História Coletânea de Contos - Adolescente ocioso - Capítulo 11


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alternativo, Coletânea De Contos, Confusão, Conto, Rebelde, Rock Sexo, Skins
Exibições 5
Palavras 1.068
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lírica, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Foda-se o seu falso cristianismo Margo Martin


Fanfic / Fanfiction Coletânea de Contos - Adolescente ocioso - Capítulo 11 - Foda-se o seu falso cristianismo Margo Martin

Hoje era o dia, eu não poderia mais adiar, muito menos meu pai. Hoje ele estava livre, sem reuniões, nem viagem, ela ia sair da empresa e nos encontraríamos num restaurante. Hoje eu ia falar a verdade. Dizer que gosto de meninas. Isso vai ser fácil, não?

Garotas gostam de garotas, assim como os garotos gostam.

O motorista dobrou a esquina e eu o vi, de torno, esperando-me na porta do restaurante, sua postura intimidadora. Ele fez me lembrar de quando mamãe era viva, íamos sempre nesse lugar, era seu o local favorito, a comida não é boa, mas mamãe sempre gostou de como você sempre era bem recebido lá dentro. Desci do carro e ele sorriu quando me viu.

É bom vê-lo longe de Julie

Somente nos dois, sinto que somos parceiros, como antes, quando nos escondíamos de Sebastian e Elena nas brincadeiras, ele me ensinou a trapacear em qualquer jogo.

Sinto falta do meu pai.

“Linda como sempre, patinho.” Ele beijou-me no meio da cabeça.

“Formal como sempre, ganso.” Respondi, e ele esticou o braço para mim.

Entremos e eu me senti na minha festa de quinze anos novamente, quando meu pai desceu a escadaria do salão agarrado em mim, em parte por que íamos dançar valsa, e a outra parte para eu não cair.

Nunca me dei bem com saltos, e minha mãe não está aqui para me ensinar.

Sentamos, papai fez o pedido, ele sabe exatamente o que quero. Quando o garçom nos deixa eu consigo ver o brilho em seus olhos.

Cada pedaço desse local o lembra da mamãe.

Desde as pinturas na parede – ela doou a metade – até a musica tocada ao vivo, mãe era compositora. Ela viveu pela arte, e nos deixou esse legado, Sebastian tem seu dom para a pintura, Elena para a atuação e cantoria, e eu fiquei com a composição, sempre fomos felizes assim. Papai costumava cozinhar, ele fazia os melhores doces da cidade.

Mas isso foi há muito tempo atrás.

Agora, eu tenho certeza de que se ele colocar a mão numa comida qualquer, ela ira queimar ou transbordar no fogo. Ele perdeu essa virtude quando perdemos mamãe.

“Então, querida, o que queria conversar?” Ele puxou um guardanapo e o colocou nas pernas. “Pelo telefone pareceu algo serio.”

“E é.” Tentei encaro seria, mas seu celular tocou, e ele apenas me levantou o dedo, pedindo para que eu esperasse e se levantou, abrindo a porta do restaurando e deixando só na mesa.

23 Minutos depois.

O nosso pedido já havia chegado, macarrão e suco. Eu estava na metade do meu prato quando meu pai se sentou e sibilou umas desculpas que eu praticamente não escutei, estava com raiva de mais por ter sido deixada sozinha.

Eu o implorei para que hoje fosse diferente.

Olhei em volta, as crianças corriam enquanto ainda tinham comida na boca, os pais gritavam para elas voltarem aos seus lugares, mas elas não obedeciam.

“Filha, por favor, terminemos rápido, acabo de falar com meu sócio e ele quer que eu vá encontra-lo agora, acho que nem vou comer essa coisa.” Ele empurrou o prato. “Iremos parar em um restaurante perto do meu trabalho, lá eles tem coisas comestíveis.”

Juro que não sei o que deu em mim, eu simplesmente soltei as palavras, o arrependimento veio logo depois.

“Quando foi que você se tornou tão babaca?” Meu pai arregalou os olhos.

Eu já havia começado, não ia terminar agora.

“Sua filha mais nova te liga dizendo que precisa te contar algo, então você simplesmente atente o telefone.”

“Era do meu trabalho, Margo, você não está sendo muito compreensiva.”

“Já fui compreensiva por tempo bastante, eu sou mais importante que o seu trabalho, eu tenho apenas você...”.

“Tem a Julie agora.”

Não acredito.

“Eu odeio aquela mulher.” Gritei. “Mais do que odeio o seu novo eu. Odeio o que você se transformou.” Eu estava em pé, falando alto, se não fosse pela musica, todos estariam nos olhando nesse momento.

“Margo.” Meu pai estava incrédulo. “Diga-me sobre o que todo esse show se trata.”

Escorreguei até a cadeira, tendo que me segurar em algo, talvez tivesse sido por conta da raiva, mas eu não queria mais segurar, queria saltar tudo o que tinha guardado, feri-lo com minhas palavras, igual ele me fere com suas ações.

“Eu sou lesbica, pai.”

Silencio.

Meu pai se se se encostou à cadeira e fechou os olhos, respirando fundo. Ou ele estava tentando assimilar minhas palavras, ou estava tentando se controlar para não fazer um Show no meio de todos.

“Repita, papai está ficando velho, não ando entendendo direito o que me dizem.” Ele disse calmo e eu suspirei.

Isso é tão clichê.

“Você entendeu o que eu disse.” Estreitei os olhos, eu gostaria de ter controlado as palavras, mas a minha emoção no momento não deixou, então abusei do drama, igual Elena havia me ensinado. “Eu sou lesbica, pai, eu gosto de garotas, nunca poderei te dar um neto, por que serei sempre uma amante de garotas.”

Papai se levantou.

“Venha, vamos para casa.” Eu o encarei sem entender. “Em casa conversamos.” Ele puxou meu braço e eu o empurrei.

“Não. Quero saber o que está pensando, saber o que quer me dizer.” Elevei minha voz, tentando chamar a atenção. “Quero que todos saiam o que você tem a dizer, se vai me ferir, ou se será um pai de verdade e me dará amor além de qualquer coisa.”

“Margo, minha filha, pare de ser dramática.”

Não estou nem começando.

“Diga.”

Meu pai hesitou.

“Isso não é certo, Margo, meninas não devem ficar com meninas.” Vaias acompanharam a suas palavras.

Os clientes estavam com os olhos atentos, não entendo, mas as pessoas gostam de ver uma cena onde alguém se assume homossexual, pelo menos as que não agridem tanto a pessoa. Eles gostam de ver uma pessoa saindo da sua jaula, assumindo-se para o mundo, sem ter vergonha.

“Isso é pecado, minha pequena.” Meu queixo caiu. “Imagine, por que Deus criou Adão e Eva se quisesse que eles ficassem com alguém do mesmo sexo?”

Puxei a minha jaqueta da cadeira, eu não aguentava nem ao menos olhar para meu pai. Aquilo é pecado? Ele nem ao menos frequenta a igreja.

Foda-se o seu falso cristianismo.

 Corri para fora, segurando o passo apenas para olhar pra trás apenas e dizer a única coisa que conseguia pensar:

Vá pro inferno, santo cristão.”



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