra eles, não precisavam eles mesmos brigarem. Era um lindo feriado de neve e os dois iriam comemorar no novo lar.

***

Riven sorriu gentilmente vendo Taliyah e Janna saindo do quarto. Ela dispensava as conversas que elas teriam sobre o quanto Draven era bom de cama ou sobre o quanto Lux era sonsa ou Ekko um babaca. Ela já ouvira tudo.

Não que ela não gostasse da companhia, adorou passar a véspera de Natal ouvindo Taliyah conversar com seus parentes em shurimane. Ela não entendeu nenhuma palavra, mas todos pareciam felizes cantando. Era bonito ver uma família unida, mesmo quando ela só aparecia no fundo da câmera da amiga comendo a torta de frango que elas fizeram juntas.

Ela lembrava-se das vezes que foi à mansão de campo dos Du Couteau para o natal, ver toda aquela família enorme trocar presentes e se abraçar enquanto ela, Kat e Talon ficavam brincando com os cavalos no jardim. Nunca pensou que aquelas memórias se tornariam dolorosas.

Ah, Talon. Ela sabia que seria mais feliz se os dois voltassem, mas não poderia deixar ser tão fácil para ele, algumas poucas semanas de convivências não apagavam toda a merda que aconteceu. Ela se sentiria estúpida se chegasse a se permitir isso. Ela não se esforçou tanto para ser adulta para Talon acabar com isso num sorriso. Não era justo.

A garota fechou o livro que lia, frustrada. Ficar em seu quarto não estava fazendo sua mente clara. O que ela precisava era dar uma volta, sentir o suave sol de inverno em suas bochechas. Ela parou perto do parque vazio e soterrado em neve. Teve uma sensação estranha ao ver uma mulher sentada no ponto de ônibus com um pote de comida. Talvez fosse uma sem-teto. Riven sempre dava dinheiro para os mendigos do parque, então juntou os trocados nos bolsos de seu casaco e foi na direção da mulher.

Chegando mais perto, percebeu que a mulher estava um tanto arrumada demais para ser uma sem-teto, mas parecia perdida e amedrontada, tremendo de frio. Aquela era uma região segura, então Riven iria apenas conversar com ela, talvez precisasse de direções.

Ao realmente chegar perto, a ponto da mulher também percebê-la, seu primeiro instinto foi correr para bem longe. Aquela era sua mãe, que levantou-se e chamou pela filha ao perceber que por baixo de todos aqueles casacos estava a garota que a abandonara. Sabendo que agora não poderia evitar, Riven aproximou-se, pálida e confusa.

— Eu sei que é estranho aparecer aqui, mas... é Natal e eu queria ver como você estava. Eu só não lembrava para que lado ficava a escola...  — a mulher coçou a cabeça e olhou para os lados.

— Bem, você chegou perto — Riven estava até um tanto aliviada de sua mãe não ter aparecido na escola, iria criar vários rumores. — Mas você não poderia ter aparecido sem avisar, entende? Deveria ter ligado.

— E você iria atender? — ela lhe lançou um olhar angustiado.

Riven deixou a casa quando estava realmente cheia de tudo. Sua irmã mais velha decidiu mudar-se para a faculdade e deixa-la à mercê do pai bêbado e violento e a mãe que simplesmente aturava tudo aquilo e o defendia e paparicava. Ela sempre gritava com Riven se ela fizesse alguma crítica ao comportamento machista de seu pai. Riven também tinha vergonha das marcas de queimadura que a mulher tinha por todo corpo, sempre fez de tudo para evitar que suas antigas amigas a vissem. Só para contar, aquelas queimaduras eram resultadas pelo pai, mas mesmo assim, ele ainda tinha total apoio dela.

Durante o último ano, Riven demonizou sua família para conseguir lidar com tudo, ficar sozinha e agir como adulta não implicava querer sua mamãe idiota ali. Ela fez suas decisões, Riven fazia de tudo para convencê-la a se divorciar mas sempre acabava mal para ela.

— Não — Riven foi honesta, mas sentiu-se mal ao dizer aquilo.

— Eu sei que você não quer me ver, mas uma amiga sua me mandou uma carta dizendo que você estava com problemas graves e eu... eu ainda pari você, sabe? Não tem como quebrar esse vínculo — ela suspirou, nervosa. Riven achou suspeito, as únicas amigas que conheciam seu antigo endereço eram noxianas, sendo que aquela ação parecia do feitio de Taliyah.

— Posso ver a carta? — ela ignorou totalmente o discurso de sua mãe.

— Seu pai a jogou na lareira, sinto muito. Estava assinada por Cassiopéia, aquela morena, não? Eu lembro de quando ela vinha te buscar em casa. Tinha um carrão, ela — sua mãe respondeu, fazendo Riven arregalar os olhos numa careta confusa.

— Nós não somos mais amigas faz um tempo. Descobri que ela é fútil e psicótica — ela mantinha o cenho franzido. O que Cassie queria com aquilo?

— Bem, na carta ela dizia que você tentou... tentou... — ela parou, como se não conseguisse completar a frase. Riven respirou fundo, sabendo que em algum momento elas iriam falar daquilo. — Isso não é verdade, certo?

— É verdade — Riven falou, firme. — Foi um pouco depois de eu fugir. As garotas tornaram minha vida um inferno depois que eu deserdei Noxus. Eu tentei me afogar na banheira, mas não iria desistir sem lutar. E eventualmente, eu ganhei — ela contou, respirando fundo novamente.

 — Bem, eu fico feliz que você esteja bem agora, ao menos. Sabe, se você quiser voltar, nós sempre estaremos de braços abertos para você — sua mãe sorriu, lhe entregando o pote de comida em suas mãos, que ainda estava morno. — Eu fiz uma caçarola à bolonhesa para você, sei que é seu favorito.

— Eu aprecio a caçarola, mas isso não vai me fazer voltar. Sabe, eu não quero ver o pai nunca mais e principalmente se for para ver você apoiando tudo o que ele faz — Riven respirou fundo, tentando não soar tão brava quanto realmente estava. — Eu não pertenço àquele lugar. Estou muito mais feliz aprendendo a viver sozinha.

— Eu abandonei o seu pai, ontem mesmo. Arrumei minhas coisas enquanto ele dormia e estou na casa da vovó. Ficar sozinha com ele me fez perceber que ele não é o mesmo homem por quem eu me apaixonei há vinte anos atrás — ela suspirou com certo pesar.

— Estou orgulhosa de você — Riven assentiu, tentando não ficar alegre demais. Não queria se relacionar com sua mãe de novo. — Espero que dê tudo certo.

— Se você quiser ir nos visitar qualquer dia... — ela sorriu timidamente, vendo que Riven estava fria.

— Eu vou pensar — ela assentiu. — Feliz natal, mãe.

— Feliz natal — a mulher ecoou um tanto sentida por Riven simplesmente dar as costas para ela e sair andando, sem nenhum abraço ou sorriso.

Ela sentia-se mal. Havia esquecido que sua mãe era mais do que a lavagem cerebral que o marido havia feito nela, era uma mulher simples e gentil, uma enfermeira que vendia doces para completar a renda. Riven simplesmente deixou-a a mercê do pai e sabe-se lá que atrocidades ele fez quando não tinha ninguém para defende-la. Fugir foi a coisa mais egoísta e covarde que ela já fez.

Quando olhou para trás, sua mãe estava observando-a ir, ainda com um ar melancólico. Riven acenou de longe com um sorriso tímido, sentindo-se uma pessoa horrível. Ela simplesmente não poderia trair tudo o que ela acreditava por um senso de nostalgia.

A garota se afastou em passos rápidos, precisava voltar para seu dormitório e chorar. Não se sentia mais a Riven forte e independente que conseguia sobreviver sozinha ao lembrar do que aconteceu com sua mãe. Ela simplesmente fugia de seus problemas. Nunca enfrentou seu pai, nem Cassiopéia, nem Katarina e ainda por cima não teve coragem de se matar. O quanto sua vida seria melhor se ela não fosse frangote? Fazia sentido ter deserdado Noxus antes de Noxus a deserdar.

Riven começou a se sentir muito mal, como não se sentia à tempos. Sua cabeça girava e ela sentia a queda de todas as coisas medíocres que ela construiu para se sentir melhor. Os terapeutas diziam que ela precisava se olhar no espelho e dizer as coisas boas sobre si mesma, mas ela não conseguia pensar em nada, tudo o que ela pensava ser era uma mentira. Ela só era uma garota birrenta e mimada que sempre achava estar certa por sentir que tinha um senso de direção apenas por trabalhar num restaurante à noite. Grande coisa. Ela ainda era uma perdedora covarde.

Ela não sabia como iria chegar para Braum na semana seguinte e dizer que tudo o que eles construíram foi destruído com apenas um sorriso tímido da mãe de Riven. Ela dizia para si mesma que estava pensando racionalmente, mas a vontade de levar sua recaída ao ponto final era extrema. Ela sabia que não queria, mas precisava. Não fazia sentido fazer aquilo por algo tão pequeno, era uma punição para si mesma por todas as mentiras.

E como havia feito há treze meses atrás, ela deitou-se na banheira com roupas, um frasco de remédio e um arrepio na espinha. 


Notas Finais


quando vc pensa numas coisinha mas elas nao valem um capitulo inteiro entao BOOM 4 cenas sem conexao nenhuma
eae quem ficou com um mau pressentimento com a jonx eh nois
ninguem te chamou primo henry
garen cínico melhor garen
porra mae do garen
olha a historia misteriosa do zed rsrsrs
syndra procurando briga adorooo
riven e talon mais enrolados que ekko e jonx e eu nem sabia q isso era possivel
e fica a pergunta pq diabos a cassie mandou a carta e se foi ela msm
mae da riven é um nene q precisa de proteçao parece q é genetico rs
aaaaaaaa riven nao aaaaaaa
adorei o titulo do cap pq dai vcs ficam se perguntando quem ta mentindo e quem n ta...
relfitao
obs: JAIME LANNISTER NAO MORREU ME RECUSO A ACREDITAR


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