História Coletânea de Contos - Adolescente ocioso - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alternativo, Coletânea De Contos, Confusão, Conto, Rebelde, Rock Sexo, Skins
Exibições 7
Palavras 1.187
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lírica, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Adeus, Reese Donavan - Joseph Marshall


Fanfic / Fanfiction Coletânea de Contos - Adolescente ocioso - Capítulo 10 - Adeus, Reese Donavan - Joseph Marshall

Minhas mãos estão grudentas e com retalhos de tinta, enquanto seguro a minha rosa que pintei de preto, olho para os lados, todos carregam rosas vermelhas.

Estúpidos.

Eles nem ao menos sabem que Reese odiava vermelho. A maioria das pessoas presente em seu funeral são pessoas do hospital, Reese nunca teve muitos amigos.

Eu era o único.

Eu sabia qual seria o final dela, ela havia desistido da vida há muito tempo, mas eu ainda tinha um pouco de esperança, eu realmente acreditava que ela poderia ser feliz, por mim, por eu estar ao lado dela, talvez eu tenha me achado importante demais, quando eu realmente não era.

Agora eu sou o estupido.

Acreditei que ela algum dia me amou, eu a deixei entrar no meu mundo, ver tudo o que eu escondo sobre mim, descobrir minhas fraquezas, meus segredos.

Ao menos sei que ela os guardará para sempre.

O vento bate forte e frio no meu corpo, deve ter sido Reese, me mandando parar de falar mal dela no dia do seu funeral. Sorrio com a alternativa e uma mulher que olha desaprovadora.

“Das cinzas as cinzas.” O padre falava sem animo. “Do pó ao pó.”

Aproximei-me da vala enquanto desciam seu caixão, a minha rosa preta foi a primeira a ser jogada, depois, os outros me seguiram, senti a dor de sua morte cair sobre mim como se eu fosse um desenho e a realidade um piano, tudo o que eu queria fazer agora era sair dali, sair de perto das pessoas falsas que não se importavam com ela, que só queriam seu dinheiro.

Eu queria Reese de volta, ela saberia como me acalmar.

Somente Reese sabe como me resgatar da loucura, sem ela, eu me tornarei mais do que insano, posso perder o controle, e isso me da mais do que medo. Os meus ataques de pânico nunca são sutis, então, quando comecei a hiperventilar, todos olharam assustado para mim, meu pulmão doía, parecia como se o ar me sobrasse, a tontura me atingiu logo em seguida, tudo e todos giravam ao meu redor, foi nessa hora que eu corri, corri para dentro do carro do motorista de Rich, o noivo da minha mãe.

“Para o hospital psiquiátrico.” Foi difícil sair alguma coisa da minha garganta, o motorista acenou, e correu o mais rápido que podia.

Não, não, não.

“Pare, pare o carro agora.” Gritei em desespero e o homem me obedeceu. “Não dirija rápido! Vamos morrer.”

“Senhor, não estamos nem a 100 km por hora.”

“Não me importa, ande de vagar.”

“Não há perigo, senhor.”

“Claro que há, sempre há, a qualquer momento uma tragédia pode acontecer, somos caniços pensantes, quebramos por qualquer coisa.”

O homem assentiu e diminuiu a velocidade o máximo que podia, as pessoas passavam buzinando por nos, isso apenas me deixava mais ansioso. Para tentar me acalmar, deitei-me no banco e encarei o teto, contando. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Aquilo é um fundo falso.

Aproximei-me do teto e puxei a pequena parte do teto que estava caindo, dois cigarros caíram em mim.

Deve ser de Sebastian.

Peguei os cigarros e guardei no bolso, aquilo talvez me acalmasse, funcionava para todos, teria que funcionar para mim. Sentei-me novamente e abri as janelas, colocando a cabeça para fora, nada que eu fizesse faria esse calor diminuir.

O carro parou de andar, e pela janela eu li a placa.

Hospital psiquiátrico.

Reese passou seus últimos meses internada aqui, ela deve ter deixado algo para mim, qualquer tipo de coisa que mostrasse que eu não era completamente banal em sua vida.

 Corri do carro para a recepção, tive que implorar para me deixarem entrar, e só o fizeram, por que já me conheciam, das visitas a Reese, sabiam que isso era importante para mim. Subi as escadas sem nem ao menos precisar olhar para as portas, estava tão acostumado com aquele local, era natural para mim, subir até o oitavo andar, no quarto 805. Abri a porta e meu coração afundou.

Nas paredes ainda tinha seus desenhos.

Meu rosto era parcialmente, todos os rabiscos que ela fazia, puxei os meus favoritos e os dobrei, guardando-os no meu bolso de trás, eles iriam comigo, não deixaria que a arte dela fosse jogada fora. Na mesinha branca com seus lápis de cor, tinha uma fita.

Reese amava musica.

No criado mudo ao lado de sua cama, um reprodutor de fita estava aberto, eu coloquei o disco lá dentro e me deitei com os olhos fechados, apreciando seu belo gosto musical. As musicas variavam de Rock dos anos 70 até os 90, a terceira musica era The Clash, Should i stay or should i go, ela havia me mostrado na nossa primeira conversa,

Sua musica favorita.

A voz de Reese interrompeu a musica, sua doce e calma voz fez meu coração afundar no peito, seus suspiros tristes me fizeram ter vontade de estar segurando a mão dela enquanto gravava.

 “Olá Joe.” Ela começou, e meus olhos já estavam transbordando.

“Queria que você me desculpasse, por não cita-lo em meu bilhete, mas eu não podia, o meu sentimento por você é tão grande, que o bilhete logo seria uma carta, se eu tivesse falado sobre você. Saiba que eu te amo. Você foi à única luz na minha escuridão, o único amigo que tentou me salvar do naufrágio, meu aliado querido. Eu não vou pensar em você enquanto estiver caindo, por que se pensar irei me arrepender, você me trás alegria e felicidade, pensar em você apenas faria com que eu morresse com arrependimentos, e isso é algo que eu me nego a ter. Joe me perdoe por não ter sido forte o suficiente, mas saiba que eu tentei, tentei lutar contra meus demônios, mas não é uma batalha fácil, e eu não sou uma guerreira forte, saiba que de todos nesse mundo, você é o único que me faz querer continuar com o coração batendo, mas não posso te ter todos os dias, e quando você não está eu vivo num completo inferno. Eu vivo somete por você. Adeus, Joseph Marshall.”

A musica havia voltado do seu ponto de pause, e eu já não estava conseguindo me controlar, as lagrimas desciam dos meus olhos como chuva do céu. Lembrei-me dos cigarros no meu bolso quando vi uma caixa de fósforos no criado mudo.

Eu precisava me acalmar, e os cigarros me ajudariam.

A tristeza nos deixa viciados, agora eu intendo os meus meios irmãos, estou me afundando na mesma merda que eles, eu não estou me sentindo orgulhoso disso, apenas não me importo mais.

Seco meus olhos e acendo o cigarro, levantando-me e me apoiando sobre a janela onde Reese se jogou. Dou meu primeiro trago.

Ainda há sangue dela no chão.

Não sei o que pensar ou sentir, as imagens que minha cabeça cria dela se matando são absurdas, estou paralisado, com os olhos fixados na mancha de sangue fraco no chão. Eu poderia falar tantas coisas, todas as coisas que eu queria e não pude, por que ela se foi cedo demais, mas a única coisa que consigo sibilar é:

Adeus, Reese Donavan.



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